Nos últimos dias reuniu em congresso a Convergência Ampla de Salvação
de Angola(CASA-CE), e do enclave saiu reeleito o presidente Abel
Chivukuvuku. De Portugal foram convidados PSD, PS, CDS e BE, presentes com as respectivas delegações e mensagens. Significativo
e notável, como os mesmos que por cá ululam e rasgam as vestes,
acusadores de uns e outros, sejam exactamente os mesmos que estão
dispostos a apoiar uma força política que nos seus traços essenciais
corresponde a uma recauchutagem ideológica de um sector da UNITA, por
sinal um sector especialmente próximo do colonialismo e do imperialismo
em África e Angola. Esta força política, que
aqueles quatro tristes partidos foram relevar, reelegeu para líder, Abel
Chivukuvuku, um antigo alto quadro da UNITA, uma personagem cujo
percurso de vida e formação é feito no império e ao seu serviço, na
guerra e em constante aprendizagem, dependência e ligação política aos
serviços militares e secretos de diversas potências capitalistas
ocidentais como a Alemanha Federal, a Inglaterra, os EUA e obviamente
também a sua vizinha e aliada África do Sul, esta ainda sob o regime de
apartheid. Portanto, parece que Chivukuvuku e esta tal CASA-CE são
referências para a Angola democrática pela qual alguns ardentemente se
dizem bater. No congresso um exaltado chegou até a prognosticar que“CASA-CE e as forças democráticas de Angola é que vão construir essa paz verdadeira”.
Ou seja, os que defenderam o colonialismo e o imperialismo, os que
condenaram Angola e o seu povo a décadas de guerra civil, sabotagem e
pilhagem dos recursos nacionais são agora a referência para a “paz verdadeira”. Espantoso. Sobre este projecto político, os seus apoiantes inconfessados e os seus apoios declarados em Portugal, na comunicação social lusa ninguém questionará nada, sobre outros apoios e financiamentos em curso seguramente também não. É
preciso seguir este e outros processos similares com atenção porque é
visível a reorganização dos derrotados de Kuito Kuanavale por Angola e
África.
Via: Manifesto 74 http://bit.ly/2c94Kj2
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Um em cada três professores gostava de deixar de dar aulas
Marcos Borga
Inquérito a quase três mil docentes de todo o país revela elevado grau
de desmotivação, com um terço dos profissionais a dizer-se “exausto” e
“desiludido”. Quase todos consideram que o prestígio da sua profissão
diminuiu, mas é no ensino público que o desencanto se faz sentir mais
Um em cada três professores gostava de deixar de dar aulas
A ideia era conhecer o estado de espírito dos professores, o que os
satisfaz, do que não gostam e qual a perceção que têm da forma como a
sociedade olha para o seu desempenho. Quase três mil de 130 escolas e
agrupamentos responderam ao inquérito lançado pela Fundação Manuel Leão.
E o retrato está longe de ser positivo. Quando questionados sobre o que
gostariam de fazer nos próximos cinco anos, mais de 30% indicaram que
deixariam de dar aulas se tal estivesse ao seu alcance.
Desagregando
as respostas, verifica-se que13,5% responderam querer aposentar-se
antecipadamente se possível; 8,9% preferiam trabalhar noutra atividade
não docente e 8,1% disseram que só continuam a dar aulas por “não ter
outra alternativa”. Tudo somado, conclui-se que em cada três preferia
deixar de ensinar.
Sem surpresas, é entre os que acumulam mais de
35 anos serviço que mais se anseia a reforma antecipada: o valor atinge
os 43%. Mas entre os que dão aulas há 31-35 anos o valor não deixa de
ser alto: 33%.
Não se sabe se um questionário semelhante fosse
aplicado a outras profissões, se os resultados seriam mais altos ou mais
baixos. No entanto, sublinha Joaquim Azevedo, presidente da Fundação
Manuel Leão e ex-secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, o
facto de se tratar de uma classe com 125 mil profissionais torna estes
números muito significativos e preocupantes. “Estamos a falar de 40 mil
profissionais que, por uma razão ou outra, sentem esse mal-estar, que é
muito alargado. Isto é grave porque a nossa expectativa quando colocamos
um filho na escola é que tenham ali profissionais competentes, mas
também motivados e disponíveis. Não estava à espera destes valores, que
envolvem tantos docentes”, afirma.
No estudo “As preocupações e
as motivações dos professores”, que será debatido amanhã em Vila Nova de
Gaia, ressalva-se que embora a amostra não seja estatisticamente
representativa do universo dos docentes em termos rigorosos de
estratificação estatística, fica “muito próxima desse modelo”.
O
descontentamento encontrado é visível em várias das 30 questões
colocadas, num inquérito aplicado entre maio e julho deste ano. Apesar
de a esmagadora maioria (92%) dos inquiridos ter escolhido razões
vocacionais para ser professor – o gosto pelo ensino é a razão
maioritariamente invocada, enquanto menos de 8% referem motivos mais
instrumentais como “ganhar a vida" – o acumular de anos de exercício da
profissão acaba por fazer desaparecer ou reduzir muito a satisfação
inicial. Ao todo, 68% disseram estar menos satisfeitos quando comparado
com o início de carreira, estando 41% desses “muito insatisfeitos”
mesmo.
Tal como nas respostas já referidas, é no sector público
que os professores manifestam maiores níveis de insatisfação. Os autores
do estudo destacam, por exemplo, o facto de 29% dos que dão aulas em
estabelecimentos privados estarem “mais ou muito mais satisfeitos do que
no início da sua vida profissional”, contra menos de metade (12%) dos
docentes das escolas estatais.
Desmotivados e exaustos
Perguntou-se
também a educadores e professores se concordavam com a afirmação “os
professores sentem-se motivados para ensinar”. E mais uma vez ficou
evidente a descrença de muitos. No sector privado, um em cada cinco
disseram discordar da afirmação. Já entre os professores do público a
mesma resposta foi dada por um em cada três. Por outras palavras, 35%
consideraram que os colegas não estão motivados para ensinar.
Claro
que a perceção tende a tornar-se mais negativa à medida que aumenta o
tempo de serviço e a idade. Mas o que os dados deste inquérito mostram é
que mesmo entre os mais novos há um sentimento negativo, expresso por
25% dos inquiridos com menos de 3 anos de exercício profissional.
Educadores de infância e professores das escolas profissionais são os
que têm a visão mais otimista.
Tendo presente que a maioria dos
professores (65%) define como “positiva” a sua relação com o trabalho
docente, um número “apreciável”, nas palavras dos autores do estudo,
diz-se “exausto” (19%), “desiludido” (13%), “baralhado” (2%). E é
sobretudo a partir dos 11 anos de serviço que o trabalho parece começar a
pesar, com estes sentimentos negativos a estenderem-se a mais
professores.
O “desinteresse” da elite dirigente
O facto
de as perceções e estados de espírito dos professores piorarem
consideravelmente à medida que acumulam anos de aulas torna-se mais
preocupante pensando que esta classe profissional está em processo de
rápido envelhecimento.
Em 2014/15, apenas 0,4% do corpo docente
em exercício nas escolas públicas tinha menos de 30 anos. Já com mais de
50 anos eram 43%. Não sendo um exclusivo nacional, Portugal é um dos
países onde o fenómeno do envelhecimento mais se tem acentuado, indicam
os números internacionais. Apenas um exemplo: no 3º ciclo e secundário,
duplicou numa década, a percentagem de professores com mais de 50 anos -
de 20% para 40%. E passou de 14% para menos de 1% os que têm menos de
30 anos.
Joaquim Azevedo sublinha esta evolução e acrescenta
outros fatores de desgaste acrescido como os cortes nos vencimentos, o
congelamento das carreiras, o aumento da idade da reforma, do número de
alunos por turma e do número de horas letivas.
Nas notas finais
do estudo, deixa o lamento: “Nunca houve, desde o 25 de Abril, qualquer
momento em que os professores tivessem sido alvo preferencial de
políticas governamentais, com medidas articuladas e profundas de
dignificação e valorização pública da sua atividade profissional. Isto
apesar de muitos reconhecerem que os professores são um elemento chave
da evolução da sociedade portuguesa, mais ainda quando a escolaridade
obrigatória passou a ter 12 anos de duração. Este facto traduz, a meu
ver, um evidente desinteresse por parte da elite dirigente, com o futuro
do país e com a qualidade na educação da sua população.”
Faça estas oito coisas e tornar-se-á mais criativo(a) e perspicaz, afirmam neurocientistasPor Brigid SchulteSe
acha que não fazer nada é mau para si, desengane-se. Na opinião de um
especialista da questão, isso torna-nos, pelo contrário, mais
suscetíveis de ter ideias originais – ideias essas que surgirão na nossa
consciência como instantes de revelação.
O Espelho Falso, de 1928, de René Magritte René Magritte
Os
testes de inteligência humana mostram que enquanto o QI – a medida das
nossas capacidades analíticas – parece estar a aumentar, o pensamento
criativo poderá estar a declinar, porque o nosso mundo hiperactivo exige
que sejamos cada vez mais analíticos. O neurocientista John Kounios,
professor de Psicologia da Universidade de Drexel (em Filadélfia, nos
Estados Unidos) e co-autor, com o seu colega Mark Beeman, do livro The Eureka Factor (O Factor Eureka), estuda a forma como a criatividade e esse momento em que de repente percebemos algo (insight
em inglês) começam no cérebro. E explica-nos que há uma série de coisas
muito simples que podemos fazer para estimular essa revelação súbita, o
pensamento “fora da caixa”, a criatividade e os “murmúrios da
intuição”. Por que se interessou pela ciência da revelação súbita?
Houve uma controvérsia, na psicologia cognitiva, em torno da questão de
saber se o pensamento muda gradualmente ao longo do tempo – num
“processamento contínuo” – ou se o nosso cérebro passa de repente de um
estado para outro e depois para outro. A ideia aceite na altura era que
qualquer pensamento fluía gradualmente e que o que as pessoas sentiam
como uma revelação súbita não era mais do que um floreado emocional, um
entusiasmo adicional no fim do processo de raciocínio, que fazia com que
a revelação parecesse surgir de repente. Nós concebemos algumas
experiências, utilizando anagramas (sequências de letras que é preciso
reordenar para identificar uma palavra) e descobrimos que algumas
pessoas passam, num pulo, de não fazer a mínima ideia da solução a ter a
solução. Isso mostrou-nos que a revelação súbita é um fenómeno real.
Foi então que decidi focar-me nas bases neurais da criatividade e que
comecei a trabalhar com o meu colega Mark Beeman no sentido de mapearmos
ao mesmo tempo onde e quando essa revelação súbita acontece no cérebro.
Eu uso a técnica de eletroencefalografia (EEG), que mede a actividade
elétrica do cérebro e permite determinar exactamente quando é que algo
está a acontecer no cérebro. Porém, a EEG não permite mostrar onde é que
essa actividade está localizada. Mas o Mark usa a tecnologia de
ressonância magnética funcional (fMRI), que deteta alterações no fluxo
sanguíneo cerebral e é justamente muito útil para mostrar onde é que a
actividade está a acontecer (embora o seja menos em termos temporais).
Foi por isso que decidimos combinar as nossas
estratégias. E o que descobriram? O estudo da questão da revelação súbita coloca vários desafios. Adorava enfiar pessoas dentro de um scanner cerebral
e esperar que tivessem uma experiência deste tipo. Mas isso não é
exequível. Portanto, o que fazemos é submetê-las a testes [da
criatividade] chamados “problemas de associações remotas”. Cada teste
consiste em apresentar três palavras, como pine/crab/sauce [pinheiro/caranguejo/molho].
Os participantes têm então de pensar numa quarta palavra que permita
formar uma palavra composta ou uma expressão familiar com cada uma
dessas três palavras. Neste exemplo, a resposta é apple [porque com a palavra que em inglês significa "maçã" formam-se pineapple (ananás), crabapple (macieira) e apple sauce (compota
de maçã)]. As pessoas podem resolver estes problemas de duas
maneiras. Uma é a forma analítica, metódica – ou seja, através de um
raciocínio analítico. E a outra é aquela que, por vezes, faz com que
olhem para o problema e que a solução surja de repente na sua
consciência. “Ah, é isso!”, pensam. O que nós fizemos foi comparar a
actividade cerebral dos dois tipos de soluções: a analítica e a da
revelação. E constatámos que, precisamente no instante em que o problema
é resolvido num instante de revelação, há um surto de ondas cerebrais
gama no lobo temporal direito, situado acima da orelha – e, mais
concretamente, no giro temporal superior anterior direito. As pessoas
que resolvem o problema de forma analítica não apresentam essa
actividade específica. Também testámos as pessoas no seu estado de
repouso e a seguir demos-lhes um monte de anagramas para resolver. E
descobrimos que enquanto algumas pessoas, que designamos como
analíticas, tendem a utilizar um raciocínio analítico para resolver
estes enigmas, há um outro grupo, o dos “perspicazes” [insightful],
que recorrem principalmente à revelação. Também observámos que, mesmo
em repouso, os cérebros destes dois grupos de pessoas funcionam de
maneira ligeiramente diferente. As pessoas altamente analíticas
apresentam um maior nível de actividade no seu lobo frontal esquerdo. E
as mais perspicazes uma maior actividade no lobo parietal posterior
direito, na parte traseira do cérebro. Os lobos frontais têm que ver com
concentração, controlo, pensamento estratégico – e as pessoas em cujo
cérebro eles estão muito activos são muito organizadas e muito focadas.
Quando o lobo frontal é desactivado, as pessoas têm tendência a ser
relativamente dispersas e desorganizadas, mas também algo criativas.De
facto, as pessoas que sofrem de transtorno do défice de atenção e
hiperactividade (ADHD na sigla em inglês) tendem a ter um desempenho
melhor nos testes de criatividade.Também descobrimos uma terceira
categoria de pessoas, que podem ser altamente analíticas ou altamente
perspicazes e que conseguem mudar voluntariamente o seu estado cerebral,
passando de um destes estilos cognitivos para o outro quando
necessário. Portanto, somos capazes de pensar das duas maneiras. Há uma melhor do que a outra?Há
problemas que podem ser resolvidos de ambas as maneiras –
analiticamente ou através de um instante de revelação. Outros são mais
adaptados ao raciocínio analítico. Se eu apresentar a alguém uma coluna
de números a adicionar, não é possível esperar encontrar a resposta
olhando para eles. Talvez alguns “savants”
[pessoas com capacidades excecionais, como pode acontecer no autismo] o
consigam, mas a maioria das pessoas não é capaz. O que elas sabem é
como, passo a passo, adicionar os números e calcular o resultado.
Contudo, há problemas que não têm este tipo de constrangimentos, que são
abertos. Por exemplo: como fazer para ser feliz? Para ser boa pessoa?
Aqui não há regras de base particulares, não existe uma fórmula que se
possa aplicar para chegar à resposta. E as pessoas resolvem
frequentemente este tipo de problemas através de instantes de revelação,
que são uma forma de criatividade que nestes casos se torna desejável
possuir. Ora, como é cada vez mais frequente que os problemas com que
somos confrontados no mundo actual, enquanto indivíduos e enquanto
sociedade, sejam demasiado complexos, imbricados e globais – o
terrorismo, a poluição… –, o facto é que não existe um método simples
para os resolver. Exigem criatividade. Como é que os leitores podem estimular a sua perspicácia, a sua criatividade?
A perspicácia é como os gatos. Não é possível mandar nela. Podemos
incentivá-la, mas não a podemos controlar. A criatividade e a
perspicácia derivam de um estado cerebral particular. Portanto, se
conseguirmos colocar-nos nesse estado mental, aumentamos as nossas
hipóteses de ter revelações criativas. E com base em estudos
científicos, sabemos que o facto de alterar alguns aspectos do nosso
ambiente pode ajudar. 1)
Ser positivo(a): tem havido muita investigação, nos últimos 20 a 30
anos, que mostra que ser positivo (a) aumenta a criatividade. Quando a
nossa disposição é algo negativa, ansiosa, isso melhora, pelo contrário,
o pensamento analítico. A criatividade provém de um sentimento de
segurança. Quando nos sentimos em segurança, somos capazes de arriscar. E
a criatividade é intelectualmente arriscada. As ideias novas podem
estar erradas. Pôr essas ideias em prática pode suscitar resistências.
Quando sentimos ameaças subtis, inconscientes, temos a impressão de que
não nos é permitido errar. Precisamos de ficar focados no tema em causa,
não nos podemos afastar do problema em si ou daquilo que temos de
fazer. Nós também observámos que a existência de prazos, que subentende
uma ameaça implícita ou consequências negativas se não forem
respeitados, pode gerar ansiedade e deslocar a nossa estratégia
cognitiva para uma forma mais analítica de raciocínio. Os prazos podem
conduzir a um aumento da produtividade analítica, mas se um empregador
quer mesmo qualquer coisa “fora da caixa”, inovador e original, talvez
um prazo menos rígido possa suscitar mais criatividade. Num outro
estudo, descobrimos que as pessoas que resolviam os problemas de forma
analítica apresentavam maior actividade no seu córtex visual – ou seja,
estavam focadas no exterior. Mas antes de as pessoas resolverem um
problema num instante de revelação a sua actividade cerebral no córtex
visual diminuía: estavam a focar a sua atenção para dentro. Também antes
desse instante de revelação verificava-se uma maior actividade no
cingulado anterior das pessoas, uma região do cérebro situada no meio da
cabeça. O cingulado anterior tem como função monitorizar o resto de
cérebro para detectar conflitos – e também detecta diferentes
estratégias de resolução de problemas. E, como não é possível utilizar
duas estratégias ao mesmo tempo, são as mais óbvias que costumam ser
fortemente activadas. As outras – as intuições, os palpites, que tendem a
ser mais criativas, até bizarras ou excêntricas – são menos activadas,
mais fracas, mais distantes. Porém, quando a nossa disposição é
positiva, ficamos mais sensíveis a “apanhar” essas ideias inconscientes
menos activadas. E, quando as detectamos, a nossa atenção pode virar-se
para elas e elas podem surgir na nossa cabeça como uma revelação. Pelo
contrário, se estivermos de mau humor e o cingulado anterior não for
activado, seguimos o caminho mais forte, que costuma ser o mais fácil.
Portanto, a boa disposição expande literalmente o nosso pensamento.
2)
Grandes espaços: a atenção percetual – a maneira como focamos a nossa
visão – parece estar relacionada com a chamada “atenção conceptual”. Se
estivermos num espaço exíguo, por exemplo, a trabalhar num cubículo, não
é possível dar largas à nossa atenção visual. Ela permanece focada
nesse espaço estreito. E, quando a atenção visual se encontra
restringida, o mesmo acontece com a atenção conceptual, que se torna
estreita e focada, promovendo o pensamento analítico.Mas se nos
encontrarmos num espaço amplo – num grande gabinete com um pé-direito
alto ou fora de portas –, a nossa atenção visual alarga-se para encher
esse espaço e a nossa atenção conceptual expande-se. É por isso que
muitas personalidades criativas gostam de estar lá fora, de fazer longas
caminhadas na natureza e vão à procura de inspiração nos espaços
abertos e amplos. Quando conseguimos ver ao longe, podemos pensar de
forma mais lata.
3) Evitar objectos cortantes: nós descobrimos que quando as pessoas
estão rodeadas de objetos pontiagudos e de arestas marcadas, tais como
um sofá anguloso ou um corta-papel que parece um punhal, isso pode
causar aquele sentimento subtil e inconsciente da existência de uma
ameaça. E, quando isso acontece, a atenção estreita-se. Portanto, o
ambiente ideal para fomentar a revelação súbita é um grande espaço, bem
arejado, “mobilado” com objetos fofos e arredondados. 4)
As cores da natureza: como pensamos na cor vermelha como numa cor da
urgência, associada ao sangue, aos carros de bombeiros e aos sinais de
Stop, ela capta e estreita a atenção. Mas as cores do meio exterior,
como o azul do céu ou o verde das árvores, têm sido associadas à
relaxação, à expansão, à geração de um sentimento de segurança que ajuda
a atenção a expandir-se e aumenta a criatividade. Isto não vale para
todos. Se o nosso passatempo favorito for cultivar rosas, poderemos
associar o vermelho às rosas que amamos. 5)
Fazer pausas: quando estamos bloqueados e marcamos um intervalo para
fazer algo completamente diferente, esquecemos a má ideia em que
estávamos fixados. Isso permite que outras ideias, melhores ideias,
cheguem à superfície da nossa consciência como bolhas. E, se estivermos a
trabalhar num problema sem o conseguir resolver, a pausa torna o nosso
cérebro mais sensível as coisas à nossa volta relacionadas com o
problema. Ficamos mais observadores e conseguimos estabelecer uma
associação, que a seguir se torna consciente sob a forma de uma súbita
revelação.
6) Dormir: uma das ferramentas mais poderosas para promover a
perspicácia é o sono. Se estiver bloqueado(a), durma uma sesta, vá para a
cama. Conseguirá expurgar melhor a ideia inútil em que se fixou e
ficará mais sensível a pistas suscetíveis de resolver os problemas. Uma
das descobertas mais interessantes das neurociências dos últimos 20 anos
é que, quando adquirimos memórias, elas são armazenadas sob uma forma
temporária e frágil, semelhante ao cimento fresco. O cimento começa por
ser mole e só endurece quando seca – tornando-se então forte e durável.
As memórias também. Endurecem graças a um processo de consolidação, que
decorre principalmente durante o sono. De facto, a consolidação da
memória também transforma a memória. Faz ressaltar os pormenores, as
relações ocultas e pode ser a base da criatividade e da revelação. É
por isso que existem tantas histórias de pessoas que acordam a meio da
noite com uma ideia nova ou a solução de um problema. Tal como Paul
McCartney, que acordou uma manhã com uma melodia na cabeça. Era a da
canção Yesterday. Simplesmente, apareceu. O sono é um supercarregador da criatividade. 7)
Não fazer nada: não fazer nada é um trabalho criativo, porque quando
estamos conscientemente a não fazer nada, a parte consciente ocupa
apenas uma minúscula parte do nosso cérebro – e o resto, a parte
inconsciente, esse não pára. Há um processo que os psicólogos cognitivos
chamam “incubação” – que é o cérebro a remoer associações. Essas
associações podem depois surgir na consciência como revelações súbitas. O
sono e o não fazer nada são dois supercarregadores do processo de
incubação, por que deixam vaguear a nossa mente sem haver nenhuma tarefa
especial para cumprir. Quando as pessoas têm constantemente a mente
cheia de tarefas, isso inibe o processo de incubação. Não quero dizer
com isso que as pessoas devam tornar-se eremitas ou livrar-se de todos
os gadgets,
que também incentivam a incubação. Mas precisamos de um equilíbrio
entre não fazer nada e fazer coisas. Precisamos de ambos para alimentar a
criatividade e a perspicácia.
8) Tomar duche: o duche é um sítio fantástico para deixar vaguear a
mente, para incubar pensamentos e preparar o terreno da revelação.
Debaixo do chuveiro, a água é cálida, não sentimos fronteiras entre a
nossa pele e o exterior do nosso corpo. Sentimo-nos expansivos. Há um
ruído branco em pano de fundo e o que vemos está um pouco desfocado,
levando-nos a virar o nosso pensamento para dentro, como se estivéssemos
em condições de privação sensorial. Permite que a nossa mente vagueie e
que a nossa atenção se expanda. É por isso que as pessoas tendem a ter
grandes ideias no duche. Exclusivo PÚBLICO/Bloomberg/The Washington Post
Programa
sobre o livro do escritor austríaco Robert Musil, chamado O homem sem
qualidades, cujo primeiro volume foi publicado em 1930. O livro narra um
período na vida de um homem que busca encontrar um caminho para sua
vida e se integrar na sociedade de sua época, num lugar chamado Kakânia,
que seria Viena, na Áustria. Ele retrata a sociedade austríaca pouco
antes da primeira guerra mundial, em 1913. O livro foi escrito nu...ma
linguagem que mistura romance e reflexões filosóficas e nunca foi
terminado; Musil trabalhou nele até morrer, em 1942. O segundo volume
foi publicado em 1933 e o terceiro em 1943, junto com diversos rascunhos
de capítulos inacabados. Apesar disso é tido como um livro fundamental,
um dos mais importantes em língua alemã do século XX. Playlist -
Literatura Fundamental - https://goo.gl/GmwRDk *Assista a UNIVESP TV ao vivo, e veja nossa programação completa em http://univesptv.cmais.com.br
*De segunda a sexta às 09h e 21h, o programa Estúdio Univesp traz
entrevistas, debates, notícias e matérias especiais na tela da UNIVESP
TV. *Sintonize a UNIVESP TV através da multiprogramação da TV Cultura.
Em São Paulo o canal é o 6.2. *UNIVESP TV - O canal para quem quer saber
mais e aprender sempre!https://youtu.be/2Ctedfvw3KE…
Thomas
More, Thomas Morus ou Tomás Moro foi homem de estado, diplomata,
escritor, advogado e homem de leis, ocupou vários cargos públicos, e em
especial, de 1529 a 1532, o cargo de "Lord Chancellor" de Henrique VIII
da Inglaterra.Wikipédia