segunda-feira, 12 de setembro de 2016


Colonialismo e Imperialismo? Não e não! Só a pergunta já nos ofende.

Nos últimos dias reuniu em congresso a Convergência Ampla de Salvação de Angola(CASA-CE), e do enclave saiu reeleito o presidente Abel Chivukuvuku.
De Portugal foram convidados PSD, PS, CDS e BE, presentes com as respectivas delegações e mensagens.
Significativo e notável, como os mesmos que por cá ululam e rasgam as vestes, acusadores de uns e outros, sejam exactamente os mesmos que estão dispostos a apoiar uma força política que nos seus traços essenciais corresponde a uma recauchutagem ideológica de um sector da UNITA, por sinal um sector especialmente próximo do colonialismo e do imperialismo em África e Angola.
Esta força política, que aqueles quatro tristes partidos foram relevar, reelegeu para líder, Abel Chivukuvuku, um antigo alto quadro da UNITA, uma personagem cujo percurso de vida e formação é feito no império e ao seu serviço, na guerra e em constante aprendizagem, dependência e ligação política aos serviços militares e secretos de diversas potências capitalistas ocidentais como a Alemanha Federal, a Inglaterra, os EUA e obviamente também a sua vizinha e aliada África do Sul, esta ainda sob o regime de apartheid.
Portanto, parece que Chivukuvuku e esta tal CASA-CE são referências para a Angola democrática pela qual alguns ardentemente se dizem bater. No congresso um exaltado chegou até a prognosticar que “CASA-CE e as forças democráticas de Angola é que vão construir essa paz verdadeira”. Ou seja, os que defenderam o colonialismo e o imperialismo, os que condenaram Angola e o seu povo a décadas de guerra civil, sabotagem e pilhagem dos recursos nacionais são agora a referência para a “paz verdadeira”. Espantoso. 
Sobre este projecto político, os seus apoiantes inconfessados e os seus apoios declarados em Portugal, na comunicação social lusa ninguém questionará nada, sobre outros apoios e financiamentos em curso seguramente também não.
É preciso seguir este e outros processos similares com atenção  porque é visível a reorganização dos derrotados de Kuito Kuanavale por Angola e África.
Via: Manifesto 74 http://bit.ly/2c94Kj2

quinta-feira, 8 de setembro de 2016



 
Um em cada três professores gostava de deixar de dar aulas
Marcos Borga

Inquérito a quase três mil docentes de todo o país revela elevado grau de desmotivação, com um terço dos profissionais a dizer-se “exausto” e “desiludido”. Quase todos consideram que o prestígio da sua profissão diminuiu, mas é no ensino público que o desencanto se faz sentir mais

Isabel Leiria

Um em cada três professores gostava de deixar de dar aulas


A ideia era conhecer o estado de espírito dos professores, o que os satisfaz, do que não gostam e qual a perceção que têm da forma como a sociedade olha para o seu desempenho. Quase três mil de 130 escolas e agrupamentos responderam ao inquérito lançado pela Fundação Manuel Leão. E o retrato está longe de ser positivo. Quando questionados sobre o que gostariam de fazer nos próximos cinco anos, mais de 30% indicaram que deixariam de dar aulas se tal estivesse ao seu alcance.
Desagregando as respostas, verifica-se que13,5% responderam querer aposentar-se antecipadamente se possível; 8,9% preferiam trabalhar noutra atividade não docente e 8,1% disseram que só continuam a dar aulas por “não ter outra alternativa”. Tudo somado, conclui-se que em cada três preferia deixar de ensinar.
Sem surpresas, é entre os que acumulam mais de 35 anos serviço que mais se anseia a reforma antecipada: o valor atinge os 43%. Mas entre os que dão aulas há 31-35 anos o valor não deixa de ser alto: 33%.
Não se sabe se um questionário semelhante fosse aplicado a outras profissões, se os resultados seriam mais altos ou mais baixos. No entanto, sublinha Joaquim Azevedo, presidente da Fundação Manuel Leão e ex-secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, o facto de se tratar de uma classe com 125 mil profissionais torna estes números muito significativos e preocupantes. “Estamos a falar de 40 mil profissionais que, por uma razão ou outra, sentem esse mal-estar, que é muito alargado. Isto é grave porque a nossa expectativa quando colocamos um filho na escola é que tenham ali profissionais competentes, mas também motivados e disponíveis. Não estava à espera destes valores, que envolvem tantos docentes”, afirma.
No estudo “As preocupações e as motivações dos professores”, que será debatido amanhã em Vila Nova de Gaia, ressalva-se que embora a amostra não seja estatisticamente representativa do universo dos docentes em termos rigorosos de estratificação estatística, fica “muito próxima desse modelo”.
O descontentamento encontrado é visível em várias das 30 questões colocadas, num inquérito aplicado entre maio e julho deste ano. Apesar de a esmagadora maioria (92%) dos inquiridos ter escolhido razões vocacionais para ser professor – o gosto pelo ensino é a razão maioritariamente invocada, enquanto menos de 8% referem motivos mais instrumentais como “ganhar a vida" – o acumular de anos de exercício da profissão acaba por fazer desaparecer ou reduzir muito a satisfação inicial. Ao todo, 68% disseram estar menos satisfeitos quando comparado com o início de carreira, estando 41% desses “muito insatisfeitos” mesmo.
Tal como nas respostas já referidas, é no sector público que os professores manifestam maiores níveis de insatisfação. Os autores do estudo destacam, por exemplo, o facto de 29% dos que dão aulas em estabelecimentos privados estarem “mais ou muito mais satisfeitos do que no início da sua vida profissional”, contra menos de metade (12%) dos docentes das escolas estatais.

Desmotivados e exaustos

Perguntou-se também a educadores e professores se concordavam com a afirmação “os professores sentem-se motivados para ensinar”. E mais uma vez ficou evidente a descrença de muitos. No sector privado, um em cada cinco disseram discordar da afirmação. Já entre os professores do público a mesma resposta foi dada por um em cada três. Por outras palavras, 35% consideraram que os colegas não estão motivados para ensinar.
Claro que a perceção tende a tornar-se mais negativa à medida que aumenta o tempo de serviço e a idade. Mas o que os dados deste inquérito mostram é que mesmo entre os mais novos há um sentimento negativo, expresso por 25% dos inquiridos com menos de 3 anos de exercício profissional. Educadores de infância e professores das escolas profissionais são os que têm a visão mais otimista.
Tendo presente que a maioria dos professores (65%) define como “positiva” a sua relação com o trabalho docente, um número “apreciável”, nas palavras dos autores do estudo, diz-se “exausto” (19%), “desiludido” (13%), “baralhado” (2%). E é sobretudo a partir dos 11 anos de serviço que o trabalho parece começar a pesar, com estes sentimentos negativos a estenderem-se a mais professores.

O “desinteresse” da elite dirigente

O facto de as perceções e estados de espírito dos professores piorarem consideravelmente à medida que acumulam anos de aulas torna-se mais preocupante pensando que esta classe profissional está em processo de rápido envelhecimento.
Em 2014/15, apenas 0,4% do corpo docente em exercício nas escolas públicas tinha menos de 30 anos. Já com mais de 50 anos eram 43%. Não sendo um exclusivo nacional, Portugal é um dos países onde o fenómeno do envelhecimento mais se tem acentuado, indicam os números internacionais. Apenas um exemplo: no 3º ciclo e secundário, duplicou numa década, a percentagem de professores com mais de 50 anos - de 20% para 40%. E passou de 14% para menos de 1% os que têm menos de 30 anos.
Joaquim Azevedo sublinha esta evolução e acrescenta outros fatores de desgaste acrescido como os cortes nos vencimentos, o congelamento das carreiras, o aumento da idade da reforma, do número de alunos por turma e do número de horas letivas.
Nas notas finais do estudo, deixa o lamento: “Nunca houve, desde o 25 de Abril, qualquer momento em que os professores tivessem sido alvo preferencial de políticas governamentais, com medidas articuladas e profundas de dignificação e valorização pública da sua atividade profissional. Isto apesar de muitos reconhecerem que os professores são um elemento chave da evolução da sociedade portuguesa, mais ainda quando a escolaridade obrigatória passou a ter 12 anos de duração. Este facto traduz, a meu ver, um evidente desinteresse por parte da elite dirigente, com o futuro do país e com a qualidade na educação da sua população.”

 

Faça estas oito coisas e tornar-se-á mais criativo(a) e perspicaz, afirmam neurocientistas  Por Brigid Schulte   Se acha que não fazer nada é mau para si, desengane-se. Na opinião de um especialista da questão, isso torna-nos, pelo contrário, mais suscetíveis de ter ideias originais – ideias essas que surgirão na nossa consciência como instantes de revelação.

https://imagens3.publico.pt/imagens.aspx/970613?tp=UH&db=IMAGENS&w=749O Espelho Falso, de 1928, de René Magritte René Magritte
Os testes de inteligência humana mostram que enquanto o QI – a medida das nossas capacidades analíticas – parece estar a aumentar, o pensamento criativo poderá estar a declinar, porque o nosso mundo hiperactivo exige que sejamos cada vez mais analíticos. O neurocientista John Kounios, professor de Psicologia da Universidade de Drexel (em Filadélfia, nos Estados Unidos) e co-autor, com o seu colega Mark Beeman, do livro The Eureka Factor (O Factor Eureka), estuda a forma como a criatividade e esse momento em que de repente percebemos algo (insight em inglês) começam no cérebro. E explica-nos que há uma série de coisas muito simples que podemos fazer para estimular essa revelação súbita, o pensamento “fora da caixa”, a criatividade e os “murmúrios da intuição”.             Por que se interessou pela ciência da revelação súbita?  Houve uma controvérsia, na psicologia cognitiva, em torno da questão de saber se o pensamento muda gradualmente ao longo do tempo – num “processamento contínuo” – ou se o nosso cérebro passa de repente de um estado para outro e depois para outro. A ideia aceite na altura era que qualquer pensamento fluía gradualmente e que o que as pessoas sentiam como uma revelação súbita não era mais do que um floreado emocional, um entusiasmo adicional no fim do processo de raciocínio, que fazia com que a revelação parecesse surgir de repente. Nós concebemos algumas experiências, utilizando anagramas (sequências de letras que é preciso reordenar para identificar uma palavra) e descobrimos que algumas pessoas passam, num pulo, de não fazer a mínima ideia da solução a ter a solução. Isso mostrou-nos que a revelação súbita é um fenómeno real.  Foi então que decidi focar-me nas bases neurais da criatividade e que comecei a trabalhar com o meu colega Mark Beeman no sentido de mapearmos ao mesmo tempo onde e quando essa revelação súbita acontece no cérebro. Eu uso a técnica de eletroencefalografia (EEG), que mede a actividade elétrica do cérebro e permite determinar exactamente quando é que algo está a acontecer no cérebro. Porém, a EEG não permite mostrar onde é que essa actividade está localizada. Mas o Mark usa a tecnologia de ressonância magnética funcional (fMRI), que deteta alterações no fluxo sanguíneo cerebral e é justamente muito útil para mostrar onde é que a actividade está a acontecer (embora o seja menos em termos temporais). Foi por isso que decidimos combinar as nossas estratégias.                                                                                                                                                               E o que descobriram? O estudo da questão da revelação súbita coloca vários desafios. Adorava enfiar pessoas dentro de um scanner cerebral e esperar que tivessem uma experiência deste tipo. Mas isso não é exequível. Portanto, o que fazemos é submetê-las a testes [da criatividade] chamados “problemas de associações remotas”. Cada teste consiste em apresentar três palavras, como pine/crab/sauce [pinheiro/caranguejo/molho]. Os participantes têm então de pensar numa quarta palavra que permita formar uma palavra composta ou uma expressão familiar com cada uma dessas três palavras. Neste exemplo, a resposta é apple [porque com a palavra que em inglês significa "maçã" formam-se pineapple (ananás), crabapple (macieira) e apple sauce (compota de maçã)].   As pessoas podem resolver estes problemas de duas maneiras. Uma é a forma analítica, metódica – ou seja, através de um raciocínio analítico. E a outra é aquela que, por vezes, faz com que olhem para o problema e que a solução surja de repente na sua consciência. “Ah, é isso!”, pensam. O que nós fizemos foi comparar a actividade cerebral dos dois tipos de soluções: a analítica e a da revelação. E constatámos que, precisamente no instante em que o problema é resolvido num instante de revelação, há um surto de ondas cerebrais gama no lobo temporal direito, situado acima da orelha – e, mais concretamente, no giro temporal superior anterior direito. As pessoas que resolvem o problema de forma analítica não apresentam essa actividade específica. Também testámos as pessoas no seu estado de repouso e a seguir demos-lhes um monte de anagramas para resolver. E descobrimos que enquanto algumas pessoas, que designamos como analíticas, tendem a utilizar um raciocínio analítico para resolver estes enigmas, há um outro grupo, o dos “perspicazes” [insightful], que recorrem principalmente à revelação. Também observámos que, mesmo em repouso, os cérebros destes dois grupos de pessoas funcionam de maneira ligeiramente diferente. As pessoas altamente analíticas apresentam um maior nível de actividade no seu lobo frontal esquerdo. E as mais perspicazes uma maior actividade no lobo parietal posterior direito, na parte traseira do cérebro. Os lobos frontais têm que ver com concentração, controlo, pensamento estratégico – e as pessoas em cujo cérebro eles estão muito activos são muito organizadas e muito focadas. Quando o lobo frontal é desactivado, as pessoas têm tendência a ser relativamente dispersas e desorganizadas, mas também algo criativas.De facto, as pessoas que sofrem de transtorno do défice de atenção e hiperactividade (ADHD na sigla em inglês) tendem a ter um desempenho melhor nos testes de criatividade.Também descobrimos uma terceira categoria de pessoas, que podem ser altamente analíticas ou altamente perspicazes e que conseguem mudar voluntariamente o seu estado cerebral, passando de um destes estilos cognitivos para o outro quando necessário.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      Portanto, somos capazes de pensar das duas maneiras. Há uma melhor do que a outra?Há problemas que podem ser resolvidos de ambas as maneiras – analiticamente ou através de um instante de revelação. Outros são mais adaptados ao raciocínio analítico. Se eu apresentar a alguém uma coluna de números a adicionar, não é possível esperar encontrar a resposta olhando para eles. Talvez alguns “savants” [pessoas com capacidades excecionais, como pode acontecer no autismo] o consigam, mas a maioria das pessoas não é capaz. O que elas sabem é como, passo a passo, adicionar os números e calcular o resultado. Contudo, há problemas que não têm este tipo de constrangimentos, que são abertos. Por exemplo: como fazer para ser feliz? Para ser boa pessoa? Aqui não há regras de base particulares, não existe uma fórmula que se possa aplicar para chegar à resposta. E as pessoas resolvem frequentemente este tipo de problemas através de instantes de revelação, que são uma forma de criatividade que nestes casos se torna desejável possuir.  Ora, como é cada vez mais frequente que os problemas com que somos confrontados no mundo actual, enquanto indivíduos e enquanto sociedade, sejam demasiado complexos, imbricados e globais – o terrorismo, a poluição… –, o facto é que não existe um método simples para os resolver. Exigem criatividade.                                                                                                     Como é que os leitores podem estimular a sua perspicácia, a sua criatividade? A perspicácia é como os gatos. Não é possível mandar nela. Podemos incentivá-la, mas não a podemos controlar. A criatividade e a perspicácia derivam de um estado cerebral particular. Portanto, se conseguirmos colocar-nos nesse estado mental, aumentamos as nossas hipóteses de ter revelações criativas. E com base em estudos científicos, sabemos que o facto de alterar alguns aspectos do nosso ambiente pode ajudar.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  1) Ser positivo(a): tem havido muita investigação, nos últimos 20 a 30 anos, que mostra que ser positivo (a) aumenta a criatividade. Quando a nossa disposição é algo negativa, ansiosa, isso melhora, pelo contrário, o pensamento analítico. A criatividade provém de um sentimento de segurança. Quando nos sentimos em segurança, somos capazes de arriscar. E a criatividade é intelectualmente arriscada. As ideias novas podem estar erradas. Pôr essas ideias em prática pode suscitar resistências. Quando sentimos ameaças subtis, inconscientes, temos a impressão de que não nos é permitido errar. Precisamos de ficar focados no tema em causa, não nos podemos afastar do problema em si ou daquilo que temos de fazer. Nós também observámos que a existência de prazos, que subentende uma ameaça implícita ou consequências negativas se não forem respeitados, pode gerar ansiedade e deslocar a nossa estratégia cognitiva para uma forma mais analítica de raciocínio. Os prazos podem conduzir a um aumento da produtividade analítica, mas se um empregador quer mesmo qualquer coisa “fora da caixa”, inovador e original, talvez um prazo menos rígido possa suscitar mais criatividade. Num outro estudo, descobrimos que as pessoas que resolviam os problemas de forma analítica apresentavam maior actividade no seu córtex visual – ou seja, estavam focadas no exterior. Mas antes de as pessoas resolverem um problema num instante de revelação a sua actividade cerebral no córtex visual diminuía: estavam a focar a sua atenção para dentro. Também antes desse instante de revelação verificava-se uma maior actividade no cingulado anterior das pessoas, uma região do cérebro situada no meio da cabeça. O cingulado anterior tem como função monitorizar o resto de cérebro para detectar conflitos – e também detecta diferentes estratégias de resolução de problemas. E, como não é possível utilizar duas estratégias ao mesmo tempo, são as mais óbvias que costumam ser fortemente activadas. As outras – as intuições, os palpites, que tendem a ser mais criativas, até bizarras ou excêntricas – são menos activadas, mais fracas, mais distantes. Porém, quando a nossa disposição é positiva, ficamos mais sensíveis a “apanhar” essas ideias inconscientes menos activadas. E, quando as detectamos, a nossa atenção pode virar-se para elas e elas podem surgir na nossa cabeça como uma revelação. Pelo contrário, se estivermos de mau humor e o cingulado anterior não for activado, seguimos o caminho mais forte, que costuma ser o mais fácil. Portanto, a boa disposição expande literalmente o nosso pensamento.                                                                                                                                                                                                         2) Grandes espaços: a atenção percetual – a maneira como focamos a nossa visão – parece estar relacionada com a chamada “atenção conceptual”. Se estivermos num espaço exíguo, por exemplo, a trabalhar num cubículo, não é possível dar largas à nossa atenção visual. Ela permanece focada nesse espaço estreito. E, quando a atenção visual se encontra restringida, o mesmo acontece com a atenção conceptual, que se torna estreita e focada, promovendo o pensamento analítico.Mas se nos encontrarmos num espaço amplo – num grande gabinete com um pé-direito alto ou fora de portas –, a nossa atenção visual alarga-se para encher esse espaço e a nossa atenção conceptual expande-se. É por isso que muitas personalidades criativas gostam de estar lá fora, de fazer longas caminhadas na natureza e vão à procura de inspiração nos espaços abertos e amplos. Quando conseguimos ver ao longe, podemos pensar de forma mais lata.                                                                                                                                                                       3) Evitar objectos cortantes: nós descobrimos que quando as pessoas estão rodeadas de objetos pontiagudos e de arestas marcadas, tais como um sofá anguloso ou um corta-papel que parece um punhal, isso pode causar aquele sentimento subtil e inconsciente da existência de uma ameaça. E, quando isso acontece, a atenção estreita-se.    Portanto, o ambiente ideal para fomentar a revelação súbita é um grande espaço, bem arejado, “mobilado” com objetos fofos e arredondados.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                4) As cores da natureza: como pensamos na cor vermelha como numa cor da urgência, associada ao sangue, aos carros de bombeiros e aos sinais de Stop, ela capta e estreita a atenção. Mas as cores do meio exterior, como o azul do céu ou o verde das árvores, têm sido associadas à relaxação, à expansão, à geração de um sentimento de segurança que ajuda a atenção a expandir-se e aumenta a criatividade.  Isto não vale para todos. Se o nosso passatempo favorito for cultivar rosas, poderemos associar o vermelho às rosas que amamos.                                                                                                                                                                                                                                                                   5) Fazer pausas: quando estamos bloqueados e marcamos um intervalo para fazer algo completamente diferente, esquecemos a má ideia em que estávamos fixados. Isso permite que outras ideias, melhores ideias, cheguem à superfície da nossa consciência como bolhas. E, se estivermos a trabalhar num problema sem o conseguir resolver, a pausa torna o nosso cérebro mais sensível as coisas à nossa volta relacionadas com o problema. Ficamos mais observadores e conseguimos estabelecer uma associação, que a seguir se torna consciente sob a forma de uma súbita revelação.                                                                                                                                                                                                      6) Dormir: uma das ferramentas mais poderosas para promover a perspicácia é o sono. Se estiver bloqueado(a), durma uma sesta, vá para a cama. Conseguirá expurgar melhor a ideia inútil em que se fixou e ficará mais sensível a pistas suscetíveis de resolver os problemas. Uma das descobertas mais interessantes das neurociências dos últimos 20 anos é que, quando adquirimos memórias, elas são armazenadas sob uma forma temporária e frágil, semelhante ao cimento fresco. O cimento começa por ser mole e só endurece quando seca – tornando-se então forte e durável. As memórias também. Endurecem graças a um processo de consolidação, que decorre principalmente durante o sono. De facto, a consolidação da memória também transforma a memória. Faz ressaltar os pormenores, as relações ocultas e pode ser a base da criatividade e da revelação.     É por isso que existem tantas histórias de pessoas que acordam a meio da noite com uma ideia nova ou a solução de um problema. Tal como Paul McCartney, que acordou uma manhã com uma melodia na cabeça. Era a da canção Yesterday. Simplesmente, apareceu. O sono é um supercarregador da criatividade.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        7) Não fazer nada: não fazer nada é um trabalho criativo, porque quando estamos conscientemente a não fazer nada, a parte consciente ocupa apenas uma minúscula parte do nosso cérebro –  e o resto, a parte inconsciente, esse não pára. Há um processo que os psicólogos cognitivos chamam “incubação” – que é o cérebro a remoer associações. Essas associações podem depois surgir na consciência como revelações súbitas. O sono e o não fazer nada são dois supercarregadores do processo de incubação, por que deixam vaguear a nossa mente sem haver nenhuma tarefa especial para cumprir. Quando as pessoas têm constantemente a mente cheia de tarefas, isso inibe o processo de incubação. Não quero dizer com isso que as pessoas devam tornar-se eremitas ou livrar-se de todos os gadgets, que também incentivam a incubação. Mas precisamos de um equilíbrio entre não fazer nada e fazer coisas. Precisamos de ambos para alimentar a criatividade e a perspicácia.                                                                                             8) Tomar duche: o duche é um sítio fantástico para deixar vaguear a mente, para incubar pensamentos e preparar o terreno da revelação. Debaixo do chuveiro, a água é cálida, não sentimos fronteiras entre a nossa pele e o exterior do nosso corpo. Sentimo-nos expansivos. Há um ruído branco em pano de fundo e o que vemos está um pouco desfocado, levando-nos a virar o nosso pensamento para dentro, como se estivéssemos em condições de privação sensorial. Permite que a nossa mente vagueie e que a nossa atenção se expanda. É por isso que as pessoas tendem a ter grandes ideias no duche.      Exclusivo PÚBLICO/Bloomberg/The Washington Post

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Literatura Fundamental Univesp TV • 1/104 vídeos
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Programa sobre o livro do escritor austríaco Robert Musil, chamado O homem sem qualidades, cujo primeiro volume foi publicado em 1930. O livro narra um período na vida de um homem que busca encontrar um caminho para sua vida e se integrar na sociedade de sua época, num lugar chamado Kakânia, que seria Viena, na Áustria. Ele retrata a sociedade austríaca pouco antes da primeira guerra mundial, em 1913. O livro foi escrito nu...ma linguagem que mistura romance e reflexões filosóficas e nunca foi terminado; Musil trabalhou nele até morrer, em 1942. O segundo volume foi publicado em 1933 e o terceiro em 1943, junto com diversos rascunhos de capítulos inacabados. Apesar disso é tido como um livro fundamental, um dos mais importantes em língua alemã do século XX. Playlist - Literatura Fundamental - https://goo.gl/GmwRDk  *Assista a UNIVESP TV ao vivo, e veja nossa programação completa em http://univesptv.cmais.com.br *De segunda a sexta às 09h e 21h, o programa Estúdio Univesp traz entrevistas, debates, notícias e matérias especiais na tela da UNIVESP TV.  *Sintonize a UNIVESP TV através da multiprogramação da TV Cultura. Em São Paulo o canal é o 6.2. *UNIVESP TV - O canal para quem quer saber mais e aprender sempre!https://youtu.be/2Ctedfvw3KE…

Comemoram-se 500 anos da publicação de "A UTOPIA", de Thomaz More

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Thomas More
Homem de Estado
Thomas More, Thomas Morus ou Tomás Moro foi homem de estado, diplomata, escritor, advogado e homem de leis, ocupou vários cargos públicos, e em especial, de 1529 a 1532, o cargo de "Lord Chancellor" de Henrique VIII da Inglaterra. Wikipédia
Nascimento: 7 de fevereiro de 1478, Cidade de Londres, Reino Unido
Falecimento: 6 de julho de 1535, Londres, Reino Unido
Cônjuge: Jane Colt (de 1505 a 1511)

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA