terça-feira, 15 de novembro de 2016


Efeito de estufa e expansão das zonas verdes terrestres


O “efeito de estufa” ocorre naturalmente na atmosfera. Nele estão envolvidos gases que permitem que a luz do sol penetre na superfície terrestre, mas que impedem que a radiação e o calor voltem ao espaço, mantendo assim um nível de aquecimento óptimo para a manutenção da vida. Os principais gases de efeito estufa são: o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), os clorofluorcarbonetos (CFCs) e outros halocarbonetos, o ozono (O3) e o óxido nitroso (N2O).


As emissões de carbono estão, porém, a aumentar – e mais depressa do que “a maioria dos cientistas previam”. Mas muitos alarmistas das mudanças climáticas (1) parecem afirmar que todas as mudanças climáticas são piores do que o “esperado”. E isso ignora que uma parte dos dados é realmente menos catastrófica do que o “esperado”.

Al Gore apareceu em 2005 com o documentário “Uma verdade inconveniente”. O documentário servia uma futura candidatura presidencial mas reflectia também o receio do império de que os países emergentes, com grandes taxas de crescimento do PIB, passassem a constituir, como veio a acontecer, contraponto à influência global dos EUA, e não era alheio aos interesses multinacionais de algumas empresas ligadas às “tecnologias limpas”. Isso implicava começar a contestar os consumos energéticos desses e de outros países (consumos que são indicadores de crescimento económico e desenvolvimento), sobrevalorizando o medo das alterações climáticas que daí adviria.

Mas em 2005 o Juiz do Supremo Tribunal de Justiça Britânico, Michael Burton, caracterizou o filme de Al Gore como “alarmista e exagerado no apoio a uma sua tese política”. O tribunal dava razão assim a uma acção movida por um pai, e determinou que o filme era “unilateral” e não poderia ser exibido nas escolas britânicas, a menos que contivesse orientações para equilibrar a tentativa de Gore em promover a sua “doutrinação política”. O Juiz baseou a sua decisão nas chamadas nove inverdades de Al Gore que aparecem no filme e que ficaram demonstradas nos autos, com a inexistência de evidências científicas que as pudessem validar (2).  

A emissão de gases com efeito de estufa, geograficamente desigual, ao longo de mais de um século foi reflexo do que que tornou possível que uns países fossem mais ricos que outros ou garantissem maiores padrões de vida para os seus habitantes, apesar das grandes discrepâncias desses padrões internamente em cada país no mundo capitalista. E desde antes da revolução industrial até aos dias de hoje (mais de 160 anos) a temperatura média subiu 1%.

Assim, os mais poluidores historicamente terão que reduzir as suas emissões de gases poluentes, e mais dos que não beneficiaram disso. A China, hoje o país mais poluidor com 20% das emissões, comprometeu-se em reduzi-las no país em 18% até 2020. Os EUA são os segundos com 18% e ainda não assumiram compromissos …E, além disso, devem apoiar as alterações a realizar nos países emergentes e outros países em desenvolvimento para que neles o desenvolvimento industrial se baseie menos na queima de combustíveis fósseis e possam dispor de indústrias mais “limpas” e renováveis. O que exige investimento e tecnologia a que têm dificuldade de aceder. Nestas COPs foi referido um valor de financiamento de mais de 200 mil milhões de euros.

Mas dois anos depois deste documentário, um outro era produzido por 19 cientistas de diferentes países (3) que apontava para um arrefecimento global. 0 jornal britânico Express dava conta na passada 3ª feira de estudos recentes que sugerem que a atividade solar está a diminuir a um ritmo mais rápido do que em qualquer outro momento na história. Os estudos que não identifica, prevêem que essa tendência vai continuar ao longo dos próximos quatro anos, levando a Terra a uma mini idade do gelo, com consequências desastrosas para o planeta.

O meteorologista e astrofísico britânico Piers Corbyn prevê que a Terra vai enfrentar nos próximos anos uma mini era do gelo que irá ter consequências devastadoras para o planeta, informa o jornal britânico Express.

Estudos recentes sugerem que a atividade solar está diminuindo a um ritmo mais rápido do que em qualquer outro momento na história. Os cientistas prevêem que essa tendência vai continuar ao longo dos próximos quatro anos, atingindo um mínimo entre 2019 e 2020, e que até 15 anos terão que passar para que o sol volte a uma atividade normal.

Agora foi de novo difundido em muitas televisões do mundo e noutras plataformas um outro documentário “Antes do Dilúvio” apresentado por Leonardo di Caprio que, numa concepção catastrofistasemelhante ao precedente nos trouxe outra catadupa de adivinhações que devem muito pouco ao conhecimento científico e experimental (4)

A Conferência de Paris de 2015 aprovou conclusões não vinculativas sobre limites das emissões poluentes e o arranque de compromissos quantificados da sua redução país a país. Hoje já 190 países o fizeram. Agora, na Conferência de Marraquexe, as questões mais difíceis em aberto são como vai ser financiada a reconversão das economias e quem e como poderá monitorizar os resultados das duas questões. O objectivo de redução a partir de 2020 do aumento da temperatura média de 2-2,5% já nesta conferência se pretende que seja substituída por 1,5-2%.

Para o investigador Alfredo Rocha, investigador do Departamento de Física e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro, “O ciclo de produção/destruição de gases com efeito de estufa é complexo e envolve contribuições naturais e humanas. Vários processos de retroacção entre as várias componentes do sistema climático resultam numa relação não linear entre as emissões de gases com efeito de estufa de origem humana, a concentração desses gases na atmosfera e a consequente variação da temperatura do ar próximo da superfície da Terra (e outras alterações climáticas). A resposta da temperatura a alterações das emissões também não é imediata mas sim retardada.

Desta forma, a alteração climática que se observa actualmente não resulta das emissões actuais mas sim do histórico de emissões, sobretudo desde o início da revolução industrial. Conclusão: “o mal está feito”!

Independentemente das nossas acções actuais no sentido de reduzir (realisticamente) emissões, a concentração atmosférica de gases com efeito de estufa irá aumentar durante as próximas décadas e as alterações climáticas irão fazer-se sentir durante um período mais longo do que os próximos anos /décadas ou um século). As nossas acções imediatas poderão, sim, atenuar essas tendências e invertê-las num horizonte temporal menor do que o previsto se nada for feito mas que, mesmo assim, será de muitas décadas” (5).

 “É um segredo bem guardado, mas constatou-se que 95% dos modelos climáticos que teoricamente provavam a ligação entre as emissões humanas de COe o aquecimento global catastrófico estão errados”, escreveu Maurice Newman, que presidia ao Conselho Consultivo Empresarial do então primeiro-ministro Tony Abbott, em 2015 (6). O cientista denunciou ainda mentiras de agências meteorológicas que apresentavam dados “homogeneizados” para vir em apoio das narrativas manipuladoras (7). A respeito do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), da ONU, que analisa e avalia os trabalhos científicos relevantes para mudanças climáticas, Newman afirmou que este tinha sido denunciado repetidamente por várias comunidades científicas por “declarações falsas e métodos de má qualidade”.

Filipe Duarte Santos, Professor de Física, da Universidade de Lisboa já referia, antes da Conferência de Paris de 2015, que era “necessário incentivar e investir na investigação científica e na inovação tecnológica para melhorar o nosso conhecimento sobre o sistema climático, as alterações climáticas antropogénicas e as medidas de adaptação e mitigação mais adequadas. É necessário diminuir a incerteza associada aos cenários climáticos e socio-económicos futuros. Em simultâneo, é preciso informar e sensibilizar os agentes envolvidos na problemática das alterações climáticas” (8).

A comunidade científica de vários países está hoje muito dividida quanto a considerar essencialmente antropogénico (com origem na acção do homem) o efeito de estufa e as alterações climáticas e quanto às previsões dos níveis para elas apontados por alguns cientistas e por resultados de modelos em computador.

Com base nisto, Trump poderá ter encontrado apoio às suas intenções manifestadas em campanha eleitoral de alterar anteriores compromissos dos EUA de reduzir as emissões de gases de efeito de estufa no país e de apoiar a reconversão das emissões de outros países. Isso comprometeria os sucessos da Conferência de Paris nesta Conferência de Marraquexe.

As alterações climáticas continuam a ser motivo de múltiplas simplificações para efeito mediático mas as hipóteses fiáveis sobre a sua ocorrência carecem de uma recolha de dados durante pelo menos durante 30 anos.

Dentro desse padrão, em Abril deste ano, cientistas chineses apresentaram na Academia Chinesa de Ciências os resultados do seu trabalho de investigação sobre a evolução da vegetação terrestre no período 1982-2009 (9).


O relatório destes cientistas revela que essa evolução se traduziu na expansão da vegetação da Terra, numa superfície que é o dobro da dos EUA, e verificando-se no sudeste dos EUA, no norte da Amazónia, na África Central, no Sudeste Asiático e na Sibéria, enquanto a redução dessa área só aconteceu em 4% da superfície do planeta (ver gravuras).

O recurso aos satélites ajudou na deteção desse crescimento. Desde os anos 1980, os satélites foram equipados para verificar como a vegetação se desenvolvia ao longo do tempo. No decurso das suas órbitas foram captando os raios infravermelhos refletidos pela superfície da Terra e também os raios que, ao atingir a superfície de uma folha verde, são absorvidos e refletidos de forma diferente daqueles que atingem o solo. O seu comprimento de onda pode determinar a massa de folhas num determinado local e desta forma são obtidos mapas de florestação da Terra.

No Canadá e no hinterland russo da Sibéria, desenvolveram-se florestas de coníferas na tundra, onde anteriormente só existiam relva e arbustos. Nos EUA, as florestas de faias espalharam-se pelo norte do país. O planalto tibetano está agora coberto de pastagem. Na região da montanha chinesa de Shangnan são os pinheiros que se desenvolveram e na Noruega as árvores de flores. No sul do Sahara cresceram árvores e nos trópicos tem-se intensificado a cobertura florestal.


Tão positivas mudanças, devida à acção dos seres humanos, foi também verificada com modelos de computador que entraram com variáveis como o CO2, o conteúdo de azoto do solo e as próprias alterações climáticas, tendo chegado a que 70% do acréscimo da vegetação pode ser explicada pelo aumento do CO2 no ar após a combustão do petróleo, do carvão mineral e do gás.

Segundo Sönke Zaehle, do Instituto Max Planck de Bioquímica, estes esforços não eliminar as mudança climáticas. As plantas e o solo retêm cerca de um quarto do dióxido de carbono que é libertado no ar. Segundo este investigador, “o estudo ajuda a compreender para onde o dióxido de carbono (CO2) vai”. “E essas são as regiões que se tornaram mais verdes.”

Pode, pois concluir-se que a vegetação pode adaptar-se de forma mais eficiente do que os humanos, que têm de lidar cada vez mais com condições meteorológicas extremas, como secas, que destroem colheitas e secam as fontes de água, e grandes inundações e outras catástrofes naturais com efeitos semelhantes (id.).

Todas estas abordagens não são contraditórias com a ocorrência de alterações climáticas. Assim foi o entendimento de diferentes assembleias de governos, instituições científicas e organizações ambientalistas, que durante quase 30 anos têm promovido conferências internacionais para tomar conhecimento de estudos de base científica e tentar tomar as medidas para reduzir, nomeadamente o “efeito de estufa”.

Há que rejeitar o catastrofismo e valorizar as descobertas da comunidade científica, as projecções feitas através de medições reais, para melhorar as condições ambientais em articulação com os processos económicos que suportam o desenvolvimento.

(1)O conceito em  http://bit.ly/2gbbP78

(2)http://bit.ly/2eU30td

(3)https://www.youtube.com/watch?v=52Mx0_8YEtg

(4)https://www.youtube.com/watch?v=NZ02JpdbzJg

(5)http://bit.ly/2gbd5qN


(7)http://bit.ly/2gb9jO1

(8)http://bit.ly/2eU76l6

(9)http://bit.ly/2gb7voe

Este artigo foi originalmente publicado nesta mesma data em www,abrilabril.pt

domingo, 13 de novembro de 2016

Adenda

Oriunda de sectores da Esquerda e relativamente à vitória de Trump, circula o ponto de vista de que foi a "América Profunda" que o elegeu. Permito-me duvidar desta certeza. Uma boa parte dos votos vieram, julgo eu, da classe operária, na actualidade quase toda qualificada. Personalidades destacadas das artes votaram nele. Trump recebeu a hostilidade de poderosos sectores do grande capital. Identificar as propostas de Trump com o fascismo perece-me um erro. O contentamento manifestado pela extrema-direita europeia não deve ser tomado à letra. Na verdade, quiseram aplaudir apenas uma pequena parte dos discursos de Trump na campanha, dirigidos contra a imigração de estrangeiros. Não foi seguramente de apoio às propostas de proteccionismo na economia, de travar a deslocalização das empresas, de  aumentar o emprego por meio do investimento público, diminuir os gastos do complexo militar-industrial, de dialogar com a Rússia.
Se ele vai cumprir este programa ambicioso ninguém sabe.

sábado, 12 de novembro de 2016

OPINIÃO

As recentes eleições nos EUA demonstram várias coisas: um sistema eleitoral viciado com aparência de libérrima democracia que conduz sempre à derrota ou exclusão de candidatos realmente alternativos; a ditadura do dinheiro sobre a grande maioria dos assalariados, pobres e minorias sociais e étnicas, tal como se traduz em campanhas multimilionárias; a emergência inesperada do populismo na América do Norte, a qual, como era de esperar e era seu propósito, cativou a simpatia das massas revoltadas e descontentes e de muitos outros que não se revêm na política interna e externa do seu país; Trump, o vencedor, disse-lhes o que sentem e queriam ouvir, o que normalmente faz de alguém um vencedor; o domínio absoluto dos media pelo capital financeiro, que não apostou em Donald Trump; a crise profunda que abala o capitalismo nos seus centros e nas suas periferias, crise económica, política, moral. Perdeu a mulher militarista que se apresentou com um curriculum de invasões e guerras sanguinárias, venceu aquele que se dispôs a retomar o diálogo e a diplomacia e também por isto ele venceu.
Acreditar agora que o imperialismo e a sua sede principal encolha as garras é acreditar demasiado.

terça-feira, 8 de novembro de 2016


Provocar uma guerra nuclear através dos media

John Pilger    07.Nov.16    



Um homem acusado do pior dos crimes (genocídio) foi declarado inocente. O assunto não fez manchetes. Nem a BBC nem a CNN deram cobertura ao caso. O The Guardian permitiu um breve comentário. Um reconhecimento oficial raro, como este, foi enterrado ou suprimido, compreensivelmente. Explicaria muito bem como governam os governantes do mundo.
O Tribunal Penal Internacional para a antiga Jugoslávia (TPIAJ), em Haia, absolveu discretamente o malogrado presidente sérvio, Slobodan Milosevic, dos crimes de guerra cometidos durante a guerra da Bósnia de 1992-1995, incluindo o massacre de Srebrenica.
Longe de ter conspirado com o líder bósnio-sérvio condenado Radovan Karadzic, na verdade Milosevic “condenou a limpeza étnica”, opôs-se a Karadzic e tentou impedir a guerra que desmembrou a Jugoslávia. Escondida quase no fim de um veredicto de 2 590 páginas sobre Karadzic em Fevereiro passado, esta evidência destrói a propaganda que justificou o massacre ilegal da NATO na Sérvia em 1999.
Milosevic morreu de ataque cardíaco em 2006, sozinho na sua cela em Haia, durante o que se revelou um julgamento fantoche num “tribunal internacional” inventado pelos americanos. Foi-lhe negada uma cirurgia cardíaca que poderia ter-lhe salvo a vida, a sua condição deteriorou-se e foi monitorizada e mantida sem segredo por oficiais dos EUA, como o Wikileaks revelou.
Milosevic foi vítima da propaganda de guerra que hoje corre pelos nossos ecrãs e jornais como uma torrente e representa grande perigo para todos nós. Ele era o protótipo do demónio, vilipendiado pelos media ocidentais como o “carniceiro dos Balcãs” responsável pelo “genocídio”, especialmente na província separatista do Kosovo. Afirmou-o o Primeiro-ministro Tony Blair, que invocou o Holocausto e instou à tomada de medidas contra “este novo Hitler”. David Scheffer, o embaixador itinerante dos EUA para os crimes de guerra [sic], declarou que cerca de “225 000 homens de etnia albanesa”, com idades entre os 14 e os 59” poderão ter sido assassinados pelas forças de Milosevic.
Foi esta a justificação para o bombardeamento da NATO, liderado por Bill Clinton e Tony Blair, que matou centenas de civis em hospitais, escolas, igrejas, parques e estúdios de televisão e destruiu a infra-estrutura económica da Sérvia. A motivação foi claramente ideológica; numa célebre “conferência pela paz” em Rambouillet, Milosevic foi confrontado por Madeleine Albright, a Secretária de Estado norte-americana, que observou, de forma infame, que as mortes de meio milhão de crianças iraquianas valeram “a pena”.
Albright fez chegar a Milosevic uma “oferta” que nenhum líder nacional poderia aceitar. A não ser que aceitasse a ocupação militar estrangeira do seu país, com as forças de ocupação “fora do processo legal”, e a imposição de um “mercado livre” neoliberal, a Sérvia seria bombardeada. Esta informação constava dum “Apêndice B”, que os media não leram ou suprimiram. O objectivo era esmagar o último estado independente “socialista” da Europa.
Quando a NATO começou o bombardeamento, houve uma debandada de refugiados kosovares “fugindo de um holocausto”. Quando acabou, equipas internacionais de polícias foram ao Kosovo exumar as vítimas do “holocausto”. O FBI não conseguiu encontrar uma única vala comum e retirou-se. A equipa forense espanhola fez o mesmo, com o seu chefe denunciando, irritado, “uma pirueta semântica por parte das máquinas de propaganda de guerra”. A contagem final dos mortos no Kosovo foi de 2 788. Este número incluiu combatentes de ambos os lados e sérvios e Roma assassinados pela Frente Nacional do Kosovo, que era pró-NATO. Não houve genocídio. O ataque da NATO foi uma fraude e um crime de guerra.
Apenas uma fracção dos apregoados misseis de “precisão” dos EUA atingiu alvos militares e não civis, incluindo os estúdios noticiosos da Rádio Televisão Sérvia, em Belgrado. Dezasseis pessoas foram assassinadas, incluindo operadores de câmara, produtores e uma maquilhadora. Blair descreveu os mortos, de modo obsceno, como parte do “comando e controlo” da Sérvia. Em 2008, o procurador do TPIAJ, Carla Del Ponte, revelou que tinha sido pressionada para não investigar os crimes da NATO.
Foi este o modelo de Washington para as subsequentes invasões do Afeganistão, Iraque, Líbia, e, de modo oculto, a Síria. Todas são “crimes maiores”, de acordo com os padrões de Nuremberga. Todas dependem da propaganda mediática. Enquanto o jornalismo dos tablóides desempenhava o seu papel tradicional, o jornalismo mais eficaz era o jornalismo liberal sério e credível; a promoção evangélica de Blair e das suas guerras pelo The Guardian, as mentiras incessantes sobre as não existentes armas de destruição maciça no Observer e no New York Times, e os persistentes tambores da propaganda governamental da BBC no silêncio das suas omissões.
No momento mais intenso do bombardeamento, Kirsty Wark, da BBC, entrevistou o General Wesley Clark, comandante da NATO. A cidade sérvia de Nis acabara de ser varrida com bombas de fragmentação norte-americanas, matando mulheres, velhos e crianças numa feira e num hospital. Wark não fez uma única pergunta sobre isto, ou sobre quaisquer outras mortes de civis. Outros foram mais descarados. Em Fevereiro de 2003, um dia depois de Blair e Bush terem posto o Iraque em chamas, Andrew Marr, o editor de política da BBC, estava em Downing Street e proferiu praticamente um discurso de vitória. Disse entusiasticamente aos espectadores que Blair “afirmara que seriam capazes de tomar Bagdad sem um banho de sangue e que, no fim, os iraquianos iriam celebrar. E em ambos os casos ele está comprovadamente certo.” Hoje, depois de um milhão de mortos e com uma sociedade em ruínas, as entrevistas da BBC com Marr são recomendadas pela embaixada dos EUA em Londres. Os colegas de Marr prontificaram-se a perdoar Blair. O correspondente da BBC em Washington, Matt Frei, afirmou “Não há dúvida de que o desejo de trazer o bem, levar os valores americanos ao resto do mundo, e em especial ao Médio Oriente … está agora cada vez mais ligado ao poder militar.”
Esta reverência aos EUA e seus colaboradores como uma força benigna que “traz o bem” está profundamente enraizada no jornalismo mainstream ocidental. Ela garante que a responsabilidade da actual catástrofe na Síria é atribuída exclusivamente a Bashar al-Assad, que o Ocidente e Israel há muito conspiram para derrubar, não por quaisquer preocupações humanitárias, mas para consolidar o poder agressivo de Israel na região. As forças jihadistas aproveitadas e armadas pelos EUA, a Inglaterra, a França, a Turquia, e os representantes de “coligação” servem este objectivo. São eles que distribuem a propaganda e os vídeos que se tornam notícia nos EUA e na Europa e dão acesso a jornalistas e garantem uma “cobertura” unilateral dos acontecimentos na “Síria”.
A cidade de Alepo está nas notícias. A maior parte dos leitores e espectadores não saberão que a maioria da população de Alepo vive na parte ocidental da cidade controlada pelo governo. Que sofrem bombardeamentos diários de artilharia da al-Qaida, patrocinada pelo Ocidente, não vem nas notícias. A 21 de Julho, bombardeiros norte-americanos e franceses atacaram uma aldeia governamental na província de Alepo, matando cerca de 125 civis. Isto foi relatado na página 22 do The Guardian; sem fotografias.
Tendo criado e mantido o jihadismo no Afeganistão nos anos 1980 como a Operação Ciclone (uma arma para destruir a União Soviética), os EUA estão a fazer algo semelhante na Síria. Como os mujahidins afegãos, os “rebeldes” sírios são os soldados rasos dos EUA e da Inglaterra. Muitos lutam pela al-Qaida e pelas suas variantes; alguns, como a Frente Nusra, reviram a sua imagem para não ferir susceptibilidades nos EUA por causa do 11 de Setembro. A CIA vai governando-os com dificuldade, tal como governa jihadistas em todo o mundo.
O objectivo imediato é destruir o governo em Damasco, que, de acordo com a sondagem mais credível (YouGov Siraj), a maioria dos sírios apoia, ou pelo menos procura por protecção, apesar das barbaridades por que é responsável. O objectivo de longo prazo é negar à Rússia um aliado fundamental no Médio Oriente como parte de uma guerra de desgaste contra a Federação Russa que eventualmente a destrua.
O risco nuclear é óbvio, apesar de suprimido pelos media em todo o “mundo livre”. Os editores do Washington Post, tendo promovido a ficção das armas de destruição maciça, pedem a Obama que ataque a Síria. Hillary Clinton, que publicamente exultou com o seu papel de carrasco durante a destruição da Líbia, repetiu que, como presidente, irá “mais longe” que Obama.
Gareth Porter, um jornalista clandestino a trabalhar em Washington, revelou recentemente os nomes de pessoas que provavelmente integrariam um gabinete de Clinton, que planeiam um ataque à Síria. Todas têm histórias beligerantes durante a guerra-fria; o antigo director da CIA, Leon Panetta, afirma que “o próximo presidente terá de considerar acrescentar mais forças especiais no terreno”.
O que é mais notável acerca da propaganda de guerra actual é o óbvio absurdo e a familiaridade. Tenho visto imagens de arquivo de Washington nos anos 1950, quando diplomatas, funcionários públicos e jornalistas foram alvo de uma caça às bruxas e arruinados pelo Senador Joe McCarthy, por desafiar as mentiras e paranóia sobre a União Soviética e a China. Como um tumor em recidiva, o culto anti-Rússia voltou.
Em Inglaterra, Luke Harding, do The Guardian, dirige os opositores à Rússia do seu jornal numa série de paródias jornalísticas que atribuem a Vladimir Putin todas as iniquidades à face da Terra. Quando a fuga de informação dos Panama Papers foi publicada, a primeira página referia Putin, e publicou uma fotografia de Putin; pouco importa o facto de Putin não ter sido mencionado em parte alguma nos documentos.
Tal como Milosevic, Putin é o demónio número um. Foi Putin quem abateu um avião malaio que sobrevoava a Ucrânia. Manchete: “Tanto quanto me diz respeito, Putin assassinou o meu filho.” Sem provas. Foi atribuído a Putin o derrube, pelo qual Washington foi responsável (e pelo qual pagou), como está documentado, do governo eleito em Kiev, em 2014. A subsequente campanha de terror por milícias fascistas contra a população russa de fala ucraniana foi o resultado da “agressão de Putin”. Impedir a Crimeia de se tornar uma base de mísseis da NATO e proteger a população maioritariamente russa que votou num referendo voltar a juntar-se à Rússia (da qual a Crimeia fora anexada) foram mais exemplos da “agressão” de Putin. A difamação mediática transforma-se inevitavelmente em guerra mediática. Se a guerra com a Rússia rebentar, planificada ou por acidente, os jornalistas terão muita responsabilidade.
Nos EUA, a campanha anti-Rússia foi elevada a realidade virtual. O colunista do New York Times Paul Krugman, um economista com o Prémio Nobel, chamou a Donald Trump o “candidato siberiano” porque Trump é, afirma, o homem de Putin. Trump atrevera-se a sugerir, num raro momento de lucidez, que a guerra com a Rússia poderia ser uma má ideia. De facto, ele foi mais longe e retirou carregamentos de armas norte-americanas para a Ucrânia da plataforma republicana. “Seria óptimo se nos entendêssemos com a Rússia”, afirmou.
É por esta razão que o establishment liberal beligerante o odeia. O racismo de Trump e os seus devaneios demagogos nada têm que ver com isso. O racismo e o extremismo de Bill e Hillary Clinton vão muito mais longe que os de Trump. (Esta semana assinala o 20º aniversário da “reforma” da segurança social de Clinton, que lançou uma guerra contra os afro-americanos). Quanto a Obama, enquanto a polícia dos EUA dispara sobre os seus congéneres afro-americanos, esta grande esperança da Casa Branca nada fez para os proteger, nada para aliviar o seu empobrecimento, enquanto travava quatro guerras de rapina e uma campanha de assassinatos sem precedentes.
A CIA exigiu que Trump não seja eleito. Os generais do Pentágono exigiram que ele não seja eleito. O belicista New York Times, fazendo uma pausa na sua contínua campanha contra Putin, exige que ele não seja eleito. Alguma coisa se passa. Estes tribunos da “guerra perpétua” estão cheios de medo de que o negócio da guerra de muitos biliões de dólares, através do qual os EUA mantêm o seu domínio, seja ameaçados se Trump fizer um acordo com Putin, e depois com Xi Jinping, da China. O seu pânico perante a possibilidade, mesmo que altamente improvável, da grande potência mundial discutir a paz, seria a mais negra das farsas, se o assunto em causa não fosse tão preocupante.
“Trump teria adorado Stalin!”, vociferou o vice-presidente Joe Biden num comício por Hillary Clinton. Com Clinton acenando com a cabeça, gritou, “Nós nunca nos curvamos. Nunca nos dobramos. Nunca ajoelhamos. Não pedimos. A meta é nossa. É isso que somos. Somos a América!”
Na Inglaterra, Jeremy Corbyn foi também alvo de histeria dos belicistas no Labour Party e duns media que se dedicam a destruí-lo. Lord West, antigo almirante e ministro do trabalho, pôs bem a questão. Corbyn tomou uma “escandalosa” posição antiguerra “porque isso faz as massas não pensantes votarem nele”.

Pressionado para dizer se autorizaria a guerra contra a Rússia “se tivesse de o fazer”, Corbyn respondeu: “não quero a guerra; o que quero é que possamos ter um mundo em que não precisemos de nos envolver em guerras.”
O tipo de perguntas deve muito à ascensão dos belicistas liberais ingleses. O Partido Trabalhista e os media há muito que lhes oferecem oportunidades de carreira. Durante um tempo. Durante algum tempo, o tsunami moral do grande crime iraquiano deixou-os em dificuldades, as suas distorções da verdade deixaram-nos temporariamente embaraçados. Apesar de Chilcot e da montanha de factos incriminadores, Blair permanece a sua inspiração, porque foi um “vencedor”.
O jornalismo e a investigação independentes têm sido sistematicamente banidos ou apropriados, e as ideias democráticas esvaziadas e preenchidas com “políticas de identidade” que confundem género com feminismo e o protesto público com libertação e ignoram deliberadamente a violência de estado e o negócio das armas que destrói vidas incontáveis em locais distantes como o Iémen e a Síria e acenam à guerra nuclear na Europa e em todo o mundo.
A agitação de pessoas de todas as idades em torno da espectacular ascensão de Jeremy Corbyn contraria este aspecto até certo ponto. Ele passou a sua vida a chamar a atenção para os horrores da guerra. O problema para Corbyn e os seus apoiantes é o Partido Trabalhista. Nos EUA, o problema para os milhares de apoiantes de Bernie Sanders era o Partido Democrático, para não mencionar a sua maior traição, da sua grande esperança branca. Nos EUA, pátria dos grandes movimentos pelos direitos civis e antiguerra, são movimentos como o Black Lives Matter e o Codepink que criam as raízes duma versão moderna.
Porque apenas um movimento que se afirme em cada rua e além-fronteiras e que não desiste pode parar os belicistas. No próximo ano, fará um século desde que Wilfred Owen escreveu estes versos. Todos os jornalistas deveriam lê-los e lembrar-se deles…

Se puderes ouvir, em cada abalo, o sangue
Gargarejando dos pulmões em espuma,
Canceroso, acre e regurgitado,
De feridas torpes, incuráveis, em línguas inocentes,
Meu amigo, não dirias com esse entusiasmo,
A crianças que ardem por uma glória desesperada,
A velha mentira: Dulce et decorum est
Pro patria mori [1]

[1] Nota do tradutor: versos do poeta latino Horácio: “Doce e glorioso é morrer pela pátria”.
Tradução de André Rodrigues 

in ODiario.info

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

11 filmes sobre manipulação mediática

“Esses filmes são verdadeiras obras-primas conscientizadoras sobre a máquina manipulativa que são as mídias, eles mostram de forma crua e bastante didática o poder de persuasão delas sobre as massas. Em vários países as mídias derrubam governos, formam opiniões, ditam modas, criam ídolos, símbolos e mitos. Vemos o seu poder manipulativo principalmente em países onde o índice educacional é baixo, onde governos trabalham em prol da corrupção e onde as grandes mídias são economicamente dependentes do governo, tipo no Brasil por exemplo.
O que mais chama a atenção nesses filmes é como o sensacionalismo pode ser algo assustadoramente chamativo, como essas mídias se aproveitam de artifícios baixos em busca de altas audiências, e de como estruturas sociais e vidas pessoais são destruídas no processo.
Esses filmes são magníficos, são aulas de como se prevenir contra as artimanhas midiáticas para te tornar num espectador em transe, acreditando piamente em tudo que é mostrado nessas mídias.”
Leandro Godoy
Veja a lista (disposta por ordem cronológica).

Via: GPS & MEDIA http://bit.ly/2ftgIVS

Programa das Comemorações do Centenário da Revolução de Outubro


Estados Unidos: Trump es un loco pero Clinton es más peligrosa, dice Oliver Stone


Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA