
O mundo ocidental e aquela parte do mundo que partilha as
explicações ocidentais vive num mundo ficcional. Vemos isto por
toda a parte para onde olhamos – nas alegadas maquinações da
Rússia para eleger Donald Trump presidente dos EUA; nas
afirmações de que Saddam Hussein e suas (não existentes)
armas de destruição em massa eram uma ameaça aos EUA (uma
nuvem em cogumelo sobre cidades americanas); que Assad da Síria
utilizava armas químicas contra o seu próprio povo; que o
Irão tem um programa de armas nucleares; que uns poucos árabes
sauditas burlaram a totalidade do serviços de inteligência dos
EUA, da UE e de Israel e assestaram a maior humilhação da
história humana à "única super-potência do
mundo"; que a Rússia invadiu a Ucrânia e poderia a qualquer
momento invadir os países bálticos e a Polónia; que a taxa
de desemprego dos EUA é de 4,6%; que o excedente comercial da China com
os EUA deve-se à manipulação da divisa chinesa; e assim
por diante.
Alegadamente vivemos numa era científica de informação,
mas que bem pode decorrer de uma informação orquestrada
defeituosa? Na medida em que falsas notícias apresentadas pelas
presstitutas serve poderosos interesses privados e governamentais, como podemos
saber a verdade acerca de alguma coisa?
Por exemplo: considere a afirmação encontrada por toda a parte em
declarações do governo e dos media dos EUA de que o maciço
défice comercial com a China resulta da manipulação da
divisa chinesa, mantendo o yuan subvalorizado em relação ao US
dólar.
Esta afirmação falsa, a qual é amplamente aceite como
verdade mesmo por autores russos em sítios web russos (
www.strategic-culture.org/...
(pegged)
ao US dólar. Ela move-se com o dólar. Ao longo da última
década a China ajustou a sua divisa ao dólar e permitiu uma
ascensão do valor da divisa chinesa de 8,1 yuan para 6,9 yuan por US
dólar. (O yuan alcançou uma força de 6 por dólar,
mas um dólar em ascensão estava a alcançar o yuan, levando
a China a ampliar a flutuação a fim de evitar uma
apreciação indevida por causa da ascensão do US
dólar em relação a outras divisas asiáticas e
europeias.) Como uma ascensão do yuan pode ser
"manipulação da divisa"? Não espere resposta dos
media financeiros presstitutos ou dos economistas lixo que incluem os que
professam a teoria económica neoliberal.
A função do mito da manipulação chinesa da divisa
é ocultar o facto de que o maciço défice comercial dos EUA
com a China deve-se às corporações estado-unidenses que
deslocalizam para a China a sua produção destinada ao mercado
estado-unidense. Quando corporações dos EUA trazem bens e
serviços produzidos externamente para venda nos EUA, eles entram como
importações, inchando portanto o défice comercial. O mito
acerca da manipulação da divisa transfere para a China a culpa
das corporações estado-unidenses, embora de facto seja o retorno
de produção deslocalizada, tal como a dos computadores Apple,
para venda a americanos que incha o défice comercial dos EUA.
As corporações dos EUA produzem no exterior porque os custos do
trabalho muito mais baixos resultam em lucros mais altos, em preços de
acções mais elevados para accionistas e em bónus de
desempenho para executivos. Uma das causas principais para as altas
médias do Dow Jones e da pioria do rendimento e da
distribuição de riqueza nos EUA é a
deslocalização de empregos. Em 2016 as pessoas mais ricas
acrescentaram US$237 mil milhões à sua riqueza, ao passo que a
subida em empréstimos a estudantes, empréstimos para
automóveis e dívida em cartões de crédito
combinadas com rendimento estagnado ou declinante deixou os americanos comuns
mais pobres. Durante o século XXI, o endividamento familiar subiu de
cerca de 70% do PIB para cerca de 80%. O rendimento pessoal não subiu de
acordo com a dívida pessoal.
A deslocalização de empregos beneficia apenas um pequeno
número de accionistas e executivos – e impõe custos externos
maciços à sociedade americana. Antigos estados manufactureiros
prósperos estão em depressão de longo prazo. Caíram
os rendimentos reais medianos das famílias. Valores imobiliários
em áreas manufactureiras abandonadas caíram. A base fiscal
desgastou-se. Os sistemas de pensões dos governos estaduais e locais
não podem atender às suas obrigações. A rede da
segurança social está a desfazer-se.
Para se ter uma ideia dos custos externos que a deslocalização
impõe à população americana vá à net
e olhe as fotos da decrépita Detroit, antigamente uma potência
industrial. Escolas e bibliotecas estão abandonadas. Edifícios
públicos estão abandonados. Fábricas estão
abandonadas. Lares estão abandonados. Igrejas estão abandonadas.
Aqui está uma descrição num vídeo de 4 minutos:
https://www.youtube.com/watch?v=pcTYqnL2Bgw
E não se trata só de Detroit. No meu livro,
The Failure of Laissez Faire Capitalism
(Clarity Press, 2013), informo dados do Censo de 2010 dos EUA. A
população de Detroit, anteriormente a quarta maior cidade da
América, declinou em 25 por cento na primeira década do
século XXI. Gary, Indiana, perdeu 22 por cento da sua
população. Flint, Michigan, perdeu 18 por cento. Cleveland, Ohio,
perdeu 17 por cento. Pittsburg, Pennsylvania, perdeu 7 por cento. South Bend
perdeu 6 por cento. Rochester, New York, perdeu 4 por cento. St. Louis,
Missouri, perdeu 20 por cento. Estas cidades foram outrora o centro de poder da
manufactura e da indústria americana.
Ao invés de contar a verdade, os media financeiros presstitutos e a
corrupta profissão económica dos EUA ocultaram os maciços
custos sociais e externos da deslocalização de empregos sob a
afirmação totalmente falsa de que a mesma é boa para a
economia. No meu livro, chamo à pedra serviçais corporativos tais
como Matthew Slaughter de Dartmouth e Michael Porter de Harvard, os quais
produziram com total incompetência ou conivência relatórios
erróneos dos grandes benefícios para os americanos de terem os
seus empregos dados a chineses e deixarem cidades americanas em ruínas.
Ao longo da sua história os EUA sofreram com mentiras públicas,
mas não ao ponto a que chegaram os regimes de Clinton, George W. Bush e
Obama em que as mentiras tornaram-se tão omnipresentes que a verdade
desapareceu.
Considere o relatório do emprego de Novembro. Disseram-nos que a taxa de
desemprego caiu para 4,6% e que nos EUA foram criados 178 mil novos empregos no
mês de Novembro. A recuperação está em curso, etc.
Mas o que são os factos reais?
A taxa de desemprego não incluiu trabalhadores desencorajados que foram
incapazes de encontrar emprego e cessaram de procurar, o que é caro,
exaustivo e desmoralizador. Por outras palavras, pessoas desempregadas
estão a ser empurradas para a categoria dos desencorajados mais depressa
do que podem encontrar empregos. Esta é a explicação para
a baixa taxa de desemprego. Além disso, esta afirmada baixa taxa de
desemprego é incompatível com a taxa declinante de
participação da força de trabalho. Quando empregos
estão disponíveis, as pessoas entram na força de trabalho
a fim de aproveitar das oportunidades de emprego e a taxa de
participação da força de trabalho sobe.
O relatado pelos presstitutos financeiros aumenta a fraude. Dão-nos o
número de 178 mil novos empregos em Novembro. E assim é. Contudo,
os dados divulgados pelo Bureau of Labor Statistics mostram aspectos
problemáticos dos dados. Exemplo: só 9.000 dos apregoados 178 mil
empregados são a tempo inteiro (definido como 35 horas por semana).
Outubro assistiu a uma perda de 103 mil empregos a tempo inteiro em
relação a Setembro. E Setembro teve menos 5.000 empregos a tempo
inteiro do que Agosto. Ninguém explica como é que uma economia a
perder empregos a tempo inteiro pode estar em recuperação.
A distribuição etária dos novos empregos de Novembro
é perturbante. 77 mil dos empregos foram para aqueles com 55 ou mais
anos de idade. Só 4 mil empregos foi para as idades de 25 a 34 anos, em
que se constitui família.
O estado civil da distribuição dos empregos também
é perturbador. Em Novembro houve menos 95 mil homens casados empregados
com esposa presente e 74 mil menos mulheres casadas com esposo presente do que
em Outubro. Em Outubro houve 333 mil menos homens casados e 87 mil menos
mulheres casadas empregadas do que em Setembro.
Pode-se concluir destas grandes diferenças de mês para mês
que as estatísticas oficiais não são boas, o que pode
muito bem ser o caso. Exemplo: como enfatizei nos meus relatos sobre os
comunicados mensais do emprego em folha de pagamento, há sempre um
grande número de novos empregos para empregados de mesa e atendedores em
bares. Mas o movimento em restaurantes declinou durante nove meses
consecutivos. Por que restaurantes contratam mais empregados quando o movimento
declina?
Como John Williams (shadowstats.com) nos informnou, os apregoados empregos em
folha de pagamento mensal consistem inteiramente de acréscimos a partir
de estimativas de um modelo enviesado de nascimentos/mortes e de
manipulações de ajustamentos sazonais. Por outras palavras, os
novos empregos relatados podem ser só ilusões estatísticas.
John Williams também enfatiza que os apregoados números do
crescimento do PIB real podem ser inteiramente produtos da
subestimação da inflação. Alguns anos atrás
das medidas da inflação foram "reformadas" a fim de
trapacear os ajustamentos da Segurança Social de acordo com o custo de
vida. Em lugar de um índice ponderado que calculasse o custo de um
padrão de vida constante, foi introduzida um substituto. No
índice reformado, se o preço de um ítem no índice
ascende, um ítem de preço mais baixo é substituído
no seu lugar, negando assim o impacto inflacionário da subida do
preço. Além disso, subidas de preços são definidas
como "melhorias de qualidade". Claramente, isto é um
índice concebido para subestimar a subida de preços.
No final das contas, a recuperação alegadamente a caminho desde
Junho de 200 pode ser uma ilusão estatística produzida por uma
medida enviesada da inflação.
O que os americanos podem esperar da economia em 2017? Primeiro, alguma
perspectiva. A derrota da estagflação pela política do
lado da oferta do presidente Reagan deu uma boa economia ao regime Clinton. A
melhoria da economia dos EUA não foi totalmente uma coisa boa, porque
ela mascarou as consequências adversas da deslocalização de
empregos que começou a sério após o colapso
soviético em 1991.
O colapso soviético encorajou a mudança de atitude dos governos
indiano e chinês em relação ao capital estrangeiro. A Wall
Street e grandes retalhistas como a Walmart forçaram a
relocalização de grande parte da manufactura dos EUA para a
China, que foi seguida após a ascensão da internet de alta
velocidade pela deslocalização de empregos profissionais
qualificados, como os de engenharia de software, para a Índia. Estas
relocalizações da actividade económica dos EUA em locais
estrangeiros esvaziaram a economia estado-unidense e reduziram as oportunidades
de emprego para americanos.
O crescimento do rendimento da família real mediana cessou. Sem aumentos
em gastos de consumo para impulsionar a economia, o Federal Reserve substituiu
um crescimento na dívida do consumidor para [compensar] o crescimento
faltante no rendimento real da família mediana. Mas o crescimento da
dívida do consumidor é limitado pela falta de crescimento no
rendimento do mesmo. Portanto, uma economia dependente da expansão da
dívida está limitada na sua capacidade de expansão. Ao
contrário do governo federal, o povo americano não pode imprimir
dinheiro para pagar as suas contas.
Único entre aqueles a competirem por cargo político, o presidente
eleito Trump apontou a deslocalização de empregos como uma
desgraça para o povo e a economia americanas. Está para ser visto
o que ele pode fazer quanto a isso, pois a deslocalização de
empregos serve os interesses das corporações globais e dos seus
accionistas.
Desde há muitos anos as informações de empregos em folha
de pagamento mensal mostram que os EUA descem a um status de Terceiro Mundo,
com a grande maioria dos apregoados novos empregos em serviços internos
não comerciais de baixo pagamento. As projecções de
emprego a 10 anos da BLS mostram poucos novos empregos que exijam um grau
universitário. Se empregos de alto valor acrescentado e alta
produtividade da classe média não puderem ser trazidos de volta
para os EUA, o futuro económico americano é de declínio
contínuo para o status de Terceiro Mundo.
Considerando os constrangimentos do consumidor, uma grande fatia de lucros
corporativos veio da poupança no custo do trabalho com a
deslocalização de empregos. Para corporações como a
Apple, cujos produtos são quase totalmente produzidos em fábricas
chinesas, não há mais lucros a serem garantidos com a
exportação de empregos. Para manter os lucros a fluírem, a
Apple planeia substituir o trabalho barato do trabalho chinês por robots,
aos quais não se tem de pagar qualquer salário. O que mostra
melhor a desconexão entre capital e trabalho do que robotizar
fábricas chinesas diante de um excesso de oferta de trabalho?
O manual económico de Paul Samuelson ensinava a falácia da
composição, o que é bom para o indivíduo por
não ser bom para o grupo. Os economistas keynesianos aplicaram isto
às poupanças. Poupar é bom para o indivíduo, mas se
a poupança agregada excede o investimento, a procura agregada cai,
destruindo rendimento, emprego e poupança.
Este é o caso com a deslocalização de empregos. Ela pode
aumentar lucros para a firma, mas diminui o rendimento agregado da
população e limita o crescimento das vendas. O que a
deslocalização de empregos faz quanto a isto será feito em
maior escala pela robótica.
Quando leio economistas as presstitutas financeira a glorificarem as
poupanças de custos da robótica, pergunto-me onde está a
sua mente ou se eles têm alguma. Robots não compram casa,
mobiliário e electrodomésticos para casas, carros, alimentos,
vestuário, férias, entretenimento. Quando robots tiverem os
empregos, de onde os humanos obterão rendimentos para comprar os
produtos produzidos por robots?
Esta questão não examinada tem extraordinárias
implicações para os direitos de propriedade e a
organização social da sociedade. As patentes robóticas
não são amplamente detidas. Portanto, num mundo robotizado,
rendimento e riqueza seriam concentrados nas mãos de umas relativamente
poucas pessoas. Como a robótica aumenta lucros e reduz salários,
a desigualdade económica aumentará drasticamente. Na verdade,
haveria qualquer rendimento ou riqueza afinal de contas? O único meio
com que humanos poderiam sobreviver à sua substituição por
robots seria tornarem-se outra vez agricultores auto-suficientes em rendimento
monetário para comprarem produtos fabricados por robots. Quando poucos
seriam capazes de comprar produtos feitos pelos robots, qual seria a fonte de
rendimento e riqueza para os proprietários da robótica?
É disparate que políticas monetárias e orçamentais
macroeconómicas (tais como baixas taxas de juro e cortes fiscais) possam
manter pleno emprego frente à exportação de empregos e
à robótica. Estou convencido de que se a robótica
está em vias de suplantar o trabalho humano, as patentes terão de
ser socializadas e o rendimento distribuído numa base relativamente
igual por toda a sociedade.
Assim, pode Trump consertar a economia em 2017?
Não há nada que possa ser consertado a menos que as escadas da
mobilidade ascendente que fizeram os EUA uma sociedade da oportunidade possam
ser repostas no lugar. Isto exigirá trazer de volta os empregos
deslocalizados da classe média ou, assumindo que novos empregos de alto
valor acrescentados pudessem ser criados, impedir estes novos empregos de serem
transferidos para fora.
Há um meio de fazer isto. É basear a taxa fiscal corporativo
sobre a localização geográfica onde
corporações acrescentam valor ao seu produto. Se
corporações acrescentam valor internamente com trabalho
estado-unidense, a taxa fiscal seria baixa. Se o valor é acrescentado no
exterior, a taxa fiscal seria elevada. A taxa fiscal pode ser ajustada para
compensar os benefícios de custos mais baixos no estrangeiro.
Apesar da propaganda acerca de globalismo e livre comércio, a economia
dos EUA foi construída sobre a protecção e a sua
força era o mercado interno. A prosperidade dos EUA nunca esteve
dependente de exportações. E como o US dólar e a divisa de
reserva mundial, os EUA não precisam exportar a fim de pagar pelas suas
importações. Eis porque os EUA podem tolerar os défices
comerciais causados pela deslocalização de empregos.
O globalismo é um cozinhado feito pelos economistas lixo neoliberais em
cumplicidade com os grandes bancos, a Wall Street e corporações
multinacionais. O globalismo é um disfarce para a
exploração dos muitos em proveito dos poucos. Os alegados
benefícios do globalismo foram utilizados para justificar a
deslocalização de empregos e enriquecer executivos e accionistas
de corporações.
É a economia interna que é importante, não a economia
global. A população sofredora nas áreas centrais da
América finalmente aprendeu esta lição e elegeu Trump.
Pode Trump por no roteiro "A fuga do globalismo?" Ele poderia perder
o combate. O globalismo foi institucionalizado. As grandes
corporações que deslocalizaram a sua produção para
mercados dos EUA opor-se-iam aos movimentos contra a
deslocalização de empregos. Assim como todos os seus
serviçais na profissão económica e nos media financeiros.
Não sei a medida em que o globalismo se enraizou nas mentes dos povos da
Ásia, África e América do Sul, mas na Europa – mesmo
na Rússia de Putin – povos são doutrinados
(brainwashed)
na crença de que não podem sair do globalismo sem pagar um
enorme preço económico.
GREGOS E PORTUGUESES
Considere por exemplos os gregos. Para benefício dos balanços de
um punhado de bancos europeus do norte (e talvez dos EUA), os povos grego e
português são forçados a austeridade extrema, resultando em
tão alto desemprego e queda livre de padrões de vida que mulheres
têm sido obrigadas a prostituírem-se a fim de sobreviver. Esta
consequência totalmente desnecessária verificou-se porque os povos
e governos grego e português estão com os cérebros
tão lavados que acreditam não poderem sobreviver como
países independentes sem o globalismo e entrada para o globalismo
providenciada pela condição de membro da UE. No Reino Unido, 45%
da população sofre da mesma concepção errada.
O globalismo é a técnica mais recente pela qual o capitalismo
saqueia e destrói. No mundo ocidental são as classes
trabalhadoras e médias que são saqueadas dos seus empregos e
carreiras. Na Ásia, África e América Latina comunidades
agrícolas auto-suficientes são saqueadas da sua terra e
forçadas à monocultura como trabalhadores que produzem cultivos
de exportação. Países antigamente auto-suficientes em
alimentos tornaram-se dependente de importações alimentares e as
suas divisas, que arcam com esse fardo, são sujeitas à
especulação e manipulação infindável.
Foi a ignorância universal ou os subornos que obrigaram governos por toda
a parte a entregar suas populações ao globalismo?
Jornalistas de vanguarda, tais como Chris Hedges, que viram e relataram um
bocado, concluíram que o destino do mundo está em tão
poucas mãos que actuam apenas no seu estreito auto-interesse que
unicamente a revolução pode corrigir o desequilíbrio entre
o interesse de um punhado de oligarcas e a massa da humanidade. A
posição de Hedge não é fácil de contestar.
Trump, ao descer dentro do poço de serpentes que é Washington,
DC, precisa recordar o que aconteceu ao presidente Jimmy Carter. De facto, a
melhor coisa que Trump pode fazer para a sua presidência é passar
algum tempo com Carter antes de tomar posse.
Carter era um homem de fora, uma pessoa de princípios, e o establishment
de Washington não o queria. Eles reduziram a sua eficácia ao
tramarem seu director do orçamento e seu chefe de equipe. O mesmo pode
acontecer a Trump, assumindo que ele é capaz de conseguir que seus
nomeados sejam confirmados pelo Senado, mas membros do mesmo estão
aliados à CIA contra Trump.
Reaganistas tiveram uma experiência semelhante na
administração Reagan. Este tinha experiência
política como governador da Califórnia, o maior estado, mas ele
era um estranho ao establishment republicano, cujo candidato para a
nomeação presidencial era George H.W. Bush.
Reagan derrotou Bush na nomeação, mas foi aconselhado pelos
republicanos, os quais recordavam o massacre de Goldwater quando as
forças de Rockefeller voltaram-se contra ele por não escolher o
derrotado Rockefeller como seu companheiro para a vice-presidência, o que
custou a eleição a Goldwater, ao escolher Bush como
vice-presidente. Do contrário, Reagan descobrir-se-ia, tal como
Goldwater, a correr contra os establishments tanto democrata como republicano.
O primeiro mandato de Reagan verificou-se com o principal operacional de George
H.W. Bush como chefe de equipe da Casa Branca. Isto confrontou-me com problemas
como secretário assistente do Tesouro para Política
Económica, onde eu era o ponta de lança para a política
económica do lado da oferta de Reagan.
Ambos os establishments político-partidários estão mais
interessados em controlar o partido do que em fazer bem para o país.
Durante os quatro anos do presidente Carter, a principal
preocupação do establishment democrata foi recuperar controle do
partido às forças que haviam enviado um estranho para a Casa
Branca. Durante os oito anos de Reagan, a principal preocupação
do establishment republicano era recuperar o controle do Partido Republicano
aos reaganistas.
É provável que Trump agora experimente em grande escala o que os
presidentes Carter e Reagan experimentaram. O esforço será feito
no sentido de forçá-lo a compromissos e neutralizar a sua agenda.
Ironicamente, este ataque determinado a Trump está a ser ajudado pela
esquerda, forças progressistas que se preparam para ganhos
[políticos] pelo interesse de Trump em favor das classes trabalhadora e
média e da paz com a Rússia. Muitos dos sítios web
liberais, progressistas e de esquerda já estão a solicitar
doações a fim de combater contra Trump.
Assim, mesmo quando conseguimos um presidente que pode tentar representar os
interesses do povo americano, aqueles que dizem falar a favor do povo juntam-se
aos oligarcas no ataque a Trump. O lado esquerdo do espectro parece sempre,
como o lado direito, acatar seus odiados. Trump é um bilionário =
odiado. Trump nomeou um magnata da energia = odiado. Trump nomeou dois generais
de três estrelas = belicista e mais odiado.
Os liberais, progressistas e de esquerda não podem transcender seus
espantalhos. Naturalmente, eles podem estar correctos. Entretanto, como tenho
enfatizado, Trump escolheu independentes que se têm manifestado contra o
establishment. Além disso, trata-se de homens fortes, como Trump, o que
dá trabalho para deitar abaixo. O presidente da Exxon quer
negócios de energia, não a guerra, com a Rússia. O gen.
Flynn é um dos que revelou na televisão que Obama utilizava o
ISIS para derrubar a Síria contra a recomendação da
Defense Intelligence Agency. O gen. Mattis foi um dos que contestou a
eficácia da tortura.
Os principais nomeados de Trump são pessoas que desafiaram o
Establishment. A variedade habitual de nomeados aprovados pelo establishment
não pode provocar mudança em Washington.
Os liberais, progressistas e de esquerda deveriam estar felizes com a
perspectiva de um governo com gente de fora do Establishment. Ao invés
disso, os liberais, progressistas e de esquerda alinharam-se com o
Establishment na oposição a Trump.
Todos os dias recebo meia dúzia de pedido de doações para
"ajudar-nos a combater Donald Trump". O que é que estas
pessoas pensam? Por que querem combater alguém a que todo o
establishment político dos EUA se opõe? O que elas deveriam
tentar em primeiro lugar é obter a confiança de Trump e
ganhá-lo para a sua agenda, como fez o general Mattis.
Não posso assegurar-lhe que Trump não é um outro
falsário como Obama. Mas é um erro começar com esta
suposição. Por que cancelar antecipadamente a única pessoa
com a coragem para por a sua vida em risco e enfrentar o corrupto e perverso
establishment de Washington?
Por que ajudar o Establishment a derrotar Trump? Se Trump trair americanos,
podemos voltar-nos então contra ele, ou podemos decidir se Chris Hedges
está correcto em que só a revolução pode rectificar
esta situação.