quinta-feira, 11 de maio de 2017


Astrónomos obtêm imagem detalhada da Nebulosa do Caranguejo

Space Telescope Science Institute Office of Public Outreach

A imagem foi captada a partir de diferentes comprimentos de onda de luz combinando as capacidades de cinco telescópios, incluindo os espaciais Hubble, Chandra e Spitzer

Astrónomos obtiveram uma imagem detalhada da Nebulosa do Caranguejo, nuvem de poeira, hidrogénio, hélio e plasma com origem na explosão de uma estrela, informou esta quarta-feira a agência espacial norte-americana NASA.
A imagem foi captada a partir de diferentes comprimentos de onda de luz combinando as capacidades de cinco telescópios, incluindo os espaciais Hubble, Chandra e Spitzer.
Localizada a 6.500 anos-luz da Terra, a Nebulosa do Caranguejo foi descoberta, em 1731, pelo astrónomo britânico John Bevis, sendo o remanescente de uma supernova (explosão de estrela moribunda) registada por astrónomos chineses e árabes, em 1054.
A Nebulosa do Caranguejo é uma nuvem de vento de pulsar na constelação de Touro. A pulsar que está no centro deste corpo celeste é uma estrela de neutrões rotativa, muito densa e altamente magnetizada.

ORIGENS

E o Homo naledi surpreendeu-nos de novo, agora terá coexistido connosco

Mais ossos encontrados num local de difícil acesso, numa gruta na África do Sul, reforçam a hipótese de que estes humanos já seguiam ritos funerários como nós.
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Foi revelado ao mundo em 2015 e agora a mesma equipa que tinha descoberto o Homo naledi na África do Sul voltou a trazer de uma assentada um punhado de novidades sobre esta espécie de humanos mais primitivos do que nós. A mais surpreendente é que o Homo naledi, a que inicialmente tinha sido atribuída uma idade de 2,5 milhões de anos, poderá ter sobrevivido muito mais tempo e, por isso, há cerca de 330 a 230 mil anos ainda andaria pelas paisagens do Sul de África. A ser mesmo assim, a história da evolução humana ganha contornos ainda mais interessantes – porque significaria que o Homo naledi e os primeiríssimos representantes da nossa espécie, o Homo sapiens, poderão, afinal, ainda ter-se encontrado.
A nova espécie de humanos foi-nos apresentada em dois artigos científicos na revista online de acesso livre eLife, em Setembro de 2015, pela equipa de Lee Berger, paleoantropólogo da Universidade de Witwatersrand (Wits), em Joanesburgo, África do Sul. Ossos de 15 indivíduos tinham sido encontrados durante duas expedições, em 2013 e 2014, a uma das câmaras da Gruta Estrela Ascendente, a 40 quilómetros de Joanesburgo. Era a Câmara Dinaledi (que significa “as estrelas” em sesoto, uma das línguas oficiais da África do Sul) e daí viria o nome científico da nova espécie.
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O investigador sul-africano Lee Berger Universidade de Wits
Além de se lhe atribuir uma idade que poderia andar à volta dos 2,5 milhões de anos, já se dizia que os seus fósseis reuniam uma mistura de características mais primitivas e mais evoluídas. Um cérebro pequeno e uma forma do corpo mais próximos do grupo de pré-humanos, como os australopitecos. Mas as mãos,os pulsos e pés tinham semelhanças com os da nossa espécie, o homem moderno. No caso das mãos, tinham já características que lhe permitiam manipular objectos, mas, ao mesmo tempo, os dedos curvos e polegares grandes possibilitavam que trepasse às árvores.
Ainda em 2013, à medida que o trabalho de campo decorria na Câmara Dinaledi, a equipa coordenada por Lee Berger encontrou uma segunda câmara, a cerca de cem metros de distância. Na Câmara Lesedi (ou “luz”, na língua tsuana, também falada na África do Sul), os cientistas depararam-se com cerca de 130 fósseis de mais três indivíduos do Homo naledi — ossos da cabeça e do corpo de uma criança que deveria ter menos de cinco anos, uma mandíbula e ossos das pernas de um adulto e, por fim, um esqueleto parcial de um outro adulto, incluindo o seu crânio quase completo extraordinariamente bem preservado.
Graças ao crânio, este último adulto do sexo masculino teve direito a alcunha: “Neo”, ou “uma prenda”, em sesoto. “Finalmente, pudemos olhar para a cara do Homo naledi”, resume Peter Schmid, das universidades de Wits e de Zurique (Suíça), que passou horas a tratar dos ossos do crânio.
No total, há agora pelo menos 18 indivíduos atribuídos à espécie Homo naledi, perfazendo cerca de 2000 fósseis.
É a descoberta de mais fósseis na nova câmara da gruta que os cientistas relatam num dos três artigos científicos publicados, de novo, na revista eLife e que são assinados por uma vasta equipa internacional. Num dos outros dois artigos é esmiuçada a datação dos sedimentos e fósseis da Câmara Dinaledi, enquanto no terceiro se faz uma reflexão sobre as implicações para a história da evolução humana e a interpretação de achados arqueológicos, como ferramentas, da descoberta deste novo humano.
Ora os trabalhos de datação foram muito complicados, como nota Paul Dirks, das universidades de Wits e James Cook (na Austrália), que trabalhou nesta questão com mais 19 cientistas de vários laboratórios a volta do mundo. “A datação do naledi foi extremamente desafiante”, diz Paul Dirks, segundo um comunicado da universidade sul-africana. “Por fim, seis métodos de datação independentes permitiram-nos restringir a idade desta população de Homo naledi a um período conhecido como Pleistoceno Médio.”
Estas populações terão assim vivido até há cerca de algumas centenas de milhares de anos — há apenas 335 a 236 mil anos —, de acordo com a datação directa de sedimentos e de dentes, bem como a reconstituição geológica dos depósitos na Câmara Dinaledi, que foi aquela que, por ora, foi datada.
Se de facto estas datações estiverem correctas, então há todo um outro mundo de possibilidades que se levanta na história da evolução humana. Por essa altura, o Homo sapiens estava a começar a surgir em África, o que significa que não só o Homo naledi sobreviveu mais dois milhões de anos do que se pensava, ao lado de outras espécies de humanos, como o Homo erectus ou o Homo habilis, mas também que se terá chegado a encontrar connosco. Mesmo que por escassos momentos, em termos evolutivos.
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O crânio de um Homo sapiens arcaico da Zâmbia e do Homo naledi John Hawks/Universidade de Wisconsin-Madison
Ao ter uma idade mais jovem do que a inicialmente avançada, e não tendo estado o Homo sapiens sozinho em África, também se põe a questão de saber quem é que fez as ferramentas de pedra atribuídas à nossa espécie no continente africano. “No registo arqueológico de África, já não podemos presumir que sabemos que espécie fez as ferramentas ou até que o homem moderno foi o inventor de algumas destas tecnologias críticas e avanços comportamentais”, resumiu Lee Berger. “Se havia uma outra espécie por aí que partilhou o mundo com os humanos modernos em África, é muito provável que haja ainda outras. Só temos de as encontrar.”
Contextualizando um pouco, diga-se então que os primeiros humanos — ou seja, os primeiros membros do género Homo — surgiram muito antes, há 2,8 milhões de anos, em África. Também recentes, do início de 2015, estes resultados, de uma outra equipa, basearam-se na análise de uma mandíbula descoberta na região de Afar, na Etiópia, atribuída já ao Homo habilis, o que fez recuar em cerca de 400 mil anos o aparecimento dos primeiros humanos. Igualmente em 2015, foi anunciada a descoberta no Quénia, por uma outra equipa, das primeiras ferramentas (de pedra) fabricadas já por pré-humanos. Têm 3,3 milhões de anos, por isso só podiam ter sido fabricadas antes do aparecimento dos primeiros humanos. Até então, considerava-se que as espécies de hominíneos — os nossos antepassados depois da separação do ramo dos chimpanzés, há cerca de oito milhões de anos — existentes antes dos humanos não tinham tal capacidade de talhe da pedra. Para esta equipa, estes artefactos demonstravam que esses hominíneos que sabiam talhar a pedra já tinham capacidades de planeamento, destreza manual e selecção de materiais.
Portanto, o Homo naledi não faz parte dos primeiros humanos mas ainda surgiu cedo na árvore humana.

Preocupação pelos outros após a sua morte

Um outro aspecto é apresentado agora como um reforço de provas do que a equipa de Lee Berger já tinha aflorado nos trabalhos anteriores sobre o Homo naledi. Até que ponto estes humanos não terão praticado ritos funerários? Afinal de contas, não era nada fácil chegar ao interior daquela gruta. A passagem mais estreita da Câmara Dinaledi tem 18 centímetros e da Câmara Lesedi, 25.
Por isso, os cientistas dizem que era preciso o Homo naledi ter-se esforçado muito para chegar ao interior da gruta, o que os leva a pôr a hipótese de que aqueles corpos foram ali depositados de propósito. Ou seja, seguindo ritos funerários, que associamos já a comportamentos mais complexos do homem moderno (outro desses comportamentos é relativo aos adornos pessoais). Agora existe uma segunda câmara, longe da primeira, também com vários esqueletos.
“Isto dá peso à hipótese de que o Homo naledi usava locais escuros e remotos para esconder os seus mortos. Quais são as hipóteses de uma segunda ocorrência, quase idêntica, se repetir por acaso?”, frisa John Hawks, da Universidade do Wisconsin, em Madison (EUA), também envolvido neste trabalho, que acrescenta num comunicado desta instituição: “O Homo naledi parece partilhar aspectos profundos de um comportamento reconhecido por nós, uma preocupação duradoura por outros indivíduos que continua depois da sua morte. Deslumbra-me que possamos estar a ver as raízes profundas de práticas culturais humanas.”

Académicos franceses contra a manipulação mediática
Não, a América Latina não é um espantalho político.

Rebelion    11.May.17    Outros autores
No decurso da primeira volta das recentes eleições em França a subida nas sondagens de Jean-Luc Mélenchon desencadeou uma forte ofensiva mediática por parte da direita. Um dos temas esgrimidos foi o espantalho do “chavismo”. Na Europa como na América Latina, os grandes media são hoje meios de desinformação e manipulação reaccionária. Foi também assim que se chegou ao cenário que colocou os eleitores franceses, na segunda volta, à lamentável opção entre direita e extrema-direita.
Perante o questionável tratamento mediático das esquerdas latino-americanas pelos meios de comunicação franceses, um conjunto de investigadores e especialistas desta região desejou ratificar nesta tribuna algumas contraverdades:
Na nossa qualidade de investigadores e especialistas na América Latina, a presença desta região na campanha eleitoral francesa devia ter sido motivo de regozijo. Mas observamos com inquietação o tratamento mediático de que é objecto. Desde algumas referências humorísticas à insularidade da Guiana, alertou-nos o grau de desinformação que evidenciam as polémicas recentes, que vão da simplificação a interpretações totalmente fantasiosas. Isso preocupa-nos ainda mais quando constatamos que grandes jornais nacionais mobilizam figuras políticas complexas da história recente para alimentar uma confusão já presente nas esquerdas radicais e o autoritarismo, como por exemplo o título sensacionalista do jornal Le Figaro «Castro, Chavez…Melenchon, o apóstolo dos ditadores revolucionários?»
Não podemos deixar de interrogar-nos — trata-se apenas de provocar o terror de um auditório de eleitores indecisos? Com efeito, numerosos meios de comunicação parecem reter do balanço das esquerdas latino-americanas apenas os elementos que podem contribuir para as apresentar como um espantalho, com o objectivo de retirar credibilidade aos movimentos políticos que se inspiram parcialmente neles.
Perante temas complexos e frequentemente desconhecidos, certos meios de comunicação tem tendência para tomar liberdades com a história e as realidades sociais contemporâneas da região. Mesmo nos meios de comunicação do serviço público, principalmente no canal de televisão France 2 por exemplo, numa reportagem de 2012 sobre a reeleição de Hugo Chavez, cheio de erros grosseiros e de críticas, ou mais recentemente em Maio de 2016, com a intervenção de François Lenglet no seu programa Palavras e Actos, onde acusa infundadamente de corrupção o presidente Evo Morales. Para além das suas imprecisões factuais, constatamos uma falta de interesse generalizada numa compreensão real das transformações sociais e politicas.
Alguns jornalistas conhecem a fundo os assuntos latino-americanos contemporâneos e utilizam especialistas capazes de propor análises muito boas, especialmente no caso da crise politica, económica e social da Venezuela. Mas frequentemente os comentaristas mais influentes transmitem uma visão fragmentada e estereotipada da situação,
Venezuela? Fácil! Muito petróleo, presidentes autoritários que monopolizam a televisão, uma alimentação racionada e manifestações!
A análise das causas estruturais e a longo prazo torna-se menos atractiva para compreender as realidades económicas, sociais e politicas contemporâneas. Apesar do seu carácter fundamental, não se trata o tema da inserção dos países latino-americanos na divisão internacional do trabalho e os «intercâmbios desiguais». Mas, um dos principais factores das economias destes países reside justamente no facto de que dependem em grande parte da exportação de matérias-primas e que a volatilidade dos preços destas tem repercussões imediatas nas taxas de câmbio e nos mercados financeiros nacionais. Na esfera académica, o que tem sido teorizado como «síndroma holandês» ou «a maldição dos recursos naturais» (a longo prazo, os resultados económicos de um país são inversamente proporcionais à amplitude dos seus recursos naturais), parece ser desconhecido por análise de jornais que se pretendem científicas e objectivas.
O nosso propósito aqui não é explicar e ainda menos justificar os erros dos governos que chegaram ao poder desde os anos 2000. Pelo contrário, trata-se de convidar a desenvolver análises críticas reais e superar a hipnose do instantâneo. Assim, é possível superar interpretações simplistas que designam os regimes como «bons» ou «maus» e tentar compreender os processos históricos que geram situações particulares.
A longa formação da onda de novas esquerdas
O que era a Venezuela antes de Chavez. O Equador antes de Correa. A Bolívia antes de Morales. O Brasil antes de Lula. A Argentina antes de Kirchner?
Partamos de um tema preciso: a inflação na Argentina durante a era de Kirchner. Para o comentar, seria preciso levar em conta a debilidade estrutural da moeda argentina, causa já de hiperinflacção durante a presidência de Raul Alfonsin, em 1988. Seria preciso recordar a re-especialização da economia em torno da exportação de matérias-primas agrícolas iniciada em finais dos anos 1979 com o cessar das políticas de industrialização para substituir as importações, reforçada pelas condições draconianas impostas pelo currency board e as medidas aplicadas na década de Carlos Menem. Este último executou fielmente os programas de reajuste estrutural recomendados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) mediante a privatização de infra-estruturas, empresas públicas e sectores inteiros dos serviços sociais. Não poderemos também deixar de mencionar as condições da introdução de politicas neoliberais tanto na Argentina como no Chile — considerada por muitos historiadores como um «laboratório» em que o choque foi especialmente brutal — por ditaduras associadas às elites económicas locais com o apoio do governo norte-americano através do tristemente célebre Plano Condor, instrumento de luta contra os comunismos e as esquerdas. Essa pergunta parece sacar um fio de um desesperante novelo de processos históricos e políticos. O tempo e a complexidade das situações não podem ser sistematicamente explicados pelos meios de comunicação, mas deveriam ao menos indicar elementos para alimentar as análises.
Os governos que precederam a «onda das esquerdas» latino-americanas levaram os seus respectivos países a crises económicas e sociais e politicas inéditas. Mas, perante políticas autoritárias e resultados económicos catastróficos, as opções destes dirigentes raras vezes foram questionadas pelos discursos mediáticos franceses, como se a submissão às regras do FMI garantissem a boa conduta para os países periféricos.
Evidentemente, os governos das novas esquerdas não desfrutaram da mesma indulgência mediática. Mas os seus progressos sociais e democráticos são numerosos. As derivas e os fracassos são suficientemente conhecidos e comentados em França para que não seja preciso citá-los. Tracemos melhor um panorama sucinto dos êxitos nos últimos 15 anos.
Estes movimentos políticos originaram-se nas mobilizações sociais nas décadas de 90 e 2000, e estruturaram-se em volta dos sindicatos, de grupos de militantes pelos direitos dos povos indígenas, colectivos e associações de bairro, de defesa do ambiente ou feministas. No cenário político, caracterizam-se pela vontade de situar-se entre a social-democracia e a esquerda radical. As práticas de desintermediação do acesso à política institucional deveriam permitir a reapropriação do político e a ampliação da participação. Nesse sentido, as reformas constitucionais permitiram a introdução de referendos revocatórios na Venezuela e na Bolívia e no Equador a constitucionalização do «viver bem». Apesar de algumas semelhanças, estas «novas esquerdas» são extremamente diversas e compreendem tanto os governos bolivarianos ou de inspiração eco-socialista que pretendem romper com o neoliberalismo (Venezuela, Equador e Bolívia) como os governos progressistas sócio-liberais (Argentina, Brasil, Uruguai e, em certa medida, Chile).
No plano social, as desigualdades extremas do continente lamentavelmente não são recentes nem imputáveis aos governos de esquerda. Através de estratégias diferentes e sem conseguir libertar-se da renda produto da exportação de matérias-primas, as políticas públicas desses países concentraram os seus esforços em reduzir a fractura social. Apesar da crise económica, os anos 2000 permitiram a mais de 30 milhões de brasileiros superar a pobreza. Na Bolívia, a proporção da população que vivia em condições de pobreza crítica passou de 66,4% no ano 2000 para 38,9% em 2015, enquanto no Equador passou de 44,6% em 2004 para 22,5% em 2014. Na Venezuela, o índice de escolarização a nível secundário passou de 47% em 1995 para 75% em 2007, enquanto o coeficiente de Gini passou de 0,435 para 0,402 e que milhares de casas foram construídas. Sob as presidenciais de Kirchner (2003-2015), a Argentina iniciou um processo de reconstrução dos fundamentos do Estado social através da instauração de um subsídio universal para as crianças, de pensões de reforma para todos e da garantia da gratuitidade dos sectores públicos (transportes, saúde).
Os meios de comunicação e a polarização política
A maioria dos meios de comunicação pertence a grandes grupos de comunicação que são simultaneamente importantes intervenientes políticos. Na América Latina, um estudo de Observacom avaliou em 60% esta concentração no conjunto da região. Neste contexto, alguns governos tentaram propor alternativas para garantir o pluralismo mediático e a liberdade de expressão. Um exemplo é a Lei de Notícias argentina, cujo objectivo é limitar a concentração de meios de comunicação em grandes grupos, reforçar os meios do sector público e favorecer o desenvolvimento de meios associativos, cooperativos ou locais em todo o território. Vendo um risco para a sua expansão comercial o Grupo Clarín, principal conglomerado de imprensa argentino tornou-se o opositor radical do governo de Kirchner. Em reacção a estes comportamentos, os meios de comunicação públicos de alguns países transformaram-se por sua vez e tribunas para os seus respectivos governos, reforçando assim o mecanismo de polarização.
A polarização política é portanto obra dos meios de comunicação. A velocidade com que o novo presidente argentino, Maurício Macri, derrogou a lei dos meios, ilustra a importância para as direitas latino-americanas do poder mediático. Lamentavelmente, a imprensa francesa — talvez demasiado segura da imparcialidade jornalística — retoma com frequência análises de imprensa favoráveis aos sectores conservadores e neoliberais. Assim a crise política brasileira que permitiu a instauração do governo ultraliberal de Michel Temer foi conhecida em França através da visão de meios favoráveis à elite económica, com o Globo, Folha de S. Paulo, o Estado de São Paulo, ou Veja, que participaram mais ou menos activamente na destituição muito pouco democrática de Dilma Rousseff.
Assim se elaborou a ignorância das evoluções democráticas e políticas que as sociedades latino americanas atravessam. Para lá de políticas governamentais, observar a América Latina só através da denúncia oportuna de derivas chavistas ou castristas e de um «miserabilismo» condescendente contribui para manter representações eurocentristas que negam toda a força original, criadora e libertadora a sociedades particularmente inovadoras no plano sócio/politico e regularmente agitadas por mobilizações colectivas.
Estas últimas, como todos os movimentos de organização colectiva «de base», são pouco citadas nos meios de comunicação dominantes., embora representem hoje em dia um dos fenómenos políticos mais interessantes.
A imagem muito aproximativa que estes meios dão das diversas realidades latino-americanas favorece o predomínio de uma desinformação generalizada, que permite textos pouco sérios terem grande êxito, unindo-se a esta espessa neblina. Assim, quando um artigo relaciona insidiosamente as situações contemporâneas e as ditaduras militares das décadas de 60, 70 e 80, os seus termos, que se servem de uma demagogia que pretendem denunciar, parecem quase aceitáveis. Como não reagir e condenar esses discursos, quando vivem connosco exilados políticos e os seus filhos?
É lamentável que na arena politica as mulheres e os homens deformem as realidades sociais para as manipular a seu favor. Nesse caso, podemos reprovar Jean-Luc Melenchon que menciona apenas os êxitos das esquerdas latino-americanas, em caso algum seria sensato ou legitimo opormo-nos à leitura diametralmente oposta: a função do jornalista, como a do investigador, é tentar tornar o mundo mais inteligível. Mas, de nos últimos dez dias, assistimos a uma apresentação muito discutível da América Latina na imprensa francesa. Alimentados quer por um cinismo político e eleitoral como por um eurocentrismo latente, reduzem a história da América Latina e a sua complexidade social e política a uma caricatura. Alguns exemplos latino-americanos mostram que não pode haver democracia plena quando os meios de comunicação preferem a polémica, e até a instrumentalização politica, aos factos e sua explicação.
Notas:
Medida da desigualdade de rendimentos num país, de 0 para o mais igualitário a 1 para o mais desigual.
Observatório latino-americano de medias e convergência.
Primeiro jornal em número de edições e 60% do mercado da televisão por cabo.
Tradução: Manuela Antunes
in ODiario.info.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

OPINIÃO

FRANÇA

Sectores dos mais poderosos do grande capital financeiro franceses e estrangeiros, dominando claramente os media e injectando rios de dinheiro, deram a vitória ao seu candidato, contudo o que mais contribuiu foi o temor pelo partido neo-fascista. Este serve às mil maravilhas de "papão" à direita conservadora para assustar o eleitorado. Hoje a sua missão histórica é esta.
 Se o partido de Marine Le Pen defende medidas abertamente fascistas (nacionalismo xenófobo, racista e agressivo), é de excluir que o programa e a prática de Macron e seus apoios nada contêm de neo-fascismo?
Eu julgo que não. 
O fascismo não é uma excepção dos regimes neoliberais. É a sua pulsão.

domingo, 7 de maio de 2017

Um presidente de laboratório


A tarefa será entregue a Emmanuel Macron, o candidato anti-sistema apresentado pelo próprio sistema, o eleito de Hollande, Valls, Juppé, Juncker, Merkel, Schulz, Sarkozy, Fabius, Fillon, Strauss-Khan, Lagarde, Schauble, Hillary Clinton, Obama, da NATO, da União Europeia, de Israel.
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Créditos / Agência Lusa
Medo, propaganda como pilar da mentira política e estado de excepção são os principais panos do cenário das eleições presidenciais francesas, nas quais a enxurrada de análises, pareceres, conjecturas e previsões é inversamente proporcional ao esclarecimento e consciencialização dos franceses sobre decisões determinantes para o seu futuro.
Mais do que isso, o discurso e os comportamentos da maioria dos políticos e dos media empenhados em dar credibilidade ao que não passa de uma farsa de democracia escondem os desmandos que irão atingir a generalidade dos cidadãos eleitores.
Este jogo perverso, em que se estrangula o direito das pessoas a decidirem sobre a sua vida enquanto são ludibriadas quanto às hipóteses de escolha, tem como provável vencedor o candidato que mais escondeu sobre si e as suas propostas: Emmanuel Macron, o falso socialista, falso centrista, ex-membro do staff de Sarkozy, ex-ministro de Hollande e que, apesar de há poucos meses ainda ter a pasta governamental da Economia, se apresentou «de fora do sistema» e «contra o sistema», prometendo uma «revolução política» que já está «em marcha».
Daí a designação do partido que formou – En Marche – uma entidade talhada para fazer eleger um presidente de laboratório capaz de agir como marioneta dos grandes interesses mundiais, projecto este que centralizou vastos apoios de bancos transnacionais, das grandes empresas da Bolsa de Paris e de diversas fundações, entre as quais a norte-americana New Endowment for Democracy (NED), conhecida pelo seu patrocínio de golpes de Estado «democráticos», da América Latina ao Médio Oriente, passando pela Ucrânia. Por isso se juntaram ao En Marche, como «conselheiros», alguns diplomatas neoconservadores norte-americanos alinhados com Obama, Hillary Clinton e as facções das agências de espionagem sob sua influência.
Não surpreende, por isso, que a finalíssima presidencial em França seja, afinal, uma réplica da recente catástrofe norte-americana que selou o esvaziamento da democracia enquanto instrumento da genuína capacidade popular de decidir.
A alternativa deixada aos eleitores, nos Estados Unidos como em França, nada tem a ver com os reais interesses e direitos das pessoas, apenas coloca uma baia entre duas roupagens para a mesma anarquia neoliberal: o nacionalismo de inspiração fascista, tirando proveito da degradação das condições sociais e de vida da maioria da população, assumindo frontalmente as suas orientações xenófobas e racistas; ou o neoliberalismo sem fronteiras, no caso francês ancorado no autoritário sistema económico, financeiro e monetário na União Europeia e teleguiado pela NATO.
Neste quadro teve um significado exemplar a manifestação de fraternidade entre o ex-futuro primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, e o próximo presidente francês, Emmanuel Macron, testemunhada publicamente na Festa do Unità, por sinal o histórico jornal operário de que o americanizado Partido Democrático se apropriou, assaltando o património do dissolvido Partido Comunista Italiano (PCI).
Não é difícil estabelecer um paralelo entre os duelos Trump-Clinton, Le Pen-Macron, e mesmo Beppe Grilo-Renzi, como exemplos crus do esvaziamento da democracia representativa e da emergência de uma nova variante da alternativa bipolar; agora, o pensamento único neoliberal oscila cada vez mais entre o nacionalismo em ascensão e o sistema dirigente internacional sem fronteiras, que até aqui tem assentado numa bipolaridade entre a direita conservadora e os sociais-democratas da «terceira via», ao estilo de Tony Blair, François Hollande e Martin Schulz.
O caso francês é mais uma demonstração de como o pensamento único que sustenta a política de governo do capitalismo internacional, uma vez chegado ao estado de anarquia de mercado, está em transição para se instalar na extrema-direita; dispensa assim o recurso a formas mesmo adulteradas de social-democracia, pelo que os Partidos Socialistas vão implodindo em ritmo de dominó.
Assim sucedeu em Itália, na Grécia, na Alemanha através da coligação acrítica com Merkel, na Holanda, na Bélgica, agora em França, tal como existem indícios coincidentes no Reino Unido – pelo cerco anárquico a Corbyn – e em Espanha. No espaço dos países saídos da esfera de influência soviética há muito que o pensamento único já cristalizou na extrema-direita, ou mesmo no fascismo, podendo dizer-se que a democracia pluripartidária mal chegou a vigorar. Nem os países nórdicos escapam à tendência: basta atentar na deriva actual da social-democracia, que durante décadas dominou a ponto de se identificar praticamente com os Estados.
Não se estranhe que este fenómeno que ataca os partidos da social-democracia seja identificado como implosão. Retomando o caso francês, há muito que o ex-primeiro ministro Manuel Valls, conhecido pelas suas actuações xenófobas e anti refugiados idênticas às de Marine Le Pen, vem defendendo a transformação do Partido Socialista numa outra entidade e com outro nome.
«O nacionalismo não irá gerir o neoliberalismo, nem criar novas insónias na União Europeia, estas sim as verdadeiras inquietações geradas por Le Pen.»
Muito mais claro ainda foi o presidente cessante François Hollande, que em 2015 falava assim do Partido Socialista que o elegeu: «É preciso um acto de liquidação. É preciso um hara-kiri. É preciso liquidar o PS para criar o Partido do Progresso».
Se bem o pensou, melhor o fez, dir-se-á ao observar a situação do PS nas presentes eleições. Depois de preparado o terreno através da artimanha das primárias partidárias, uma ficção de democracia para descaracterizar e subverter a democracia, o processo culminou numa aberração que liquida, de facto, o Partido Socialista: foi escolhido um candidato que não chegou aos dez por cento, enquanto os barões do partido, entre eles o presidente Hollande e o ex-primeiro ministro Manuel Valls, fizeram campanha pelo candidato de outro partido que mal viu a luz do dia: Emmanuel Macron.
Aí está En Marche, criado em laboratório com sotaque norte-americano para fazer eleger um presidente de aviário, numa campanha onde o debate de ideias e de programas foi suprimido, substituído pelo duelo entre retratos de Photoshop animado pelo marketing de detergentes, num ambiente de medo suscitado pela combinação do terrorismo com o estado de excepção.
A esquerda, em torno de Mélenchon, quase conseguiu meter um pauzinho na engrenagem, mas a convergência dos efeitos do terrorismo, da austeridade, da supressão de direitos, do tratamento dado pelo governo à vaga de refugiados catapultou as grandes bolsas de excluídos, de trabalhadores revoltados, de desempregados e dos desfavorecidos das cinturas das grandes cidades para os braços de Marine Le Pen.
Marine Le Pen, essa sim ainda no exterior do sistema, não terá condições para fazer frente ao cilindro compressor da clique dirigente – direitas e restos do PS – pelo que a França e o resto do mundo farisaicamente preocupados com a xenofobia e o racismo da Frente Nacional poderão respirar de alívio. O nacionalismo não irá gerir o neoliberalismo, nem criar novas insónias na União Europeia, estas sim as verdadeiras inquietações geradas por Le Pen.
A tarefa será entregue a Emmanuel Macron, o candidato anti-sistema apresentado pelo próprio sistema, o eleito de Hollande, Valls, Juppé, Juncker, Merkel, Schulz, Sarkozy, Fabius, Fillon, Strauss-Khan, Lagarde, Schauble, Hillary Clinton, Obama, da NATO, da União Europeia, de Israel. Macron, o candidato da Fundação Rockfeller, dos banqueiros Rotschild, promovido de jovem dirigente da French-American Foundation para o staff de Sarkozy no Eliseu, e depois para ministro da Economia de Valls e Hollande, após o tradicional tirocínio conspirativo no conclave de 2014 do Grupo de Bilderberg.
Como ministro da Economia, Emmanuel Macron fez aprovar um novo pacote laboral persecutório e austeritário, através das condições autoritárias proporcionadas pelo estado de excepção que dura há mais de um ano e meio e sob o qual – que não se perca tal aberração de vista – se realizam as eleições presidenciais. Esse pacote laboral reproduz as exigências da comunidade dos grandes patrões franceses, os senhores do CAC 40 da Bolsa de Paris, os quais frequentaram os jantares da campanha de Macron na companhia dos dirigentes dos grupos de comunicação que possuem os principais jornais, rádios e televisões do país.
Nenhuma destas personalidades e entidades manifestou, em caso algum, inquietação com a xenofobia e o racismo praticados pelo governo de que Macron foi membro, sob a cobertura do estado de excepção, a pretexto do terrorismo e da crise dos refugiados. Condições e situações que, tudo o indica, prosseguirão com a «revolução em marcha» de Macron.
Por ora observamos a camada governante francesa repudiar o nacionalismo, a gestão do capitalismo neoliberal, o racismo e a xenofobia de Marine Le Pen enquanto apoia o neoliberalismo selvagem, o racismo e a xenofobia de Emmanuel Macron, afinal uma prática de fascismo em versão maquilhada num sistema esvaziado de democracia, gerido por um presidente produzido e formatado em laboratório.
Eis a escolha deixada aos franceses, tal como a apresentada aos norte-americanos; e que ameaça tornar-se a panaceia da época para valer ao estado de crise do capitalismo.


sexta-feira, 5 de maio de 2017

Mélenchon, a boiada e a dignidade política

por Jacques Sapir
O sucessor. Desde que se divulgaram os resultados do primeiro turno da eleição presidencial [na França], quer dizer, desde a noite do domingo passado, Jean-Luc Mélenchon vem enfrentando uma chuva de críticas tão indecentes quanto sem justificativa. A causa é a decisão que anunciou, de não tomar partido no duelo entre Mme Marine le Pen e M. Emmanuel Macron. Por isso, Mélenchon está sendo acusado de todos os males, num movimento de histeria coletiva no qual os fatos são manipulados de modo vergonhoso.

Mais uma vez, é a boiada de jornalistas contratados para matar. Dessa vez, ativa com extraordinária falta de vergonha, o que deixa à vista o seu lado político a favor de todas as escolhas retrógradas propagandeadas por Emmanuel Macron. Esse "eu-apelismo" [fr. "jappellisme"], para usar uma neologia inventada por alguns jornalistas, faz ver a transformação massiva, embora, claro, não total, dos jornalistas em propagandistas. Tivemos o aperitivo, na campanha para o referendo de 2005.

Várias vezes critiquei Jean-Luc Mélenchon, pela imprensa, ou por este blog. Continuo e continuarei a criticá-lo numa série de pontos. Mas sinto-me obrigado a dizer aqui que o apoio, contra aquela boiada 'jornalística' sedenta de sangue, que baba e que quer realmente morder. Apoio Mélenchon porque defendo o direito dele de recusar a escolha que lhe foi apresentada. Pode-se criticar sua posição, pode-se debater muito. Nada porém justifica os ataques odiosos de que é alvo, nem a campanha de assassinato de reputação que sofrem ele e seu movimento " France Insoumise " [França Insubmissa].

Porque, sejam quais forem as críticas que se façam a Mme Marine le Pen, e já fiz várias neste blog, a decência obrigaria aquela mesma boiada a declarar que nada há de " fascista ", nem no programa dela nem no comportamento de seu movimento. Não há milícias armadas pelas ruas. E as que há vêm, já há anos de outro lugar, que não é a Frente Nacional. Pretender que a Frente Nacional seria " anti-Republicana " é expor-se a uma evidente contradição: se esse movimento cria qualquer tipo de ameaça contra a República, teria de ser proibido, e seus dirigentes, presos. Se não aconteceu, é sinal de que a Frente Nacional não ameaça a República.

Ao se fazerem ver 'enrolados na bandeira' e ao tentarem abrigar-se sob a História, a boiada 'jornalística' e seus muitos teclados alugados encontram terreno firme a partir do qual atacar.

O programa defendido por Mme. Marine le Pen é programa populista, com lados bons e também com lados ruins. É programa soberanista, ainda que inclua derrapagens, como a questão do direito do solo e da proteção social. Podemos contestá-lo. Podemos até reprová-lo. Mas fazer desse programa um espantalho [para empurrar eleitores na direção de Macron], e ridículo no mais alto grau. Já não estamos na Alemanha de 1933. Já não estamos sequer na França de 2002. Tudo mudou profundamente, exceto, parece, a inconsciência e a ignorância crassas dessa boiada babenta que aí está, tocando a mesma velha partitura que já ouvimos quando do referendo de 2005. Quando, vale lembrar, o 'ideário' da boiada 'jornalística' foi derrotado!

O programa de Emmanuel Macron, por seu lado, não é de causar inveja a ninguém, para dizer o mínimo. É programa de rendição e submissão à globalização e braço armado da globalização, que é a política do governo alemão. É programa de destruição do Direito do Trabalho, programa de uberização da sociedade. Além disso, é programa que traz um projeto de sociedade no qual os indivíduos seriam completamente atomizados, entregues a lei do mercado e do " pagamento frio no guichê ", do acordado sobre o legislado. Esse programa, sim, provoca graves inquietações. E são inquietações legítimas. São inquietações de tal ordem que absolutamente proíbem que se vote a favor de Emmanuel Macron.

É perfeitamente compreensível que tantos comecem a considerar que o programa de Macron cria para a França perigo muito mais grave e mais imediato que o de Mme Marine le Pen e, em todos os casos, temos de poder ouvir essas vozes! Isso absolutamente não converte os que defendem esse direito em apoiadores de algum fascismo, tanto mais imaginário e fantasiado quanto mais aparece denunciado com 'fervor' suposto democrático jamais visto.

O candidato Macron, esse sim, finge que seria portador de " valores " radicalmente diversos dos de sua adversária. E ao fazê-lo, comprova sobretudo que confunde os valores e os princípios, e que não sabe (sequer) do que fala. E o tom berrado histérico dos discursos pró-Macron, também ele, é altamente inquietante.

Não se trata aqui de manifestar meu voto. Além de o lugar não ser adequado, não me sinto obrigado a fazê-lo, dado que não tenho qualquer responsabilidade na vida política, sindical ou associativa. E, tanto quanto me consta, o segredo do voto é direito democrático. Esse é um dos " princípios " da República, não um " valor " como Emmanuel Macron anda inventado.

Mas, quando um homem como Jean-Luc Mélenchon vê-se injustamente atacado e ultrajantemente caricaturado, quando a mídia-empresa passa a operar como serviço de propaganda, há grave risco, muito real, de totalitarismo. Só que o risco vem, muito mais, do lado dos apoiadores de Emmanuel Macron, que de Marine le Pen. Então é meu dever apoiar Jean-Luc Mélenchon. Nada disso apaga as críticas que já lhe fiz e possa vir a fazer-lhe (e vale a inversa, quanto às críticas que ele fez a mim e que venha a fazer).

A posição de Mélenchon é posição digna e corajosa, perfeitamente compreensível, mesmo que não a adotemos inteiramente. Declará-lo assim, publicamente é questão de honra política, mas também é questão de saúde pública. Sem honra política e insalubres são os comportamentos da boiada 'jornalística'. Essa boiada é, sim, verdadeiro e grave risco a que está exposta a democracia na França. Mais dia menos dia, será preciso limpar os estábulos de Áugias .
02/Maio/2017
O original encontra-se em http://russeurope.hypotheses.org/5948
e a tradução de Vila Vudu em http://russeurope.hypotheses.org/5957


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

terça-feira, 2 de maio de 2017

QUEM É EXTREMA-DIREITA EM FRANÇA?

QUEM É EXTREMA-DIREITA EM FRANÇA? 
 
O ladrar mediático-corporativo continua a prestar loas ao sr. Macron, supostamente o candidato que iria conter a "extrema-direita" em França. Tanto unanimismo da classe dominante é, no mínimo, de desconfiar. Assim, cabe perguntar:   quem é realmente o candidato da extrema-direita? O sr. Macron é um ex-banqueiro ao serviço dos Rotschilds, um homem do capital financeiro, defensor da globalização monopólica, do euro e da ditadura da UE. É nesse homem que o secretário-geral do Partido que se pretende comunista recomenda votar na segunda volta das presidenciais a fim, diz ele, de conter a "extrema-direita". Posição mais digna e corajosa tem o candidato da esquerda, Melenchon, que se abstem de fazer recomendações de voto na segunda volta.
Na verdade, quem defende a libertação da França das garras do Euro e da UE; a indústria nacional ameaçada de deslocalização; os direitos sociais e o aumento dos salários reais dos trabalhadores; a distensão internacional e o combate à russofobia é a sra. Marine Le Pen.
Assim, a verdadeira extrema-direita francesa é representada pelo sr. Macron. Esse facto não pode ser alterado pela algazarra mediática.
in Resistir.info ---Editorial

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

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Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

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Viagem à Sicília

Pupis

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Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

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Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

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Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

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Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

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