domingo, 4 de junho de 2017

O que sabia a primeira ministra

Terror na Grã Bretanha . Versão em português – Brasil e em Inglês
Voltar a Manchester para se perceber os acontecimentos de Londres
Traduzido por  Coletivo de tradutores Vila Vudu

John Pilger 
Aí está o indizível na campanha para eleições gerais na Grã-Bretanha. As causas da atrocidade em Manchester, na qual 22 jovens adolescentes foram assassinadas por um jihadista, estão sendo cuidadosamente suprimidas dos jornais e noticiosos, para proteger os segredos da política exterior britânica.
Questões críticas – como por que o serviço MI5 de segurança mantinha “ativos” terroristas em Manchester e por que o governo não alertou o público quanto à ameaça que havia – permanecem sem resposta, temporariamente afastadas pela promessa de uma “revisão” interna.

O suposto suicida-bomba, Salman Abedi, era membro de um grupo extremista, o Libyan Islamic Fighting GroupLIFG [Grupo de Combate Líbio Islâmico] que prosperou em Manchester e foi cultivado e usado pelo MI5 por mais de 20 anos.
LIFG foi proscrito pela Grã-Bretanha, incluído na lista de organizações terroristas, porque busca um “estado islâmico linha-dura” na Líbia e “é parte do movimento extremista islamista mais amplo, inspirado pela al-Qaeda”.
A ‘pistola fumegante’ – prova indesmentível – é que quando Theresa May era Secretária de Assuntos Internos, os jihadistas do LIFG foram autorizados a viajar pela Europa sem serem perturbados, e encorajados a abraçar “a batalha”: primeiro, para derrubar Mu’ammar Gadaffi na Líbia; e depois a engajar-se em grupos filiados à al-Qaeda na Síria.
Ano passado, o FBI teria incluído Abedi numa “lista de terroristas a vigiar” e alertou o MI5 que o grupo dele estava à procura de um “alvo político” na Grã-Bretanha. Por que não foi preso e a rede em torno dele impedida de planejar e executar a atrocidade do dia 22 de maio?
Essas questões surgem por causa de um vazamento do FBI que demoliu a conversa sobre “um lobo solitário”, que prosperou logo depois do ataque de 22 de maio – daí a reclamação, em tom de pânico, de extraordinária indignação, que Londres dirigiu a Washington e as desculpas de Donald Trump.



Bill Purkayastha


A atrocidade de Manchester levanta a pedra da política externa britânica, para revelar seu pacto faustiano com islamistas furiosamente extremistas, especialmente a seita conhecida como wahhabismo ou salafismo, cujo principal protetor e banqueiro é o reino saudita de petróleo – e principal comprador de armas britânicas.

Esse casamento imperial vai até a 2ª Guerra Mundial, e os primeiros dias da Fraternidade Muçulmana no Egito. O objetivo da política britânica era deter o pan-arabismo: estados árabes desenvolvendo secularismo moderno, afirmando a própria independência do ocidente imperial e assumindo o controle dos próprios recursos. A criação de uma Israel rapace foi concebida para acelerar esse projeto. O pan-arabismo foi logo depois esmagado; e até hoje a meta é dividir para conquistar.
Em 2011, segundo o Middle East Eye, o LIFG era conhecido em Manchester como os “Manchester boys”. Em oposição implacável contra Mu’ammar Gadaffi, foram considerados alto risco, e vários deles estavam sob prisão domiciliar por ordem do Home Office, quando começaram as manifestações anti-Gadaffi na Líbia, país forjado a partir de incontáveis inimizades tribais.
De repente, aquelas ordens foram suspensas. “Me deixaram ir, sem perguntas” – disse um membro do LIFG. O MI5 devolveu-lhes os passaportes e a polícia antiterrorismo no aeroporto de Heathrow recebeu ordens para deixá-los embarcar sem entraves.
A derrubada de Gaddafi, que controlava as maiores reservas de petróleo da África, haviam sido planejadas em Washington e Londres. Segundo a inteligência francesa, o LIFG fez várias tentativas para assassinar Gadaffi nos anos 1990s – financiadas pela inteligência britânica. Em março de 2011, França, Grã-Bretanha e EUA aproveitaram a oportunidade de uma “intervenção humanitária” e atacaram a Líbia. Em seguida chegou a OTAN sob o disfarce de uma resolução para “proteger civis”.
Em setembro passado, inquérito feito por Comissão Especial para Assuntos Exteriores da Casa dos Comuns do Parlamento concluiu que o então primeiro-ministro David Cameron havia levado o país à guerra contra Gaddafi apoiado em uma série de “pressupostos errados” e que o ataque levara “ao crescimento do Estado Islâmico no Norte da África”. A comissão dos Comuns citou o que chamou de “lamentável” descrição feita por Barack Obama do papel de Cameron na Líbia: a “shit show“.
Verdade é que Obama foi protagonista do “shit show“, empurrado por sua secretária de Estado e belicista obcecada Hillary Clinton, e com a mídia acusando Gaddafi de planejar “genocídio” contra o próprio povo. “Sabemos …. que se esperássemos mais um dia”, disse Obama, “Benghazi, cidade do tamanho de Charlotte, poderia sofrer um massacre que teria reverberado pela região e mancharia a consciência do mundo.”
A história do massacre foi inventada por milícias salafistas que estavam sendo derrotadas pelas forças do governo líbio. Disseram à Reuters que haveria “um verdadeiro banho de sangue, massacre semelhante ao que vimos em Rwanda”. A comissão dos Comuns depois da investigação afirmou: “A ideia de que Mu’ammarGaddafi teria ordenado o massacre de civis em Benghazi não encontra apoio nas provas existentes”.
Grã-Bretanha, França e os EUA efetivamente destruíram a Líbia como estado moderno. Segundo seus próprios registros, a OTAN disparou 9.700 “saídas para ataque”, dos quais mais de um terço contra alvos civis. Incluíram bombas de fragmentação e mísseis com ogivas de urânio. As cidades de Misurata e Sirte foram bombardeadas até serem convertidas em monte de ruínas. Unicef, a organização da ONU para crianças, noticiou que alta proporção das crianças mortas “tinham menos de 10 anos de idade”.
Mais que “dar origem” ao Estado Islâmico – o ISIS na verdade tem raízes nas ruínas do Iraque, depois da invasão de Blair e Bush em 2003 – esses monstros medievais passaram então a ter todo o norte da África como base. O ataque também disparou uma onda gigantesca de refugiados que procuraram a Europa.
Cameron foi celebrado em Trípoli como um “libertador” ou imaginou que tivesse sido. As multidões que o saudavam incluíam aqueles secretamente fornecidos e treinados pelos serviços secretos britânicos, e inspirados pelo Estado Islâmico, como os “Manchester boys”.
Para os norte-americanos e britânicos, o verdadeiro crime de Gadaffi foi sua independência iconoclasta e seu projeto para abandonar o petrodólar, um dos pilares do poder imperial dos EUA. Gaddafi já tinha um plano audacioso para criar uma moeda comum africana lastreada em ouro, estabelecer um banco pan-africano e promover a união econômica dos países pobres com recursos naturais valiosos. Fosse isso acontecer ou não, a simples ideia era intolerável para os EUA, quando se preparavam para “entrar” na África e subornar governos africanos com “parcerias” militares.
O ditador caído fugiu para tentar salvar a vida. Um avião da Força Aérea britânica localizou o comboio no qual viajava, foi sodomizado com uma faca por um fanático que a imprensa ocidental descreveu como “um rebelde”.
Tendo saqueado o arsenal líbio de $30 bilhões, os “rebeldes” avançaram para o sul, aterrorizando cidades e vilas. Entrando no Mali subsaariano, destruíram a frágil estabilidade do país. Os franceses, sempre prestativos, enviaram aviões e soldados para sua ex-colônia “para combater a al-Qaeda”, ou a ameaça que ajudara a criar.
Dia 14/10/2011, o presidente Obama anunciou que estava enviando forças especiais para Uganda para se engajarem na guerra civil lá em curso. Nos poucos meses seguintes, tropas norte-americanas foram enviadas para o Sudão do Sul, o Congo e a República Centro-africana. Com a Líbia protegida, houve uma invasão do continente africano por tropas norte-americanas, que passou praticamente sem ser noticiada.
Em Londres, o governo britânico encenou uma das maiores feiras de armas do mundo. Nos stands, o principal ‘argumento’ de propaganda era o “efeito demonstração na Líbia”. A Câmara de Comércio e Indústria de Londres organizou um evento intitulado “Oriente Médio: Vasto mercado para empresas de defesa e segurança do Reino Unido”. O anfitrião foi o Royal Bank of Scotland, grande investidor em bombas de fragmentação, que foram vastamente usadas contra alvos civis na Líbia. A publicidade para a grande orgia das armas do banco falava de “oportunidades sem precedentes para empresas de defesa e segurança do Reino Unido.”
Mês passado, a primeira-ministra Theresa May estava na Arábia Saudita, vendendo mais de £3 bilhões em armas britânicas, que os sauditas usaram contra o Iêmen. Instalados em salas de controle em Riad, conselheiros militares britânicos assistiram ao bombardeio saudita, que matou mais de 10 mil civis. Já há agora sinais claros de fome generalizada. Morre uma criança iemenita a cada dez minutos, por causas evitáveis – diz a Unicef.
A atrocidade em Manchester dia 22 de maio foi produto dessa violência de estado que não tem limites, aplicada a locais remotos, grande parte da qual é patrocinada pelos britânicos. Os nomes e a realidade da vida das vítimas praticamente nunca chegam a ser notícia desse lado do mundo.
Essa verdade luta para se fazer ouvida, como lutou para ser ouvida quando o metrô de Londres foi bombardeado dia 7/7/2005. Ocasionalmente, alguém rompe o silêncio na rua, como o morador do leste de Londres que se intrometeu à frente de uma equipe de televisão e da repórter da CNN. “Iraque!” – disse ele. – “Nós invadimos o Iraque. Esperávamos o quê?! Vamos! Digam a verdade!”
Num grande encontro de mídia do qual participei, muitos convidados importantes diziam “Iraque” e “Blair” numa espécie de catarse, por tudo que não se atreveram a dizer profissionalmente e publicamente.
Mas, antes de invadir o Iraque, Blair foi avisado pela Comissão Conjunta de Inteligência de que “a ameaça da al-Qaeda aumentará na sequência de qualquer ação militar contra o Iraque (…) A ameaça mundial, de outros indivíduos e grupos terroristas islamistas aumentará significativamente”.
Assim como Blair trouxe para dentro da Grã-Bretanha a violência do “shit show” encharcado de sangue que ele e George W Bush encenaram, assim também David Cameron, com o apoio de Theresa May, consumou seu crime na Líbia e esse horrendo dia seguinte, com todos os mortos e mutilados na Manchester Arena dia 22 de maio.
Agora a conversa volta, como sempre. Salman Abedi agiu sozinho. Bandido menor, batedor de carteiras, nada além disso. A extensa rede revelada semana passada pelo vazamento norte-americano evanesceu. Mas as perguntas não.
Por que Abedi pôde viajar livremente pela Europa até a Líbia e voltar a Manchester apenas poucos dias antes de cometer seu crime horrível? Terá o MI5 informado Theresa May de que o FBI o estava rastreando, como parte de uma célula islamista que planejava atacar um “alvo político” na Grã-Bretanha?
Na atual campanha eleitoral, o líder trabalhista Jeremy Corbyn fez uma cautelosa referência a uma “fracassada guerra ao terror”. Como ele sabe, jamais houve guerra ao terror, só e sempre foi guerra de conquista e subjugação. Palestina. Afeganistão. Iraque. Líbia. Síria. Agora se diz que o Irã é o próximo. Antes que tenhamos outra Manchester, quem terá a coragem de contar essa história ?
Tlaxcala 

in Abril de Novo Magazine

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Crise do capitalismo e guerra

Uma opinião
La crisis del capitalismo global y la marcha de Trump hacia la guerra



La discreta escalada de la intervención norteamericana en el Medio Oriente en las ultimas semanas llega en un momento en que el régimen de Trump enfrenta una creciente escándalo sobre la presunta injerencia rusa en su campaña electoral de 2016, además de los índices históricamente mas bajos de aprobación para un presidente entrante y una resistencia cada vez mayor entre la población. Los gobernantes estadounidenses a menudo han lanzado aventuras militares en el exterior para desviar la atención de las crisis políticas y los problemas de legitimidad en su ajuar. Mas allá de la intervención en Siria, Iraq, y Afganistán, Trump ha propuesto un incremento de $55 mil millones de dólares en el presupuesto del Pentágono. Ha amenazado con utilizar la fuerza militar en varios polvorines alrededor del mundo, incluyendo a Siria, Irán el Sudeste Asia, el flanco oriental de la OTAN con Rusia, y en la Península de Corea. En la medida que surjan centros competidores de poder en el sistema internacional, cualquier aventura militar podría desembocar en una conflagración global con consecuencias devastadoras para la humanidad.

Los periodistas y comentaristas políticos han centrado su atención en el análisis geo-político en su esfuerzo por explicar las crecientes tensiones internacionales. Por muy importante que sea este enfoque, hay profundas dinámicas estructurales en el sistema de capitalismo mundial que empujen los grupos gobernantes hacia la guerra. La crisis del capitalismo global se viene intensificando, no obstante el optimismo de los economistas tradicionales y la elites mareados por índices recientes de crecimiento y la repentina inflación de los precios de las acciones a raíz de la elección de Trump. En particular, el sistema enfrenta una insoluble crisis de la sobre-acumulación y de la legitimidad.
La crisis actual, mas que cíclica, es estructural, lo que quiere decir que la única solución es una reestructuración del sistema. La crisis estructural de los años 1930 fue resuelta mediante un nuevo tipo de capitalismo redistributivo, o sea, la social democracia, el Keynesianismo, y el corporativismo. El capital respondió a la crisis estructural de los años 1970 con globalizarse. La emergente clase capitalista transnacional (CCT) emprendió una vasta reestructuración neo-liberal, liberalización comercial, e integración de la economía mundial.
La globalización facilito un boom en la economía global en la ultima década del siglo XX en la medida que los ex-países socialistas se integraron al mercado global y el capital transnacional, liberado del estado-nación, emprendió una enorme ronda de despojos y de acumulación a nivel mundial. La CCT descargo los excedentes anteriormente acumulados y reanudo la generación de ganancias en la emergente sistema globalizado de producción y finanzas mediante la adquisición de los bienes privatizados, la extensión de las inversiones en la minería y la agro-industria a raíz del despojo de centenares de miles de personas del campo en el antiguo Tercer Mundo, y una nueva ola de expansión industrial asistido por la revolución en la Tecnología de la Informática y la Computación.
No obstante, la globalización capitalista ha dado lugar a una polarización social mundial sin precedente. La agencia de desarrollo británico Oxfam informa que apenas el un porciento de la humanidad posee la mitad de la riqueza del mundo y el 20 por ciento controla el 95 por ciento de esa riqueza, mientras el restante 80 porciento tiene que conformarse con apenas el 5 porciento.
Dada esta extrema polarización de los ingresos y la riqueza, el mercado global no puede absorber la producción de la economía global. El colapso financiero de 2008 marco el arranque de una nueva crisis estructural de la sobre-acumulación, lo que se refiere a que el capital acumulado no puede encontrar salidas rentables para la reinversión de ganancias. Los datos para 2010 indican, por ejemplo, que las compañías estadounidenses contaban en ese año con $1.8 billones de dólares en efectivo no invertido. Las ganancias corporativas han registrado niveles casi record al mismo tiempo que la inversión corporativa ha declinado.
En la medida que se va acumulando este capital no invertido, crecen enormes presiones para encontrar salidas rentables para el excedente. Los grupos capitalistas, y especialmente el capital financiero transnacional, presionan a los estados a crear nuevas oportunidades para la inversión rentable. Los estados neo-liberales han recurrido a cuatro mecanismos en años recientes para ayudar a la CCT a descargar el excedente y sostener la acumulación frente al estancamiento.
Uno es el asalto y el saqueo a los presupuestos públicos. Las finanzas publicas han sido reconfiguradas mediante la austeridad, los rescates a las corporaciones, los subsidios estatales al capital, el endeudamiento estatal, y el mercado global de bonos, todo lo que resulta en la transferencia directa e indirecta por parte de los gobiernos de la riqueza, desde la clases laborales a la CCT.
Un segundo mecanismo es la expansión del crédito a los consumidores y los gobiernos, sobre todo en los países ricos, para sostener el consumo. En Estados Unidos, por ejemplo, país que ha sido “el mercado de ultima instancia” para la economía global, el endeudamiento de las familias de la clase obrera ha llegado a nivel record para todo el periodo post-Segunda Guerra Mundial. Los hogares norteamericanos tenia una deuda total en 2016 de $13 billones de dólares en prestamos estudiantiles y automovilísticos, en deuda de las tarjetas de crédito, y los hipotecarios. Mientras tanto, el mercado global de bonos – un indicador de la deuda gubernamental global – ya había para 2011 rebasado los $100 billones de dólares.
Un tercer mecanismos es la frenética especulación financiera. La economía global ha sido un gigantesco casino para el capital financiero transnacional, mientras crece cada vez mas la brecha entre la economía productiva y el “capital ficticio”. El Producto Bruto Mundial, o el valor total de los bienes y servicios producidos a nivel mundial, alcanzo los $75 billones de dólares en 2015, mientras la especulación solamente en monedas extranjeras llego a $5.3 billones al día en ese año y el mercado global de derivados se estimo en un alucinante $1.2 trillones.
Estos tres mecanismos pueden resolver el problema momentáneamente pero a la larga terminan agravando la crisis de la sobre-acumulación. La transferencia de la riqueza desde los trabajadores al capital constriñe aun mas al mercado, mientras el consumo financiado por el cada vez mas endeudamiento y la especulación aumenta la brecha entre la economía productiva y el “capital ficticio”. El resultado es una cada vez mayor inestabilidad subyacente de la economía global. Muchos ahora consideran que otro colapso es casi inevitable.
Sin embargo, hay otro mecanismos que sostiene la economía global: la acumulación militarizada. He aquí una convergencia de la necesidad que tiene el sistema para el control social y la necesidad que tiene para la acumulación perpetua. Las desigualdades sin precedente solo pueden ser sostenidas por los sistemas cada vez mas expansivos y ubicuos de control social y represión. Pero muy por aparte de las consideraciones políticas, la CCT ha adquirido un interés creado en la guerra, el conflicto, y la represión como medio en si de la acumulación, incluyendo la aplicación de amplias nuevas tecnologías y una mayor fusión de la acumulación privada con la militarización estatal.
Mientras la guerra y la represión organizada por el estado cada vez mas se privatiza, los intereses de un amplio despliegue de grupos capitalistas cambian el clima político, social, e ideológico hacia la generación y el sostenimiento de los conflictos – tal como en el Medio Oriente – y en la expansión de los sistemas de guerra, de represión, de vigilancia y de control social. Las así llamadas guerras contra las drogas, contra el terrorismo, contra los inmigrantes; la construcción de muros fronterizos, de centros de detención de los inmigrantes y cárceles; la instalación de los sistemas de monitoreo y vigilancia en masa, y la extensión de las compañías privadas mercenarias y de seguridad – todo eso se convierte en principales fuentes para la acumulación y generación de ganancias.
El estado norteamericano se aprovecho de los ataques del 11 de setiembre de 2001 para militarizar la economía global. El gasto militar estadounidense se disparo, alcanzando billones de dólares para librar la “guerra contra el terrorismo” y las invasiones y ocupaciones de Iraq y Afganistán. La “destrucción creativa” de las guerras funge para echar leña a las brazas humeantes de una economía global estancada. El presupuesto del Pentágono subió en un 91 porciento en términos reales entre 1998 y 2011, y aun sin incluir las asignaciones especiales para Iraq, se incremento en un 50 por ciento en términos reales en este periodo. En la década de 2001 a 2011, las ganancias de la industria militar casi se cuadruplicaron. A nivel mundial, el gasto militar creció en un 50 porciento desde 2006 a 2015, de $1.4 billones a $2.03 billones de dólares.
La vanguardia de la acumulación en la economía real alrededor del mundo cambio de la Tecnología de la Informática y la Computación antes de que se reventó en 1999-2000 la burbuja del la bolsa de valores para este sector (conocido como “dot-com”), al nuevo “complejo militar-seguridad-industrial-financiero” – este mismo complejo a la vez integrado al conglomerado de alta tecnología. Este complejo ha acumulado enorme poder en los pasillos del poder en Washington y en otros centros políticos alrededor del mundo. Un emergente bloque de poder que reúne el complejo financiero global con el complejo militar-seguridad-industrial tendió a cristalizarse a raíz del colapso de 2008. Hay una peligrosa conjugación alrededor de la acumulación militarizada de los intereses de clase de la CCT con la cuestiones geo-políticas y económicas. Entre mas llega a dependerse la economía global de la militarización y el conflicto, cada vez mayor es el impulso hacia la guerra y cada vez mas altos los riesgos para la humanidad.
El día después del triunfo electoral de Trump, el precio de las acciones de la empresa “Corrections Corporation of America,” la principal contratista privada para los centros de detención de los inmigrantes en Estados Unidos, disparo en un 40 por ciento, dada la promesa electoral de Trump de deportar a los inmigrantes en masa. Los grandes contratistas militares como Raytheon y Lockheed Martin, registran súbitas alzas en sus acciones cada vez que hay un nuevo brote del conflicto en el Medio Oriente. Horas después de que la marina norteamericana bombardeo a Siria con misiles Tomahawk el pasado 6 de abril, el valor de las acciones de Raytheon subió en un mil millones de dólares. Centenares de firmas privadas alrededor del mundo hicieron ofertas para la construcción del tristemente celebre muro de Trump en la frontera Estadounidense-Mexicana.
Mas allá de la retorica populista, el programa económico de Trump constituye el neo-liberalismo en esteroides. Las reducciones de impuestos corporativos y la acelerada desregulación vendrá a exacerbar la sobre-acumulación y aumentara la propensión del bloque de poder para los conflictos militares. Los militares activos y retirados que controlan la maquinaria norteamericana de guerra ocupan numerosos puestos en el régimen de Trump y gozan de cada vez mayor autonomía de acción. Sin embargo, detrás los régimen de Trump y del Pentágono, la CCT busca sostener la acumulación mediante la expansión de la militarización, el conflicto, y la represión. Solamente un contra-movimiento desde abajo, y a la larga, un programa para redistribuir la riqueza y el poder hacia abajo, pueden contrarrestar el espiral hacia arriba de la conflagración internacional.
William I. Robinson. Profesor de Sociología, Universidad de California en Santa Bárbara. Rebelion
Este artigo encontra-se em: FOICEBOOK http://bit.ly/2qBnhKG

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Pelo Socialismo
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
_____________________________________________ Do Livro “UM OUTRO OLHAR SOBRE STÁLINE”, de Ludo Martens, edição de “Para a História do Socialismo”, Documentos, agosto de 2009 (pp. 149 a 172), também postado em: http://www.hist-socialismo.com/docs/UmOutroOlharStaline.pdf
Colocado em linha em: 2017/03/10
A colectivização e o «holocausto ucraniano» [1]
Ludo Martens *
[A publicar em 2 partes; hoje, publica-se a primeira]
As mentiras debitadas sobre a colectivização foram sempre as armas predilectas da burguesia na guerra psicológica contra a União Soviética. Analisamos aqui o mecanismo de uma das mentiras mais «populares», a do holocausto cometido por Stáline contra o povo ucraniano. Esta calúnia brilhantemente elaborada devemo-la ao génio de Hitler. No seu Mein Kampf, escrito em 1926, já tinha indicado que a Ucrânia pertencia ao «lebensraum» [espaço vital] alemão. A campanha lançada pelos nazis, em 1934-1935, sobre o tema do «genocídio» bolchevique na Ucrânia, destinava-se a preparar os espíritos para a projectada «libertação» da Ucrânia. Veremos por que esta mentira sobreviveu aos seus criadores nazis para se tornar numa arma americana. Eis como nasceram as fábulas sobre os «milhões de vítimas do stalinismo».
Em 18 de Fevereiro de 1935, nos Estados Unidos, a imprensa de Hearst - o grande magnata da imprensa e simpatizante dos nazis - inicia a publicação de uma série de artigos de Thomas Walker, apresentado como grande viajante e jornalista, que viajou através da União Soviética durante vários anos. À cabeça da primeira página do Chicago American, de 25 de Fevereiro, surgiu um título enorme: «A fome na União Soviética faz seis milhões de mortos. Colheita dos camponeses confiscada, homens e animais rebentam». A meio da página, um outro título: «Jornalista arrisca a vida para obter fotos da carnificina». No rodapé: «Fome – crime contra a humanidade»1.
Na altura, Louis Fischer trabalhava em Moscovo para o jornal The Nation. A «cacha» do seu colega, um ilustre desconhecido, intriga-o profundamente. Por isso investiga o caso e apresenta as conclusões aos leitores do seu jornal.
«O senhor Walker informa-nos que entrou na Rússia na última Primavera, ou seja, a Primavera de 1934. Ele viu a fome. Fotografou as suas vítimas. Recolheu
1 Douglas Tottle, Fraud, Famine and Fascism, The Ukranian Genocide Mith From Hitler to Harvard, Progress Books, Toronto, 1987, pp. 5-6.
2
testemunhos em primeira mão sobre a devastação da fome que vos despedaçaram o coração. A fome na Rússia tornou-se um tema muito quente. Por que razão teria o senhor Hearst guardado estes artigos sensacionais durante dez meses antes de publicá-los? Decidi consultar as autoridades soviéticas sobre o assunto. Thomas Walker esteve uma única vez na União Soviética. Recebeu um visto de trânsito no consulado soviético, em Londres, no dia 29 de Setembro de 1934. Entrou na URSS a partir da Polónia, de comboio, em Negoréloe, no dia 12 de Outubro de 1934. Não na Primavera, como afirmou. No dia 13 chegou a Moscovo. Permaneceu em Moscovo de sábado, 13, a quinta-feira, 18, e tomou em seguida o Transiberiano que o levou à fronteira entre a União Soviética e a Manchúria em 25 de Outubro de 1934 (...) Teria sido impossível a Mr. Walker, nos cinco dias compreendidos entre 13 e 18, percorrer um terço dos pontos que “descreve” por experiência própria. Minha hipótese é que permaneceu tempo suficiente em Moscovo para obter no azedume de terceiros a “cor local” ucraniana de que necessitava para dar a seus artigos a falsa verosimilhança que têm.»
Um amigo de Fisher, também americano, Lindsay Parrot, havia estado na Ucrânia no começo de 1934. Não viu qualquer sequela da fome de que fala a imprensa de Hearst. Pelo contrário, a colheita de 1933 tinha sido abundante. Fisher conclui: «A organização de Hearst e os nazis desenvolvem uma cooperação cada vez mais estreita. Não vi que a imprensa de Hearst tivesse publicado os relatos do Sr. Parrot sobre uma Ucrânia soviética próspera. O Sr. Parrot é o correspondente do Sr. Hearst em Moscovo...»2.
Na legenda da fotografia de uma pequena rapariga e uma criança esquelética, Walker escreveu: «Terrível! A Norte de Khárkov, uma rapariga muito magra e o seu irmão de dois anos e meio. Esta criança rastejava pelo chão como um sapo e seu pobre pequeno corpo estava tão deformado por falta de comida que não parecia humano.».
Douglas Tottle, sindicalista e jornalista canadiano, que consagrou um livro notavelmente bem documentado sobre o mito do «genocídio ucraniano», descobriu a fotografia da criança-sapo, supostamente datada da Primavera de 1934, numa publicação de 1922 sobre a fome na Rússia. Uma outra foto de Walker foi identificada como sendo a de um soldado da cavalaria austríaca, ao lado de um cavalo morto, tirada durante a I Guerra Mundial3.
Triste senhor Walker: a sua reportagem é falsa, as suas fotos são falsas, até ele próprio é falso. O verdadeiro nome deste homem é Robert Green. Evadiu-se da prisão do Estado de Colorado após ter cumprido dois anos de uma pena de oito. Depois foi inventar a sua reportagem para a União Soviética. No regresso aos Estados Unidos foi preso e reconheceu diante do Tribunal jamais ter posto os pés na Ucrânia.
2 Louis Fisher, «Hearst’s Russian Famine», The Nation, vol. 140, n.º 36, 13 de Março de 1935, citado em Tottle, op. cit., pp. 7-8.
3 Casey James, in Daily Worker, 21 de Fevereiro de 1935, citado em Tottle, op. cit, p. 9.
3
O multimilionário Wiliam Randolph Hearst encontrou-se com Hitler no final do Verão de 1934 para concluir um acordo estipulando que a Alemanha passaria a comprar as suas notícias internacionais ao International New Service, uma agência que pertencia ao grupo Hearst. Nessa época, a imprensa nazi já tinha iniciado uma campanha sobre «a fome na Ucrânia». Hearst dará a sua contribuição graças à imaginação do seu grande explorador, o sr. Walker4.
Na imprensa de Hearst apareceram outros testemunhos do mesmo género sobre a fome. Um certo Fred Beal pô-los em letra de forma. Operário americano condenado a 20 anos de prisão na sequência de uma greve, Beal refugiou-se na União Soviética no ano de 1930, trabalhando durante dois anos na fábrica de tractores de Khárkov. Em 1933, publica um pequeno livro intitulado Foreign workers in a Soviete Tractor Plant, onde relata com simpatia os esforços do povo soviético. No final de 1933, regressa aos Estados Unidos. Encontra o desemprego, mas também a prisão. Em 1934, começa a escrever sobre a fome na Ucrânia, após o que as autoridades reduzem de forma significativa a sua pena. Quando o seu «testemunho» é publicado por Hearst, em Junho de 1935, J. Wolynec, um outro americano que tinha trabalhado cinco anos na mesma fábrica em Khárkov, apontará as mentiras que entremeavam o texto. Sobre as inúmeras conversas que Beal alegava ter registado, Wolynec nota que Beal não falava nem russo nem ucraniano. Em 1948, Beal ofereceu outra vez os seus serviços à extrema-direita como testemunha de acusação contra comunistas perante o Comité McCarthy5.
Um livro com a chancela de Hitler
Em 1935 é publicado em alemão o livro Muss Russland hungern?, do Dr. Ewald Ammende. Tem como fontes a imprensa nazi alemã, a imprensa fascista italiana, a imprensa dos emigrados ucranianos e «viajantes» e «especialistas», assim citados, sem qualquer outra precisão. Publica fotografias que afirma «constarem entre as fontes mais importantes sobre a realidade actual da Rússia». «A maior parte foi tirada por um especialista austríaco», explica laconicamente Ammende. Há também fotos pertencentes ao Dr. Ditloff, que foi, até Agosto de 1933, director da Concessão Agrícola do governo alemão no Cáucaso do Norte. Didoff afirma ter fotografado, no Verão de 1933, «nas regiões agrícolas da zona da fome». Ora sendo Ditloff funcionário do governo nazi, como teria podido deslocar-se do Cáucaso até à Ucrânia para caçar tais imagens? Das fotos de Ditloff, sete já tinham sido publicadas por Walker, entre as quais está a da «criança-sapo». A fotografia que mostra dois jovens esqueléticos, símbolos da fome ucraniana de 1933, pôde ser vista na série televisiva La Russie, de Peter Ustinov. Foi retirada de um filme-documentário sobre a fome na Rússia de 1922! Uma outra foto de Ammende, afinal também já tinha sido publicada pelo órgão nazi Volkischer Beobachter, em 18 de Agosto de 1933, e foi igualmente identificada em livros datados de 1922.
Ammende tinha trabalhado na região do Volga em 1913. Durante a Guerra Civil de 1917-1918, ocupou cargos nos governos contra-revolucionários germanófilos da
4 Tottle, op. cit., pp. 13 e 5.
5 Ibidem, pp. 19-21.
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Estónia e da Letónia. Depois trabalhou para o governo de Skoropádski, instalado pelo exército alemão na Ucrânia, em Março de 1918. Afirmou ter participado nas campanhas de ajuda humanitária durante a fome na Rússia de 1921-1922, o que explica a sua familiaridade com o material fotográfico dessa época. Durante anos, Ammende foi o secretário-geral do denominado «Congresso Europeu das Nacionalidades», próximo do Partido Nazi, que reunia emigrados da União Soviética. No final de 1933, Ammende torna-se secretário honorário do «Comité de Ajuda às regiões atingidas pela fome na Rússia», dirigido pelo cardeal pró-fascista Innitzer, em Viena. Ammende esteve portanto estreitamente ligado a toda a campanha anti-soviética dos nazis.
Quando Reagan lançou a sua cruzada anticomunista no começo dos anos 80, o professor James E. Mace, da Universidade de Harvard, julgou oportuno reeditar e prefaciar o livro de Ammende sob o título Human Life in Rússia. Estávamos no ano de 1984. Desta forma, todas as falsificações nazis, os falsos documentos fotográficos e a pseudo-reportagem de Walker na Ucrânia obtiveram a respeitabilidade académica associada ao nome de Harvard.
No ano anterior, emigrados de extrema-direita ucranianos haviam publicado, nos Estados Unidos, The Great Famine in Ukraine: The Unknow Holocaust. Douglas Tottle pôde verificar que todas as fotografias deste livro datam dos anos 1921-1922. Por exemplo, a foto da capa pertence ao doutor F. Nansen, do Comité Internacional de Ajuda à Rússia, e foi publicada em Information n.º 22, Génova, 30 de Abril de 1922, pág. 66.
O revisionismo dos neonazis «revê» a história para justificar, antes de tudo, os crimes bárbaros do fascismo contra a União Soviética. Os neonazis negam também os crimes cometidos pelos hitlerianos contra os judeus. Negam a existência dos campos de extermínio onde pereceram milhões de judeus. E inventam «holocaustos» pretensamente cometidos pelos comunistas e pelo camarada Stáline. Com esta mentira, fabricam uma justificação das matanças bestiais que os nazis cometeram na União Soviética. E para este revisionismo ao serviço da luta anticomunista, receberam o pleno apoio de Reagan, Bush, Thatcher e companhia.
Um livro com a chancela de MacCarthy
Milhares de nazis ucranianos conseguiram entrar nos Estados Unidos após a II Guerra Mundial. Durante o período MacCarthy, testemunharam na qualidade de vítimas da «barbárie comunista». Relançaram a fábula da fome-genocídio num livro em dois volumes, Black Deeds of the Kremlin, publicados em 1953 e 1955, sob edição da «Associação Ucraniana das Vítimas do Terror Comunista Russo» e da «Organização Democrática dos Ucranianos Perseguidos sob o Regime Soviético». Neste livro, caro a Robert Conquest que o cita abundantemente, encontramos a glorificação de Petliúra6, responsável pelo massacre de várias dezenas de milhares de
6 Símone Vassílievitch Petliúra (1879-1926), militar e político ucraniano, ocupa a chefia do país em Fevereiro de 1919 e resiste ao avanço do Exército Vermelho. Depois da derrota dos seus exércitos, em 1920, foge para a Polónia e acaba assassinado em Paris por um judeu ucraniano, que vingou a morte de 15 familiares, incluindo os pais, chacinados durante os pogroms de Petliúra (NT).
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judeus entre 1918-1920, e uma homenagem a Chukhévitch7, o comandante nazi do batalhão Rossignol e do Exército Insurreccional Ucraniano.
Black Deeds of the Kremlin contém também uma série de fotos da fome-genocídio de 1932-33. Todas falsas. Deliberadamente falsas. Uma imagem, intitulada «Pequeno canibal», provém do Information n.º 22, do Comité Internacional de Ajuda à Rússia, publicado em 1922, onde a foto tem como legenda «Canibal de Zaporóje: ele comeu a irmã». Na página 155, Black Deeds inclui uma foto de quatro soldados e um oficial que acabam de executar homens. Título: «A execução dos kulaques». Detalhe: os soldados vestem o uniforme tsarista! E assim nos mostram execuções tsaristas como prova dos «crimes de Stáline.»8.
Um dos autores do volume I é Alexandre Hay-Holowko, que foi ministro da Propaganda no governo da Organização dos Nacionalistas Ucranianos de Bandera9. Durante a sua breve existência, este governo matou vários milhares de judeus, polacos e bolcheviques em Lvov.
Entre as pessoas citadas como «apoiantes» deste livro está Bilotserkiwsky, aliás Anton Chpak, um antigo oficial da polícia nazi em Bila Tserkva, onde, segundo o testemunho do escrivão Skrybnyak, dirigiu o extermínio de dois mil civis10.
Entre 1 e 15 milhões de mortos
Em Janeiro de 1964, o professor Dana Dalrymple publicou o artigo «A fome soviética de 1932-34», no Soviet Studies, onde alega que houve 5,5 milhões de mortos, a média de 20 estimativas de diversos autores.
Uma questão coloca-se de imediato: em que fontes se baseiam as «estimativas» do professor?
A primeira fonte é Thomas Walker, o homem da falsa viagem à Ucrânia, o qual, segundo Dalrymple, «falava provavelmente o russo»! A segunda fonte: Nicholas Prychodko, um emigrado de extrema-direita, que foi ministro da Cultura e da Educação da Ucrânia durante a ocupação nazi! Cita o número de sete milhões de mortos.
Em seguida vem Otto Schiller, funcionário nazi, encarregado da reorganização da agricultura na Ucrânia, sob a ocupação dos hitlerianos. Dalrymple cita o seu texto publicado em Berlim, em 1943, onde estabelece o número de mortos em 7,5 milhões.
7 Románe Ióssifovitch Chukhévitch (1907-1950), contra-revolucionário ucraniano e colaborador nazi. Foi morto em 1950, no seu esconderijo perto de Lvov, quando tentava escapar ao cerco montado pelos órgãos de segurança soviéticos (NT).
8 Tottle, op. cit., pp. 38-44.
9 Stepan Andréievitch Bandera (1909-1959) contra-revolucionário ucraniano, líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos entre os anos 30 e 50 (NT).
10 Tottle, op. cit., p. 41.
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A quarta fonte é Ewald Ammende, o nazi que esteve pela última vez na Rússia em 1922. Em duas cartas publicadas em Julho e Agosto de 1934, no The New York Times, Ammende fala de 7,5 milhões de mortos e afirma que, em Julho, as pessoas morriam nas ruas de Kíev. Alguns dias mais tarde, o correspondente deste jornal nova-iorquino, Harold Denny, desmentiu as informações de Ammende.
«O vosso correspondente esteve em Kíev durante vários dias em Julho último, no momento em que supostamente as pessoas morriam, mas nem na cidade nem nos campos em redor havia fome.» Algumas semanas mais tarde Harold Denny regressou ao tema: «Em nenhuma parte reinava a fome. Em nenhuma parte havia o receio de fome. Havia comida, inclusive pão, nos mercados locais. Os camponeses sorriam e eram generosos com os alimentos.»11.
Segue-se Frederick Birchall, que refere mais de quatro milhões de mortos num artigo de 1933. Nessa altura, Birchall foi um dos primeiros jornalistas americanos em Berlim a exprimir a sua simpatia pelo regime hitleriano.
William H. Chamberlain é a sexta e a sétima fonte e Eugene Lyons a oitava. Chamberlain começa por falar em quatro milhões, mas mais à frente cita os 7,5 milhões de mortos determinados «segundo estimativas de residentes estrangeiros na Ucrânia», simplesmente. Os cinco milhões de mortos de Lyons são também fruto de boatos e rumores, «estimativas de estrangeiros e de russos em Moscovo»! Chamberlain e Lyons eram dois anticomunistas profissionais. Tornaram-se membros do comité de direcção do «Comité Americano para a Libertação do Bolchevismo», que era financiado em 90 por cento pela CIA. Este comité dirigia a Radio Liberty.
O número mais elevado, dez milhões, foi fornecido sem explicações por Richard Sallet na imprensa pró-nazi de Hearst. Em 1932, a população propriamente ucraniana era de 25 milhões de habitantes...12.
Entre as 20 fontes do trabalho «académico» do senhor Dalrymple, três tinham origem na imprensa pró-nazi e cinco em publicações de direita dos anos McCarthy (1949-1953). Dalrymple utiliza dois autores fascistas alemães, um antigo colaboracionista nazi ucraniano, um emigrado russo de direita, dois agentes da CIA e um jornalista simpatizante de Hitler. Um grande número de dados foi fornecido por vagos «residentes estrangeiros na União Soviética» não identificados.
As duas estimativas mais baixas datadas de 1933 vêm de jornalistas americanos colocados em Moscovo e conhecidos pelo seu rigor profissional, Ralph Barnes, do New York Herald Tribune, e Walter Duranty, do New York Times. O primeiro fala de um milhão, o segundo de dois milhões de mortos pela fome.
Dois professores em socorro dos nazis ucranianos
Para apoiar a sua nova cruzada anticomunista e justificar a corrida louca aos armamentos, Reagan estimulou uma grande campanha sobre o «50.º Aniversário da
11 Ibidem, p. 50.
12 Ibidem, p. 51.
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Fome-Genocídio na Ucrânia» em 1983. Era preciso provas de que o comunismo é o genocídio para tornar sensível a ameaça terrível que pesava sobre o Ocidente. Essas provas serão fornecidas pelos nazis e seus colaboradores. Dois professores norte-americanos deram-lhes cobertura com a sua autoridade académica: James E. Mace, de Harvard, co-autor de Famine in the Soviet Ukraine, e Walter Dushnyck, que escreveu Há 50 anos: O Holocausto pela Fome na Ucrânia. Terror e Miséria como Instrumento do Imperialismo Russo Soviético, prefaciado por Dana Dalrymple.
A obra de Mace inclui 44 fotografias «da fome-genocídio de 1932-1933». Vinte e quatro são extraídas de duas obras nazis escritas por Laubenheimer. Esse último atribui a maior parte das imagens a Ditloff e começa a exposição com uma citação do Mein Kampf: «Se o judeu, graças à sua religião marxista, conseguir vencer os outros povos deste mundo, a sua coroa será a coroa funerária da humanidade e o planeta evoluirá no universo, como há milhões de anos, sem seres humanos.» Todas as fotos de Laubenheimer-Ditloff são falsificações provenientes da I Guerra Mundial e da fome de 1921-1922!13. O segundo professor, Dushnyck, foi identificado como quadro da Organização Nacionalista Ucraniana, de obediência fascista, activo desde o final dos anos 30.
Cálculo científico...
Dushnyck inventou um método «científico» para calcular as mortes da «fome-genocídio» e Mace seguiu-o nesta linha. «Se compararmos os dados do recenseamento de 1926 (...) com os do recenseamento de 17 de Janeiro de 1939 (...) e levarmos em conta o aumento médio da população antes da colectivização (2,36 por cento), podemos calcular que a Ucrânia (...) perdeu 7,5 milhões de pessoas entre os dois recenseamentos.»14.
Estes cálculos não valem absolutamente nada. A I Guerra Mundial, as guerras civis e a grande fome 1920-1922 provocaram uma redução da natalidade; ora, a nova geração atingiu os 16 anos, a idade da procriação, precisamente a partir de 1930. A estrutura da população tinha assim necessariamente de conduzir a uma queda da natalidade durante os anos 30.
O aborto livre também provocou uma redução notória da natalidade nos 30, a ponto de o governo o ter suspendido em 1936 com o objectivo de aumentar a população.
Os anos 1929-1933 caracterizaram-se por grandes e violentas lutas no campo, que foram acompanhadas por momentos de fome. Tais condições económicas e sociais provocaram uma queda das taxas de natalidade. Também o número de pessoas registadas como ucranianas se alterou devido aos casamentos interétnicos, às mudanças de nacionalidade e às migrações.
Para além disso, as fronteiras da Ucrânia não eram as mesmas em 1929 e em 1926. Os cossacos do Kuban, entre dois a três milhões de pessoas, foram recenseados como
13 Ibidem, p. 61.
14 Ibidem, pp. 70-71.
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ucranianos em 1926 e reclassificados como russos no final da década de 20. Só por si, esta nova classificação explica 25 a 40 por cento das «vítimas da fome-genocídio» calculadas por Dushnyck-Mace15.
Acrescentemos que a população da Ucrânia, segundo os números oficiais, aumentou três milhões e 339 mil pessoas entre 1926 e 1939. Compare-se este crescimento com a evolução da população judaica que foi sujeita a um real genocídio organizado pelos nazis...16.
Para testar a validade do «método Dushnyck», Douglas Tottle fez um exercício sobre a província de Saskatchewan, no Canadá, onde decorreram grandes lutas camponesas nos anos 30. A repressão foi em geral sangrenta. Tottle propôs-se «calcular» as vítimas da «repressão-genocídio» praticada pelo exército burguês canadiano na província de Saskatchewan:
População em 1931: 921 785
Crescimento em 1921-1931: 22%
Projecção da população em 1941: 1 124 578
População real em 1941: 895 992
Vítimas da repressão-genocídio: 228 586
Vítimas em percentagem de 1931: 25%
Este «método científico» aplicado ao Canadá seria qualificado por qualquer homem razoável de farsa grotesca; no entanto, aplicado à União Soviética é largamente utilizado nas publicações da direita como uma «prova» do terror «stalinista».
O uso indevido do cinema
A campanha da «fome-genocídio», lançada pelos nazis em 1933, atingiu o seu auge meio século mais tarde, em 1983, com o filme Harvest of Despair [A Colheita do Desespero], destinado ao grande público, e com o livro Harvest of Sorrow [A Colheita da Dor], de Robert Conquest (1986), dirigido à intelectualidade.
Os filmes A Colheita do Desespero, sobre o «genocídio ucraniano», e The Killing Fields [Terra Sangrenta], sobre o «genocídio» no Cambodja, foram as duas obras mais importantes, criadas pelo séquito de Reagan, para convencer as pessoas de que o comunismo era sinónimo de genocídio.
Harvest of Despair obteve a medalha de ouro no 28.° Festival Internacional do Cinema e da TV de Nova Iorque, e em 1985. Os mais importantes testemunhos sobre o «genocídio» que aparecem neste filme são apresentados por nazis alemães e seus antigos colaboradores. A primeira testemunha, Stepan Skrípnik, foi redactor-chefe do jornal nazi Volin durante a ocupação alemã. Em três semanas, com o beneplácito das autoridades hitlerianas, este homem foi promovido de leigo à posição de bispo da
15 Ibidem, p. 71.
16 Ibidem, p. 74.
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Igreja ortodoxa ucraniana e, em nome da «moral cristã», fez uma ruidosa propaganda a favor da Nova Ordem. No final da guerra, refugiou-se nos Estados Unidos.
O alemão Hans Von Herwarth é outra testemunha. Trabalhou na União Soviética no serviço que recrutava homens para o exército do general Vlássov17 entre os prisioneiros soviéticos. O seu compatriota Andor Henke, que era um diplomata nazi, figura também no filme.
Para ilustrar a «fome-genocídio» de 1932-1933, os autores utilizaram sequências de notícias filmadas anteriores a 1917, fragmentos dos filmes A Fome do Tsar, de 1922, Arsenal, de 1929, e excertos de O Cerco de Leningrado, filmado durante a II Guerra Mundial.
Atacado publicamente em 1986 por tais falsificações, Marco Carynnik, que esteve na base deste filme e foi responsável pelas pesquisas, fez a seguinte declaração pública: «Nenhum dos fragmentos filmados de arquivo data da fome ucraniana e só em muito poucos casos foi possível confirmar a autenticidade das fotografias apresentadas de 1932-33. No final do filme, a sequência dramática de uma jovem macilenta, que também tem sido usada na promoção do filme, não data da fome de 1932-33.» (…) «Fiz questão de notar que este género de inexactidões é inadmissível, mas não me quiseram ouvir», disse Carynnik numa entrevista18.
(continua)
* Ludo Martens, nascido em 1946, na Bélgica, é um autor conhecido pelos seus livros e artigos sobre política africana e sobre a União Soviética. Participante no movimento pela flamenquização da Universidade de Louvain, em 1967, adere ao movimento maoísta e funda, em 1968, a organização Alle macht aan de arbeiders, AMADA (Todo o Poder aos Trabalhadores), que dá origem, em 1979, ao Partido do Trabalho da Bélgica, do qual foi Secretário-geral até 2007.
Para além de numerosos artigos e estudos sobre o socialismo, grande parte dos quais publicados na revista Études marxistes et auteurs, Ludo Martens publicou várias obras sobre África, designadamente: Argent du PSC-CVP (1984), Pierre Mulele ou la seconde vie de Patrice Lumumba (1985), Sankara, Compaoré et la revolution burkinabé (1989), Abo: une femme du Congo (1991), Kabila et la révolution congolaise: panafricanisme ou néocolonialisme? (2002).
Na sequência da derrota do socialismo na URSS e no leste europeu, publica o livro L’URSS et la contre-revolution de velours (1991), a que se sucedeu Un autre regard sur Stáline (1994), que agora é editado pela primeira vez no nosso país. Faleceu em 5 de junho de 2011.
17 Andréi Andréievitch Vlássov, (1901- 1946), membro do Partido desde 1930. Comandante de Divisão de Atiradores, esteve na China como conselheiro militar (1938-39). Major-general (1940) é nomeado em 1941 comandante do corpo mecanizado da região militar de Kíev. Em Março de 1942 é nomeado vice-comandante da Frente de Volkhovski e logo a seguir enviado como comandante do 2.º Exército de Choque, que estava envolvido em duros combates de defesa. Sitiadas pelos alemães, uma parte das suas tropas consegue furar o cerco e juntar-se a outras unidades. Vlássov abandona os seus homens e entrega-se aos nazis com quem passa a colaborar, vindo mais tarde a criar o Exército Libertador da Rússia (DIA), a organização militar dos colaboracionistas (NT).
18 Tottle, op. cit., pp. 78-79.

segunda-feira, 29 de maio de 2017


Domingos Abrantes, operário, funcionário do PCP e membro do Conselho de Estado, detido pela primeira vez em 1959 e um dos participantes da fuga de Caxias em 1961, foi um dos presos políticos enviado para a “solitária”. O seu testemunho é o quarto que estamos a publicar esta semana de oposicionistas enviados para os “curros”, ou “segredo”, como as celas de isolamento também eram conhecidas

las de isolamento também eram conhecidas

Por mais perigoso que tenha sido escapar-se do forte de Caxias no próprio carro de Salazar, debaixo dos narizes dos guardas e das suas armas, como Domingos Abrantes fez na companhia de sete prisioneiros (uma espetacular fuga, mais típica de um filme de Hollywood do que da realidade portuguesa dos anos 60), esse não foi o momento mais difícil na vida deste homem, operário, que cedo entrou para o Partido Comunista Português, e para a clandestinidade. De Caxias saiu incólume e vencedor, dono de uma vitória singular e simbólica, num carro a grande velocidade que derrubou um portão de ferro e madeira: “Foi uma derrota para a polícia e para ‘o senhor’, tendo em conta que se tratava do carro de estimação de Salazar.”
Domingos Abrantes, 81 anos, atualmente membro do Conselho de Estado, passou por vários estabelecimentos prisionais, ao longo de 11 anos de encarceramento. No Aljube, conheceu os seus curros, em Caxias os seus “segredos”, em Peniche casou-se com Conceição Matos, outra resistente antifascista.
António Pedro Ferreira
Preso pela primeira vez em 1959, depois de ter entrado para o PCP em 1954, e se ter transformado em quadro clandestino, Domingos Abrantes “tinha de estar preparado” para a prisão.
“Era uma questão do tempo...”, a prisão, o isolamento, a tortura, o não saber nada da família, nem do mundo, o não ter caneta, nem papel, nem relógio, nem luz... “Mas a teoria é a teoria e a prática a prática. Vi pessoas que se foram abaixo e não aguentaram.”
Da primeira vez que foi preso passou cinco meses nos curros do Aljube. Calhou-lhe uma cela virada para a rua, aonde chegavam os sons dela oriundos: os elétricos a deslocarem-se sobre os carris, o primeiro pregão da manhã...
Da segunda vez, porém, tudo seria diferente: “tinha um castigo especial à minha espera.” Foi preso a 21 de abril de 1965. Levaram-no para Caxias, depois dos interrogatórios e de 16 dias de tortura do sono sofridos na António Maria Cardoso, sede da PIDE, e colocaram-no numa cela, a que chamavam “segredo”, aonde não chegava luz nem som, nem noite nem dia.
António Pedro Ferreira
Entregue à cegueira absoluta, e com ordem de silêncio, o jovem, “com sangue na guelra”, insistia em cantar, ainda que o seu estado fosse lastimoso ou que se sentisse completamente enterrado: “O preso tem de mostrar que é mais forte que o carcereiro. Se quer enfrentar a polícia com dignidade, se não quer falar, tem de marcar o ritmo. Tem de se preparar para o embate com a polícia. Ali não se está só a decidir a questão do preso...Está-se a discutir a própria dignidade, a consciência e a ideologia.”
Até chegar a Caxias passou mal. Não foi só a tortura do sono, infligida sem interrupções, ao contrário do que lhe tinha acontecido em 1959, no Aljube. Foi aquilo que lhe disseram. Já o corpo, obrigado a estar de pé dia após dia, enfraquecia, as pernas se transformavam em trambolhos, os pés inchavam e a pele rasgava. “Entrou um cientista e disse: ‘você é uma inutilidade. Está a dar cabo da sua saúde. Nós comprámos uma máquina aos americanos que vai tirar aquilo que tem no cérebro.” A história até lhe poderia ter parecido uma anedota, como reconhece hoje, mas naquela altura, com aquele quadro psicológico e físico, diz que ainda se sentiu vacilar da primeira vez que lhe colocaram o capacete ligado por uns cabos elétricos a uma máquina. Foi à segunda que conseguiu ganhar algum discernimento para perceber que tudo aquilo não passava de uma encenação, ultrapassando aquele que considera ter sido o seu pior momento na prisão.
Hoje diz que não tem problemas em entrar de novo num “curro” ou num “segredo”. Já voltou várias vezes ao Aljube, e apenas uma a Caxias. Ganhou miopia e problemas de sono, mas lembra que a prisão não é só um lugar de sofrimento e de tortura. “É também uma escola de formação humana de valores.”

domingo, 28 de maio de 2017

Morreu Miguel Urbano Rodrigues, jornalista e histórico do PCP

Irmão do escritor Urbano Tavares Rodrigues tinha 91 anos. Deixa mais de uma dezena de livros publicados em Portugal e no Brasil.
Num artigo publicado no Avante! em Novembro de 2016, o antigo jornalista mostrava discordância com a forma como via o PCP a apoiar a solução de governo do PS
  

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Uma real ameaça ao império euro-atlântico…

Neste momento debatendo-se com múltiplas crises: económica, financeira, social, militar o império enfrenta o ”Belt and Road Initiative” liderado pela China e pela Rússia. A reunião em Pequim (claro que silenciada pelos media!) evidenciou a estratégia de Putin, claramente concertada com a direção chinesa.
O ”Belt and Road Initiative” tem o objetivo de ligar por cinco corredores, dois deles marítimos, a Ásia central, do sul e sudoeste ao Médio Oriente, Europa, África, Oceania. Os seus objetivos incluem a coordenação de facilidades de comércio e integração financeira. Setenta e sete países estão ou propõem-se estar ligados a esta iniciativa, aliás muito diferentes quanto a posicionamentos políticos e alianças, como a Austrália, e países da UE.
Se a liderança financeira e económica é chinesa, Putin no seu discurso pretende  uma ligação política mais aprofundada: uma colaboração económica, financeira, social e política à margem dos EUA e do FMI, com instituições financeiras de apoio como o Banco de Desenvolvimento dos BRICS e o Banco Asiático de investimento e de infraestruturas. A China anunciou o reforço do fundo para a “iniciativa” com mais 100 mil milhões de Yuan.
Uma ameaça ao dólar à qual os EUA atulhados em dívida, só têm como resposta a militar, ingerências e conspirações pagas a peso de ouro aos seus mercenários e fantoches como na Ucrânia, na Venezuela, Síria, etc., criando o caos por todo o lado, incluindo em países como a Argentina e o Brasil ou as intermináveis guerras no Médio Oriente e Afeganistão, saudadas pelos papagaios da TV como luta pela democracia.
Vladimir Putin declarou que o futuro pertence à Eurásia. Trata-se melhorar as relações entre Estados e o desenvolvimento económico e social. A Eurásia, disse, deve ser um exemplo de um futuro coletivo, inovador e construtivo, com base na justiça, igualdade e respeito pela soberania nacional, o direito internacional e os princípios inabaláveis das Nações Unidas.
Além dos elogios à China, Putin salientou que a Rússia não só está disposta a ser um parceiro comercial confiável mas também pretende investir na criação de joint-ventures e em parcerias com Estados, para investir em serviços, vendas e instalações industriais.  Com uma localização geográfica única, a Rússia está disposta a exercer esta atividade conjunta, estando a atualizar a marinha, as infraestruturas ferroviárias e rodoviárias com os países da União Econômica Eurasiática (Bielorrússia,  Cazaquistão, Rússia, Quirguistão, Tajiquistão).
A Eurásia, “não é um arranjo geopolítico abstrato mas um projeto de toda a civilização olhando para o futuro. Mantendo o espírito de cooperação, nós podemos alcançar esse futuro. Esta parceria deve mudar a paisagem política e económica dos continentes e trazer a paz, estabilidade, prosperidade e uma nova qualidade de vida para a Eurásia”.
Ver mais em: http://bit.ly/2qMTXU5
Este artigo encontra-se em: FOICEBOOK http://bit.ly/2qMQQvm

Consolidando o poder

Por AK Malabocas, via ROAR Magazine, traduzido por Daniel Alves Teixeira
David Harvey, um dos principais pensadores marxistas de nosso tempo, sentou-se com o coletivo ativista AK Malabocas para discutir as transformações no modo de acumulação do capital, a centralidade do terreno urbano na luta de classes contemporânea, e as implicações de tudo isto para o anti-capitalismo organizado.

AK Malabocas: Nos últimos quarenta nos, o modo de acumulação capitalista mudou globalmente. O que essas mudanças significam para a luta contra o capitalismo?
David Harvey: De uma perspectiva macro, qualquer modo de produção tende a gerar um tipo de oposição bastante distinto, que é uma curiosa imagem espelhada de si mesmo. Se você olhar de volta para os anos 1960 ou 1970, quando o capital era organizado em grandes corporações, formas hierárquicas, você tinha estruturas de oposição que eram aparatos políticos de tipo corporativistas, unistas. Em outras palavras, um sistema Fordista gerava um tipo de oposição fordista.
Com a queda desta forma de organização industrial, em particular nos países capitalistas avançados, você chegou a uma configuração do capital muito mais descentralizada: mais fluída no espaço e tempo do que pensado anteriormente. Ao mesmo tempo nós vimos a emergência de uma oposição fundamentada no trabalho em rede e descentralização e que não gosta da hierarquia e das formas anteriores de oposição fordista.
Então, de um jeito meio engraçado, os esquerdistas se reorganizaram da mesma maneira que a acumulação de capital está reorganizada. Se nós entendermos que a esquerda é a imagem espelhada do que nós estamos criticando, então talvez o que devemos fazer é quebrar o espelho e sair dessa relação simbiótica com o que nós estamos criticando.
AKM: Na era fordista, a fábrica era o principal lugar de resistência. Onde nós podemos encontrá-lo agora que o capital se mudou do chão de fábrica em direção ao terreno urbano?
DH: Primeiro de tudo, a forma-fábrica não desapareceu – você ainda encontra fábricas em Bangladesh ou na China. O que é interessante é como o modo de produção nas cidades centrais mudou. Por exemplo, o setor logístico passou por uma grande expansão: UPS, DHL, e todos esses trabalhadores de entrega estão produzindo valores enormes nos dias de hoje.
Nas últimas décadas, uma forte mudança ocorreu também no setor de serviços: os maiores empregadores de trabalho nos anos 1970 nos EUA eram a General Motors, Ford e US Steel. Os maiores empregadores de trabalho hoje são McDonald’s, Kentucky Fried Chicken and Walmart. Antes, a fábrica era o centro da classe trabalhadora, mas hoje nós encontramos a maior parte da classe trabalhadora no setor de serviços. E porque nós deveríamos dizer que produzir carros é mais importante do que produzir hambúrgueres?
Infelizmente a esquerda não está confortável com a ideia de organizar trabalhadores de fast-food. Sua imagem da classe trabalhadora clássica não se encaixa com produção de valor dos trabalhadores do serviço, de entrega, restaurante, supermercados.
O proletariado não desapareceu, mas existe um novo proletariado que tem características muito diferentes daquele tradicional que a esquerda usou para identificar a vanguarda da classe trabalhadora. Nesse sentido, os trabalhadores do McDonald’s se tornaram os trabalhadores do ferro do século XXI.
AKM: Se este é o novo proletariado, onde estão os lugares para organizar a resistência agora?
DH: É muito difícil se organizar nos lugares de trabalho. Por exemplo, entregadores estão se movendo para todos os lugares.  Então essa população talvez estivesse melhor organizada fora do lugar de trabalho, isso quer dizer nas estruturas de vizinhança.
Existe mesmo uma interessante frase no trabalho de Gramsci de 1919 dizendo que organizar-se e fazer conselhos no lugar de trabalho é muito bom, mas nós deveríamos ter conselhos de vizinhança também. E os conselhos de vizinhança, ele disse, tem um entendimento melhor de qual é a condição da classe trabalhadora como um todo comparado com o entendimento setorial da organização no lugar de trabalho.
Trabalhadores organizados no lugar de trabalho normalmente sabiam muito bem o que um trabalhador do ferro era, mas eles não entendiam o que o proletariado era como um todo. A organização de vizinhança poderia então incluir por exemplo os limpadores de rua, os trabalhadores de casa, os entregadores. Gramsci nunca realmente tomou isso e disse: “vamos, o Partido Comunista deve organizar assembleias na vizinhança!”
Nada obstante, existem umas poucas exceções no contexto Europeu onde Partidos Comunistas de fato organizaram conselhos de vizinhança – porque eles não podiam se organizar no lugar de trabalho, como na Espanha por exemplo. Nos anos ’60 esse era uma forma muito poderosa de organização. Por isso, – como eu tenho argumentado há muito tempo – nós devermos olhar para a organização da vizinhança como uma forma de organização de classe. Gramsci somente mencionou isso uma vez em seus escritos e ele nunca seguiu adiante.
Na Grã-Bretanha na década de 1980, houveram formas de organização do trabalho em plataformas por toda a cidade com base em conselhos comerciais, que estavam fazendo o que Gramsci sugeriu. Mas dentro do movimento sindical estes conselhos comerciais foram sempre considerados como formas inferiores de organização do trabalho. Eles nunca foram tratados como sendo fundamentais para a forma como o movimento sindical deve operar.
Na verdade, descobriu-se que os conselhos comerciais eram frequentemente muito mais radicais do que os sindicatos convencionais e isso porque eles estavam enraizados nas condições de toda a classe operária, não só nos setores muitas vezes privilegiados da classe trabalhadora. Então, na medida em que eles tinham uma definição muito mais ampla da classe operária, os conselhos comerciais tendem a ter políticas muito mais radicais. Mas isso nunca foi valorizado pelo movimento sindical em geral – sempre foi olhado como um espaço onde os radicais poderiam jogar.
As vantagens desta forma de organização são óbvias: ele supera a divisão entre a organização setorial, rla inclui todos os tipos de trabalho “desterritorializado”, e é muito adequada às novas formas de comunidade organizações baseadas em assembleias, como Murray Bookchin estava advogando, por exemplo.
AKM: Nas últimas ondas de protesto – na Espanha e na Grécia, por exemplo, ou no movimento Occupy – você pode encontrar esta ideia de “resistência localizada”. Parece que esses movimentos tendem a se organizar em torno de questões da vida cotidiana, em vez das grandes questões ideológicas que a esquerda tradicional costumava focar.
DH: Por que dizer que a organizar-se em torno da vida cotidiana não é uma das grandes questões? Eu acho que É uma das grandes questões. Mais de metade da população mundial vive em cidades, e a vida cotidiana nas cidades é ao que as pessoas estão expostas e que traz as suas dificuldades. Estas dificuldades residem tanto na esfera da realização do valor como na esfera da produção do valor.
Este é um dos meus argumentos teóricos mais importantes: todo mundo lê o Volume I de O Capital e ninguém lê o Volume II. O Volume I é sobre a produção do valor, o Volume II é sobre a realização do valor. Concentrando-se no Volume II, você vê claramente que as condições de realização são tão importantes como as condições de produção.
Marx fala frequentemente sobre a necessidade de ver o capital como a unidade contraditória entre produção e realização. Onde o valor é produzido e onde ele é realizado são duas coisas diferentes. Por exemplo, um monte de valor é produzido na China e é realmente realizado pela Apple ou pelo Walmart nos Estados Unidos. E, evidentemente, a realização do valor está envolvido na realização de valor por meio de um consumo caro da classe trabalhadora.
O capital pode conceder salários mais altos no ponto de produção, mas então recupera-o no ponto de realização pelo fato de que os trabalhadores têm de pagar rendas muito mais elevadas e custos de habitação, despesas de telefone, despesas de cartão de crédito e assim por diante. Assim, a luta de classes sobre a realização – habitação a preços mais acessíveis, por exemplo – são tão significativas para a classe trabalhadora como as lutas por salários e condições de trabalho. Qual é a vantagem de ter um salário maior se ele é imediatamente tomado de volta em termos de custos de habitação elevados?
Em sua relação com a classe trabalhadora, os capitalistas há muito tempo aprenderam que podem fazer um monte de dinheiro tomando de volta o que eles haviam dado. E, na medida em que – particularmente nas décadas de 1960 e 1970 – os trabalhadores se tornaram cada vez mais empoderados na esfera do consumo, o capital passa a concentrar muito mais puxando para baixo o valor através do consumo.
Então as lutas na esfera da realização, que não eram tão fortes nos tempos de Marx, e o fato de que ninguém lê o maldito livro (Volume II), é um problema para a esquerda convencional. Quando você me diz: ‘o que é o macro-problema aqui?’ – bem, isso é um macro-problema! O conceito de capital e a relação entre produção e realização. Se você não vê a unidade contraditória entre ambos, então você não vai obter toda a imagem. A luta de classes é escrita toda sobre ele e eu não consigo entender por que um monte de marxistas não podem colocar na cabeça como isso é importante.
O problema é como entendemos Marx em 2015. Nos tempos de Marx, a extensão da urbanização era relativamente conveniente e o consumismo da classe operária era quase inexistente, por isso tudo que Marx tinha que falar era que a classe trabalhadora conseguia sobreviver com um salário escasso e que eles eram muito sofisticados em fazer isso. O capital deixou eles a seus próprios planos para que eles fizessem o que quisessem.
Mas hoje em dia estamos em um mundo onde o consumismo é responsável por cerca de 30 por cento da dinâmica da economia global – nos EUA é ainda quase 70 por cento. Então por que estamos sentados aqui dizendo que o consumismo é algo irrelevante, fixando no Volume I e falando sobre a produção e não sobre o consumismo?
O que a urbanização faz é nos forçar a certos tipos de consumo, por exemplo: você tem que ter um automóvel. Portanto, o seu estilo de vida é ditado de muitas maneiras pela forma que a urbanização toma. E, novamente, nos dias de Marx isso não era significativo, mas em nossos dias, isto é crucial. Nós temos que perseguir formas de organização que realmente reconheçam essa mudança na dinâmica da luta de classes.
AKM: Dada esta mudança, a esquerda teria que definitivamente ajustar suas táticas e formas de organização, bem como a sua concepção do que é organizar.
DH: Os grupos que carimbaram os movimentos recentes com seu caráter, provenientes das tradições anarquistas e autonomistas, estão muito mais embebidos na política da vida cotidiana, muito mais do que os marxistas tradicionais.
Eu sou muito simpático com os anarquistas, eles têm uma linha muito melhor sobre isso, precisamente em lidar com a política de consumo e sua crítica do que o consumismo é. Parte do seu objetivo é mudar e reorganizar a vida cotidiana em torno de princípios novos e diferentes. Então eu acho que este é um ponto crucial para o qual muitas ações políticas têm de ser dirigida nestes dias. Mas eu discordo de você quando você que isto não é uma “grande questão”.
AKM: Então, olhando para os exemplos da Europa Ocidental – redes de solidariedade na Grécia, auto-organização na Espanha ou Turquia – estes parecem ser bastantes cruciais para construir movimentos sociais em torno da vida cotidiana e das necessidades básicas nos dias de hoje. Você vê isso como uma abordagem promissora?
DH: Eu acho que isso muito promissor, mas há uma clara auto-limitação, que é um problema para mim. A auto-limitação é a relutância em tomar o poder em algum ponto. Bookchin, em seu último livro, diz que o problema com os anarquistas é a sua negação da importância do poder e sua incapacidade de tomá-lo. Bookchin não vai tão longe, mas eu acho que isso é a recusa de ver o estado como um possível parceiro para a transformação radical.
Existe uma tendência de considerar o Estado como sendo o inimigo, o 100 por cento inimigo. E há uma abundância de exemplos de Estados repressivos fora do controle público onde este é o caso. Sem questão: o Estado capitalista tem de ser combatido, mas sem dominar o poder do Estado e sem tomá-lo você rapidamente entra na história do que aconteceu, por exemplo, em 1936 e 1937 em Barcelona e então em toda a Espanha. Ao se recusar a tomar o estado no momento em que tinha o poder de fazê-lo, os revolucionários da Espanha permitiram que o estado caísse de volta nas mãos da burguesia e da ala stalinista do movimento Comunista – e o estado se reorganizou e esmagou a resistência.
AKM:  Isso pode ser verdade para o Estado espanhol em 1930, mas se olharmos para o estado neoliberal contemporânea e o recuo do Estado social, o que resta do estado a ser conquistado, a ser aproveitado?
DH: Para começar, a esquerda não é muito boa em responder a questão de como podemos construir infra-estruturas maciças. Como é que a esquerda irá construir a ponte de Brooklyn, por exemplo? Qualquer sociedade depende de grandes infra-estruturas, infra-estruturas para uma cidade inteira – como o abastecimento de água, eletricidade e assim por diante. Eu acho que há uma grande relutância entre a esquerda para reconhecer que por isso precisamos de algumas formas diferentes de organização.
Existem partes do aparelho do Estado, até mesmo do aparelho de Estado neoliberal, que são ainda assim terrivelmente importantes – o centro de controle de doenças, por exemplo. Como podemos responder a epidemias globais como o Ebola e similares? Você não pode fazê-lo no caminho anarquista da DIY-organização. Há muitos casos em que você precisa de algumas formas de infra-estrutura similares ao estado. Não podemos enfrentar o problema do aquecimento global somente através de formas descentralizadas de confrontos e atividades.
Um exemplo que muitas vezes é mencionado, apesar de seus muitos problemas, é o Protocolo de Montreal que visa eliminar gradualmente a utilização de clorofluorcarbonetos em frigoríficos para limitar a degradação da camada de ozono. Ele foi aplicado com sucesso na década de 1990, mas precisava de algum tipo de organização que fosse muito diferente daquela que resulta da política baseada em assembleias.
AKM:  A partir de uma perspectiva anarquista, eu diria que é possível substituir até mesmo instituições supra-nacionais como a OMS com organizações confederadas que são construídas de baixo para cima e que, eventualmente, chegam a tomada de decisões em nível mundial.
DH: Talvez até um certo grau, mas temos de estar cientes de que sempre haverá algum tipo de hierarquia e vamos sempre enfrentar problemas como prestação de contas ou o direito de recurso. Haverá relações complicadas entre, por exemplo, pessoas que lidam com o problema do aquecimento global do ponto de vista do mundo como um todo e do ponto de vista de um grupo que está no terreno, digamos, em Hanover ou qualquer outro lugar, e que perguntará: ‘por que devemos ouvir o que eles estão dizendo?’
AKM:  Então você acredita que isso exigiria algum tipo de autoridade?
DH: Não, haverá estruturas de autoridade de qualquer maneira – sempre haverá. Eu nunca estive em uma reunião anarquista onde não havia nenhuma estrutura de autoridade secreta. Há sempre essa fantasia de tudo ser horizontal, mas eu sentava lá, assistia e pensava: ‘Oh, Deus, existe toda uma estrutura hierárquica aqui, mas ela é coberta.’
AKM:  Voltando aos recentes protestos em todo o Mediterrâneo: muitos movimentos concentraram-se em lutas locais. Qual é o próximo passo a tomar para a transformação social?
DH: Em algum momento temos que criar organizações que são capazes de reunir e forçar a mudança social em uma escala mais ampla. Por exemplo, o Podemos na Espanha será capaz de fazer isso? Em uma situação caótica como a crise económica dos últimos anos, é importante para a esquerda agir. Se a esquerda não fazê-lo, em seguida, então a direita é a próxima opção. Eu penso –  e eu odeio dizer isso – mas penso que a esquerda tem que ser mais pragmática em relação à dinâmica que está acontecendo agora.
AKM: Mais pragmática em que sentido?
DH: Bem, por que eu apoiei o SYRIZA mesmo sabendo que ele não é um partido revolucionário? Porque abriu um espaço no qual algo diferente poderia acontecer e, portanto, foi um movimento progressivo para mim.
É um pouco como Marx disse: o primeiro passo para a liberdade é a limitação da duração da jornada de trabalho. Exigências muito estreitas abrem espaço para resultados muito mais revolucionárias, e mesmo quando não há qualquer possibilidade de quaisquer resultados revolucionários, temos que procurar soluções de compromisso que ainda assim revertam a absurda austeridade neoliberal e abram o espaço onde novas formas de organização possam ter lugar.
Por exemplo, seria interessante se o Podemos procurasse organizar formas de confederalismo democrático – porque de certa forma o Podemos originou-se de muitas reuniões do tipo de assembleias ocorrendo em toda a Espanha, então eles são muito experientes com a estrutura de assembleia.
A questão é como eles conectam a forma-assembleia com algumas formas permanentes de organização relativos a sua ascensão à uma posição como um forte partido no Parlamento. Isso também vai volta para a questão da consolidação do poder: você tem que encontrar maneiras de fazer isso, porque sem ele a burguesia e capitalismo corporativo irão encontrar maneiras de se reafirmar e tomar o poder de volta.
AKM: O que você acha sobre o dilema das redes de solidariedade preencherem o vazio após a retirada do estado de bem-estar e indiretamente se tornarem um parceiro do neoliberalismo desta forma?
DH: Há duas formas de organização. Uma delas é o vasto crescimento do setor das ONG, mas um monte destas são financiadas externamente, não nas bases, e não abordam a questão dos grandes doadores que definem a agenda – que não será uma agenda radical. Aqui tocamos a privatização do estado de bem-estar.
Isto me parecer ser muito diferente politicamente com organizações de base, onde as pessoas estão por conta própria, dizendo:’. OK, o Estado não liga para nada, então vamos ter que cuidar dele por nós mesmos”. Isso me parece estar levando a formas de organização de base com um estatuto político muito diferente.
AKM: Mas como evitar a preencher essa lacuna, ajudando, por exemplo, os desempregados a não serem espremidos pelo Estado neoliberal?
DH: Bem, tem de haver uma agenda anti-capitalista, de modo que quando o grupo trabalha com pessoas todo mundo saiba que ele não é apenas sobre ajudar a lidar com o sistema, mas que há uma intenção organizada para mudá-lo politicamente na sua totalidade. Isto significa ter um projeto político muito claro, o que é problemático com tipos descentralizados e não homogéneos de movimentos onde um trabalha de uma maneira, outros de forma diferente e não há nenhum projeto coletivo ou comum.
Isto se conecta à primeira questão que você levantou: não existe uma coordenação de quais são os objetivos políticos. E o perigo é que você apenas ajude as pessoas a lidar com o problema e assim não qssim não haverá nenhuma política que saia disso. Por exemplo, Occupy Sandy ajudou as pessoas a voltar para suas casas e eles fizeram um trabalho fantástico, mas, no final, eles fizeram o que a Cruz Vermelha e os serviços federais de emergência deveriam ter feito.
AKM: O fim da história parece já ter passado. Olhando para as condições reais e exemplos concretos de luta anti-capitalista, você acha que “ganhar” é ainda uma opção?
DH: Definitivamente, e mais ainda, você tem fábricas ocupadas na Grécia, economias de solidariedade que atravessam as cadeias de produção sendo forjadas, as instituições democráticas radicais na Espanha e muitas belas coisas acontecendo em muitos outros lugares. Há um crescimento saudável do reconhecimento de que temos de ser muito mais amplos em matéria de política entre todas estas iniciativas.
A esquerda marxista tende a desconsiderar um pouco algumas dessas coisas e eu acho que eles estão errados. Mas ao mesmo tempo eu não acho que nada disso seja grande o suficiente por si só para realmente lidar com as estruturas fundamentais do poder que precisam ser desafiadas. Aqui falamos de nada menos do que um estado. Então a esquerda terá que repensar o seu aparato teórico e tático.

in LavraPalavra.blogspot.com

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