A espuma das palavras

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Valdemar Cruz, jornalista do Expresso on-line

«O QUE ANDO A LER

A Coreia do Norte é um problema sério, já o sabemos. Não obstante o simplismo contido na tentação de resumir tudo a uma questão de mais ou menos loucura dos seus dirigentes. Como se fosse possível esquecer a dimensão política sempre contida nos comportamentos e relações entre os países. A Coreia do Sul, a outra metade de um país artificialmente dividido, tem passado entre os pingos da chuva. O Sul progrediu de um modo radicalmente diferente do Norte. Construiu uma sociedade já incapaz de se identificar com o vizinho/irmão, mas foi, ao longo de décadas terreno fértil para ditaduras brutais e inomináveis massacres convenientemente silenciados. Não por distração. É tão só a geopolítica a funcionar. Han Kang, notável escritora sul-coreana, autora de um assombroso livro já publicado em Portugal, “A Vegetariana”, surge agora com “Atos Humanos”.

É uma obra cuja ficção surge ancorada numa realidade tremenda: o massacre de Maio de 1980 perpetrado nas ruas de Gwangju, terra natal da autora, contra quantos reclamavam uma democratização do país e o fim da lei marcial. Foram dizimados, com recurso a lança-chamas, baionetas, ou bastões, estudantes, civis, crianças e todos quantos surgissem à frente das tropas do ditador de serviço, o general Chun Doo-hwan. Foram dias consecutivos de violência infame e nunca até hoje foi possível alcançar um consenso sobre o número de vítimas mortais. Han Kang não escreve um livro de história. Serve-se da literatura para construir uma série de capítulos que se vão interligar, cada um deles com uma nova personagem como protagonista. Se tudo começa com o jovem Dong-ho, que procura o seu amigo morto enquanto se ocupa da catalogação de cadáveres que se amontoam no ginásio municipal, há depois uma perturbante viagem através de outras histórias construídas a partir de um selecionado grupo de vítimas ou sobreviventes, situados em tempos diferentes.

Somos assim conduzidos até o prisioneiro que, em 1990, é convencido, em benefício de uma tese académica, a reviver os horrores sofridos durante dias de tortura. Uma operária, em 2002, recupera a memória da brutalização a que foi submetida e o modo como isso afetou toda a sua personalidade. São váriashistórias de perda, de sofrimento, de horror, com a autora a assumir um epílogo para dar o seu próprio testemunho. Tinha nove anos quando aconteceu o massacre. O acaso fizera com que a sua família tivesse saído da cidade uns meses antes. Ainda criança, como descreveu em entrevista ao Expresso Diário, descobre, escondido em casa, um livro de fotografias tiradas por jornalistas estrangeiros. “Como é que seres humanos podem fazer isto a outros seres humanos?”, foi a questão que lançou a si própria e talvez este livro seja, tantos anos depois, uma forma de tentar uma resposta para o inominável, para a brutalidade contida no absurdo quotidiano.»
in Expresso curto

Publicada por José Augusto Nozes Pires à(s) sexta-feira, setembro 08, 2017 Sem comentários:

quinta-feira, 7 de setembro de 2017



05:05 (há 7 horas)


 
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The Truth About North Korea

By Global Research News
Global Research, September 05, 2017

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http://www.globalresearch.ca/selected-articles-the-truth-about-north-korea/5607637

The mainstream media has vilified North Korea, without acknowledging that the US has threatened to attack the DPRK with nuclear weapons for more than half a century.
Who is a threat to global security, Kim Jong-un or Donald Trump?  
Read our selected articles below.
*     *     *
Russia and China Versus the West on North Korea
By Stephen Lendman, September 05, 2017
Russia and China urge diplomacy to resolve a deepening crisis. They want tensions defused.
They oppose counterproductive tougher sanctions, threats and saber rattling, encouraging enhanced development of North Korea’s nuclear and ballistic missile programs.
The Need for US-North Korea Peace Talks: Jimmy Carter. “They Want a Peace Treaty to Replace the [1953] Ceasefire”
            By Jimmy Carter, September 05, 2017
During all these visits, the North Koreans emphasized that they wanted peaceful relations with the United States and their neighbors, but were convinced that we planned a preemptive military strike against their country. They wanted a peace treaty (especially with America) to replace the ceasefire agreement that had existed since the end of the Korean War in 1953, and to end the economic sanctions that had been very damaging to them during that long interim period.
The Beggars for War: The US, North Korea and Bankruptcy
By Dr. Binoy Kampmark, September 05, 2017
The method of forcibly starving a country of its oil and other necessaries has a good precedent for encouraging, rather than discouraging war. The United States was very much in the position of provoking conflict when it came to dealing with Japan in 1941. The rhyme of history is a strong one.
The People of North Korea. Vilified Nation, What is the Truth
By Eva Bartlett, September 05, 2017
Pyongyang, and much of North Korea, was leveled in the 50s by US bombings, with reportedly just one or two low-level buildings standing. After destroying and murdering in DPRK, America slapped sanctions on the country. How the people have continued, and made huge advances, is worthy of respect.
Trump Springs the Neocon Trap Again: North Korea’s ‘Test’ Is No Act of War
By Patrick Henningsen, September 05, 2017
This wouldn’t be the first time North Korea exaggerated its WMD credentials. Last January they exaggerated claims of a successful ‘H-bomb’ test. Despite their dodgy record, the western media, and politicians who are fed by defense contracts – are lapping up Pyongyang’s latest pig’s breakfast.
What the Media Isn’t Telling You About North Korea’s Missile Tests. The DPRK has No Plans to Nuke the West
            By Mike Whitney, September 05, 2017
What the media failed to mention was that,  for the last three weeks, Japan, South Korea and the US have been engaged in large-scale joint-military drills on Hokkaido Island and in South Korea. These needlessly provocative war games are designed to simulate an invasion of North Korea and a “decapitation” operation to remove (Re: Kill)  the regime.
North Korea: “Annihilation”, “Massive Military Response” or Economic Warfare?
By Prof Michel Chossudovsky, September 04, 2017 
Annihilation was the objective of the Korean war (1950-53). and “Mad Dog” James Mattis was responsible for the annihilation of Fallujah (Iraq)  in 2004. 
“Mutually Assured Destruction” (MAD): Deterrence Believers Should Cheer the North Korean Bomb
By Craig Murray, September 05, 2017
How did we get here? In the 1950s the USA dropped 635,000 tonnes of bombs on North Korea including 35,000 tonnes of napalm. The US killed an estimated 20% of the North Korean population. For comparison, approximately 2% of the UK population was killed during World War II.
*     *     *
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Publicada por José Augusto Nozes Pires à(s) quinta-feira, setembro 07, 2017 Sem comentários:

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Esta explicação aplica-se a todo o século XX!

Crise Estados Unidos - Coreia do Norte
Entrevista com Robert Charvin*

Initiative Communiste (IC)    05.Sep.17   
«Maltratar um povo (…) é provocar que no seu seio surja aquilo que poderia designar-se com «efeito cidadela». Assediados por todos os lados e por todos os meios, ameaçados de agressão militar, colocados em dificuldades económicas, desacreditados na opinião internacional pelos poderes mediáticos, esses povos não podem senão ter uma reacção defensiva feita de um patriotismo virulento, de uma feroz mobilização, de um monolitismo sem falhas. Toda a crítica, numa situação de beligerância crónica, não pode senão ser traição!»
in ODiario.info 
Publicada por José Augusto Nozes Pires à(s) terça-feira, setembro 05, 2017 Sem comentários:



Para Domenico Losurdo, novo conflito mundial é possibilidade real

"A condução política de Washington corre riscos de provocar uma nova guerra mundial, que pode até atravessar o limiar nuclear", afirma à 'RBA' o filósofo italiano
por Redação RBA publicado 27/05/2017 12h59
reprodução
domenico_losurdo.jpg
Losurdo: esquerda deve perceber que a luta contra o imperialismo é parte integral da luta de classes para emancipação

São Paulo – Depois que o fenômeno republicano e midiático Donald Trump assumiu o poder nos Estados Unidos e radicalizou o discurso contra as minorias e oponentes do imperialismo, algumas vozes têm dito que o mundo pode estar a caminho de um novo conflito mundial.
Essa é uma tese que soa falsa, dependendo da credibilidade ou fundamentação de quem a afirma, mas nas palavras do filósofo italiano Domenico Losurdo ela é real: "A condução política de Washington corre riscos de provocar uma nova guerra mundial, que pode até atravessar o limiar nuclear", afirma ele, em entrevista à RBA, para quem os conflitos atuais, que colocam o Ocidente em oposição aos países fora de sua lógica, nada mais são do que expressões do pensamento tradicional colonialista.
A falta de conhecimento de história, um problema sério no Brasil, mas que atinge praticamente todo o mundo ocidental sob o furor consumista e imediatista, permite que a mídia tradicional, sempre a favor do poder instituído e dos ditames do capital, destile seu discurso conservador com menos resistência e menos sentimento de indignação que ocorreriam à luz da memória dos fatos. É o que se esforça por mostrar Losurdo.
"A luta contra o neoliberalismo precisa estar unida à luta contra o colonialismo, neocolonialismo e imperialismo", afirma o filósofo, que nesta entrevista concedida por e-mail também desmonta a linguagem que se mostra como nova roupagem para antigos conceitos. "Atualmente, as guerras coloniais e neocoloniais são frequentemente realizadas em nome dos valores e interesses ocidentais", sustenta o professor, demonstrando que, historicamente, o século 20 se rebelou contra a colonização, mas agora corremos o risco do retrocesso.
Nesta entrevista, o leitor tem a oportunidade de verificar pelos menos dois pontos: como o colonialismo continua vivo, portanto, com outras denominações, e também como a luta de classes se expressa no enfrentamento do neoliberalismo sobre os velhos conceitos de dominação.

Como o senhor descreve o colonialismo hoje? É um tipo de luta de classes, por que?
Desde 1989, o Ocidente, liderado pelos Estados Unidos, desencadeou guerras contra Panamá, Iraque, Iugoslávia, Líbia e Síria. Apesar das diferenças entre as guerras, esses países têm duas características em comum: eles são importantes do ponto de vista da geopolítica e têm por trás deles uma revolução feudal e outra anticolonial. Na verdade, frente a essas guerras, os atacantes preferem falar de "operações políticas internacionais". Mas essa linguagem vem da tradição colonial.
No começo do século 20, o presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, uma referência do colonialismo, imperialismo e racismo, gostava de justificar suas intervenções na América Latina precisamente desse modo, referindo-se às "operações políticas internacionais".
É verdade para os dias atuais que os Estados Unidos e seus aliados e vassalos têm celebrado suas guerras como "humanitárias". E de novo somos levados de volta para a linguagem da tradição colonial. Em seu tempo, (o colonizador britânico) Cecil Rhodes (1853-1902) resumiu a filosofia do Império Britânico deste modo: "filantropia, mais 5%". Atualmente, as guerras coloniais e neocoloniais são frequentemente realizadas em nome dos valores e interesses ocidentais. "Filantropia" tornou-se "valores do Ocidente" e o percentual de 5%, tornou-se "interesses do Ocidente".
As guerras desencadeadas pelo imperialismo desde 1989 (depois da vitória na Guerra Fria) causaram dezenas de milhares de mortes; são centenas de milhares de feridos; milhões de refugiados; destruíram países e condenaram ao subdesenvolvimento e ao desespero muita gente. É óbvio que a luta contra essas calúnias é uma luta de classes pela emancipação. Marx apontou: a barbaridade do capitalismo é manifestada primeiro nas colônias; por isso, a luta contra a dominação colonial e semicolonial é uma luta de classes por excelência.  

O senhor publicou no Brasil o livro "Esquerda Ausente". Qual o papel dos partidos de esquerda e dos movimentos sociais nos dias de hoje? Como eles podem se organizar?
Não pode ser considerado realmente de esquerda um partido ou força política que se limite a combater o neoliberalismo. Esta é a questão central. A luta contra o neoliberalismo precisa estar unida à luta contra o colonialismo, neocolonialismo e imperialismo. Especialmente em um momento como o presente. A condução política de Washington corre riscos de provocar uma nova guerra mundial, que pode até atravessar o limiar nuclear. Muitos observadores, incluindo os conservadores, destacam um ponto essencial: por algum tempo, o foco central da política externa norte-americana se ateve à habilidade de infligir uma 'primeira ação nuclear sem consequências' (para isso, sistemas antimísseis foram instalados nas fronteiras entre Rússia e China). Bom, a esquerda deve perceber que a luta contra o imperialismo, contra essa política de dominação e contra a guerra é uma parte integrante da luta de classes para emancipação.
Publicada por José Augusto Nozes Pires à(s) terça-feira, setembro 05, 2017 Sem comentários:

domingo, 3 de setembro de 2017

Publicada por José Augusto Nozes Pires à(s) domingo, setembro 03, 2017 Sem comentários:
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Obras de Nozes Pires publicadas em

Entre Outras:
150 Anos Do Manifesto Do Partido Comunista, o Manifesto e o seu Tempo, Lisboa, 2000, Ed. Colibri.
Léger-Marie Deschamps, Un Philosophe entre Lumières et Oubli, 2001, Ed. L'Harmattan.
Renascimento e Utopias, Actas da Academia de Ciências, 1997
Revista «Vértice», vários números.
Revista «espaço público», 1.
José Félix Henriques Nogueira, Revista editada pela Escola Sec. de Henriques Nogueira, 2008.
Jornal «A Batalha», vários números.
Semanários: Badaladas, FrenteOeste.


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No 2º Congresso Republicano de Aveiro, 1969, em nome dos estudantes universitários do Porto
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