A espuma das palavras

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Han Kang: “Temos de enfrentar a possibilidade de outra guerra na Coreia”

A sul-coreana Han Kang parte de um massacre para escrever um romance à volta de uma questão fundamental: o que é o ser humano? Atos Humanos interroga-se sobre a consciência dos homens e a consciência da História num momento em que a Coreia volta ao fantasma da guerra.
Isabel Lucas
7 de setembro de 2017, 16:52


 
Han Kang no Porto, onde esteve a promover o livro ADRIANO MIRANDA
“Chame-me Kang; é o meu primeiro nome”, pede a primeira escritora sul-coreana a vencer o Man Booker International, ao falar de um “livro muito pessoal”, a história de um massacre que não presenciou, mas do qual tem o que chama “memória indirecta”. Aconteceu em 1980. “Eu não estava em Gwangju, apesar de ser a minha cidade. Deixei a casa aos nove anos, quatro meses antes do massacre. Tinha uma memória indirecta, mas que estava impressa em mim. Era uma parte da minha vida”, conta Han Kang sobre um episódio da história que se tornou metáfora da brutalidade humana.
Han Kang ainda não tinha dez anos. Entre 18 e 27 de Maio, o exército atirou sobre civis que protestavam nas ruas da cidade de Gwangju contra a ditadura de Chun Doohwan. Os números oficiais falam em 165 mortos. Muitos outros foram presos, outros ainda torturados.
“Li uma entrevista a uma pessoa que fora torturada. A pessoa descrevia as sequelas da tortura como ‘iguais’ às que sofriam as vítimas de envenenamento radioactivo. As partículas radioactivas permanecem durante décadas nos músculos e nos ossos, provocando uma mutação dos cromossomas. As células tornam-se cancerosas, a vida ataca-se a si própria”, escreve Han Kang no epílogo de Atos Humanos (agora editado em Portugal pela D. Quixote), o romance que escreveu depois de A Vegetariana, original de 2007, publicado em Portugal faz agora um ano.
É um capítulo onde a escritora se inclui a si mesma no livro para declarar que se pode ser profundamente político quando se constrói uma ficção com base no sofrimento interior, singular. “Em Janeiro de 2009, quando um raide ilegal da polícia antimotim sobre ativistas e moradores que protestavam contra o seu despejo forçado do centro de Seul causou seis mortos, lembro-me de estar colada à televisão a ver as torres a arderem a meio da noite, e ficar surpreendida quando da minha boca saltaram as palavras: ‘Mas aquilo é Gwangju.’ Dito de outro modo, ‘Gwangju’ tinha-se tornado outro nome para o que era isolado à força, espancado e brutalizado, para tudo o que era irremediavelmente mutilado. [...] Gwangju renasceu apenas para voltar a ser esmagada, num ciclo sem fim. Foi arrasada e reerguida sobre o sangue dos que caíram.”
Passaram três anos desde que o livro foi publicado na Coreia do Sul. Han Kang viajou entretanto pelo ocidente a promover A Vegetariana, o romance que a tirou do anonimato internacional e falava da determinação de uma mulher em se fechar ao mundo, tornando-se um vegetal. Uma narrativa de dor, violência e sensualidade. Em Atos Humanos, a escritora de 46 anos volta a trabalhar a dor e a violência, partindo do colectivo para depois mergulhar na essência individual enquanto uma espécie de coro permanente parece entoar as tais perguntas fundamentais, os pilares onde se sustenta o segundo romance de Han Kang traduzido para português: “Serão os seres humanos fundamentalmente cruéis? Será a experiência da crueldade a única coisa que partilhamos enquanto espécie? Não passará a dignidade a que nos agarramos de uma ilusão para disfarçarmos, perante nós mesmos, esta simples verdade: que cada um de nós pode ser reduzido a um inseto, um animal voraz, um pedaço de carne? Que ser aviltado, magoado, esquartejado... é o destino essencial da humanidade, um destino cuja inevitabilidade a História confirmou?”

Atos Humanos

Autoria:Han Kang
(Trad. Maria do Carmo Figueira)
Dom Quixote
Quando, aos nove anos, Han Kang deixou Gwangju com a família rumo à capital, Seul, não podia saber que o trauma não se apaga, ou como diz um dos narradores do seu romance: “É impossível regressar ao mundo de antes da tortura”. Num dia, muito mais tarde, ao ver televisão, esse passado, a tal memória indirecta, mostrou que estava impresso e fê-la partir para a escrita do romance.
No início, dois rapazes andam de mãos dadas pela rua e um deles é alvejado e morre. O outro foge. “Porque é que ele morre e eu continuo vivo?”, interroga-se o sobrevivente, o que ficou para cuidar dos cadáveres na cerimónia fúnebre colectiva. Dong-ho, o amigo de 15 anos, está entre eles. E se Gwangju é a metáfora do sofrimento, Dong-hu é o motor de toda a incompreensão, o elo numa teia composta de actos circunstanciais, calculados, inconscientes, brutais, salvíficos, humanos.

A dignidade no atroz

O rapaz que fugiu vela e vigia os corpos e neles vê diferentes graus de horror; sente culpa por ter fugido. Acende velas por eles. No primeiro capítulo estão presentes todas as personagens, todos os narradores, e à medida que o tempo passa, cada narrador chama Dong-ho ao seu presente temporal. “Dong-ho foi baseado em gente de verdade, mas isto é uma ficção e nenhuma personagem encaixa a cem por cento numa pessoa de verdade. Misturei verdade e ficção”, conta Han Kang, agora no Porto, onde esteve a promover o livro, voz quase inaudível, inglês controlado como a sua escrita, cada frase calculada: “Tive de fazer pesquisa a partir de questões fundamentais sobre humanidade. E porque queria saber mais, pesquisava mais. E não apenas sobre Gwangju. Fiz pesquisa sobre a Bósnia, Auschwitz, os massacres do chamado Novo Mundo. E quanto mais investigava mais me sentia abalada e mais perdia a minha confiança na espécie humana. Mas tinha de escrever. Foi uma luta. Pensava nas pessoas que naqueles momentos se mantiveram nos seus lugares sabendo que provavelmente seriam mortas, e não me parece que elas se quisessem sacrificar. Apenas ficavam lá por qualquer coisa que se pode chamar consciência ou dignidade. E sempre que me sentia a tremer pensava nelas e no seu sofrimento e isso permitia-me continuar. Tive a ajuda delas. Acho que entrei no lado certo da humanidade através do processo de escrita.”
Foi assim também que encontrou o modo de contar, avançado lentamente. Que direito teria ela de contar a história dos outros? Dos que foram torturados ou perderam filhos, familiares, amigos? Das mulheres que tiveram um tratamento diferente no massacre? Estão lá múltiplas perspectivas. “Há muitos livros sobre este massacre na Coreia, mas não muitos sobre as mulheres sobreviventes. Elas não quiseram testemunhar por ser demasiado doloroso. Era demasiado para elas dar o seu testemunho uma e outra vez. Mas houve as que, muito corajosamente, quiseram testemunhar. Não falei com nenhuma, não quis pedir que testemunhassem outra vez. Elas sofreram, eles sofreram. Mas foi um sofrimento diferente.”
Tudo é breve e pungente. Ela escrevia e fazia um trajecto literário que imitava o pessoal. Ia recuperado um horizonte, ia-se salvando através da responsabilidade que sentia que era também a sua enquanto escritora, enquanto humana. Quando pergunta, por exemplo: O que é da alma sem o corpo num cenário de cadáveres velados por um rapaz? É uma pergunta sem qualquer carga religiosa. “Imagino o estado das almas. Para os coreanos não é um estado comum. E imagino as almas como sombras flutuantes, que sentem as outras sombras mas não podem comunicar entre si”, diz a escritora. E talvez sintam solidão, medo, desamparo. “Desde os meus 20 anos, sempre que imagino almas imagino isso. E porque não há inferno, não há céu, nem salvação, as almas são vulneráveis, e são como nós, mas toda a responsabilidade é para nós, os vivos. Temos de ser responsáveis, porque nada nos pode salvar depois da morte.”
“Estamos definitivamente contra a guerra. Não queremos guerra outra vez”

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O pessimismo de partida parece dissolver-se. Quando pergunta o que é ser humano, Han Kang não trata apenas da questão da violência. “Há um movimento em direção à dignidade”, sublinha a romancista que também é poeta e contista. “Mais à frente, há pessoas a chamar por Dong-ho, e na última parte, o escritor, que supostamente sou eu, acende as velas. Portanto, o livro move-se da violência humana para a dignidade humana.” Faz uma pausa. Volta ao tema da consciência. “Em cada sinal de atrocidade humana há uma chama, que muitas vezes é frágil, [mas] há pessoas que foram dignas. Em todos os grandes massacres foi assim. Há quem dê sangue e comida, quem tape o rosto de um morto. Não devemos esquecer estas pessoas dignas, talvez elas façam o equilíbrio. E quando sentimos o desespero perante a atrocidade, acho que devemos preservar a consciência e esta lembrança.”
Talvez seja essa chama que permite o lirismo onde se alicerçam as indagações de Han Kang, as que partem do atroz sem a pretensão de encontrar alguma coisa, mas que, tal como ela achou a linguagem, são capazes e dar ao romance uma identidade forte que interroga sobre a consciência do indivíduo, e a consciência histórica. Isto num momento em que se volta a falar de guerra na península da Coreia. “Estamos definitivamente contra a guerra. Não queremos guerra outra vez. Lembro-me de ver uma fotografia mesmo antes da guerra da Coreia [1950-1953]. Olhei muito para ela: era a prova de que se perdeu-se um legado tão importante, tradições tão bonitas. Tanta gente foi morta, quase todos os edifícios destruídos, foi preciso reconstruir tudo. E agora temos mesmo de enfrentar a possibilidade de outra guerra na Coreia.”
Os olhos de Han Kang viram-se para a janela. Ela pertence à geração que celebrou a chegada da democracia à Coreia do Sul, em 1993. E os escritores, como ela, tiveram liberdade de escrita. O que é isso? É o princípio da liberdade para quem quer que seja. “Pudemos investigar livremente. Antes os escritores sentiam-se comprometidos com a luta contra a ditadura. A partir de 93 pudemos fazer escolhas individuais. Pode-se estar comprometido colectivamente ou sermos mais pessoais. Essa é a grande diferença, a possibilidade de escolha.”
in Público- Ípsolon Cultura
Publicada por José Augusto Nozes Pires à(s) sexta-feira, setembro 08, 2017 Sem comentários:
Valdemar Cruz, jornalista do Expresso on-line

«O QUE ANDO A LER

A Coreia do Norte é um problema sério, já o sabemos. Não obstante o simplismo contido na tentação de resumir tudo a uma questão de mais ou menos loucura dos seus dirigentes. Como se fosse possível esquecer a dimensão política sempre contida nos comportamentos e relações entre os países. A Coreia do Sul, a outra metade de um país artificialmente dividido, tem passado entre os pingos da chuva. O Sul progrediu de um modo radicalmente diferente do Norte. Construiu uma sociedade já incapaz de se identificar com o vizinho/irmão, mas foi, ao longo de décadas terreno fértil para ditaduras brutais e inomináveis massacres convenientemente silenciados. Não por distração. É tão só a geopolítica a funcionar. Han Kang, notável escritora sul-coreana, autora de um assombroso livro já publicado em Portugal, “A Vegetariana”, surge agora com “Atos Humanos”.

É uma obra cuja ficção surge ancorada numa realidade tremenda: o massacre de Maio de 1980 perpetrado nas ruas de Gwangju, terra natal da autora, contra quantos reclamavam uma democratização do país e o fim da lei marcial. Foram dizimados, com recurso a lança-chamas, baionetas, ou bastões, estudantes, civis, crianças e todos quantos surgissem à frente das tropas do ditador de serviço, o general Chun Doo-hwan. Foram dias consecutivos de violência infame e nunca até hoje foi possível alcançar um consenso sobre o número de vítimas mortais. Han Kang não escreve um livro de história. Serve-se da literatura para construir uma série de capítulos que se vão interligar, cada um deles com uma nova personagem como protagonista. Se tudo começa com o jovem Dong-ho, que procura o seu amigo morto enquanto se ocupa da catalogação de cadáveres que se amontoam no ginásio municipal, há depois uma perturbante viagem através de outras histórias construídas a partir de um selecionado grupo de vítimas ou sobreviventes, situados em tempos diferentes.

Somos assim conduzidos até o prisioneiro que, em 1990, é convencido, em benefício de uma tese académica, a reviver os horrores sofridos durante dias de tortura. Uma operária, em 2002, recupera a memória da brutalização a que foi submetida e o modo como isso afetou toda a sua personalidade. São váriashistórias de perda, de sofrimento, de horror, com a autora a assumir um epílogo para dar o seu próprio testemunho. Tinha nove anos quando aconteceu o massacre. O acaso fizera com que a sua família tivesse saído da cidade uns meses antes. Ainda criança, como descreveu em entrevista ao Expresso Diário, descobre, escondido em casa, um livro de fotografias tiradas por jornalistas estrangeiros. “Como é que seres humanos podem fazer isto a outros seres humanos?”, foi a questão que lançou a si própria e talvez este livro seja, tantos anos depois, uma forma de tentar uma resposta para o inominável, para a brutalidade contida no absurdo quotidiano.»
in Expresso curto

Publicada por José Augusto Nozes Pires à(s) sexta-feira, setembro 08, 2017 Sem comentários:

quinta-feira, 7 de setembro de 2017



05:05 (há 7 horas)


 
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The Truth About North Korea

By Global Research News
Global Research, September 05, 2017

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http://www.globalresearch.ca/selected-articles-the-truth-about-north-korea/5607637

The mainstream media has vilified North Korea, without acknowledging that the US has threatened to attack the DPRK with nuclear weapons for more than half a century.
Who is a threat to global security, Kim Jong-un or Donald Trump?  
Read our selected articles below.
*     *     *
Russia and China Versus the West on North Korea
By Stephen Lendman, September 05, 2017
Russia and China urge diplomacy to resolve a deepening crisis. They want tensions defused.
They oppose counterproductive tougher sanctions, threats and saber rattling, encouraging enhanced development of North Korea’s nuclear and ballistic missile programs.
The Need for US-North Korea Peace Talks: Jimmy Carter. “They Want a Peace Treaty to Replace the [1953] Ceasefire”
            By Jimmy Carter, September 05, 2017
During all these visits, the North Koreans emphasized that they wanted peaceful relations with the United States and their neighbors, but were convinced that we planned a preemptive military strike against their country. They wanted a peace treaty (especially with America) to replace the ceasefire agreement that had existed since the end of the Korean War in 1953, and to end the economic sanctions that had been very damaging to them during that long interim period.
The Beggars for War: The US, North Korea and Bankruptcy
By Dr. Binoy Kampmark, September 05, 2017
The method of forcibly starving a country of its oil and other necessaries has a good precedent for encouraging, rather than discouraging war. The United States was very much in the position of provoking conflict when it came to dealing with Japan in 1941. The rhyme of history is a strong one.
The People of North Korea. Vilified Nation, What is the Truth
By Eva Bartlett, September 05, 2017
Pyongyang, and much of North Korea, was leveled in the 50s by US bombings, with reportedly just one or two low-level buildings standing. After destroying and murdering in DPRK, America slapped sanctions on the country. How the people have continued, and made huge advances, is worthy of respect.
Trump Springs the Neocon Trap Again: North Korea’s ‘Test’ Is No Act of War
By Patrick Henningsen, September 05, 2017
This wouldn’t be the first time North Korea exaggerated its WMD credentials. Last January they exaggerated claims of a successful ‘H-bomb’ test. Despite their dodgy record, the western media, and politicians who are fed by defense contracts – are lapping up Pyongyang’s latest pig’s breakfast.
What the Media Isn’t Telling You About North Korea’s Missile Tests. The DPRK has No Plans to Nuke the West
            By Mike Whitney, September 05, 2017
What the media failed to mention was that,  for the last three weeks, Japan, South Korea and the US have been engaged in large-scale joint-military drills on Hokkaido Island and in South Korea. These needlessly provocative war games are designed to simulate an invasion of North Korea and a “decapitation” operation to remove (Re: Kill)  the regime.
North Korea: “Annihilation”, “Massive Military Response” or Economic Warfare?
By Prof Michel Chossudovsky, September 04, 2017 
Annihilation was the objective of the Korean war (1950-53). and “Mad Dog” James Mattis was responsible for the annihilation of Fallujah (Iraq)  in 2004. 
“Mutually Assured Destruction” (MAD): Deterrence Believers Should Cheer the North Korean Bomb
By Craig Murray, September 05, 2017
How did we get here? In the 1950s the USA dropped 635,000 tonnes of bombs on North Korea including 35,000 tonnes of napalm. The US killed an estimated 20% of the North Korean population. For comparison, approximately 2% of the UK population was killed during World War II.
*     *     *
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Publicada por José Augusto Nozes Pires à(s) quinta-feira, setembro 07, 2017 Sem comentários:

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Esta explicação aplica-se a todo o século XX!

Crise Estados Unidos - Coreia do Norte
Entrevista com Robert Charvin*

Initiative Communiste (IC)    05.Sep.17   
«Maltratar um povo (…) é provocar que no seu seio surja aquilo que poderia designar-se com «efeito cidadela». Assediados por todos os lados e por todos os meios, ameaçados de agressão militar, colocados em dificuldades económicas, desacreditados na opinião internacional pelos poderes mediáticos, esses povos não podem senão ter uma reacção defensiva feita de um patriotismo virulento, de uma feroz mobilização, de um monolitismo sem falhas. Toda a crítica, numa situação de beligerância crónica, não pode senão ser traição!»
in ODiario.info 
Publicada por José Augusto Nozes Pires à(s) terça-feira, setembro 05, 2017 Sem comentários:



Para Domenico Losurdo, novo conflito mundial é possibilidade real

"A condução política de Washington corre riscos de provocar uma nova guerra mundial, que pode até atravessar o limiar nuclear", afirma à 'RBA' o filósofo italiano
por Redação RBA publicado 27/05/2017 12h59
reprodução
domenico_losurdo.jpg
Losurdo: esquerda deve perceber que a luta contra o imperialismo é parte integral da luta de classes para emancipação

São Paulo – Depois que o fenômeno republicano e midiático Donald Trump assumiu o poder nos Estados Unidos e radicalizou o discurso contra as minorias e oponentes do imperialismo, algumas vozes têm dito que o mundo pode estar a caminho de um novo conflito mundial.
Essa é uma tese que soa falsa, dependendo da credibilidade ou fundamentação de quem a afirma, mas nas palavras do filósofo italiano Domenico Losurdo ela é real: "A condução política de Washington corre riscos de provocar uma nova guerra mundial, que pode até atravessar o limiar nuclear", afirma ele, em entrevista à RBA, para quem os conflitos atuais, que colocam o Ocidente em oposição aos países fora de sua lógica, nada mais são do que expressões do pensamento tradicional colonialista.
A falta de conhecimento de história, um problema sério no Brasil, mas que atinge praticamente todo o mundo ocidental sob o furor consumista e imediatista, permite que a mídia tradicional, sempre a favor do poder instituído e dos ditames do capital, destile seu discurso conservador com menos resistência e menos sentimento de indignação que ocorreriam à luz da memória dos fatos. É o que se esforça por mostrar Losurdo.
"A luta contra o neoliberalismo precisa estar unida à luta contra o colonialismo, neocolonialismo e imperialismo", afirma o filósofo, que nesta entrevista concedida por e-mail também desmonta a linguagem que se mostra como nova roupagem para antigos conceitos. "Atualmente, as guerras coloniais e neocoloniais são frequentemente realizadas em nome dos valores e interesses ocidentais", sustenta o professor, demonstrando que, historicamente, o século 20 se rebelou contra a colonização, mas agora corremos o risco do retrocesso.
Nesta entrevista, o leitor tem a oportunidade de verificar pelos menos dois pontos: como o colonialismo continua vivo, portanto, com outras denominações, e também como a luta de classes se expressa no enfrentamento do neoliberalismo sobre os velhos conceitos de dominação.

Como o senhor descreve o colonialismo hoje? É um tipo de luta de classes, por que?
Desde 1989, o Ocidente, liderado pelos Estados Unidos, desencadeou guerras contra Panamá, Iraque, Iugoslávia, Líbia e Síria. Apesar das diferenças entre as guerras, esses países têm duas características em comum: eles são importantes do ponto de vista da geopolítica e têm por trás deles uma revolução feudal e outra anticolonial. Na verdade, frente a essas guerras, os atacantes preferem falar de "operações políticas internacionais". Mas essa linguagem vem da tradição colonial.
No começo do século 20, o presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, uma referência do colonialismo, imperialismo e racismo, gostava de justificar suas intervenções na América Latina precisamente desse modo, referindo-se às "operações políticas internacionais".
É verdade para os dias atuais que os Estados Unidos e seus aliados e vassalos têm celebrado suas guerras como "humanitárias". E de novo somos levados de volta para a linguagem da tradição colonial. Em seu tempo, (o colonizador britânico) Cecil Rhodes (1853-1902) resumiu a filosofia do Império Britânico deste modo: "filantropia, mais 5%". Atualmente, as guerras coloniais e neocoloniais são frequentemente realizadas em nome dos valores e interesses ocidentais. "Filantropia" tornou-se "valores do Ocidente" e o percentual de 5%, tornou-se "interesses do Ocidente".
As guerras desencadeadas pelo imperialismo desde 1989 (depois da vitória na Guerra Fria) causaram dezenas de milhares de mortes; são centenas de milhares de feridos; milhões de refugiados; destruíram países e condenaram ao subdesenvolvimento e ao desespero muita gente. É óbvio que a luta contra essas calúnias é uma luta de classes pela emancipação. Marx apontou: a barbaridade do capitalismo é manifestada primeiro nas colônias; por isso, a luta contra a dominação colonial e semicolonial é uma luta de classes por excelência.  

O senhor publicou no Brasil o livro "Esquerda Ausente". Qual o papel dos partidos de esquerda e dos movimentos sociais nos dias de hoje? Como eles podem se organizar?
Não pode ser considerado realmente de esquerda um partido ou força política que se limite a combater o neoliberalismo. Esta é a questão central. A luta contra o neoliberalismo precisa estar unida à luta contra o colonialismo, neocolonialismo e imperialismo. Especialmente em um momento como o presente. A condução política de Washington corre riscos de provocar uma nova guerra mundial, que pode até atravessar o limiar nuclear. Muitos observadores, incluindo os conservadores, destacam um ponto essencial: por algum tempo, o foco central da política externa norte-americana se ateve à habilidade de infligir uma 'primeira ação nuclear sem consequências' (para isso, sistemas antimísseis foram instalados nas fronteiras entre Rússia e China). Bom, a esquerda deve perceber que a luta contra o imperialismo, contra essa política de dominação e contra a guerra é uma parte integrante da luta de classes para emancipação.
Publicada por José Augusto Nozes Pires à(s) terça-feira, setembro 05, 2017 Sem comentários:
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Obras de Nozes Pires publicadas em

Entre Outras:
150 Anos Do Manifesto Do Partido Comunista, o Manifesto e o seu Tempo, Lisboa, 2000, Ed. Colibri.
Léger-Marie Deschamps, Un Philosophe entre Lumières et Oubli, 2001, Ed. L'Harmattan.
Renascimento e Utopias, Actas da Academia de Ciências, 1997
Revista «Vértice», vários números.
Revista «espaço público», 1.
José Félix Henriques Nogueira, Revista editada pela Escola Sec. de Henriques Nogueira, 2008.
Jornal «A Batalha», vários números.
Semanários: Badaladas, FrenteOeste.


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No 2º Congresso Republicano de Aveiro, 1969, em nome dos estudantes universitários do Porto
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