quinta-feira, 12 de outubro de 2017

OPINIÃO

Tenho-me mantido do lado da Republica da Coreia do Norte, pelo seu passado mártir e heróico, pela razão que nos assiste, cidadãos livres e povos oprimidos, contra o imperialismo norte-americano e seus acólitos. No entanto, agora, julgo ser em demasia a retórica agressiva e provocatória do regime hostilizado. Nem a China, nem a Rússia, seus vizinhos (e hostilizados pelo imperialismo igualmente) já calam a sua discordância.
Porque o perigo é enorme. Os EUA e o Japão, aproveitam para militarizar o Mar da China. E já não sabemos mais o que poderá emergir da cabeça do ditador norte-coreano que venha ao encontro dos interesses do complexo industrial-militar dos EUA.

O nazismo também chegou aos EUA. Imagens descobertas são uma "granada"

As imagens não foram editadas para que as pessoas pudessem ver o que aconteceu, tal como se estivessem a assistir à reunião.

O nazismo também chegou aos EUA. Imagens descobertas são uma "granada"
Notícias ao Minuto
09:36 - 11/10/17 por Patrícia Martins Carvalho
Mundo Documentário
Estávamos em 1939 e a Segunda Guerra Mundial estava prestes a começar. Adolf Hitler, com a sua obsessão pela superioridade ariana, já se havia tornado há muito uma ameaça perigosa e todos os principais líderes mundiais sabiam disso.
Todavia, e apesar de o saberem, preferiram fechar os olhos a algumas invasões levadas a cabo pela Alemanha nazi, esperando que uma atrás da outra fossem suficientes para conter a ambição hitleriana.
Mas estava todos redondamente enganados e, durante seis anos, a Europa foi palco de um dos maiores conflitos da sua História.
No entanto, em 1939 esta realidade estava longe de ser imaginada e, ao contrário do que se pudesse esperar, até nos Estados Unidos da América Adolf Hitler reunia milhares de seguidores e admiradores.
As imagens que hoje lhe mostramos foram descobertas pelo realizador de documentários Marshall Curry quando este consultava arquivos históricos. Vistas as imagens, o profissional que já esteve nomeado para um Óscar, uniu-se à Field of Vision para criar um documentário - 'A Night at the Garden' (Uma Noite no Jardim, em português) que, mais do que espelhar a realidade de um facto ocorrido em 1939, tem como objetivo servir de “conto de cautela” num século XXI em que os nacionalismos começam a exacerbar-se novamente.
“A primeira coisa que me impressionou foi o facto de um evento como aquele se poder ter realizado no coração de Nova Iorque”, disse Marshall Curry ao portal The Atlantic, acrescentando que ver as imagens foi como se estivesse a ver um episódio de ‘Twilight Zone’”.
Quanto à filmagem, que mostra 20 mil nazis norte-americanos reunidos a fazer a saudação nazi e a aplaudir os ideais arianos, Marshall Curry descreve-a como “poderosa”, explicando que não editou as imagens porque quer ser “mais provocativo do que didático”.
“Uma pequena granada histórica atirada para a discussão que estamos a ter atualmente sobre a supremacia branca”, concluiu.
in Notícias ao Minuto

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

É preciso repensar de forma diferente a estratégia orçamental

Eugénio Rosa    09.Oct.17  
Foi recentemente divulgado um estudo com a designação “Policy Paper 10- Estratégias orçamentais 2017-2021: as opções de política” de Ricardo Cabral, Luís Morais, Paulo Trigo e Joana Vicente, em que é defendida aquilo que os seus autores designam por uma variante de estratégia de consolidação orçamental alternativa à do governo. A “solução” proposta diferencia-se da do governo apenas por ser menos restritiva em algumas décimas (ou melhor centésimas). Mas esse estudo é importante não pelas ideias que defende mas por poder constituir um ponto de partida e um estímulo para que se debata de uma forma aprofundada e alargada, ou seja, de uma forma como nunca foi feita, a estratégia orçamental que está a ser seguida e para onde nos está a conduzir.
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Para perceber porque luta o povo da Catalunha (13),  (14) e (15) António Jorge
Para perceber porque luta o povo da Catalunha (13)
Foto de António Jorge.Para perceber porque luta o povo da Catalunha (13)     Guerra Civil na Catalunha
Catalunha na Guerra Civil Espanhola, Portugal na Guerra Civil Espanhola, País Basco... na Guerra Civil Espanhola, e Andorra durante a Guerra Civil Espanhola.
Vários factores explicam o início da chamada Guerra Civil em Espanha.
Em primeiro lugar está a impossibilidade de estabelecer uma República.
Ao longo do século XIX a Espanha desatou-se em três guerras que não conseguiram liberalizar e modernizar o país.
A Revolução Industrial entrou tarde e no início de século XX os progressos na economia não se tinham refletido nas condições sociais de vida do povo.
A crise de 1929 nos Estados Unidos, contribuiu para enfraquecer ainda mais a economia da Europa, que apenas tinha acabado de passar por uma longa guerra de quatro anos. Contudo o fascismo começou a subir e Hitler não demorou a entrar no governo alemão.
Em Espanha o nacionalismo espanhol radicalizou-se virando para o lado fascista.
Não se aceitava de nenhuma das maneiras que a Catalunha e o País Basco pudessem se governar a eles próprios.
As tentativas de criar uma República federada que soubesse incorporar as nações catalã, basca e castelhana fracassavam num contexto político altamente tenso.
Isso veio revoltar a direita contra o governo republicano que tinha iniciado uma tímidas reforma agrária e progressistas, tais como o sufrágio eleitoral feminino.
Mas as reformas não eram aceites pelas classes que dominavam desde a monarquia, tais como os latifundiários, Igreja Católica e elite agrária.
O golpe de Estado falhado de Sanjurjo que pretendia acabar com as reivindicações catalãs deu pê a um novo golpe de Estado no dia 18 de julho de 1936.
Comandado pelo general Francisco Franco, futuro ditador fascista, a Espanha, País Basco e Catalunha entram em guerra.
Uma guerra de caráter internacional, pois será o mecanismo de ensaio da Segunda Guerra Mundial por parte da Alemanha nazi.
Efetivamente o ditador italiano, Benito Mussolini, e o alemão, Adolf Hitler, assim como outros países fascistas, resolvem ajudar o golpe militar fascista em Espanha.
Durante 3 anos a guerra condena a morte milhões de pessoas e obriga a mais de meio milhão de pessoas a pedir refúgio no estrangeiro.
O destino principal foi a França e Andorra. As nações catalã e basca colocam-se do lado republicano, enquanto que em Castela de forma geral o fascismo ocupa quase todo o território.
Ainda que houvesse fascistas na Catalunha e que a própria população catalã se defrontasse com ela, o panorama político deixou evidente as grandes diferenças que existem entre as nações castelhana, basca e catalã.
Os partidos comunistas catalães resolveram unir-se sob o Partit Socialista Unificat de Catalunya (do catalão, Partido Socialista Unificado da Catalunha), enquanto que os outros partidos políticos uniram-se no Comitè de Milícies Antifeixistes (do catalão Comité de Milícias Antifascistas).
A comunidade internacional decidiu não intervir e não ajudou a República Espanhola.
Optou-se por uma posição de neutralidade, tal como foi o caso durante a invasão das repúblicas atuais Checa e Eslováquia pelos nazis.
Esta falta de ação intencional que devia supostamente evitar uma segunda guerra mundial, provocou precisamente o contrário.
Hitler, por exemplo, provou a sua capacidade militar na aldeia de Guernica, no País Basco, que foi bombardeada pela aviação nazi de Hitler e de Mussoline durante 3 horas.
Pablo Picasso denunciou naquela altura a situação de guerra e de desprezo sofrido com sua pintura de mesmo nome que da aldeia, Guernica.
Apesar da neutralidade internacional, houve voluntários de países a participar na guerra. As Brigadas Internacionais trouxeram soldados britânicos e americanos. George Orwell, escritor e célebre pela sua obra 1984, veio participar e defender a República e os valores republicanos.
O rio Ebro representou o ponto decisivo da guerra.
A Catalunha foi o último território a resistir a ofensiva fascista e na Batalha do Ebro não resistiu por mais tempo.
O governo catalão foi obrigado a refugiar em França.
Então o fascismo entra vitorioso em Espanha e proclama uma ditadura cruel chefiada por Francisco Franco.     A ditadura franquista foi uma das mais repressivas da Europa, ao mesmo nível que o nazismo de Hitler e de Mussolini em Itália.             continua...
Para perceber porque luta o povo da Catalunha (14)
Foto de António Jorge.Para perceber porque luta o povo da Catalunha (14)   Ditadura franquista
Pós-guerra e Segunda Guerra Mundial    Terror Branco (Espanha) e Cronologia da repressão contra a língua catalã
O ditador Franco mandou construir um mausoléu que ainda está em pé e é exaltado cada ano por fascistas espanhóis no chamado dia da hispanidade; celebração marcada pelo ditador como Dia da Raça.
O após-guerra foi fatídico para os catalães.
A Europa entrou na guerra e Hitler conseguiu ganhar posições em grande parte da Europa, até mesmo invadir o norte da França.
Esta situação teve consequências catastróficas para o continente europeu que se encontrou em pouco tempo quase todo sob regime fascista.
Logo após à guerra, Franco arranja maneira de ocupar o seu cargo de forma vitalícia.
Os catalães refugiados escolhem a França, Andorra, América ou México e a URSS para aqueles que simpatizam com o comunismo.
Mas a entrada dos nazis em França fez com que os campos de acolhimento franceses se tornassem em campos de trabalho e concentração.
Franco também construiu campos de concentração e foram milhões os catalães a morrerem em campos nazis ou franquistas.
O regime de Francisco Franco impôs a censura e a exterminação da oposição.
Foi particularmente duro para com os catalães e bascos, porque pretendeu exterminar qualquer sinal identitário catalão e basco.
As empresas catalãs foram boicotadas e sabotadas. Entraram em recessão. A economia entrou numa fase de paralisia.
Fome, corrupção, proibições energéticas, paragem industrial e crescimento do mercado negro.
Aqueles catalães que conseguiram fugir do regime tentaram combatê-lo a partir da França, nomeadamente através de guerrilhas chamadas "maquis".
Outros resolveram combater o fascismo alemão ajudando a resistência francesa. Lluís Companys, presidente do governo catalão, foi detido pela polícia alemã quando o nazismo conseguiu invadir a França.
Entregue ao fascismo espanhol, será julgado no castelo de Montjuïc e condenado à morte, onde terá pronunciado "visca Catalunya" (em catalão, viva a Catalunha).
O governo catalão no exílio na França tentou fazer valer os direitos da Catalunha sem grande sorte. Josep Irla foi escolhido presidente no exílio.
Outro dos grandes objetivos do franquismo foi eliminar o catalão e toda amostra de catalanidade.
Para isso a propaganda foi posta ao serviço do fascismo. Houve censura de toda publicação em língua catalã.
Falar catalão era motivo de pena de morte. Nas ruas os cartazes obrigavam as pessoas a "falar a língua do império" (o castelhano).
A escola foi usada para castelhanizar os bascos e catalães.
As ruas, nomes próprios e outras denominações foram castelhanizadas à força.
O língua catalã foi proibida nas universidades e escolas, perseguida no âmbito intelectual.       Grandes intelectuais catalãs foram assassinados.       continua...
Para perceber porque luta o povo da Catalunha (15)
Foto de António Jorge.
Foto de António Jorge.Para perceber porque luta o povo da Catalunha (15)    Guerra Fria
A Guerra Fria, acabaria por provocar a melhoria as condições económicas, mas não políticas, durante os anos 1960. Devido ao confronto leste e oeste, vários países em ditadura foram apoiados por um lado ou outro, podendo entrar em guerra.No caso do franquismo, este abriu-se ao capitalismo após os EUA instalarem em 1953 bases militares em Espanha. Aproveitando a situação de guerra, o ditador espanhol auto-proclamou-se sentinela de Ocidente numa tácita de afastamento premeditado contra o comunismo e que pagou, embora houvessem redes de resistência comunistas em Espanha.
A liberalização do comércio, a entrada de capital estrangeiro, o restabelecimento do mercado de divisas,... transformou a Catalunha. A economia catalã diversifica-se e vê aparecer o turismo de massas.  O urbanismo especulativo fez crescer casas e edifícios como cogumelos.  Apareceram os primeiros automóveis, as primeiras televisões, o cinema (censurado), novos interiores,... Tudo sob um regime autoritário e militarizado que condenava à morte todo aquele que não pensa como ele. Mesmo assim, estas transformações também mudaram a mentalidade dos catalães e isso deu ares a todos aqueles que resistiam contra a ditadura.
Resistência anti-franquista
Os anos 60 do século passado, e sobretudo os de 1970, são considerados como o ponto de retrocesso da ditadura.
Em 1959 a resistência anti-franquista decide finalmente sair a rua e não se esconder mais.
A partir deste momento a oposição ao regime é cada dia mais visível e isso faz incrementar a repressão policial na sociedade espanhola.
Os Fets del Palau de la Música marcam, neste sentido, o início do fim do medo. O dia 19 de maio de 1960 é celebrada uma homenagem ao poeta catalão Joan Margall no Palau de la Música.
O regime proíbe os assistentes de cantarem El cant de la Senyera, poema de Joan Margall. Mas o público desobedece e a subsequente repressão não passa desapercebida. Entre os detidos está o futuro presidente da Catalunha, Jordi Pujol.
Apenas uns anos depois o caso do padre Escarré enterra o regime causando grande desconcerto dentro do fascismo espanhol.
A Igreja Católica tinha dado apoio ao regime franquista, mas no dia 14 de novembro de 1963 o padre Escarré publica um artigo no jornal francês Le Monde onde critica abertamente o regime e defende os direitos da nação catalã.
O padre é condenado ao exílio mas marca outro precedente porque coloca um membro da Igreja Católica contra o regime que tinha usado o nacional-catolicismo como ideologia de estado e de governação.
Os jovens começam a perder medo e pouco a pouco saem também a rua.
O regime resolve tentar parar a situação com torturas sistemáticas.
Mas as publicações clandestinas têm cada vez mais apoio.
Foi neste contexto que se criou a Gran Enciclopèdia Catalana. Os membros dos partidos políticos em clandestinidade aumentam a produção da música em catalão, que começa a representar uma forma de resistência ao regime.
Em 1961, por exemplo, a criação do grupo de música catalão Setze Jutges marca o início da Nova Cançó (do catalão, Nova Canção). A Nova Cançó foi o nome que se deu o renascimento do catalão no âmbito musical.
Proibido durante anos, o catalão foi revitalizado através da música rock. Deste período destaca-se o grupo SAU e a sua canção “Boig per tu”.
A ETA, o grupo armado independentista de mesmo estilo que o IRA, e a FRAP (Front Revolucionari Antifeixista) são perseguidos pelo franquismo que não os consegue calar.
A resistência já não tem só lado pacífico, mas passou também a exercer-se pelas armas.
Em 1975 morre o ditador e a Espanha caminha progressivamente durante os últimos anos da década dos 1970 para uma democracia.
A monarquia é restaurada e os militares espanhóis alojados no Sáhara são obrigados a sair com pressa depois do fim da ditadura em portuguesa, aliada de Franco, devido à vitória da revolução portuguesa do 25 de abril de 1974.
Os últimos residuos do fascismo europeu, o regime franquista e salazarista, têm os dias contados.
Numa última tentativa de impor medo, Salvador Puig Antich, um jovem catalão e antifascista, é condenado em 1974 a pena de morte com o método de garrote vil.
A Transição Democrática ou simplesmente Transição é o nome que refere o período que se estende da morte do ditador Francisco Franco até à restauração da monarquia sob regime parlamentar.
Durante este período o regime fascista tenta resistir como pode.
Em 1973, por exemplo, Luís Carrero Blanco, chefe militar e segundo cabecilha do franquismo, é escolhido pelo regime como Presidente de Governo com a finalidade de suceder ao ditador.
Mas Franco, que se intitulava como tutor da monarquia espanhola, desejava que o seu sucessor fosse o rei Juan Carlos de Bourbon, cuja família vivia no exílio em Portugal.
O ditador tinha-o educado durante a sua infância para que este continuasse o seu trabalho uma vez chegasse à idade adulta.
O ditador encontrava-se mal de saúde e no dia 20 de novembro de 1975, morre acamado.
Dois dias depois Juan Carlos é proclamado pelo regime como seu sucessor, pois a tentativa de colocar Luís Carrero Blanco no poder faliu depois que a ETA o assassinasse num atentado.
A 21 de maio de 1976 é restabelecido provisoriamente o Estatuto de Autonomia da Catalunha de 1932 e restabelecido também, provisoriamente o governo da Generalidade da Catalunha.
O rei delega em Adolfo Suarez a presidência do governo espanhol em 3 de julho de 1976.
Em 15 de dezembro de 1976, com a aprovação da Lei de Reforma Política, a Constituição espanhola começa a ser elaborada e no mês seguinte começam a ser entregues expedientes de legalização de diversos partidos políticos.
Ao mesmo tempo que em Andorra, se inicia uma primeira revolta paralela que permite a sua autodeterminação em 1994.             continua...
(Enviado por João Fróis)

Canto a Fidel – Che Guevara

14/06/1928 – 09/10/1967
 
Canto a Fidel
Vámonos,
ardiente profeta de la aurora,
por recónditos senderos inalámbricos
a liberar el verde caimán* que tanto amas.
Vámonos,
derrotando afrentas con la frente
plena de martianas estrellas insurrectas,
juremos lograr el triunfo o encontrar la muerte.
Cuando suene el primer disparo y se despierte
en virginal asombro la manigua entera,
allí, a tu lado, seremos combatientes,
nos tendrás.
Cuando tu voz derrame hacia los cuatro vientos
reforma agraria, justicia, pan, libertad,
allí, a tu lado, con idénticos acentos,
nos tendrás.
Y cuando llegue el final de la jornada
la sanitaria operación contra el tirano,
allí, a tu lado, aguardando la postrer batalla,
nos tendrás.
El día que la fiera se lama el flanco herido
donde el dardo nacionalizador le dé,
allí, a tu lado, con el corazón altivo,
nos tendrás.
No pienses que puedan menguar nuestra entereza
las doradas pulgas armadas de regalos,
pedimos un fusil, sus balas y una peña.
Nada más.
Y si en nuestro camino se interpone el hierro,
pedimos un sudario de cubanas lágrimas
para que se cubran los guerrilleros huesos
en el tránsito a la historia americana.
Nada más.
 

Che Guevara

*Cuba
Este artigo encontra-se em: voar fora da asa http://bit.ly/2hWJ1Bm

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A morte da história

John Pilger    05.Oct.17    
A reescrita da história da guerra do Vietnam por parte do imperialismo não visa apenas ocultar a esmagadora derrota militar sofrida ou os monstruosos crimes de guerra cometidos. Visa também justificar o prosseguimento das agressões militares por todo o mundo, numa escalada que volta a colocar a humanidade à beira de uma catástrofe de dimensão planetária.
Um dos mais incensados “eventos” da televisão americana, The Vietnam War, teve agora início na rede PBS. Os realizadores são Ken Burns e Lynn Novick. Aclamados pelos seus documentários sobre a Guerra Civil, a Grande Depressão e a história do jazz, Burns diz dos seus filmes sobre o Vietname: “Eles inspirarão o nosso país a começar a falar e a pensar sobre a guerra do Vietname de um modo inteiramente novo”.
Numa sociedade muitas vezes destituída de memória histórica e sob o domínio da propaganda do “excepcionalismo”, a guerra do Vietname “inteiramente nova” de Burns é apresentada como um “épico e histórico trabalho.” A luxuosa campanha publicitária promove o seu maior apoiante, o Bank of America, que em 1971 foi incendiado por estudantes em Santa Barbara, Califórnia, como símbolo da odiada guerra no Vietname.
Burns diz que está grato a “toda a família do Bank of America” que “tem desde há muito apoiado os veteranos do nosso país”. O Bank of America foi apoio empresarial a uma invasão que matou talvez até quatro milhões de vietnamitas e devastou e envenenou uma terra outrora generosa. Mais de 58 mil soldados americanos foram mortos e estima-se que aproximadamente o mesmo número se tenha suicidado.
Assisti ao primeiro episódio em Nova Iorque. Desde o princípio que não deixa dúvidas acerca das suas intenções. O narrador diz que “a guerra foi iniciada com boa-fé por pessoas decentes em resultado de incompreensões decisivas, da super-confiança americana e de incompreensões da Guerra Fria.”
A desonestidade desta declaração não surpreende. A fabricação cínica de “falsas bandeiras” que levaram à invasão do Vietname é uma questão factual – o “incidente” do Golfo de Tonquim em 1964, que Burns promove a verdadeiro, foi apenas um deles. As mentiras grassam numa multidão de documentos oficiais, nomeadamente nos Pentagon Papers, que o grande denunciante Daniel Ellsberg divulgou em 1971.
Não havia boa-fé. A fé era apodrecida e cancerosa. Para mim – como deverá também ser para muitos americanos – é penoso assistir à forma como o filme amontoa uma balbúrdia de mapas do “perigo vermelho”, entrevistados não justificados, arquivos cortados de modo inepto e sequências lacrimejantes de campos de batalha filmados por americanos.
No press release da série na Grã-Bretanha – a BBC irá apresentá-la – não há qualquer menção a mortos vietnamitas, só a americanos. “Estamos todos em busca de algum significado para esta tragédia terrível”, diz uma citação de Novick. Muito pós-moderno.
Tudo isto será familiar àqueles que observaram como os media americanos e o monstro gerador da “cultura popular” reviram e apresentaram o grande crime da segunda metade do século vinte: desde The Green Berets (Os boinas verdes) e The Deer Hunter (O caçador) até Rambo e, ao assim fazer, legitimaram subsequentes guerras de agressão. O revisionismo nunca para e o sangue nunca seca. O invasor merece piedade e é expurgado de culpa, enquanto “buscam algum significado nesta tragédia terrível”. Soa a Bob Dylan: “Oh, onde tens estado, meu filho de olhos azuis?”
Reflecti acerca de “decência” e “boa-fé” quando recordei as minhas primeiras experiências de jovem repórter no Vietname: o observar hipnótico da pele que cai, como pergaminho velho, a crianças camponesas atingidas por napalm, e as chuvas de bombas que deixam árvores petrificadas e engrinaldadas com carne humana. O general William Westmoreland, comandante americano, referia-se ao povo como “formigas térmitas”.
No princípio dos anos 1970 fui à província de Quang Ngai onde na aldeia de My Lai entre 347 e 500 homens, mulheres e crianças foram assassinados por tropas americanas (Burns prefere dizer “mortos”). Naquela época, isto foi apresentado como uma aberração: uma “tragédia americana” (Newsweek). Só nesta província, foi estimado que 50 mil pessoas haviam sido massacradas durante a era das “zonas de fogo livre” americanas. Homicídio em massa. Isto não era notícia.
A norte, na província de Quang Tri, foram despejadas mais bombas do que em toda a Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Desde 1975, munições não explodidas provocaram mais de 40 mil mortes, principalmente no “Vietname do Sul”, o país que a América afirmava “salvar” e, com a França, concebida como uma singular falcatrua imperial.
O “significado” da guerra do Vietname não é diferente do significado da campanha genocida maciça contra os nativos americanos, os massacres coloniais nas Filipinas, os bombardeamentos atómicos do Japão, o arrasar de todas as cidades na Coreia do Norte. O objectivo foi descrito pelo coronel Edward Lansdale, o famoso homem da CIA sobre quem Graham Greene baseou o seu personagem central em O americano tranquilo.
Citando A guerra das pulgas de Robert Taber, Landsdale disse: “Só há um meio de derrotar um povo insurgente que não se rende, e é o extermínio. Só há uma forma de controlar um território que acolhe a resistência, e é transformá-lo num deserto”.
Nada mudou. Quando Donald Trump discursou nas Nações Unidas a 19 de Setembro – um organismo estabelecido para poupar à humanidade o “flagelo da guerra” – declarou que estava “pronto, desejoso e capaz” de “destruir totalmente” a Coreia do Norte e seus 25 milhões de habitantes. A sua audiência engasgou-se, mas a linguagem de Trump não era inabitual.
A sua rival à presidência, Hillary Clinton, tinha-se gabado de estar preparada para “obliterar totalmente” o Irão, uma nação de mais de 80 milhões de pessoas. Isto é o American Way, só os eufemismos estão agora ausentes.
Voltando aos EUA, impressiona-me o silêncio e a ausência de uma oposição – nas ruas, no jornalismo e nas artes, como se a discordância outrora tolerada na “cultura predominante” (”mainstream”) tivesse regredido a uma dissidência: uma clandestinidade metafórica.
Há muito barulho e aversão dirigida ao odioso Trump, o “fascista”, mas quase nenhum ao Trump enquanto sintoma e caricatura de um persistente sistema de conquista e extremismo.
Onde estão os fantasmas das grandes manifestações antiguerra que ocuparam a ruas de Washington na década de 1970? Onde está o equivalente do Freeze Movement que encheu as ruas de Manhattan na década de 1980, exigindo que o presidente Reagan retirasse armas nucleares operacionais da Europa?
A poderosa energia e persistência moral destes grandes movimentos teve sucesso em grande medida; em 1987, Reagan tinha já negociado com Mikhail Gorbachev um Tratado de Forças Nucleares de Médio Alcance que efectivamente pôs fim à Guerra Fria.
Hoje, de acordo com documentos secretos da NATO obtidos pelo jornal alemão
Suddeutsche Zeitung, este tratado vital está provavelmente em vias de ser abandonado pois o “planeamento de alvos nucleares aumentou”. O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Sigmar Gabriel, advertiu contra a “repetição dos piores erros da Guerra Fria… Todos os bons tratados sobre desarmamento e controlo de armas de Gorbachev e Reagan estão em perigo iminente. A Europa está de novo ameaçada de se tornar num campo de treino militar para armas nucleares. Devemos levantar a nossa voz contra isto.”
Mas não na América. Os milhares que se mobilizaram em torno da “revolução” do senador Bernie Sanders na campanha presidencial do ano passado estão colectivamente mudos quanto a estes perigos. Que a maior parte da violência da América por todo o mundo tenha sido perpetrada não por republicanos, ou por mutantes como Trump, mas por democratas liberais permanece um tabu.
Barack Obama proporcionou a apoteose, com sete guerras simultâneas, um recorde presidencial, incluindo a destruição da Líbia enquanto estado moderno. O derrubamento por Obama do governo eleito da Ucrânia teve o efeito desejado: a concentração de forças da NATO liderada pelos americanos junto à fronteira ocidental da Rússia através da qual os nazis a invadiram em 1941.
O “pivot para a Ásia” de Obama em 2011 assinalou a transferência da maioria das forças navais e aéreas da América para a Ásia e o Pacífico sem qualquer outro propósito senão o de confrontar e provocar a China. A campanha mundial de assassínios por parte do Prémio Nobel da Paz é comprovadamente a mais ampla campanha de terrorismo desde o 11 de Setembro.
Aquilo que é conhecido nos EUA como “a esquerda” aliou-se efectivamente com os nichos mais negros do poder institucional, nomeadamente o Pentágono e a CIA, para inviabilizar um acordo de paz entre Trump e Vladimir Putin e reinstaurar a Rússia como inimigo, com base numa evidência inexistente da sua alegada interferência na eleição presidencial de 2016.
O verdadeiro escândalo é a insidiosa ascensão ao poder de sinistros interesses promotores da guerra em favor dos quais nenhum americano votou. A rápida ascensão do Pentágono e das agências de vigilância sob Obama representou uma mudança histórica do poder em Washington. Daniel Ellsberg classificou-a correctamente como um golpe. Os três generais que tutelam Trump são testemunho disso.
Nada disto consegue penetrar naqueles “cérebros liberais preservados no formol das políticas de identidade”, como Luciana Bohne observou de modo inesquecível. Mercantilizada e testada no mercado, a “diversidade” é a nova marca liberal, não a classe que comanda as pessoas independentemente do género e da cor da pele: não a responsabilidade de todos em travar uma guerra bárbara para acabar com todas as guerras.
“Como diabo se chegou a isto?”, diz Michael Moore no seu show na Broadway, Terms of My Surrender (Termos da minha rendição), um teatro de variedades para os insatisfeitos tendo como pano de fundo Trump como Big Brother.
Admirei o filme de Moore, Roger & Me, sobre a devastação económica e social da sua cidade natal de Flint, Michigan, e Sicko, a sua investigação sobre a corrupção nos cuidados de saúde na América.
Na noite em que assisti ao seu espectáculo, a audiência beatamente feliz saudava a sua reafirmação da confiança em que “nós somos a maioria!” e clamava pelo “impeachment de Trump, um mentiroso e um fascista!” A sua mensagem parecia ser que se você tivesse tapado o nariz e votado por Hillary Clinton, a vida teria voltado a ser previsível.
Ele pode estar certo. Ao invés de simplesmente insultar o mundo, como Trump faz, a Grande Destruidora (Great Obliterator) podia ter atacado o Irão e lançado mísseis sobre Putin, que comparou a Hitler: uma blasfémia singular, uma vez que 27 milhões de russos foram mortos na invasão de Hitler.
“Reparem”, disse Moore, “pondo de lado o que os nossos governos fazem, o mundo realmente ama os americanos!”
Houve um silêncio.
O original encontra-se em johnpilger.com/articles/the-killing-of-history
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ . Tradução revista por odiario.info

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA