sábado, 30 de dezembro de 2017

Mészáros: Igualdade substantiva e democracia substantiva

No aniversário de István Mészáros, disponibilizamos o último artigo escrito por ele para a revista semestral da Boitempo, a Margem Esquerda.

Por István Mészáros.

Hoje, István Mészáros completaria seus 87 anos. Ele nos deixou no dia 1º de outubro deste ano, mas lega uma obra teórica e uma trajetória de vida da mais alta importância para as próximas gerações de lutadores sociais. Em homenagem a seu aniversário, o Blog da Boitempo disponibiliza aqui o último artigo que ele escreveu para a revista semestral da Boitempo, a Margem Esquerda, cujo conselho editorial ele também compunha. Publicado no segundo semestre de 2015, na edição de número 25 da revista, o artigo discute o problema fundamental das determinações substantivas, fundamental para pensar conceitos como “igualdade” e “democracia” para além do capital. A tradução é de Nélio Schneider.
Boa leitura.
* * *
O problema das determinações substantivas se refere a uma mudança fundamental de uma futura sociedade, que, para se tornar historicamente sustentável, precisa ter a igualdade substantiva como princípio norteador vital do seu metabolismo social. Da mesma forma, nem é preciso dizer que alguns outros conceitos reguladores (como o da democracia substantiva) não podem ser dissociados desse requisito, no sentido de que todos eles precisam ser concebidos e implementados no espírito da igualdade substantiva.
Para mim, é da maior importância política, tanto na teoria quanto na prática, contrastar nossa concepção do metabolismo social radicalmente diferente do futuro – sem o qual a humanidade não sobreviverá – com as formas existentes. É por isso que uso a expressão “substantivamente democrático” (e, é claro, “democracia substantiva”, cujas características definidoras fundamentais a tornam indissociável da “igualdade substantiva”) em contraste inclusive com a concepção de democracia, que já foi genuinamente liberal e que, sob nenhuma condição, poderia ser substantiva, mesmo que tenha conseguido ser mais ou menos substancial em um sentido político limitado. Nesse sentido limitado, a política pode ser mais ou menos “substancialmente democrática” sob um regime liberal, mas jamais poderá ser substantivamente democrática. No caso do contraste feito aqui por mim, não pode haver política “mais ou menos substantivamente democrática” ou “mais ou menos substantivamente igual”. Ou ela é substantivamente democrática e substantivamente igual ou não é. Em outras palavras, no último caso ela de modo algum é substantiva. Em contraposição, sob certas condições históricas é perfeitamente legítimo falar de relações políticas/sociais “mais ou menos substancialmente democráticas” ou “mais ou menos substancialmente iguais”.
É nesse sentido que usei a expressão “substantiva” em Para além do capital e que continuo a usá-la no livro que estou escrevendo sobre o Estado. De fato, já discuti esses problemas nos mesmos termos em meu livro sobre A teoria da alienação em Marx, que comecei a escrever no ano de 1959 em Londres. Isso porque a profunda preocupação que tenho com a substância crucial desse assunto na verdade remonta bem explicitamente ao outono de 1951, a uma conversa que tive com Lukács, na época em que o governo húngaro aumentou o preço dos itens vitais alimentação e vestuário em 300% e os salários em somente 18 a 21%.
Na ocasião discutimos essa medida na Associação Húngara de Escritores com Márton Horváth (que atacou Lukács com veemência no “debate Lukács” dos anos 1949-1951), membro do Politburo do Partido responsável pelos assuntos culturais/ideológicos. Alguns dos meus amigos escritores e colegas recitaram a resposta que Horváth queria ouvir, dizendo que o povo aprovou entusiasticamente a referida mudança. Eu me mantive em silêncio total, mas ele se voltou para mim e perguntou: “E você, camarada Mészáros, o que você ouviu?” Minha resposta foi esta: “Eu não sei que parte do país meus amigos visitaram, mas onde eu vivo, que é um distrito da classe trabalhadora, as pessoas estão praguejando e maldizendo o Partido e o governo”.
Como lhe era típico, ele respondeu: “Camarada Mészáros, espera-se que você os lidere, não que siga atrás deles!” Isso mostrou que ele sabia muito bem o que o povo em geral estava pensando; o que ele queria saber era como os escritores propagandeariam a decisão do Partido. Dada a grande diferença entre a receita dos trabalhadores e a dos principais escritores, os aumentos de preço dos alimentos e do vestuário não afetaram significativamente os escritores, mas atingiram duramente os trabalhadores. O aumento de 18 a 21% no salário dos escritores proporcionou-lhes uma compensação razoável, ao passo que os trabalhadores sofreram uma redução importante em sua necessidade principalmente de suprimentos essenciais de alimentação e vestuário como resultado de seus salários inadequados.
No dia seguinte, contei a Lukács essa experiência desconcertante na Associação de Escritores e ele riu comigo em um tom irônico e até sarcástico, sinalizando que desaprovava o comportamento de Horváth. E então ele explicou para mim que uma solução mais equitativa seria impossível, pois requereria somas elevadas com que a economia não conseguiria arcar. Na ocasião, a única coisa que consegui dizer foi: “Eu entendo, mas deve haver outra maneira”. Naquela altura da vida, eu não fazia a menor ideia do que poderia e deveria ser essa “outra maneira” e de como se poderia colocar em prática uma alternativa real às enormes desigualdades existentes. Eu só sabia que “deve haver outra maneira”. Naturalmente eu também sabia que as massas do povo estavam praguejando e maldizendo e que delas faziam parte meus camaradas de classe e companheiros de infância.
Precisei de algumas décadas de trabalho duro, em um período de fortes agitações e reviravoltas históricas, para entender as complexas ramificações históricas e sociais da diferença vital entre o que é chamado de “mais igualdade” (que significa nenhuma igualdade real) e o requisito historicamente irreprimível de igualdade substantiva.
As sociedades democráticas liberais frequentemente afirmam sua pretensão de legitimidade política insuperável proclamando sua intenção de instituir reformas políticas que promovam a “democracia representativa” e “mais igualdade” (junto com “taxação progressiva” etc.) e prometendo proteger a sociedade da “interferência excessiva do Estado”. Na realidade, poucas dessas pretensões e intenções resistem a um exame sério. Mas as sociedades do tipo soviéticas pós-revolucionárias tampouco lograram viver à altura dos princípios que haviam proclamado e acabaram retrocedendo ao mais desigual dos moldes capitalistas (ver Gorbachev etc.). Ao derrubar temporariamente o Estado capitalista, elas foram capazes de introduzir por certo tempo algumas reformas sociais limitadas, mas não a mudança estrutural necessária que surgiu no horizonte histórico na forma do desafio objetivo para a realização da igualdade substantiva.
Na verdade, a questão da igualdade substantiva está ligada a um certo número de assuntos vitais, que posso apenas mencionar sumariamente aqui. Ela diz respeito ao capital como tal (isto é, ao sistema do capital em sua totalidade) e não apenas ao capitalismo.
Igualmente, ela diz respeito ao Estado do sistema do capital como tal (isto é, ao Estado do capital em toda a sua variedade conhecida e factível), e não apenas ao Estado capitalista. Em outras palavras, trata-se da redefinição e reprodução permanente e historicamente viável do metabolismo social em sua totalidade, e não apenas da derrubada do domínio político estabelecido.
As ilusões associadas à noção de “democracia direta” etc. precisam ser avaliadas nessa linha, dentro do quadro de referência do modo radicalmente redefinido de reprodução societária. A razão disso é que as projeções irrealizáveis da “democracia direta” permanecem irrealizáveis precisamente por estarem presas na armadilha das limitações estruturais do domínio político vigente, enquanto o desafio histórico inevitável é a transformação radical de todos os níveis do metabolismo social de uma maneira não hierárquica. A política pode iniciar mudanças sociometabólicas importantes e de fato fundamentais, mas não pode constituir uma mudança por si só. Ela pode afetar de maneira significativa as condições da reprodução material, mas ela própria é dependente – inclusive quanto ao modo de articular suas demandas por uma mudança importante – da natureza de dado ou visado quadro de referência reprodutivo de ordem material (bem como, é claro, do seu correspondente cultural e ideológico).
Mudanças políticas estratégicas são sempre formuladas nos termos de tal quadro estrutural de ordem material – não importando que ele não esteja explicitado ou até tenha sido cinicamente camuflado –, o que ocorreu sob as condições da história passada, marcada pelos dados objetivos da determinação e da espoliação classistas. E quando se visa, em nosso tempo, a uma tomada de decisão globalmente política de cunho socialista para o futuro, esta precisa deixar claro seus próprios termos práticos de referência em conformidade com o quadro de referência reprodutivo de ordem material visado para a nova sociedade. O “diretamente político” significa muito pouco nesse tocante, se é que significa algo, ao passo que o materialmente substantivo faz toda a diferença (“sob o teto de nossas casas”, como já dizia Babeuf).
Em função de sua viabilidade histórica, esse tipo de redefinição de política e sociedade requer que o capital seja erradicado totalmente do metabolismo social. Sem isso não pode haver igualdade substantiva (ou democracia substantiva). Naturalmente esse requisito acarreta também a erradicação total (ou o “fenecimento”) do Estado como o conhecemos. O metabolismo reprodutivo do capital não pode ser erradicado sem isso, pois, em seu âmago, o Estado é necessariamente hierárquico. Ele foi historicamente constituído como o expropriador e usurpador da tomada de decisão global do processo de reprodução societária. Além disso, o quadro de referência reprodutivo de cunho material da ordem metabólica social do capital não teria nem condições de funcionar sem os processos de tomada de decisão hierárquica estruturalmente arraigados do Estado do capital correspondente.
Uma consideração adicional precisa igualmente receber a devida ênfase nesse ponto: a capacidade de restauração do capital. Pois, por sua natureza, o capital só pode ser inexoravelmente onipotente, já que não é capaz de reconhecer qualquer limite. Daí o absurdo completo da fantasia de Gorbachev (e de qualquer outra similar), postulando uma “sociedade de mercado controlada”. (Como bem sabemos, essa fantasia pode ter muitas variedades ilusórias, especialmente em condições de severas crises econômicas.)
Tendo em vista todas essas considerações, a única solução historicamente sustentável para o futuro é a reconstituição radical do metabolismo social no espírito do princípio orientador da igualdade substantiva. Isso só poderá ser visualizado bem além da irrealizável terra do nunca e do lugar nenhum “substancialmente mais equitativo” da esperança piedosa. De modo algum causa surpresa que, no curso do desenvolvimento histórico conhecido, apregoado nos termos dos postulados ilusórios da concepção democrático-liberal da “redistribuição mais equitativa da riqueza” (em nome do “Estado de bem-estar” ou do que quer que seja), as promessas feitas não deram em absolutamente nada. As relações sociais resultantes não só não são “substancialmente mais equitativas”, como não são nem sequer um pouquinho mais equitativas. Pelo contrário, temos testemunhado a obscena concentração cada vez maior da riqueza. Tanto que até mesmo alguns economistas políticos neoclássicos decentes, como Thomas Piketty, expuseram-na em seus escritos, mesmo que não tenham apresentado qualquer solução.
Reorganizar a sociedade, transferindo o poder da tomada de decisão aos produtores livremente associados, é o único modo factível de introduzir o planejamento significativo. Isso é condição absoluta, totalmente incompatível com a natureza inerente do capital, devido à sua centrifugalidade estruturalmente insuperável. Essa dimensão do metabolismo social fundamental de nossa ordem estabelecida – isto é, sua incompatibilidade com o planejamento global, mas não com o “planejamento” parcial/gerador de antagonismos das grandes corporações – é agravada pelo requisito sistêmico do metabolismo reprodutivo de ordem material do capital, que tende inexoravelmente para a globalização materialmente invasiva, sem que haja qualquer processo correspondente e factível de tomada de decisão global no plano político legitimador do Estado. Pois seria nada menos que um absurdo completo se (ou quando) os apologistas da ordem metabólica social estabelecida do capital visarem a um sistema global do seu gosto sem um processo de planejamento globalmente viável e historicamente sustentável.
É claro que um processo de planejamento racional não antagônico em um plano global e amplo é inconcebível sem a correspondente modalidade apropriada de intercâmbio entre as células constitutivas – que podem ser chamadas de “microcosmos” – da abrangente ordem social. Nesse sentido, o planejamento globalmente viável só é factível sobre a base de um processo de reprodução societário horizontalmente coordenado (isto é, verdadeiramente não hierárquico). Essa é uma questão paradigmática de reciprocidade social, no centro da qual encontramos o requisito histórico da igualdade substantiva. Sem planejamento, o inevitável intercâmbio global em nossa reprodução societária presente e futura não pode ser considerado historicamente sustentável. Ao mesmo tempo, o planejamento em escala global é inconcebível sem a remoção das desigualdades hierárquico-estruturais tão evidentes no mundo atual.
Quanto a esse aspecto, uma vez mais, defender o “substancial” (em termos de alguma mudança postulada, mas irrealizável) não significa absolutamente nada, porque seu quadro de referência orientador e a correspondente medida que delimita os melhoramentos dos seus projetos permanecem a ordem hierárquica existente, estruturalmente arraigada. O assim chamado “mais equitativo” pode até ser, em um sentido parcial, “relativamente mais substancial” do que sua variedade anterior, mas ele inevitavelmente falha – como fica amplamente comprovado no desenvolvimento histórico real – no sentido vital de que não representa nenhum desafio real à ordem social existente no que se refere a seus parâmetros estruturais autossustentáveis e autojustificadores, muito bem ilustrados pela apregoada pretensão liberal do “mais equitativo”. (Ver as projeções originais – feitas por liberais como lorde Beveridge e outros – a respeito do “Estado de bem-estar” e sua realização histórica patética e liquidação definitiva até mesmo nos poucos países capitalistas privilegiados.) Para sair dessa ordem social estruturalmente desigual necessitamos de uma igualdade substantiva qualitativamente diferente como princípio orientador e também da medida apropriada de sua realização.
Esse também é o único modo pelo qual a questão da transição para uma transformação socialista da ordem metabólica social pode adquirir um significado apropriado: provendo os critérios e a medida pelos quais poderão ser confirmadas as realizações particulares rumo a uma sociedade substantivamente equitativa em sua totalidade.
Por razões historicamente compreensíveis, os movimentos políticos particulares que tentam afirmar suas políticas certamente têm de prometer resultados tangíveis aos seus potenciais seguidores. Esse é um problema muito difícil porque se tende a impor as demandas colocadas pelas expectativas de curto prazo dos movimentos políticos, em vez de se operar com a perspectiva historicamente sustentável de longo prazo. Na verdade, porém, a transformação estrategicamente viável não é factível sem a plena observância dos requisitos objetivos e subjetivos de longo prazo. Infelizmente, contudo, a distinção entre “estratégia e tática” frequentemente é usada para justificar a negligência em relação ao longo prazo, quando se diz que “isso e aquilo” foram pensados “apenas taticamente”, embora se encontrassem em contradição direta ao longo prazo estrategicamente viável.
O fato é que a adoção de tais táticas pode provocar um descarrilamento sério da necessária estratégia de longo prazo. Além disso, não haverá estratégia viável sem um quadro de referência orientador apropriado às determinações globais das tendências e potencialidades de longo prazo historicamente determináveis. É por isso que nossa preocupação com o contraste entre substantivo e substancial é de importância vital. Quando se visualiza uma transformação socialista historicamente sustentável não se pode abandonar o princípio orientador radical e a medida da igualdade substantiva, os quais podem permitir a constante avaliação do período de transição para uma ordem metabólica social fundamentalmente diferente.
Tudo isso é perfeitamente compatível com as opiniões de Marx. Porém, em nosso período histórico, o quadro de referência conceitual deve ser articulado no sentido anteriormente exposto, refletindo as condições agravadas e cada vez piores da irreversível fase descendente de desenvolvimento do capital, com sua tendência para a destruição global da humanidade, que só poderá ser evitada através da constituição de uma ordem sociometabólica substantivamente equitativa. Nossa crítica ao Estado deve ser concebida a partir dessa perspectiva.
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István Mészáros é autor de extensa obra, ganhador de prêmios como o Attila József, em 1951, o Deutscher Memorial Prize, em 1970, e o Premio Libertador al Pensamiento Crítico, em 2008, István Mészáros se afirma como um dos mais importantes pensadores da atualidade. Nasceu no ano de 1930, em Budapeste, Hungria, onde se graduou em filosofia e tornou-se discípulo de György Lukács no Instituto de Estética. Deixou o Leste Europeu após o levante de outubro de 1956 e exilou-se na Itália. Ministrou aulas em diversas universidades, na Europa e na América Latina e recebeu o título de Professor Emérito de Filosofia pela Universidade de Sussex em 1991. Entre seus livros, destacam-se Para além do capital rumo a uma teoria da transição (2002), O desafio e o fardo do tempo histórico (2007) e A crise estrutural do capital (2009), A obra de Sartre, e O conceito de dialética em Lukács todos publicados pela Boitempo.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

GUY DEBORD

«Publicada em 1967, A Sociedade do Espectáculo é a obra filosófica e política mais famosa de Guy Debord e uma análise impiedosa da invasão de todos os aspectos do quotidiano pelo capitalismo moderno. O espectáculo, segundo o autor, «uma droga para escravos» que empobrece a verdadeira qualidade da vida, é apontado como uma imagem invertida da sociedade desejável, na qual as relações entre as mercadorias suplantaram os laços que unem as pessoas, conferindo-se a primazia à identificação passiva, em detrimento da genuína actividade. O autor afirma que «quanto mais [o espectador] aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos compreende a sua própria existência e o seu próprio desejo».
A Sociedade do Espectáculo oculta uma das grandes contestações revolucionárias. «Num mundo realmente às avessas, o verdadeiro é um momento do falso.» E o espectáculo a suprema falsificação da vida.»

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

À atenção de alguns ministros da educação portugueses que, de reformeca em reformeca, deram cabo do sistema.eca


Educação, um dos maiores sucessos de Cuba




Havana – O direito ao ensino a todos os níveis é um dos baluartes de Cuba, e o seu desenvolvimento gradual constitui uma das principais linhas do sistema socialista desta nação caribenha.
Apesar das limitações impostas durante décadas pelos Estados Unidos mediante um bloqueio económico, financeiro e comercial, a ilha cumpre grande parte das metas instituídas pelo capítulo número dois dos Objetivos do Desenvolvimento do Milénio, referente à educação.
Segundo relatórios da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), Cuba é o país da América Latina com maior índice no desenvolvimento da educação e o único a cumprir os objetivos globais da Educação para Todos.
Cuba dispende com a educação 13 por cento do Produto Interno Bruto. Este ano, os fundos planeados para a Educação aumentaram em oito mil 275 milhões 400 mil pesos cubanos (mais de 331 milhões de dólares), equivalentes aos 23 por cento da despesa orçamental.
No aspecto económico, os investimentos estão destinados à formação de professores e ao funcionamento de escolas primárias, ensino médio, universitário e a círculos infantis (centros de atenção à primeira infância).
Em Cuba, a educação consta na Constituição como um direito inalienável para todos os cidadãos e simboliza uma prioridade para o Estado.
O ensino académico, os programas de prevenção contra a delinquência e padrões de condutas questionáveis, uma educação sexual responsável, a formação de valores e a igualdade de género ocupam um lugar central no programa de ensino.
Actualmente a educação especial estende-se a todo o sistema nacional em escolas regulares e nos diversos níveis educacionais, onde se trabalha para potenciar o desenvolvimento integral de pessoas com necessidades específicas.
Escolas de arte, de educação física e desportiva, consideradas também como direito do povo, possibilitam a confluência de estudantes de diferentes idades com talentos e aptidões para as manifestações artísticas e modalidades desportivas.
Vários centros estimulam a formação de profissionais e instrutores nestas esferas e contribuem para incrementar o futuro das artes e o desporto em Cuba.
Durante o Congresso Internacional Pedagogia 2017, diretores de organismos internacionais, membros da Unesco e destacadas personalidades, entre elas o prémio Nobel da Paz Kailash Satyarthi, reconheceram os enormes avanços de Cuba na esfera educacional.
Tudo isto se deve à aplicação de um abrangente sistema, o ensino gratuito e os elevados índices de qualidade.

Fonte – Prensa Latina
Ler artigo em: Associação de Amizade – Portugal/Cuba: Home http://bit.ly/2B7TiCu
de alguns

Sistema eleitoral seguro: vitória do PSUV mostra força da democracia

12 de dezembro de 2017
Ler artigo em: Associação de Amizade – Portugal/Cuba: Home http://bit.ly/2nRIenL

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

OPINIÃO

As medidas tomadas pelo novo presidente eleito da República de Angola são muito importantes a todos os títulos. O combate à corrupção, aos donos disto tudo, aos crápulas que saqueiam as riquezas que pertencem a todo um povo, aos filhos e enteados e afilhados deste ou daquele presidente eleito mas ditador para todos os efeitos, quer se diga anti-imperialista ou não, socialista ou não, é sempre bem vindo. Ainda que, a seguir, se abra possivelmente o mercado a novos ou diferentes grandes tubarões transnacionais do petróleo, a estes e a outros do imperialismo. A ver vamos, sem amanhãs que cantam.
 
Eric Toussaint

Eric Toussaint. “Parte da dívida portuguesa é claramente odiosa ou, pelo menos, ilegítima”

Eric Toussaint Ricardo Cabral Fernandes 16/11/2017 10:00
Para Toussaint, “Tsipras apoiava-nos oficialmente”, mas aceitou “não usar o nosso trabalho publicamente, para não questionar publicamente a legitimidade da dívida” soberana grega
Eric Toussaint, economista especialista em dívidas soberanas, não tem dúvidas quando afirma que “parte da dívida portuguesa é claramente odiosa ou, pelo menos, ilegítima”. Para o belga, “devia ser constituída uma auditoria à dívida para identificar a parte que é ilegítima e odiosa”, medida encetada no passado por executivos, como o do Equador. Toussaint considera ainda que “o governo português deveria suspender o pagamento da dívida e impor aos credores uma redução radical da dívida”, “sabendo que não é fácil defender esta posição em Portugal”.
Mário Centeno, ministro das Finanças, pronunciou-se, há uns meses, sobre a possibilidade de se reestruturar a dívida portuguesa: “É interessante, mas apenas no plano intelectual”. “Não se pode lutar contra o mercado”, enfatizou o ministro. A estratégia de Centeno passa por não combater - nem enfurecer - o mercado, procedendo-se ao pagamento da dívida, inclusive antecipadamente. Em 2017 espera diminuir a dívida para os 126% do PIB e, em 2019, para 120%. A bem sucedida emissão de dívida a 10 anos desta segunda-feira por 1,9% de juros parece corroborar a estratégia do ministro, não estivessem as taxas das dívidas soberanas europeias a ser corrigidas no mercado secundário, rondando, hoje, os 1,955%, com o prolongamento do quantitative easing do BCE de Mario Draghi, prolongado até setembro de 2018.
Opinião distinta tem Toussaint: “Se se reduzir a dívida pagando-a, reembolsando-a, acho que não é uma boa decisão”, disse ao i à margem do Plano B, organizado pelo Bloco de Esquerda. Ainda que a dívida seja reduzida em cerca de 10% até 2019, continuará a ser o dobro do previsto pelas regras europeias, que estipulam que as dívidas públicas dos Estados-membros da zona euro não podem ser superiores a 60%.
“Sei que imensa gente pensa que não existe qualquer questão de legitimidade ou ilegitimidade da dívida”, mas isso é “uma posição errada”, confessa. “Como é que o país acumulou tanta dívida? Para que propósito? Em que condições? Quem lucra com a dívida?”, são algumas das questões que o belga considera merecerem respostas para se apurar a legitimidade da dívida, algo que não é abordado nem exigido politicamente por este governo. “É muito importante para os cidadãos de cada país compreenderem o porquê da dívida ter aumentado tanto” nos últimos anos, “relacionando-a com o tipo de integração que a economia portuguesa tem na zona euro”.
O economista adianta com a importância dos “resgates dos bancos privados” e a “venda de vários destes bancos ao Santander e à LoneStar”. Toussaint não responsabiliza apenas o “governo de Passos Coelho”, mas também “este governo” socialista de António Costa,  que “manteve a venda dos bancos privados sem confrontar os responsáveis pela falência”. Mudam-se os governos, mas permanecem as vontades, poder-se-ia acrescentar.
A dívida sufoca o povo grego 
Para além de ter um vasto currículo a estudar as intervenções do Fundo Monetário Internacional nas economias em desenvolvimento, Toussaint fez também parte da Comissão de Auditoria à Dívida Soberana Grega do parlamento helénico, liderado por Zoe Konstantopoulou. Neste, explica o economista, retiraram-se inúmeras conclusões, umas constituem novidade e outras nem tanto. “É muito claro que a maior parte da dívida grega pertence à troika”, disse, sendo que “85% da dívida pertence a 14 Estados-membros da zona euro” por meio do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira, para além do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu. A Comissão também demonstrou que “a dívida foi acumulada para salvar os bancos privados, principalmente franceses, alemães, belgas, holandeses e italianos”, que foram “apoiados pelo diretor do BCE, [na altura] Jean-Claude Trichet” e por [José Manuel] “Barroso, na altura presidente da Comissão Europeia, e por Dominic Strauss-Khan, então diretor do FMI”. A Comissão provou que a “dívida não foi contraída no interesse do povo grego nem dos povos europeus”, concluindo que as “condições impostas à Grécia violaram vários tratados internacionais que protegiam os direitos económicos, políticos, culturais e sociais dos cidadãos gregos”.
Como explicou o economista, “de acordo com a lei internacional, existem dois critérios para se definir que uma dívida soberana é odiosa: se tiver sido acumulada contra os interesses do povo e se os credores o sabiam”. Segundo Toussaint, “os credores sabiam-no [que a dívida foi contraída contra os interesses do povo grego] perfeitamente, pois foram eles próprios a ditarem as condições” de reformas estruturais neoliberais e medidas de austeridade, o que faz com que a dívida seja “odiosa, mas também ilegal em vários aspectos”. Um deles é precisamente o facto do parlamento grego não ter sido “consultado sobre os Memorandos, mas forçado a votá-los sem a possibilidade de propor emendas”. “O povo grego não foi responsável pelo aumento da dívida”, concluiu o especialista.
“A dívida e o seu pagamento são insustentáveis”, garantiu Toussaint. “Hoje, encontra-se nos 180% do PIB”. Por sua vez, e no seu último relatório, o FMI previu que a dívida grega aumente em 2017 para os 180,2% e, em 2018, para os 184,5%. Outros economistas, como Kostas Lapavitsas, também têm reafirmado a insustentabilidade da dívida, defendendo a sua reestruturação ou até o seu não pagamento, ao mesmo tempo que a relacionam com a própria estrutura da zona euro, que produz desequilibrios entre as distintas economias europeias.
O belga denuncia ainda o que considera ser uma “campanha mediática, incluindo com declarações de líderes europeus, como Jeroen Dissjelbloem, líder do Eurogrupo até janeiro, ou [Christine] Lagarde, presidente do FMI, que afirma que os gregos não pagam os seus impostos, que são preguiçosos ou até mesmo que o Estado Social grego é demasiado generoso”. Apesar desta campanha “muito bem escrita contra os gregos”, o economista reafirmou a necessidade de se “explicar aos povos português, italiano, alemão, francês e espanhol qual é a real situação” no país. Na Grécia, cerca de 20,9% da população ativa encontra-se desempregada, 42,8% da população ativa jovem não consegue arranjar trabalho e quase 1,5 milhões de gregos vivem em pobreza extrema, segundo dados da Autoridade Estatística Helénica.
A própria Comissão também se deparou com a forte oposição das instituições e líderes europeus, bem como com a falta de apoio do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras. “Quando começámos o nosso trabalho, Tsipras apoiava-nos oficialmente, mas na realidade estava sob a pressão dos credores”, denuncia Toussaint, que acusa o primeiro-ministro de se ter “submetido” à “chantagem para não usar o nosso trabalho publicamente, para não questionar publicamente a legitimidade da dívida”. Hoje, Tsipras não fala sobre a reestruturação da dívida, quanto mais sobre o seu não pagamento.
Depois da capitulação do governo Syriza, em agosto de 2015, e da realização de eleições legislativas antecipadas a 20 de janeiro, o novo presidente do parlamento grego, Nikos Voutsis, ordenou o encerramento da Comissão. “Foi encerrada e disseram-nos para irmos buscar os arquivos às instalações do parlamento”. Para Toussaint, o mais grave não foi o cancelamento do grupo de trabalho, mas “o facto de terem apagado do website do parlamento todas as informações sobre a Comissão”. Foi como se tivessem relevado a Comissão de Auditoria à Dívida Grega para os anais da História, para o “caixote do lixo da História”. Ainda assim, cada novo anúncio de aumento da dívida soberana grega parece dar razão a Toussaint e à Comissão em que participou, mesmo que ter razão sirva de pouco quando os argumentos de nada valem.

in Jornal I, 16/11/2017

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA