sexta-feira, 16 de março de 2018

José Carlos Faria

REVOLUCIONAR A ARTE. Quando, às 4.30 da madrugada de 10 de Fevereiro de 1898, veio ao mundo na cidade alemã de Augsburgo Eugen Bertold Friedrich Brecht, filho de um próspero industrial, Marx (falecido em 1883) tinha nascido há 80 anos, o Manifesto Comunista, com o espectro que percorria a Europa, fora editado há meio século e, na Rússia czarista, Konstantin Stanislavsky e Nemirovitch-Dantchenko fundavam o Teatro de Arte de Moscovo.


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O jovem, criado no seio da burguesia, viria mais tarde a mudar o seu nome para Bertolt Brecht, assinando, por vezes, Bert Brecht ou mesmo b. b. (em minúsculas).

Num poema, relata:

Eu cresci como filho
De gente abastada. (…)
Quando era já crescido e olhei à minha roda,
Não me agradou a gente da minha classe;
Nem o mandar nem ser servido.
E eu abandonei a minha classe e juntei-me
À gente pequena.
Assim criaram eles um traidor, educaram-no
Nas suas artes, e ele
Atraiçoa-os ao inimigo. (…)
Desmonto a balança da sua justiça
E mostro os pesos falsos.
Os espiões deles informam-nos
De que estou com os espoliados
A preparar a revolta.
Admoestaram-me e tiraram-me
O que ganhei com o meu trabalho. Como não me emendei
Deram-me caça. (…)
Perseguiram-me com um mandato de captura
Que me acusava de opiniões baixas, isto é:
Das opiniões dos de baixo.
Aonde chego, fico marcado
Pra todos os possidentes, mas os que nada têm
Lêem o mandato e
Dão-me abrigo. «A ti» – ouço eu dizer –
«Expulsaram-te eles, e
Com razão».

«O pobre B. B., vindo das negras florestas para o asfalto das cidades», poeta, dramaturgo, encenador, ensaísta e teórico, viria a revolucionar a arte teatral, propondo e definindo o modelo de uma nova concepção estética, materialista e dialéctica, de empenhamento político visando a transformação da realidade social, operada pela superação da alienação e pelo incremento da consciência crítica dos espectadores.

Dizia:
O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não houve, não fala, nem participa nos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha,
da renda de casa, do sapato e do remédio dependem das decisões
políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e incha o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta,
o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista, reles, o corrupto e lacaio das empresas
nacionais e multinacionais.

Em 1917, Brecht é incorporado no exército, como enfermeiro num hospital da rectaguarda e rapidamente desmobilizado devido à sua frágil saúde, aliada a uma evidente desmotivação. Escreve depois «Tambores na Noite», que virá a ganhar o Prémio Kleist em 1920. A experiência vivida no período de contacto com a realidade da I Guerra Mundial e da derrotada Revolução Espartaquista que se seguiu, viria a ter influência na sua adesão ao marxismo, ao qual atribuiu enorme importância:

«Tenho de confessar que foi só depois de ler “O Estado e a Revolução”, de Lenine, e, em seguida, “O Capital”, de Marx, que compreendi a minha posição no plano filosófico». «Lendo “O Capital”, compreendi as minhas peças. Bem entendido, não descobri que tinha escrito involuntariamente um monte de peças marxistas. Mas este Marx era o único espectador que eu conseguia conceber para as minhas peças. Só um homem com tais preocupações podia interessar-se por peças como as minhas. Não por serem inteligentes, mas porque ele o era. Elas ofereciam-lhe materiais de observação».

Vai então escrever as chamadas peças didácticas sobre as contradições da engrenagem capitalista, as quais irão ser montadas quer em regime profissional quer em grupos de amadores estudantis ou ligados aos sindicatos. 1928 é o ano da estreia de «A ópera dos 3 Vinténs», que põe em causa todo um sistema social, toda uma ordem, a da sociedade burguesa (O que é o assalto a um banco, comparado com a fundação de um banco?), e que, com a música de Kurt Weill, irá obter um retumbante sucesso mundial.
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A verdade está na vida real

O crash da Bolsa de Nova Iorque e as suas repercussões, em 1929 (ano do casamento com a actriz comunista Helen Weigel), suscitar-lhe-á um processo de análise e desmontagem: Sou um autor de peças. Mostro aquilo que vi. Nos mercados dos homens vi como o homem era negociado. Isso é o que eu mostro, eu, o autor de peças. A barbárie não provém da barbárie, mas dos negócios – surge quando os homens de negócios deixam de poder negociar sem ela.

Brecht iria então elaborar a teoria do Teatro Épico, concretizada no «Pequeno Organon para o Teatro» e na «Compra do Latão», através de alguns pontos fundamentais: a forma épica faz do espectador um observador mas desperta-lhe a consciência crítica e exige-lhe decisões; visão do mundo; o espectador é colocado diante de alguma coisa e os sentimentos são elevados a uma tomada de consciência; o ser social determina o pensamento.

Insistindo que o texto não deve ser sentimental ou moralizante, mas sim mostrar a moral e a sentimentalidade, cabe pois ao público reflectir e agir fora do teatro. A verdade não está no palco mas na vida real. Compreender a realidade e, se possível, transformá-la. Tal tarefa não pertence ao teatro – que ele se contente, pelos seus meios, em nos fazer ver essa necessidade; já não será pouco. Um teatro que mostre a realidade mas que, de igual modo, esteja apto a transformar o espectáculo num prazer.

A ferramenta para o trabalho do actor vai ser o Verfremdungseffeckt, também por muitos designado Efeito V, que preconiza a distanciação, o estranhamento, a não identificação – aos actores cabe então uma dupla função: representar as suas personagens e, em simultâneo, serem os juízes críticos dessas mesmas personagens através do gestus social, ou seja, a expressão e gestos que acontecem entre pessoas de uma determinada época. A historicização, próxima das formulações sobre o condicionamento histórico da Arte em Marx, assume um carácter decisivo, em que os acontecimentos, mesmo os quotidianos, devem ser apresentados como transitórios. Todavia Brecht não deixou de alertar para os perigos desse Efeito V ser tomado como um fim em si mesmo, isto é, o espectador fascinado pelo processo da crítica sem ser tocado pelo significado da crítica.

Quando Hitler sobe ao poder, a 30 de Janeiro de 1933, tem início um período extremamente conturbado. O parlamento é dissolvido de imediato e a 27 de Fevereiro, incendiado. No dia seguinte, Brecht abandona a Alemanha, com a sua mulher e os dois filhos, Stefan e Barbara, escapando assim à vaga de enorme repressão, com prisões e assassinatos, que se vai abater sobre antifascistas, em especial sindicalistas, intelectuais, estudantes e membros de partidos de esquerda. Tempos sombrios em que falar sobre uma árvore é quase um crime, porque equivale a calar tantas perfídias, como deixará patente num lamento magoado. O exílio, para Brecht, a quem os nazis retiram a cidadania alemã, vai fazer-se, trocando de país como de sapatos, através das guerras de classes, numa rota que passa pela Checoslováquia, Suíça, Dinamarca, Suécia, Finlândia, União Soviética, para se concluir nos EUA. Fixa-se na Califórnia, tentando trabalho como argumentista em Hollywood, escreve peças de resistência à ofensiva nazi-fascista («As espingardas da Senhora Carrar», a propósito da Guerra Civil de Espanha e «Terror e Miséria do III Reich»), poemas introduzidos e distribuídos clandestinamente em território alemão e ainda outros textos teatrais que virão posteriormente a ser estreados após o final da II Guerra Mundial.

A 30 de Outubro de 1947 é intimado a comparecer perante a Comissão de Actividades Anti-Americanas, criada com o objectivo de conduzir uma caça às bruxas contra as «actividades subversivas». Brecht considera este interrogatório como «uma execução fria, como lá se chama guerra fria a uma certa forma de paz. O delinquente não é privado de vida, mas de qualquer meio de vida; o seu nome não aparece nas listas cronológicas mas figura nas listas negras». Despistando os seus juízes, recorrendo à astúcia e à ironia, uma vez mais, logo no dia seguinte, parte rumo à Europa num voo da Air France. Curiosamente, sete meses depois, a Academia Americana de Artes e Letras iria anunciar o seu nome como um dos 15 autores contemplados com um prémio de mil dólares por mérito artístico.

Fidelidade ao ideal comunista
Para construir o socialismo não bastam decretos e proclamações

Com o surgimento da RDA, em 1949, Brecht vai viver em Berlim-Leste e funda, com Helen Weigel, o Berliner Ensemble.

A 17 de Junho de 1953, fortes convulsões sociais ocorrem devido à urgente necessidade de bens de consumo e alimentação provocadas por um plano ocidental, que, por via do mercado negro, pretendia destruir o valor da moeda da RDA, arruinando a sua estrutura financeira. Brecht, numa longa carta ao 1.º Ministro com críticas e sugestões, de que os jornais só publicariam a parte final, na qual exprimia identificação com o Partido e o regime, escrevia:

«Espero agora que os provocadores sejam isolados e que as suas redes sejam destruídas; mas também que não se coloque no mesmo nível estes provocadores e os operários que se manifestaram para exprimir o seu justo descontentamento, a fim de não perturbar no futuro a discussão tão necessária sobre os erros cometidos pelos dois lados».

O governo dava conta de que para construir o socialismo não bastam decretos e proclamações e Brecht chamava a atenção para isso:

Após a insurreição de 17 de Junho
O secretário da União de Escritores
Fez distribuir panfletos na Avenida Estaline
Em que se lia que, por culpa sua,
O povo perdera a confiança do governo
E só à custa de esforços redobrados
A poderia recuperar. Mas não seria
Mais simples para o governo
Dissolver o povo
E eleger outro?

Porém, a fidelidade ao ideal comunista permanecia firme:

LOUVOR DO COMUNISMO
É razoável, quem quer o entende. É fácil
Tu não és nenhum explorador, podes compreendê-lo.
É bom para ti, informa-te dele.
Os estúpidos chamam-lhe estúpido e os porcos chamam-lhe porco.
Ele é contra a porcaria e a estupidez.
Os exploradores chamam-lhe crime
Mas nós sabemos:
Ele é o fim dos crimes.
Não é nenhuma loucura, mas sim o fim da loucura.
Não é o enigma
Mas sim a solução.
É o fácil que é difícil de fazer.

Assim como está não fica

Em 1954, a digressão parisiense do Berliner Ensemble ao festival do Théâtre des Nations, com «A Mãe» e «Mãe Coragem e os seus filhos» resulta num êxito estrondoso.

Brecht, entretanto, com a figura do sr. Keuner, o seu irónico alter ego filosófico, e também através da poesia de sarcasmo e erotismo, prosseguia a crítica da moral burguesa a que se entregava desde a juventude.

A 14 de Agosto de 1956, a meio dos ensaios de «A Vida de Galileu», Brecht morre com um enfarte de miocárdio. Pouco tempo antes tinha escrito:

Dispenso a pedra tumular, mas
Se fizerem questão de me dar uma
Gostaria que nela fosse escrito:
Ele deu sugestões. Nós aceitámo-las.
Tal inscrição
A todos honraria.

No dia 17 é enterrado junto ao túmulo de Hegel, filósofo que tanto apreciava pelos seus estudos sobre a Dialéctica, cujo louvor Brecht tinha celebrado:

A injustiça caminha hoje com passo firme.
Os opressores instalam-se pra dez mil anos.
A força afirma: Como está, assim é que fica.
Voz nenhuma soa além da voz dos dominadores
E nas feiras diz alto a exploração: Agora é que eu começo.
Mas dos oprimidos dizem muitos agora:
O que nós queremos, nunca pode ser.
Quem ainda vive, que não diga nunca!
O certo não é certo.
Assim como está não fica.
Quando os dominadores tiverem falado
Falarão os dominados.
Quem se atreve a dizer: nunca?
De quem depende que a opressão continue? De nós.
De quem depende que ela seja quebrada? Igualmente de nós.
Quem for derrubado, que se levante!
Quem estiver perdido, lute!
A quem reconheceu a sua situação, quem poderá detê-lo?
Pois os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã
E do Nunca se faz: Hoje ainda!

Fonte: publicado no jornal Avante! n.º 2308, de 2018/02/22 e em http://www.avante.pt/pt/2308/temas/148810/

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terça-feira, 13 de março de 2018

O BE e as agressões imperialistas*

Jorge Cadima    13.Mar.18    Outros autores
Nas questões nacionais o BE é muito cuidadoso. Não poderia desempenhar o papel que lhe foi atribuído sem procurar decalcar e antecipar-se às propostas do PCP, e reivindicar-se como “esquerda de confiança”. Mas no que toca a questões internacionais a máscara cai. O texto sobre a Síria apresentado na Assembleia da República e aprovado com os votos favoráveis de CDS, PSD, PS, BE e PAN «poderia ter sido subscrito pelo próprio Donald Trump».
O texto sobre a Síria apresentado pelo Bloco de Esquerda na Assembleia da República e aprovado com os votos favoráveis de CDS, PSD, PS, BE e PAN «poderia ter sido subscrito pelo próprio Donald Trump», como disse eloquentemente João Oliveira, ao apresentar a declaração do voto contra do PCP. O texto do BE reproduz todas as patranhas da propaganda de guerra de agressão à Síria.
Nada diz sobre as causas de fundo daquela guerra, mais uma no infindável rol de guerras e ingerências do imperialismo. Nem sobre a natureza terrorista dos exércitos fundamentalistas, armados e financiados pelo imperialismo para impor o seu domínio na região, através da morte e da destruição dos estados que recusam submeter-se. É uma vergonha. Mas é uma opção cujas causas importa compreender.
Como todas as guerras de agressão do imperialismo, a guerra contra a Síria não se combate apenas no plano militar. Combate-se também através de enormes e mentirosas campanhas propagandísticas que diariamente nos entram em casa, em tudo análogas às patranhas já usadas noutras guerras. Foi assim com as inexistentes ‘armas de destruição em massa de Saddam Hussein’. Foi assim com os inexistentes ‘bombardeamentos de Kadhafi sobre o seu povo’, explicitamente desmentidos na altura pelo embaixador de Portugal na Líbia, Rui Lopes Aleixo (Antena 1, 23.2.11) e mais tarde pelo Relatório da Comissão dos Negócios Estrangeiros da Câmara dos Comuns britânica (Setembro 2016). Foi assim com a campanha de demonização de Milosevic, apresentado como ‘carniceiro dos Balcãs’ e ‘novo Hitler’, para ‘justificar’ a guerra da NATO contra a Jugoslávia, não sendo porém manchete que dez anos após a sua morte nos calabouços do Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia, este mesmo ‘tribunal dos vencedores’ acabou por confessar que Milosevic não tinha patrocinado qualquer genocídio (Avante!, 18.8.16).
Há inúmeros documentos oficiais das potências imperialistas que confessam as suas provocações e mentiras de guerra. Lembrem-se os Pentagon Papers relativos à guerra do Vietname. Ou o inacreditável documento conhecido por Operação Northwoods, elaborado pelos Chefes de Estado-maior dos EUA em 1962 com «uma breve mas concreta descrição de pretextos que possam fornecer justificação para uma intervenção militar dos EUA em Cuba» e que incluía, entre muitas outras, a sugestão de organizar campanhas bombistas em território dos EUA ou a encenação de derrubes de aviões civis ou o afundamento de barcos (com «falsos funerais de falsas vítimas» e tudo), a serem atribuídos à Revolução Cubana. Basta lembrar os documentos descobertos nos arquivos ingleses, relativos ao plano secreto aprovado ao mais alto nível dos EUA e Reino Unido em 1957, para que os respectivos serviços secretos «encenassem falsos incidentes fronteiriços como pretexto para uma invasão da Síria pelos seus vizinhos pró-ocidentais» (The Guardian, 27.9.03). Este plano, concebido muitos anos antes de Assad (ou mesmo o seu pai) chegar à Presidência da Síria, é praticamente o guião do que se passa na Síria desde 2011, pois «o plano apela ao financiamento dum ‘Comité Síria Livre’ e o armamento de ‘facções políticas com paramilitares’ […] no interior da Síria. A CIA e o MI6 instigariam sublevações internas» com o objectivo de levar a cabo uma ‘mudança de regime’ que, segundo o próprio texto do plano, não seria popular e «irá provavelmente exigir numa fase inicial medidas repressivas e um exercício do poder arbitrário». São as ‘democracias ocidentais’ em todo o seu esplendor…
BE junta voz ao coro dos propagandistas
Os dirigentes do BE não podem alegar que desconhecem que, desde há décadas, o imperialismo promove exércitos terroristas contra-revolucionários para fazer o seu trabalho sujo e para destruir quem se atravesse nos seus planos de hegemonia mundial. Foi assim na Nicarágua, Angola, Moçambique, Afeganistão (como confessou Z. Brzezinski ao Nouvel Observateur, 15.1.88). O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros britânico Robin Cook escreveu: «a Al Qaeda, que literalmente significa ‘a base’, era na sua origem o ficheiro de computador contendo os milhares de mujahedins que foram recrutados e treinados com a ajuda da CIA, para derrotar os russos» (The Guardian, 8.7.05). Os dirigentes do BE não podem alegar que não sabem que a estratégia de militarizar, desde o seu início em 2011, os protestos na Síria, foi oficialmente apadrinhada, financiada e armada pelo imperialismo, chegando ao ponto de pagar os ‘salários’ dos mercenários, não apenas através das ditaduras filo-imperialistas do Golfo (ABC ou Times of Israel, 1.4.12), mas directamente pelos EUA (New York Times, 18.9.14, ou Reuters, 22.6.15). Não podem alegar que desconhecem notícias da própria imprensa que mais tem promovido a guerra contra a Síria, como por exemplo este título: «Agora a verdade vem ao de cima: como os EUA alimentaram o ascenso do ISIS na Síria e no Iraque» (The Guardian, 3.6.15). Não podem alegar que não sabem dos planos imperialistas para de novo retalhar o Médio Oriente, a fim de tomar controlo directo dos seus gigantescos recursos.
Os dirigentes do BE sabem tudo isto, mas em vez de serem solidários com as vítimas do imperialismo e da tentativa de recolonização, juntam a sua voz ao coro dos propagandistas das guerras de rapina. Não é a primeira vez. Não é apenas na Síria. Pelo contrário, já se transformou num padrão sistemático. Quando surgem as grandes campanhas mediáticas que rodeiam as operações de ingerência e agressão do imperialismo (nomeadamente do sedeado na Europa), os dirigentes do BE credibilizam essas campanhas. Ao fazê-lo, contribuem para impedir que se fortaleça o movimento popular pela paz e contra a guerra e encobrem a natureza do imperialismo. Foi assim em 2011, com a Líbia, tendo o BE votado a favor da Resolução do Parlamento Europeu que abria caminho à guerra da NATO. É assim em relação à martirizada Venezuela bolivariana. É assim em relação à RPD da Coreia, país que nunca agrediu outro, mas que está sob a constante ameaça duma nova guerra de extermínio dos EUA, como em 1950-53. As vítimas são apresentadas como algozes. E os algozes continuam os seus crimes.
Favores com favores se pagam
Será possível que os dirigentes do BE não conheçam os resultados de todas estas guerras, agressões, campanhas? Será possível que não vejam o autêntico desastre deixado pelos 27 anos de guerras de agressão que se seguiram ao desaparecimento da URSS? Não, não é possível. Trata-se duma opção, não de desconhecimento ou subestimação.
Porque insistem os dirigentes do BE neste caminho? A resposta ajuda a esclarecer um aparentemente insondável mistério: o de uma força que se apresenta como de esquerda ser, desde a sua origem, autenticamente levada ao colo pela comunicação social do grande capital. Com destaque para o Público, jornal fundado por um dos maiores capitalistas portugueses, e para o Expresso e a SIC, daquele que foi até há bem pouco tempo o responsável português no Clube de Bilderberg (tendo Balsemão entretanto passado a pasta a Durão Barroso, Público, 27.5.15).
O grande capital sempre procurou (múltiplas) formas de canalizar o descontentamento social para rumos que não ponham em causa o seu poder. Historicamente, foi esse o papel das social-democracias que, em particular nos países do centro capitalista (veja-se o caso inglês), trocavam o seu apoio às guerras imperialistas por concessões no campo social, permitindo-lhes manter a sua base de apoio e combater os comunistas e outras forças alternativas ao sistema capitalista. Hoje, vivemos tempos de descrédito do capitalismo, tempos de crise e de ataque feroz aos direitos e condições de vida dos trabalhadores e povos. É inevitável o descontentamento popular, a revolta de largas massas contra um sistema que apenas lhes oferece a miséria, o desemprego, a exploração, a guerra. Nesse contexto, torna-se ainda mais urgente impedir que esse descontentamento fortaleça uma real alternativa de sistema. O grande capital sabe onde reside essa alternativa. Os dirigentes do BE asseguram simultaneamente o ataque ‘de esquerda’ ao PCP e a ‘cobertura de esquerda’ às campanhas do imperialismo. Tem sido assim, desde a política internacional à AutoEuropa. Favores com favores se pagam. Ao mesmo tempo, o grande capital sabe que, chegado o momento da verdade, os dirigentes do BE estarão do lado do sistema. O exemplo do governo Syriza na Grécia é, a este respeito, elucidativo. A traição do governo Syriza às aspirações do povo grego (reafirmadas no notável referendo de Julho de 2015) foi completa: é hoje o agente, não apenas de mais austeridade, mas também duma legislação laboral ferozmente antipopular. Os dirigentes do BE, que em 2015 se penduravam ao pescoço de Tsipras, assobiam hoje para o lado. Mas a matriz ideológica e social é a mesma, e o comportamento em situação análoga não seria previsivelmente diferente. Nesse sentido, o slogan do BE ‘esquerda de confiança’ terá, afinal, mais verdade do que se poderia supor. Falta é dizer ‘confiança’ para quem.
Perigos enormes

O mais dramático é que o comportamento dos dirigentes do BE leva água ao moinho do partido da guerra no seio do imperialismo. Não vivemos hoje as décadas após a II Guerra Mundial quando, sob o impacto da derrota do nazi-fascismo e a força e prestígio dos comunistas e das forças revolucionárias a nível mundial, o grande capital se via obrigado a fazer concessões importantes para suster o seu poder. Hoje aceitará ‘causas fracturantes’ que não põem em causa o capitalismo (e até se podem tornar novas fontes de lucro). Mas a profunda crise sistémica do capitalismo e as dificuldades que encontra em dela sair, incluindo as crescentes rivalidades entre EUA e UE; as dramáticas consequências sociais (e ambientais) das políticas de exploração e pilhagem desenfreadas; o descontentamento explosivo; e a emergência de novas potências económicas, que as velhas potências imperialistas se recusam a aceitar – tudo isto está a conduzir o planeta a uma crise de grandes proporções. Os planos de guerra, já concebidos há décadas (veja-se a entrevista do General Loureiro dos Santos ao Diário de Notícias, 13.3.00), estão a tornar-se cada vez mais aliciantes para uma parte considerável do grande capital das velhas potências imperialistas. Basta ver a desenfreada corrida militarista em curso, com os anúncios de enormes subidas nos orçamentos militares dos EUA, França, Alemanha, Espanha e outras potências, e com a anunciada militarização da UE (CEP). Ou o recente número da revista The Economist (27.1.18), dedicado a «A Próxima Guerra».
Não custa a perceber os perigos enormes que a Humanidade enfrenta. Uma verdadeira força de esquerda só pode virar baterias contra o imperialismo e os planos de guerra em marcha, sendo solidária com quem resiste e pugnando por criar uma vasta frente anti-imperialista e pela paz. Não é esta a opção dos dirigentes do BE.
*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2319, 8.03.2018

sábado, 10 de março de 2018


Polo do Renascimento Comunista em França (PRCF)

Como poderia a parte ocidental da Alemanha, a mais vasta, claramente menos afetada pelas destruições da guerra (o essencial dos combates deu-se a leste, pois a derrota dos nazis deve-se às vitórias do exército soviético), nomeadamente a rica região da Baviera e o Rur, dispondo dos principais portos e, sobretudo, dispensada de pagar os prejuízos da guerra e recebendo ajuda massiva dos EUA, não ser mais atrativa do que a parte oriental, mais pequena e totalmente destruída, especialmente para os milhões de alemães que regressavam dos países de leste onde se tinham instalado?


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Hoje [1], os média celebram os 25 anos da queda do muro de Berlim. Discursos combinados retomando os slogans dos vencedores da guerra fria. Quem se espanta com esta autocelebração barulhenta da queda de um muro, enquanto por todo o lado há um silêncio mediático ensurdecedor, são os primeiros construtores do muro da vergonha, de que foram mestres-de-obras os EUA, Israel ou, ainda hoje, na Europa, a junta pró UE de Kiev.

Quantos editorialistas para louvar a reunificação que, supostamente, levou a riqueza da RFA a esta RDA, apresentada como um falhanço total, e quantos para falar desta realidade censurada, num momento em que a crise do capitalismo se agrava, que a pobreza impressiona e em que a guerra está de novo na Europa, dos numerosos alemães que lamentam o fim da RDA. É importante sublinhar que os “democratas” capitalistas nem sequer se deram ao trabalho de recorrer a um  referendo para perguntar a opinião dos alemães orientais sobre a reunificação. No plano económico, trata-se de repartir o mais depressa possível e a preço de saldo as riquezas desta RDA, o 8.º país mais rico do mundo.

25 anos mais tarde, desemprego, corte de salários, UE totalitária e a guerra no horizonte: os trabalhadores festejam a queda do muro

25 anos depois da queda do muro, os trabalhadores devem colocar-se a questão de saber se o afundamento do bloco de leste – que impôs aos países ocidentais, só pela sua existência, o dever de assegurar um mínimo de direitos para os trabalhadores – trouxe para si algum progresso. Uma vez digeridos os países de leste, a crise económica reavivou-se com novo vigor; os nossos salários estão em queda livre, os direitos dos trabalhadores e a proteção social desaparecem clamorosamente sob os ataques do patronato. A extrema direita está a ser estimulada e a guerra faz o seu aparecimento na Europa (Jugoslávia, Ucrânia...).
No  leste, o milagre económico não aconteceu.
Os ex-países do leste, integrados na UE em marcha forçada, apresentam salários de miséria, permitindo um dumping social desenfreado no seio da União Europeia do capital. Desindustrialização, desemprego, confisco da soberania popular por uma UE cada vez mais totalitária. Sim, os trabalhadores deveriam fazer um balanço para saber se devem – com os senhores dos média da oligarquia capitalista – celebrar a queda do muro de Berlim. 

25 anos depois da queda do muro, a dura realidade em números: desemprego, salários...

Longe desta vaga de propaganda – demonstrando ao mesmo tempo que a liberdade, segundo a democracia burguesa, é completamente capaz de defender a ditadura da classe capitalista – www.iniciative-communiste.fr propõe-vos examinar alguns números, 25 depois da reunificação.

Saudades da Alemanha Oriental

Mais de 20 anos depois da queda do muro de Berlim, são numerosos os alemães orientais a lamentar a queda da Alemanha de Leste, a RDA, e o seu pleno emprego, como se prova designadamente com uma sondagem do Instituto Leipzig para a revista Super Illu e uma sondagem do Instituto Emid para o Berliner Zeitung.
 Uma maioria é de opinião que a ex-RDA tinha “mais aspetos positivos do que negativos”. Verifique:

  • 49% dos habitantes da ex-RDA pensam que “havia alguns problemas, mas globalmente vivia-se bem” e 8% sublinham que “a RDA tinha sobretudo aspetos positivos e que lá se vivia melhor e de maneira mais feliz do que na Alemanha reunificada de hoje”: são 57% dos alemães de leste que – podendo fazer a comparação hoje – defendem a RDA. Está-se longe, muito longe, da propaganda mediática desses dias;
  • 34% dos habitantes de Berlim-leste consideram-se ainda como berlinenses de leste;
  • 17%% dos alemães de leste aprovam a frase: «Era melhor que o muro não tivesse caído»;
  • 52% dos alemães de leste consideram-se tratados como “cidadãos de 2ª classe”;
  • 44% dos desempregados desejam o regresso do regime comunista que dava trabalho e habitação a toda a gente.
É verdade que a queda do muro de Berlim, longe de se traduzir num aumento do nível de vida, traduziu-se numa vaga de privatizações maciças das indústrias da Alemanha  do Leste (não era preciso fazer concorrência ao capitalismo da Alemanha Ocidental!), tendo dado lugar, por consequência, a uma coisa totalmente nova para os alemães do leste: o aparecimento do desemprego. Um desemprego de massas. Porque na RDA, é preciso lembrá-lo, não havia desemprego. A partir de 1990, havia 1 milhão de desempregados indemnizados, 3 milhões de ativos em situação de subemprego para cerca de 9 milhões de ativos. Uma verdadeira catástrofe económica.
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Evolução das taxas de desemprego na RFA e RDA entre 1991 e 2011. Fonte: Arbeitskreis Volkswirtschaftliche Gesamtrechnung der Länder, cálculos do autor  * dados CVS.

25 anos mais tarde, as regiões da ex-RDA são afetadas por uma taxa de desemprego que é o dobro da da RFA. A diferença é completamente gritante se se colocar as taxas de desemprego num mapa, para 2012.
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 Comparação das taxas de desemprego RDA – RFA 2012 – fonte

[1º mapa: taxa de desemprego dos menores de 25 anos RDA/RFA 2012
2º mapa:   taxa de desemprego dos de mais de 55 anos
3ª mapa:  taxa de desemprego RDA/RFA 2012]

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Comparação das taxas de desemprego (homens/mulheres) RDA – RFA 2012 - fonte
[1º mapa: mulheres
2º mapa: homens]

Entre 1991 e 2000, o número de empregos no setor industrial no leste diminuiu para perto de metade, enquanto a produção por ativo ocupado aumentou 1,7 (1,1 no mesmo período na Alemanha Ocidental) ultrapassando então em 10 pontos a produtividade da RFA...

Reunificação?  A sério? Clivagem nos níveis de vida


Dois miúdos alemães conversam, um de cada lado do muro de Berlim.
O da RFA tem uma laranja e gaba-se disso junto do da RDA:
- Tenho laranjas, nha,nha,nha…
O  outro pensou e respondeu:
-Sim, mas eu tenho o socialismo, nha, nha, nha!
O miúdo da RFA replica:
- sim, mas não tens laranja…
O muro cai, o miúdo do leste pergunta ao do oeste:
-onde é que está a minha laranja?
O miúdo do oeste responde:
- Mas onde é que tu julgas que estás? No socialismo, não?

Segundo os média, foi o atraso económico e o nível de vida inferior na RDA que teriam empurrado os alemães de leste a derrubarem o muro, para alcançarem o mesmo nível de vida. Logicamente, 25 anos depois da queda do muro em Berlim, (quase metade da vida da RDA, de qualquer forma), as diferenças deveriam ter sido ultrapassadas.
É forçoso constatar que não é absolutamente o caso.
O rendimento por habitante continua a ser 33% inferior ao da RFA, mantendo-se a diferença de antes da queda do muro. A queda do muro, de facto, não teve efeitos reais sobre os rendimentos dos alemães de leste.

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Fonte : Arbeitskreis Volkswirtschaftliche Gesamtrechnung der Länder,  cálculos do autor.
[Gráfico, por ordem da legenda:
Rendimento primário oeste-alemão
rendimento primário na Alemanha de Leste
Rendimento disponível oeste-alemão

polo6.jpg
Longe de ser acompanhado por um movimento de recuperação salarial, foi de facto uma compressão relativa dos salários que se deu no leste, como o demonstra o gráfico seguinte para os salários na indústria. Desde 1993, deu-se um movimento de abaixamento dos salários, proporcionalmente mais significativo a leste do que no ocidente. Desde 2002, os custos unitários do salário na indústria tornaram-se inferiores no leste… De passagem, este gráfico demonstra igualmente a política de intensa guerra aos salários movida na RFA desde a queda da RDA.

polo7.jpg
Fonte: Arbeitskreis Volkswirtschaftliche Gesamtrechnung der Länder, cálculos do autor. Barras do gráfico: custos unitários do trabalho; curva do gráfico: custos do trabalho do leste comparados com os do ocidente.
[No gráfico, por ordem da legenda: Alemanha ocidental; Alemanha do Leste; Alemanha do Leste/Alemanha ocidental = 100]

25 anos mais tarde, os cargos dirigentes ficam para os alemães do oeste, enquanto os alemães de leste têm de se contentar com funções subalternas.
Estrutura do emprego na Alemanha ocidental e de leste (1º trimestre de 2010)

Função/qualificação
Alemanha do oeste¹)
Alemanha do leste
Posição dirigente
10,9
8,8
Atividades altamente qualificadas mas não dirigentes
23,7
19,9
Qualificação de nível médio
41,6
49,3
Técnicos especializados 
15,3
15,9
Funções simples
8,5
6,1
Total
100
100

Fonte : Statistisches Bundesamt. ¹) Berlim incluída. http://rea.revues.org/4176

Se os rendimentos do trabalho continuam muito inferiores aos do ocidente, isto também é verdade para os rendimentos do património.
Em 2008, por ano e por habitante, o rendimento do património era apenas um pouco mais de 2000 € (em termos líquidos) no leste, contra não menos de 5 200€ no ocidente. Certamente, os alemães de leste viram crescer claramente o seu património, mas este está longe de alcançar o nível do do ocidente; e a poupança que eles retiram dos seus rendimentos correntes é também inferior à dos alemães ocidentais. 
Esta diferença de rendimentos é equivalente à diferença entre transferências sociais (Impostos sobre o rendimento, contribuição social e prestações sociais monetárias) dos quais, em 2008, os alemães de leste recebiam 3 300€ mais do que os alemães ocidentais… De que serve elogiar tanto as transferências sociais do ocidente, apresentadas com tanta vozearia.

polo8.png
Fonte: Arbeitskreis Volkswirtschaftliche Gesamtrechnung der Länder, cálculos do autor.

Passaram duas décadas sobre a reunificação da Alemanha. Porém, se as regiões da ex-RDA se integraram no modelo capitalista  e nas instituições da RFA, continuam longe da riqueza da RFA.

polo9.jpg
 Fonte: Arbeitskreis Volkswirtschaftliche source: Gesamtrechnung der Länder,  cálculos do autor. Estado: 2008
 [Legenda do gráfico, por ordem: Regiões da Alemanha ocidental; regiões da Alemanha oriental]

Sobre a imigração leste-oeste, antes e depois da queda do muro
Registou-se uma imigração muito importante da RDA para a RFA nos anos posteriores à guerra. Como poderia a parte ocidental da Alemanha, a mais vasta, claramente menos afetada pelas destruições da guerra (o essencial dos combates deu-se a leste, pois a derrota dos nazis deve-se às vitórias do exército soviético), nomeadamente a rica região da Baviera e o Rur, dispondo dos principais portos e, sobretudo, dispensada de pagar os prejuízos da guerra e recebendo ajuda massiva dos EUA, não ser mais atrativa do que a parte oriental, mais pequena e totalmente destruída, especialmente para os milhões de alemães que regressavam dos países de leste onde se tinham instalado? Fala-se de 3 milhões de imigrantes do leste para o ocidente. Isto não quer dizer que ninguém do ocidente tenha imigrado para a RDA. Segundo estimativas, 700 000 alemães da RFA emigraram para a RDA.
O que é preciso sublinhar é que, ao contrário da RFA, que fazia tudo para estimular a imigração com fins de propaganda ideológica, a RDA tinha, pelo contrário, uma política dissuasiva, recusando cerca de 30% dos pedidos de imigração, depois recusando os pedidos de re-imigração dos regressados do ocidente.
É igualmente importante recordar que a decisão de dividir a Alemanha foi o resultado das iniciativas ocidentais (reunificação das zonas, criação do marco alemão…) e não de exigências da parte soviética.
Se a propaganda ocidental se serviu desta realidade complexa das migrações RFA-RDA – qualificando-a como voto com os pés – convém notar que, 25 anos depois da queda do muro, e agora que a RDA já não existe e que não se pode imputar a acusação ao modelo socialista, as migrações da ex-RDA para a RFA continuam.
Os ativos, em particular os jovens, continuam a emigrar das regiões da ex-RDA para a RFA, ao mesmo tempo que a queda brutal da natalidade (dividida por dois), contribui para o envelhecimento acelerado da população do leste.

RDA / RFA : sociologia política das anedotas
Depois de todos estes números, terminamos com uma nota menos séria, mas nem por isso menos instrutiva: duas anedotas que circulavam no ocidente ou no leste depois da reunificação:
  • No leste: «Uma pessoa do lado oriental diz a outra:
    - Qual é o teu trabalho agora?
    - Bem, precisamente nada, é um belo trabalho.
    - Mas que grande concorrência!»
  • No ocidente: Um chefe de pessoal a um alemão oriental, candidato a um emprego:
    «Não acha que as suas pretensões salariais são um pouco elevadas? O senhor não tem nenhuma qualificação, não tem experiência e quer 10 000 marcos por mês?»
    Responde o alemão oriental .«Oh, o trabalho é muito mais duro quando não se sabe o que é!».

JBC para www.initiative-communiste.fr site web do PRCF

Notas
[1] Publicado inicialmente em 9 de novembro de 2014, em www.initiative-communiste.fr sítio web do PRCF: https://www.initiative-communiste.fr/articles/luttes/25-ans-apres-chute-du-mur/
Fonte: publicado em https://www.initiative-communiste.fr/articles/europe-capital/le-triste-bilan-de-la-reunification-allemande-pour-lest-25-ans-apres-la-chute-du-mur-la-dure-realite-en-chiffres-chomage-revenus/
Tradução do francês de TAM







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Hipátia de Alexandria – Matemática e filósofa

Hypatia_portrait.png
Hipátia de Alexandria – Gravura de Elbert Hubbard, 1908

«Havia em Alexandria uma mulher chamada Hipácia (ou Hipátia), filha do filósofo Teón, que fez tantas realizações em literatura e ciência que ultrapassou todos os filósofos da época. Tendo progredido na escola de Platão e Plotino, ela explicava os princípios da filosofia a quem a ouvisse, e muitos vinham de longe receber os ensinamentos», diz Sócrates, o Escolástico, na História Eclesiástica (século V).
Não há certezas quanto à sua data de nascimento (entre 350 e 370 d.C.) nem da sua morte (entre 415 e 416), mas sabe-se que foi vítima do conflito entre religião e ciência em que a cidade de Alexandria estava mergulhada nos séculos IV e V da era cristã.
Influenciados por Cirilo, patriarca de Alexandria, cujos seguidores espalharam o boato de que a filósofa se dedicava à bruxaria, fanáticos cristãos capturaram Hipátia, arrastaram-na para uma igreja, despiram-na e apedrejaram-na até à morte.
O corpo foi depois esquartejado e queimado. Cirilo não foi responsabilizado pelo crime e veio a ser canonizado como São Cirilo de Alexandria.
Pagã num tempo dominado por tensões religiosas, Hipátia. uma das primeiras mulheres a estudar e ensinar matemática, astronomia e filosofia e a única que dirigiu o Museu de Alexandria, permanece como um símbolo da libertação das mulheres.
AQUI

Este artigo encontra-se em: O CASTENDO http://bit.ly/2p4bIwa

quinta-feira, 8 de março de 2018

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America’s Multi-Front War

By Global Research News
Global Research, March 07, 2018

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By , March 06, 2018
What is neoliberalism? To start, it is not new, and it is not liberal. It is predicated on prioritizing the private sphere over the public sphere; i.e., allowing the so-called free-market to decide. Hence, the role of the government is to be minimized, with privatization, cutting social programs, deregulating finance, and imposing austerity prescribed.
By Dr. Andrew Glickson, March 06, 2018
As extreme temperatures, the rate of sea ice melt, the collapse of Greenland glaciers, the thawing of Siberian and Canadian permafrost and increased evaporation in the Arctic drive cold snow storms into Europe and North America, and as hurricanes and wild fires affect tropical and semi-tropical parts of the globe, it is becoming clear Earth is entering a period of uncontrollable climate tipping points consequent on the shift in composition and thereby the state of the atmosphere-ocean system.
By Prof. James Petras, March 06, 2018
The question is why does the US political system bemoan the frequent occurrence of mass shootings, and yet turn around and endorse the political process that makes these killings possible?  The size, scope and duration of massacres requires that we examine the large-scale, long-term systemic features of the US political economy.
By Will Podmore, March 06, 2018
The withdrawal of Soviet aid in 1990 left Cuba’s economy on a knife-edge. Cubans lost all their markets in sugar. They ceased to receive foodstuffs, fuel, wood, soap, raw materials. Calories and protein intake were reduced by half. Plans for nuclear energy had to be abandoned. The US intensified its blockade, passing the Helms-Burton Act. It was a case of adapt or die.
By Timothy Alexander Guzman, March 06, 2018
Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu is set to meet U.S. President Donald J. Trump to discuss what has long been in the works, war. A war against Syria, Hezbollah, Lebanon and eventually its main target, Iran. Another issue will be discussed is the U.S. embassy move to Jerusalem (which in my mind will lead to the Third Intifada).
By Jonathan Cook, March 06, 2018
A child horrifically injured by soldiers was arrested and terrified into signing a false confession that he was hurt in a bicycle accident. A man who, it was claimed, had died of tear-gas inhalation was actually shot at point-blank range, then savagely beaten by a mob of soldiers and left to die. And soldiers threw a tear gas canister at a Palestinian couple, baby in arms, as they fled for safety during a military invasion of their village.

Disclaimer: The contents of this article are of sole responsibility of the author(s). The Centre for Research on Globalization will not be responsible for any inaccurate or incorrect statement in this article.

Copyright © Global Research News, Global Research, 2018

sábado, 3 de março de 2018

ARMANDO DE CASTRO - No centenário do seu nascimento- Um sábio da Renascença

Imagem relacionadaArmando De Castro (1918-1999) era licenciado em Direito e Economia Política pela Universidade de Coimbra. Foi professor no Instituto Superior de Psicologia Aplicada de Lisboa nos anos 70 e, posteriormente, na Faculdade de Economia da Universidade do Porto, tendo sido membro do Conselho Científico. Da sua vastíssima obra, centrada no campo da História Económica e da Epistemologia, destacam-se títulos como A Evolução Económica de Portugal dos Séculos XII a XV e Teoria do Conhecimento Científico.

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

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Grécia

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Viagem à Grécia

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