quarta-feira, 18 de novembro de 2009

CONFISSÃO ( Cintio Vitier-n.1921)

Bem que eu não saiba história, ou muito pouca, sou o autor destas páginas.
Tudo me aconteceu desde o princípio.
Sou o protagonista,
a vítima, o culpado e o carrasco.
Sou o que olha e o que actua.
As idades descansaram em mim.
Os dias foram meu alimento.
As ideias, minhas asas,
meus punhais.
Pelo vazio de minhas mãos passou
o rio das armas.
Meus olhos são os fornos em que ardeu
a criação inteira.
Meu canto é o silêncio.
Homem, mulher, crianças, ancião,
cada gesto meu treme nas estrelas
atravessando o tempo irrepetível.
Eu sou. Não busquem outro,
não torturem outro,
não amem outro.

Não tenho maneira de escapar.

2 comentários:

  1. Zé,

    Esta es la voz de un contemplativo, no de un hombre de acción.
    Ambas razas, las únicas que realmente existen, se miran con
    recelo
    .

    Pela tua mão vou descobrindo novos caminhos.
    Bem hajas, amigo!

    Um abraço

    ResponderEliminar
  2. pois é, não há volta a dar!

    ... somos o que somos. e o que os braços alcançam!

    grato pela visita. e pelo estimulante comentário.

    permito-me adicionar nos meus links.

    abraço

    ResponderEliminar