segunda-feira, 15 de março de 2010

NOMES

Guardo aquela tela que pintei
contorces-te numa praia inóspita
um oceano de um verde mortuário
ao longe um continente perdido
o céu pinceladas grossas de sangue e carvão.
Quis pintar-te com amor pintei a solidão.
Lembras-te daquela outra
em que ambos em pé te seguro pela cintura,
sob as areias de um deserto?
Do teu rosto guardo muitos,
mas esses dois anunciavam o que hoje sentimos:
o esquecimento.

Lembro-te e não te lembro
como aquelas histórias tristes que me contavam para adormecer.
A soma dos nomes é um nome só
Uma dúzia de casas faz uma aldeia
Um punhado de ilhas, um arquipélago
Um rosário de amores, uma vida.

Foste ave
agora és nuvem.

O viajante modera o passo,
não tem pressa,
sabe que um sono prolongado o espera.

1 comentário:

  1. olá,
    A poesia aproxima, une, enternece,somos tecidos da mesma linha. Lindas palavras, encheram-me de ternura.
    Abraços

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