Gilles Lipovetsky (Millau, 24 de setembro de 1944) é um filósofo francês, professor de filosofia da Universidade de Grenoble, teórico da Hipermodernidade, autor dos livros A Era do Vazio, O luxo eterno, O império do efêmero, Cultura-mundo, entre outros.
------------Entrevista (excerto)------------------------------------------------------------------------------
Para você, a sociedade hiperindividualista coexiste com um mal-estar da existência. Há o estresse, a depressão, preocupações diversas com o trabalho, a família. Existe hoje um imperativo da felicidade, quase como uma tirania?
Há hoje a tirania do corpo, da beleza e da juventude. Não há mais a tirania da moda. Tirania da felicidade me incomoda como expressão, pois, apesar de tudo, a felicidade é uma aspiração dos homens, reforçada pela modernidade. O ideal da felicidade não é apenas tirânico, pois permite as coisas avançarem. Em nome da felicidade as pessoas mudaram seu modo de vida. Antes, não se divorciava. A felicidade não vinha em primeiro lugar, mas a família. Hoje as pessoas se divorciam se estão infelizes no casamento, têm o direito de refazer suas vidas. Nem tudo é tirânico na aspiração à felicidade. Mas o paradoxo de nossa época de hiperconsumo é o de que todos os sinais de felicidade estão em aberto. Em breve, a grande maioria das pessoas viverá até os 100 anos de idade; as mulheres podem controlar sua fecundidade e ocupam novos espaços; o nível de vida aumenta; a sexualidade é livre. Há sinais positivos em relação à saúde, à sexualidade, às liberdades. Mas o que vemos é que isso não se acompanha de uma joie de vivre manifesta. Há um paradoxo enorme: a sociedade tem os sinais de felicidade, mas tudo se passa como se isso não fosse sentido. Há a depressão, a ansiedade, a infelicidade pessoal. Estudos feitos por ingleses e americanos mostram nossa surpreendente situação. Toda a civilização moderna leva ao crescimento, ao aumento do poder aquisitivo. A grande questão teórica é: a riqueza e o bem-estar material trazem mais felicidade?
Fernando Eichenberg
De Paris, França
21 de Abril 2008
in Terra Magazine
Terra Magazine
Sabe, ando lendo alumas coisas para aplicar na vida. Uma coisa bem empírica mesmo... ando lendo sobre o amor, e tem uma frase que me marcou... Só podemos dar aquilo que temos!!!
ResponderEliminarOra, que óbvio!??? Não, não é óbvio. Não adianta eu falar de riqueza espiritual para todas as crianças aprenderem, se eu não transmitir a prática.
Bom, sei que demoro para escrever, mas publiquei alguns textos e você não comentou nenhum... Aparece por lá, preciso de incentivos!!! kkk
Beijos carolbonando.blogspot.com
Vou visitar-te no teu blog e deixarei um comentário. També eu me queixo de ser lido mas não comentado. Abraço.
ResponderEliminarO meu pc avisa-me que não deve entrar no teu site, por razões de segurança. Como é? Enviaste-me uma ameaça de vírus?
ResponderEliminar