domingo, 18 de setembro de 2011

O amor que sinto




O amor que sinto


é um labirinto.






Nele me perdi


com o coração


cheio de ter fome


do mundo e de ti


(sabes o teu nome),


sombra necessária


de um Sol que não vejo,


onde cabe o pária,


a Revolução


e a Reforma Agrária


sonho do Alentejo.


Só assim me pinto


neste Amor que sinto.






Amor que me fere,


chame-se mulher,


onda de veludo,


pátria mal-amada,


chame-se "amar nada"


chame-se "amar tudo".






E porque não minto


sou um labirinto.






José Gomes Ferreira





2 comentários:

  1. quando ao amor não cabe na pele que nos cobre, somos, de nós mesmos, labirintos por onde nos caminhamos a peregrinar infinitos, na inerrância de um sentimento que nos estanca em dor.

    muito belo o seu texto. gratidão
    Mel

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  2. Nem para o céu nem para o inferno... escritores, quando morrem, vão para a eternidade.

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