Se sempre existiu, inclusive nos regimes que se diziam perfeitos, é, por isso aceitável? Não. Nenhuma moral a justifica, ainda que em alguns lugares algumas leis a permitam. Sempre os estados e os regimes a negaram, mentindo, incluindo aqueles que eram tão cegos que a não a viam. Se ela renasce quando é atacada, devemos resignarmo-nos? Não. É tanto mais escandalosa quanto mais é desmentida. É tanto mais prejudicial, quanto mais é tolerada. A corrupção por mais doentia que seja não é a doença, é o sintoma, uma metástase. Quando a corrupção alastra, esse regime político está condenado a prazo. Os grandes impérios exibiram a sua caducidade quando a corrupção era já epidémica. Ergueram-se ditaduras em nome do combate à corrupção, e nem sempre foi mera propaganda. Estalaram tumultos, revoltas, sedições, revoluções, com clamores contra os corruptos que prosperavam à custa da miséria aflitiva de muitos.
O s islamitas reprovam a corrupção do Ocidente, porém a corrupção floresce tanto nos mais «moderados» como nos mais fundamentalistas. Por acusar de corruptos o partido de Arafat é que o Hamas ganhou as eleições. É tão corrupto como a democracia israelita, embora noutras proporções.
As máfias sustentam o Estado italiano e sustentam-se. O Vaticano teve corruptos de alto coturno, conforme nos retrata a trilogia O Padrinho. O regime dos teólogos e dos «Guardas da Revolução» está pejado de corruptos, conforme nos relata Robert Fisk, A Grande Guerra pela Civilização, A conquista do Médio Oriente, e o Iraque que lhe fez uma guerra medonha, outro tanto.
A questão é saber-se porque é que a corrupção não abalou até aos alicerces os Estados britânico, norte-americano, ou outros, porque não os obrigou a mudar de Estado, de Regime, ou de sociedade. Quando muito mudaram os governos e as administrações. Causou o colapso dos regimes socialistas do Leste? Não, pelo menos não foi a causa principal.
O PSD e o PS sempre alimentaram corruptos nos seus governos, mesmo que uns tantos corruptos não façam corrupto um governo. Deixaram, por isso, de serem alternativa um ao outro?
Nos anos 80 foram eleitos administradores por parte do pessoal para os conselhos de administração das grandes empresas públicas. A nem um só chegou a ser dada posse. Se os trabalhadores participassem na administração a corrupção era mais difícil.
ResponderEliminarAcredito, mas vale como crença. Certamente que defendo isso.
ResponderEliminar