domingo, 28 de março de 2010

NOITE

À noite há criaturas que vomitam nas valetas

O gordo jantar regado com abundância.

À noite há homens deitados nas sarjetas

Sobre cartões tapados com jornais.

À noite há automóveis velozes com belas damas ao volante

E há crianças com o olhar baixo que pedem.

À noite há senhores de braço dado com a amante

E mulheres esquálidas de olhos esgazeados.

À noite há estrelas brilhantes no firmamento

E mortos-vivos que deambulam desempregados.



Saberás tu, Marta, porque são tão diferentes

o oceano e o deserto?

Vou morrer com perguntas na garganta

Tão longe de mim o que esteve tão perto.

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