segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O medo

O medo suporta o lucro
como as ondas ruins suportam o navio
O medo é uma pistola apontada
à cabeça pelo próprio
O medo é uma receita
que se avia nas fábricas,
nas lojas,
nos guichês,
em toda a parte onde se trabalha.
O medo é sempre antigo
e sempre novo
como um espectro sem alma
errante, a sua casa
é a nossa casa.
A sua origem é a nossa origem.
Quando pedimos, o medo está lá.
Quando esperamos, o medo está lá.
Quando nos ajoelhamos, o medo está lá.
Sempre o medo.
Com ele construiram-se cidades,
quartéis,
muros
e estradas que não vão dar a parte nenhuma.
Com o medo conduzem-nos à socapa
sem medo
para o medo.

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