sábado, 14 de maio de 2011

Manuel António Pina - Prémio Camões


O Medo

Ninguém me roubará algumas coisas,


nem acerca de elas saberei transigir;

um pequeno morto morre eternamente

em qualquer sítio de tudo isto.



É a sua morte que eu vivo eternamente

quem quer que eu seja e ele seja.

As minhas palavras voltam eternamente a essa morte

como, imóvel, ao coração de um fruto.



Serei capaz

de não ter medo de nada,

nem de algumas palavras juntas?



Manuel António Pina, in "Nenhum Sítio"

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