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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

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Publicado em 2015/02/18, em: http://inter.kke.gr/en/articles/SYRIZA-When-they-say-that-meat-is-actuallyfish/ Tradução do inglês de PAT
 Colocado em linha em: 2015/02/23 SYRIZA: quando dizem que, agora, a carne é peixe 
Partido Comunista da Grécia (KKE) 

Ainda nos lembramos da imagem dos monges, na Idade Média, que diziam que a carne era peixe, a fim de superar as dificuldades do interminável jejum. Esta imagem encaixa-se perfeitamente nos desenvolvimentos que têm vindo a ocorrer na Grécia, nos recentes dias, sob o governo SYRIZA-ANEL. Eis alguns dados que o justificam: O SYRIZA, como partido de oposição, prometeu rasgar os memorandos que os Governos anteriores haviam assinado com os credores estrangeiros (a União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional) e que continham as medidas antitrabalhadores e antipopulares. O SYRIZA, como partido do governo, revelou que concorda com 70% das “reformas” incluídas nos memorandos e discorda de 30%, que descreve como “tóxicas”. Na verdade, assume que não agirá unilateralmente, mas procura um novo acordo com os credores que, desta vez, não será chamado memorando, mas programa, acordo ou ponte. O SYRIZA, como partido de oposição, declarou guerra à troika dos credores estrangeiros e disse que iria colocar um fim a isso. O SYRIZA, como partido do governo, assume que falará com e responderá às “instituições”. Quais? A União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional. Na verdade, exatamente as mesmas pessoas que constituem a troika estão a tomar parte nas negociações em Bruxelas, em nome das “instituições”. O SYRIZA, como partido de oposição, foi um crítico mordaz do governo ND-PASOK, que apoiou e participou nas sanções da UE contra a Rússia e acusou-os de serem servis, por causa desta postura. O SYRIZA, como partido do governo, apoiou as mesmas sanções da UE e, também, a sua escalada, caracterizando a posição do seu governo como um “significativo sucesso”. O SYRIZA, como partido de oposição, tomou uma posição contra as privatizações. Agora, como governo, de acordo com a declaração do ministro das Finanças, Y. Varoufakis, assume que “Queremos passar da lógica de vendas ao desbarato para a lógica do seu desenvolvimento, em parceria com o setor privado e os investidores estrangeiros”! Por isso, adota as privatizações para reforçar o sector privado e tenta apresentar também outros métodos de privatização, como parcerias público-privadas e concessões aos grupos económicos, etc., como sendo benéficos.
 O SYRIZA, como partido de oposição, caracterizava a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) como o “livro negro do neoliberalismo”. O SYRIZA, como partido do governo, recebeu em Atenas, nos primeiros dias do seu mandato, Angel Gurría, Presidente da OCDE, que teve uma reunião com o Primeiroministro A. Tsipras. A OCDE, de acordo com o governo de coligação SYRIZA-ANEL, é a organização que ajudará a elaborar uma lista de medidas, a fim de salvaguardar o desenvolvimento (capitalista) na Grécia. Medidas que substituirão a parte “tóxica” do Memorando, os notórios 30%. O SYRIZA, como partido de oposição, denunciou a decisão do anterior governo de pagar “dezenas de milhões de euros a empresas que prestam serviços jurídicos e aconselhamento financeiro”. O governo do SYRIZA-ANEL contratou a empresa “Lazard” como consultora para as questões da dívida pública e da gestão fiscal, obviamente apreciando a experiência proporcionada pelos anteriores governos do PASOK, de G. Papandreou. Isto não é por acaso! Além disso, o novo Ministro das Finanças, Y. Varoufakis (costumava ser um consultor de G. Papandreou) recorreu aos serviços dos ex-assessores de G. Papandreou, J. Galbraith e Elena Panariti, exdeputada do PASOK. O primeiro é um economista americano, professor na Universidade do Texas, funcionário do Instituto Levy, bem conhecido apologista do capitalismo e um apoiante de uma fórmula mais expansionista para a gestão da crise. A última trabalhou para o Banco Mundial. Por outras palavras, ambos servem o sistema e os seus mecanismos. Podemos acrescentar mais à lista das retratações do governo do SYRIZA e da sua “esquerda”, como o facto de uma série de promessas feitas antes das eleições – por exemplo, o aumento do salário mínimo – serem remetidas para um futuro distante. Da mesma forma, podemos apontar outros marcantes exemplos de funcionários e assessores do social-democrata PASOK que agora estão a servir o governo “de esquerda”. No entanto, a questão mais importante é a de clarificar que tipo de negociações o atual governo grego está a realizar com a UE e os outros credores. As negociações têm um conteúdo concreto, que não está relacionado com o “alegado fim da austeridade” na Grécia e na Europa, como o SYRIZA e os outros partidos que participam no Partido da Esquerda Europeia pretendem. Além disso, Y. Varoufakis afirmou claramente que nos anos vindouros, sob o governo do SYRIZA, os trabalhadores têm de continuar a viver “frugalmente”. As negociações estão relacionadas com as necessidades dos grupos económicos que advêm das consequências da profunda crise capitalista, assim como da evolução da incerta recuperação capitalista na Grécia e na zona do euro como um todo. Estas negociações estão a ocorrer num terreno hostil ao povo. Isto é provado pela identificação do governo grego com países como a França, a Itália e, sobretudo, os EUA, com todas as implicações negativos que esta postura acarreta. Estes países podem exercer pressão sobre a Alemanha em defesa dos seus próprios interesses, mas continuam a mesma dura linha política contra o povo. 3 Apesar da sua barulhenta propaganda sobre as negociações com a UE e os credores, o SYRIZA assume, ao mesmo tempo, que compartilha muito com eles e que continuará os compromissos antipopulares do país perante a UE e a NATO. Assim, o povo grego e os outros povos não devem cair na armadilha de serem separados em “merkelistas” e “obamistas” e divididos numa luta sob uma bandeira “alheia”. Eles têm de organizar a sua luta e exigir a reposição das perdas respeitantes aos seus rendimentos e aos seus direitos. Devem exigir a solução de todos os problemas dos trabalhadores e do povo, de acordo com as suas atuais necessidades. Devem lutar por uma saída que lhes traga esperança: a socialização dos monopólios, a saída das uniões imperialistas da UE e da NATO, com o povo a segurar as rédeas do poder. Isto preparará o terreno para o único, oportuno e realista caminho, que leva à verdadeira emancipação do povo: a construção de uma nova sociedade, uma sociedade socialista.

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