Os Cancelamentos e o Jornal Público Os casos de Boaventura de Sousa Santos, de Bruno Amaral de Carvalho e de Alexandra Lucas Coelho – por António Gomes Marques

Os Cancelamentos e o Jornal Público

Os casos de Boaventura de Sousa Santos, de Bruno Amaral de Carvalho e de Alexandra Lucas Coelho

por António Gomes Marques

 

Leitor desde a primeira hora do jornal Público e depois seu assinante online, muitas vezes discordando do que me parecia a linha editorial, o que não impedia que gostasse de ler muitos dos artigos e entrevistas que iam sendo publicados. Apesar de tudo, parecia um jornal plural.

O meu descontentamento ia crescendo, a hesitação a marcar presença quando se tratava de reafirmar a assinatura online. Deixei de ser seu assinante e seu leitor, informando o jornal das razões que a isso me levaram.

Foi naquele jornal que ia lendo os sempre indispensáveis textos de Boaventura de Sousa Santos, os textos únicos na imprensa portuguesa da Alexandra Lucas Coelho a testemunhar o genocídio do povo palestiniano por parte do maior estado terrorista do século XX e do século em curso, Israel, crimes a superarem os do Holocausto, o que levou o Presidente da Coreia do Sul, há dias, a afirmar que não via diferença entre os crimes de Israel e os do Holocausto. Israel, desde a sua fundação, é um estado dominado pelos sionistas, com uma longa história de criminosos desde a fundação do seu movimento e que os judeus, os que sofreram o holocausto e os seus descendentes são os primeiro a rejeitar. Judeus que têm abandonado Israel de forma cada vez mais acentuada, como vamos lendo nas notícias que aqui e ali vão escapando ao crivo da censura ao serviço desses sionistas, a começar pelos políticos europeus que na Europa vão (des)governando e calam o genocídio praticado por Israel desde, pelo menos, 1948, passando por cima dos atentados terroristas praticados pelos sionistas antes desta data, cabendo então à Grã-Bretanha a administração de toda a Palestina.

Alexandra Lucas Coelho

As excelentes reportagens de Alexandra Lucas Coelho sobre o Médio Oriente, as exemplares reportagens que punham a nu a acção criminosa de Israel, acção essa que não era apenas a que se seguiu ao ataque do Hamas em 7 de Outubro de 2023.

Regularmente, as reportagens da Alexandra iluminavam e justificavam em grande parte a assinatura do jornal. De repente, essas reportagens desapareceram, lembrando eu o aviso da Alexandra de que as suas reportagens da guerra genocida movida por Israel haviam chegado ao fim. Porque a guerra terminou? Não, provavelmente porque as pressões de Israel, através do seu embaixador, acobardaram a direcção do jornal e o genocídio continua até hoje com a cumplicidade activa dos EUA e dos países europeus. Activa também a colaboração europeia, pois não podemos esquecer que parte do armamento usado pelas forças armadas israelitas é fabricado e vendido por países europeus, o que continua a acontecer.

Haverá jornalista português que conheça melhor o Médio Oriente do que a Alexandra Lucas Coelho? Que eu saiba, não!

Não podemos classificar este desaparecimento da Alexandra Lucas Coelho das páginas do Público a dar-nos conta das atrocidades de Israel como um cancelamento?

A Alexandra Lucas Coelho não deixou de poder escrever para o Público, mas depois deste desaparecimento houve uma sua reportagem sobre uma quinta, falando do vinho ali produzido. A Alexandra necessita de ganhar a vida!

Bruno Amaral de Carvalho

Foi também no Público que comecei a procurar os escritos de Bruno Amaral de Carvalho e, especialmente, as reportagens sobre a Guerra da Ucrânia vista do outro lado. Que me lembre, apenas Luís Peixoto, da Antena 1, fez reportagens do lado das forças russas e do Donbass.

A primeira grande reportagem que li no Público sobre a Ucrânia —e que não esqueci —, foi da autoria de Ricardo Cabral Fernandes, publicada no jornal em 21 de Junho de 2020: Ucrânia, o campo de treino militar para a extrema-direita mundial, da qual retiro o seguinte parágrafo:

“A Ucrânia é hoje um dos principais pólos de atracção para a extrema-direita internacional e quase quatro mil estrangeiros de mais 35 países já receberam treino e combateram nas fileiras de milícias na Guerra Civil Ucraniana. Uma delas, o Regimento Azov, transformou-se num alargado movimento, criou um Estado dentro do Estado ucraniano, estendeu tentáculos por toda a Europa e quer criar uma Legião Estrangeira ucraniana.”

Depois, foram os escritos de Bruno Amaral de Carvalho, que me davam uma indispensável visão do outro lado, porquanto não há verdade sem contraditório. Quero construir a minha opinião em liberdade e não o posso fazer sem esse contraditório, oportunidade essa que quase todos os órgãos de comunicação em Portugal negam aos seus leitores e ouvintes, sem esquecer os espectadores dos canais televisivos, com estes a atentarem contra a verdade no dia-a-dia. A verdade parece ser apenas a veiculada pelo Ocidente, com o eurocentrismo a vigorar, eurocentrismo esse adoptado pelos EUA, como se não houvesse outro mundo a não ser o criado por esta chamada civilização ocidental. Todos os que fogem a obedecer a esta dita civilização passam a sub-humanos, deixam de ter o direito de existir e podem ser eliminados, com a actual administração americana a dizer que tem Deus do seu lado. A única verdade para estes senhores que se julgam donos do mundo emana de Washington, de Bruxelas e da OTAN/NATO, com esta organização, que de defensiva passou a ofensiva, a ter um secretário-geral, verdadeiramente patético, que se ajoelha perante Donald Trump e que nem assim consegue conquistar a sua simpatia.

Já houve órgãos de comunicação ocidentais que praticavam um jornalismo plural, obedecendo aos critérios de um sistema político verdadeiramente democrático. Hoje, há jornalistas presos em países ditos democráticos por não obedecerem à narrativa única ocidental. Onde está a democracia? Onde está um jornalismo fundamentado em factos?

Bruno Amaral de Carvalho refere, por várias vezes, no seu livro A Guerra a Leste – 8 Meses no Donbass o envio das suas reportagens para o jornal Público.

Na página 63 desta sua obra, estando em Donetsk, escreve:

“De seguida. Decido disciplinar-me e meto-me num café com bom acesso à internet pata enviar as imagens à CNN Portugal. Simultaneamente, escrevo ao editor do Público e explico que consegui entrar em Mariupol e que lhe vou enviar a reportagem. Não fica contente porque quer o exclusivo. Explico-lhe que posso trabalhar durante a noite e assim podem publicar o trabalho de manhã na página online. A CNN Portugal não vê qualquer problema nesta solução e dedico-me a escrever.

         No dia seguinte, o editor do Público explica-me que o diretor do jornal não quer os textos. Mas não por causa da CNN. É porque acha que as reportagens «não acrescentam nada» e à de Mariupol «falta-lhe o outro lado». A minha resposta foi perguntar, de forma irónica, se queriam que eu saltasse a linha da frente e fosse entrevistar os ucranianos ao porto de Mariupol. «Em Kiev ou Odessa ninguém se preocupa com o outro lado», acrescentei. Naturalmente, pareceu-me que tinha havido pressões para que eu não pudesse publicar mais artigos no Público. E assim aconteceu. Mal soube do que tinha acontecido, a CNN disponibilizou-se para comprar também a reportagem escrita.”

Não podemos classificar este desaparecimento Bruno Amaral de Carvalho das páginas do Público a dar-nos conta do outro lado da guerra na Ucrânia como um cancelamento?

Posteriormente, as reportagens de Bruno Amaral de Carvalho também deixaram de aparecer na CNN Portugal. Será difícil a qualquer um de nós adivinhar as razões?

No caso deste jornalista, o cancelamento não aconteceu apenas no jornal Público. Antes de voltar ao Donbass, Bruno foi convidado para, juntamente com o Luís Peixoto e com o Francisco Ferreira da CNN Portugal, participar num debate sobre a guerra na Ucrânia organizado pela Associação Iuri Gagarin, o que levou a Embaixada da Ucrânia a protestar junto da Câmara Municipal de Lisboa e os espaços alugados pela Associação organizadora invocaram problemas e negaram os espaços. Mas ainda há associações com coluna vertebral bem direita, como foi o caso do Clube Estefânia, que firmemente resistiu a todas as pressões e, ali, o debate aconteceu.

Mas a Câmara Municipal de Lisboa mostra o conceito que tem de democracia, bastando a Embaixada da Ucrânia espirrar para ela de imediato ajoelhar.

Passo agora ao caso de Boaventura de Sousa Santos, o mais grave de todos.

Boaventura de Sousa Santos

A publicação das reflexões de Boaventura no jornal Público era um momento sempre especial para o leitor que sou. Não me lembro de alguma vez ter discordado do seu conteúdo, exceptuando um ou outro pormenor, mas uma certeza eu tenho: os seus textos obrigavam-me a pensar, a situar-me no mundo em que vivemos e, naturalmente, a ajudar-me a caminhar rumo ao futuro. Estas publicações eram um complemento indispensável às minhas próprias reflexões a partir da leitura da sua vasta obra, a qual nos permite uma nova visão do mundo, com destaque para as Epistemologias do Sul, conceito formulado por ele em 1995 e com que Boaventura de Sousa Santos conquista a atenção e a admiração desse mundo, mostrando que há outros saberes que merecem a mesma valorização que os saberes impostos pela epistemologia dominante ocidental, o sistema epistémico eurocêntrico dominante, produzindo uma reflexão que se vem impondo num diálogo entre conhecimentos em plano de igualdade. Para além do sistema eurocêntrico, há outros conhecimentos e saberes que têm sido votados à invisibilidade e mesmo à destruição, o que as Epistemologias do Sul não aceitam e têm demonstrado a não razão para a dominação do sistema epistémico eurocêntrico. O sistema epistemológico proposto pelas Epistemologias do Sul obrigou a repensar e consequentemente a renovar o conhecimento científico social, desenvolvendo assim novos paradigmas teóricos e, como não poderia deixar de acontecer, novos paradigmas políticos de transformação social. O sistema eurocêntrico instalado não perdoa a Boaventura de Sousa Santos tal ousadia, sendo esta, a meu ver, a verdadeira razão do cancelamento a que o mundo o sujeitou, aproveitando as queixas daquelas mulheres que o acusaram de assédio, queixas essas nunca demonstradas e que o Tribunal, local apropriado para provar a razão de ser de tais queixas, nunca aceitou. Mais grave ainda: a Boaventura de Sousa Santos nunca foi dada a oportunidade de demonstrar a sua inocência, tendo imediato sido sujeito a um cancelamento total, a que o jornal Público aderiu imediatamente, não abrindo sequer as suas páginas a uma explicação do acusado, seu colaborador, note-se, de vários anos. É esta a justiça democrática que aquele jornal defende? Onde está o jornalismo plural, do contraditório, da busca da verdade?

Em relação às queixosas, não vou dedicar grande espaço. Acabam por ser insignificantes neste processo, limitando-se a tê-lo desencadeado, mas sem terem alguma vez pensado, penso eu, que outras entidades dele se poderiam aproveitar para calar a voz tremendamente incómoda para os que se julgam senhores do mundo.

Neste espaço, A Viagem dos Argonautas, poderá o leitor esclarecer as dúvidas que possa ter, nomeadamente nos «links» seguintes:

Voltando às Epistemologias do Sul, lembro algumas interrogações de Boaventura de Sousa Santos:

“Por que razão, nos dois últimos séculos, dominou uma epistemologia que eliminou da reflexão epistemológica o contexto cultural e político da produção e reprodução do conhecimento? Quais foram as consequências de uma tal descontextualização? São hoje possíveis outras epistemologias?”

E acrescenta:

“Este livro[i] procura dar resposta a estas perguntas, partindo de duas ideias. Primeiro, que não há epistemologias neutras e as que reclamam sê-lo são as menos neutras; segundo, que a reflexão epistemológica deve incidir, não nos conhecimentos em abstracto, mas nas práticas de conhecimento e nos seus impactos noutras práticas sociais. É à luz delas que importa questionar o impacto do colonialismo e do capitalismo modernos na construção das epistemologias dominantes. O colonialismo, para além de todas as dominações por que é conhecido, foi também uma dominação epistemológica, uma relação extremamente desigual entre saberes que conduziu à supressão de muitas formas de saber próprias dos povos e nações colonizados, relegando muitos outros saberes para um espaço de subalternidade.”

Boaventura de Sousa Santos teve outras ousadias, aceites e louvadas, como ser um dos fundadores da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (1973) — criando ali o curso de Sociologia —, de que é Professor Catedrático Jubilado, e ser o fundador (1978) do CES – Centro de Estudos Sociais e o inspirador/proponente (1984) do Centro de Documentação 25 de Abril (CD25A), neste tendo de imediato o apoio de um grupo de docentes e de investigadores do CES e a aprovação do então Reitor da Universidade de Coimbra, Rui de Alarcão, a quem a proposta foi apresentada. As duas instituições estão integradas na Universidade de Coimbra e ambas tiveram como Director Boaventura de Sousa Santos.

O CES tornou-se num Laboratório Associado reconhecido pela investigação nas ciências sociais, humanidades e diálogo Norte-Sul, com destaque a nível mundial pelo seu labor em prol do conhecimento e da promoção dos direitos humanos, notabilidade esta que muito deve à acção de Boaventura de Sousa Santos. O CD25A reúne e protege documentação fundamental, mesmo única, relativa ao período pós-revolucionário do 25 de Abril, com destaque para o período de 1974-1976, ou seja, a sua criação teve como objectivo inicial preservar materiais que tratam da vida política e social do período que vai da Revolução do 25 de Abril de 1974 até à aprovação da Constituição da República Portuguesa. É hoje um dos arquivos portugueses mais importantes sobre a história portuguesa do Séc. XX.

A notabilidade do CES é acompanhada pela notabilidade de Boaventura, não só nacional mas sobretudo internacional, o que começa a incomodar algumas personalidades, as quais dificilmente reconhecem o mérito do outro, sobretudo quando atinge a notoriedade do de Boaventura, uma notoriedade que o sistema não

poderia aceitar para alguém que era dele um crítico de alto nível.

Mas as ousadias de Boaventura de Sousa Santos não pararam aqui, houve uma outra que incomodou sobremaneira outros poderes bem maiores, o poder dos que se julgam senhores do mundo: foi um dos principais impulsionadores do Fórum Social Mundial. O Fórum tem uma ligação estreita na promoção da luta pela justiça cognitiva global, assim como é fundamental nas suas investigações sobre a globalização contra-hegemónica, mas também na promoção da luta pela justiça cognitiva global a que as Epistemologias do Sul dedicam uma atenção muito particular.

O Fórum Social Mundial foi criado em 2001, na cidade de Porto Alegre, Brasil, sendo um encontro anual de movimentos sociais, de ONG’s e da sociedade civil, tendo por lema Um outro mundo é possível. É, na verdade, um movimento que pretende combater o neoliberalismo e a globalização neoliberal, mostrando que são possíveis alternativas sociais, económicas e políticas, mostrando-se um espaço aberto e plural para debate descentralizado sem deliberações vinculativas, um espaço para troca de experiências e articulação de lutas, resistente à globalização neoliberal, visando a construção de um mundo solidário. É também um movimento onde não existem hierarquias, sendo as suas actividades auto-organizadas por aqueles que no Fórum participam.

Mas a ousadia do Fórum vai mais longe — estando Boaventura bem assinalado como um dos seus responsáveis —, atreve-se a discutir os direitos humanos, o feminismo, a globalização neoliberal, a justiça social e a democracia, reunindo milhares de pessoas em países diferentes em cada ano que representam movimentos sociais de esquerda de todo o mundo opondo-se à agenda da reunião de Davos.

Houve uma oportunidade para calar uma das vozes mais influentes e não houve nisso qualquer hesitação.

O jornal Público acobardou-se, teve de ceder aos que se julgam senhores do mundo e não mais permitiu os textos de Boaventura de Sousa Santos nas suas páginas, aderindo ao cancelamento sem que a sua culpa fosse provada e sem a possibilidade de lhe ser dada a palavra para se defender, como seria obrigatório a um órgão de comunicação que veja um seu colaborador ser acusado. Mas isso seria um órgão de comunicação responsável, plural que da procura da verdade faz o seu objectivo fundamental.

Guardei alguns dos textos que Boaventura ali publicou e fiz uma leitura na diagonal de alguns deles, focando-me no publicado no Público em 7 de Março de 2023: A exigente construção da paz (Quem mais interesse tem na paz é quem mais perde com a guerra e o que se perde e se ganha vai muito para além do que é mais visível. Se a Ucrânia sangra no corpo, a Europa sangra na alma. É o início do texto), desafiando o leitor a procurar este texto, lê-lo e pensar no que escreve Boaventura, após o que, penso, terá de concluir a falta que nos fazem as reflexões de Boaventura de Sousa Santos nas páginas do Público ou de outro órgão de comunicação.

Da surpresa às interrogações que ficam

No passado dia 5 de Abril, nas páginas do Público, para grande surpresa minha, surge de novo um texto de Alexandra Lucas Coelho sobre a acção criminosa praticada por Israel, intitulado Amanhã, em Jerusalém, enforcamos Cristo. Pessoa amiga, sabendo da minha posição em relação ao jornal, fez-me chegar o texto da Alexandra.

Será que, por fim, a direcção do jornal começou a aceitar o contraditório nas suas páginas? E os outros dois colaboradores — Boaventura de Sousa Santos e Bruno Amaral de Carvalho — também podem voltar a escrever ali? Se assim for, eu voltarei a assinar e a ler o jornal.

Outra notícia importante, que para mim não constituiu surpresa, mas que constituirá para muitos, surgiu no Diário de Notícias, no passado dia 14 de Abril, com grande destaque: Ministério Público arquiva inquérito sobre alegado assédio no CES da Universidade de Coimbra.

O despacho de arquivamento torna claro que nunca houve denúncias contra Boaventura de Sousa Santos, que o deveriam ter sido, como ele diz ao DN, “no único lugar em que deviam ter sido feitas, isto é, nos tribunais. Estando a correr um processo de inquérito, o natural seria que as denunciantes que vieram a público acusar-me de assédio o fizessem no processo. Mas não o fizeram. E não o fizeram porque nunca houve assédio. Ou seja, nunca foi intenção das denunciantes que fosse feita justiça, que eu fosse investigado, julgado ou condenado por assédio. Nunca quiseram discutir os factos que me imputavam no local próprio, que tem regras, e que são os tribunais. O despacho de arquivamento confirma o que sempre afirmei. A intenção nunca foi a de haver reparação ou punição. A intenção das denunciantes foi apenas uma: utilizando a comunicação social, difamar-me e cancelar-me, o que conseguiram. E objectivamente, contribuíram para a depressão que pode ter estado na origem da doença que causou a morte de uma querida colega e amiga e brilhante cientista social, a Professora Maria Paula Meneses.”

Claro que as denunciantes não fizeram a acusação no processo por uma simples razão: nunca houve assédio!

Faço minhas as palavras com que Maria Irene Ramalho, invocando a Professora Maria Paula Meneses, termina o seu texto Alguém tem de retratar-se e de pedir desculpa[ii]

“Alguém tem de retratar-se!

O CES deve pedir desculpa às verdadeiras vítimas!”

E o jornal Público? Não deve também retractar-se?

Como diz Boaventura de Sousa Santos: “O mal está feito, o dano é irreversível, os culpados ficam impunes. A este ponto chegámos nas sociedades ditas democráticas do nosso tempo.”

Portela (de Sacavém), 2026-04-16

NOTAS

[i] Boaventura de Sousa Santos e Maria Paula Meneses (Org.), Epistemologias do Sul, 2.ª Edição, Edições Almedina, Coimbra, Abril de 2023, pág. 9.
[ii] https://aviagemdosargonautas.net/2026/02/16/alguem-tem-de-re…ia-irene-ramalho/