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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Adeus Venezuela

 exta-feira, fevereiro 06, 2026 Tempo de leitura: 7 min

O DESMANTELAMENTO DA "REVOLUÇÃO BOLIVAR"

"Será insustentável continuar cobrindo o sol com um dedo diante da claudicação do governo venezuelano"

O recente curso de eventos na Venezuela revela - diz Níkolas Stolpkin - uma claudicação total contra o imperialismo dos EUA. "O discurso anti-imperialista da liderança bolivariana foi reduzido a uma fachada vazia, enquanto os laços de colaboração com aqueles que atacaram o país e sequestraram seu presidente são fortalecidos.

POR NIKOLAS STOLPKIN PARA AS ILHAS CANÁRIAS-WEEKLY.ORG.-

 

Nunca se pensou que, ao menor barulho em casa, a chamada "Revolução Bolivariana", que antes se declarara "anti-imperialista", acabaria com o rabo entre as pernas, de joelhos diante do império, para aquele império que eles disseram que estavam tão dispostos a enfrentar e tornar-se, se necessário, um "novo Vietnã".

 

E é ainda que as palavras do Comandante Hugo Chávez resoam, que tempo ele declarou:

"Vai-te foder, seus idiotas ianques, que aqui é um povo digno... aqui estão os filhos de Bolívar, os filhos de Guaicaipuro, os filhos de Tupac Amarú, e estamos determinados a ser livres... Se algum país veio, se alguma agressão contra a Venezuela veio, porque não haverá petróleo para o Povo ou para o governo dos Estados Unidos, nós, seus ianques de merda, sabemos disso, estamos determinados a ser livres, aconteça o que acontecer e o que quer que isso nos custe.

 

Palavras que foram firmes na história da Venezuela, mas que hoje já perderam peso sob o governo do presidente "in charge", Delcy Rodriguez.

 

"Não uma gota de petróleo", por outro lado, declarou meses antes Diosdado Cabello, ministro do Interior e da Justiça da Venezuela, se os Estados Unidos atacassem a Venezuela. Qual tem sido a posição de Diosdado Cabello após a agressão contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro?

 


"Eles violam o espaço aéreo do país, sequestram seu presidente, assassinam mais de uma centena de cidadãos e deixam que a vida deve continuar com "normalidade"

 

 

"PRUDÊNCIA ESTRATÉGICA"

É realmente difícil entender o que estamos observando na Venezuela, depois do que aconteceu com o presidente Nicolás Maduro.

 

Poderíamos dizer que é uma situação tragicômica: violam o espaço aéreo do país, sequestram seu presidente, assassinam mais de cem cidadãos (entre venezuelanos e cubanos), e logo saem com essa vida, pouco menos, devem continuar com "normalidade", ,ou que a resposta do povo venezuelano deve ser a "calma, a paciência e a prudência estratégica", como se quisesse emular a China com sua conhecida "paciência estratégica".

 

Quando em situações semelhantes a lógica aponta bem que "quebrar relações" com o país agressor, e até mesmo declarar guerra, a nova liderança da Venezuela assume para expandir os acordos com o país agressor r!!! Quando é que algo assim foi visto?

 

Mas o engraçado é que não só assumem expandir os acordos com o agressor, mas também assumem manter "canais de comunicação, respeito e cortesia" e uma "agenda de trabalho" com o país agressor. Em outras palavras: colaboração total no mais alto nível com o imperialismo, e tudo isso depois de ter sido sequestrado pelo seu presidente e matar uma centena de compatriotas!!!

 

A estratégia para o governo dos EUA devolver o presidente Nicolás Maduro é ser servil ao império? Você acha que a justiça do império vai agir em favor de Nicolás Maduro, então devemos atuar como vendedor de pátrias? Não. Não. Eles nunca tiveram uma "arma na cabeça" para agir como estão agindo. Eles têm sido simplesmente covardes que provavelmente traíram Nicolás Maduro e a Revolução Bolivariana.

 

"Eles omitem o povo da realidade gritante, vendidos para o povo como uma coisa, mas eles realmente acabam sendo outra "

 

 

"SILÊNCIO ESTRATÉGICO"

Eles podem se permitir ser negados uma série de "notícias falsas" através de seus canais de comunicação, mas eles não conseguiram negar o encontro real entre Delcy Rodriguez e o atual diretor da CIA, John Ratcliffe.

 

Até agora, a própria Delcy Rodríguez ou a liderança venezuelana permanecem talvez em "silêncio estratégico" por causa da vergonha daquela reunião, certo? Alguém falou de tal reunião? TeleSur? Deusa?

 

Pois bem, assim como podem omitir certas informações de interesse, da mesma forma que omitem a dura realidade ao povo, vendida ao povo como uma coisa só, mas que na realidade acaba sendo outra.

 

Um exemplo disso foi o que aconteceu recentemente com relação à visita à Venezuela de Laura Dogu, atual Gerente de Negócios dos EUA na Venezuela, ex-embaixadora dos EUA na Nicarágua e em Honduras.

 

   "A Venezuela, neste momento, já se parece mais com uma colônia dos Estados Unidos do que qualquer outra coisa. E Delcy Rodriguez é sua atual administradora"

 

 

O encontro entre Laura Dogu e o presidente responsável pela Venezuela, Delcy Rodríguez, é vendido dentro da Venezuela ou "oficialmente" como uma reunião que

"Faz parte dos esforços para consolidar uma cooperação binacional focada no bem-estar do povo venezuelano, com base no respeito mútuo, reciprocidade e equilíbrio."

 

Mas eles omitem o que a própria Laura Dogu apontou oficialmente:

uma reunião para "reiterar as três fases que o secretário de Estado Marco Rubio levantou sobre a Venezuela: estabilização, recuperação econômica e reconciliação, e transição".

 

E sem falar no atual controle do petróleo venezuelano. Sabemos quem os controla agora.

 

Para o povo venezuelano, o de "soberania", "independência" e "dignidade" continua a ser vendido, mas na prática o governo venezuelano perdeu tudo. Quando você faz “negócios” com os Estados Unidoso país que sequestrou seu presidente – você faz o que o governo dele está exigindo, você se acomoda à sua medida; o que você está fazendo é entregar sua soberania, sua independência e sua dignidade. Que os outros não queiram ver assim, é outra coisa.

 

A Venezuela, até agora, parece mais uma colônia dos EUA do que qualquer outra coisa. E a Delcy Rodriguez é a tua atual administradora. Amanhã não sabemos quem mais o administrará.

 

 

MÍOPE ESQUERDO

À parece haver uma certa tendência - ainda - de defender a "revolução bolivariana". Eles acham difícil entender tudo o que estamos observando. Eles se recusam a aceitar que a liderança da "revolução bolivariana" se rendeu aos interesses do imperialismo dos EUA.

 

O que vamos observar neste ano? Devemos observar o seguinte: a visita da presidente no comando, Delcy Rodríguez, à capital do império (como ela veio a insinuá-lo; e como mais tarde o império foi para confirmá-lo) – não é necessário ser adivinhadores –; eleições presidenciais terão que ser convocadas e, assim, empurrar a terceira fase de “transição”; e mudanças significativas virão para a Constituição Bolivariana, a fim de se conformar aos interesses imperialistas.

 

Como traduzir tudo o que deve ser produzido?

 

Alguns dentro da esquerda devem parecer reaprender as tabelas. Porque realmente temos hoje uma esquerda medíocre, concentrada mais em "identidades" do que nos trabalhadores, e que a história foi engolida que a luta armada já era "uma questão do passado".

 

É de se esperar que hoje não possam reagir aos últimos desenvolvimentos imperialistas na América Latina. Porque eles sinceramente dão vergonha aos outros.

 

 

DESMANTELAMENTO DA "REVOLUÇÃO BOLIVAR"

Dentro da casa há um discurso poderoso para a família, mas na prática esse discurso não vale nada porque se estabelece sobre mentiras que, no final, cairão ao longo do tempo, dando lugar à realidade gritante.

 

E a realidade é que a Venezuela está passando por um processo de desmantelamento da chamada "Revolução Bolivariana" que ainda não sabemos em que vai acabar.

 

Tal desmonte pode ainda não ser visto claramente, pois é um processo gradual, mas terá que ser notado quando se acumular uma série de mudanças que acabarão por se desvanecer para a chamada "revolução bolivariana".

 

Uma dessas mudanças pode ser a nova Lei de a da Adicione e continue...

 

Para grafar melhor... O povo venezuelano está vivendo uma realidade paralela que, mais cedo ou mais tarde, levará à fase de "transição" que o governo dos EUA está empurrando através dos atuais "administradores".

 

Será insustentável continuar cobrindo o sol com um dedo. O povo venezuelano deve ter a palavra final.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

A Ideologia Alemã

 

Página escrita por Marx, parte dos manuscritos de A ideologia alemã. Imagem: Wikimedia Commons

Por Maurício Vieira Martins

Em 2010, referindo-se ao conhecido texto A ideologia alemã de Marx e Engels, o acadêmico Terrell Carver publicou um artigo com um título intrigante: “The German Ideology Never Took Place”. Numa tradução livre, algo como: “A ideologia alemã nunca aconteceu”. O título — talvez hiperbólico — refere-se às descobertas fornecidas pelo avanço da nova publicação das obras completas de Marx e Engels, projeto conhecido com o nome de MEGA2. Tal avanço evidenciou que A ideologia alemã, longe de ser um texto acabado, foi composta na verdade a partir de um conjunto bastante heterogêneo de manuscritos redigidos entre 1845 e 1846 por Marx e Engels, mas que contaram também com contribuições de outros autores, e que foram unificados editorialmente apenas nas primeiras décadas do século XX1. Suas primeiras edições utilizaram critérios que induziam o leitor a pensar que se tratava de uma obra já finalizada com uma certa concepção homogênea do pensamento de Marx e Engels; este foi precisamente o aspecto que sofreu um escrutínio mais detalhado pelo menos a partir de 2003. 

Notemos que quando os pesquisadores da MEGA2 trouxeram a público suas descobertas, A ideologia alemã já gozava de considerável fama em amplos setores do marxismo. Afinal, esses manuscritos (alguns especialistas vêm preferindo usar o termo no plural), que completam 180 anos agora em 2026, desde há muito chamavam a atenção. Já em 1965, impressionado com a abrangência das formulações materialistas ali encontradas, o filósofo Louis Althusser declarou que em suas páginas encontrava-se o corte epistemológico operado por Marx no interior de sua própria obra; corte que teria rompido com sua formação filosófica anterior, alcançando um novo patamar explicativo estruturado. Ecoando as palavras das apresentações editoriais existentes naquela época, que supunham uma organicidade em A ideologia alemã, Althusser escreve: “Nessa nova concepção, tudo se encaixa também rigorosamente, mas é um novo rigor” (Althusser, 2015 p. 188). Não seria este o momento para discutirmos as teses althusserianas, mas vale lembrar que elas incentivaram, ao fim e ao cabo, um olhar pouco dialético sobre a obra marxiana, que postulava a existência de disjuntivas no seu interior — contrapondo um “jovem Marx” ao “velho Marx” — ao invés de reconhecer uma trama de relações entre seus conceitos. A pesquisa filológica posterior ao filósofo francês evidenciou, por exemplo, que uma categoria como Entfremdung (normalmente traduzida como estranhamento ou alienação) permanece central tanto na juventude como no pensamento posterior de Marx2, inclusive em O capital

Retornando às modificações que a MEGA2 documentou em relação às edições anteriores de A ideologia alemã, merece atenção o fato de que os manuscritos originais de Marx e Engels apresentavam majoritariamente um caráter polêmico, iniciando pela crítica de Bruno Bauer. Já o capítulo dedicado a Ludwig Feuerbach, usualmente apresentado como o primeiro, foi na verdade escrito posteriormente, e nunca chegou a ser concluído. Fato que é consistente, aliás, com o relato rememorativo de Friedrich Engels na década de 1880, em que ele se refere ao antigo manuscrito: “A seção sobre Feuerbach não está completa. […] Falta ali a crítica da teoria de Feuerbach porque, para o propósito daquele momento, ela não tinha serventia” (Engels, 2024, p. 36).

Hoje, passado o período mais áspero das polêmicas em torno de A ideologia alemã e reconhecido seu caráter inacabado e fragmentário, é preciso dizer que, não obstante isso, as vertentes fecundas do texto são tão numerosas que chega a ser uma tarefa difícil enumerá-las. Neste breve artigo de divulgação, mencionemos apenas três delas. A primeira é uma ênfase muito decidida por parte de Marx e Engels na necessidade cotidiana dos seres humanos transformarem a natureza para satisfazerem suas necessidades materiais:  

“a produção da própria vida material, e este é, sem dúvida, um ato histórico, uma condição fundamental de toda a história, que ainda hoje, assim como há milênios, tem de ser cumprida diariamente, a cada hora, simplesmente para manter os homens vivos” (Marx e Engels, 2007, p. 33).3

Distanciando-se de uma história das ideias desencarnada, ou mesmo de uma historiografia apenas política, A ideologia alemã aponta com firmeza para a importância da produção material da nossa existência, condição básica para que outras atividades humanas — como fazer política ou dedicar-se à filosofia — sejam desenvolvidas. É a partir desse solo fundante que Marx e Engels endereçam suas críticas à filosofia de sua época, comprometida por uma singular miopia quanto à importância daquilo que, alguns anos mais tarde, nossos autores nomearão como uma estrutura econômica

Uma segunda vertente particularmente instrutiva do texto refere-se ao desdobramento das diferenças da concepção de Marx e Engels em relação à de Ludwig Feuerbach. Mesmo sabendo hoje que houve nas edições anteriores de A ideologia alemã um destaque indevido a essa seção (atribuindo a ela uma centralidade que não existia nos manuscritos originais), resta verdadeiro que ali encontram-se vetores fecundos que merecem toda a atenção. Recordemos: num primeiro momento de seu trajeto, Marx e Engels endossaram certos aspectos do pensamento de Feuerbach, filósofo ateu que afirmou o primado da natureza sobre a ideia, sustentando a fundação natural da espécie humana. Seu livro A essência do cristianismo, de 1841, despertou a aprovação dos fundadores do marxismo: “O entusiasmo foi generalizado: momentaneamente todos nós nos tornamos feuerbachianos”, escreveu Friedrich Engels anos depois (Engels, 2024, p.48). 

Já em A idelogia alemã e nas Teses sobre Feuerbach, em contrapartida, encontramos enunciados alguns limites importantes do naturalismo feuerbachiano. Destaque-se especialmente a ênfase de Marx e Engels na categoria da atividade (Tätigkeit) humana, como modificadora contínua da realidade natural; era precisamente o impacto de tal atividade que Feuerbach tinha dificuldades em visualizar: 

“Ele não vê como o mundo sensível que o rodeia não é uma coisa dada imediatamente por toda a eternidade e sempre igual a si mesma, mas o produto da indústria e do estado de coisas da sociedade, e isso precisamente no sentido de que é um produto histórico, o resultado da atividade de toda uma série de gerações […] …é por isso que Feuerbach, em Manchester por exemplo, vê apenas fábricas e máquinas onde cem anos atrás se viam apenas rodas de fiar e teares manuais” (Marx e Engels, 2007, p. 30 -31). 

Para que o leitor se dê conta da relevância dessas considerações, basta fazer um teste trivial: olhar em volta do ambiente onde se encontra. Longe de uma natureza originária, encontrará um gigantesco conjunto de edificações, equipamentos e dispositivos transformados pelo trabalho humano: nossos próprios sentidos já estão saturados devido à milenar transformação da natureza. Por isso, quando mesmo um biólogo da grandeza de um Stephen Jay Gould escreve que “a ciência só pode trabalhar com explanações naturalistas; ela não pode afirmar nem negar outros tipos de agentes (como Deus)…” (Gould, 1992, p. 119), há um adendo importante aqui a ser feito. As categorias de análise próprias das explanações naturalistas devem ser continuamente complementadas — e em muitos casos retificadas — pela emergência de um mundo social profundamente transformado pela ação humana4

Como terceiro aspecto a ser destacado neste breve artigo, vale frisar a seminal elaboração de A ideologia alemã sobre a força das ideias, que se constituem como uma ideologia, um sistema estruturado de crenças que dispõe de uma inegável eficácia causal. E, passo decisivo, Marx e Engels apontam para a gênese material e classista das ideias dominantes de uma época. Suas considerações abrem espaço para um vasto campo de pesquisa sobre as ideologias: 

“As ideias da classe dominante são, em cada época, as ideias dominantes, isto é, a classe que é a força material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, sua força espiritual dominante. A classe que tem à sua disposição os meios da produção material dispõe também dos meios da produção espiritual, de modo que a ela estão submetidos aproximadamente ao mesmo tempo os pensamentos daqueles aos quais faltam os meios da produção espiritual” (Marx e Engels, 2007, p. 47). 

A atualidade dessas considerações de Marx e Engels sobre o controle da produção das ideias pela classe dominante é espantosa. Do século XIX aos nossos dias, o processo de produção e difusão das ideias dominantes pela via de corporações internacionais tornou-se cada vez mais generalizado. A grande imprensa brasileira pratica um mimetismo desavergonhado das matrizes estadunidenses e europeias de notícias. Quando Donald Trump invadiu a Venezuela em 03 de janeiro de 2026, até os termos escolhidos para o sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores foram copiados. A chamada “extração” de Maduro da Venezuela não foi apenas um deplorável eufemismo de nossa imprensa, mas antes a tradução da referência a uma operação que “successfully extracted Mr. Maduro” (tal como se pode ler no The New York Times). Ou ainda: as insistentes notícias sobre a “captura” (termo reservado para criminosos que caem nas mãos da polícia) do presidente venezuelano. Em contrapartida, a categoria chave para o entendimento da invasão da Venezuela, o imperialismo, foi convenientemente abafada e decretada obsoleta. 

Retornando à Ideologia alemã, é certo que ao lado de sua grandeza, o texto apresenta também seus limites. Em termos do debate com a economia política, ainda estamos ali muito distantes das grandes elaborações da maturidade de Marx, que vão se adensando principalmente ao final da década de 1850. Toda a reconstrução marxiana da teoria do valor, essencial para a crítica da economia política, só ocorrerá anos depois desses manuscritos de 1845-465. Já no que diz respeito ao que hoje nomeamos como uma teoria do conhecimento, é possível detectar em A ideologia alemã um aposta controversa no mundo sensorial como a fonte e o critério do conhecimento verdadeiro. É o que nos mostra a presença de enunciados como: “Aliás, nessa concepção das coisas tal como realmente são e tal como se deram, todo profundo problema filosófico é simplesmente dissolvido num fato empírico”. E, mais adiante: “A observação empírica tem de provar, em cada caso particular, empiricamente e sem nenhum tipo de mistificação ou especulação, a conexão entre a estrutura social e política e a produção” (Marx e Engels, 2007, p. 31 e 93). 

Nessa vertente em particular, a diferença com as obras marxianas posteriores precisa ser destacada. Nelas, a realidade empírica e sensorial é constantemente ultrapassada por um método que perfura a aparência imediata em busca de suas relações mais essenciais6. Basta analisar as categorias do mais valor ou do trabalho abstrato — tão decisivas na economia política marxiana —, para reconhecer que elas não são visíveis mediante uma inspeção do mundo empírico. Na verdade, pressupõem uma rede categorial mais abrangente e, portanto, uma teoria para que sejam demonstradas. Os textos da maturidade de Marx evidenciam de modo eloquente que, para além da realidade sensorial, existe uma estrutura oculta a ser arduamente decifrada.  

Dito isso, é provavelmente injusto avaliar A ideologia alemã por seus limites: mais produtivo é conhecer a ampla crítica da filosofia de seu tempo que Marx e Engels ali realizaram. Crítica que contribuiu substantivamente para a autocompreensão (ou, em alemão, Selbstverständigung7) de seus autores; aquisição considerável mencionada por Marx, anos depois, no seu Para a crítica da economia política.

Referências

Althusser, Louis. Por Marx. Editora da Unicamp, 2015. 

Carver, Terrell. The German Ideology Never Took Place. History of Political Thought, vol 31, n. 1, 2010.  

Engels, Friedrich. Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã. Boitempo Editorial, Edição Kindle, 2024. 

Gould, S. J. Impeaching a Self-Appointed Judge. Scientific American, 267, 118-121, 1992. 

Heinrich, Michael. A Teoria do Estado de Marx após “Grundrisse” e “O Capital”Lavra Palavra, 18/03/2021. 

Martins, Maurício Vieira. Marx, Spinoza and Darwin: materialism, subjectivity and critique of religion. Palgrave MacMillan, 2022. 

Marx, Karl. “Zur Kritik der Politischen Ökonomie”. In: Karl Marx Friedrich – Engels Gesamtausgabe (MEGA), Band 2. Berlin: Dietz Verlag, 1980. 

Marx-Engels-Gesamtausgabe (MEGA). Deutsche IdeologieManuskripte und Drucke. 2017. 

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.

Musto, Marcello. Repensar Marx e o marxismo. São Paulo: Boitempo, 2022. 


Notas

  1. Uma apresentação da equipe da MEGA2 à Ideologia alemã pode ser acessada aqui. ↩︎
  2. Esta permanência da Entfremdung (alienação/estranhamento) na obra de Marx é desenvolvida detalhadamente por István Mészáros em A teoria da alienação em Marx, livro que lhe valeu o prestigioso Deutscher Prize. ↩︎
  3. Adotamos aqui a tradução de A ideologia alemã publicada pela editora Boitempo, que mereceu um elogio superlativo por parte de Gerald Hubmann, diretor da MEGA2. ↩︎
  4. Abordei este aspecto com mais vagar no capítulo 3 (“Toward a Theory of Emergence”) do meu livro Marx, Spinoza and Darwin: materialism, subjectivity and critique of religion. ↩︎
  5. Marcello Musto alerta, por exemplo, que “Até o fim da década de 1840, Marx tinha essencialmente aceito as teorias de Ricardo”, economista do qual se distanciará – ainda que reconhecendo sua grandeza – a partir da década de 1850. Cf. Musto, 2022. ↩︎
  6. Michael Heinrich, dentre outros, aborda com clareza este ponto: “Que há uma estrutura escondida, não estava claro para Marx durante a segunda metade da década de 1840. O empirismo da “Ideologia alemã”, o enfatizar permanente de que temos apenas que apresentar os fatos empíricos (…)”. Cf. Heinrich, 2021. ↩︎
  7. Cf. Marx, 1980, p. 102. ↩︎

***
Maurício Vieira Martins é doutor em Filosofia e professor da Universidade Federal Fluminense. Membro do Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas sobre Marx e o Marxismo (NIEP-Marx/UFF).

in Boitempo 

Eis como era a escrita de Marx que Engels teve que decifrar

 

Página escrita por Marx, parte dos manuscritos de A ideologia alemã. Imagem: Wikimedia Commons


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O Irão com um regime reacionário

 AVISO À NAVEGAÇÃO 

O dever de declarar e praticar um internacionalismo coerente não significa apoiar modelos de governos e regimes políticos ameaçados, sancionados, atacados pelo Império. É o caso precisamente do Irão ora alvo nestes dias. Devemos manifestar toda a solidariedade com o seu povo persa e outra etnias - a unidade nacional -sofrendo há décadas internamente por via externa, pelo cerco asfixiante do imperialismo com Israel sionista à cabeça. Não manifesto qualquer simpatia por um modelo político clerical, não democrático e obscurantista, que liquidou nos anos da revolução contra uma monarquia corrupta, revolução que não foi somente islâmica! toda a vanguarda comunista e outros socialistas e democratas. Torturou e enforcou. E continua a fazê-lo. Tem melhorado nas leis e nos direitos, parece certo, contudo conserva-se teocrata, apoiada nos Guardas da Revolução. Um socialista, um comunista, não pode apreciar governos nos quais determinados direitos elementares são proibidos ou, pelo menos, limitados e o seu exercício vigiado.

A repressão brutal contra as manifestações que no seu início foram pacíficas (os primeiros manifestantes foram precisamente os seus apoiantes!) atesta o pendor autoritário e policial da sua política interna que os ataques norte-americanos à moeda nacional e as sabotagens criminosas da Mossad não justificam. 

Até sempre camarada Michael Parenti

 Bertrand.pt - O Assassinato De Uma NaçãoFaleceu Michael PBertrand.pt - Against Empirearenti, um grande filósofo por muitos admirado, que nos legou livros incontornáveis como este que aqui publicamos em tradução portuguesa. Através dos seus livros marxistas, internacionalistas, anti imperialistas, leninistas, Parenti viverá entre os vindouros.

Defender Cuba ; dever internacionalista

 

For this reason, solidarity with Cuba cannot be episodic, symbolic, or rhetorical. It must be organized, political, and confrontational. It must challenge the legitimacy of the blockade, expose the criminal character of economic warfare, and mobilize working-class forces against imperialist aggression. For communist and workers’ parties, this is not a question of preference or tone. It is a test of internationalism itself. In conditions of imperialist assault, neutrality is not an intermediate position; silence aligns objectively with the aggressor.

There is no comfortable middle ground. Either imperialism succeeds in suffocating socialist Cuba, or the international working class asserts its capacity to resist, to learn from historical defeats, and to re-enter history as an active force. Fidel Castro warned that revolutions are not destroyed only by external force, but by the erosion of solidarity and historical confidence. The defense of Cuba today is therefore a test—not of Cuba alone, but of the international workers’ movement as a whole.

Defending socialist Cuba is not a matter of sentiment, but a concrete historical task of the international working class — a task that must be carried out at all costs. »   Nikos Mottas is the Editor-in-Chief of In Defense of Communism.

 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Na finalidade e intenção mantida por este bloque no contraditório, este texto tem interesse.

 

A ilusão da distopia


Imagem: Lucas George Wendt
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Por RICARDO L. C. AMORIM*

O novo capitalismo não retorna ao passado bárbaro; ele o supera com uma exploração mais sofisticada, onde a submissão é voluntária e a riqueza se concentra sem necessidade de grilhões visíveis

1.

À entrada do século XXI, cresce a preocupação de que o capitalismo, em breve, não se limitará a barbaridade cotidiana, mas abandonará a própria máscara de humanidade que usou na segunda metade do século XX. Não se trata de revelar suas contradições, posto que sempre estiveram visíveis.

Mas da retomada do imperialismo, dos níveis de violência do Estado e da exploração do trabalho na forma como eram legalizados nos séculos XIX e começo do XX. A pergunta é, portanto, direta: o capitalismo, ao desregulamentar direitos e renovar a violência do Estado, voltará às formas de exploração do trabalho vistas há um século atrás?

A resposta é inequívoca: isso é impossível! Claro que há o repontar de práticas imperialistas – algumas grotescas – e a dependência permanece afundando as esperanças de nações pobres.[i] Ao mesmo tempo, internamente à maioria dos países, se observa a ascensão da extrema-direita, utilizando o medo e a mentira para governar as ilusões daqueles aturdidos pelas transformações sociais e tecnológicas hodiernas.

O mundo, no entanto, é novo! Por exemplo, há uma remodelada geografia que abarca, desde a inédita taxa global de urbanização até mudanças na geopolítica e na divisão internacional do trabalho, ambas marcadas pela ascensão do Extremo-Oriente. Tão importante quanto, assombrosas tecnologias transferiram o reinado do capital fabril e das linhas de produção para os computadores, as redes digitais de informação e as finanças.

Como consequência dessas inovações de alto impacto econômico, uma jovem burguesia ascendeu a posição de fração dominante do capital e passou a prevalecer sobre as decisões de produção, do dinheiro, das artes e da comunicação. Uma nova oligarquia capaz de costurar alianças com a velha plutocracia, mas toda ela fruto ou dependente da tecnoestrutura.[ii] Destarte, trata-se de manifestações de uma renovada dinâmica capitalista que já remodela a vida social cotidiana e que é qualitativamente diferente dos padrões conhecidos do passado.

Tanto assim que alguns eventos irreversíveis podem ser destacados para marcar a transformação ocorrida na segunda metade do século XX e início do XXI. Se os anos do pós-guerra trouxeram paz entre às potências ocidentais e a construção do Estado de Bem-Estar Social na Europa, por outro lado, o poder de empresas multinacionais espalhadas pelo globo e a ascensão do mercado financeiro global engendraram um capitalismo onde não são os governos, mas algumas poucas companhias que dizem ‘sim’ ou ‘não’ sobre os interesses nacionais de cada país.

Além disso, a transnacionalização de grandes capitais, inclusive bancos, ajudaram a criar poderosos mercados financeiros em dólar fora dos Estados Unidos que, depois, sustentados na desregulamentação do fluxo internacional de capitais e na desintermediação bancária do dinheiro,[iii] terminaram por unificar o mercado financeiro do planeta.

Desde ali, capitais pressionados pelos processos de concentração e centralização, comuns aos momentos de renovação tecnológica do capitalismo, encontraram oportunidades para acumular-se sem a necessidade de produção, inovação ou concorrência. Sob o porto seguro da especulação financeira em grande escala, aplicar fortunas em papéis e contratos tornou-se o padrão mínimo de rentabilidade, acelerando a financeirização da riqueza global em bases nunca imaginadas.

2.

Naturalmente, são fenômenos que não podem retroagir e muito menos seus resultantes US$ 1,2 quatrilhão em ativos de circulação estritamente financeira[iv] podem exercer seu poder de compra na esfera real da economia mundial. Por fim, a recente redivisão internacional do trabalho trouxe para a cena mundial um colosso fabril que se tornou um titã tecnológico e militar: a China. Mas não o fez sob a ordem de instituições crentes na fé liberal ocidental.

Foi a ascensão de um herege! Com ele, uma enorme parte do mundo passou a constituir um desafio basilar e essencial à ordem capitalista ditada desde o Ocidente. Não é possível esperar, desse modo, que ressurja incólume o domínio do Norte Global, reinando de maneira unipolar e injusta sobre os povos da Terra.

É por esse motivo que se deve prestar atenção ao que John Keneth Galbraith (1982, p. 53) ensinou: “o poder vai para o fator que é mais difícil de obter ou de substituir. Em linguagem precisa, pertence àquele que tem a maior inelasticidade de oferta na margem. Essa inelasticidade resulta de uma escassez natural ou de um controle eficaz sobre a oferta por alguma ação humana ou ambos”. Não há dúvida de que o capital, isto é, a riqueza usada para gerar mais riqueza, composta geralmente por meios de produção e dinheiro, continua a ser o fator escasso por estar concentrado nas mãos de poucos.

Essa definição é condição do capitalismo. Nada de novo aqui. O que é novidade é esse fator escasso estar trocando de mãos para uma nova fração de capitalistas, diferente da anterior.

De outro modo, em razão da ascensão de novas tecnologias calcadas na microeletrônica, na programação de computadores e na comunicação via internet, o fator escasso mais valioso mudou de objeto e o poder concentrou-se em jovens empresários tão imorais e aéticos quanto qualquer grande capitalista antigo ou futuro, mas com características particulares como: vínculo ao novo ramo de negócios em espetacular ascensão; controle sobre massa nunca vista de informações sobre pessoas e empresas; capacidade para manipular narrativas sociais, favorecendo a cristalização de posturas intolerantes e acríticas; favorecimento por parte de um grande Estado gerador de tecnologia (Estados Unidos);[v] fragilidade do antigo modo de regulação fordista; redução drástica de freios externos à avidez por riqueza e poder; posse sobre patrimônios inimagináveis no final do século XX; superexposição egótica na mídia e na hipermídia, alterando a definição de sucesso e fortuna; e mais.

3.

Note que essa fração ascendente de capitalistas vive o lado crescente da onda tecnológica que promete alterar os processos de produção das coisas e dos serviços, permitindo, por isso, questionar tudo, inclusive as estabelecidas relações de trabalho que vigoram desde o auge do mundo fabril. Observe, portanto, que a questão não se resume a nova elite poder financiar a política cotidiana, os lobbies ou os meios de comunicação.

Há algo mais importante e profundo em transformação: trata-se de valorizar novos modelos de sucesso, inspirar ambições e espalhar a imitação da prosperidade entre jovens e adultos, produzindo ali ocultos caminhos para a naturalização de padrões comportamentais, com transformados juízos de valor e justiça sobre o mundo e os eventos (Sennett, 2006).

Desse modo, no momento, não parece haver qualquer risco de retrocesso do capitalismo contemporâneo aos padrões existentes no final do século XIX e início do XX. O avanço tecnológico, a acumulação de capital, as novas instituições, a jovem elite e, principalmente, a legitimação do “admirável mundo novo” não oferecem quaisquer sinais para um temido retrocesso histórico.

Diante disso, mesmo que muitos não gostem da novidade, o capitalismo continuará a avançar, assustando sempre as mentes alicerçadas em ilusórios castelos de permanência e “merecido” status social. Os ciclos de expansão econômica, sustentados em novas tecnologias, são sempre perversos, criando e destruindo, sem limite claro sobre seu desfecho. Assim, é provável, aliás, muito provável, que os temerosos de hoje sejam superados com o ingresso das novas gerações no mundo do trabalho e sua maioridade, pois aos moços, o poder atual parece ser o que sempre foi e está onde sempre esteve, sendo “normal” a vida como ela se mostra.

É preciso ter claro, no entanto, que ser impossível retroceder aos modos de exploração da mão de obra e de violência do Estado vividos no século XIX e começo do XX não é redenção ou promessa de tempos melhores. Os novos modelos empresariais, a financeirização da riqueza e a redução global dos direitos dos trabalhadores deram azo a formas inéditas de extração de valor que, eventualmente, urdirão os fios da mais incrível concentração de riqueza social já vista.

Pior, a legitimação para isso virá do mais sofisticado controle de corações e mentes criado pelo homem: um universo digital em rede, aparentemente descontrolado de informações e narrativas sem critérios de verificação e aos quais se soma, crescentemente, a fabricação de imagens e sons irreais sobre pessoas e fatos.

A eficácia desse modelo de comunicação, cuja imparcialidade é risível, já permitiu, sem detença, ressuscitar crenças que pareciam superadas, como a desconfiança na ação coletiva, o individualismo exacerbado, o empreendedorismo e o consumo como índice de sucesso.

Como resultado, observa-se, hoje, por exemplo, que o chamamento ao empreendedorismo sem capital, obra de um homem só, vendendo banalidades ou trabalho simples às plataformas digitais, seja o símbolo da nova era de submissão de todos ao capital. De outro modo, está naturalizado, nos dias que correm, que o trabalhador se apresse em entregar seu trabalho à preço vil ao capital insaciável, acreditando ser livre.

4.

Não se trata, portanto, de voltar aos métodos de exploração e à violência do Estado de cem anos, um pouco mais, atrás. O tabuleiro onde se movem as peças atuais é diferente e não retornará ao passado, exceto como farsa.

O capitalismo que prospera hoje é infinitamente superior na forma de extrair valor aos trabalhadores, pois parece ter alcançado uma admirável fórmula que combina a exploração máxima e voluntária da mão de obra, a entrega dócil do valor produzido ao capital e a ilusão, por parte de quem realmente produz, de que esse é o modo justo das trocas e, mais importante, de que o esforço individual levará cada um a atingir posições de destaque social, principalmente na forma de riqueza.

Essa é a exata definição de poder no mundo de hoje. Não há nada, ao menos até agora, capaz de frear ou deslegitimar o desenvolvimento desse novo capitalismo e sua forma de exploração do trabalho com consequente acumulação de riqueza nas mãos de pouquíssimos. Tanto assim que mesmo a esfera mais controversa da vida social, a política, associou-se ao florescimento do novo modelo, abrindo espaço para a ascensão mundial da extrema-direita e seu secular desprezo pelo conhecimento, pela democracia, pelos pobres e pelo diferente.

O momento, consequentemente, não corporifica uma moda de curto prazo, vulnerável a reações pontuais da sociedade. Pelo contrário, a década atual parece ser a fase ascendente de uma Onda de Kondratiev,[vi] transformadora da tecnologia, da produção, das relações de trabalho e das instituições necessárias a fazer convergir forças produtivas e relações de produção.

À vista disso, sim!, o capitalismo afigura estar iniciando outra próspera fase, muito longe de qualquer crise insuperável. Os desencontros, resistências e fragilidades se assemelham mais as dores do parto de um novo modelo de acumulação que ainda não amadureceu e nem mostrou se engendrará maior bem-estar coletivo ou pior desastre social.

Em outras palavras, a humanidade está construindo um capitalismo superior ao mundo criado pela revolução industrial, mas pouco ou nada se sabe sobre o futuro. Por enquanto, o que se tem é a certeza de que o passado não voltará, mas nem por isso é possível esperar melhores dias aos “deserdados da Terra”.

*Ricardo L. C. Amorim é professor de economia no IBMEC (DF).

Referências

CARDOSO, Fernando; FALETTO, Enzo. Dependência e desenvolvimento na América Latina: ensaio de interpretação sociológica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.

CHESNAIS, François (org.). A finança mundializada: raízes sociais e políticas, configuração, consequências. tradução: Rosa Marques; Paulo Nakatsni. São Paulo, SP: Boitempo, 2005.

FURTADO, Celso. O Mito do Desenvolvimento Econômico. São Paulo: Paz e Terra, 1974.

GALBRAITH, John Kenneth. O Novo estado industrial. São Paulo: Nova Cultural, 1982.

MARINI, Ruy M. Dialética da Dependência: uma antologia da obra de Ruy Mauro Marini. Petrópolis; Buenos Aires: Vozes; CLACSO, 2000.

PHILLIPS, Peter. Titans of Capital: How Concentrated Wealth Threatens Humanity. New York: Seven Stories Press, 2024.

SCHUMPETER, Joseph A. Capitalismo, socialismo e democracia. Editora UNESP Digital, 2017.

SENNETT, Richard. The culture of the new capitalism. New Haven: Yale University Press, 2006. (The Castle lectures in ethics, politics, and economics).

Notas


[i] Ver Cardoso e Faletto (2004), Marini (2000) e Furtado (1974).

[ii] Ver Galbraith (1982).

[iii] Ver Chesnais (2005)

[iv] Ver Philips (2024).

[v] A China também, mas trata-se de outra realidade institucional e de poder. A Coréia do Sul poderia ser incluída entre as exceções, porém, seu impulso foi reduzido com a maior submissão aos Estados Unidos.

[vi] Ver Schumpeter (2017).

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