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sábado, 12 de setembro de 2026

O marxismo de marx não é, nem pretendeu ser, uma ética universal

 Marx e a Ética

 José Augusto Nozes Pires 

    A obra escrita que se conhece atualmente de Karl Marx não aprova as interpretações que fazem dela nem uma obra de ética, nem uma doutrina ética explícita, bem uma moral prescritiva com princípios e deveres universais, isto é, valores supra históricos .

A sua obra, ou o seu pensamento exposto em textos quer para editar quer de correspondência trocada com F. Engels e outros correspondentes, não é, porém, uma teoria científica entendida ao modo do século dezanove e pré-física quântica, como um conjunto de leis "de ferro", sem desvios e interrupções. A sua obra principal não é um tratado de história universal, mas uma análise da natureza, origens, formas de de desenvolvimento, tendências, do modo de produção e respetivas relações capitalistas de produção. Nesta obra há que lembrar alguns aspetos:

1. Marx só reviu o primeiro livro de O Capital. Os outros livros II, III e IV, devem-se ao trabalho do seu amigo F. Engels, seu secretário para esse efeito, que descodificou a letra quase ilegível de Marx, arrumou e reuniu em capítulos e acrescentou deduções e afirmações suas, dele próprio. Não queremos dizer que existam um Karl Marx e um Engels. Ambos estiveram sempre de acordo e trocavam correspondência quase diária. As putativas oposições entre um vivo e o outro já falecido, não tiveram até hoje consenso. A própria Dialética da Natureza, obra inacabada de Engels muito posterior à vida do seu amigo, texto tão discutidos por que são realmente discutíveis, não são, por si só, matérias que se opõem a Marx vivo, pois que foram do seu acordo no essencial. Marx abandonou a escrita e a investigação de matérias de pendor filosófico muito cedo. Serviram sobretudo para estabelecer, ou esclarecer melhor dizendo, os enunciados ou axiomas do que deve ser uma boa Filosofia herdeira do melhor do Idealismo (Hegel) e do materialismo : a historicidade dos fenómenos criados em sociedades humanas.

2. Marx, nesses textos para edição, refere somente por duas vezes, explicitamente, no Livro revisto e publicado por ele, a necessidade de superar o capitalismo através da livre associação dos trabalhadores e de uma economia submetida a Planos (Planificação económica ). A dedução de que estas caraterísticas cumpririam as exigência de uma sociedade socialista, cabem aos leitores. Evidentemente que noutros escritos, Marx apela ao socialismo (contra fórmulas anarquistas e utópicas) e vê-se isso claramente na exposição dos enunciados principais do que será o comunismo, nas "Glosas sobre o Programa de Gotha) . Além disto e tendo em conta os seus escritos de juventude, Marx afirma claramente que o comunismo é a abolição da propriedade privada (dos meios de produção).

3. Em o Capital - não citando já os escritos de juventude e os Grundrisse- Marx adjetiva com expressões morais ou valorativas negativas (os capitalistas bebem o sangue das vítimas, os trabalhadores , como nos ritos bárbaros primitivo), o que poderia eventualmente permitir uma crítica também moral à formação económico-social capitalista.

4. Provavelmente a principal tese e descoberta científica de Marx (conjuntamente com Engels) haja sido demonstrar que tudo que existe é histórico e, portanto, depende tudo das épocas. Nunca existiu uma moral válida para todas épocas, transhistórica no sentido de transcender a historicidade das essências e dos fenómenos. As sociedades onde domina absolutamente o modo capitalista de produção e suas relações de exploração da força de trabalho e as  respetivas ou concomitantes classes sociais, são movidas por um processo histórico epocal e local, possuem uma essência (um núcleo matriz fundamental) que é histórica que se manifesta por fenómenos históricos e locais.

5. O facto dos fenómenos serem históricos - do capitalismo ser uma entidade histórica - não exclui que movimente, i.e. se reproduza, por tendências imanentes , i.e. próprias da sua natureza, inevitáveis reunidas determinadas condições que até se irão repetir. Assim é o que sucede com a inevitabilidade das lutas de classes em consequência das desigualdades e da dominação, das crises conjunturais mas sempre sistémicas, particularmente da tendência para a queda da taxa média do lucro das empresas privadas. Porém, e o que demonstra que Marx não considera este fenómeno decorrente como uma "lei de ferro" mas como um tendência, é explicitar logo em seguida que o capitalismo (ou o seu Mercado) dispõe de  contratendências. Por conseguinte as "leis" económico-sociais não são leis da Física e da Química. De resto, até porque Marx as desconhecia, o século seguinte veio demonstrar que na micro-física (Física Quântica) prevalece o indeterminismo e não o determinismo.

                  Conclusões :

O marxismo do próprio Marx (não da II Internacional, não de Karl Kautsky e menos ainda, no caso da ética, de Bernstein, o revisionista, não nos legou uma obra escrita sobre Ética ou Moral, uma Filosofia da Moral. O pensamento filosófico de Marx assenta numa ontologia, isto é um facto, os fenomenólogos (a Fenomenologia filosófica) não é marxismo nem nada que se lhe assemelhe. Estes recusam o "esencialismo" conforme dizem, a ontologia seria um novo nome da metafísica conforme afirmam. Ora, uma coisa é metafísica ou transcendentalismo, outra coisa é ontologia, ou estudo do ser, fornecer uma resposta à pergunta essencial platónico-aristotélica : o que é o Ser?

A ética kantiana assenta em enunciados metafísicos ou conclusões que resultam lógica e necessariamente da Crítica da Razão Pura, porque Kant o quis. Devemos acreditar num deus moral e numa alma imortal, porque não podemos demonstrar que ambas as "coisas" não existem ou que existem, depois das conclusões extraídas da Crítica da Razão Pura : a Razão termina ou esbarra com oposições Tese-Antítese, não dialéticas irresolúveis ; portanto, para que a vida humana seja moral, ou possua certo grau de moralidade (nas relações comunitárias liberais) precisamos que haja deveres morais (todo o dever valorativo é ético, moral) que forneçam significado, que mereçam ser cumpridos, que exijamos a nós mesmos e aos outros. 

Ora, a filosofia de Marx superou a Crítica da Razão Pura e a Crítica da Razão Prática , depois desta ter evoluído em Fichte e Schelling e, é isto o principal, haver sido "destruída" pela Dialética (pela Lógica) de Hegel. 

Karl Marx seguiu, pelo contrário, as pisadas dos materialismos filosóficos e inseriu neles uma Dialética na História social-humana, i.e. o materialismo dialético. Neste quadro ( já tínhamos visto isso em a Fenomenologia do Espírito, de Hegel) não caberia uma Moral baseada em entes transcendentes, não naturais ; nem em uma moralidade cujos valores (deveres, direitos, censura, prescrições, virtudes) fora da natureza, fora das sociedades e das suas histórias particulares. Cada época é classificada segundo a predominância de um determinado modo de produzir os bens e distribui-los, com o qual são compatíveis ou não, contraditórios ou não, determinados modos de os seres humanos se relacionarem entre si. Se o modo de produção compõe-se ou funciona através da exploração da força de trabalho de uns humanos por outros;  se uns tantos, porque possuem dinheiro e força, podem (possuem poder legitimado e legal) de se apropriarem do excedente produzido pelo operário num dia de trabalho, toda a moral tem de assentar nessa base. Claro que, no capitalismo, tal realidade é legítima e legal, constitui o direito do empresário e o dever do trabalhador se sujeitar, e pode significar ser ética ou moral por isso ; porém, não é justo que se roube alguém do produto do seu trabalho , que nos aproemos sem pagar  da maior parte do tempo em que trabalha. A vida do trabalhador, nessas condições, não possui significado, pelo menos positivo. O que o move a pedir trabalho é a fome, a necessidade de sobreviver. O capitalismo é vampiresco, semelhante aos rituais primitivos ditos pagãos, por baixo das máscaras com que se justifica por meio do Direito e de religiões. Outro valor : o trabalhador não é livre, deve trabalhar, muitas vezes em condições precárias, brutais, humilhantes, se não quiser morrer pela fome, se quiser constituir família, se não quiser vir a ser um dos excluídos. Por outro lado, a desigualdade social social, profunda na atualidade tal como já fora no século dezanove, é injusta e insuportável, um dia terá de acabar. O capitalismo pela sua fome insaciável de lucro máximo e tão imediato quanto possível,  está a conduzir o planeta a condições ambientais e climáticas tão extremas que, segundo a ciência, conduzirá à extinção de inumeráveis formas de vida que sustentam a vida dos seres humanos e a a alterações climáticas que porão em perigo a nossa Espécie. 

A sucessão de guerras e do caos e misérias que elas provocam, devem-se à natureza imperialista do capitalismo. Os impérios coloniais do século em que viveu e pensou Karl Marx converteram o capitalismo em colossais corporações nacionais e super nacionais que concorrem entre si por mais e melhores recursos e territórios para extrair matérias-primas, forçar trabalhadores, substituir florestas por monoculturas intensivas, submeter povos por meio de empréstimo-dívida, sanções, tarifas. Uma sociedade na qual reinam governos militaristas, capazes de utilizar regimes nazi-fascistas, o terrorismo, o racismo e a exclusão discriminatória, para atingir os seus fins, não é justa de modo algum. 

 Pelo que foi dito se infere que a luta , e o projeto, por sociedades socialistas, democráticas, comunistas, é não apenas justa como necessária à sobrevivência da Espécie humana, à criação de uma vida com mais bem-estar , justiça, dignidade e segurança. Contudo, em Marx, não encontramos nenhum modelo de sociedade socialista proposto, nem nenhuma utopia desenhada ao detalhe. Cabe a cada povo, consciente e politicamente culto, escolher e experimentar numa dada relação de forças, numa dada situação crítica do imperialismo, com a forma de mercado pela qual optar, na capacidade de atrair a colaboração anti imperialista e , portanto, não capitalista, de outros povos. Não basta ficar pelo protesto, é necessário possuir uma moral do dever. Moral do dever-ser. não só para a sociedade que há de vir , mas já hoje.

Karl Marx não pôde conhecer obviamente as grandes investigações de novas ciências como a Etologia e a Antropologia do século XX. Nem a Biologia e a sua filiada Genética da segunda metade do século passado.Nem a Neurologia deste século. Por conseguinte não saberemos nunca o que ele delas incluiria na sua concepção historicista das sociedades. Cabe-nos a nós fazer esse trabalho, focando-nos na coerência das teses marxianas e nos avanços das ciências. No meu ponto de vista particular, tenho em conta, como justas, as teses materialistas (filosóficas) de Engels e de V. I. Lenine. Assim, não descuro as hipóteses do inatismo de muitos comportamentos. O ser humano é fruto comum de predisposições e determinismos biológicos (fisiológicos, neurológicos) com os demonstrados pelas ciências referidas. Não dependem na origem das sociedades. Dependem, isso sim, do estímulos familiares e sociais (como sucede com o "instinto" dos animais não humanos), estímulos externos e ambientais. A filosofia de Marx assimila, deve assimilar, os avanços das ciências pois elas constituem contribuições decisivas para os sucessos do Materialismo sobre o Idealismo filosóficos. Contra as teorias metafísicas da existência de entidades divinas ou existentes fora da Natureza, ou teorias que continuam a afirmar o primado das ideias sobre a materialidade da vida e do mundo, sobre o processo histórico. O Materialismo afirma o primado histórico e gnoseológico da Energia e da Matéria, o primado de Deus sive natura como escreveu Baruch Espinosa. Não aprovo a tese de Engels de que a Natureza (não social) se ordene segundo leis dialéticas (Afirmação, Negação, Superação) como sucede na História humana (a História , porém, não se rege apenas pelas "leis" dialéticas, também por outras tendências). As atuais ciência da natureza não as confirmam, pelo menos na sua putativa utilidade para a investigação). Sou de opinião que Engels se contradisse, e o que há de melhor nele é a contínua tese de que a natureza possui uma história - uma história universal composta de histórias particulares e singulares, e é, precisamente isso, que constitui o que chamou inadvertidamente dialética da natureza , que  suporia, esta, uma evolução do inferior para o superior, sempre necessariamente e sem recuos e regressões,que contraria os enunciados consensuais da teoria de Darwin, do neo-darwinismo e da Genética. De resto, a dialeticidade do processo histórico, muito embora se reja sempre na base por lutas de classes e estas pelas contradições no interior das várias relações sociais (incluindo naturalmente as formas eidéticas, institucionais, doutrinais, e pelas, enfim, determinações ocasionais da política e da moral sobre os deflagrar dos confrontos sociais ) não se nomeia por hierarquias de superioridade cada vez mais evoluída moralmente, mas, antes, nela se intrometem regressões ( o nazi-fascismo), semelhanças que são quase repetições ( as guerras sempre por ganância ou medo), multilateralidades e descontinuidades. 

Ora, a ÉTICA que estuda as diversas morais existentes ou já extintas, deve, na minha opinião, constituir-se como Materialista, articulando a natureza biológica (mas histórica!) dos seres humanos com a sua formação individual e coletiva histórica, circunstancial, local. Atualmente o que importa é a denúncia científica da moral privada egoísta advinda da produção de VALOR e do mercado capitalista no qual este se realiza concretamente. 

 

 

                               Setembro 2026, José Augusto Nozes Pires, Torres Vedras 

 

 

 


Cincuenta años después de Mao: Un legado para cambiar el rumbo de la historia

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Para una izquierda global que oscila con demasiada facilidad entre el derrotismo y el triunfalismo —entre la convicción de que el imperialismo estadounidense es inamovible y la declaración de que la «multipolaridad» de carácter antiimperialista ya se ha consolidado—, Mao ofrece un método para afrontar 

 


Tings Chak*.— La serie de televisión «Preguntándole a la vasta Tierra» (问苍茫, 2023) comienza con una escena de un joven Mao Zedong nadando en el río Xiang, crecido por las fuertes lluvias. Un pescador le grita desde la orilla: «¡Tonto, estás buscando la muerte! El río está embravecido tras la tormenta; hay barcos, ¿por qué nadas?». Mao se ríe y le responde: «No importa lo turbulenta que esté el agua. Una vez que entiendas su furia, podrás controlarla. Igual que tú con tu pesca: donde es fácil pescar, no hay peces. Donde es fácil nadar, no hay alegría».

Creada para conmemorar el 130 aniversario del nacimiento de Mao, la serie buscaba mostrar a las jóvenes audiencias «no una estatua de bronce, sino a un joven de su misma edad tratando de comprender las cosas». En su primer mes, recibió una calificación de 8.8 en Douban, mientras que los debates en línea relacionados acumularon 4.31 mil millones de visitas, encontrando una audiencia especialmente entre las personas nacidas mucho después de la muerte de Mao.

Durante esos mismos años, las Obras Escogidas de Mao alcanzaron el primer lugar en la lista de préstamos de la biblioteca de la Universidad de Tsinghua en 2019 y han regresado a esa posición repetidamente desde entonces; patrones similares de alta demanda han aparecido en varias otras universidades importantes. Un hilo conductor conecta la imagen del joven Mao estudiando la corriente mientras nada en el río con los jóvenes chinos que ahora estudian el Pensamiento de Mao Zedong.

Ha transcurrido medio siglo desde la muerte de Mao el 9 de septiembre de 1976. La mayoría de estos lectores y espectadores nacieron décadas después, tras las reformas económicas que transformaron a China en la llamada fábrica del mundo; algunos incluso nacieron después de su histórica entrada en la Organización Mundial del Comercio en 2001. No recuerdan la sociedad en la que vivió Mao. En cambio, han heredado una China cuya continua modernización se basa, en parte, en los cimientos políticos, industriales y sociales creados durante las primeras décadas de la construcción socialista.

La revolución sigue presente

Sería inexacto afirmar que Mao ha regresado o revivido, pues siempre ha sido un pilar político de la República Popular China. Tras su muerte, el Partido Comunista de China (PCCh) se enfrentó a una cuestión cuyas implicaciones trascendían la opinión de un solo hombre. ¿Cómo aprender de los errores de la Revolución Cultural sin menoscabar la revolución que había unificado el país, derrotado la dominación imperialista y fundado la Nueva China?

La resolución histórica de 1981 afirmaba que los méritos de Mao eran primordiales y sus errores secundarios. Condenaba la Revolución Cultural, distinguía los errores —entendido como el logro teórico colectivo del Partido— y preservaba la Revolución China como el fundamento desde el cual el país podía corregir su rumbo. Su sucesor, Deng Xiaoping, purgado dos veces durante ese período, dejó clara la postura política en su entrevista de 1980 con Oriana Fallaci: «No le haremos al Presidente Mao lo que Jrushchov le hizo a Stalin».

La reforma y la apertura transformaron China a una escala que pocas sociedades han experimentado. El principal énfasis político se centró en la modernización, el desarrollo de las fuerzas productivas y el aprendizaje del Norte Global, mientras que Mao se erigió en la vida pública sobre todo como el fundador de la Nueva China. Sin embargo, el período revolucionario dejó más que una imagen fundacional. Creó instituciones, expectativas sociales y formas de trabajo político que continuaron evolucionando dentro de la sociedad construida sobre ellas.

Al inicio de su presidencia, Xi Jinping formuló esta continuidad de manera concisa: los periodos anteriores y posteriores a la reforma y la apertura no pueden utilizarse para negarse mutuamente. La resolución del Partido de 2021 reafirmó la evaluación de 1981, otorgando mayor importancia al periodo de Mao como fundamento político e institucional de todo lo que vino después. «La mejor manera de conmemorar al camarada Mao Zedong», dijo Xi en el 130 aniversario de su nacimiento, «es continuar impulsando la causa que él inició».

Este cambio no solo se produjo en las páginas de los documentos o discursos del Partido, sino que también se materializó en todo el país: en salas de reuniones y casas de pueblo restauradas, antiguos campos de batalla y zonas de bases revolucionarias, clubes obreros, cementerios de mártires y las rutas que antaño recorría el Ejército Rojo.

China cuenta ahora con más de 1600 museos y salas conmemorativas de la revolución, que recibieron más de 2800 millones de visitas entre 2018 y 2023. Los niños acuden en grupos escolares, los miembros del Partido en delegaciones organizadas y las familias durante las fiestas nacionales.

El programa de las Cuatro Historias (四史) integró la historia del Partido, la Nueva China, la reforma y la apertura, y el desarrollo socialista en la educación de toda la sociedad. Los planes nacionales han financiado la protección de los sitios revolucionarios y la producción cultural ha vuelto repetidamente al pueblo y a la historia que dieron origen a la revolución.

Esta inmensa labor de conmemoración es organizada conscientemente por el Estado socialista con el fin de fomentar el estudio de la «historia roja», incentivar el «turismo rojo» y fortalecer la confianza nacional a través de la «cultura roja».

Pero la memoria no se traslada mecánicamente de la institución al visitante, ni de la pantalla al espectador, ni de arriba a abajo. Las instituciones estatales pueden proporcionar recursos, espacio público y continuidad a la cultura revolucionaria, pero son millones de chinos quienes le dan vida social. Las recientes series de televisión y películas taquilleras han pasado de los retratos monumentales de líderes revolucionarios a centrarse en el proceso de su formación: cómo leían y debatían, se organizaban y sufrían derrotas, y se transformaban a través de la lucha.

De la memoria al método

Como lo indican las listas de préstamos de la universidad, más allá de los museos, las pantallas y los lugares conmemorativos, se observa un renovado interés por los textos de Mao. En los foros en línea, los jóvenes lectores suelen referirse a Mao como el «Maestro» (教员), de quien aún se puede aprender un método: cómo identificar las contradicciones dentro de una situación, distinguir su apariencia superficial de su movimiento subyacente y ubicar la experiencia individual dentro de fuerzas sociales más amplias.

La famosa declaración de Mao de 1930 —«Sin investigación, no hay derecho a hablar»— en « Oposición al culto a los libros » , fue escrita contra aquellos que intentaban controlar la realidad desde la distancia de fórmulas heredadas. Investigar significaba adentrarse en la vida social, comprender su esencia y permitir que las condiciones concretas pusieran a prueba la teoría política.

En 2023, el Comité Central del PCCh lanzó una campaña a nivel de todo el Partido para promover la investigación, en el espíritu de la formulación de Mao. Orientó a los cuadros hacia algunas de las contradicciones más acuciantes de China, desde la autosuficiencia tecnológica y el riesgo financiero hasta las disparidades urbano-rurales, el empleo, la educación, la sanidad y la vivienda. Su método de trabajo para los cuadros del partido era directo: sin aviso previo, sin advertencias anticipadas, sin sesiones informativas preparadas y sin recepciones elaboradas; ir a las bases y dirigirse directamente al pueblo.

Este método alcanzó su mayor escala reciente durante la campaña para erradicar la pobreza extrema, lograda en 2020, en vísperas del centenario de la fundación del Partido Comunista de China (PCCh). La investigación comenzó en los hogares de las comunidades rurales de todo el país. En la fase inicial, se enviaron 800 000 cuadros a 128 000 aldeas para comprender no solo quiénes eran los pobres, sino también las condiciones particulares que generaban la pobreza en cada familia: enfermedad o discapacidad, falta de tierras, aislamiento geográfico, costos de la educación y otras realidades específicas que las estadísticas nacionales no podían revelar. Sin embargo, estudiar la realidad fue solo el comienzo; el propósito siempre ha sido transformarla.

Como parte de la campaña de Alivio de la Pobreza Dirigida, lanzada en 2014, se enviaron al campo 255 000 equipos de trabajo comunitario y más de tres millones de secretarios y funcionarios. Durante años, convivieron y trabajaron con familias y comunidades rurales para encontrar una salida a la pobreza. A finales de 2020, los 98,99 millones de pobres rurales que aún quedaban en China, según el estándar nacional, habían salido de la pobreza extrema. Más de 1800 funcionarios fallecieron durante la campaña. Detrás de estas cifras nacionales se escondían millones de encuentros, repetidos en cada hogar, en cada pueblo, de funcionario a funcionario.

La campaña se basó en las capacidades acumuladas durante décadas de construcción socialista: la organización del Partido Comunista extendiéndose hasta las aldeas, la movilización de diferentes sectores de la sociedad hacia un objetivo común, las finanzas públicas y los bancos estatales, la planificación, las instituciones colectivas y la autoridad para concentrar los recursos nacionales en un objetivo social.

Los instrumentos habían cambiado enormemente desde el período revolucionario, pero la exigencia política seguía siendo reconocible: conocer las condiciones del pueblo —ser como «pez en el agua»— para transformarlas. Este es el movimiento que Mao describió a través de la línea de masas : «de las masas, para las masas», y de vuelta a través de la prueba de la práctica, que se ha revitalizado y fortalecido en los últimos años mediante campañas como esta.

Entre el derrotismo y el triunfalismo

La investigación comienza por negarse a confundir la superficie de los acontecimientos con la dirección que toma la historia. Esto es también lo que ha llevado a los lectores a volver a Sobre la guerra prolongada (论持久战) en los últimos años como una forma de comprender la coyuntura actual.

Mao escribió el texto en 1938, diez meses después del inicio de la invasión a gran escala de la China entonces semicolonial y semifeudal por parte de Japón, durante la Segunda Guerra Mundial Antifascista que cobró la vida de 24 millones de chinos. Ante un Japón que contaba con ventajas decisivas en armamento, capacidad industrial y organización militar, la derrota parecía para muchos la única conclusión sensata.

Mao luchó contra dos posturas aparentemente opuestas. La teoría de la inevitable «subyugación nacional» preveía el avance de Japón y declaraba inútil la resistencia. La teoría de la «victoria rápida» transformó la certeza de que China debía ganar en la creencia de que lo haría pronto. En una visión, el enemigo es invencible; en la otra, está a punto de colapsar. Ambas no se plantearon cómo una fuerza más débil podría preservarse, acumular fortaleza y transformar las condiciones necesarias para que un pueblo lograra su liberación.

Entre la rendición y la fantasía se encontraba la ardua tarea de la guerra prolongada: preservar las fuerzas, construir bases, organizar a la población y emprender el lento, paciente y costoso trabajo de cambiar las condiciones en las que se decidiría la contienda. Por eso, un texto militar escrito durante una invasión y en un contexto histórico radicalmente distinto puede trascender su campo de batalla y su contexto original. Qiushi , la principal revista teórica del Partido, publicó en 2025 «Cómo releer «Sobre la guerra prolongada» hoy» , mientras el texto circula entre las obras que los jóvenes vuelven a consultar y debatir.

En mayo de 2026, el Instituto Chino de Relaciones Internacionales Contemporáneas, una influyente institución de investigación de Pekín, publicó un artículo que describía las relaciones entre China y Estados Unidos como una nueva etapa de estancamiento estratégico. Publicado en vísperas de la cumbre Xi-Trump en Pekín, el documento utiliza el lenguaje de » Sobre la guerra prolongada» para describir la coyuntura actual como una transición en la que el antiguo orden se disuelve mientras que el nuevo aún no se ha consolidado.

Advierte sobre la «jungla» de las relaciones internacionales, a medida que una potencia hegemónica recurre cada vez más a la coerción cuando ya no puede basarse en su dominio económico.

Para una izquierda global que oscila con demasiada facilidad entre el derrotismo y el triunfalismo —entre la convicción de que el imperialismo estadounidense es inamovible y la declaración de que la «multipolaridad» de carácter antiimperialista ya se ha consolidado—, Mao ofrece un método para afrontar una larga transición.

El imperialismo en su fase hiperimperialista está en declive y sigue siendo enormemente peligroso, pues busca compensar su relativo declive económico mediante la coerción militar, política y financiera. La supremacía militar sin parangón de Estados Unidos —y su disposición a usarla— se evidencia en el genocidio de Gaza, la guerra subsidiaria en Ucrania, el estrangulamiento de Cuba y el secuestro y asesinato de líderes soberanos desde Venezuela hasta Irán.

Si bien el centro de gravedad de la economía mundial se desplaza hacia el sur y el este, el Sur Global aún no se ha constituido como una fuerza política coherente. El resultado dependerá de las capacidades políticas, económicas y organizativas que se desarrollen durante este periodo.

El joven Mao de «Preguntando a la vasta tierra» nada en un río crecido por la tormenta porque, según él, su temperamento puede comprenderse. Cincuenta años después de su muerte, esta podría ser una de las razones por las que los jóvenes chinos vuelven a él, tras haber heredado otra China y haberse adentrado en una nueva corriente, forjada por la construcción socialista, las reformas de mercado, las nuevas contradicciones sociales y un orden mundial capitalista imperialista en violenta transición.

Mao no puede predecir adónde nos llevará la corriente. Lo que sí nos ofrece es la convicción de que puede estudiarse y que, mediante la organización y la lucha, las fuerzas que parecen débiles pueden adquirir la fuerza necesaria para cambiar su curso.

*Acerca de Tings Chak

Tings Chak es directora de arte e investigadora en el Tricontinental: Institute for Social Research, coeditora de la publicación internacional Wenhua Zongheng: A Journal of Contemporary Chinese Thought y estudiante de doctorado en la Universidad de Tsinghua.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Mariana Mazzucato, justamente célebre pensadora que pretende salvar o capitalismo. Algumas propostas são realmente inovadoras ;sobetudo, são lógicas no quadro de países capitalistas do tipo dos Estados Unidos .

 

Mariana Mazzucato aborda a tese de que muitas invenções tecnológicas resultam das guerras mundiais e da Guerra fria (dos complexo militar industrial norte americano ou do sector público-investimentos do estado federal e financiamento a corporaações privadas) detalhadamente na sua obra mais célebre, O Estado Empreendedor: Desmistificando o mito do setor público vs. o setor privado (originalmente publicado em inglês como The Entrepreneurial State em 2013). 
No livro, a economista desconstrói a ideia de que o Estado é lento, burocrático e serve apenas para regular os mercados. Para provar o seu ponto, ela mapeia a origem das tecnologias mais revolucionárias da era digital (como a Internet, os computadores, os microprocessadores, o GPS e até a tecnologia touch-screen e a assistente virtual Siri). 
A autora demonstra de forma factual que:
  • Financiamento militar e de defesa: Praticamente todas estas inovações nasceram de vultosos investimentos públicos de risco, a grande maioria gerida por agências militares e de segurança dos Estados Unidos, como a DARPA (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa) e o Departamento de Defesa (DoD). 
  • A Internet (ARPANET): Surgiu diretamente de um projeto militar durante o período da Guerra Fria para garantir uma rede de comunicação descentralizada e resiliente. [1]
  • O papel do setor privado: Empresas tecnológicas icónicas (como a Apple) não criaram estas tecnologias de base; a sua genialidade esteve em integrá-las de forma brilhante e comercial em produtos de consumo inovadores. 
  •  

    Sobre o que é o livro O Valor de Tudo?

    Quem são de facto os criadores de riqueza no mundo? E como é definido o valor do que fazem? No cerne da crise económica e financeira atual está um problema que tem sido ignorado.

    O conceito de valor - o que é e qual a sua importância -, outrora um alicerce do pensamento económico, deixou de ser debatido. Mariana Mazzucato, neste livro perspicaz e veemente, demonstra que se queremos introduzir reformas no capitalismo - que terão de ser radicais para transformarmos um sistema que está cada vez mais doente e não continuarmos a alimentá-lo - precisamos urgentemente de perceber onde é produzida a riqueza. Que atividades a criam, quais delas se limitam a extraí-la e quais a destroem? As respostas a estas perguntas são fundamentais se queremos substituir o atual sistema parasitário por um tipo de capitalismo mais sustentável, mais simbiótico, e que beneficie toda a gente.

    O Valor de Tudo reacende um debate muito necessário sobre o tipo de mundo em que realmente queremos viver.

    Mariana Mazzucato

    Mariana Mazzucato

    Mariana Mazzucato é professora no University College London, onde também fundou e dirige o Institute for Innovation and Public Purpose. É consultora de governantes em todo o mundo, a quem ensina a promover a inovação de maneira a produzir um crescimento mais inclusivo e sustentável. Foi autora do influente relatório «Mission-Oriented Research & Innovation in the European Union», que fez da «missão» um novo e crucial instrumento do Horizonte, o programa europeu de inovação. Recebeu numerosos prémios internacionais e, recentemente, o Papa Francisco nomeou-a para a Pontifícia Academia para a Vida por trazer «mais humanidade» ao mundo. Escreveu e organizou numerosos artigos, comunicações e livros sobre política económica, capitalismo, economia e inovação, entre os quais O Valor de Tudo: Fazer e Tirar na Economia Global e Economia de Missão: Um Guia Ousado e Inovador para Mudar o Capitalismo, publicados pela Temas e Debates.
    Saber mais

    Críticas de imprensa

    «Certos economistas limitam-se a interpretar o mundo de maneiras diferentes; outros procuram mudá-lo. Mariana Mazzucato é um exemplo destes últimos. A sua missão é derrubar a teoria neoclássica do valor. Em meados do século XIX, explica, aconteceu uma revolução intelectual: em vez de ser o valor a determinar o preço, foi este que começou a determinar o valor.»

    George Eaton, New Statesman



    «Mariana Mazzucato, uma das intelectuais mais influentes do mundo, proporcionou à esquerda uma visão positiva da riqueza, inspirada na inovação e na partilha de lucros, em vez de uma análise estéril e contraproducente, baseada na política do ressentimento e da expropriação.»

    Spectator



    «Não se metam com Mariana Mazzucato, a economista mais temível do mundo.»

    - The Times

 ATENÇÃO
correções ao preâmbulo abaixo publicado : devo escrever "frase" e "combatê-lo"

Explicar a ascensão dos partidos e da mentalidade fascista na Europa não é servirmo-nos das "fraquezas da democracia" como se esta não fosse uma forma política capturada pelo capitalismo para defendê-lo. Podemos e devemos promover e participar de uma larga unidade na acção de antifascistas de vários quadrantes ideológicos incluindo social-democratas desiludidos e coerentes, porém como lembra o autor deste artigo a frae célebre de Marx, ser radical é ir à raiz do problema que se estuda para que, assim, se possa combatêlo extirpando-a.

 Algumas ideias para se compreender as origens do fascismo e do nazismo

 
«O monstro de três cabeças: sionismo, nazismo e fascismo, filhos putativos do capitalismo.
Ser radical é ir à raiz dos problemas. E a raiz do nosso problema tem nome e sobrenome: chama-se capitalismo e, hoje, em plena decomposição, está gerando novamente as suas criaturas mais monstruosas.

Uma esquerda desnorteada diante de uma ultradireita que avança

Vivemos em uma sociedade radicalizada, com uma esquerda, no mínimo, desnorteada e desenraizada de sua classe. Uma esquerda que deixou de acreditar na classe trabalhadora, que chega a negar a vigência da luta de classes e que se ilude pensando que a moderação é a solução. Enquanto isso, o futuro parece cada dia mais sombrio.

Nossa juventude não vê horizonte, e é lógico: depois de estudar e se preparar, não consegue sequer conquistar a independência. E não são apenas os jovens: trabalhadores empregados não conseguem chegar ao fim do mês, esmagados por alugueis que consomem grande parte do salário, com rendimentos insuficientes para pensar no presente e, muito menos, em constituir família.
Essa grande massa de pessoas esmagadas pelo sistema e pela sua ganância tem hoje, como única referência "antissistema", a ultradireita. E a ultradireita, com a esquerda desaparecida, ocupa sem esforço um espaço que não lhe pertence, atiçando o descontentamento com as velhas receitas de Goebbels: repetir a mentira mil vezes até transformá-la em verdade, buscar bodes expiatórios e prometer uma mudança radical que, na realidade, é uma fraude, pois o fascismo é o cão de guerra do capitalismo e come na mão dos oligarcas.

Nem a social-democracia nem a esquerda moderada estão preparadas para detê-la. Elas não combatem o sistema, e os povos as veem como parte do problema, entendendo a moderação e a hesitação como a antessala da traição.

O monstro de três cabeças.

Sionismo, nazismo e fascismo são filhos adotivos do capitalismo. Radicalizam seu discurso movidos pelo medo de uma mudança real que imponha limites aos privilégios do IBEX 35, do setor bancário e das oligarquias que os financiam e controlam. Esse monstro de três cabeças é o verdadeiro inimigo da classe trabalhadora, dos serviços públicos, da justiça social, das liberdades, da educação e da saúde universal.

O pensamento do povo escolhido para dominar, a ideia de uma raça superior destinada a mandar sobre as demais, é um pensamento desumano e intolerável, independentemente de quem o defenda.

O racismo como cortina de fumaça.

Em tempos de crise sistêmica, o capitalismo recorre sempre aos seus velhos fantasmas para sobreviver. O racismo não é um fenômeno isolado nem uma questão de preconceitos individuais: é uma ferramenta política e econômica para fragmentar a unidade daqueles que só têm a própria força de trabalho para subsistir.

Dizem-nos que o migrante vem para nos tirar o emprego ou sobrecarregar os serviços públicos, enquanto escondem que são os cortes, a precariedade e a evasão fiscal das grandes fortunas que desmontam o nosso bem-estar.

Enquanto o trabalhador local olha com desconfiança para o trabalhador estrangeiro, ambos deixam de olhar para cima, para onde realmente são tomadas as decisões que nos empobrecem. É a velha estratégia de dividir para vencer. A nossa luta não é contra quem chega em barcos precários, mas contra quem nos despeja de casa, quem nos explora e quem utiliza o medo para ganhar votos.
Corrupção ou sistema?

Existem diferentes níveis de corrupção, dependendo do grau de degradação das instituições burguesas, mas não nos esqueçamos de que a corrupção é inerente ao capitalismo. Quem fala em um "capitalismo bom" mente: é um sistema baseado na exploração e na acumulação.

O capitalismo não tem futuro. Vivemos uma crise de superprodução e de escassez de recursos naturais que gera novas guerras pelo seu controle. Ele se baseia em um crescimento infinito que está chegando ao fim. As alternativas, hoje como ontem, são socialismo ou barbárie.

O custo de vida elevado, os direitos arrancados.

Perdemos poder de compra enquanto os produtos básicos encarecem. Eletricidade, água, gás, combustível, aluguel ou a alimentação de uma família já são artigos de luxo. À pobreza do desemprego somam-se agora a pobreza energética e a pobreza salarial: é possível ter emprego e viver na miséria.

Os aposentados sobrevivem com pensões miseráveis, enquanto alguns políticos as chamam de esmolas estatais.

Roubaram nossos direitos sob o pretexto de uma crise que engordou a fortuna dos mais ricos. Legislaram contra o direito de greve; os trabalhadores pagam com multas e até com a prisão a defesa de seus direitos nas ruas.

Os empresários conseguiram uma reforma trabalhista feita sob medida para eles. A saúde pública perde recursos para beneficiar os seguros privados, colocando nossa vida à venda como mercadoria. A educação pública retrocede porque a oligarquia não quer que o filho do operário estude.

A classe trabalhadora: vítima e algoz do sistema.

O capitalismo tem na classe trabalhadora, ao mesmo tempo, sua vítima e seu algoz. Somos os pilares do sistema e, se agirmos juntos, ele desmorona. Por isso, as oligarquias se munem de ferramentas para nos manter desunidos e confusos, negando a vigência da luta de classes como motor da história.

Ser militante comunista — ou militante de esquerda, de modo geral — exige ser tão realista quanto utópico; compreender o contexto e a correlação de forças; saber abrir mão de parte da nossa razão quando necessário, mas jamais do primeiro dos nossos princípios.

Há pouco tempo, discutíamos se mil euros por mês bastavam para viver com dignidade; hoje, discute-se se um estagiário deve receber remuneração, e esses insuficientes mil euros passam a ser vistos como salário de privilegiados.

Esse caldo de cultura — composto por salários aviltados, direitos perdidos e leis que criminalizam o protesto — é o que alimenta um discurso fascista disfarçado de antissistema, que se aproveita do desespero da classe trabalhadora para seus próprios fins.

Não faz muito tempo, um dos povos mais "cultos" da Europa respondeu a uma crise do capitalismo elegendo um fanático racista como líder. Aquele país era a Alemanha; o eleito, Adolf Hitler.

Vivemos tempos interessantes, como diz a maldição chinesa: tempos de decomposição do capitalismo, uma crise sem saída adiante dentro deste sistema.

Ou a esquerda recupera sua essência e põe os pés no chão para chamar as coisas pelo nome, ou viveremos tempos de fascismo.

Não cantemos vitória ainda.

Como alertava Bertolt Brecht no epílogo de *A Ascensão Irresistível de Arturo Ui*, o fato de o mundo inteiro ter se levantado e derrotado a besta não significa que sua matriz tenha deixado de ser fértil: o ventre que a gerou continua vivo e em condições de pari-la novamente.

O fascismo nunca foi uma anomalia nem um acidente histórico encerrado em 1945; é uma possibilidade sempre latente enquanto persistir o capitalismo em crise que o gera.
Não basta ter vencido o monstro uma vez: é preciso impedir que a mãe dele entre no cio novamente.

Até a vitória, sempre!



André Abeledo Fernández,
Conselheiro de EU-Narón (Secção local - Galiza - da Federação da Esquerda Unida, união de socialistas e comunistas) sindicalista organizado na CIG.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Excelente texto analítico marxista

 

Salário, gasto público e valor

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Por ÉMERSON PIROLA*

A disputa pelo fundo público e a expansão do salário social situam o gasto estatal no centro da luta de classes contemporânea

 

O capitalismo certamente não inventou o dinheiro, mas é nele que o dinheiro se torna a base de todo o edifício social. Os vais e vens de qualquer governo, à esquerda ou à direita, são atravessados pela dinâmica da moeda, da política monetária, da taxa de juros, da taxação e do imposto, da dívida e do gasto públicos.

O presente texto, baseado em ideias desenvolvidas longamente em minha tese de doutorado e no livro dela derivado,[i] tem como objetivo chamar a atenção para uma dinâmica classista imanente ao dinheiro que, no debate público, tende a não se aprofundar para além da camada ideológica, não indo à “câmara escura” da produção do valor.

 

Do salário ao salário social

Como indicam Gilles Deleuze & Félix Guattari,[ii] o axioma fundamental, indispensável, ao capitalismo, é o encontro, a conjunção, entre força de trabalho e dinheiro. O trabalhador “livre” vende sua força de trabalho no mercado para alguém que o paga. Há uma troca entre o trabalhador e o capital: tempo de trabalho realizado por dinheiro. O nome disso é salário, e o trabalhador é um assalariado.

Devemos a Karl Marx[iii] a famosa descoberta do “mais-valia”: para encurtar a história, o salário pago ao trabalhador não corresponde ao valor que é por ele produzido. Parte do que o trabalhador produz vai para o patrão, na forma empírica do lucro. Desse modo, parte do tempo de trabalho em que o trabalhador despende sua força de trabalho é por ele recebida, e outra parte não é paga e se torna o mais-valor acumulado pelo patrão capitalista. Esse é o salário tradicional. Podemos chamá-lo de salário simples (e não há diferença, aqui, se ele é o de um trabalhador industrial, agrícola ou dos serviços).

Alguns autores marxistas vinculados à tradição do operaísmo italiano[iv], nos anos 1960 e 1970 – mas eles não são os únicos a apontar fenômeno análogo –, perceberam que com o desenvolvimento do capitalismo e com o progressivo abarcamento da sociedade sob a lógica do capital, a categoria de salário simples já não dizia tudo sobre a dinâmica da exploração.

O Estado, para esses autores, na era fordista e keynesiana, foi abarcado como elemento do processo de produção total da sociedade capitalista. A produção é cada vez maior e mais integrada, mais socializada: toda a sociedade, em sua vida, sua cultura, sua reprodução, passa a ser abarcada pela lógica do capital –algo também percebido pelos autores da Escola de Frankfurt.

Karl Marx já havia proposto uma distinção conceitual para falar de dois momentos da subsunção da sociedade ao capital: primeiramente – pensemos no início do século XIX, há a subsunção formal. Nela, o capitalista encontra e explora formas de relação e produção, de cultura, de modo de vida, de tecnologia, que funcionam de modo relativamente externo à dinâmica do capital, separado dele. Progressivamente, entretanto, o capital passa à subsunção real: nela, sempre avançando nesse processo por natureza não totalizante, cada vez mais a sociedade, a vida mesmo, humana e não humana, em suas relações sociais, vitais e afetivas mais imediatas, passa a ser posta e explorada pela lógica do capital, começa a ser produtiva no processo de produção do valor.[v]

Com essa dinâmica da subsunção real, cujo desfecho são as sociedades de controle teorizadas por Gilles Deleuze[vi] e a biopolítica (neoliberal) teorizada por Michel Foucault[vii], o Estado é, ele mesmo, tornado elemento do processo de produção total, se tornando inerente ao modo de produção capitalista. É aí que o dinheiro, elemento basilar da axiomática capitalista, e a relação salarial de qual ele é parte, passa a um nível maior de abstração.

É aí que Antonio Negri[viii], talvez o mais importante dos operaístas, já nos anos 1970, propõe a categoria de salário social: o salário social abarca o que o trabalhador recebe para além de sua dimensão imediata de venda da força de trabalho, de emprego. O salário social engloba coisas como acesso a serviços públicos (hospital, escola, transporte etc.), além de “benefícios”, “seguros”, “auxílios”, “bolsas” monetárias concedidas pelo Estado.

O salário social, portanto, será definido pela questão dos gastos-investimentos monetários e econômicos do Estado. O salário social é uma dimensão suplementar, mas absolutamente fundamental, da relação salarial tradicional. Em verdade, mais do que uma separação entre salário simples e salário social, há, globalmente falando, um único salário, o salário total, englobando salário simples e salário social.

Quando a produção é socializada em um nível tão grande que é seguro dizer que virtualmente toda a sociedade, a vida e o Estado se tornam elementos e momentos do processo de produção de valor, o salário deixa de ser apenas o que o patrão lhe paga diretamente. Por isso, o salário social não é uma metáfora ou uma figura de linguagem, mas o é em sentido técnico marxiano: a produção total de valor da sociedade capitalista reserva parte desse valor para a classe trabalhadora (salário) e parte para seu mais-valor explorado.

Quando o Estado, enquanto agente econômico integrado ao circuito monetário e ao processo produtivo (na figura do emissor de moeda, de coletor de impostos e de mantenedor de serviços públicos e estatais), decide colocar mais dinheiro em um lugar e tirar de outro, essa ação tem resultado direto na taxa de mais-valor, na divisão do que vai para cada classe.

Se o Estado mantém saúde pública, é um serviço agregado ao salário do trabalhador. Se não há serviço público como parte do salário social, o trabalhador é obrigado a buscar o serviço privado e passar parte de seu salário (simples) ao capitalista provedor do serviço. Meu salário, enquanto composto também por sua dimensão social, é objetivamente menor em uma sociedade em que os serviços são mais privatizados, e objetivamente maior se há os serviços.

 

Luta monetária – os sentidos do gasto público

O senso comum, a ideologia, diz que o Estado não deve (nunca) gastar mais do que ganha, sob pena de endividamento. Diz também que a dívida não pode crescer em demasia pois o Estado pode “quebrar”. Diz, por fim, que a injeção de moeda na economia é sempre e necessariamente causa automática de inflação.

Para o senso comum, o Estado é “como uma dona de casa” que deve apertar o cinto e segurar os gastos; o dinheiro é como uma mercadoria qualquer, pedaços de papel ou números digitais que funcionam da mesma forma em que funcionava o ouro. Todos sabem que se há mais ouro em oferta, o ouro fica barato, perde valor. Ou seja: inflação.

A teoria econômica mainstream, de viés quantitativista e neoliberal, não é mais do que o verniz técnico-científico dessa ideologia. Há, entretanto, toda uma tradição de pensamento econômico, político, que tem uma leitura da natureza do dinheiro (público) moderno que pensa por fora desse dogma (e se trata de dogma, no sentido religioso, visto que se mantém sem comprovação científica e não se abala com evidências em contrário).

Essa tradição, chamada de cartalista, passa por John Maynard Keynes e chega à Moderna Teoria Monetária[ix] (MMT), cujo mais famoso representante no Brasil é o formulador do Plano Real André Lara Resende[x] (insuspeito de ser um “comunista” ou mesmo um “esquerdista”). Como demonstro em minha tese, essa ideia também passa por Gilles Deleuze & Félix Guattari.[xi]

Para os autores franceses, lendo-os conjuntamente à teoria cartalista que desemboca na MMT, o dinheiro moderno é uma criação que vem “do nada”, ex nihilo, pelo banco, privado ou público. É emissão monetária, criação monetária. Os impostos servem mais para fazer com que todos os agentes econômicos, pessoas ou empresas, de um dado espaço social, queiram e necessitem da mesma moeda para cumprir com suas responsabilidades tributárias. Se em um espaço social dado todos precisam da mesma moeda para pagar impostos, cria-se um mercado unificado por uma dada moeda.

Os impostos não servem para financiar os gastos do Estado, visto que, como não há, desde o fim do padrão-ouro em 1971, vinculação do dinheiro com qualquer mercadoria física ou qualquer metal, o dinheiro é apenas fiduciário: ele tira seu valor e sua eficácia da confiança depositada nele (daí o discurso neoliberal sobre a “confiança” do mercado). Um Estado não pode “quebrar”, pois a moeda que ele precisa é a mesma que ele tem o poder de criar, de emitir. A criação do dinheiro pelo Estado, portanto, se dá num “jato monetário”, que coloca dinheiro na economia, gastando com serviços públicos ou colocando diretamente “no bolso” (na conta) do trabalhador.

Já vimos como o salário social é parte integrante da relação de exploração de mais-valia em uma sociedade de produção socializada subsumida realmente pelo capital. O deleuziano argentino Julian Ferreyra propõe o conceito de “luta monetária” para falar de uma luta política pelos sentidos do gasto desse “jato de emissão de moeda”[xii]: na direção dos “ricos” ou dos “pobres”, dos capitalistas ou do proletariado, da maioria ou das minorias. Como a esquerda fala, de um modo mais tradicional, há um ‘“fundo público” que o Estado decide investir (mais) na direção da classe dominante ou (mais) na direção da classe dominada.

Inclusive, em termos de estrita técnica contábil, quando o Estado aplica isenções fiscais à empresas, é exatamente como se fosse um gasto; contabilmente falando, deixar de ganhar um imposto é o mesmo que um gasto[xiii]. O neoliberalismo, portanto, se caracteriza antes pela utilização do fundo público, do jato monetário, na direção dos capitalistas, nas formas de investimentos, de perdão de dívidas, de isenções, de imposto regressivo etc., do que pela pura e simples aniquilação do gasto público.

A luta monetária, portanto, na medida em que é a luta pelos sentidos, pela direção, pela quantidade e qualidade do dinheiro público gasto-investido, é um momento da luta de classes global, um nível mais abstrato da luta de classes, que passa antes pela política monetária e fiscal do que pela negociação do salário simples com o patrão.

Para finalizar, um ponto conjuntural: o governo Lula 3 esteve envolto enormemente em polêmicas monetárias, começando pelo nível elevado da taxa de juros, que, graças à independência do Banco Central[xiv], era acusada e justificada como consequência da presidência do Banco Central ser exercida por Roberto Campos, um indicado do governo Bolsonaro. Já na segunda metade do Governo Lula 3, em uma relativa mudança para uma atitude e uma retórica mais aberta ao confronto, vimos a empreitada de pautar justiça tributária e a taxação progressiva.

Nesse sentido, ao menos em um primeiro olhar, poderíamos dizer que o governo foi marcado por pautar a luta monetária na direção do aumento do salário social. Entretanto, é de se perguntar se essa movimentação do governo pode, realmente, se converter em aumento substantivo do salário social e, portanto, em alteração na balança da luta de classes global.

A ambiguidade da estratégia de justiça fiscal se dá pois, ao menos em parte, a maior taxação “dos ricos” é incapaz de se converter em investimento público quando há interesse declarado em cumprir metas fiscais de superávit, tudo isso envolto na estrutura jurídico-política do Novo Arcabouço Fiscal, de Fernando Haddad, paródia de esquerda do Teto de Gastos de Michel Temer (chamado pela esquerda de “PEC da morte” quando de sua promulgação).

Como dissemos, “tecnicamente”, o Estado moderno não quebra pois emite a própria moeda, ele cria, ao gastar, os meios com os quais realiza os próprios pagamentos. Por isso, desde Friedrich Hayek e os ordoliberais alemães,[xv] é estratégia neoliberal a constitucionalização de limites de gastos públicos, de tetos de gastos.

O arcabouço fiscal de Fernando Haddad, e de Lula 3, ainda que mais flexível que a PEC da morte de Michel Temer, é um dispositivo jurídico-legislativo, e político, de limitar a potência do gasto público e a sua capacidade de aumentar o salário social É, desse modo, um bloqueio das capacidades expansivas da luta monetária dos “de baixo”. O arcabouço fiscal é uma constitucionalização, fruto da razão neoliberal de que falam Dardot e Laval, da austeridade econômica.[xvi]

Apesar da desorganização conjuntural da extrema direita no âmbito eleitoral, hoje, o arcabouço fiscal se constitui como elemento estruturante da luta de classes e dos rumos da política brasileira. Historicamente falando, a austeridade econômica sempre fortaleceu a direita e as derivas fascistas,[xvii] que nos batem à porta – que, na verdade, nunca saíram do pátio.

*Émerson Pirola, doutor em filosofia pela PUC- RS, é professor visitante no Instituto Federal do Rio Grande do Sul – campus Viamão.

Notas


[i] PIROLA, Émerson dos Santos. Dívida e dinheiro na teoria do capitalismo e do Estado em e a partir de Deleuze & Guattari: dinheiro contra o Capital. 2023. 577 f. Tese (Doutorado em Filosofia) — Programa de Pós-Graduação em Filosofia, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2023. Disponível em: https://tede2.pucrs.br/tede2/bitstream/tede/11009/2/Tese%20%c3%89merson%20Pirola%20para%20dep%c3%b3sito%20na%20biblioteca.pdf.

PIROLA, Émerson dos Santos. Dívida, dinheiro, controle e além: uma contribuição a partir de Deleuze & Guattari. Porto Alegre: Editora Fundação Fênix, 2025. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1UE4Mi5c-xQnlASuxjojf_K20b2yheK-t/view.

[ii] DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia. São Paulo: Editora 34, 2010. Tradução de Luiz B. L. Orlandi; DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia 2. v. 5. São Paulo: Editora 34, 1997. Tradução de Peter Pál Pelbart e Janice Caiafa.

[iii] MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. Livro I: o processo de produção do capital. Tradução de Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2013.

[iv] WRIGHT, Steve. Storming Heaven: Class Composition and Struggle in Italian Autonomist Marxism. 2. ed. London: Pluto Press, 2017.

[v] Embora Marx comente a distinção entre subsunção formal e real em O Capital, ela é mais desenvolvida e extrapolada em suas consequências no “Capítulo VI” que ficou de fora da edição do livro. Ver: MARX, Karl. Capítulo VI (inédito): manuscritos de 1863-1867, O capital, Livro I. Tradução de Ronaldo Vielmi Fortes. São Paulo: Boitempo, 2022. É esse o texto que fundamenta a leitura do fenômeno pelos autores operaístas.

[vi] DELEUZE, Gilles. Post-scriptum sobre as sociedades de controle. In: DELEUZE, Gilles. Conversações: 1972-1990. Tradução de Peter Pál Pelbart. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992. p. 219-226.

[vii] FOUCAULT, Michel. Nascimento da biopolítica: curso dado no Collège de France (1978-1979). Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

[viii]  NEGRI, Antonio. The State and public spending. In.: NEGRI, Antonio; HARDT, Michael. Labor of Dionysus: a critique of the State-form. Minneapolis/London: University of Minnesota Press, 1994, p. 179-216.

[ix] KELTON, Stephanie. O mito do déficit: teoria monetária e o nascimento da economia do povo. Tradução de Christiano Sensi. Rio de Janeiro: Alta Cult, 2023; WRAY, L. Randall. Trabalho e moeda hoje: a chave para o pleno emprego e a estabilidade dos preços. Tradução de José Carlos de Assis. Rio de Janeiro: Editora UFRJ; Contraponto, 2003.

[x] LARA RESENDE, André. Consenso e contrassenso: por uma economia não dogmática. São Paulo: Portfolio-Penguin, 2020; LARA RESENDE, André. Camisa de força ideológica: a crise da macroeconomia. São Paulo: Portfolio-Penguin, 2022.

[xi] Publiquei também um artigo que explora a semelhança entre teoria cartalista da meoda e as proposições de Deleuze & Guattari: PIROLA, Émerson. Deleuze & Guattari e a tradição cartalista em teoria monetária: uma aproximação frutífera para a luta monetária. Cadernos Miroslav Milovic, v. 4, n. 1, 2026. DOI: doi.org/10.46550/CADERNOSMILOVIC.V4I1.156.

[xii] FERREYRA, Julián. Idea y lucha en la fase monetaria del capitalismo según Deleuze y Guattari. eidos, nº 30, 2019, p. 72-103. Modéstia à parte, o conceito de “luta monetária”, embora cunhado por Ferreyra, está bem mais desenvolvido em minha tese; mas é injusto comparar os desenvolvimentos de um artigo com os de uma tese.

[xiii] COOPER, Melinda. Counterrevolution: extravagance and austerity in public finance. Cambridge, MA: Zone Books, 2024.

[xiv] Sobre a independência do Banco Central como projeto essencialmente neoliberal, ver: SAAD-FILHO, Alfredo. Monetary Policy and Neoliberalism. In.: CAHILL, Damien; COOPER, Melinda; KONINGS, Martijn; PRIMROSE, David (eds.) The SAGE handbook of Neoliberalism. Los Angeles/London/New Delhi/Singapore/Washington DC/Melbourne: Sage, 2018, p. 335-46.

[xv] CHAMAYOU, Grégoire. A sociedade ingovernável: uma genealogia do liberalismo autoritário. São Paulo: Ubu Editora, 2020.

[xvi]  DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. Tradução de Mariana Echalar. São Paulo: Boitempo, 2016.

[xvii] MATTEI, Clara E. A ordem do capital: como economistas inventaram a austeridade e abriram caminho para o fascismo. Tradução de Heci Regina Candiani. São Paulo: Boitempo, 2023.

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