terça-feira, 19 de setembro de 2017

Sem os artigos de JAMES PETRAS dificilmente entenderíamos o que se passa nos EUA a cada momento

Quem domina a América?

– A elite do poder na era Trump


por James Petras
Nos últimos meses, vários sectores políticos, económicos e militares competidores – ligados a diferentes grupos ideológicos e étnicos – emergiram claramente como os centros de poder.

Podemos identificar alguns dos competidores chave e centros entrelaçados da elite do poder:
1. Propagandistas do mercado livre, com a presença generalizada do grupo "Israel First".
2. Capitalistas nacionais, ligados a ideólogos de direita.
3. Generais, ligados à segurança nacional e ao aparelho do Pentágono, bem como à indústria da defesa.
4. Elites dos negócios, ligadas ao capital global.

Este ensaio tenta definir os detentores do poder e avaliar a amplitude e impacto do seu poder.

A elite do poder económico: Israel-Firsters e presidentes da Wall Street

Os Israel Firsters dominam as posições económicas e políticas de topo dentro do regime Trump e, de modo interessante, estão entre os opositores mais vociferantes da administração. Estes incluem: a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, bem como seu vice-presidente, Stanley Fischer, um cidadão israelense e antigo (sic) governador do Banco de Israel.

Jared Kushner, genro de Trump e judeu ortodoxo, actua como seu conselheiro principal em Assuntos do Médio Oriente. Kushner, um magnata imobiliário de Nova Jersey, posicionou-se como o arqui-inimigo dos nacionalistas económicos do círculo próximo de Trump. Ele defende todo o poder israelense e a captura de terra no Médio Oriente e trabalha estreitamente com David Friedman, embaixador dos EUA em Israel (e apoiante fanático dos colonatos ilegais judeus) e Jason Greenblatt, representante especial para negociações internacionais. Com três Israel-Firsters a determinar a política do Médio Oriente, não há sequer uma folha de figueira para equilibrar.

O secretário do Tesouro é Steven Mnuchin, antigo executivo da Goldman Sachs, que lidera a ala neoliberal de livre mercado do sector da Wall Street dentro do regime Trump. Gary Cohn, durante muito tempo influente na Wall Street, encabeça o National Economic Council. Eles constituem o núcleo dos conselheiros de negócios e lideram a coligação neoliberal anti-nacionalista de Trump comprometida a minar políticas económicas nacionalistas.

Uma voz influente no gabinete da Procuradoria-Geral é Rod Rosenstein, o qual nomeou Robert Mueller como investigador chefe, o que conduz à remoção de nacionalistas da administração Trump.

O padrinho visionário da equipe anti-nacionalista de Mnuchin-Cohn é Lloyd Blankfein, presidente da Goldman Sachs. Os "Três banksters Israel First" estão a encabeçar o combate para desregulamentar o sector bancário, o qual tem devastado a economia, levou ao colapso de 2008 e ao arresto de milhões de lares e negócios americanos.

A elite "Israel First" do livre mercado estende-se por todo o espectro político dominante, incluindo democratas no Congresso, liderados pelo líder da minoria no Senado, Charles Schumer e o responsável democrata do Comité de Inteligência da Câmara, Adam Schiff. Os Israel Firsters do Partido Democrata aliaram-se aos seus irmãos do livre mercado para pressionar por investigações e campanhas de mass media contra apoiantes do nacionalismo económico de Trump e o seu expurgo final da administração.

A elite do poder militar: Os generais

A elite do poder militar tomou do presidente eleito o poder de tomar as grandes decisões. Outrora os poderes de guerra permaneciam com o presidente e o Congresso, hoje uma colecção de militaristas fanáticos faz e executa a política militar, decide zonas de guerra e pressiona por maior militarização do policiamento interno. Trump entregou decisões cruciais àqueles que afectuosamente chama os "meus generais" enquanto continua a esquivar-se a acusações de corrupção e racismo.

Trump nomeou o general de quatro estrelas James "Mad Dog" Mattis (reformado do US Marine Corps) – um general que conduziu a guerra no Afeganistão e no Iraque – como secretário da Defesa. Mattis (cujas "glorias" militares incluíram bombardear uma grande festa de casamento no Iraque) está a conduzir a campanha para escalar a intervenção militar dos EUA no Afeganistão – uma guerra e uma ocupação que Trump condenou abertamente durante a sua campanha. Como secretário da Defesa, o general "Mad Dog" ("Cão Louco") pressionou o não entusiástico Trump a anunciar um aumento das tropas estado-unidenses no terreno e ataques aéreos por todo o Afeganistão. Confirmando seu muito publicitado nome de guerra, o general é um raivoso advogado de um ataque nuclear contra a Coreia do Norte.

O tenente-general H. R. McMaster (um general de três estrelas na activa e por longo tempo proponente da expansão de guerras no Médio Oriente e Afeganistão) tornou-se Conselheiro de Segurança Nacional após o expurgo do aliado de Trump, ten.-general Michael Flynn, o qual opôs-se à campanha de confrontação e sanções contra a Rússia e a China. McMaster tem sido instrumental na remoção de "nacionalistas" da administração Trump e junta-se ao general "Mad Dog" Mattis na pressão por uma maior acumulação de tropas dos EUA no Afeganistão.

O ten.-general John Kelly (reformado do USMC), outro veterano de guerra no Iraque e entusiastas das mudanças de regime no Médio Oriente, foi nomeado Chefe de Equipe da Casa Branca após o despejo de Reince Priebus.

A Troika de três generais da administração partilha com os conselheiros Israel First neoliberais de Trump, Stephen Miller e Jared Kushner, uma profunda hostilidade em relação ao Irão e endossa plenamente a exigência do primeiro-ministro israelense Netanyahu de que o Acordo Nuclear de 2015 com Teerão seja sucateado.

O directorado militar de Trump garante que os gastos para guerras além-mar não serão afectados por cortes orçamentais, recessões ou mesmo desastres nacionais. Os "generais", os adeptos do livre mercado Israel First e a elite do Partido Democrata conduzem o combate contra os nacionalistas económicos e têm tido êxito em assegurar que a construção do império militar e económico da Era Obama permaneçam em vigor e mesmo que se expandam.

A elite económica nacionalista

O principal estratega e ideólogo nacionalistas económicos aliados de Trump na Casa Branca foi Steve Bannon. Ele foi o arquitecto político chefe e o conselheiro de Trump durante a campanha eleitoral. Bannon concebeu uma campanha eleitoral em favor da indústria manufactureira interna e dos trabalhadores americanos contra os adeptos do livre mercado na Wall Street e nas corporações multinacionais. Ele desenvolveu o ataque de Trump aos acordos de comércio global, os quais levaram à exportação de capital e à devastação do trabalho manufactureiro nos EUA.

De modo igualmente significativo, Bannon carpinteirou a oposição pública inicial aos 15 anos de intervenção dos generais no Afeganistão, com um custo de milhões de milhões (trillion) de dólares e as séries de guerras ainda mais custosas no Médio Oriente favorecidas pelos Israel-Firsters, incluindo a guerra em curso de mercenários proxy para derrubar o governo nacionalista leigo da Síria.

Em oito meses de administração Trump, as forças combinadas da elite económica do livre mercado e militar, os líderes do Partido Democrata, militaristas abertos no Partido Republicano e seus aliados nos mass medida conseguiram expurgar Bannon – e marginalizar a base de apoio de massa da sua agenda económica nacionalista "America First" e da agenda anti-"mudança de regime".

A "aliança" anti-Trump irá agora alvejar os poucos nacionalistas económicos que restam na administração. Estes incluem: o director da CIA Mike Pompeo, que favorece o proteccionismo através do enfraquecimento dos acordos de comércio asiático e do NAFTA e Peter Navarro, presidente do Conselho de Comércio da Casa Branca. Pompeo e Navarro enfrentam forte oposição da troika sionista-neoliberal em ascensão que agora domina o regime Trump.

Além disso, há o secretário do Comércio, Wilbur Ross, um bilionário e antigo director da Rothschild Inc., o qual aliou-se a Bannon ao ameaçar quotas de importação para tratar do maciço défice comercial dos EUA com a China e a União Europeia.

Outro aliado de Bannon é o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, antigo analista militar e de inteligência com laços à newsletter Breitbart. Ele é um forte oponente aos neoliberais e globalizadores, dentro e fora do regime Trump.

O "Conselheiro Sénior" de Trump e redactor dos seus discursos, Stephen Miller, promove activamente a proibição de viagem a muçulmanos e restrições mais estritas à imigração. Miller representa a ala Bannon do entusiástico grupo pró-Israel de Trump.

Sebastian Gorka, vice-assistente de Trump em assuntos militares e de inteligência, era mais um ideólogo do que um analista, o qual escrevia para Breitbart e passou ao gabinete nas pegadas de Bannon. Logo depois de remover Bannon, os "generais" expurgaram Gorka, nos princípios de Agosto, com acusações de "anti-semitismo".

Seja quem for que permaneça entre os nacionalistas económicos de Trump, estarão significativamente diminuídos com a perda de Steve Bannon, o qual dava liderança e direcção. Contudo, a maior parte tem antecedentes sociais e económicos, o que também os liga à elite do poder militar sobre algumas questões e com os adeptos do mercado livre pró Israel sobre outras. Contudo, suas crenças nucleares foram moldadas e definidas por Bannon.

A elite do poder nos negócios

O presidente da Exxon Mobile, Rex Tillerson, o secretário de Estado de Trump, e o ex-governador do Texas Rick Perry, secretário da Energia, lideram a elite dos negócios. Enquanto isso, a elite dos negócios associada à manufactura e indústria dos EUA tem pouca influência directa em política interna ou externa. Se bem que em política interna sigam os adeptos do livre mercado da Wall Street, eles estão subordinados à elite militar em política externa e não são aliados ao núcleo ideológico de Steve Bannon.

A elite dos negócios de Trump, a qual não tem ligação aos nacionalistas económicos no regime Trump, proporciona uma faces amistosa a aliados e adversários económicos além-mar.

Análise e conclusão

O poder da elite atravessa filiações partidárias, ramos de governo e estratégias económicas. Ele não é restringindo por qualquer partido político, republicano ou democrata. Isto inclui adeptos do livre mercado, alguns nacionalistas económicos, correctores da Wall Street e militaristas. Todos competem e combatem por poder, riqueza e dominância dentro desta administração. A correlação de forças é volátil, mudando rapidamente em curtos períodos de tempo – o que reflecte a falta de coesão e coerência no regime Trump.

Nunca a elite do poder nos EUA foi sujeita a tais mudanças monumentais na sua composição e direcção durante o primeiro ano de um novo regime.

Durante a presidência Obama, a Wall Street e o Pentágono partilhavam o poder confortavelmente com bilionários de Silicon Valley e a elite dos mass media. Eles estavam unidos na busca de uma estratégia imperial "globalista", enfatizando múltiplos teatros de guerra e tratados multilaterais de livre comércio, os quais estavam em processo de reduzir milhões de trabalhadores americanos à servidão (helotry) permanente.

Com a posse do presidente Trump, esta elite do poder enfrentou desafios e a emergência de uma nova configuração estratégica, a qual pretendia mudanças drásticas na política económica e política militar dos EUA.

O arquitecto da campanha e estratégia de Trump, Steve Bannon, procurou deslocar a elite económica e militar global com a sua aliança de nacionalistas económicos, trabalhadores manufactureiros e elites de negócios proteccionistas. Bannon pressionou por uma grande ruptura com a política de Obama de guerras múltiplas e permanentes para expandir o mercado interno. Ele propôs retiradas de tropas e o fim das operações militares dos EUA no Afeganistão, Síria e Iraque, enquanto aumentava uma combinação de pressão económica, política e militar sobre a China. Ele tentou acabar as sanções e confrontação contra Moscovo e moldar laços económicos entre os produtores gigantes de energia nos EUA e a Rússia.

Se bem que Bannon fosse inicialmente o estratega chefe na Casa Branca, ele rapidamente viu-se confrontado com rivais poderosos dentro do regime, além de oponentes ardentes entre globalistas democratas e republicanos e especialmente entre os sionistas – neoliberais que sistematicamente manobraram para ganhar posições de estratégia económica e política dentro do regime. Ao invés de ser uma plataforma coerente a partir da qual seria formulada uma nova estratégia económica radical, a administração Trump tornou-se um "terreno de luta" caótico e vicioso. A estratégia económica de Bannon mal saiu do terreno.

Os mass media e os operacionais dentro do aparelho de estado, ligados à estratégia de guerra permanente de Obama, primeiro atacaram a proposta de Trump de reconciliação económica com a Rússia. Para minar qualquer "desescalada", eles fabricaram a conspiração dos espiões russos e manipulação das eleições. Seus primeiros tiros com êxito foram disparados contra o ten.-general Michael Flynn, aliado de Bannon e proponente chave da reversão da política de confrontação militar de Obama/Clinton com a Rússia. Flynn foi rapidamente destruído e ameaçado abertamente com processo quando um "agente russo" estimulou uma histeria que recordava o apogeu do senador Joseph McCarthy.

Os postos económicos chave no regime Trump foram divididos entre os neoliberais adeptos do Israel-First e os nacionalistas económicos. O "negociante" Trump tentou atrelar sionistas neoliberais filiados à Wall Street aos nacionalistas económicos, ligados à base eleitoral de Trump na classe trabalhadora, formulando novas relações comerciais com a UE e a China, as quais favoreceriam a indústria manufactureira dos EUA. Dadas as diferenças irreconciliáveis entre estas forças, o ingénuo "acordo" de Trump enfraqueceu Bannon, minou sua liderança e arruinou sua estratégia económica nacionalista.

Apesar de Bannon ter assegurado vários importantes nomeados económicos, os neoliberais sionistas enfraqueceram sua autoridade. O grupo Fischer-Mnuchin-Cohon estabeleceu com êxito uma agenda competitiva.

Toda a elite do Congresso de ambos os partidos uniu-se para paralisar a agenda Trump-Bannon. Os mass media corporativos gigantes serviram como um megafone histérico e carregado de rumores para excitados investigadores do Congresso e do FBI que ampliavam cada nuance das relações de Trump entre os EUA e a Rússia em busca de conspirações. O aparelho combinado do Congresso e dos media esmagou a desorganizada e despreparada base de massa da coligação eleitoral de Bannon que elegera Trump.

Totalmente derrotado, Trump, o presidente sem dentes, recuou numa busca desesperada por uma nova configuração de poder, transferindo suas operações do dia-a-dia para os "seus generais". O presidente civil eleito dos Estados Unidos adoptou a busca dos "seus generais" de uma nova aliança militar globalista e de escalada de ameaças militares acima de tudo contra a Coreia do Norte, mas incluindo a Rússia e a China. O Afeganistão foi imediatamente designado para uma intervenção expandida.

Trump efectivamente substituiu a estratégia económica nacionalista de Bannon por um ressuscitar da abordagem militar multi-guerra de Obama.

O regime Trump relançou os ataques ao Afeganistão e à Séria – ultrapassando o uso de ataques com drones de Obama a militantes muçulmanos suspeitos. Ele intensificou sanções contra a Rússia e o Irão, abraçou a guerra da Arábia Saudita contra o povo do Iémen e entregou toda a política do Médio Oriente ao seu conselheiro político ultra-sionista (magnata imobiliário e genro) Jared Kushner e ao embaixador dos EUA em Israel, David Friedman.

A retirada de Trump transformou-se numa derrota grotesca. Os generais abraçaram os sionistas neoliberais no Tesouro e os militaristas globais no Congresso. O director de comunicações Anthony Scaramucci foi despedido. O chefe de Estado-Maior de Trump, general Joe Kelly, expurgou Steve Bannon. Sebastian Gorka foi chutado para fora.

Os oito meses de luta interna entre os nacionalistas económicos e os neoliberais acabaram. A aliança sionista-globalista com os generais de Trump agora domina a Elite do Poder.

Trump está desesperado para adaptar à nova configuração, aliada aos seus próprios adversários do Congresso e aos mass media raivosamente anti-Trump.

Tendo quase dizimado os nacionalistas económicos de Trump e o seu programa, a Elite do Poder montou então uma série de eventos mediáticos exagerados centrados em torno de um espancamento em Charlottesville, Virgínia, entre partidários da "supremacia branca" e "anti-fascistas". Depois de a confrontação ter levado a mortos e feridos, os media utilizaram a inepta tentativa de Trump de culpar ambos os lados que empunhavam "tacos de beisebol" como prova de ligações do presidente a neo-nazis e à KKK. Neoliberais e sionistas, dentro da administração Trump e nos seus conselhos de negócios, juntaram-se todos no ataque ao presidente, denunciando sua falha ao imediatamente e unilateralmente culpar extremistas de direita pela desordem.

Trump está a voltar-se para sectores dos negócios e para a elite do Congresso numa tentativa desesperada de reter seu apoio em declínio através de promessas de por em prática cortes fiscais maciços e desregulamentar todo o sector privado.

A questão decisiva não é mais sobre esta ou aquela política ou mesmo estratégia. Trump já perdeu em todos os tabuleiros. A "solução final" para o problema da eleição de Donald Trump está a andar passo-a-passo – o seu impeachment e possível prisão por todos os meios possíveis.

O que nos diz a ascensão e destruição do nacionalismo económico na "pessoa" de Donald Trump é que o sistema político americano não pode tolerar quaisquer reformas capitalistas que possam ameaçar a elite do poder imperial globalista.

Escritores e activistas costumavam pensar que só regimes socialistas eleitos democraticamente seriam alvo de golpe de estado sistemático. Hoje as fronteiras políticas são muito mais restritivas. Apelar ao "nacionalismo económico", completamente dentro do sistema capitalista, e procurar acordos comerciais recíprocos é convidar ataques políticos selvagens, conspirações inventadas e capturas militares internas que acabam em "mudança de regime".

O expurgo dos nacionalistas económicos e dos anti-militaristas efectuado pela elite global-militarista foi apoiado por toda a esquerda dos EUA, apenas com algumas poucas excepções. Pela primeira vez na história a esquerda tornou-se uma arma organizacional daqueles pró guerra, pró Wall Street, pró direita sionista na campanha de expulsão do presidente Trump. Movimentos e líderes locais, no entanto, funcionários sindicais, políticos dos direitos civis e da imigração, liberais e sociais democratas juntaram-se no combate para a restauração do pior de todos os mundos: a política Clinton-Bush-Obama/Clinton de guerras múltiplas permanentes, escalada de confrontos com a Rússia, China, Irão e Venezuela e a desregulamentação de Trump da economia estado-unidense e cortes maciços de impostos para o big business.

Andámos um longo caminho para trás: de eleições para expurgos e de acordos de paz para investigações de estado policial. Os nacionalistas económicos de hoje são etiquetados como "fascistas" e trabalhadores deslocados são "os deploráveis"!

Os americanos têm um bocado a aprender e a desaprender. Nossa vantagem estratégica pode estar no facto de que a vida política nos Estados Unidos não pode ficar pior – realmente chegámos ao fundo e (a menos que haja uma guerra nuclear) só podemos melhorar.

Ver também:


  • Chaos of the Trump era is never-ending , M.K. Bhadrakumar

    O original encontra-se em petras.lahaine.org/?p=2153


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • O vídeo-filme que aqui publico é uma dos mais poderosos objectos fílmicos contra o fascismo de ontem e de sempre. Imperdível.

    Obyknovennyy fashizm - El Fascismo cotidiano (subtitulado)

    domingo, 17 de setembro de 2017

    Ecossocialismo por Michael Löwy

    Crítico ao capitalismo verde, que anseia tornar o capital menos agressivo ao meio ambiente, o cientista social brasileiro radicado na França, Michael Löwy, enfatiza em entrevista concedida ao Instituto Humanitas Unisinos On-Line que é preciso reorganizar o modo de produção e consumo, atendendo às necessidades reais da população e à defesa do equilíbrio ecológico.
    Löwy propõe romper com o capitalismo e transformar as estruturas das forças produtivas e do aparelho produtivo. “Trata-se de destruir esse aparelho de Estado e criar um outro tipo de poder. Essa lógica tem que ser aplicada também ao aparelho produtivo: ele tem que ser, senão destruído, ao menos radicalmente transformado. Ele não pode ser simplesmente apropriado pelos trabalhadores, pelo proletariado e posto a trabalhar a seu serviço, mas precisa ser estruturalmente transformado”, esclarece.
    Michael Löwy é cientista social e leciona na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, da Universidade de Paris. Entre sua vasta obra, estão Revoluções (Boitempo, 2009), Walter Benjamin: aviso de incêndio (Boitempo, 2005) e Lucien Goldmann (Boitempo, 2005).
    Confira a entrevista na íntegra:
    O que o senhor entende por ecossocialismo? Quais as ideias principais dessa corrente?
    Michael Löwy– O ecossocialismo é uma proposta estratégica que resulta da convergência entre a reflexão ecológica e a reflexão socialista, a reflexão marxista. Existe hoje em escala mundial uma corrente ecossocialista: há um movimento ecossocialista internacional, que recentemente, por ocasião do Fórum Social Mundial de Belém (janeiro de 2009), publicou uma declaração sobre a mudança climática; e existe no Brasil uma rede ecossocialista que publicou também um manifesto, há alguns anos. Ao mesmo tempo, o ecossocialismo é uma reflexão crítica.
    Em primeiro lugar, crítica à ecologia não socialista, à ecologia capitalista ou reformista, que considera possível reformar o capitalismo, desenvolver um capitalismo mais verde, mais respeitoso ao meio ambiente. Trata-se da crítica e da busca de superação dessa ecologia reformista, limitada, que não aceita a perspectiva socialista, que não se relaciona com o processo da luta de classes, que não coloca a questão da propriedade dos meios de produção. Mas o ecossocialismo é também uma crítica ao socialismo não ecológico, por exemplo, da União Soviética, onde a perspectiva socialista se perdeu rapidamente com o processo de burocratização e o resultado foi um processo de industrialização tremendamente destruidor do meio ambiente. Há outras experiências socialistas, porém, mais interessantes do ponto de vista ecológico – por exemplo, a experiência cubana (com todos seus limites).
    O projeto ecossocialista implica uma reorganização do conjunto do modo de produção e de consumo, baseada em critérios exteriores ao mercado capitalista: as necessidades reais da população e a defesa do equilíbrio ecológico. Isto significa uma economia de transição ao socialismo, na qual a própria população – e não as leis do mercado ou um “burô político” autoritário – decide, num processo de planificação democrática, as prioridades e os investimentos. Esta transição conduziria não só a um novo modo de produção e a uma sociedade mais igualitária, mais solidária e mais democrática, mas também a um modo de vida alternativo, uma nova civilização, ecossocialista, mais além do reino do dinheiro, dos hábitos de consumo artificialmente induzidos pela publicidade, e da produção ao infinito de mercadorias inúteis.
    Em que consiste o Manifesto Ecossocialista Internacional?
    Michael Löwy – O Manifesto Ecossocialista Internacional, redigido em 2001 porJoel Kovel e por mim, foi uma primeira tentativa de resumir, em algumas páginas, as ideias principais do ecossocialismo, como projeto radicalmente anticapitalista e antiprodutivista, e como crítica às experiências socialistas não ecológicas do século XX.
    A tentativa de aplicar o socialismo no mundo fracassou. Será possível vingar o ecossocialismo? Por quê?
    Michael Löwy – As experiências de corte social-democrata fracassaram porque não sairam dos limites de uma gestão mais social do capitalismo e, nos últimos anos do neoliberalismo, as experiências de tipo soviético ou stalinista fracassaram por ausência de democracia, liberdade e auto-organização das classes oprimidas. As duas tinham em comum uma visão produtivista de exploração da natureza, com dramáticas consequências ecológicas.
    O ecossocialismo parte de uma visão crítica destes fracassos e propõe um projeto democrático, libertário e ecológico. Nada garante que possa vingar. Depende das lutas ecossociais do futuro.
    Sob quais aspectos a crise ecológica é mais grave do que a econômica?
    Michael Löwy – A crise econômica tem consequências sociais dramáticas – desemprego, crise alimentar etc. –, mas a crise ecológica coloca em perigo a sobrevivência da vida humana neste planeta. O processo de mudança climática e aquecimento global, provocado pela lógica expansiva e destruidora do capitalismo, pode resultar, nas próximas décadas, numa catástrofe sem precedente na história da humanidade: desertificação das terras, desaparecimento da água potável, inundação das cidades marítimas pela subida do nível dos oceanos etc.
    Como pensar em ecossocialismo se a Modernidade é capitalista? Seria o ecossocialismo uma proposta para romper com o capital?
    Michael Löwy – Absolutamente! Uma das ideias fundamentais do ecossocialismo é a necessidade de uma ruptura com o capitalismo. Uma ruptura que vai mais além de uma mudança das relações de produção, das relações de propriedade. Trata-se de transformar a própria estrutura das forças produtivas, a estrutura do aparelho produtivo. Há que aplicar ao aparelho produtivo a mesma lógica que Marx aplicava ao aparelho de Estado a partir da experiência da Comuna de Paris, quando ele diz o seguinte: os trabalhadores não podem apropriar-se do aparelho de Estado burguês e usá-lo a serviço do proletariado; não é possível, porque o aparelho do Estado burguês nunca vai estar a serviço dos trabalhadores.
    Então, trata-se de destruir esse aparelho de Estado e de criar um outro tipo de poder. Essa lógica tem que ser aplicada também ao aparelho produtivo: ele tem que ser, senão destruído, ao menos radicalmente transformado. Ele não pode ser simplesmente apropriado pelos trabalhadores, pelo proletariado e posto a trabalhar a seu serviço, mas precisa ser estruturalmente transformado. É impossível separar a ideia de socialismo, de uma nova sociedade, da ideia de novas fontes de energia, em particular do Sol – alguns ecossocialistas falam do comunismo solar, pois entre o calor, a energia do Sol e o socialismo e o comunismo haveria uma espécie de afinidade eletiva.
    Como o ecossosialismo pode se sustentar em economias emergentes, que ainda não conquistaram um status de bem-estar social das economias desenvolvidas?
    Michael Löwy – As economias dos países do Sul, da Ásia, África e América Latina devem se desenvolver, mas isto não significa copiar o modelo de desenvolvimento capitalista do Ocidente e seu padrão de consumo insustentável. Trata-se de buscar um outro modelo, um desenvolvimento ecossocialista, baseado na agricultura orgânica dos camponeses e nas cooperativas agrárias, nos transportes coletivos, nas energias alternativas e na satisfação igualitária e democrática das necessidades sociais da grande maioria. O modelo ocidental não so é absurdo e irracional, mas não é generalizável: se os chineses quisessem imitar o American way of life, cinco planetas seriam necessários.
    A humanidade deve preocupar-se com o ecossocialismo ou com o capitalismo verde?
    Michael Löwy – O capitalismo verde é uma contradição nos têrmos. A lógica intrinsecamente perversa do sistema capitalista, baseada na concorrência impiedosa, nas exigências de rentabilidade, na corrida pelo lucro rápido, é necessariamente destruidora do meio ambiente e responsável pela catastrófica mudança do clima. As pretensas soluções capitalistas como o etanol, o carro elétrico, a energia atômica, as bolsas de direitos de emissão são totalmente ilusórias.
    Os acordos de Kyoto, a fórmula mais avançada até agora de capitalismo verde, demonstrou-se incapaz de conter o processo de mudança climática. As soluções que aceitam as regras do jogo capitalista, que se adaptam às regras do mercado, que aceitam a lógica de expansão infinita do capital, não são soluções, são incapazes de enfrentar a crise ambiental – uma crise que se transforma, devido à mudança climática, numa crise de sobrevivência da espécie humana. Como disse recentemente o secretário das Nações Unidas, Ban Ki Moon: “Estamos correndo para o abismo com os pés colados no acelerador”.
    Em que sentido a crise ecológica atual pode ser entendida como um problema de luta de classes?
    Michael Löwy – Por um lado, a crise ecológica é um problema de toda a humanidade, pessoas de várias classes sociais podem se mobilizar por esta causa. Por outro lado, as classes dominantes são cegadas por seus interesses imediatos, pensam exclusivamente em seus lucros, sua competitividade, suas partes de mercado e defendem, com unhas e dentes, o sistema capitalista responsavel pela crise. As classes subalternas, os trabalhadores da cidade e do campo, os desempregados, o pobretariado têm interesses conflitivos com o capitalismo e podem ser ganhos para o combate ecossocialista. Não se trata de um processo inevitável, mas de uma possibilidade histórica.
    Nas últimas conferências do clima, em Copenhague e Cancun, os movimentos sociais e ambientalistas fracassaram? Por que não se vê perspectiva de avançar nas lutas ambientais?
    Michael Löwy – O que fracassou em Copenhague e Cancun foram as políticas dos governos comprometidos com o sistema, que demonstraram sua total incapacidade de tomar qualquer decisão, mesmo a mais ínfima, no sentido de buscar reduzir significativamente as emissões de CO2, responsáveis pelo aquecimento global.
    A manifestação de cem mil pessoas nas ruas de Copenhague nem 2009, protestando contra o fracasso da conferência oficial, com a palavra de ordem “Mudemos o sistema, não o clima”, é um primeiro passo, alentandor, no sentido de uma mobilização ecológica radical. Ainda estamos longe de ter uma luta ecológica planetária capaz de mudar a relação de forças e impor as drásticas mudanças necessárias. Mas esta é a única esperança de evitar a catástrofe anunciada.
    Considerando o contexto de capitalismo exacerbado, acredita que as pessoas estão preparadas para o ecossocialismo?
    Michael Löwy – Existe um sentimento anticapitalista difuso na América Latina, naEuropa e em outras partes do mundo. O movimento altermundialista é uma das expressões disto. Por outro lado, cresce a consciência ecológica, a preocupação com as ameaças profundamente inquietantes que representa a mudança climática. Mas é no curso das lutas ecossociais contra as multinacionais destruidoras do meio ambiente e contra as políticas neoliberais que poderá surgir uma perspective ecossocialista. Não há nenhuma garantia; é apenas uma possibilidade, mas dela depende o futuro da vida neste planeta.
    Qual é o papel das populações originárias como os indígenas e quilombolas na consolidação do ecossocialismo?
    Michael Löwy– Em toda a América Latina – mas também na América do Norte e em outras regiões do mundo – as populações indígenas estão na primeira linha do combate à destruição capitalista do meio ambiente, em defesa da terra, dos rios, das florestas, contra as empresas mineiras, o agronegócio e outras manifestações da guerra do capital contra a natureza. Não por acaso os indígenas tiveram um papel determinante na organização da Conferência de Cochabamba em Defese da Mãe Terra e contra a Mudança Climática, em 2010, que contou com a participação de dezenas de milhares de delegados de comunidades indígenas e movimentos sociais. Temos muito aaprender com as comunidades indígenas, que representam outra visão da relação dos seres humanos com a natureza, totalmente oposta ao ethos explorador e destruidor do mercantilismo capitalista. Como diz nosso companheiro, o histórico lider indígena peruano Hugo Blanco: “Os indígenas já praticam o ecossocialismo há séculos!”

    in Boitempo blogspot.com
    esafios globais

    Investir nas pessoas não é só um ‘nice to have’

    É a primeira edição do Índice de Capital Humano, publicado pelo Fórum Económico Mundial, e que avalia o potencial económico de longo prazo de 122 países. O relatório pretende fornecer uma visão holística de quão bem ou mal os países estão a alavancar o seu capital humano e a desenvolver forças de trabalho que têm de estar preparadas para as exigências de economias cada vez mais competitivas. A Suíça lidera e o Iémen está na cauda da lista. Portugal ocupa a 30ª posição
    POR HELENA OLIVEIRA
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    “A chave para o futuro de qualquer nação ou instituição reside nas competências e talentos das suas pessoas”, afirma Klaus Schwab, fundador e presidente do Fórum Económico Mundial (FEM), a propósito do primeiro Índice de Capital Humano. “No futuro, o capital humano será o mais importante de todos os capitais. Investir nas pessoas não é apenas um ‘nice to have’. É, sim, um imperativo para o crescimento, para a prosperidade e para o progresso”, acrescenta.
    A primeira edição do Índice de Capital Humano, da responsabilidade do Fórum Económico Mundial e em parceria com a Mercer, lançada a 1 de Outubro, identificou os mais bem-sucedidos países no mundo no que diz respeito a maximizar o potencial económico de longo prazo das suas respectivas forças de trabalho. Em 122 países analisados, Portugal surge em 30º lugar, logo a seguir à Espanha, e no meio de uma Europa cortada ao meio, geograficamente falando e não só, na qual os países do sul se encontram a milhas dos do norte, no que a esta temática diz respeito.
    Através desta análise, o Fórum Económico Mundial pretende fornecer uma panorâmica holística e de longo prazo de quão bem os países estão a alavancar o seu capital humano e a formar forças laborais devidamente preparadas para os desafios impostos por economias cada vez mais competitivas. O Índice de Capital Humano identifica, assim, os países que servem de exemplo no que respeita aos investimentos na saúde, educação e talento das suas pessoas e que oferecem o ambiente certo para que estes investimentos se traduzam em produtividade para as suas economias.
    Mas como se mede o capital humano e qual a sua relação directa com a economia de um país? De acordo com o relatório, e apesar das elevadas taxas de desemprego que assolam vários países, a economia global está a entrar numa era de escassez de talento, a qual, senão for abordada eficazmente contribuirá para prejudicar, ainda mais, o crescimento económico mundial.
    O índice de Capital Humano explora os pontos que contribuem (para) ou inibem o desenvolvimento e a implantação de uma força laboral que se deseja saudável, educada e produtiva, sendo que a metodologia e a análise quantitativa que dele fazem parte têm como objectivo servir de base para a concepção de medidas efectivas de planeamento das políticas laborais.
    Enquanto nova medida de avaliação do desenvolvimento do capital humano a nível global, possui três características fundamentais.
    Em primeiro lugar, avalia um conjunto largado de indicadores que vão bem mais além das definições tradicionais de capital humano. Não sendo um conceito unidimensional, tem significados diferentes para stakeholders distintos. No mundo empresarial, capital humano consiste no capital económico do conjunto de competências de um determinado trabalhador. Para o decisor político, o capital humano é definido pela capacidade da população em gerar crescimento económico. Adicionalmente, o valor do capital humano é fortemente determinado pelo contexto físico, social e económico de uma sociedade, porque esse contexto determina de que forma os atributos particulares de uma pessoa podem ser recompensados. Este Índice assenta, desta forma, em quatro pilares: os três principais determinantes do capital humano (educação, saúde e emprego) somados aos factores que permitem que os mesmos sejam traduzidos em retornos maiores.
    Em segundo lugar, o Índice opta por uma abordagem de longo prazo do capital humano. Complementar à imagem do estado do capital humano de cada país no presente através de avaliações que reflectem os resultados das suas práticas passadas, inclui indicadores resultantes de práticas e decisões políticas que têm impacto nas crianças de hoje e que irão moldar a força de trabalho futura. Ou seja, o Índice pretende também desenvolver uma maior consciência sobre a necessidade de se planear para o futuro.
    Em terceiro lugar, o Índice pretende igualmente tomar em consideração o ciclo de vida do individuo. Por exemplo, a Organização Mundial da Saúde declara que “a primeira infância é a mais importante fase do desenvolvimento geral do indivíduo”, acrescentando que “muitos dos desafios enfrentados pelos adultos, como doenças mentais, obesidade, doenças cardíacas, criminalidade, em conjunto com uma pobre performance em literacia e numeracia, podem ser rastreados desde a primeira infância”. Assim, o Índice inclui também este tipo de avaliações, apresentando igualmente uma análise da influência que os investimentos efectuados nos primeiros anos em termos de saúde e educação têm presentemente na população activa, através da aprendizagem ao longo da vida e da formação. E, finalmente, o Índice leva também em linha de conta a saúde e a produtividade da população mais velha.
    Para se ter uma melhor ideia de como o Índice foi construído, o relatório explica, no seu capítulo introdutório, os quatro pilares que lhe estão subjacentes:
    Saúde e Bem-estar: contém indicadores relacionados com o bem-estar físico e emocional da população, desde a infância até à idade adulta.
    Educação: inclui indicadores relacionados com aspectos quantitativos e qualitativos da educação ao longo do ensino primário, secundário e superior, para além de informações complementares sobre a força laboral do presente e  do futuro.
    Força Laboral e Emprego: foi concebido para quantificar a experiência, o talento, o conhecimento e a formação da população em idade activa de cada país.
    Ambiente Capacitador: toma em consideração a estrutura legal, as infra-estruturas e outros factores que permitem os retornos do capital humano.
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    TOP 10 é dominado por países europeus e Suíça lidera
    Oito dos 10 países que melhor se posicionam, globalmente, no índice de Capital Humano, pertencem à Europa. A Suíça reina no primeiro lugar, demonstrando uma significativa consistência nos quatro pilares avaliados, com pontuações máximas no que respeita à Saúde e Bem-estar e à Força Laboral e Emprego, uma segunda posição no que respeita ao Ambiente Capacitador e um quarto lugar mais modesto no pilar da Educação.
    Como já é habitual, os países do norte da Europa estão igualmente bem representados no ranking, com a Finlândia na 2ª posição, a Suécia na 5ª, a Noruega na 7ª e a Dinamarca a ocupar o número 9 do ranking. A força “global” dos países nórdicos é representada pelo pilar do Emprego e da Educação, com a Finlândia a obter nota “exemplar” para esta última. Sem surpresa, nos 10 melhores lugares de capital humano encontram-se igualmente a Holanda, em 4º lugar, e a Alemanha, a ocupar a 6ª posição, com um posicionamento relativamente baixo no que respeita à Educação (19º), o que contribuiu para uma posição global menos elevada no ranking em causa.
    O último país europeu a constar do top 10 é o Reino Unido (8º), com uma boa performance no pilar do Ambiente Capacitador, mas com resultados modestos na Saúde e Bem-estar, onde não vai mais longe do que o 17º lugar.
    O único país asiático que entra no top 10 é, como habitualmente também, Singapura, com um honroso 3º lugar, alcançado em particular devido às suas elevadas pontuações na Educação, na Força Laboral e Emprego, sendo que o seu pior resultado é no pilar respeitante ao Ambiente Capacitador, no qual e mesmo assim, ocupa o 5º lugar entre todos os países analisados.
    A fechar este top, e na 10ª posição, encontra-se o Canadá, com uma excelente posição no pilar da Educação (2º), sendo que nos três remanescentes a sua posição varia entre o 15º e o 20º lugar.
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    A Europa dos pobres e a China a liderar os BRICS
    Existe uma clara divisão geográfica emergente no que respeita à capacidade dos países para explorar a dotação do seu capital humano, com os países do sul e leste da Europa a “comportarem-se pobremente” comparativamente aos seus vizinhos do norte e da Europa ocidental. Uma excepção para a Irlanda que consegue posicionar-se na 20ª posição, à frente da França (21), da Espanha (29), da Itália (37), da Grécia (55) e da Sérvia (85).
    E Portugal? Ocupando o 30º lugar no ranking global, na melhor posição encontra-se o pilar da Saúde e Bem-estar (23), seguido pelo Ambiente Capacitador (29). No que respeita aos piores resultados, e sem surpresa, a Força Laboral e Emprego não vão além da 34ª posição, sendo na Educação que o país pior se encontra representado, em 37º lugar, muitíssimo atrás da Irlanda (9º) neste pilar em particular, e com piores classificações comparativamente a países como Malta (24), Estónia (20), Chipre (16), Eslovénia (21) ou a Lituânia (23).
    No relatório em causa, e devido não só à sua proximidade geográfica como também “posicional” no ranking – Espanha em 29º e Portugal em 30º – os dois países são comentados no mesmo “bloco”. Sublinha-se a sua similaridade no geral, mas também as suas diferenças no particular. A título de exemplo, a boa posição de Espanha no que respeita à Saúde e Bem-Estar (12) fica longe do lugar ocupado por Portugal (23) nesta área, mesmo que esta seja onde consegue pontuar melhor (no total das quatro em causa). Todavia, a gravíssima situação laboral em que Espanha se encontra, com níveis de desemprego bem mais elevados comparativamente aos já incomportáveis de Portugal, colocam-na, no que à Força Laboral e Emprego diz respeito, numa péssima posição entre os 122 países, não ultrapassando o 70º lugar.
    O relatório sublinha ainda a boa participação e as positivas medidas de acesso à educação espanholas, mas chama a atenção para as suas baixas avaliações qualitativas, o que pode explicar o facto de, mesmo no pilar da Educação, não ultrapassar o 31º lugar. No que respeita a Portugal, o índice realça o peso do pilar da Saúde e Bem-estar (23) para a classificação final nacional, ao mesmo tempo que, em termos negativos, o puxão de orelhas vai para o pilar da Educação, definido pelo Fórum Económico Mundial como a sua principal fraqueza. Em particular, o relatório chama a atenção para os níveis baixos de habilitações académicas na força laboral actual.
    No que respeita às economias emergentes, a China detém a melhor posição (43), seguida pela Rússia (51), pelo Brasil (57), pela Índia (78) e com a África do Sul a fechar os BRICS, numa posição muita baixa (86).
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    A América na 16ª posição e o Iémen regista a pior classificação
    Na América do norte, o destaque vai para o Canadá, o qual, como já foi anteriormente mencionado, fecha o top 10, sendo de salientar o seu exemplar 2º lugar no que respeita à Educação. A posição dos Estados Unidos (16) deve-se à sua dinâmica força de trabalho e capacidade de atrair talento, bem como o seu potencial na inovação e níveis elevados de educação universitária. Contudo, o facto de não passar do 16ª lugar deve-se a fracos resultados no que respeita às doenças não transmissíveis na faixa etária mais activa (por exemplo, o número de AVCs nos Estados Unidos está a preocupar sobremaneira as autoridades de saúde) e a níveis igualmente baixos no que respeita ao bem-estar mental da sua população em idade activa.
    Na Ásia, é o Japão que ocupa a melhor posição no ranking global (15º), com uma performance particularmente forte na Saúde e Bem-estar, mas com a qualidade da sua Educação (28) a persistir como preocupação principal, nomeadamente no que diz respeito às suas escolas de negócios. Os níveis baixos de integração da “força de trabalho prateada” – os trabalhadores na faixa etária dos 50 e 60 anos – continua a ser uma barreira que o Japão não consegue ultrapassar. Depois de Singapura e do Japão, os países mais bem colocados no índice de Capital Humano são a Malásia (22) e a Coreia (23).
    A 43ª posição ocupada pela China deve-se, por um lado, aos benefícios de uma taxa de desemprego baixa em conjunto com uma elevada percepção, por parte das empresas, de bons níveis de competências da sua força laboral, sendo a área da saúde, a qualidade da sua estrutura legal e os níveis reduzidos de educação ao nível superior na força de trabalho actual que a faz ter uma pior performance global. A Índia (78), por seu turno, está satisfatoriamente posicionada no que respeita à Força laboral e Emprego, mas com uma performance péssima em termos de Saúde e Bem-estar (112).
    No Médio Oriente e no Norte de África, o Qatar é o país mais bem posicionado no geral (18º lugar), ocupando a 26ª posição na Educação e a 7ª em Força Laboral e Emprego. Os seus principais pontos fracos encontram-se na área da Saúde e Bem-Estar (44), explicados por níveis elevados de doenças não transmissíveis, com particular preocupação para os níveis de obesidade e de muitos anos passados sem políticas de saúde adequadas. Da região em causa, seguem-se os Emirados Árabes Unidos (24), Israel (25), a Arábia Saudita (39) e o Barhein (40). A Tunísia (67),o Líbano (74), Marrocos (82) e o Egipto (111) ocupam algumas das posições mais baixas do ranking global, com o Iémen a ocupar o último lugar do mesmo.
    Na África Subsaariana, as Maurícias ocupam a melhor posição (47), seguidas pelo Botswana (79) e o Quénia (81). A Nigéria, o país mais populoso do continente africano ocupa a posição 114, seguido por Moçambique (117), o Mali (118), o Burkina Faso (119) e a Guiné (120), representando o conjunto de países pior classificados no ranking. O Índice em causa não incluiu Angola, nem apresenta qualquer explicação para o facto de uma das economias mais pujantes de África não ser avaliada neste ranking.
    Por último, os países que lideram na América Latina são a Costa Rica e o Chile, na 35ª e 36ª posições respectivamente. O Brasil não vai além da 57ª posição, devido, em particular, à sua má performance em Educação (88).

    sexta-feira, 15 de setembro de 2017

    A view of the Sci-Tech Complex in Pyongyang © KCNA / Reuters
    Moscow ready to develop economic ties with N. Korea within UN restrictions

    quinta-feira, 14 de setembro de 2017

    Os grandes planos do imperialismo no médio oriente


     

    As Brigadas anarquistas da OTAN

    Apresentado no Ocidente como a concretização de uma simpática utopia, o novíssimo «Rojava» é na realidade um Estado colonial, desejado e montado com violência por Washington. Desta vez trata-se de expulsar as populações do Norte da Síria e de as substituir por gente que não é natural de lá. Para realizar esta limpeza étnica, o Pentágono e a CIA mobilizaram combatentes nos círculos da extrema-esquerda europeia. Thierry Meyssan revela este projecto insano, em curso desde há um ano e meio.
    | Damasco (Síria)
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    Em Fevereiro de 2016, o «Czar anti-terrorista» da Casa Branca, Brett McGurk, foi enviado pelo Presidente Obama para supervisionar a batalha de Aïn al-Arab (Kobane). Na ocasião, ele foi condecorado pelo YPG, cuja casa-mãe —o PKK turco— é no entanto considerado por Washington como «terrorista».
    «A guerra, é a paz. A liberdade, é a escravatura. A ignorância, é a força».
    George Orwell, 1984.
    Nos anos de 1980-90, a sociedade curda era extremamente feudal e patriarcal. Ela era mantida num grande sub-desenvolvimento, o que levou os curdos a revoltar-se contra as ditaduras militares que se sucederam em Ancara [1].
    O Partido dos trabalhadores do Curdistão (PKK) era uma organização marxista-leninista, apoiada pela União Soviética, lutando contra as ditaduras dos generais kemalistas, membros da OTAN. Ele libertou as mulheres e juntou-se aos combates progressistas. Com a ajuda de Hafez el-Assad, instalou um campo de treino militar na planície libanesa de Bekaa, sob a protecção da Força de Paz síria, ao lado do campo da FPLP palestina.
    Durante este período, o PKK não achava qualificativos suficientemente duros contra «o imperialismo americano».
    Aquando da dissolução da URSS, o PKK dispunha de mais de 10. 000 soldados a tempo inteiro e de mais de 75. 000 reservistas. Esta guerra de libertação destruiu mais de 3. 000 aldeias e provocou mais de 2 milhões de deslocados. Apesar deste imenso sacrifício, ela foi um fracasso.
    Detido no Quénia, em 1999, durante uma operação conjunta dos serviços secretos turco, norte-americano e israelita, Abdullah Öcalan foi preso na ilha de İmralı, no Mar de Mármara. O PKK afundou-se, dividido entre o seu chefe preso, favorável a uma negociação de paz, e o seus lugar-tenentes, para quem a guerra se tornara um modo de vida. Ainda ocorreram alguns atentados, sem que se saiba verdadeiramente quais os que foram provocados por combatentes, que se recusavam a desarmar, ou por uma facção da gendarmaria, o JITEM, que recusava igualmente o cessar-fogo.
    No início da «Primavera Árabe», Abdullah Öcalan reconstruiu o PKK a partir da sua cela, em torno de uma nova ideologia. No seguimento de negociações secretas com a OTAN, na prisão de İmrali, abandonou o marxismo-leninismo em favor do «municipalismo libertário». Ele que sempre lutara contra a Turquia afim de construir seu próprio Estado, o Curdistão, considerava agora que todo o Estado é, em si mesmo, um instrumento de opressão [2].
    Os militantes do PKK que tinham sido forçados a fugir da Turquia, durante a guerra civil, encontraram refúgio no norte da Síria [3]. Em nome dos seus, Öcalan comprometera-se por escrito a jamais reivindicar território sírio. Em 2011, no início da guerra ocidental contra a Síria, os curdos formaram milícias para defender o país que os tinha acolhido e que os havia naturalizado.
    No entanto, a 31 de Outubro de 2014, um dos dois co-presidentes do YPG, o ramo sírio do PKK, Salih Muslim, participou numa reunião secreta no palácio do Eliseu com o Presidente francês François Hollande e o seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdoğan. Ele viu ser-lhe prometido o posto de chefe de Estado, se concordasse em se envolver na recriação do Curdistão… mas, na Síria.
    De imediato, a Coligação (Coalizão-br) Internacional, que os Estados Unidos acabam de criar pretensamente contra o Daesh (E. I.), apoiou o YPG, fornecendo-lhe dinheiro, formação, armas e um enquadramento. Esquecidas portanto as imprecações contra Washington, tornado agora um tão excelente aliado. A organização curda começou a expulsar os habitantes das regiões às quais tinha deitado o olhar de cobiça.
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    Publicidade norte-americana
    Uma vez que não tinha havido até aí nenhum combate do YPG contra o Daesh (EI), os Estados Unidos encenaram um terrível confronto em Ain al-Arab, rebaptizada para a ocasião com o nome kurmandji de Kobane. A imprensa internacional foi convidada a cobrir o acontecimento sem correr perigo. Esta cidade está localizada na fronteira sírio-turca e os jornalistas puderam seguir os combates com binóculos a partir da Turquia. Ignora-se aquilo que verdadeiramente se passou em Ain al-Arab, uma vez que a imprensa não foi autorizada a lá entrar. No entanto dispõe-se de imagens filmadas por tele-objectiva e parecendo confirmar de longe os comunicados relatando a selvajaria dos combates. Seja como for, o Ocidente unanimemente concluiu que os curdos eram os aliados de que eles precisavam contra o Daesh(EI) e a Síria.
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    «Nem Deus, nem Estado!», venham defender o Estado de «Rojava» e lutar «contra todas as forças da reacção», ao lado do Império americanos
    A imprensa ocidental assegura que metade dos soldados curdos são mulheres, como estatutariamente metade das instâncias dirigentes do PKK / YPG. Ora, sobre o terreno a sua presença é raríssima. Os jornalistas afirmam igualmente que elas aterrorizam os jiadistas, para os quais ser morto por uma mulher seria uma maldição interditando o acesso ao paraíso. Curiosamente, a mesma imprensa ignora que o Exército Árabe Sírio inclui também batalhões femininos, que os jiadistas atacam com a mesma raiva que dispensam aos seus homólogos do sexo masculino.
    Apesar das aparências, o YPG não é tão numeroso como afirma. Muitos curdos sírios consideram os Estados Unidos como um potência inimiga e a Síria como a sua nova pátria. Eles recusam a seguir as fantasias de Salih Muslim. Assim, o Pentágono adicionou aos «seus« curdos, não só alguns mercenários árabes e assírios, mas sobretudo militantes da extrema-esquerda europeia.
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    Da mesma forma que a CIA alistou brigadas de dezenas de milhares de jovens muçulmanos ocidentais para fazer deles islamistas, do mesmo modo, ela recrutou anarquistas europeus para formar Brigadas Internacionais, dentro do modelo das que se bateram em 1936, em Barcelona, contra os fascistas. Encontra-se assim, como tropas complementares do YPG/OTAN, o Batalhão Antifascista Internacionalista (Europa Central), a Brigada Bob Crow (Ingleses e Irlandeses), a Brigada Henri Krasucki (Franceses), as Forças Internacionais e Revolucionárias da Guerrilha do Povo (Americanos), a União Revolucionária para a solidariedade internacional (Gregos), a União do Partido marxista-leninista (Espanhóis) e todos os grupúsculos turcos pro-EU (DK, DKP, MLSPB-DC, PDKÖ, SI, TDP, TKEP/L , TKPML), citando apenas os mais salientes [4].
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    Vinde lutar contra o Capital, com as Forças especiais dos Estados Unidos em «Rojava» !
    A batalha de Ain al-Arab, suposta de opondo jovens Sírios favoráveis ao Califado a jovens Curdos, custou sobretudo a vida, de uma parte e de outra, a jovens Europeus em busca de um mundo melhor. Os países europeus inquietam-se com o possível retorno de jovens jiadistas a suas casas, mas não do de jovens anarquistas, afinal também perigosos. Provavelmente porque é muito mais fácil manipular estes últimos e de os reciclar nas próximas aventuras imperialistas.
    Em Junho de 2015, o Partido Democrático dos Povos (HDP), a nova expressão política do PKK, recebeu um abundante apoio financeiro e enquadramento da CIA, contra o AKP de Recep Tayyip Erdoğan. Subitamente, ele atingiu o mínimo dos 10% de votos necessários para entrar na Grande Assembleia Nacional e conseguiu 80 deputados.
    A 17 de Março de 2016, o YPG proclamou a autonomia de «Rojava», quer dizer da língua de terra ligando a região do Curdistão Iraquiano ao mar Mediterrâneo, a todo o comprimento da fronteira sírio-turca, mas unicamente do lado sírio. Entretanto «Rojava» incluiria ainda, parcialmente, a zona de Idlib actualmente ocupada pela Alcaida.
    Sendo este Estado proclamado por gente que daí não é natural em detrimento dos autóctones, trata-se, pois, de um projecto colonial, comparável a Israel, auto-proclamado na Palestina por judeus que aí haviam comprado terras. A denominação «Rojava» foi escolhida para distinguir este território do «Curdistão» que, como tal, se localiza na Turquia, onde foi proclamado em 1920 pela conferência de Sèvres [5].
    Numa altura em que o emirado da Alcaida em Idlib e o califado do Daesh(EI) em Rakka vão encolhendo progressivamente, a OTAN prossegue o seu plano de divisão da República Árabe Síria e ambiciona criar o «Rojava» de Kameshli.
    A imprensa ocidental observa deslumbrada esta «Rojava», adornado com todas as virtudes da moda: pacifista, igualitária, feminista, ecologista, favorável à construção da identidade de género, etc. [6]. Pouco importa que o YPG seja um exército. Pouco importa que ele lute contra os históricos habitantes do Norte da Síria, os árabes e os assírios, uma vez que no papel formou com eles as Forças Democráticas.

    Na Síria, as Brigadas anarquistas europeias combatem sob o comando norte-americano.
    Os programas do YPG sírio e do HDP turco correspondem à estratégia militar dos EUA. Desde 2001, o Pentágono prevê, a médio prazo, «a remodelagem do Médio-Oriente Alargado», quer dizer a divisão dos grandes Estados em pequenos Estados homogéneos, incapazes de lhe resistir. A mais longo prazo, prevê lançá-los uns contra os outros até fazer regredir a região ao caos original.
    Não foi «Rojava» proclamada como Estado independente porque, segundo o “novo” Öcalan, todo o Estado-Nação seria um mal em si mesmo. De acordo com a OTAN, é apenas um Estado autónomo que deverá se confederar com outros Estados autónomos como os que irão suceder ao Estado-Nação Sírio, uma vez que tenha sido derrubado. Segundo o teórico de referência do «municipalismo», o Norte-americano Murray Bookchin, para funcionar de maneira democrática, as comunidades libertárias devem ser homogéneas. É por isso que o «pacifista» YPG procede actualmente à limpeza étnica de «Rojava».
    QED [7] .
    Tradução
    Alva
    Muito comprometidos com a veracidade das nossas informações, tinhamos previsto ilustrar este artigo com um vídeo realizado por um grupo de anarquistas alemães que se juntaram às forças da OTAN e do YPG em Rojava.
    Nós postamos esta prova na nossa conta do YouTube, domingo, 10 de Setembro, à noite.
    O YouTube, que não tem, manifestamente, as mesmas exigências que nós quanto ao serviço da verdade, censurou, de imediato, esta prova como sendo «contrária à sua deontologia» (sic).
    [1] Blood and belief : the PKK and the Kurdish fight for independence («Sangue e Crença : o PKK e a luta Curda pela independência»- ndT), Aliza Marcus, New York University Press, 2007.
    [2] The Political Thought of Abdullah Öcalan: Kurdistan, Women’s Revolution and Democratic Confederalism («O Pensamento Político de Abdullah Öcalan : Curdistão, Revolução Feminina e Confederalismo Democrático»- ndT), Abdullah Öcalan, Pluto Press, 2017.
    [3] The Kurds in Syria: the forgotten people («Os Curdos na Síria : o povo esquecido»- ndT), Kerim Yildiz, Pluto Press, 2005.
    [4] “LGBT Brigades In Syria? Western Anarcho-Leftists Cutting Their Teeth With Western-Backed Kurdish YPG” («Brigadas LGBT na Síria ? Anarco-Esquerdistas Ocidentais Cerrando os Dentes Junto as YPG Curdas Apoiadas pelo Ocidente»- ndT), Brandon Turbeville, Activist Post, July 27, 2017. “Le Rojava, un califat d’extrême gauche ? Réseaux "antifascistes" et terrorisme : le laboratoire kurde”, Observatoire des extrêmes de gauche, 16 août 2017.
    [5] “Os projectos de Curdistão”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 5 de Setembro de 2016.
    [6] The PKK: Coming Down From the Mountains («O PKK : Descendo das Montanhas»- ndT), Paul White, Zed Books, 2015. Revolution in Rojava: Democratic Autonomy and Women’s Liberation in the Middle East («Revolução em Rojava : Autonomia Democrática e Libertação das Mulheres no Médio-Oriente»- ndT), Michael Knapp & Ercan Ayboga & Anja Flach, Pluto Press, 2016.
    [7] QED : Expressão latina, mais usada em matemática, que significa Como Queríamos Demonstrar. Nota do Tradutor.
    Thierry Meyssan
    Thierry Meyssan Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).
     
     O projecto militar dos Estados Unidos pelo mundo
    O projecto militar dos Estados Unidos pelo mundo
    Interpretações divergentes no seio do campo anti-imperialista - 2ª parte
     
    Rede Voltaire
    Voltaire, edição internacional


     
    Trump e o apoio paquistanês aos jiadistas




    terça-feira, 12 de setembro de 2017

    Este importante comunicado da Central Sindical enfatiza, entre outros aspectos, o apoio prestado pela URSS aos povos e trabalhadores de todo o mundo. Contra as falsidades da Direita e as tolas confusões de alguma Esquerda.

    Comemoração dos 100 Anos da Revolução que transformou o mundo

    rev minEm 2017, passam 100 anos sobre a Revolução de Outubro (1917-2017), marco fundador de uma nova época no processo emancipatório dos trabalhadores e dos povos.
    A realidade do mundo actual é a do domínio hegemónico do sistema capitalista e do aprofundamento da sua crise estrutural, que acentua a sua natureza exploradora, agressiva e predadora, bem evidenciada com as novas ameaças com que está confrontada a Humanidade. A partir do momento em que o neoliberalismo se apropriou da revolução cientifica e tecnológica, que se desenvolve aceleradamente desde os anos 80 do século passado, assiste-se ao recrudescimento da globalização capitalista, com reflexos negativos em múltiplos domínios – na política, na economia, no social, no ambiente e na cultura, procurando impor a todas as dimensões da sociedade a sua visão filosófica – em que a busca do lucro máximo a todo o custo e os interesses egoístas dos indivíduos se impõem aos interesses dos povos, desta forma, tentando individualizar e mercantilizar todas as relações sociais e laborais.
    Este processo está a criar mais riqueza, mas, simultaneamente, aprofunda as desigualdades entre a esmagadora maioria da população, que regrediu nas suas condições de vida, de trabalho e de oportunidades, excluindo-a de ser beneficiária efectiva do crescimento económico, e a pequena minoria possidente, que concentra a riqueza e o poder económico e que, na generalidade, tenta controlar o poder político, subvertendo a própria democracia
    Assinalar o Centenário da Revolução de Outubro é, pois, um acto de denúncia da natureza do capitalismo e de afirmação da necessidade e da possibilidade da sua superação revolucionária. É afirmar o papel determinante da classe operária e dos trabalhadores, da sua unidade, organização e luta, enquanto forças determinantes da resistência à ofensiva do grande capital e da transformação da sociedade.
    Assinalar a Revolução de Outubro é combater as teses das inevitabilidades da exploração dos trabalhadores e dos povos, das guerras de agressão e da opressão nacional, da rapina dos recursos naturais.
    A Revolução de Outubro permitiu a povos e comunidades inteiras encetar um percurso ímpar num curto período histórico, passando do analfabetismo dominante (80%), a extraordinárias conquistas no plano político, económico, social, cultural, científico e tecnológico.
    As primeiras medidas da Revolução de Outubro, os decretos sobre a paz e sobre a abolição da propriedade latifundiária da terra, a primeira etapa para pôr fim a todas as formas de exploração, com a sua intrínseca ligação à opressão nacional, continuam a ter, nos nossos dias, uma actualidade premente. Foi com ela que o poder da luta dos trabalhadores na transformação e no progresso sociais do novo sistema, uma sociedade onde o trabalho era gerador de riqueza, mas igualmente uma actividade de criação, liberdade e valorização pessoal, resultou num equilíbrio entre acção colectiva e valor do individuo.
    Foi o poder dos trabalhadores na União Soviética que instituiu, pela primeira vez, direitos sociais fundamentais, como: o direito ao trabalho; a jornada máxima de oito horas de trabalho; as férias pagas; a igualdade de direitos entre homens e mulheres na família, na vida e no trabalho; a livre escolha de uma profissão; o direito à habitação; a assistência médica gratuita; o sistema de segurança social universal e gratuito; a educação gratuita e a promoção da instrução, da cultura e do desporto à escala de massas.
    São estas conquistas de direitos fundamentais cuja memória colectiva e individual importa defender e valorizar na luta de hoje dos trabalhadores portugueses e de todo o mundo para a construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados. O mundo actual é injusto e tem de ser transformado – a situação existente não pode continuar. A injustiça, a miséria e a marginalização que os trabalhadores e outras classes populares sofrem não podem continuar, bem pelo contrário, têm de ser combatidos e é fundamental dar combate sem tréguas ao capitalismo.
    A Revolução de Outubro pôs fim à discriminação, colocando as mulheres soviéticas na vanguarda dos direitos das mulheres no mundo, consagrando: o direito ao trabalho; à escolha da profissão; à remuneração igual para trabalho igual; o direito de voto; o direito a eleger e a ser eleita; o direito ao divórcio; a supressão do casamento religioso; o direito à interrupção voluntária da gravidez; a protecção da maternidade e da saúde das mulheres.
    Foram os trabalhadores e o povo soviéticos, integrados no heróico Exército Vermelho, que contribuíram de forma decisiva para a vitória sobre o nazi-fascismo. Uma vitória épica sobre a ditadura terrorista do grande capital, do imperialismo, um feito de valor inestimável para toda a Humanidade.
    A luta dos trabalhadores foi o motor da Revolução e da construção de um país de novo tipo que, ombreando com outros povos que se empenhavam igualmente na construção da sociedade socialista, abalou as relações internacionais. A cooperação e a solidariedade internacional assumiram um carácter de classe, com uma intervenção política decisiva. A URSS apoiou os povos que lutavam contra o colonialismo e pela libertação nacional, como no caso dos oprimidos pelo fascismo português.
    Os trabalhadores e o povo português têm presente a solidariedade, a cooperação e o apoio aos trabalhadores e ao povo português na Revolução de Abril e na concretização das profundas transformações democráticas operadas no campo económico, social, cultural e desportivo no nosso país, designadamente o apoio dado pela União Soviética à Reforma Agrária e a formação dos trabalhadores para a concretização do sonho milenar de dar “a terra a quem a trabalha” e que apoiou o movimento sindical na luta contra a ditadura fascista, nomeadamente, através de campanhas que visavam a libertação de camaradas presos.
    A Revolução de Outubro permitiu o surgimento de uma correlação de forças mais favorável aos trabalhadores e aos povos, impulsionou uma nova ordem internacional de salvaguarda da paz, mais democrática e baseada na igualdade dos direitos dos Estados e povos, na soberania e na independência nacional, no direito de autodeterminação dos povos e na cooperação e solidariedade internacional, princípios expressos no surgimento de organizações como as Nações Unidas.
    O século XX foi marcado indelevelmente pela Revolução de Outubro, pelo que, independentemente das causas que estiveram na origem do desaparecimento da URSS, nada oblitera a sua importância na história contemporânea. O mundo não pára. A luta de classes continua a ser o motor da história, assumindo formas e processos diferenciados, que decorrem da situação de cada país, das possibilidades e potencialidades de luta que se apresentam, da luta e da preparação das massas, exigindo soluções unitárias e alianças diferenciadas na defesa dos interesses de classe dos trabalhadores, pela sua emancipação social e nacional, dando força de actualidade e de futuro à construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados.
    Hoje, frente à crescente internacionalização do capital, à proliferação de instrumentos e estruturas supranacionais ao serviço da exploração, do empobrecimento e do retrocesso de direitos, ganha força decisiva a batalha em defesa da soberania e pelo direito de cada povo ao progresso e à justiça social.
    A necessidade e a possibilidade de derrotar o capitalismo mantêm-se na exacta medida em que a sua natureza e contradições sejam compreendidas e interligadas na relação dialéctica entre conquistas imediatas e perspectivas de concretização de novas aspirações, a plena libertação e realização humana, abrindo caminho à nova sociedade.
    Por isso, comemorar os 100 anos da Revolução de Outubro é dizer que o caminho aberto contínua presente na luta que travamos todos os dias por um mundo melhor, onde aqueles que tudo produzem sejam os seus destinatários.
    Lisboa, 7 de Setembro de 2017
    Este artigo encontra-se em: Entrada – CGTP-IN http://bit.ly/2xRBV3Q

    Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

    Templo grego clássico da Concórdia

    Templo grego clássico da Concórdia
    Viagem à Sicília

    Teatro greco-romano

    Teatro greco-romano
    Viagem à Sicília

    Pupis

    Pupis
    Viagem à Sicília Agosto 2009

    Viagem à Polónia

    Viagem à Polónia
    Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

    Viagem à Polónia

    Viagem à Polónia
    Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

    Forum Romano

    Forum Romano
    Viagem a Roma, 2009

    Roma - Castelo de S. Ângelo

    Roma - Castelo de S. Ângelo
    Viagem a Roma,2009

    Roma-Vaticano

    Roma-Vaticano

    Roma-Fonte Trévis

    Roma-Fonte Trévis
    Viagem a Roma,2009

    Coliseu de Roma

    Coliseu de Roma
    Viagem a Roma, Maio 2009

    Vaticano-Igreja de S.Pedro

    Vaticano-Igreja de S.Pedro

    Grécia

    Grécia
    Acrópole

    Grécia

    Grécia
    Acrópole

    Viagem à Grécia

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    NOSTALGIA

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    CLAUSTROFOBIA

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