« (...) Terminada a Segunda Guerra Mundial, o MI6 britânico (até 1954) e a CIA (permanentemente) estabeleceram laços diretos de recrutamento e patrocínio dos líderes e organizações ucranianas que haviam zelosamente trabalhado para a ocupação nazista (e exterminado eficientemente cerca de 100.000 judeus e poloneses), para que mantivessem redes clandestinas infiltradas que promovessem a instabilidade política dentro da União Soviética e difundissem ideias fascistas, que viriam a adubar a cultura política da Ucrânia ocidental e se reproduziriam até as atuais organizações neonazistas ucranianas que conformaram a tropa de choque do golpe de Estado de 2014 (o Euromaidam). A promoção e patrocínio obscuro do Estado Islâmico não foi, em absoluto, a primeira experiência “extremista” da CIA.
Tudo isso está amplamente documentado, inclusive por extensas e minuciosas publicações do governo dos Estados Unidos[VI], foi rastreado para a atualização histórica dos laços entre nazistas e elites políticas norte-americanas contemporâneas[VII], e relembrado com certa insistência (diante do negacionismo atual da mídia corporativa) por alguns ícones da mídia independente, como Max Blumenthal (Alternet e GreyZone) e Joe Lauria (Consortium News).
[VI] Cf. Breitman, Richard & Goda, Norman J. W. 2010. Hitler’s Shadow. Washington: National Archives and Records Administration. Disponível em: https://www.archives.gov/files/iwg/reports/hitlers-shadow.pdf.
[VII] Bellant, Russ. 1991. Old Nazis, the New Right, and the Republican Party. Domestic Fascist Networks and U.S. Cold War Politics. Boston: South End Press. Disponível em: https://archive.org/details/russ-bellant-old-nazis-the-new-right-and-the-republican-party-domestic-fascist-n.
Por RICARDO CAVALCANTI-SCHIEL
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