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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

NEGUENTROPIA

 SINTROPIA    (wikipédia)

Sintropia, também designada entropia negativa ou neguentropia, é o contrário de entropia (que é a medida do grau de desorganização do sistema), ou seja, mede a organização das partículas do sistema. Um elemento neguentrópico é aquele que contribui para o equilíbrio e para o desenvolvimento organizacional. A sintropia é um princípio simétrico e oposto ao de entropia física.

Enquanto a entropia é a medida da desordem ou da imprevisibilidade da informação, a sintropia é a função que representa o grau de ordem e de previsibilidade existente num sistema.

O processo de formação da palavra negentropia é semelhante ao da palavra negócio, que contém a ideia de negação de ócio. Quem tem um negócio é aquele que não quer ficar no ócio.

A teoria da entropia é medir a degradação de energia que ocorre em um sistema de acordo com a segunda lei da termodinâmica e o fato de que em qualquer mudança física nem toda a energia que está no sistema inicial e que constitui o corpo é encontrado no sistema e na constituição do corpo final. De fato, alguma energia é absorvida no trabalho necessário para o processamento, e grande parte desta é dissipada na forma de calor.

Um exemplo de entropia é a iluminação fornecida por lâmpadas incandescentes, em que nem toda a eletricidade (energia) usada é convertida na forma de luz (energia útil), mas uma parte se perde na forma de calor (energia inútil para a iluminação). O princípio da entropia, inicialmente previsto pelo físico alemão Rudolf Clausius, leva à conclusão de que, em última análise, devido ao fato de haver mais geração de energia inútil (na forma de calor) nos trabalhos necessários para os processos físicos de transformação, o universo acabará dissipando toda sua energia na forma de calor.

O princípio da Sintropia (ao qual a entropia está intimamente ligada, dentro de cada sistema do universo, até mesmo os cibernéticos, vivos ou não) faz com que sua existência seja preservada apesar da entropia nesse mesmo sistema. É um processo que opõe-se à perda de energia, e desorganização através de uma injeção de novas energias geradas a partir deste mesmo processo ou de outros, de fora do sistema, e muitas vezes energia inútil nestes.[1]

Um exemplo de sintropia é o metabolismo de organismos vivos em que, para enfrentar o catabolismo que leva ao consumo e destruição do tecido do organismo para viver, exerce o anabolismo, que reconstitui os tecidos através da ingestão de alimentos ou seja, substâncias retiradas do mundo exterior ao organismo/sistema.

Um sistema é cibernético quando processa informações e é capaz de ajustar seu próprio funcionamento automaticamente ao processar as informações (feedbacks) vindas de dentro e de fora do próprio sistema. Alguns exemplos de sistemas cibernéticos são organismos vivos, máquinas automáticas, instituições, etc. A sintropia é um princípio cibernético de organização, de unificação, ao contrário do da entropia, que é o da desorganização, da desintegração. Existe a entropia (perda, desorganização) e a sintropia (ganho, organização) no âmbito da termodinâmica (energia) e da cibernética (informação).[2]

Entropia é a tendência dos sistemas cibernéticos de se desorganizarem, perdendo energia e informação e rumar para a autodestruição. Sintropia é a programação dos sistemas cibernéticos para se organizarem e reorganizarem de modo a manter ou repor energia e informação visando a preservar sua configuração e existência, um programa de auto-preservação.

O princípio da Sintropia primeiro foi afirmada pelo matemático italiano Luigi Fantappiè e depois foi retomada e continuou com contribuições de vários outros especialistas independentes, inclusive Salvatore Arcidiacono, Leonardo Sinisgalli e Albert Szent-Györgyi.

Segundo Ilya Prigogine (Prémio Nobel da Química em 1977), flutuações ao acaso podem dar origem a formas mais complexas, a partir de grandes perturbações em um sistema, as quais podem dar início a mudanças importantes, tornando o sistema altamente frágil (aumento da desorganização – entropia). Pode surgir então uma súbita reorganização para uma forma mais complexa (aumento da ordem – sintropia). As perturbações em um sistema são a chave para o crescimento da ordem. Isso seria uma forma de explicar, por exemplo, o surgimento de vida nos planetas. As configurações da natureza interagem com o ambiente local, consumindo energia dele proveniente e fazendo retornar a ele os subprodutos dessa utilização de energia. Os sistemas aumentam a sua desordem para que possa haver mais organização – as desorganizações do sistemas resultam em maior ordem – maior sintropia.

A sintropia é considerada uma hipótese científica, não ainda uma teoria. Alguns a consideram uma hipótese que já foi descartada, enquanto outros a defendem como necessária para explicar a existência da vida e do próprio Universo.

Uso do conceito de Sintropia na Filosofia e na Religião

Na falta de conceitos científicos que comprovassem racionalmente deste fenômeno, os povos[quais?] antigos atribuíam um significado místico e sobrenatural a fenômenos aparentemente sintrópicos, muitas vezes com uma qualidade divina e metafísica...

Isto ocorreu com o Princípio Aiki, que aliás foi o termo japonês para explicar a sinergia (maximização de resultados) gerada nos processos sintrópicos que ocorreram dentro de algumas artes marciais ao longo da história.

Normalmente nos períodos de guerra é que novos avanços tecnológicos e científicos ganham fôlego e evoluem a um ritmo espantoso. Pois é justamente nestes ambientes de caos, destruição e batalhas sangrentas que, desafiando todos os prognósticos, surgem as grandes descobertas que catapultam o desenvolvimento humano para novos níveis de conforto, segurança e conhecimento.

Este paradoxo também ocorreu, ocorre e continuará ocorrendo nas artes marciais aprimoradas no contexto militar e esportivo, bem como na natureza, nas relações em contínua evolução dos predadores X presas e dos parasitas X hospedeiros.

O princípio da Sintropia também é usado pela filosofia espiritualista para dizer que o ser humano (corpo + mente) não morre no processo entrópico de deterioração de seu corpo, mas sobrevive à morte como um espírito para o rácio de energia espiritual.

Referências

  1. Fantappiè, Luigi, 1901-1956. (2011). Che cos'è la sintropia? : principi di una teoria unitaria del mondo fisico e biologico e conferenze scelte. [S.l.]: Di Renzo. OCLC 721866683
  2. Di Giacomo, Giuseppe (1 de abril de 2019). «Amleto, ovvero le speranze infrante sul non-senso del mondo». Rivista di estetica (70): 60–74. ISSN 0035-6212. doi:10.4000/estetica.5102

Aumento ou diminuição da energia disponível e grau de organização de um sistema

 

Ciência

Entropia: entenda a medida que sugere a 'desordem do universo'

Em um sistema isolado, a termodinâmica explica que a entropia causa a dissipação de energia e o aumento da desordem com o tempo.

Avatar do(a) autor(a): Lucas Vinicius Santos

schedule17/01/2025, às 18:30

Atualizado em 17/01/2025, às 10:05

A entropia é um conceito amplamente estudado na física e até mesmo na filosofia. Trata-se de uma forma de explicar como os fenómenos ocorrem ao nosso redor, representando o grau de desordem de um sistema. A ideia foi originalmente proposta pelo físico alemão Rudolf Clausius em meados de 1850, enquanto ele estudava os princípios da termodinâmica.

A entropia pode ser descrita de diferentes maneiras, o que leva alguns a questionarem sua validade científica. Contudo, muitos cientistas argumentam que essa percepção é equivocada e que sua existência pode até ser demonstrada por meio de medições científicas. Afinal, quase tudo no cosmos está sujeito a mudanças espontâneas que ocorrem de forma desordenada.


Por exemplo, alguns especialistas sugerem que a própria vida está ligada à entropia. Todos os seres vivos enfrentam momentos de desordem durante a jornada da vida e, inevitavelmente, ficarão doentes e deixarão de existir. O mesmo parece valer para o universo, que caminha para um colapso final — provavelmente, não estaremos mais aqui quando isso acontecer.

Alguns físicos afirmam que a entropia é inevitável, sendo um dos princípios fundamentais da natureza. Não é à toa que o termo também é usado na segunda lei da termodinâmica, que estabelece que a entropia de um sistema isolado tende a aumentar com o tempo.

Isso significa que a energia disponível se distribui de forma cada vez mais homogénea e reduz a capacidade do sistema de 'realizar trabalho'. Apesar de processos organizados poderem surgir em sistemas abertos, a tendência é a dissipação da energia, o que deixa a ‘organização’ mais complicada e distante com o passar do tempo.

Em outras palavras, tudo pode começar organizado e estável, mas com o tempo acabará em desordem e imprevisibilidade.

“A entropia é a medida da energia térmica de um sistema por unidade de temperatura que não pode ser convertida em trabalho útil. Como o trabalho é obtido a partir do movimento ordenado das moléculas, a entropia também representa o grau de desordem molecular ou aleatoriedade de um sistema. Esse conceito oferece uma compreensão profunda sobre a direção das mudanças espontâneas em diversos fenômenos do dia a dia”, a enciclopédia Britannica descreve.

O que é a entropia?

Embora o físico alemão Rudolf Clausius tenha cunhado o termo entropia, o estudo desse conceito começou com o engenheiro francês Sadi Carnot. Em 1824, ele publicou um livro sobre a força motriz do fogo, que abriu caminho para novos avanços na termodinâmica e explicava um pouco dessa desordem sugerida na entropia.

Na obra 'Reflexões sobre a Força Motriz do Fogo', Sadi investigou o funcionamento das máquinas térmicas e demonstrou que sua eficiência depende exclusivamente da diferença de temperatura entre as fontes quente e fria, independentemente do combustível utilizado. 

Décadas depois, o físico alemão Rudolf Clausius aprimorou essas ideias e formulou a Segunda Lei da Termodinâmica, quando introduziu em 1865 o conceito de entropia. 

O cientista demonstrou que a energia tende a se dissipar e se tornar menos disponível, e que a entropia total de um sistema isolado nunca diminui, levando os processos naturais a um estado de equilíbrio térmico irreversível.

Ao todo, existem quatro leis da termodinâmica:

  • Lei zero: define temperatura e equilíbrio térmico;
  • Primeira lei: a energia se conserva e pode ser transformada;
  • Segunda Lei: a entropia sempre aumenta em sistemas isolados;
  • Terceira Lei: no zero absoluto, a entropia é mínima.

O conceito de entropia foi introduzido por Clausius para descrever a irreversibilidade dos processos térmicos e formalizar a Segunda Lei da Termodinâmica. 

Com o tempo, essa ideia foi aplicada em diversas áreas do conhecimento. Um exemplo é o trabalho do físico norte-americano E.T. Jaynes, que utilizou a noção de entropia na teoria da informação e na formulação estatística da termodinâmica, a fim de possibilitar uma abordagem probabilística.

O matemático norte-americano Claude Shannon descreveu a entropia como uma medida de incerteza em sistemas de comunicação, já que ela leva a desorganização.
O matemático norte-americano Claude Shannon definiu a entropia como uma medida de incerteza em sistemas de comunicação, pois representa o grau de imprevisibilidade das informações transmitidas

Na prática, a entropia explica por que as coisas tendem naturalmente a se desgastar, se espalhar ou perder organização ao longo do tempo. Imagine um cubo de gelo fora da geladeira: ele derrete porque o calor do ambiente se espalha, assim, a energia se torna mais distribuída e menos aproveitável. 

Esse comportamento está intimamente ligado à Segunda Lei da Termodinâmica, que diz que a entropia de um sistema isolado sempre aumenta. Ou seja, com o tempo, tudo tende à desorganização e ao equilíbrio térmico, como acontece com o calor que se dissipa ou com um carro que não se arruma sozinho.

“A ideia de entropia oferece uma maneira matemática de representar a noção intuitiva de quais processos são impossíveis, mesmo sem violar a lei fundamental da conservação da energia. Por exemplo, um bloco de gelo colocado sobre um fogão quente certamente derrete, enquanto o fogão esfria. Esse tipo de processo é chamado de irreversível, pois nenhuma pequena mudança faria a água derretida voltar a se transformar em gelo enquanto o fogão aquece novamente”, a enciclopédia Britannica acrescenta.

Seja na física, matemática, teoria da informação ou até como metáfora em estudos de sociologia e filosofia, a entropia está associada à desordem e à irreversibilidade dos processos. No contexto social, o termo é usado para descrever a tendência à instabilidade e ao colapso de sistemas organizados. Talvez, o possível colapso da sociedade devido às mudanças climáticas tenham alguma relação com a entropia do universo.

Apesar de ter surgido para explicar a transferência de calor e a conversão de energia na termodinâmica, com o tempo, o conceito passou a ser estudado em outras áreas e se tornou fundamental em vários campos da ciência.

 

A energia se espalha, a organização se perde e tudo segue rumo à desordem. Será que esse processo natural da entropia pode indicar o destino do cosmos? Então, aproveite para saber como a hipótese do ‘Universo espelho’ pode explicar a inflação cósmica.

A "invasão" de Ceuta 2026

 A "Marcha Verde" foi uma grande invasão de civis organizada pelo reino de Marrocos em novembro de 1975 para ocupar o Saara Ocidental, então sob domínio da Espanha, e impedir até hoje a sua autodeterminação. A Resistência é brutalmente reprimida.

Da Marcha Verde a Ceuta: cinquenta anos da mesma interferência, os mesmos cúmplices.

Há fatos que a historiografia oficial prefere contar como um conflito bilateral entre Espanha e Marrocos, quando na verdade eram, desde o primeiro minuto, uma operação projetada em Washington. E há a crise de hoje, como a de Ceuta, que a direita espanhola apresenta como um simples “problema fronteiriço”, quando na verdade fazem parte do mesmo conselho geopolítico que começou em 1975. É hora de dizê-lo com nomes e sobrenomes, porque a memória sem nomes próprios é apenas nostalgia.

1975: A Marcha Verde não foi improvisada por Hassan II, ele a projetou em Washington.

A documentação desclassificada pelos Estados Unidos, revisada por historiadores e pesquisadores nos últimos anos, não deixa mais espaço para dúvidas razoáveis: o então secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, foi informado meses antes dos planos marroquinos sobre o Saara, e não só deu sua aprovação, mas viu na Marcha Verde uma oportunidade para os interesses militares, estratégicos e econômicos dos Estados Unidos na região, exigindo também máxima discrição Segundo a mesma documentação, os Estados Unidos não aprovaram simplesmente o projeto: planejavam a organização da marcha, aconselharam os marroquinos em sua execução e forneceram ao Marrocos equipamentos, armamento e logística, enquanto um gabinete de estudo estratégico em Londres planejava a operação e as petromonarquias do Golfo colocavam o dinheiro.

A própria Wikipédia recolhe, citando fontes documentais, que já em setembro de 1975 houve vazamentos de informação e a CIA comunicou a Kissinger as intenções de Marrocos, ou seja: a inteligência americana estava dentro do plano desde a sua gestação, não como espectador, mas como parte informada e ativa. Há também o testemunho direto de Kissinger advertindo o então príncipe Juan Carlos sobre os “riscos” de que a Espanha enfrentaria Marrocos militarmente, no que vários pesquisadores descrevem abertamente como uma ameaça velada em vez de um conselho diplomático. É verdade que alguns historiadores nuances o grau exato de envolvimento pessoal de Kissinger no projeto operacional concreto da marcha; o que nenhum estudo sério contesta é que Washington conhecia o plano, aprovou-o para seus próprios interesses estratégicos no meio da Guerra Fria, e ativamente pressionou a Espanha a não defender sua província número 52.

A cumplicidade não era “Espanha”: era uma parte muito específica do aparelho franquista.

Aqui é preciso ser preciso, porque a traição não foi cometida pela “Espanha” como uma abstração, mas decisões tomadas por pessoas específicas da rede franquista em sua fase final. Franco, gravemente doente, havia ordenado que a fronteira plantasse minas e sustentasse a posição espanhola à força, se necessário. Mas enquanto o ditador estava morrendo, era o governo no cargo, com o então príncipe Juan Carlos como chefe de Estado interino, que negociava fora dessa ordem. Juan Carlos viajou para El Aaiún para prometer à guarnição espanhola que não haveria abandono, e dias depois ele viajou para Washington para receber instruções diretamente de Kissinger. O resultado é conhecido: as minas foram ordenadas a serem removidas, a entrega do território foi acordada e as tropas marroquinas entraram no Saara enquanto o exército espanhol ainda permaneceu no terreno sem a ordem de defendê-lo. A monarquia que mais tarde se apresentou como um garante da democracia começou, literalmente, entregando um povo inteiro a uma potência ocupante sob instruções de Washington.

2026: Ceuta não é um episódio isolado, é a continuidade da mesma placa.

Meio século depois, o mapa de interesses não mudou tanto quanto parece. Em dezembro de 2020, o governo Trump reconheceu formalmente a soberania marroquina sobre o Sahara Ocidental como moeda de troca para Marrocos normalizar as relações com Israel dentro dos Acordos de Abraão. Desde então, o Marrocos intensificou notavelmente sua cooperação militar, tecnológica e de inteligência com Israel, com drones, sistemas de vigilância e acordos de segurança cibernética integrando-se à lógica estratégica regional impulsionada por Washington e Tel Aviv. Trump reafirmou essa aliança por escrito nesta semana, chamando a soberania marroquina de uma “solução justa e duradoura” e descartando “de qualquer outra maneira” como “inaceitável”. E não é por acaso, camaradas, que essa reafirmação ocorra justamente nos dias de maior convocação dessa aliança na sequência da crise fronteiriça de Ceuta: o próprio debate público espanhol já liga ambos os fatos.

É legítimo, portanto — e necessário — perguntar quem se beneficia do surto precisamente agora dessa magnitude em Ceuta. Beneficia Marrocos, que ganha uma alavanca de pressão sobre a Espanha e a UE na plena negociação de fundos e acordos de pesca. Beneficia Washington e Tel Aviv, que são reforçados pelo papel de Marrocos como parceiro de segurança regional dentro de sua arquitetura de aliança pós-Acordos Abraham, com Rabat cada vez mais integrado à cooperação militar e de inteligência israelense. E beneficia, dentro da casa, a um direito espanhol – PP e Vox, com Feijoo e Abascal à frente, com Ayuso amplificando o discurso do medo de Madrid – que encontra em cada imagem de pateras e cerca salta o combustível perfeito para sua ofensiva xenófoba, zombada por uma caverna de mídia e redes de desinformação que vêm preparando o terreno emocional para a “invasão” há meses.

Você não precisa imaginar um escritório secreto em Langley para entender isso: você só precisa seguir o dinheiro, os pactos e os interesses declarados. Quando uma crise humanitária coincide no tempo com a reafirmação pública de uma aliança estratégica entre Washington, Tel Aviv e Rabat, e essa mesma crise é capitalizada a milímetro pela extrema-direita espanhola, a questão não é se há conexão, mas quanto ingenuidade é necessária para continuar chamando de acaso.

A mesma lição, cinquenta anos depois.

Da Marcha Verde a Ceuta, o padrão se repete: interesses imperiais que são decididos em Washington e Tel Aviv, cúmplices locais que colocam cálculos geopolíticos ou eleitorais diante da dignidade dos povos, e uma história oficial que esconde as conexões para que a classe trabalhadora não as veja. O Saara permanece sem o seu referendo. Migrantes de Ceuta permanecem sem seus direitos. E os verdadeiros funcionários – Washington, Tel Aviv e Rabat, e seus porta-vozes de Madri – ainda não se levantam.

Perante o imperialismo e os seus habituais cúmplices, memória, nomes próprios e solidariedade de classe.



*André Abelode Fernández

As Coreias

 A GUERRA DA COREIA ( 1950 e 1953 )

A Guerra da Coreia é frequentemente chamada de "guerra de Stalin", embora tenha sido, na verdade, uma guerra civil. O conflito internacionalizou-se logo no início — primeiro do lado sul e, posteriormente, do lado norte. No entanto, é um erro encará-lo apenas como um confronto entre os Estados Unidos e a União Soviética, ainda que tenha sido a única guerra em que pilotos soviéticos e americanos se enfrentaram diretamente em combate aéreo.

Até a primavera de 1950, Moscovo rejeitava categoricamente os planos da Coreia do Norte para a reunificação forçada do país. No outono de 1949, o Partido Comunista da União Soviética recusou tais propostas, apesar do apoio que o embaixador soviético em Pyongyang, Terentii Shtykov, dispensava à liderança norte-coreana.

A postura da URSS mudou depois que os líderes norte-coreanos convenceram Moscovo de que existia uma situação revolucionária no Sul. Pyongyang acreditava que, após a derrota do exército sul-coreano e a tomada de Seul, 200 mil comunistas locais deflagrariam um levante geral. O principal artífice desses planos não foi tanto Kim Il-sung, mas sim o líder dos comunistas sul-coreanos, Pak Hon-yong.
Embora a data oficial de início da guerra seja 25 de junho de 1950, confrontos armados ao longo do Paralelo 38 já eram comuns há um ano e meio. Ocorriam até três escaramuças por dia — um número comparável ao da Primeira Guerra Mundial. Não se tratava de pequenas escaramuças, mas de batalhas em grande escala envolvendo batalhões inteiros, com apoio de artilharia e suporte aéreo. Até mesmo historiadores anticomunistas reconhecem que os sul-coreanos provocaram a maioria desses confrontos. Syngman Rhee pretendia desencadear a guerra para se apresentar como vítima e garantir a intervenção militar direta dos EUA, plenamente ciente de que seu exército era incapaz de realizar operações de combate eficazes. Portanto, a interpretação de que a Guerra da Coreia eclodiu como um "ataque comunista repentino contra a pacífica Coreia do Sul" é falsa.

A Coreia do Sul estava se preparando para uma ofensiva militar contra o Norte, segundo documentos capturados durante a queda inicial de Seul e depoimentos de autoridades sul-coreanas de alto escalão que permaneceram na capital. Isso é corroborado pela correspondência de Syngman Rhee com grupos de pressão (lobbies) dos EUA e pela ausência de posições defensivas estruturadas na Coreia do Sul. Nas fases iniciais da guerra, os tanques norte-coreanos sofreram baixas principalmente devido a ataques aéreos dos EUA, e não por artilharia antitanque ou minas terrestres; isso serve como prova adicional da inexistência de defesas capazes de resistir ao avanço de tanques.
Crimes de guerra cometidos por tropas sul-coreanas

Crimes contra civis cometidos pelo exército sul-coreano e por formações paramilitares merecem atenção especial. A repressão ocorreu não apenas no front, mas também na retaguarda. Restos mortais de civis com sinais de tortura foram encontrados em várias valas comuns, incluindo o local conhecido como "Katyn Coreano". No condado de Sinchon, um terço da população foi massacrado.

Quando as negociações de paz começaram, com apoio soviético, a Coreia do Sul foi o único lado a sabotar o processo até o fim. Isso envolveu desde a libertação de prisioneiros de guerra que não desejavam ser repatriados até provocações de "bandeira falsa" — como ações de "atiradores de elite desconhecidos" e "aeronaves desconhecidas" — destinadas a inviabilizar as negociações. Por fim, os Estados Unidos chegaram a cogitar um golpe militar contra Syngman Rhee (a chamada Operação Everready), mas acabaram alcançando um compromisso condicional: o armistício foi assinado, embora os sul-coreanos, ao contrário das forças da ONU, não tenham aposto suas assinaturas no documento.

A partir desse momento, o Tratado de Defesa Mútua de 1953 subordinou efetivamente as forças armadas sul-coreanas ao comando da ONU, para impedir que Syngman Rhee — ou seu sucessor — iniciasse outra guerra e forçasse os americanos a lutar "no lugar errado, na hora errada e contra o inimigo errado", como afirmou o general Mark Clark. "Ao recorrer à duplicidade e a manobras de bastidores, [Rhee] quase arruinou o acordo de armistício, que já estava prestes a ser concluído."

 

 
 

sexta-feira, 31 de julho de 2026

 

Há 17 anos, em 24 de julho de 2009, milhares de trabalhadores da Companhia Siderúrgica Tonghua, uma estatal chinesa, se revoltavam contra a tentativa de privatização da empresa.

Desde 2005, o controle acionário da Tonghua vinha sendo transferido gradualmente para a companhia privada Jianlong. A reestruturação da empresa foi seguida por vários ataques aos trabalhadores, submetidos a demissões em massa, corte de salários, extinção de benefícios e aumento das metas de produtividade.

Temendo uma deterioração ainda maior das condições de trabalho caso a venda fosse concluída, milhares de funcionários paralisaram a produção da companhia. Quando o gerente geral da empresa ameaçou os manifestantes de demissão caso não voltassem ao trabalho, os operários o lincharam até a morte. Assustado com a vigorosa reação dos trabalhadores, o governo chinês decidiu cancelar a privatização.

As reformas econômicas na China

Após a morte de Mao Zedong e o fim da Revolução Cultural, a China ingressou em um período marcado por grandes mudanças políticas e econômicas. O fracasso do “Grande Salto Adiante” e a instabilidade gerada pela Revolução Cultural convenceram a cúpula do Partido Comunista sobre a necessidade de revisar o modelo de planejamento econômico vigente até então.

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As reformas de Mao Zedong produziram importantes avanços sociais, mas a China ainda enfrentava graves obstáculos. O país estava economicamente estagnado, com baixa produtividade agrícola e industrial e isolado no cenário internacional. Assim, em 1978, o Comitê Central do Partido Comunista deu início ao processo de abertura econômica.

As reformas foram coordenadas por Deng Xiaoping, presidente da Comissão Militar Central do Partido Comunista. Deng argumentava que a China ainda se encontrava na “etapa primária do socialismo”, o que justificaria o uso de mecanismos de mercado para desenvolver as forças produtivas antes de iniciar maiores alterações estruturais. O Estado chinês passaria a conciliar planejamento econômico com incentivos à economia privada, visando ampliar sua eficiência e competitividade em um mercado cada vez mais globalizado.


A partir dos anos 80, milhares de empresas estatais d China foram submetidas a processos de reestruturação. Muitas foram extintas por serem consideradas improdutivas, outras foram fundidas para aumentar sua escala de produção e várias passaram a operar sob modelos mistos, recebendo investimentos estrangeiros privados.

As reformas econômicas iniciadas por Deng Xiaoping produziram uma profunda transformação nas relações de trabalho na China e modificaram radicalmente o modelo de proteção social vigente desde a revolução.

Até o início dos anos 80, era comum que os funcionários das empresas estatais tivessem direito a benefícios e garantias como estabilidade no emprego, moradia subsidiada, assistência médica, educação para os filhos, aposentadoria garantida, etc. À medida que as reformas avançavam, esse conjunto de garantias foi gradualmente desmontado. Os contratos de trabalho foram flexibilizados e a estabilidade foi abolida, facilitando as demissões.

Benefícios e garantias foram suprimidos e a gestão das estatais passou a privilegiar uma lógica empresarial voltada à produtividade e à lucratividade. Em regiões tradicionalmente industriais da China, onde grandes complexos estatais sustentavam cidades inteiras, essas mudanças produziram crescente insatisfação na classe trabalhadora.

: Protesto dos trababalhadores do Grupo Tonghua.
New Tang Dinasty Television

Companhia Siderúrgica Tonghua

Localizada na cidade de Tonghua, na província de Jilin, a Companhia Siderúrgica Tonghua era um dos principais complexos industriais do Nordeste da China. Como tantas outras grandes estatais, a empresa desempenhava um papel estruturante na economia local, sustentando dezenas de milhares de trabalhadores direta e indiretamente.

Ao longo das décadas, bairros inteiros cresceram ao redor da companhia siderúrgica. Hospitais, escolas, centros recreativos e moradias foram construídos para atender os funcionários. A identidade dos moradores da cidade estava profundamente ligada à empresa, que era vista não apenas como um empregador, mas como uma instituição responsável pelo bem-estar coletivo.

Vinculada ao governo provincial, a Companhia Tonghua também foi submetida ao processo de reestruturação das estatais implementado pelas autoridades chinesas. Os gestores passaram a defender a necessidade de atrair investidores privados para modernizar a produção e tornar a empresa mais competitiva.

Em 2005, o governo provincial deu aval para um plano de reestruturação baseado em uma parceria com o Grupo Jianlong, uma das maiores companhias siderúrgicas do país. A Jianlong adquiriu 36% das ações da Tonghua, tornando-se seu principal acionista privado.

A chegada da Jianlong foi acompanhada de demissões em massa, substituições dos gestores e redução expressiva dos salários e benefícios. O plano de reestruturação previa o corte de mais de 10.000 funcionários. Até mesmo o sistema de aquecimento da empresa foi desligado para conter gastos, obrigando os funcionários a trabalhar sob frio intenso no inverno. Enquanto os operários perdiam direitos e tinham rendimentos reduzidos, as metas de produtividade se tornavam cada vez mais agressivas.

A crise econômica iniciada em 2008 agravou ainda mais as tensões na siderúrgica. A retração da economia global derrubou a demanda pelo aço, provocando queda na produção e gerando dificuldades financeiras para as empresas do setor. Alegando a deterioração das condições de mercado, o Grupo Jianlong ampliou os cortes de empregos e benefícios e suspendeu seus investimentos, ameaçando romper a parceria com a Tonghua.

Poucos meses depois, com a recuperação do mercado siderúrgico graças aos estímulos econômicos do governo chinês, a Tonghua voltou a registrar lucros. Diante da mudança do quadro, o Grupo Jianlong resolveu não apenas retomar a parceria, como propôs assumir o controle acionário da estatal.

O motim

Em julho de 2009, o governo provincial de Jilin anunciou a privatização da Tonghua, repassando 65% das ações da empresa para o Grupo Jianlong. O anúncio causou descontentamento entre os funcionários, que temiam novas demissões em massa, cortes nos salários, retirada de mais direitos e deterioração das condições de trabalho. Havia também a desconfiança generalizada de que a operação estaria ligada a esquemas de corrupção, com favorecimento de empresários ligados à burocracia estatal e desvio de verbas públicas.

Os trabalhadores também se ressentiam da crescente disparidade salarial entre os gestores da companhia e os operários. Enquanto os executivos indicados pela Jianlong tinham rendimentos superiores a três milhões de yuans por mês, o salário dos operários não chegava a 500 yuans mensais.

Para conduzir a reorganização administrativa, o Grupo Jianlong nomeou o executivo Chen Guojun como gerente geral da Tonghua. A indicação caiu como uma bomba entre os funcionários. Além da postura arrogante e autoritária, Chen teria defendido um corte radical no quadro de funcionários, propondo a demissão de até 25.000 pessoas.

Em 24 de julho de 2009, data em que a Tonghua anunciaria formalmente a posse da nova diretoria, os funcionários deram início a um motim. Milhares de trabalhadores interromperam as atividades e se concentraram em frente ao prédio da diretoria, entoando gritos de “não à privatização” e “fora, Jianlong”.

Os protestos não se limitaram às instalações da siderúrgica. Uma enorme multidão se concentrou nos portões da empresa e outras manifestações eclodiram pela cidade. Os populares invadiram as plantas fabris e interditaram as linhas férreas, bloqueando o transporte de matérias-primas e forçando o desligamento dos altos-fornos. A produção foi completamente interrompida.

Cerca de 30.000 trabalhadores tomaram parte das manifestações. Os operários reivindicavam o cancelamento imediato da transferência do controle acionário da Tonghua para a Jianlong e exigiam garantias de que os empregos e benefícios seriam mantidos.

Quando Chen Guojun ameaçou demitir todos os funcionários caso não voltassem ao trabalho, os grevistas se revoltaram. O gerente foi cercado e agredido pelos trabalhadores. Chen conseguiu se desvencilhar da multidão e se esconder em outro prédio da siderúrgica. Os trabalhadores, no entanto, conseguiram localizá-lo e o espancaram brutalmente. O executivo foi posteriormente resgatado e levado para um hospital, mas acabou falecendo em consequência das agressões.

A morte de Chen deu ao conflito trabalhista os contornos de uma grave crise política, evidenciando o grau de insatisfação acumulada. Assustadas com a intensidade da reação popular e temendo que o conflito se espalhasse para outras regiões, as autoridades chinesas decidiram retroceder e reverter a privatização.

Ainda no dia 24 de julho, o governo provincial anunciou o cancelamento definitivo da aquisição da Tonghua pelo Grupo Jianlong. O presidente, o vice-presidente e vários membros do conselho diretor da Tonghua renunciaram aos seus cargos.

Embora os trabalhadores tenham alcançado seu principal objetivo, o governo chinês deixou claro que não toleraria a violência empregada durante o motim. Investigações foram abertas para identificar os responsáveis diretos pela morte de Chen Guojun e vários manifestantes foram presos. Em 2010, Ji Yigang, um dos operários da siderúrgica, foi condenado à prisão perpétua por seu envolvimento no assassinato de Chen. A pena foi posteriormente convertida para 16 anos de prisão.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Futurologias e politólogos

 Todos fazemos "futurologia". Contudo, esta expressão pejorativa somente devia cobrir opiniões desgarradas, despojadas de qualquer consistência lógica e factual, simplesmente emocional, sectária, desprovida por vezes do mínimo de literacia ou cultura geral, ou em suma : mera propaganda partidária sem fundamentos.
Não devia cobrir previsões e simulações, conforme métodos rigorosamente testados, consensuais , científicos tanto no respeito pelas descobertas comprovadas pelas ciências da natureza ou pelas ciências sociais, como pela logicidade da reflexão filosófica de teor realista e materialista a qual sempre desbravou caminhos para o pensamento científico.
Estas elucubrações vêm a propósito de infindáveis e cansativas sentenças opinativas e mesmo textos que defendem teses sobre esse mundo inexistente que é o futuro. O passado já não decorre no tempo como presente e o presente já é passado quando termino a frase.
A própria Historiografia (os historiadores) não é por si só, nem necessariamente, científica (consensual) , depende do método, da documentação, da interpretação e da articulação com outras ciências convergentes (arqueologia, antropologia, paleontologia, etc.). Sempre existiram historiadores que falsificam ou enviesam os factos segundo as suas conveniências. Só um exemplo : aqueles historiadores que falsificaram números e factos sobre os "mundo socialista" durante a chamada "Guerra Fria". Poderia citar vários "cientistas" reputados se fosse necessário, e que foram desmascarados ou deveriam ser. E até (pasme-se!) historiadores que ainda hoje procuram falsificar o longo período da ditadura fascista em Portugal (designam-na com o nome que o próprio Salazar se atribuiu: "Estado Novo"!).
Não surpreende, pois, que proliferem (por meio do direito de expressão conquistado pelo mundo fora com sangue, suor e lágrimas) teses e opiniões "adivinhando" (a imaginação é muito bonita mas é uma faca de dois gumes!) a vitória militar da Ucrânia sobre a Rússia, ou a destruição da Federação Russa pela "Europa unida" armada até aos dentes (não se sabe como nem quando), ou que a União Europeia que temos vai ser substituída por outra dominada absolutamente pelos partidos que se assumem fascistas.
Estes desejos que se disseminam pelas próprias estações e canais de televisão, embora aqui por processos sofisticados elaborados e dirigidos no vértice por organizações como a CIA e o M16, desenham um quadro do mundo futuro que corresponde às suas estratégias imperialistas. Inocula-se lentamente como um veneno desde a família, a escola, as televisões, imprensa escrita e redes sociais. Os manuais escolares desde o ensino básico, sobretudo no ensino da História, do Português ou da Filosofia, têm vindo a compor uma visão do mundo (passado e presente) conforme os interesses dessa estratégia de hegemonia dos países imperialistas unidos.
Neste contexto os "futurólogos" (ou "politólogos") são largamente otimistas. Os próprios desastres naturais ou provocados pelas atividades imperialistas são mistificados de modo a provocar o medo do "fim do mundo" e ódio a inimigos inventados que causarão esse tal futuro de insegurança permanente.
Previsão é outra coisa.
E na boa filosofia "A coruja de Minerva só levanta voo ao entardecer."
(expressão do filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel utilizada em o Prefácio da sua obra Linhas Fundamentais da Filosofia do Direito (Grundlinien der Philosophie des Rechts, 1821)

Ao lado destas futurologias, contra elas ou segurando-as sem o saberem, circulam aquelas opiniões otimistas nas quais se exibe a nossa crença, de recorte religiosa ainda que orgulhosamente ateia, de que ninguém do mal nos vencerá, Vitória ou Morte!, não vemos que estamos derrotados ali francamente, não entendem que para sobreviver é necessário adaptarmo-nos, tal qual na na seleção natural, e que por vezes mesmo dando dois passos atrás já não voltaremos mais a recuperar o mesmo pois o possível já se foi, o tempo não volta para trás, a história não se repete da mesma maneira. São os crentes. E todos os que assim não pensarem são derrotistas. Ámen.

(Pintura : Cena Aberta, António DaCosta, 1940)

 

EDUARDO ÁLVAREZ ESTÉVEZ. A gratidão que humilha (Delcy Rodriguez agradecendo a Trump)

José Martí escreveu: “A gratidão, como certas flores, não é dada em altura, e o mal concorda com a sombra”. Ele o escreveu pensando em homens dignos, em povos que não se esquecem, na memória como fundamento da virtude. Hoje, essas palavras me queimam quando li as declarações do presidente responsável pela Venezuela.

Delcy Rodriguez agradeceu a Donald Trump. Ele não o fez num lado diplomático, num sussurro no corredor. Ele fez isso em um microfone aberto, diante do mundo, com a solenidade daqueles que assinam um documento de capitulação: “A Venezuela nunca esquecerá a mão estendida ao nosso povo nessas horas difíceis”.

Não vou negar que um país pode agradecer a ajuda humanitária, de onde quer que venha. Mas isto não é um agradecimento. Trata-se de um ato de humilhação. E dói-me. Dói porque por mais de vinte anos Cuba procurou a Venezuela sem pedir nada em troca, e nunca, nunca, recebeu tanta gratidão.

O que Cuba deu sem perguntar

Eu digo isso sem hipérbole. Centenas de milhares de médicos, professores, treinadores esportivos, conselheiros agrícolas cubanos pisaram em terras venezuelanas desde os anos do furacão Vargas até a pandemia. Salvaram vidas nos bairros, literados, operados em salas de cirurgia improvisadas, trouxeram saúde onde nunca haviam chegado. A Missão Barrio Adentro foi o maior trabalho de solidariedade internacionalista deste século.

Cuba não acusou a Venezuela. Ele não exigiu petróleo a preço de mercado. Ele não colocou as condições políticas em ajuda. Compartilhamos o que tínhamos, que nunca foi muito. Nós fizemos isso porque somos um povo que aprendeu, com Martí, que “A pátria é a humanidade”.

E o que recebemos em troca? Silêncio. E agora, esta cena abafada.

A mão que aplaude o carrasco

O mais sério não é que ele agradece a Trump. O mais sério é quem é agradecido e em que contexto. Trump é o mesmo que chamou a Venezuela de “ameaça incomum e extraordinária”. O mesmo que ordenou sanções que impediu a Venezuela de comprar remédios, alimentos e suprimentos. O mesmo cujo secretário de Estado, Marco Rubio, chama os médicos cubanos que salvaram vidas venezuelanas de “escravos modernos”.

Agora, esse mesmo Trump, tendo sufocado o povo venezuelano, oferece-lhe uma mão de “solidariedade”. Essa mão não é de ajuda. É o último ato de entrega. São as esmolas que a casa roubou, com as quais ele finge que vai agradecer e entregar as escrituras.

E Delcy Rodriguez, presidente responsável, aceita esmolas e agradecimentos.

A memória como um ato de dignidade

Martí também disse: “O homem que se conforma com o que lhe dão, e não pede o que deve pedir, é escravo”. É isso que se livra dessa afirmação. Não é um acto diplomático. É a naturalização da submissão.

Eu comparo e minha alma sangra. Durante décadas, Cuba não recebeu um agradecimento da Venezuela por esse calibre. Não uma frase. Não é um gesto público de fraternidade. Presidentes venezuelanos, os chanceleres, os ministros, ficaram em silêncio. E agora, antes do mundo, o presidente responsável quebra esse silêncio para agradecer ao presidente do império.

Não é coincidência. É uma mensagem. É a certificação que a Venezuela deixou de ser um país soberano para se tornar um protetorado agradecido. A “mão do curso” de Trump não é solidariedade. É a corrente que fecha sobre o pescoço de uma aldeia que estava um dia livre.

O que nos resta

Não estou a insultar a Delcy Rodriguez. Não precisa. Suas próprias palavras definem isso. O que farei é lembrar. Porque a memória é a única coisa que o império não pode bombardear, ou bloquear, ou comprar com petróleo.

Lembremo-nos dos médicos cubanos que morreram na Venezuela cumprindo sua missão. Recordemos os professores que letraram as colinas. Vamos lembrar os treinadores que formaram atletas. Lembre-se que Cuba nunca pediu um tapete vermelho ou um desfile de agradecimento. Mas também não merece esse silêncio cúmplice, essa ingratidão que está revestida de diplomacia.

O que eu tenho

A gratidão, quando prostituída, deixa de ser virtude. Torna-se servil. E o servilismo não é revolucionário, nem é bolivariano, nem é humano. É a morte da alma antes do corpo morrer.

Nós não gostamos deles. Nós agradecemos. Para aqueles que estavam. Para aqueles que são. Aqueles que, sem pedir nada, compartilhavam seu pão e seu telhado.

E para aqueles que se ajoelham hoje, lembramos a Martí: “Aqueles que não têm a coragem de ser homens têm pelo menos o instinto de serem sombras”.

Cuba não é sombra. Cuba é leve. E a luz não é apreciada por aquele que a desliga.

Pátria ou morte. Nós vamos ganhar.EDUARDO ÁLVAREZ ESTÉVEZ. A gratidão que humilha (Delcy Rodriguez agradecendo a Trump)

segunda-feira, 27 de julho de 2026

 Para I. KANT o que importa é a forma como se deve pensar (in Crítica da Razão Pura) e a forma segundo a qual se deve agir (Crítica da Razão Prática).

     Isto é a validade lógica dos conhecimentos (juízos).

A validade em sua pura formalidade dos comportamentos. Somente podem ser universais - válidos para todos - se forem formalmente elaborados e, assim, exigidos. Despidos de qualquer concretude e empiricidade. São normas que se apresentam como jurídicas. Os direitos e deveres somente podem alcançar a universalidade se se constituírem como normas despidas de qualquer subjetividade. 

Na verdade, despidas de historicidade. Portanto, servem para tudo e não servem para nada, porque omitem ou desprezam a época, os factos e circunstâncias, as classes sociais. Pelo menos na formação dessas normas: 

Na realidade, não são aplicáveis. Exceto se vierem acompanhadas por leis.  

Isto é, por obrigações, contratos e penas. 

Sendo assim, a ética neokantiana resume-se em DIREITO.

 O Fascismo que se Aproxima

Estamos deslizando em direção ao fascismo? E o que podemos fazer a respeito?

Primeiro, devemos definir corretamente a natureza do fascismo. Seria a loucura de um único homem? As falhas de uma nação? Rejeitando análises superficiais e simplistas, Saïd Bouamama demonstra as forças económicas que levaram Hitler e Mussolini ao poder para servir aos seus próprios interesses. Precisamos tirar as lições corretas desse passado trágico.

Ao mesmo tempo, reconhecendo que a história não se repetirá exatamente da mesma forma. Para compreender o perigo que nos ameaça hoje, há uma necessidade urgente de explicar e conectar esses fenómenos: crise económica, empobrecimento, precarização, ataques às liberdades civis, islamofobia e a criação de bodes expiatórios, o genocídio na Palestina, a ascensão da China e dos BRICS, múltiplas guerras... Para manter sua hegemonia, os Estados Unidos buscam construir uma Internacional fascista na Europa. Eles nos levarão a uma Terceira Guerra Mundial?

O medo poderia nos paralisar. No entanto, Bouamama oferece uma mensagem de esperança. Ele demonstra que o fascismo não é inevitável; podemos barrar o seu caminho. A compreensão possibilita a resistência.

 Le fascisme qui vient

 Uma viagem à Bielorrússia: um olhar além dos estereótipos ocidentais
Philippe Stroot
22 juillet 2026

 
No início do verão de 2026, numa época em que a maior parte da Europa Ocidental está em chamas — tanto literal quanto figurativamente —, os poucos turistas ocidentais que chegam à Bielorrússia impressionam-se com a sensação de calma e serenidade que permeia o país.

É verdade que não há onda de calor aqui — embora uma temperatura recorde de 40°C tenha sido registada brevemente em uma área florestal geralmente mais fresca —, mas a guerra grassa não muito longe da fronteira sul com a Ucrânia, enquanto a OTAN concentra tropas na Polónia e nos Estados Bálticos, ao longo de todo o flanco ocidental da Bielorrússia. Poder-se-ia esperar que isso alimentasse a tensão entre a população, mas os bielorrussos seguem tranquilamente com suas vidas cotidianas ou aproveitam as férias à beira dos inúmeros lagos cercados por planícies e florestas.

Dotados de uma gentileza proverbial — reconhecida até mesmo por cidadãos de outras repúblicas durante a era soviética —, os bielorrussos ficam ao mesmo tempo encantados e surpresos ao saber que turistas escolheram viajar da Suíça para visitar seu país. Vale ressaltar que, no Ocidente, faz-se todo o possível para desencorajar esse tipo de turismo. Os grandes veículos de comunicação raramente mencionam a Bielorrússia e, quando o fazem, é apenas para falar mal do país. Esse menosprezo periódico ocorre invariavelmente após eleições presidenciais perdidas por candidatos que agências ocidentais haviam tirado da cartola na tentativa de derrubar o "ditador maligno" Lukashenko — um homem que não quer saber da União Europeia, muito menos da OTAN.
Foi, portanto, por despeito — e para punir os eleitores bielorrussos por terem depositado votos "errados" — que o Ocidente impôs sanções já em 2020, muito antes da intervenção russa na Ucrânia; tais sanções proibiram, notadamente, a companhia aérea nacional, Belavia, de sobrevoar o território da UE. Enquanto antes havia um voo direto de Genebra para Minsk com duração de pouco mais de duas horas e meia, agora os viajantes precisam fazer conexão em Istambul ou voar até Vilnius e, em seguida, aguardar horas dentro de um autocarro na fronteira antes de entrar na Bielorrússia — já que os agentes alfandegários lituanos fazem de tudo para tornar a vida um tormento para aqueles decididos a visitar esse país vizinho, considerado inimigo por ser aliado da execrada Rússia. Apesar de toda essa pressão, os bielorrussos continuam a apoiar seu presidente, que os poupou do destino da Ucrânia — e do de outras ex-repúblicas soviéticas; um destino que, embora menos trágico, dificilmente é mais invejável.
Após passar alguns dias na magnífica capital, Minsk, uma viagem de carro pelo país proporciona uma verdadeira noção da estabilidade e do desenvolvimento da Bielorrússia. Com estradas excelentes, um nível de limpeza capaz de despertar a inveja até mesmo da Suíça e uma segurança que permite caminhar por qualquer lugar, a qualquer hora, sem medo de assaltos, a Bielorrússia apresenta-se como um exemplo pouco reconhecido de uma nação europeia normal e pacífica — livre do estresse e da histeria que, com tanta facilidade, surgem por motivos banais em outras partes da Europa. É, portanto, do interesse de seus detratores manter esse fato oculto e garantir que os europeus permaneçam, em grande parte, ignorantes a respeito do país. Veja-se, por exemplo, a pandemia de COVID-19: o governo bielorrusso não impôs *lockdowns* nem obrigou a população a adotar medidas compulsórias, permitindo que a economia continuasse funcionando normalmente, ao passo que os indivíduos mantiveram a liberdade de escolher usar ou não máscara ou de se vacinar. No entanto, isso não impediu que a Bielorrússia registasse uma das taxas de mortalidade por COVID-19 mais baixas do mundo... (1)
Além de suas belas paisagens e de uma natureza em grande parte intocada, a Bielorrússia oferece aos visitantes gastronomia de excelente qualidade, uma vasta oferta de atividades culturais e viagens a preços acessíveis — com o litro de gasolina custando apenas cerca de 80 centavos de euro, o valor mais baixo da Europa. Ademais, cidadãos de países ocidentais podem entrar sem visto por um mês e circular livremente pelo país, ao passo que a União Europeia faz todo o possível para impedir a entrada de cidadãos bielorrussos em seu território. Acrescente-se a isso o fato de que a Bielorrússia não censura nenhum canal de transmissão estrangeiro — enquanto emissoras de televisão russas e bielorrussas são banidas na UE — e fica evidente que o "mundo livre" não é exatamente aquilo que se poderia imaginar. O presidente Alexander Lukashenko, no poder desde 1993, merece grande reconhecimento por preservar a soberania de seu país contra todas as probabilidades, apesar dos laços estreitos e privilegiados com sua "grande irmã eslava", a Federação Russa. Desde o início, seu governo teve a sabedoria de não jogar fora o bebé socialista junto com a água do banho soviético. Como certa vez afirmou o ativista revolucionário e engenheiro eletrónico suíço Marcel Gerber — que visitou Minsk quase trinta vezes a trabalho —, a Bielorrússia é vilipendiada pelo Ocidente justamente por ser o único Estado da antiga URSS que não foi "democratizado" por meio de uma transição brutal para o capitalismo...
Neste ano repleto de perigos para a paz mundial, a Bielorrússia — membro de pleno direito da União Económica Eurasiática, da Organização para Cooperação de Xangai e, em breve, do BRICS — mantém-se firme em sua trajetória. O país contrapõe-se ao ostracismo ocidental desenvolvendo laços económicos e políticos com potências-chave do Sul Global, especialmente na Ásia e na África. Essa autoconfiança e fé no futuro provavelmente explicam a serenidade que impera na terra do bisão e da cegonha — símbolos nacionais de uma Bielorrússia que merece ser descoberta.

Philippe Stroot, julho de 2026

Nota:

1. O sistema de saúde da Bielorrússia é elogiado pelo Observatório Europeu de Sistemas e Políticas de Saúde. O país possui o maior número de leitos hospitalares per capita da Europa: 113 por 10.000 habitantes em 2014, em comparação com 64 na França ou 31 na Espanha. (Dados de 2019)

sábado, 25 de julho de 2026

Não disponho de provas da veracidade do conteúdo na sua totalidade.

 

A Microsoft confirmou que o Windows tem um identificador de dispositivo global (GDID) anteriormente desconhecido, um identificador digital exclusivo e permanente atribuído a dispositivos Windows que permite vincular as ações de um usuário ao seu dispositivo. Isso veio à tona quando um suposto membro de um conhecido grupo de hackers foi preso em um aeroporto depois que a Microsoft entregou seu GDID às autoridades.

A Microsoft descreve o GDID em uma reclamação publicada (via Windows Latest) como “um identificador persistente de nível de dispositivo projetado para identificar exclusivamente uma instalação de um sistema operacional Windows em um dispositivo, seja um dispositivo físico (por exemplo, um telefone celular ou um laptop) ou uma máquina virtual, em certos serviços e cenários da Microsoft”.

Assim, quando você configura o Windows pela primeira vez ou registra um novo dispositivo Windows, a Microsoft vincula o GDID dessa instalação com você. Tudo o que acontece nesse sistema pode ser rastreado para você, o usuário individual.

O Windows Latest descobriu que isso é gerado no servidor, mas também é armazenado localmente. Ele pode ser encontrado no registro do Windows em: "HKCU\\SOFTWARE\\Microsoft\\IdentityCRL\\ExtendedProperties".

Embora esse número seja mantido ao atualizar o Windows, ele também é atualizado ao reinstalar o Windows, atribuindo-lhe um novo GDID; embora o original também possa permanecer registrado.

No caso do suposto hacker, ele usou o mesmo dispositivo para todas as suas atividades on-line, portanto, mesmo que sua identidade tivesse sido oculta por outros meios, a Microsoft conseguiu vincular todas essas atividades. Quando a Microsoft detectou padrões de comportamento que combinavam com os de um GDID específico que havia registrado, foi capaz de coordenar com as autoridades para vincular as atividades com o hacker em questão, revelando sua identidade e provocando sua subsequente prisão e a apresentação de acusações contra ele.

Isso levantou preocupações entre os defensores da privacidade, já que a Microsoft não oferece uma opção para desativar esse nível de rastreamento.

 

https://tech.yahoo.com/

quinta-feira, 23 de julho de 2026

segunda-feira, 20 de julho de 2026

 O DRAGÃO
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A Palantir Technologies é uma empresa de software americana especializada em análise de macrodados (Big Data) e inteligência artificial (IA). Fundada em 2003 por Peter Thiel (cofundador do PayPal) e Alex Karp, a empresa é conhecida por desenvolver plataformas avançadas que integram, organizam e interpretam volumes massivos de informações.
O que a Palantir faz?O principal foco da empresa é o software de integração de dados. Em vez de apenas gerar gráficos, ela cria um "gémeo digital" de uma organização, conectando informações de diversas fontes dispersas (como e-mails, imagens de satélite, transações financeiras e registos de saúde). Seu objetivo é transformar dados confusos em decisões em tempo real, permitindo aos analistas identificar padrões e anomalias rapidamente.
As principais áreas de atuação incluem: Setor Governamental e Defesa: Fornece sistemas (como o Gotham) para agências de inteligência e forças armadas, auxiliando em operações de segurança nacional .»
A Palantir deu um forte contributo para a CIA e Pentágono elaborarem o plano de ataque à Rússia ; informada, a Rússia antecipou-se e invadiu. A Palantir continua por detrás da estratégia imperialista.

 O PLANO que vai de CLINTON a TRUMP, PASSANDO POR G. W. BUSH, OBAMA E BIDEN

« A Doutrina Wolfowitz é um conjunto de princípios de política externa e de defesa dos Estados Unidos que defende a manutenção da hegemonia global americana no período pós-Guerra Fria.O termo refere-se à versão inicial do Guia de Planejamento de Defesa (Defense Planning Guidance) de 1992, um documento ultra-secreto elaborado pelo então Subsecretário de Defesa, Paul Wolfowitz, e pelo seu vice, Scooter Libby.
Os pilares fundamentais desta doutrina incluem: Manutenção da Superpotência Única: O principal objetivo é impedir o ressurgimento de qualquer nova potência rival (seja na Europa, na Ásia ou no território da antiga União Soviética).
Unilateralismo: Os Estados Unidos devem estar preparados para agir sozinhos ou com apoio limitado de aliados sempre que os arranjos de segurança coletiva (como a ONU) forem insuficientes para proteger os interesses norte-americanos.Guerra Preventiva: Defende o direito de lançar ataques preventivos contra Estados ou grupos hostis antes que estes representem uma ameaça iminente.Dissuasão Permanente: As forças militares dos EUA devem ser fortes o suficiente para desencorajar qualquer potencial concorrente, mesmo na ausência de um adversário direto.
Contexto e Controvérsia.
O documento foi vazado para o jornal New York Times em março de 1992 e causou forte controvérsia global. Críticos na época consideraram o plano imperialista e agressivo. Contudo, os princípios de ação militar preventiva e unilateralismo acabaram por moldar fortemente a política externa dos EUA pós-11 de Setembro de 2001, influenciando diretamente a Guerra do Iraque em 2003.Para explorar a fundo as origens e os impactos geopolíticos desta estratégia, pode ler mais detalhes nos artigos O Plano Wolfowitz do jornal Público ou na análise Wolfowitz: O arauto da guerra. Se preferir uma perspetiva enciclopédica, pode consultar a página sobre a Doutrina Wolfowitz na Wikipédia.Doutrina Wolfowitz – Wikipédia, a enciclopédia livreA Doutrina Wolfowitz é um nome não oficial dado à versão inicial do Guia de Planejamento de Defesa para os anos fiscais de 1994-19...WikipediaO Plano Wolfowitz | PÚBLICO23/03/2003 — Por um lado, esta guerra representa o primeiro grande teste à nova doutrina da guerra preventiva. » Vista geral da IA

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

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Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.