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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

NEGUENTROPIA

 SINTROPIA    (wikipédia)

Sintropia, também designada entropia negativa ou neguentropia, é o contrário de entropia (que é a medida do grau de desorganização do sistema), ou seja, mede a organização das partículas do sistema. Um elemento neguentrópico é aquele que contribui para o equilíbrio e para o desenvolvimento organizacional. A sintropia é um princípio simétrico e oposto ao de entropia física.

Enquanto a entropia é a medida da desordem ou da imprevisibilidade da informação, a sintropia é a função que representa o grau de ordem e de previsibilidade existente num sistema.

O processo de formação da palavra negentropia é semelhante ao da palavra negócio, que contém a ideia de negação de ócio. Quem tem um negócio é aquele que não quer ficar no ócio.

A teoria da entropia é medir a degradação de energia que ocorre em um sistema de acordo com a segunda lei da termodinâmica e o fato de que em qualquer mudança física nem toda a energia que está no sistema inicial e que constitui o corpo é encontrado no sistema e na constituição do corpo final. De fato, alguma energia é absorvida no trabalho necessário para o processamento, e grande parte desta é dissipada na forma de calor.

Um exemplo de entropia é a iluminação fornecida por lâmpadas incandescentes, em que nem toda a eletricidade (energia) usada é convertida na forma de luz (energia útil), mas uma parte se perde na forma de calor (energia inútil para a iluminação). O princípio da entropia, inicialmente previsto pelo físico alemão Rudolf Clausius, leva à conclusão de que, em última análise, devido ao fato de haver mais geração de energia inútil (na forma de calor) nos trabalhos necessários para os processos físicos de transformação, o universo acabará dissipando toda sua energia na forma de calor.

O princípio da Sintropia (ao qual a entropia está intimamente ligada, dentro de cada sistema do universo, até mesmo os cibernéticos, vivos ou não) faz com que sua existência seja preservada apesar da entropia nesse mesmo sistema. É um processo que opõe-se à perda de energia, e desorganização através de uma injeção de novas energias geradas a partir deste mesmo processo ou de outros, de fora do sistema, e muitas vezes energia inútil nestes.[1]

Um exemplo de sintropia é o metabolismo de organismos vivos em que, para enfrentar o catabolismo que leva ao consumo e destruição do tecido do organismo para viver, exerce o anabolismo, que reconstitui os tecidos através da ingestão de alimentos ou seja, substâncias retiradas do mundo exterior ao organismo/sistema.

Um sistema é cibernético quando processa informações e é capaz de ajustar seu próprio funcionamento automaticamente ao processar as informações (feedbacks) vindas de dentro e de fora do próprio sistema. Alguns exemplos de sistemas cibernéticos são organismos vivos, máquinas automáticas, instituições, etc. A sintropia é um princípio cibernético de organização, de unificação, ao contrário do da entropia, que é o da desorganização, da desintegração. Existe a entropia (perda, desorganização) e a sintropia (ganho, organização) no âmbito da termodinâmica (energia) e da cibernética (informação).[2]

Entropia é a tendência dos sistemas cibernéticos de se desorganizarem, perdendo energia e informação e rumar para a autodestruição. Sintropia é a programação dos sistemas cibernéticos para se organizarem e reorganizarem de modo a manter ou repor energia e informação visando a preservar sua configuração e existência, um programa de auto-preservação.

O princípio da Sintropia primeiro foi afirmada pelo matemático italiano Luigi Fantappiè e depois foi retomada e continuou com contribuições de vários outros especialistas independentes, inclusive Salvatore Arcidiacono, Leonardo Sinisgalli e Albert Szent-Györgyi.

Segundo Ilya Prigogine (Prémio Nobel da Química em 1977), flutuações ao acaso podem dar origem a formas mais complexas, a partir de grandes perturbações em um sistema, as quais podem dar início a mudanças importantes, tornando o sistema altamente frágil (aumento da desorganização – entropia). Pode surgir então uma súbita reorganização para uma forma mais complexa (aumento da ordem – sintropia). As perturbações em um sistema são a chave para o crescimento da ordem. Isso seria uma forma de explicar, por exemplo, o surgimento de vida nos planetas. As configurações da natureza interagem com o ambiente local, consumindo energia dele proveniente e fazendo retornar a ele os subprodutos dessa utilização de energia. Os sistemas aumentam a sua desordem para que possa haver mais organização – as desorganizações do sistemas resultam em maior ordem – maior sintropia.

A sintropia é considerada uma hipótese científica, não ainda uma teoria. Alguns a consideram uma hipótese que já foi descartada, enquanto outros a defendem como necessária para explicar a existência da vida e do próprio Universo.

Uso do conceito de Sintropia na Filosofia e na Religião

Na falta de conceitos científicos que comprovassem racionalmente deste fenômeno, os povos[quais?] antigos atribuíam um significado místico e sobrenatural a fenômenos aparentemente sintrópicos, muitas vezes com uma qualidade divina e metafísica...

Isto ocorreu com o Princípio Aiki, que aliás foi o termo japonês para explicar a sinergia (maximização de resultados) gerada nos processos sintrópicos que ocorreram dentro de algumas artes marciais ao longo da história.

Normalmente nos períodos de guerra é que novos avanços tecnológicos e científicos ganham fôlego e evoluem a um ritmo espantoso. Pois é justamente nestes ambientes de caos, destruição e batalhas sangrentas que, desafiando todos os prognósticos, surgem as grandes descobertas que catapultam o desenvolvimento humano para novos níveis de conforto, segurança e conhecimento.

Este paradoxo também ocorreu, ocorre e continuará ocorrendo nas artes marciais aprimoradas no contexto militar e esportivo, bem como na natureza, nas relações em contínua evolução dos predadores X presas e dos parasitas X hospedeiros.

O princípio da Sintropia também é usado pela filosofia espiritualista para dizer que o ser humano (corpo + mente) não morre no processo entrópico de deterioração de seu corpo, mas sobrevive à morte como um espírito para o rácio de energia espiritual.

Referências

  1. Fantappiè, Luigi, 1901-1956. (2011). Che cos'è la sintropia? : principi di una teoria unitaria del mondo fisico e biologico e conferenze scelte. [S.l.]: Di Renzo. OCLC 721866683
  2. Di Giacomo, Giuseppe (1 de abril de 2019). «Amleto, ovvero le speranze infrante sul non-senso del mondo». Rivista di estetica (70): 60–74. ISSN 0035-6212. doi:10.4000/estetica.5102

Aumento ou diminuição da energia disponível e grau de organização de um sistema

 

Ciência

Entropia: entenda a medida que sugere a 'desordem do universo'

Em um sistema isolado, a termodinâmica explica que a entropia causa a dissipação de energia e o aumento da desordem com o tempo.

Avatar do(a) autor(a): Lucas Vinicius Santos

schedule17/01/2025, às 18:30

Atualizado em 17/01/2025, às 10:05

A entropia é um conceito amplamente estudado na física e até mesmo na filosofia. Trata-se de uma forma de explicar como os fenómenos ocorrem ao nosso redor, representando o grau de desordem de um sistema. A ideia foi originalmente proposta pelo físico alemão Rudolf Clausius em meados de 1850, enquanto ele estudava os princípios da termodinâmica.

A entropia pode ser descrita de diferentes maneiras, o que leva alguns a questionarem sua validade científica. Contudo, muitos cientistas argumentam que essa percepção é equivocada e que sua existência pode até ser demonstrada por meio de medições científicas. Afinal, quase tudo no cosmos está sujeito a mudanças espontâneas que ocorrem de forma desordenada.


Por exemplo, alguns especialistas sugerem que a própria vida está ligada à entropia. Todos os seres vivos enfrentam momentos de desordem durante a jornada da vida e, inevitavelmente, ficarão doentes e deixarão de existir. O mesmo parece valer para o universo, que caminha para um colapso final — provavelmente, não estaremos mais aqui quando isso acontecer.

Alguns físicos afirmam que a entropia é inevitável, sendo um dos princípios fundamentais da natureza. Não é à toa que o termo também é usado na segunda lei da termodinâmica, que estabelece que a entropia de um sistema isolado tende a aumentar com o tempo.

Isso significa que a energia disponível se distribui de forma cada vez mais homogénea e reduz a capacidade do sistema de 'realizar trabalho'. Apesar de processos organizados poderem surgir em sistemas abertos, a tendência é a dissipação da energia, o que deixa a ‘organização’ mais complicada e distante com o passar do tempo.

Em outras palavras, tudo pode começar organizado e estável, mas com o tempo acabará em desordem e imprevisibilidade.

“A entropia é a medida da energia térmica de um sistema por unidade de temperatura que não pode ser convertida em trabalho útil. Como o trabalho é obtido a partir do movimento ordenado das moléculas, a entropia também representa o grau de desordem molecular ou aleatoriedade de um sistema. Esse conceito oferece uma compreensão profunda sobre a direção das mudanças espontâneas em diversos fenômenos do dia a dia”, a enciclopédia Britannica descreve.

O que é a entropia?

Embora o físico alemão Rudolf Clausius tenha cunhado o termo entropia, o estudo desse conceito começou com o engenheiro francês Sadi Carnot. Em 1824, ele publicou um livro sobre a força motriz do fogo, que abriu caminho para novos avanços na termodinâmica e explicava um pouco dessa desordem sugerida na entropia.

Na obra 'Reflexões sobre a Força Motriz do Fogo', Sadi investigou o funcionamento das máquinas térmicas e demonstrou que sua eficiência depende exclusivamente da diferença de temperatura entre as fontes quente e fria, independentemente do combustível utilizado. 

Décadas depois, o físico alemão Rudolf Clausius aprimorou essas ideias e formulou a Segunda Lei da Termodinâmica, quando introduziu em 1865 o conceito de entropia. 

O cientista demonstrou que a energia tende a se dissipar e se tornar menos disponível, e que a entropia total de um sistema isolado nunca diminui, levando os processos naturais a um estado de equilíbrio térmico irreversível.

Ao todo, existem quatro leis da termodinâmica:

  • Lei zero: define temperatura e equilíbrio térmico;
  • Primeira lei: a energia se conserva e pode ser transformada;
  • Segunda Lei: a entropia sempre aumenta em sistemas isolados;
  • Terceira Lei: no zero absoluto, a entropia é mínima.

O conceito de entropia foi introduzido por Clausius para descrever a irreversibilidade dos processos térmicos e formalizar a Segunda Lei da Termodinâmica. 

Com o tempo, essa ideia foi aplicada em diversas áreas do conhecimento. Um exemplo é o trabalho do físico norte-americano E.T. Jaynes, que utilizou a noção de entropia na teoria da informação e na formulação estatística da termodinâmica, a fim de possibilitar uma abordagem probabilística.

O matemático norte-americano Claude Shannon descreveu a entropia como uma medida de incerteza em sistemas de comunicação, já que ela leva a desorganização.
O matemático norte-americano Claude Shannon definiu a entropia como uma medida de incerteza em sistemas de comunicação, pois representa o grau de imprevisibilidade das informações transmitidas

Na prática, a entropia explica por que as coisas tendem naturalmente a se desgastar, se espalhar ou perder organização ao longo do tempo. Imagine um cubo de gelo fora da geladeira: ele derrete porque o calor do ambiente se espalha, assim, a energia se torna mais distribuída e menos aproveitável. 

Esse comportamento está intimamente ligado à Segunda Lei da Termodinâmica, que diz que a entropia de um sistema isolado sempre aumenta. Ou seja, com o tempo, tudo tende à desorganização e ao equilíbrio térmico, como acontece com o calor que se dissipa ou com um carro que não se arruma sozinho.

“A ideia de entropia oferece uma maneira matemática de representar a noção intuitiva de quais processos são impossíveis, mesmo sem violar a lei fundamental da conservação da energia. Por exemplo, um bloco de gelo colocado sobre um fogão quente certamente derrete, enquanto o fogão esfria. Esse tipo de processo é chamado de irreversível, pois nenhuma pequena mudança faria a água derretida voltar a se transformar em gelo enquanto o fogão aquece novamente”, a enciclopédia Britannica acrescenta.

Seja na física, matemática, teoria da informação ou até como metáfora em estudos de sociologia e filosofia, a entropia está associada à desordem e à irreversibilidade dos processos. No contexto social, o termo é usado para descrever a tendência à instabilidade e ao colapso de sistemas organizados. Talvez, o possível colapso da sociedade devido às mudanças climáticas tenham alguma relação com a entropia do universo.

Apesar de ter surgido para explicar a transferência de calor e a conversão de energia na termodinâmica, com o tempo, o conceito passou a ser estudado em outras áreas e se tornou fundamental em vários campos da ciência.

 

A energia se espalha, a organização se perde e tudo segue rumo à desordem. Será que esse processo natural da entropia pode indicar o destino do cosmos? Então, aproveite para saber como a hipótese do ‘Universo espelho’ pode explicar a inflação cósmica.

A "invasão" de Ceuta 2026

 A "Marcha Verde" foi uma grande invasão de civis organizada pelo reino de Marrocos em novembro de 1975 para ocupar o Saara Ocidental, então sob domínio da Espanha, e impedir até hoje a sua autodeterminação. A Resistência é brutalmente reprimida.

Da Marcha Verde a Ceuta: cinquenta anos da mesma interferência, os mesmos cúmplices.

Há fatos que a historiografia oficial prefere contar como um conflito bilateral entre Espanha e Marrocos, quando na verdade eram, desde o primeiro minuto, uma operação projetada em Washington. E há a crise de hoje, como a de Ceuta, que a direita espanhola apresenta como um simples “problema fronteiriço”, quando na verdade fazem parte do mesmo conselho geopolítico que começou em 1975. É hora de dizê-lo com nomes e sobrenomes, porque a memória sem nomes próprios é apenas nostalgia.

1975: A Marcha Verde não foi improvisada por Hassan II, ele a projetou em Washington.

A documentação desclassificada pelos Estados Unidos, revisada por historiadores e pesquisadores nos últimos anos, não deixa mais espaço para dúvidas razoáveis: o então secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, foi informado meses antes dos planos marroquinos sobre o Saara, e não só deu sua aprovação, mas viu na Marcha Verde uma oportunidade para os interesses militares, estratégicos e econômicos dos Estados Unidos na região, exigindo também máxima discrição Segundo a mesma documentação, os Estados Unidos não aprovaram simplesmente o projeto: planejavam a organização da marcha, aconselharam os marroquinos em sua execução e forneceram ao Marrocos equipamentos, armamento e logística, enquanto um gabinete de estudo estratégico em Londres planejava a operação e as petromonarquias do Golfo colocavam o dinheiro.

A própria Wikipédia recolhe, citando fontes documentais, que já em setembro de 1975 houve vazamentos de informação e a CIA comunicou a Kissinger as intenções de Marrocos, ou seja: a inteligência americana estava dentro do plano desde a sua gestação, não como espectador, mas como parte informada e ativa. Há também o testemunho direto de Kissinger advertindo o então príncipe Juan Carlos sobre os “riscos” de que a Espanha enfrentaria Marrocos militarmente, no que vários pesquisadores descrevem abertamente como uma ameaça velada em vez de um conselho diplomático. É verdade que alguns historiadores nuances o grau exato de envolvimento pessoal de Kissinger no projeto operacional concreto da marcha; o que nenhum estudo sério contesta é que Washington conhecia o plano, aprovou-o para seus próprios interesses estratégicos no meio da Guerra Fria, e ativamente pressionou a Espanha a não defender sua província número 52.

A cumplicidade não era “Espanha”: era uma parte muito específica do aparelho franquista.

Aqui é preciso ser preciso, porque a traição não foi cometida pela “Espanha” como uma abstração, mas decisões tomadas por pessoas específicas da rede franquista em sua fase final. Franco, gravemente doente, havia ordenado que a fronteira plantasse minas e sustentasse a posição espanhola à força, se necessário. Mas enquanto o ditador estava morrendo, era o governo no cargo, com o então príncipe Juan Carlos como chefe de Estado interino, que negociava fora dessa ordem. Juan Carlos viajou para El Aaiún para prometer à guarnição espanhola que não haveria abandono, e dias depois ele viajou para Washington para receber instruções diretamente de Kissinger. O resultado é conhecido: as minas foram ordenadas a serem removidas, a entrega do território foi acordada e as tropas marroquinas entraram no Saara enquanto o exército espanhol ainda permaneceu no terreno sem a ordem de defendê-lo. A monarquia que mais tarde se apresentou como um garante da democracia começou, literalmente, entregando um povo inteiro a uma potência ocupante sob instruções de Washington.

2026: Ceuta não é um episódio isolado, é a continuidade da mesma placa.

Meio século depois, o mapa de interesses não mudou tanto quanto parece. Em dezembro de 2020, o governo Trump reconheceu formalmente a soberania marroquina sobre o Sahara Ocidental como moeda de troca para Marrocos normalizar as relações com Israel dentro dos Acordos de Abraão. Desde então, o Marrocos intensificou notavelmente sua cooperação militar, tecnológica e de inteligência com Israel, com drones, sistemas de vigilância e acordos de segurança cibernética integrando-se à lógica estratégica regional impulsionada por Washington e Tel Aviv. Trump reafirmou essa aliança por escrito nesta semana, chamando a soberania marroquina de uma “solução justa e duradoura” e descartando “de qualquer outra maneira” como “inaceitável”. E não é por acaso, camaradas, que essa reafirmação ocorra justamente nos dias de maior convocação dessa aliança na sequência da crise fronteiriça de Ceuta: o próprio debate público espanhol já liga ambos os fatos.

É legítimo, portanto — e necessário — perguntar quem se beneficia do surto precisamente agora dessa magnitude em Ceuta. Beneficia Marrocos, que ganha uma alavanca de pressão sobre a Espanha e a UE na plena negociação de fundos e acordos de pesca. Beneficia Washington e Tel Aviv, que são reforçados pelo papel de Marrocos como parceiro de segurança regional dentro de sua arquitetura de aliança pós-Acordos Abraham, com Rabat cada vez mais integrado à cooperação militar e de inteligência israelense. E beneficia, dentro da casa, a um direito espanhol – PP e Vox, com Feijoo e Abascal à frente, com Ayuso amplificando o discurso do medo de Madrid – que encontra em cada imagem de pateras e cerca salta o combustível perfeito para sua ofensiva xenófoba, zombada por uma caverna de mídia e redes de desinformação que vêm preparando o terreno emocional para a “invasão” há meses.

Você não precisa imaginar um escritório secreto em Langley para entender isso: você só precisa seguir o dinheiro, os pactos e os interesses declarados. Quando uma crise humanitária coincide no tempo com a reafirmação pública de uma aliança estratégica entre Washington, Tel Aviv e Rabat, e essa mesma crise é capitalizada a milímetro pela extrema-direita espanhola, a questão não é se há conexão, mas quanto ingenuidade é necessária para continuar chamando de acaso.

A mesma lição, cinquenta anos depois.

Da Marcha Verde a Ceuta, o padrão se repete: interesses imperiais que são decididos em Washington e Tel Aviv, cúmplices locais que colocam cálculos geopolíticos ou eleitorais diante da dignidade dos povos, e uma história oficial que esconde as conexões para que a classe trabalhadora não as veja. O Saara permanece sem o seu referendo. Migrantes de Ceuta permanecem sem seus direitos. E os verdadeiros funcionários – Washington, Tel Aviv e Rabat, e seus porta-vozes de Madri – ainda não se levantam.

Perante o imperialismo e os seus habituais cúmplices, memória, nomes próprios e solidariedade de classe.



*André Abelode Fernández

As Coreias

 A GUERRA DA COREIA ( 1950 e 1953 )

A Guerra da Coreia é frequentemente chamada de "guerra de Stalin", embora tenha sido, na verdade, uma guerra civil. O conflito internacionalizou-se logo no início — primeiro do lado sul e, posteriormente, do lado norte. No entanto, é um erro encará-lo apenas como um confronto entre os Estados Unidos e a União Soviética, ainda que tenha sido a única guerra em que pilotos soviéticos e americanos se enfrentaram diretamente em combate aéreo.

Até a primavera de 1950, Moscovo rejeitava categoricamente os planos da Coreia do Norte para a reunificação forçada do país. No outono de 1949, o Partido Comunista da União Soviética recusou tais propostas, apesar do apoio que o embaixador soviético em Pyongyang, Terentii Shtykov, dispensava à liderança norte-coreana.

A postura da URSS mudou depois que os líderes norte-coreanos convenceram Moscovo de que existia uma situação revolucionária no Sul. Pyongyang acreditava que, após a derrota do exército sul-coreano e a tomada de Seul, 200 mil comunistas locais deflagrariam um levante geral. O principal artífice desses planos não foi tanto Kim Il-sung, mas sim o líder dos comunistas sul-coreanos, Pak Hon-yong.
Embora a data oficial de início da guerra seja 25 de junho de 1950, confrontos armados ao longo do Paralelo 38 já eram comuns há um ano e meio. Ocorriam até três escaramuças por dia — um número comparável ao da Primeira Guerra Mundial. Não se tratava de pequenas escaramuças, mas de batalhas em grande escala envolvendo batalhões inteiros, com apoio de artilharia e suporte aéreo. Até mesmo historiadores anticomunistas reconhecem que os sul-coreanos provocaram a maioria desses confrontos. Syngman Rhee pretendia desencadear a guerra para se apresentar como vítima e garantir a intervenção militar direta dos EUA, plenamente ciente de que seu exército era incapaz de realizar operações de combate eficazes. Portanto, a interpretação de que a Guerra da Coreia eclodiu como um "ataque comunista repentino contra a pacífica Coreia do Sul" é falsa.

A Coreia do Sul estava se preparando para uma ofensiva militar contra o Norte, segundo documentos capturados durante a queda inicial de Seul e depoimentos de autoridades sul-coreanas de alto escalão que permaneceram na capital. Isso é corroborado pela correspondência de Syngman Rhee com grupos de pressão (lobbies) dos EUA e pela ausência de posições defensivas estruturadas na Coreia do Sul. Nas fases iniciais da guerra, os tanques norte-coreanos sofreram baixas principalmente devido a ataques aéreos dos EUA, e não por artilharia antitanque ou minas terrestres; isso serve como prova adicional da inexistência de defesas capazes de resistir ao avanço de tanques.
Crimes de guerra cometidos por tropas sul-coreanas

Crimes contra civis cometidos pelo exército sul-coreano e por formações paramilitares merecem atenção especial. A repressão ocorreu não apenas no front, mas também na retaguarda. Restos mortais de civis com sinais de tortura foram encontrados em várias valas comuns, incluindo o local conhecido como "Katyn Coreano". No condado de Sinchon, um terço da população foi massacrado.

Quando as negociações de paz começaram, com apoio soviético, a Coreia do Sul foi o único lado a sabotar o processo até o fim. Isso envolveu desde a libertação de prisioneiros de guerra que não desejavam ser repatriados até provocações de "bandeira falsa" — como ações de "atiradores de elite desconhecidos" e "aeronaves desconhecidas" — destinadas a inviabilizar as negociações. Por fim, os Estados Unidos chegaram a cogitar um golpe militar contra Syngman Rhee (a chamada Operação Everready), mas acabaram alcançando um compromisso condicional: o armistício foi assinado, embora os sul-coreanos, ao contrário das forças da ONU, não tenham aposto suas assinaturas no documento.

A partir desse momento, o Tratado de Defesa Mútua de 1953 subordinou efetivamente as forças armadas sul-coreanas ao comando da ONU, para impedir que Syngman Rhee — ou seu sucessor — iniciasse outra guerra e forçasse os americanos a lutar "no lugar errado, na hora errada e contra o inimigo errado", como afirmou o general Mark Clark. "Ao recorrer à duplicidade e a manobras de bastidores, [Rhee] quase arruinou o acordo de armistício, que já estava prestes a ser concluído."

 

 
 

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

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Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.