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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

A análise do fascismo está no núcleo atual da filosofia da política

 FASCISMOS SEM CAMISAS CASTANHAS, NEGRAS OU VERDES

«Trump conseguiu chegar ao poder explorando uma estrutura de sentimentos — uma profunda alienação da modernidade capitalista. Ele é o perfeito empreendedor do ressentimento, tanto como produtor quanto como representante. E a esquerda ainda não encontrou uma resposta eficaz e duradoura para esse fenómeno. (Valerie Plesch/Bloomberg via Getty Images)»
“O fascismo estadunidense seria… correspondentemente democrático à maneira estadunidense.”
— Bertolt Brecht, Diários
« a extrema-direita atual não é verticalmente integrada, mas efetivamente descentralizada, funcionando mais como um enxame do que como uma formação de combate. Além disso, exibe uma banalidade perigosa: ao contrário de seus predecessores do século XX, ela se desenrola de acordo com as regras da democracia eleitoral e no âmbito cotidiano. A propaganda fascista é praticamente onipresente em plataformas de mídia social como o X e cada vez mais proeminente na cultura pop. Na Espanha, um remix do hino falangista Cara al sol chegou ao topo das paradas do Spotify, enquanto na Alemanha, jovens ricos e skinheads se divertem entoando slogans xenófobos ao som do hit eurodance do DJ italiano Gigi D’Agostino, L’amour toujours. O fascismo atual dança conforme a música da democracia.»Oliver Nachtwey e Carolin Amlinger, in Jacobin

 
Na Itália de Meloni a coligação de extrema-direita não eliminou as instituições e exime-se de exibir militarismos e colonialismo (ainda?), na França de Le Pen o fascismo ascende com pezinhos de lã sem a truculência obscena do Chega, idem aspas para Espanha aqui ao lado.
Haverá vários fatores locais que expliquem e um traço comum da época que mal atravessamos, porém fica bem claro, julgo eu, que, não existindo à esquerda perigo iminente de insubmissão geral, as oligarquias dominantes sentem-se seguras. Logo que possam e queiram eliminam a própria democracia parlamentar ex-liberal no ventre da qual se incubaram. A mais violenta crise do capitalismo global desde 2008 (e bem maior que esta foi) está aí a chegar e, por sua causa, a tentativa "normal" de saída da crise pelo Capital só não a vê quem não percebe nada de nada.
E excessivo temer-se que os novos fascismos cheguem com botas cardadas e campos de concentração como nos anos trinta, nem a crise global está a chegar (embora ninguém a pode desde já afastar das possibilidades) com fenómenos como desemprego de massas e hiperinflação. Apesar disso, ele vai agigantando-se na sua manifestação historicamente típica : multiplicação de guerras de agressão, torniquetes para sufocar países inimigos, políticas colonialistas (localizadas que sejam), imperialismo com o seu componente de parasitismo e acumulação de capital por manipulação dos mercados ,desigualdade como talvez nunca se haja visto, exploração da força de trabalho sob a forma de empregos precários, etcétera.

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