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terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

As origens naturais da nossa espécie

 

Não existem ruptura entre a natureza e a sociedade humana, entre o bio-natural e o psíco-social. No sentido literal tudo é natureza. O social não surgiu do nada, pela diferenciação absoluta com o meio-ambiente, com os corpos, com a vida. Assim como o biológico, os corpos, os organismos, se desenvolveram pela vias das mutações e da seleção que sobre elas atuou, preservando ou eliminando, não existindo aqui, neste processo rupturas no sentido literal, assim as sociedades não tiveram uma origem sobre-natural ou ontológica. Por mutações sucessivas e seleções exitosas (menos para as dezenas de humanóides que se extinguiram) a nossa espécie atual deve o seu sucesso natural à linguagem ligada com relações sociais, ligadas, por sua vez, a modos de produção dos bens selecionados, à transmissão dos conhecimentos pela fala ou pela escrita.

 Contudo, é necessário esclarecer de que linguagem falamos : no sentido amplo - comunicar através de sinais - todas as espécies - inclusivamente microrganismos unicelulares- comunicam entre si, avisando de perigos comuns, avisando os inimigos e os adversários, avisando dos alimentos em determinados territórios, etc. Esses sinais, ou linguagem, ou modelos de linguagem, são muito sofisticados em espécies algumas das quais não se esperaria tal coisa , por exemplo entre os polvos (estuda- se a sofisticação entre golfinhos, porém não espera que a haja em espécies aparentemente solitárias). Sinais podem converter-sem símbolos : assim, existem espécies inesperadas que utilizam símbolos , como por exemplo, peixes que cavam e desenham círculos para habitação defensiva dos seus ovos . O sinais-símbolos, de poder e hierarquias, são mais conhecidos entre espécies de primatas (bonobos-chimpazés, gorilas), mas existem nas alcateias de lobos por exemplo, embora uma simbologia instintiva e primária (todavia, suficiente para a sua milenar adaptação!).

  Deste modo, é preferível falar-se de continuidade descontínua, ou talvez melhor : emergência (Lucien Sève), quando tratamos do tema da passagem do natural (físico, biológico, ou socialmente instintivo) para o social. A nossa espécie não se extinguiu porque não sofreu, entretanto, calamidades naturais que a extinguissem, como aos dinossauros ou às espécies extintas nas cinco extinções no nosso planeta. Mas pode extinguir-se a qualquer momento, de repente ou gradualmante. Por catástrofes externas ( meteoros, vulcões, etc.) ou por sua própria responsabilidade. Não foi simplesmente pela nossa capacidade de adaptação a todos os climas : primeiro, porque não sobrevivemos em todos, segundo porque existem espécies que se adaptaram aos climas mais contrastantes, como os ursos, as raposas, etc.). A explicação nos seus fundamentos já foi encontrada por Marx e Engels há quase duzentos anos : necessidade e capacidade de produzir bens e correlativa produção de relações sociais. A primeira forma de relação social foi o núcleo familiar-grupal, a qual deu origem à tribo. A primeira relação foi entre a mãe e os filhos, semi-instintiva e depois, gradualmente, social, comunitária.

  Por conseguinte filósofos como Giörgy Lukács não tinham razão quando afirmaram (o filósofo húngaro na sua “Ontologia do ser social”) uma ruptura, a que chamaram ontologia do social oposta à natureza (ontologia da natureza-matéria?). Só há uma ONTOLOGIA, com vários sedimentos, ou patamares, ou níveis, pois somente existe um SER, quer lhe chamemos ainda como sempre MATÉRIA, ou algo mais. É essa materialidade do universo conhecido, que permite ao pensamento científico conhecer e explorar. Com diversos métodos sim, mas numa mesma base empírico-lógica. Excepto para a natureza (não para as sociedades humanas organizadas) o método dialético hegeliano aplicável por ENGELS : essa dialética não existe na natureza. Ou as ciências dela nunca necessitaram.

 

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