terça-feira, 22 de agosto de 2017

Losurdo: Mundo vive luta contra a nova contra-revolução colonial

O
filósofo italiano Domenico Losurdo é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores pensadores marxistas ocidentais vivos. Losurdo se destaca como um pensador comunista, estudioso de Gramsci e Hegel, polemista em defesa do legado do movimento comunista na forma do chamado socialismo real. É um intelectual comprometido com a luta contra o imperialismo, sendo este o ponto de referência de sua obra. Também escreveu uma extensa biografia intelectual de Friedrich Nietzsche.

Em visita ao Brasil para lançar seu novo livro, “Guerra e Revolução – O mundo um Século após Outubro de 1917” (disponível na Livraria da Opera), o professor da Universidade de Urbino, na Itália, se dispôs a conceder uma entrevista ao editor-chefe da Revista Opera, Pedro Marin, e ao colunista e ex-correspondente internacional, André Ortega.
O que segue é a íntegra da primeira parte de três da entrevista. Confira aqui a segunda e a terceira parte.
Revista Opera: Bem, gostaríamos de lhe agradecer por tomar seu tempo para nos conceder esta entrevista. Gostaríamos também que você começasse falando do livro que está sendo lançado no Brasil pela Boitempo, “Guerra e Revolução”.
Domenico Losurdo: Esse livro está sendo lançado não somente no Brasil, e ele é uma interpretação do século 20. O título em inglês é “War and the Revolution – Rethinking the Twentieth Century”. Eu só posso dizer algumas coisas do conteúdo, porque o livro é muito grande [risos]. Mas eu posso dizer que o conteúdo fundamental do século 20 foi a luta entre o colonialismo e anticolonialismo. É claro que os partidos anticoloniais eram dirigidos pelo Partido Comunista, mas nós não podemos entender o conteúdo do século 20 se não considerarmos esta luta entre o colonialismo e o anticolonialismo.
Nós vimos, após a Revolução de Outubro, não somente o desenvolvimento da revolução anticolonial mundial… antes da Revolução de Outubro, todo o mundo era propriedade de alguns poucos poderes capitalistas e imperialistas. A África era uma colônia, a Índia era uma colônia, a China uma semicolônia, Indonésia era uma colônia, a América Latina era uma semicolônia graças à Doutrina Monroe, e esse mundo foi mudado radicalmente em consequência da Revolução de Outubro e da revolução anticolonial mundial, que nasce da Revolução de Outubro.
Mas, eu digo que o conteúdo fundamental é a luta entre o colonialismo e o anticolonialismo em um sentido mais profundo; se nós considerarmos a história da União Soviética e da Rússia Soviética, Hitler se esforçou para executar a realização das “Índias Alemãs” no Leste Europeu, Hitler disse: “Nós teremos o nosso extremo oeste [far-west, faroeste] alemão no Leste Europeu”, ou seja, o clássico faroeste norte-americano, onde os brancos dizimaram os nativos, e onde os que sobreviveram estavam destinados a se tornarem escravos a serviço da classe de senhores, e portanto no Leste Europeu os bolcheviques, identificados com os judeus, estavam destinados a serem exterminados. Esse era o programa de Hitler.
Eu cito frequentemente [Heinrich] Himmler, que era um dos líderes do Terceiro Reich, e temos as conversas secretas dos nazistas, fechadas ao público, onde Himmler diz: “Agora que falo somente com nazistas, posso falar livremente. A Alemanha precisa de escravos” – no sentido literal da palavra – e diz que eles achariam seus escravos no Leste Europeu e, particularmente, na União Soviética. Ou seja, a luta da União Soviética foi até mesmo uma luta contra a tentativa de colonizar e escravizar os povos da União Soviética.
A essência do Terceiro Reich foi a ambição de desenvolver, radicalizar e expandir a tradição colonial. Portanto, a falha de Hitler de construir no Leste Europeu as “Índias Alemãs” foi o começo da libertação das Índias Inglesas, também. Mais tarde temos a Revolução Chinesa, que podemos considerar, talvez, a maior revolução anticolonial na história do mundo. E agora, a conclusão breve; a primeira contra-revolução colonial, a contra-revolução colonial de Hitler, é derrotada. Agora nós vemos outra tentativa de desenvolver uma contra-revolução colonial, imediatamente após a conclusão da Guerra Fria, nós vemos, por exemplo, o filósofo Carl Popper, que era o filósofo oficial da chamada “Open Society”, que disse abertamente que o ocidente “cometeu o erro de libertar esses povos muito cedo”, que os povos coloniais não estavam maduros o suficiente para serem livres.
E agora o perigo de uma grande guerra é o perigo provocado pela tentativa, por parte dos Estados Unidos, de bloquear a revolução anticolonial e de construir uma nova contra-revolução colonial, e o perigo da guerra, que é EUA contra a China, mas podemos até considerar a posição da Rússia… Em meus livros, eu insisto em um ponto que é, talvez, negligenciado: a história da Rússia em geral – não da Rússia Soviética, mas da Rússia em geral – é, de um lado, que a Rússia era, de fato, um poder imperialista, expansionista, mas que há só um aspecto da realidade histórica: por muito tempo a Rússia perigava de se tornar uma colônia.
Todos sabem da invasão de Hitler, de Napoleão, de Charles XII, dos mongóis. Por exemplo: se considerarmos o começo do século 17, em Moscou o poder era exercido pelos poloneses. Imediatamente após a 1ª Guerra Mundial, ou seja, após a derrota da Rússia Czarista, a Rússia estava em perigo de ser balcanizada, de se transformar em uma colônia, e eu cito em muitas vezes Stálin, que disse que para o ocidente a Rússia era como a África Central, e que o ocidente tentava fazer a Rússia entrar naquela guerra em nome do capitalismo e imperialismo ocidental.
Imediatamente após a conclusão da Guerra Fria, que foi um triunfo para o ocidente e para os EUA, a Rússia estava em perigo de se tornar uma colônia, porque a massiva privatização da colônia não era só uma traição contra as classes trabalhadores da União Soviética e da Rússia, mas também uma traição contra a nação russa, porque a perspectiva era de que o ocidente queria possuir imensos recursos energéticos no país. Os EUA estava a ponto de possuir esses recursos energéticos imensos.
Yeltsin foi o “grande campeão” dessa colonização da Rússia pelo ocidente. Putin, é claro, não é um comunista, mas ele queria evitar essa colonização e buscou reafirmar o poder russo sobre esses recursos energéticos. Ou seja, neste contexto, podemos falar de uma luta contra a nova contra-revolução colonial, podemos falar de uma luta entre os poderes imperialistas e colonialistas, principalmente os EUA, de um lado, e de outro lado nós vemos a China, o terceiro mundo. E desse grande terceiro mundo a Rússia é uma parte integral, porque estava em perigo de se tornar uma colônia do ocidente. Essa é minha filosofia da história mundial, a dizer. E eu peço desculpas pelo meu inglês [risos].
Revista Opera: Seu inglês é perfeito, professor, perfeito. Como dissemos, seria melhor que nós falássemos italiano ao invés de usar inglês, mas você fala desta contra-revolução colonial no momento…
Domenico Losurdo: É a segunda, talvez a terceira contra-revolução colonial…
Revista Opera: Como você descreveria a posição do imperialismo na política global de hoje? Essa luta contra a contra-revolução colonial é uma luta fundamental, porque temos até alguns pensadores e acadêmicos de esquerda que se dizem “pós-colonialistas”, que não dão este tipo de atenção à questão do imperialismo, porque para eles é algo ultrapassado.
Domenico Losurdo: Primeiro, podemos citar Lênin, que com uma visão muito clara fez uma distinção entre o colonialismo clássico e o neocolonialismo. Ele disse, no começo do século 20, que o colonialismo, no sentido clássico do termo, é a anexação política, ou seja, que um país ou um povo não tem independência política, que é não considerado digno para ser independente. Esse é o colonialismo clássico, com a anexação política de um país ou de um povo por um poder imperialista, colonialista e capitalista.
No entanto, Lênin disse também que há um outro tipo de anexação, que é a anexação econômica. E esse é o neocolonialismo. Hoje nós temos um exemplo do colonialismo clássico, que é a situação da Palestina. Lá vemos o colonialismo clássico. É claro, vemos Israel expandindo seus assentamentos, expandindo o território israelense, e vemos que o povo palestino como os índios no faroeste; eles são expropriados, deportados e, algumas vezes, mortos. Este é o colonialismo clássico.
Mas existe outra forma de colonialismo; o neocolonialismo. E nestes dias eu gosto de fazer duas citações; Mao [Tsé Tung], após conquistar o poder, que disse: “Se nós, os chineses, continuarmos dependentes da farinha americana para o nosso pão, nós seremos uma semicolônia dos EUA”, ou seja, a independência política será somente formal, não substancial. E eu cito outro clássico da revolução anticolonial, Frantz Fanon, que foi um grande campeão da revolução anticolonial da Argélia, e que disse algo muito importante: “Quando um poder colonialista e imperialista é compelido a dar a independência para um povo, este poder imperialista diz: ‘você quer é a independência? Então tome e morra de fome.” Porque os imperialistas continuam a ter o poder econômico, podem condenar o povo à fome, por meio de bloqueios, embargos ou pelo subdesenvolvimento.
Ou seja, Mao e Fanon são personalidades muito diferentes, mas os dois entenderam que a revolução anticolonial tem dois estágios; o primeiro, o estágio da rebelião militar, da revolução militar. O segundo; o desenvolvimento econômico. A chamada “esquerda” que não entendeu este segundo estágio não está em condição de entender a revolução anticolonial. O que vemos agora é o desenvolvimento do terceiro mundo, e esse desenvolvimento não é só um evento econômico, mas um grande evento político. A tentativa da China, hoje, de quebrar o monopólio ocidental da alta tecnologia é a continuação da revolução anticolonial.
E eu acredito, no sentido de que concordo totalmente com você, que essa esquerda conseguiu entender a revolução anticolonial quando os Estados Unidos bombardearam o Vietnã, mas não consegue entender a pretensão do imperialismo de exercer o poder econômico no mundo todo, e essa esquerda não consegue entender o segundo estágio da revolução anticolonial, que é feito por meio do desenvolvimento econômico e tecnológico.
Revista Opera: Também no que se refere ao imperialismo, alguns argumentam que a eleição de Donald Trump, nos EUA, representa uma virada na natureza do imperialismo norte-americano. Qual é a sua opinião?
Domenico Losurdo: Uma certa “esquerda” fala de Trump como uma mudança, mas essa esquerda dá a impressão de que considera Hillary Clinton uma representante da esquerda, ou da paz; isso é completamente errado. Hillary Clinton não é melhor que Trump e, talvez, seja pior. Ou seja, Trump, ao menos nas palavras, expressa sua intenção de melhorar as relações com a Rússia, e, no sentindo contrário, Hillary Clinton queria tensionar com a China e Rússia.
Para entender a profunda divisão na classe dominante e no imperialismo, talvez devamos seguir uma outra análise. Nos EUA há um debate: os Estados Unidos estão em condição de lutar, ao mesmo tempo, contra a Rússia e a China? É melhor para os EUA dividir a frente China-Rússia? Como podemos dividir essa frente? Talvez possamos – e essa é a posição de Trump – fazer as pazes com a Rússia para lutar melhor contra a China.
Outros têm a esperança – e talvez a ilusão – de que os EUA poderão realizar uma mudança de regime (regime-change) na Rússia e, se o fizessem, a China ficaria totalmente isolada. Ou seja, há estratégias imperialistas diferentes, não se trata de uma diferença entre “esquerda” e “direita”, ou a guerra, Trump, e a paz, Hillary. Isso é totalmente ridículo – Hillary Clinton é a pessoa que fez guerras cruéis nos EUA. Por exemplo, contra a Líbia, ela se disse muito feliz pela morte de Kaddafi, apesar do fato de que sua morte foi contra os direitos humanos, foi uma tortura terrível. Mas eu acredito que Hillary Clinton talvez seja a pior.
De qualquer forma, não podemos ter nenhuma ilusão no que se refere ao imperialismo americano, nós temos diferenças, mesmo grandes diferenças, em relação à estratégia, mas infelizmente até o momento eu não vejo um grande movimento pela paz nos EUA. Uma pequena demonstração: Trump tem sido criticado por tudo, tem sido criticado e condenado por sua tentativa de melhorar as relações com a Rússia, mas ninguém o criticou ou condenou pelo grande aumento no orçamento militar. Ou seja, eu acredito que, infelizmente, neste momento, o imperialismo norte-americano tem um grande consenso.
Opera Revista Independente
http://revistaopera.com.br/2017/03/31/losurdo-mundo-vive-luta-contra-nova-contra-revolucao-colonial-parte-13/

Losurdo: “Toda a história da guerra fria foi a luta entre a emancipação anticolonial e a reação colonialista”

imagemNa semana passada, o filósofo marxista italiano Domenico Losurdo esteve no Brasil para o lançamento de seu novo livro, Guerra e Revolução, publicado pela Boitempo Editorial, sobre o centenário da Grande Revolução Socialista de Outubro. Na oportunidade, Losurdo concedeu ao NOVACULTURA.info uma entrevista na qual discutimos temas candentes tais como a centralidade da questão colonial, a opressão da mulher como uma das formas de luta de classes, a reintrodução da Doutrina Monroe na América Latina, etc.
NOVACULTURA.info: Em seus escritos, você enfatiza muito o mérito histórico de Lenin na compreensão da luta de libertação nacional dos povos coloniais e semicoloniais como parte integral da revolução proletária mundial, e inclusive em seu último livro Guerra e Revolução, você coloca a revolução de Outubro como responsável por ter desencadeado a primeira etapa da revolução anticolonial mundial. Como você enxerga esse processo?
Losurdo: É claro. Lenin insistiu na importância da questão nacional. Temos a declaração de Lenin, onde segundo ele, sob o Imperialismo, a questão nacional tem enorme importância. Podemos dizer que Lenin, ainda que ele tenha morrido em 1924, antecipou a história do século XX. Por que isso? Temos ao menos três razões para isso. Primeiro, Lenin apreciou a revolução dos povos coloniais. Em Baku, no Congresso dos Povos do Oriente, em 1920, temos um grande salto na história da ideologia comunista, e mesmo na do movimento revolucionário, de modo que a conclusão do Manifesto Comunista: “Proletários de todos os países, uni-vos!” muda para Lenin. O novo lema era “Proletários de todos os países, e nações oprimidas do mundo, uni-vos!”. Com isso, nós temos não um sujeito revolucionário, mas dois sujeitos revolucionários. De um lado, o mundo capitalista, temos o proletariado como o dirigente da revolução anticapitalista, mas no Terceiro Mundo, no mundo colonial ou semicolonial, temos o segundo sujeito revolucionário, e este são os povos oprimidos. E desta forma, Lenin antecipou talvez a mais importante característica do século XX. Se considerarmos este século, o século anterior, podemos dizer que a revolução anticolonial foi o conteúdo mais importante dele, a revolução anticolonial mundial.
Imediatamente antes da Revolução de Outubro, vemos umas poucas potências capitalistas e imperialistas dominando a I Guerra Mundial. África era, claro, uma colônia. Índia era uma colônia. Indonésia era uma colônia. China era uma colônia. América Latina, como consequência da doutrina Monroe, era uma colônia. Com a Revolução de Outubro e com a revolução anticolonial, ligada a ela, tudo mudou. Tudo mudou. E Lenin corretamente antecipou que a revolução anticolonial seria o maior fenômeno do século XX. Mas Lenin antecipou as características do século XX de outra forma também. Por exemplo, após a revolução de Outubro, ele escreveu que talvez a URSS seria o objeto de uma série de guerras napoleônicas contra ela. E esta antecipação também foi muito correta. Porque imediatamente após a Revolução de Outubro, temos a invasão da Rússia Soviética por parte dos países ocidentais como a Grã-Bretanha, França, e da Ásia, do Japão. Depois, temos a invasão, claro, da Alemanha de Hitler. Após a derrota da Alemanha de Hitler, temos a guerra fria e a ameaça de uma nova invasão.
Neste sentido, também, Lenin compreendeu as características do século XX, e temos que considerar neste aspecto. Durante a I Guerra Mundial, por que o Exército alemão parece tão decidido em conquistar Paris? Lenin escreveu, nos anos da I Guerra, que “se esta guerra concluísse a conquista napoleônica da França por parte da Alemanha, veríamos mesmo na Europa uma grande luta de libertação nacional contra Alemanha pela França conquistada e pelo subjugado povo francês”, e durante a II Guerra, o que vemos a antecipação de Lenin. A Alemanha de Hitler havia conquistado a França, e mesmo na França, nos fins da II guerra Mundial, vemos uma Guerra de Libertação Nacional contra a Alemanha. Com isso, o século XX, foi um século, após I Guerra Mundial, onde as guerras de libertação nacional, as guerras contra a opressão colonial ou semicolonial era basicamente a regra. Lenin compreendeu isso, que sem entender a questão nacional e colonial, não somos capazes de entender o século XX e não somos capazes de entender o processo de emancipação revolucionária.
NOVACULTURA.info: No livro Fuga da História, você utiliza o termo “autofobia” para falar da postura da esquerda atual. Eu gostaria aqui de partir também da expressão de Lenin de “social-imperialismo”, ou “social-chauvinismo”. Aqui no Brasil, geralmente os setores da esquerda que tendem à certo tipo de autofobia sobre os processos históricos da construção do socialismo, também são acompanhados de certo “social-chauvinismo”, não apenas na importação de teorias eurocêntricas, de determinadas concepções ligadas ao que chamam de marxismo ocidental, mas na negação da questão nacional e colonial, e na eliminação das revoluções de libertação nacional do século XX da tradição histórica a ser reivindicada pela esquerda e pelas forças populares, mesmo que nós no Brasil também sejamos um país periférico. Gostaria de saber se você também traça uma relação entre tal autofobia, da negação do papel cumprido pelas experiências históricas do socialismo, e o chauvinismo, negando a centralidade questão nacional e colonial.
Losurdo: Sim, no que tange a autofobia, temos que falar de autofobia em certa esquerda porque se traçarmos um balanço correto e histórico do século XX, da história que se desenvolveu no despertar da Revolução de Outubro, temos que dizer, nós não podemos entender nem mesmo o avanço da democracia no mundo ocidental sem o papel dos Partidos Comunistas e sem a influência da Revolução de Outubro. Eu digo em meu livro Guerra e Revolução, que podemos falar de democracia apenas depois da derrubada das três grandes discriminações. Eu digo que o Ocidente Liberal, por séculos, foi marcado por três grandes discriminações. A primeira grande discriminação era, ou é, a discriminação contra mulheres, que por séculos, mesmo nos países mais liberais, eram excluídas dos direitos políticos, não tinham nem o direito ao voto como do direito de ser eleita nos órgãos representativos, como por exemplo o Parlamento. E o primeiro grande país que eliminou a discriminação contra as mulheres foi a Rússia Revolucionária, apenas um ano depois, a Alemanha, após a Revolução de Novembro, vemos a eliminação da discriminação contra as mulheres, e ainda mais tarde, nos EUA. Em países como a Itália, se viu a superação dessa discriminação contra as mulheres apenas depois da derrota do Fascismo, apenas depois da Rezistenza, a resistência antifascista, com o papel do Partido Comunista. Com isso, não podemos entender a completa eliminação da primeira grande discriminação contra as mulheres, sem a contribuição dos comunistas e sem a contribuição da Revolução de Outubro.
A segunda grande discriminação é a discriminação censitária, a discriminação baseada na renda. Nesse caso também podemos ver as limitações da Democracia Liberal. Por muito tempo, ou por séculos, apenas os proprietários possuíam o direito de votar ou de serem eleitos. Os pobres não tinham tal direito. E essa segunda grande discriminação também foi eliminada em consequência da Revolução de Outubro e do Movimento Comunista Internacional. Se você considerar um país como a Grã-Bretanha, o país clássico do liberalismo, neste país, vemos essa segunda grande discriminação, e Lenin em seu Estado e Revolução, polemiza com essa discriminação censitária. E mesmo se considerarmos um país como a Itália, sim, vemos que a Segunda Câmara, ou a Primeira Câmara, este é o Senado, o Senado era o monopólio da aristocracia e da Grande Burguesia. O povo era excluído desta câmara através da lei, não apenas na prática, mas já era uma exclusão censitária realizada através da lei. É claro, após a Resistenza, após a grande luta onde os comunistas frequentemente foram os líderes, a situação mudou.
Mas talvez, a mais importante grande discriminação a ser considerada é a discriminação contra pessoas de origem colonial. E essa grande discriminação se manifesta sob duas formas diferentes. Se nós pegarmos um país como os EUA, claro, os negros não tinham direitos políticos, e tenho que acrescentar, não tinham nem direitos civis também. Sim, todos sabem que os negros eram excluídos dos transportes públicos, eram humilhados, mas talvez o mais importante, eles eram o alvo de justiçamentos, esses eram uma tortura contra os negros, e tortura que ao mesmo tempo era um espetáculo de massas. Havia anúncios na imprensa onde o povo era chamado a assistir esse “espetáculo”. Com isso, o povo negro era excluído não só dos direitos políticos, mas também dos direitos civis. Mas essa terceira grande discriminação se manifesta em outra forma. Os países onde o povo negro ou onde os povos coloniais eram a maioria, esses países não tinham o direito de serem países independentes. Eles eram colônias ou semicolônias. Esta terceira grande discriminação, nestas duas formas, foi eliminada com a decisiva contribuição do movimento comunista.
Agora, a primeira conclusão. Assim, temos que reconhecer não apenas os comunistas, mas uma historiografia correta, deve reconhecer que o movimento comunista, apesar de seus erros e até crimes, tem um papel crucial no processo de emancipação. E não temos razão para sermos niilistas com relação à nossa história. O Niilismo é apenas consequência da autofobia. É claro que esta autofobia tem sido cultivada pela ideologia dominante, mas os comunistas que seguem essa ideologia dominante são responsáveis por um tipo de capitulação ideológica, e a autofobia de algumas forças de esquerda ou alguns comunistas é um tipo de capitulação ideológica que só pode ser entendida como capitulação, e não como resultado de uma correta análise histórica.
NOVACULTURA.info: Aquilo que convencionou a se chamar de “revoluções coloridas”, que você descreve em seu livro sobre a não-violência e que ocorreram no Egito, Tunísia, Ucrânia, Líbia, podem ser consideradas uma parte da contrarrevolução colonial?
Losurdo: É claro, em minha opinião, se considerarmos a história após o triunfo do Ocidente na guerra fria, podemos ver uma sucessão de guerras. A primeira contra o Iraque, contra a Iugoslávia, a nova guerra contra o Iraque, a guerra contra a Líbia, a guerra contra a Síria. E o que tem essas guerras em comum? Os alvos dessas guerras sempre eram países com um passado de revoluções anticoloniais e antifeudais. Os alvos nunca eram por exemplo, a Arábia Saudita, ou as monarquias do Golfo. Os alvos nunca foram países que não tiveram revoluções antifeudais e anticoloniais. Os alvos eram países com esse passado anticolonial e antifeudal semelhante. É claro que essas revoluções anticoloniais e antifeudais possuíam seus elementos de fraquezas, erros, e tudo mais, mas eram revoluções anticoloniais e antifeudais.
E agora, essas guerras são guerras neocoloniais, é claro! Países foram destruídos. A Iugoslávia foi destruída, a Líbia foi destruída, a Síria foi destruída. E há inclusive um regresso reacionário, se considerarmos por exemplo, a condição das mulheres. Na Líbia, com a derrubada de Gaddafi, temos a reintrodução da poligamia. Eu não acredito que a poligamia seja a ampliação da liberdade da mulher, é claro que não. Mas essa é a consequência dessa guerra neocolonial. Essa guerra mirou países com essas revoluções antifeudais e anticoloniais no passado. É claro que essas guerras podem ser levadas a cabo de diferentes maneiras, e talvez o melhor caminho para o Imperialismo seja a desestabilização desses países desde dentro, e podemos ver muitos exemplos, na Líbia e na Síria também. Sobre a Síria, hoje a imprensa burguesa demoniza Assad, mas essa é apenas a ideologia da guerra. Nós só precisamos ler o texto do jornal “The Neoconservative Revolution”, no começo do século XXI, no mínimo dez anos antes da eclosão da dita Guerra Civil Síria. Se lermos esse texto, falam abertamente que Assad era o culpado por Israel e o culpado pelos Estados Unidos, e esse texto do Neo Conservative Revolution chama pela derrubada de Assad. E vemos a destruição da Síria, milhões de pessoas estão mortas ou desalojadas, estão condenadas a voar como refugiados, a condição das mulheres é terrível, não apenas vemos a reintrodução da poligamia, vemos a reintrodução da escravidão doméstica da mulher. E é essa a realidade.
Este “regime change”, essas revoluções coloridas, é claro, são golpes organizados a partir de Washington ou de Bruxelas, particularmente de Washington. E os Estados Unidos tentou dar um golpe na China também. Na China, a dita “Primavera chinesa”, em 1989, na praça de Tiananmen, foi uma tentativa de realização de uma revolução colorida na China. Se essa revolução colorida tivesse sido bem-sucedida na China, o país mais populoso do mundo, a catástrofe teria sido bastante grande, e nesse caso também você pode ver a hipocrisia do Ocidente Liberal.
NOVACULTURA.info: Para se referir a esse processo da condição das mulheres com a reintrodução da poligamia e da escravidão sexual oriundas das agressões imperialistas recentes, em seu livro “Esquerda Ausente” você usa o termo “contrarrevolução neocolonial e antifeminista”. Em outra obra sua, você afirma que a luta das mulheres e a opressão contra a mulher também são formas das lutas de classes. Pode nos falar um pouco sobre isso?
Losurdo: Sim, claro. Eu já falei da segunda forma da luta de classes. A primeira forma, é claro, é a luta de classes do proletariado e das classes populares contra a burguesia e contra o capitalismo. A segunda forma, eu já disse. Eu me referi ao Congresso de Baku, onde o lema que conclui o Manifesto Comunista “Proletários de todos os países, uni vos”, e o novo lema após o Congresso de Baku “Proletários de todos os países, e nações oprimidas de todo o mundo, uni vos”. Neste caso, Lenin identificou dois sujeitos revolucionários, o proletariado, é claro, e as nações oprimidas. Mas temos que falar de outro sujeito revolucionário. Neste caso, eu estou falando das mulheres. Isso não é surpreendente. Primeiro, podemos falar da segunda forma de luta de classes, a luta das nações oprimidas. Se considerarmos justamente como luta de classes a luta dos operários em fábricas por melhores condições de trabalho e de vida, por que deveríamos negar o caráter de luta de classes se um povo em São Domingo, Haiti faz sua revolução contra a escravidão e a escravização? É claro que isso é luta de classes!
E sobre as mulheres, é claro, as mulheres por muito tempo, por séculos, foram excluídas dos direitos políticos, e algumas vezes até mesmo dos direitos civis. Elas eram forçadas a trabalhar, mas apenas em locais muito ruins, onde as condições de trabalho fossem muito ruins. As mulheres eram excluídas dos melhores locais de trabalho. Elas não tinham nem o direito à universidade, por exemplo. É claro que essa luta das mulheres por emancipação é outra forma de luta de classes. A minha visão é bem clara, eu acredito que é a visão de Marx e Engels não apenas porque Engels disse que a opressão da mulher foi, e eu cito Engels, “a primeira opressão de classe”. Engels já havia falado sobre a luta das mulheres contra a opressão e contra a escravidão doméstica e afins, como uma forma de luta de classes. Não apenas por essa razão, se considerarmos a teoria marxista, nós podemos traçar essa conclusão. A exploração tem a ver com formas de divisões injustas do trabalho. Esta divisão injusta do trabalho pode ser considerada a âmbito internacional, os povos coloniais que são frequentemente escravos ou semi-escravo, esta divisão injusta do trabalho pode ser considerada a âmbito internacional, como já disse; a âmbito nacional, essa sendo o proletariado e outras classes exploradas pela burguesia; e esta divisão injusta do trabalho pode ser considerada dentro das relações entre homens e mulheres. Temos que compreender as formas que a divisão injusta do trabalho seja considerada em três diferentes âmbitos.
NOVACULTURA.info: Outro perigo de guerra constante da época atual é o perigo de guerra na Península Coreana, que vive constantemente sob provocações por parte das bases militares dos Estados Unidos. O que você pens sobre isso, ainda mais considerando que também é um país que realizou uma revolução anticolonial vitoriosa e edificou seu socialismo sob estas bases, e sendo o primeiro país a desferir um golpe no Imperialismo norte-americano?
Losurdo: Em minha opinião, toda a história da Guerra Fria foi, ao mesmo tempo, uma história da luta entre a emancipação anticolonial e a reação colonialista. E a Coreia foi protagonista de uma grande revolução anticolonial, e, é claro, os Estados Unidos, sob todas as formas, tentou sufocar esta revolução anticolonial. Do outro lado, não podemos nos permitir ignorar os erros dos líderes da Coreia do Norte. Eles estão certos em temer ser derrubados como Gaddafi ou Saddam Hussein foram derrubados, e nesse sentido eu concordo com você, o principal responsável pela situação extremamente perigosa na Península Coreana são os Estados Unidos, quanto a isso, não restam dúvidas. Mas talvez as respostas da liderança norte-coreana não seja sempre a correta, porque agora os Estados Unidos e o Japão têm o pretexto de militarizar toda a península ao instalar o aparato antimísseis, e neste caso os Estados Unidos e o Japão têm o pretexto de preparar a guerra contra a China também.
NOVACULTURA.info: Você pode enviar aos leitores de NOVACULTURA.info uma mensagem de solidariedade ao povo brasileiro, que assim como você enfatizou a revolução anticolonial mundial, a revolução brasileira também é uma revolução dirigida contra as classes dominantes submissas às potências imperialistas, principalmente dos Estados Unidos?
Losurdo: No final da Guerra Fria, os EUA tentaram reintroduzir a Doutrina Monroe na América Latina. Eles estavam muito confiantes que iriam derrubar Castro em Cuba, e consolidar a dominação colonial ou semicolonial em toda a América Latina. Como vocês sabem, a história se desenvolveu de maneira muito diferente, a rebelião contra a Doutrina Monroe foi muito disseminada, não apenas em Cuba, mas Brasil, Venezuela, Nicarágua. Mas agora podemos ver a tentativa dos Estados Unidos em reintroduzir a Doutrina Monroe, e neste sentido vemos a nova tentativa do colonialismo e do neocolonialismo, os EUA tentam até mesmo reintroduzir na América Latina o dito Consenso de Washington, que é o Consenso do Neoliberalismo.
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Fonte: NOVACULTURA.info


Para Domenico Losurdo, novo conflito mundial é possibilidade real

"A condução política de Washington corre riscos de provocar uma nova guerra mundial, que pode até atravessar o limiar nuclear", afirma à 'RBA' o filósofo italiano
por Redação RBA publicado 27/05/2017 12h59
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Losurdo: esquerda deve perceber que a luta contra o imperialismo é parte integral da luta de classes para emancipação
São Paulo – Depois que o fenômeno republicano e midiático Donald Trump assumiu o poder nos Estados Unidos e radicalizou o discurso contra as minorias e oponentes do imperialismo, algumas vozes têm dito que o mundo pode estar a caminho de um novo conflito mundial.
Essa é uma tese que soa falsa, dependendo da credibilidade ou fundamentação de quem a afirma, mas nas palavras do filósofo italiano Domenico Losurdo ela é real: "A condução política de Washington corre riscos de provocar uma nova guerra mundial, que pode até atravessar o limiar nuclear", afirma ele, em entrevista à RBA, para quem os conflitos atuais, que colocam o Ocidente em oposição aos países fora de sua lógica, nada mais são do que expressões do pensamento tradicional colonialista.
A falta de conhecimento de história, um problema sério no Brasil, mas que atinge praticamente todo o mundo ocidental sob o furor consumista e imediatista, permite que a mídia tradicional, sempre a favor do poder instituído e dos ditames do capital, destile seu discurso conservador com menos resistência e menos sentimento de indignação que ocorreriam à luz da memória dos fatos. É o que se esforça por mostrar Losurdo.
"A luta contra o neoliberalismo precisa estar unida à luta contra o colonialismo, neocolonialismo e imperialismo", afirma o filósofo, que nesta entrevista concedida por e-mail também desmonta a linguagem que se mostra como nova roupagem para antigos conceitos. "Atualmente, as guerras coloniais e neocoloniais são frequentemente realizadas em nome dos valores e interesses ocidentais", sustenta o professor, demonstrando que, historicamente, o século 20 se rebelou contra a colonização, mas agora corremos o risco do retrocesso.
Nesta entrevista, o leitor tem a oportunidade de verificar pelos menos dois pontos: como o colonialismo continua vivo, portanto, com outras denominações, e também como a luta de classes se expressa no enfrentamento do neoliberalismo sobre os velhos conceitos de dominação.
Como o senhor descreve o colonialismo hoje? É um tipo de luta de classes, por que?
Desde 1989, o Ocidente, liderado pelos Estados Unidos, desencadeou guerras contra Panamá, Iraque, Iugoslávia, Líbia e Síria. Apesar das diferenças entre as guerras, esses países têm duas características em comum: eles são importantes do ponto de vista da geopolítica e têm por trás deles uma revolução feudal e outra anticolonial. Na verdade, frente a essas guerras, os atacantes preferem falar de "operações políticas internacionais". Mas essa linguagem vem da tradição colonial.
No começo do século 20, o presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, uma referência do colonialismo, imperialismo e racismo, gostava de justificar suas intervenções na América Latina precisamente desse modo, referindo-se às "operações políticas internacionais".
É verdade para os dias atuais que os Estados Unidos e seus aliados e vassalos têm celebrado suas guerras como "humanitárias". E de novo somos levados de volta para a linguagem da tradição colonial. Em seu tempo, (o colonizador britânico) Cecil Rhodes (1853-1902) resumiu a filosofia do Império Britânico deste modo: "filantropia, mais 5%". Atualmente, as guerras coloniais e neocoloniais são frequentemente realizadas em nome dos valores e interesses ocidentais. "Filantropia" tornou-se "valores do Ocidente" e o percentual de 5%, tornou-se "interesses do Ocidente".
As guerras desencadeadas pelo imperialismo desde 1989 (depois da vitória na Guerra Fria) causaram dezenas de milhares de mortes; são centenas de milhares de feridos; milhões de refugiados; destruíram países e condenaram ao subdesenvolvimento e ao desespero muita gente. É óbvio que a luta contra essas calúnias é uma luta de classes pela emancipação. Marx apontou: a barbaridade do capitalismo é manifestada primeiro nas colônias; por isso, a luta contra a dominação colonial e semicolonial é uma luta de classes por excelência.  
O senhor publicou no Brasil o livro "Esquerda Ausente". Qual o papel dos partidos de esquerda e dos movimentos sociais nos dias de hoje? Como eles podem se organizar?
Não pode ser considerado realmente de esquerda um partido ou força política que se limite a combater o neoliberalismo. Esta é a questão central. A luta contra o neoliberalismo precisa estar unida à luta contra o colonialismo, neocolonialismo e imperialismo. Especialmente em um momento como o presente. A condução política de Washington corre riscos de provocar uma nova guerra mundial, que pode até atravessar o limiar nuclear. Muitos observadores, incluindo os conservadores, destacam um ponto essencial: por algum tempo, o foco central da política externa norte-americana se ateve à habilidade de infligir uma 'primeira ação nuclear sem consequências' (para isso, sistemas antimísseis foram instalados nas fronteiras entre Rússia e China). Bom, a esquerda deve perceber que a luta contra o imperialismo, contra essa política de dominação e contra a guerra é uma parte integrante da luta de classes para emancipação.
No Brasil, o Congresso Nacional aprovou uma lei que congela e reduz o investimento em setores sociais para os próximos 20 anos. Outros direitos trabalhistas e sociais estão ameaçados. Qual pode ser o impacto dessas decisões para a democracia brasileira?
Ainda nos anos 1970, Friedrich August von Hayek, o patriarca do neoliberalismo, pediu o expurgo da Carta de Direitos sancionada pela ONU (direitos como à vida, ao trabalho, à saúde, educação etc.). Em sua cruzada contra o Estado de bem-estar social, Hayek não se referiu a problemas de orçamento; ele não se referiu a dificuldades econômicas. Não, para o patriarca do neoliberalismo, direitos sociais e econômicos deveriam ser eliminados pelo fato de que, a seus olhos, eles eram resultado de ruínas das influências exercidas, mesmo no Ocidente, pela "Revolução Marxista Russa", nome pelo qual chamava a Revolução de Outubro. Na Europa e no Ocidente, após o enfraquecimento dos desafios do movimento comunista, a burguesia tratou de desmantelar o Estado de bem-estar social.
A contrarrevolução neoliberal também é perceptível no Brasil e na América Latina. Sem dúvida, o desmantelamento do Estado de bem-estar social acaba minando a democracia em si. Alguns analistas e autores, mesmo liberais, afirmam que a democracia norte-americana foi substituída por uma plutocracia, que é o domínio do Estado pelas grandes corporações. Para citar Joseph Stiglitz, economista norte-americano e Nobel de economia: "Em um país dominado pelo capital, desigualdades econômicas se traduzem em desigualdades políticas".
Como o senhor avalia a perseguição sofrida por Lula pela Operação Lava Jato? Acredita em similaridades no processo de investigação entre a Lava Jato e a operação Mãos Limpas na Itália? Quais as principais? E qual a sua opinião sobre o impeachment da Dilma Rousseff, foi um golpe de Estado?
Para impor seu império global, o imperialismo norte-americano utiliza de recursos como guerras, golpes de Estado e operações de mudanças de regimes. Os golpes e as alterações nos regimes podem assumir diversas formas. Em 2002, Hugo Chávez, eleito pelo povo da Venezuela, foi deposto por um golpe tradicional, prontamente endossado e legitimado por Washington. Mas vejamos como, um ano após a chamada "Revolução Rosa", na Geórgia, foi imposta uma mudança de regime, tornando o governo vassalo do poder norte-americano. Eu mesmo avalio a reconstrução feita por uma revista francesa autoritária de geopolítica (Hérodote):
"A corrupção do regime se apresenta em todos os aspectos. Se necessário, não hesitando em mentir. Em meados de novembro, algumas revistas alemãs afirmaram que  Eduard Shevardnadze (líder no poder na Geórgia até então) comprou uma propriedade luxuosa na cidade de Baden Baden, no sul da Alemanha. De acordo com o 'Bild' (jornal alemão de ampla circulação) o valor da residência ultrapassa os 11 milhões de euros. A informação não é confirmada. Quem se importa? A notícia é muito boa e o Roustavi 2:24 Saati (televisão romena) exibiu uma imagem de uma casa imensa que pode ser localizada realmente na Alemanha, ou em qualquer outro lugar no mundo. Mais tarde, viemos a saber de uma das fontes de informação que a foto exibida havia sido escolhida de modo aleatório da internet."
Mesmo uma causa nobre (o combate à corrupção), pode servir como pretexto para um golpe de Estado. O manual quase oficial que o Departamento de Estado utiliza para promover mudanças de regimes (G. G. Sharp, From Dictatorship to Democracy. A Conceptual Framework for Liberation, 1993, The Alber Einstein Institution, Boston) recomenda explicitamente a promoção de mobilizações de objetivos aparentemente não políticos, mas com forte presença do sentimento da população.
É possível dizer que estamos assistindo a um avanço conservador no mundo? O neoliberalismo está crescendo? Como as organizações progressistas deveriam atuar?
A situação é mais complexa. Para entender o mundo de hoje, nós precisamos levar em conta que existem dois processos contraditórios. No Ocidente, a burguesia, encorajada pelo fim da União Soviética e pela crise do movimento comunista na Europa, desmantelou o Estado de bem-estar e conduziu um crescente número de trabalhadores para o desemprego, precariedade do trabalho, para a austeridade, baixos salários e miséria. Ou seja, na Europa e no Ocidente a desigualdade entre a minoria privilegiada e a vasta maioria da população está constantemente crescendo. Agora vamos olhar para fora da Europa e do Ocidente: num país como a China, centenas e centenas de milhões de pessoas estão livres da fome e da miséria, e começam a ter acesso ao Estado de bem-estar.
Especialmente em tempos recentes, a China tem experimentado um rápido crescimento também em termos de tecnologia e está quebrando o monopólio hi-tech que até recentemente pertencia ao Ocidente. Em outras palavras, no capitalismo ocidental a desigualdade e a polarização social estão crescendo. No nível global, a vantagem econômica, tecnológica e militar que por séculos permitiu ao Ocidente dominar, escravizar e dizimar o resto do mundo está falhando. Em especial o superpoder do capitalismo e do imperialismo norte-americano não pode aceitar esse segundo processo. Por isso, as muitas guerras coloniais e neocoloniais e a preparação para uma guerra em larga escala contra a China e Rússia, que sob Yeltsin se tornou ou esteve perto de se tornar uma semicolônia do Ocidente.
No seu livro Guerra e Revolução (Boitempo Editorial) o senhor analisa o conceito de revisionismo, argumentando que ele nos leva de volta ao colonialismo. Poderia explicar como o revisionismo opera e nos dar alguns exemplos?
Imediatamente após a vitória alcançada na Guerra Fria, o Ocidente tem celebrado o colonialismo explicitamente. Pense no filósofo mais ou menos oficial do Ocidente e da "sociedade aberta". Eu me refiro ao K. R. Popper, em 1992, com a referência para as ex-colônias, que proclamou: "Nós libertamos esses Estados rapidamente e de forma simples; é como dar-se um jardim de infância". Para aqueles que ainda não entenderam, um ano depois o The New York Times Magazine, o suplemento de domingo do principal jornal dos EUA, não poderia conter seu entusiasmo no título de um artigo escrito por um historiador britânico de sucesso (P. Johnson): "Colonialismo está de volta e não é um período breve".
Um dos historiadores de maior sucesso hoje, N. Ferguson, defende o estabelecimento de um escritório colonial norte-americano, como o estabelecido pelo Império Britânico. Junto com o colonialismo, os ideólogos do Ocidente também celebram o imperialismo. Em 1999, enquanto a Otan bombardeou, destruiu e desmembrou a Iugoslávia, um expoente bem conhecido do neoconservadorismo norte-americano (R. D. Kaplan) escreveu: "Somente o imperialismo ocidental, embora pouco se atrevam a chamá-lo pelo nome, pode agora unir a Europa e salvar os Balcãs do caos".
Alguns anos depois, em março-abril de 2002: Foreign Affairs, uma revista parceira do Departamento de Estado norte-americano, com seu título e com o artigo de abertura (encomendado a S. Mallaby), convidou todos a reconhecer os fatos: "a lógica do imperialismo" ou "neo-imperialismo" era "demasiado rigorosa"; ninguém poderia contê-lo.
Ainda hoje, o historiador de maior sucesso dos dois lados do Atlântico, N. Ferguson, olhando para Washington, elogia o "poder magnânimo mais poderoso que jamais existiu".
Compreende-se então a antifúria. Já na época da conquista do poder, Lênin chamou os "escravos da colônia" para quebrarem suas correntes. E, na verdade, promovida e inspirada pela Revolução de Outubro, uma grande revolução anticolonial se desenvolveu no século 20 em todo o mundo, causando uma crise na Doutrina Monroe da América Latina. Na ideologia dominante, por outro lado, a reabilitação do colonialismo e do imperialismo vai de mãos dadas com a demonização da Revolução de Outubro. Esta é a essência do revisionismo histórico.

Colaboraram: Gabriel Valery, Helder Lima e Sarah Fernandes

o tempo das cerejas 2: Ainda os horrendos crimes dos franquistas

o tempo das cerejas 2: Ainda os horrendos crimes dos franquistas: Jamais esquecidos e jamais perdoados para quem tiver estômago, mais aqui

Barcelona: culpados e responsáveis

«Estes atentados vieram para ficar. A sua origem espúria encontra-se nas ações das chamadas tropas aliadas do Ocidente, encabeçadas pelos Estados Unidos, que invadiram países como o Afeganistão, o Iraque, a Líbia, fomentaram guerras na Síria e desestabilizaram governos considerados inimigos.
(…) Barcelona deve fazer-nos refletir e evitar as declarações pomposas e propagandísticas que falam do triunfo do Ocidente. A guerra não é religiosa, mas geopolítica, pelo controlo das matérias-primas e da dominação imperialista.

Às 12 horas da última sexta-feira, 18 de agosto, Espanha entrou em catarse. Em todos os municípios do Estado espanhol se convocaram atos de repulsa contra os atentados terroristas que abalaram Barcelona e Cambrils. Duas furgonetas conduzidas por jovens, cujas idades oscilam entre os 17 e os 30 anos, investiram contra passeantes com um intervalo de horas. Em Barcelona 14 vítimas mortais e mais de 100 feridos; em Cambrils, os cinco terroristas foram abatidos pela polícia autónoma. O modus operandi foi decalcado dos ocorridos em Londres e Paris. Enquanto se fazia silêncio em Barcelona, de forma espontânea, os presentes gritaram a frase: Não tenho medo! Uma forma de forma de mostrar confiança, de recuperar o curso da rotina, começar o luto e honrar as vítimas. Lamentavelmente nada parece indicar que o medo tenha desaparecido. Conscientes, talvez, da gravidade da situação, a sua declamação corresponde a uma necessidade de contraditar o inevitável.
Estes atentados vieram para ficar. A sua origem espúria encontra-se nas ações das chamadas tropas aliadas do Ocidente, encabeçadas pelos Estados Unidos, que invadiram países como o Afeganistão, o Iraque, a Líbia, fomentaram guerras na Síria e desestabilizaram governos considerados inimigos. Que outro sentido têm as palavras de Mariano Rajoy afirmando que combaterão sempre os que desejem destruir a nossa forma de vida e os nossos valores? Ou melhor ainda, quando sublinha rotundamente que o problema é global e a batalha contra o terrorismo está ganha. Por outras palavras, o Ocidente considera-se dono do mundo e os Estados Unidos proclamam-se defensores de valores que, dizem, lhes pertencem por direito próprio. Até o mesmíssimo Donald Trump, que não tem pudor na hora de proteger os amigos do KKK e, na passada, de promover intervenções militares à esquerda e à direita, mostra o seu pesar e condena os atentados de Barcelona.
A espiral do medo e o terrorismo jhiadista doeram até ao osso. Não importa que as medidas implementadas pelos aparelhos de segurança e os governos publicitem a normalidade. Apesar dos controlos, da colaboração das comunidades muçulmanas, da vigilância dos pontos sensíveis e do apoio dos governos amigos, é pouco provável que estes atentados deixem de acontecer. A origem é a causa do problema, e enquanto ela for escondida será impossível que desapareça no curto ou no médio prazos.
Sabemos que os culpados são os que cometem o delito, mas os responsáveis moram na Casa Branca, no Pentágono, no nº 10 de Downing Street, no Palácio do Eliseu ou na sede da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), em Bruxelas, para referir apenas alguns. Não há que estranhar: a União Europeia e os Estados Unidos da América foram os causadores do novo terrorismo que assola as suas cidades. O resto é atirar bolas ao ar.
Nada faz pensar que a realidade possa ser revertida. O chamado Estado Islâmico (Isis) está assente, expandiu-se e tem os seus fundamentos nas invasões do Iraque e da Líbia, países destruídos e desarticulados enquanto estados, reduzidos a reinos de bandos, onde o controlo político pelas tropas do Isis possibilitou a conquista de cidades, a proclamação do Estado Islâmico. E não nos esqueçamos da guerra da Síria, recriada a partir dos centros de poder de Washington. Estas agressões não passaram despercebidas aos olhos da comunidade muçulmana e dos povos árabes. Os ataques às Torres Gémeas, o 11 de setembro de 2001, foi o culminar da privação e marcou o ponto de inflexão. Sob a declaração de guerra contra o terrorismo islâmico confundiu-se, manipulou-se e apresentou-se uma cultura milenar e uma religião, a muçulmana, como a causa de todos os males do mundo. A declaração de guerra contra o terrorismo islâmico pela administração de George W. Bush foi o erro que nos coloca em Barcelona.
Para muitos jovens, filhos e netos de muçulmanos residentes em França, Bélgica, Alemanha ou Espanha, as políticas fomentadas ou apoiadas pelos governos, criminalizando o islão e os seus seguidores, são a fonte do conflito. A falta de oportunidades, o desemprego, a marginalidade e a sobre-exploração coadjuvam na criação desse mal-estar contra a sociedade de consumo, identificada com a decadência da moral ocidental e o capitalismo.
O Isis apoia-se nestas condicionantes para somar adeptos e mártires nas suas fileiras. Um apelo para milhares de jovens muçulmanos que rejeitam a dominação militar e decidem lutar contra o invasor. O dilacerador é a identificação do objetivo com a necessidade de causar a maior dor, dilacerando e pondo em questão os próprios valores da vida. O inimigo não tem sexo nem idade e carece de humanidade. Barcelona deve fazer-nos refletir e evitar as declarações pomposas e propagandísticas que falam do triunfo do Ocidente. A guerra não é religiosa, mas geopolítica, pelo controlo das matérias-primas e da dominação imperialista.
* Académico, sociólogo, analista político y ensayista chileno-español nascido en Santiago de Chile, en 1955. Exilado em Espanha desde a ditadura de Augusto Pinochet
http://www.jornada.unam.mx/2017/08/19/opinion/020a1mun
Tradução de José Paulo Gascão
in ODiario.info

domingo, 20 de agosto de 2017



«A grande fome na Ucrânia»

Historiadora
contra historiador-cronista


Na sua crónica de hoje no «Público». citando um livro, Rui Tavares refere que nele se conta «como as técnicas de assassinato em massa foram primeiro experimentadas nesta zona da Europa por Estaline na Grande Fome da Ucrânia , entre 1930-33»

Por hoje, não venho tomar posição mas apenas facultar a informação de que esta tese já foi repetida milhares de vezes mas tem contestação. Nesse sentido, só venho facultar aos leitores que não os conheçam os textos de sentido contrário da historiadora francesa Annie Lacroix-Riz (antiga aluna da École normale supérieure (Sèvres),  agregada de história, Doutora em Letras. Prof. de História Contemporânea na UYnierdidade Paris II- Denis Diderot).

Diz a Wikipédia :

«La controverse sur l’Holodomor

Dans une « présentation critique de documents originaux »34 sur l’ « extermination par la faim » en Ukraine en 1933 (Holodomor en ukrainien), diffusée à ses étudiants en 200435 mise à jour36 et complétée37 en 2008, Lacroix-Riz conteste la présentation de cette famine comme résultant d’une intention « génocidaire » du pouvoir soviétique, préférant y voir « une sérieuse disette conduisant à un strict renforcement du rationnement »35, qui « résultait de phénomènes naturels et sociopolitiques »37. Elle s’appuie notamment sur les analyses de Wheatcroft et Davies38, qui, selon Mark Tauger, « réfutent décisivement les explications intentionnalistes »39. Elle dénonce une « opération de propagande », « un bobard » et préfère évoquer « une sérieuse disette conduisant à un strict renforcement du rationnement »40. Elle reprend à son compte l’analyse de Douglas Tottle (en) (selon lequel le Holodomor est une création « frauduleuse » de « propagandistes nazis »41), dont elle considère l’ouvrage « essentiel »36,42. Ses articles sur ce sujet furent au cœur d’une importante controverse.
À propos de la famine en Ukraine de 1932-33, elle écrit : « L’URSS a connu en 1932-1933 une sérieuse disette conduisant à un strict renforcement du rationnement, pas une famine et en tout cas pas une famine à “six millions de morts”… » et dénonce une « opération de propagande », un « bobard », une « campagne de presse43 ». Cet article a suscité en 2006 de vives réactions, dans les associations de la diaspora ukrainienne, dont le Congrès mondial ukrainien44. À la suite de ces propos, une association d’Ukrainiens, soutenue par l’historien Stéphane Courtois, a organisé une pétition pour « appeler les plus hautes autorités de l’État à tout mettre en œuvre pour lutter contre le révisionnisme stalinien », que l’on peut interpréter comme une demande de suspension comme professeur d’université. Il s’en est suivi une contre-pétition, dont les premiers signataires sont principalement des communistes dits orthodoxes45.
Dans une interview de septembre 200746, interrogée par Daniel Laurent sur l’éventuelle dimension négationniste de son démenti du génocide stalinien en Ukraine, l’historienne réplique en accusant ses contradicteurs de vouloir surtout dédouaner les « autonomistes » ukrainiens, antisémites auxiliaires des Einsatzgruppen :
« Qu’on cesse de prendre les criailleries des associations “ukrainiennes” ou présumées telles pour des propos scientifiques. Ce que celles-ci me reprochent, et elles l’avouent dans leurs sites, c’est avant tout de montrer, dans divers travaux, publiés, eux, tel Le Vatican, l’Europe et le Reich, que les mouvements “autonomistes” ukrainiens dépendaient financièrement de Berlin bien avant la Deuxième Guerre mondiale, qu’ils ont contribué à l’extermination des juifs et des Russes d’URSS (Raul Hilberg l’a exposé avant moi et plus longuement) et que Szepticky, évêque de Lemberg (autrichienne) puis Lwow (polonaise), a été le soutien de la stratégie autrichienne puis allemande en et contre la Russie, tsariste puis bolchevique, depuis les premières années du XXe siècle, sous l’égide du Vatican. Qu’il ait béni la division nazie “Galicia”, et que les « autonomistes » ukrainiens aient participé en masse aux massacres de juifs et de Russes aux côtés de l’occupant allemand sont des affirmations qui rendent les associations “ukrainiennes” hystériques. Elles reposent sur des faits établis. »
ver também (em inglês)
La campagne internationale sur “La famine en Ukraine”, de 1933 à nos jours, par Annie Lacroix-Riz from Les Films de l’An 2 on Vimeo.

Este artigo encontra-se em: o tempo das cerejas 2 http://bit.ly/2wVYhkW

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Um documento que ajuda a esclarecer a ideologia e o programa de Trump



UNDER THE BANNER OF BANNON

What Steve Bannon really wants


Obsession
"America First"
What does Donald Trump want for America? His supporters don’t know. His party doesn’t know. Even he doesn’t know.
If there is a political vision underlying Trumpism, however, the person to ask is not Trump. It’s his éminence grise, Stephen K. Bannon, the chief strategist of the Trump administration.
Bannon transcended his working-class Virginia roots with a stint in the Navy and a degree from Harvard Business School, followed by a career as a Goldman Sachs financier. He moved to Los Angeles to invest in media and entertainment for Goldman, before starting his own investment bank specializing in media. Through a combination of luck (a fallen-through deal left him with a stake in a hit show called Seinfeld) and a knack for voicing outrage, Bannon remade himself as a minor luminary within the far edge of right-wing politics, writing and directing a slew of increasingly conservative documentaries.
Bannon’s influence reached a new high in 2012 when he took over Breitbart News, an online news site, following the death of creator Andrew Breitbart. While at Breitbart, Bannon ran a popular talk radio call-in show and launched a flame-throwing assault on mainstream Republicans, embracing instead a fringe cast of ultra-conservative figures. Among them was Trump, a frequent guest of the show. They established a relationship that eventually led Bannon to mastermind Trump’s populist romp to the White House, culminating in his taking the administration’s most senior position (alongside the chief of staff, Reince Priebus).
It’s impossible to know for sure what Bannon will do with his newfound power; he honors few interview requests lately, ours included. (The White House did not respond to our request to speak with Bannon.) But his time as a conservative filmmaker and head of Breitbart News reveals a grand theory of what America should be. Using the vast amount of Bannon’s own publicly available words—from his lectures, interviews, films and more—we can construct elements of the vision for America he hopes to realize in the era of Trump.

The three tenets of Bannonism

Bannon’s political philosophy boils down to three things that a Western country, and America in particular, needs to be successful: Capitalism, nationalism, and “Judeo-Christian values.” These are all deeply related, and essential.
America, says Bannon, is suffering a “crisis of capitalism.” (He uses the word “crisis” a lot—more on that later.) Capitalism used to be all about moderation, an entrepreneurial American spirit, and respect for one’s fellow Christian man. In fact, in remarks delivered to the Vatican in 2014, Bannon says that this “enlightened capitalism” was the “underlying principle” that allowed the US to escape the “barbarism” of the 20th century.
Since this enlightened era, things have gradually gotten worse. (Hence the “crisis.”) The downward trend began with the 1960s and ’70s counterculture. “The baby boomers are the most spoiled, most self-centered, most narcissistic generation the country’s ever produced,” says Bannon in a 2011 interview.
He takes on this issue in more detail in Generation Zero, a 2010 documentary he wrote and directed. The film shows one interviewee after another laying out how the “capitalist system” was slowly undermined and destroyed by a generation of wealthy young kids who had their material needs taken care of by hardworking parents—whose values were shaped by the hardship of the Great Depression and World War II—only to cast off the American values that had created that wealth in the first place. This shift gave rise to socialist policies that encouraged dependency on the government, weakening capitalism.
Eventually, this socialist vision succeeded in infiltrating the very highest levels of institutional power in America. “By the late 1990s, the left had taken over many of the institutions of power, meaning government, media, and academe,” says Peter Schweizer, a writer affiliated with Bannon’s Government Accountability Institute, a conservative think tank, in Generation Zero. “And it was from these places and positions of power that they were able to disrupt the system and implement a strategy that was designed to ultimately undermine the capitalist system.” (As he says “undermine the capitalist system,” the film zooms in on the word “Lucifer” in that now-infamous epigraph from Saul Alinsky.)
Underlying all of this is the philosophy of Edmund Burke, an influential 18th-century Irish political thinker whom Bannon occasionally references. In Reflections on the Revolution in France, Burke presents his view that the basis of a successful society should not be abstract notions like human rights, social justice, or equality. Rather, societies work best when traditions that have been shown to work are passed from generation to generation. The baby boomers, Bannon says in a lecture given to the Liberty Restoration Foundation (LRF), failed to live up to that Burkean responsibility by abandoning the tried-and-true values of their parents (nationalism, modesty, patriarchy, religion) in favor of new abstractions (pluralism, sexuality, egalitarianism, secularism).
For both Burke and Bannon, failure to pass the torch results in social chaos.


Steve Bannon, appointed chief strategist and senior counselor to President-elect Donald Trump, arrives for the Presidential Inauguration of Trump at the US Capitol in Washington, DC, January 20, 2017.
Bannon at Trump’s inauguration. (AFP Photo/Pool/Saul Loeb)

The new liberal order

Once in power, the liberal, secular, global-minded elite overhauled the institutions of democracy and capitalism to tighten its grip on power and the ability to enrich itself. The “party of Davos,” as Bannon long ago dubbed this clique, has warped capitalism’s institutions, depriving middle classes everywhere of the wealth they deserve.
This pattern of exploitation came to a head in the 2008 global financial and economic crisis. Wall Street—enabled by fellow global elites in government—spun profits out of speculation instead of investing their wealth in domestic jobs and businesses. When the resulting bubble finally burst, the immoral government stuck hardworking American taxpayers with the bailout bill.
This is the kind of thing that led Bannon to say in that 2011 LRF lecture that there is “socialism for the very wealthy.” The rest of the country, he says, is “common sense, practical, middle-class people.”
There is also “socialism for the very poor,” he adds. “We’ve built a welfare state that is completely and totally unsupportable, and now this is a crisis.”
Bannon wants all of this liberal-sponsored “socialism” to end. He celebrates CNBC host Rick Santelli’s famous 2009 tirade about “those who carry the water and those who drink the water,” which sparked what became the Tea Party, a populist movement focused on tax cuts, fiscal scrimping, and a narrow interpretation of constitutional rights. Channeling the spirit of the Tea Party, Bannon blames Republicans as much as Democrats for taking part in cronyism and corruption at the expense of middle class families.
“We don’t really believe there is a functional conservative party in this country and we certainly don’t think the Republican Party is that,” says Bannon in a 2013 panel in which he discusses Breitbart’s vision. “We tend to look at this imperial city of Washington, this boomtown, as they have two groups, or two parties, that represent the insiders’ commercial party, and that is a collection of insider deals, insider transactions and a budding aristocracy that has made this the wealthiest city in the country.”
In short, in Bannonism, the crisis of capitalism has led to socialism and the suffering of the middle class. And it has made it impossible for the current generation to bequeath a better future to its successors, to fulfill its Burkean duty.

Judeo-Christian values

So what exactly are these traditions that Americans are meant to pass along to future generations? In addition to “crisis of capitalism,” one of Bannon’s favorite terms is “Judeo-Christian values.” This is the second element of his theory of America.
Generation Zero, Bannon’s 2010 documentary, has a lot to say about “American values,” and a lot of this matches closely the ideals of the Tea Party. But since 2013 or 2014, Bannon’s casual emphasis on American values has swelled to include a strong religious component. The successful functioning of America—and Western civilization in general—depends on capitalism, and capitalism depends on the presence of “Judeo-Christian values.”
For Bannon, capitalism was not only responsible for bringing the US out of the war successfully; it also brought about the restoration of Europe and the Pax Americana that followed, he explains in his 2014 speech to the Vatican conference. But capitalism alone is not enough. Unmoored from a Judeo-Christian moral framework, capitalism can be a force of harm and injustice—exemplified by the US’s economic decline.
To restore the health of America’s economy and patch its shredded social fabric, Bannon wants capitalism to be re-anchored by the Judeo-Christian values he believes made the country great throughout its history. This shared morality ensures that businesses invest not just for their own benefit, but also for the good of native workers and future generations.
As in Burke’s view, human rights and civil society do not come from anything abstract, but from tradition. For Bannon, this tradition is God; nation-states that establish people as the arbiters of truth and justice will ultimately give way to tyranny. The “ultimate check on the power of the state is God’s teaching,” says Duck Dynasty’s Phil Robertson in Torchbearer, the 2016 documentary that Bannon co-wrote, directed and produced. The film is full of Robertson offering similar aphorisms about how society falls apart without a religious foundation.
It’s important to note that “Judeo-Christian values” does not necessarily seem to require that all citizens believe in Christianity. Bannon doesn’t appear to want to undo the separation of church and state or freedom of religion enshrined in America’s constitution. After all, both of these are traditions that have led America to success in the past. What he believes is that the founding fathers built the nation based on a set of values that come from the Judeo-Christian tradition.
In order to make sure the whole country is on board with these values, it must limit or halt the influx of people who do not share them by rallying around nationalism. And it is through this final ingredient—the primacy of the nation-state’s values and traditions—that America can drive a stake through the heart of the global, secular “establishment.”

Nationalism

In addition to enriching themselves and encouraging dependency among the poor, global elites also encourage immigrants to flood the US and drag down wages. Immigrant labor boosts the corporate profits of globalists and their cronies, who leave it to middle-class natives to educate, feed, and care for these foreigners. The atheistic, pluralist social order that has been allowed to flourish recoils at nationalism and patriotism, viewing them as intolerant and bigoted. Without the moral compass of our forefathers, the system is so adrift in relativism that it champions the “rights” of police-hating deadbeats, criminal aliens, and potential terrorists over ordinary Americans, turning cities into hotbeds of violence and undermining national security. As one interviewee declares in Border War: The Battle over Illegal Immigration, another of Bannon’s documentaries, “The right sees [undocumented immigrants] as cheap labor, the left sees this as cheap votes.”


Bannon, Republican presidential candidate Donald Trump's campaign chairman, attends Trump's Hispanic advisory roundtable meeting in New York, Saturday, Aug. 20, 2016.
The ideologist. (AP/Gerald Herbert)
Mired in near-zero growth and financial chaos, the European Union epitomizes the catastrophic fate of a globalist system governed by elites who are not accountable to the citizens that elected them.
“[P]eople, particularly in certain countries, want to see the sovereignty for their country, they want to see nationalism for their country,” Bannon says in the Vatican speech. “They don’t believe in this kind of pan-European Union or they don’t believe in the centralized government in the United States.”
Nationalism, then, is the mechanism through which Judeo-Christian traditions and values become part of society. That’s because nationalism is fully inclusive, in the sense that it invites people of different backgrounds to unite under a common “American” sense of self. It dissolves minority identities—leading to the emphasis on “colorblindness” of “all lives matter” and opposition to affirmative action. This shared set of Judeo-Christian, nationalist values prevents minorities from claiming special rights. For instance, Generation Zero blames the 2007 housing collapse on “black victimization” that undermined capitalism and encouraged dependency on the government. At the same time, Torchbearer celebrates Dr. Martin Luther King Jr. as a paragon of traditional American morality because his view of human rights was based in Christianity.
The liberal elite’s pervasive emphasis on pluralism and minority rights—and its financial and political support of these groups—constrains shared American-ness. This erosion of Judeo-Christian nationalism weakens the country. Again, this applies not just to America, but also to other Western countries. As Bannon declares at a 2016 South Carolina Tea Party convention, the “swells, the investment bankers, the guys from the EU” are the “same guys who have allowed the complete collapse of the Judeo-Christian West in Europe.”
People who do not sign off on this set of shared values should not be welcome in the US. This logic forms the basis of Bannon’s opposition to immigrants, whose lack of democratic “DNA,” he believes, will harm society.
“These are not Jeffersonian democrats,” Bannon said last year, referring to immigrants heading from Muslim majority countries to Europe, USA Today reported. “These are not people with thousands of years of democracy in their DNA coming up here.” That rationale might justify closing the borders to immigrants from Latin America, even though they are usually devout Catholics.

A theory of generations

The crisis of capitalism and the undermining of the Judeo-Christian West that Bannon proclaims in his Vatican lecture is not an isolated event. It is, in his view, one of a repeated cycle of crises that occurs periodically, each of which inevitably culminates in war and conflict on a grand scale.
“This is the fourth great crisis in American history,” he says in the speech to the LRF. “We had the revolution, we had the Civil War, we had the Great Depression and World War II. This is the great Fourth Turning in American history.”
What he is getting at here is based on the work of Neil Howe and William Strauss, two amateur historians who in the 1990s presented a “generational theory” of American history. The theory views American history through the lens of repeated cycles lasting roughly 80 years, about the length of a single lifetime. Within each 80-year cycle, say Howe and Strauss, are four “turnings”—periods of around 20 years that are characterized by a particular mood. These four moods are the “high,” “awakening,” “unraveling,” and, finally, “crisis.”
The theory is too vague to be proven wrong, and has not been taken seriously by most professional historians. But it is superficially compelling, and plots out to some degree how America’s history has unfolded since its founding.
It’s also clear how the generational theory fits with Bannon’s view that the slow erosion of Judeo-Christian values has been bad for the country. The most recent cycle, according to Howe and Strauss, went from the “high” of the postwar era—a time of which Bannon is particularly fond—to an “awakening” of activism in the ’60s, followed by an “unraveling” of institutions and shared values thanks to the individualism brought on by the preceding “awakening.” That brings us to the current crisis, the great “Fourth Turning,” following the American Revolution, Civil War, and the Great Depression/World War II.

How to solve the crisis: Large-scale conflict

“Turnings” feature very heavily in Generation Zero. “Turnings are like the seasons—every turning is necessary,” says historian David Kaiser in the documentary, over stock footage of clocks ticking, suns rising, and butterflies emerging. “Cities are founded, cities collapse. States rise, states fall,” he continues.
What exactly is the current crisis? Bannon’s view on it has evolved. In 2010, he appears to have regarded it as the result of the debt racked up in the 2000s and the 2008 financial crisis.
“This accumulated debt at all levels of our society poses an immediate existential threat to America,” he says in a 2010 speech in New York City. “Now unlike the manufactured crises of global warming and healthcare, this is a true crisis. This crisis threatens the very sovereignty of our country.”
And in the 2011 LRF lecture, when Bannon declares the US faces the “fourth great crisis in American history,” he still seems to suggest that it consists largely of the global financial crisis that began in 2008.
But there’s more to it than that. Comparing the current crisis to events like the Revolutionary War and World War II, Bannon appears to believe that the US is heading inevitably toward violent conflict. This interpretation is backed up by other statements from and about Bannon.
David Kaiser, the historian interviewed in Generation Zero and also a proponent of the Strauss-Howe theory, recently recounted his conversation with Bannon, including Bannon’s militaristic interpretation of the theory, in Time:
A second, more alarming interaction didn’t show up in the film. Bannon had clearly thought a long time both about the domestic potential and the foreign policy implications of Strauss and Howe. More than once during our interview, he pointed out that each of the three preceding crises had involved a great war, and those conflicts had increased in scope from the American Revolution through the Civil War to the Second World War. He expected a new and even bigger war as part of the current crisis, and he did not seem at all fazed by the prospect.
Let’s follow the logic of this generational theory for a second: If a “high” only comes after a “crisis,” and if a “crisis” must necessarily be an increasingly large-scale war, Bannon is left searching for a major, existence-level enemy. Does the “Party of Davos” alone qualify? Who else could this war be fought against?
In the 2014 Vatican lecture, Bannon goes further. “I think we are in a crisis of the underpinnings of capitalism, and on top of that we’re now, I believe, at the beginning stages of a global war against Islamic fascism,” he says. Bannon adds:
“This may be a little more militant than others…I believe you should take a very, very, very aggressive stance against radical Islam…. See what’s happening, and you will see we’re in a war of immense proportions.”

Bannon’s “global war against Islamic fascism”

The fourth great civilizational showdown—a “global existential war,” as Bannon describes it in July 2016—pits the “Judeo-Christian West” against “Islamic fascism”—especially ISIL. But the threat isn’t necessarily limited to ISIL.
Bannon’s remarks and his affiliations with anti-Muslim activists like Pamela Geller and Robert Spencer leave the impression that the enemy might well be Islam in general. As Breitbart notes in 2014, the “erudite Bannon” entertains the argument that Islam’s “war” against Christianity “originated almost from [Islam’s] inception.” He endorses the view that, in the lead-up to World War II, Islam was a “much darker” force facing Europe than fascism. Other ideas he has supported include: a US nonprofit focused on promoting a favorable image of Muslims is a terrorist front; the Islamic Society of Boston mosque was behind the 2013 Boston Marathon bombing; and Muslim-Americans are trying to supplant the US constitution with Shariah law.
Because Islam is rooted in anti-Christian violence, goes the logic, the only way to ensure that Muslims in America don’t pose a terrorist threat is to make sure they honor the US constitution as the rule of law and accept Judeo-Christian values.

“Darkness, Darth Vader, and Dick Cheney”

There are a few loose ends in Bannon’s thinking—comments that seem consequential, but are vague or don’t fit clearly into any bigger vision.
Consider, for example, his statement that “darkness is good,” which he told Michael Wolff of Hollywood Reporter. “Dick Cheney. Darth Vader. Satan. That’s power,” he continued. Or the statement, reported by the Daily Beast, that Bannon views himself as a “Leninist” who wants to “bring everything crashing down, and destroy all of today’s establishment.”
The constant repetition of the phrase “Judeo-Christian values” should convince us that Bannon does not worship Satan. “Darkness is good” appears to suggest that the perception of being dark is good. The quote continues, “It only helps us when [liberals and the media] get it wrong. When they’re blind to who we are and what we’re doing.” Thus if the perception of him as a Darth Vader-like figure makes it easier for him to create his enlightened capitalist utopia, so be it.
As for the Leninist remark, it seems pretty consistent with what we know of Bannon thus far: The conservative Burke himself thought that throwing out leaders was justified when “necessary” to restore the old values.
Then again, this delight in being a “dark” oppositional force pairs nicely with his ferocious hatred of the “establishment.” In particular, Bannon’s diatribes against the media brim with spite toward journalists’ arrogance, superiority, and naivety.
On Breitbart radio in early November, he praised the “insight and savvy” of its callers and website commenters, while ranting about a “smug, smirking” New York Times reporter who suggested that Trump rally attendees in Mississippi didn’t know who Nigel Farage, a right-wing populist leader in the UK, was. “120% of the people” at the rally knew of Farage, who is “kind of a cult hero in this global populist movement,” said Bannon. More recently, he told the New York Times (paywall) that the media “should be embarrassed and humiliated and keep its mouth shut and just listen for a while.” He added: “I want you to quote this. The media here is the opposition party. They don’t understand this country. They still do not understand why Donald Trump is the president of the United States.”
Some of his hatred of the elite seems rooted in his experiences living and working among the elite. He frequently references his Harvard and Goldman Sachs pedigrees. However, when he describes his time as an elite, it’s as an “outsider”—a term he used in the early days to describe the populist movement he represented—passing among the privileged and deciphering their nefariousness for ordinary middle-class Americans. For example, in his 2014 Vatican speech, he says:
I could see this when I worked at Goldman Sachs — there are people in New York that feel closer to people in London and in Berlin than they do to people in Kansas and in Colorado, and they have more of this elite mentality that they’re going to dictate to everybody how the world’s going to be run. I will tell you that the working men and women of Europe and Asia and the United States and Latin America don’t believe that. They believe they know what’s best for how they will comport their lives.
But this cosmic avenger role Bannon seems to claim as voice-giver to the “forgotten” middle-classes hints at a deeper relish of conflict. A fascination with warfare and violence emerges in, for instance, his frequent allusion to the glory of the amphibious invasion at Normandy, or his taking the time out of his duties as Breitbart’s CEO to pen an obituary for Vo Nguyen Giap, a Vietnamese general who led a war for independence that Bannon described as “one of the bloodiest and hardest fought by all combatants.” In particular, the aesthetic of his documentaries can be nauseatingly violent. Torchbearer is a tour de force of gore. (There are at least six separate shots of falling guillotines, as well as lingering footage of nuclear radiation victims, mass burials from Nazi gas chambers, and various ISIL atrocities.)

What all this means for the Trump presidency

Even before he took charge of Trump’s campaign, in Aug. 2016, Bannon’s philosophies pervaded its rhetoric. If there was any question about the role his views would play in the Trump administration, the last two weeks have made it clear: The president’s leadership hangs from the scaffolding of Bannon’s worldview.
Trump’s inaugural address was basically a telepromptered Bannon rant. Where inaugural speeches typically crackle with forward-looking optimism, Trump’s was freighted with anti-elite resentment. He described a Bannonistic vision in which the “wealth of our middle class has been ripped from their homes and then redistributed all across the world.” The “forgotten men and women of our country”—a meme that Trump claimed, but that appears in Generation Zero—had a cameo too.


White House Chief Strategist Steve Bannon listens at right as President Donald Trump speaks during a meeting on cyber security in the Roosevelt Room of the White House in Washington, Tuesday, Jan. 31, 2017.
Commander-in-chief and Chief Strategist. (AP Photo/Evan Vucci)
Trump heaped blame on the “establishment,” which “protected itself” but not American citizens from financial ruin. “And while they celebrated in our nation’s capital, there was little to celebrate for struggling families all across our land,” Trump continued. “We’ve made other countries rich, while the wealth, strength and confidence of our country has dissipated over the horizon.”
“America first” is Bannon’s economic nationalism in slogan form. Trump’s vow to “unite the civilized world against radical Islamic terrorism, which we will eradicate from the face of the Earth” was a mellowed-out version of the West’s battle against “Islamic fascists.”
There’s more. Trump’s remarks that the “Bible tells us how good and pleasant it is when God’s people live together in unity,” that “most importantly, we will be protected by God,” and that children from both Detroit and Nebraska are “infused with the breath of life by the same almighty creator” seemed kind of bizarre coming from a not-very-religious man. They don’t, however, in the context of Bannon’s insistence in Torchbearer that a society without God disintegrates.
Within days of the inauguration came the dizzying spurt of executive actions—written by Bannon and Stephen Miller, a White House policy advisor—many of which contained “press release-friendly ‘purpose’ sections making extravagant claims not usually found in executive orders,” says Andrew Rudalevige, government professor at Bowdoin College.
Bannon’s philosophy toward Islam seems likely to have influenced the order, “Protecting the Nation from Foreign Terrorist Entry into the United States.” Recalling that line about how immigrants are not “Jeffersonian democrats,” the document prescribes ensuring the allegiance to America’s “founding principles” and the US constitution of anyone admitted to the country, including tourists. Trump also implied in a TV interview with the Christian Broadcast Network that he wanted to prioritize Christians refugees over Muslims, accusing the US government of favoring Muslim refugees over Christians in the past (a claim for which there’s no evidence). Some argue (fairly convincingly) that Trump’s ban risks lending credence to ISIL recruitment propaganda claiming that the US is leading the West in a war on all of Islam.
Another of the new administration’s focuses—the danger posed by Mexicans flooding over the border—is also a central theme of Bannon’s vision of America under seige. Trump’s executive action declares that “many” unauthorized immigrants “present a significant threat to national security and public safety,” though criminology and immigration experts say most evidence suggests immigrants in general commit crimes at a lower rate than native-born citizens. “Sanctuary” cities—those that voluntarily cooperate with immigration enforcement only on deporting unauthorized immigrants convicted of violent or serious crimes—are also critiqued in Bannonist terms: They have “caused immeasurable harm to the American people and to the very fabric of our Republic.” In other words, they do not share America’s values.
Finally, Trump’s withdrawal of the US from the Trans-Pacific Partnership, a multilateral trade deal supported by what would count as the “elite,” includes a special shout-out to “the American worker,” the classic Bannon theme.

Bannonism begins?

Bannon savors the power of symbolism. That symbolic power infused Trump’s campaign, and now, apparently, his administration’s rhetoric. After all, as Andrew Breitbart made clear when he famously dubbed him the “Leni Riefenstahl of the Tea Party,” Bannon is a master propagandist. He’s also a master opportunist, going by his fitful shifts in career. So it’s possible that the narrative flowing through Trump’s inaugural address and executive actions is simply what Bannon has calibrated over time to rouse maximum populist fervor—and that it doesn’t reflect plans to upend America.
There’s also, however, the possibility that Bannon is steering Trump toward the “enlightened capitalist,” Judeo-Christian, nationalistic vision that he has come to believe America needs.
Which it is, we can’t know, of course: Only Bannon knows what Bannon really wants. What we do know for sure, though, is that a man who has staked out a deep desire for a violent resurgence of “Western civilization” now has the power to fulfill it.

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

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Grécia

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Acrópole

Grécia

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Acrópole

Viagem à Grécia

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NOSTALGIA

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CLAUSTROFOBIA

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