Por Gabriel Rockhill (1), via The Philosofical Salon, Traduzido por Daniela Barbosa
Fundamentos da indústria global de teoria
A teoria crítica da Escola de Frankfurt
tem sido, assim como a teoria francesa, um dos recursos mais populares
da indústria global de teoria. Juntas, elas servem como uma fonte comum
para muitas formas de críticas teóricas inovadoras que atualmente
dominam o mercado acadêmico no mundo capitalista, desde a teoria
pós-colonial e decolonial à teoria queer, afropessimismo e além. A
orientação política da Escola de Frankfurt teve, portanto, um efeito
fundamental na intelligentsia ocidental globalizada.
Os luminares da primeira geração do
Instituo para Pesquisa Social — em especial Theodor Adorno e Max
Horkheimer, que serão o foco deste artigo — são figuras imensas no que
se refere como marxismo ocidental ou cultural. Para aqueles
familiarizados com a reorientação de Jürgen Habermas para longe do
materialismo histórico na segunda e terceira gerações da escola
Frankfurt, esse trabalho inicial frequentemente representa uma
verdadeira era de ouro da teoria crítica, quando ainda era, embora
talvez passiva ou pessimista, dedicada de alguma forma à política
radical. Se há um grão de verdade nessa hipótese se dá apenas ao
considerar que o início da Escola de Frankfurt é comparado a gerações
posteriores que remodelaram a teoria crítica como ideologia liberal
radical — ou até mesmo abertamente liberal [1]. No entanto, esse ponto
de comparação significa abaixar demasiadamente os padrões, como acontece
toda vez que se reduz a política a apenas política acadêmica. Afinal, a
primeira geração da Escola de Frankfurt viveu alguns dos confrontos
mais cataclísmicos da luta de classes global do século XX, quando uma
verdadeira guerra mundial intelectual era travada pelo significado e
importância do comunismo.
Para não serem retratados como idiotas da história, ou do provincianismo
da academia ocidental, é, portanto, importante contextualizar novamente
o trabalho do Instituo para Pesquisa Social em relação à luta de
classes internacional. Uma das características mais importantes desse
contexto era a tentativa desesperada, por parte da classe dominante
capitalista, de seus dirigentes estatais e ideólogos, para redefinir a
esquerda — segundo as palavras do agente da CIA da guerra fria, Thomas
Braden — como a “compatível”, ou seja, não comunista esquerda [2]. Como
Braden e outros envolvidos explicaram em detalhe, uma faceta importante
dessa luta consistia no uso de fundos monetários de fundações e de
grupos de frente da Agência, como o Congresso pela Liberdade Cultural
(CCF em inglês), a fim de promover o anticomunismo e atrair esquerdistas
para assumirem posições contra o socialismo que de fato existia.
Horkheimer participou de pelo menos uma excursão organizada pelo CCF em
Hamburgo [3]. Adorno foi publicado pela revista Der Monat, que era
financiada pela CIA, também a maior resenha do tipo na Europa, e modelo
para muitas agências e outras publicações. Seus artigos apareceram
também em outras duas revistas da CIA: Encounter e Tempo presente. Ele
também hospedou em sua casa, se correspondeu e colaborou com o agente da
CIA que provavelmente era a figura principal na Kulturkampf (luta pela
cultura em alemão) anticomunista alemã: Melvin Lasky [4]. Ele foi o
fundador e editor-chefe da Der Monat e membro do comitê de direção
original para o CCF da CIA. Lasky disse a Adorno que estava disponível
para qualquer forma de colaboração com o Instituto para Pesquisa Social,
incluindo publicar seus artigos e qualquer outra declaração o mais cedo
possível em suas páginas [5]. Adorno aceitou a oferta e enviou quatro
manuscritos não publicados, incluindo Eclipse da Razão de Horkheimer em
1949 [6].
A longa colaboração de Horkheimer teve,
portanto, uma íntima conexão com a rede do CCF na Alemanha Ocidental e
seu nome aparece em um documento, provavelmente de 1958 ou 1959, que
traçava planos para um comitê completamente alemão do CCF [7]. Além
disso, mesmo após ser revelado em 1966 que essa organização de
propaganda internacional era uma fachada para a CIA, Adorno continuou a
ser “incluído na expansão dos planos do quartel-general de Paris [do
CCF]” porque na parte da Alemanha supervisionada pelos EUA as
“atividades continuavam normais” [8]. Como veremos, essa é apenas a
ponta do iceberg e nenhum pouco surpreendente dada a ascensão a
proeminência global de Adorno e Horkheimer dentro das redes de elite da
esquerda anticomunista.
Uma análise dialética da produção teórica
A análise que se segue é baseada em um
relato dialético da totalidade social que situa as práticas teóricas
subjetivas desses dois fundadores da teoria crítica no mundo objetivo da
luta de classes internacional. Ela não aceita a linha divisória
arbitrária que muitos acadêmicos burgueses e mesquinhos tentam
desesperadamente erguer entre produção intelectual e o amplo mundo
socioeconômico como se o “pensamento” de alguém pudesse, e devesse, ser
separado de sua “vida”, assim como do sistema material de produção
teórica, circulação e recepção que aqui mencionarei como o aparato
intelectual. Essa suposição não dialética, afinal, nada mais é que um
sintoma de uma abordagem idealista do trabalho teórico, que supõe haver
um reino espiritual e conceitual que funciona completamente independente
da realidade material e da economia política de conhecimento.
Essa suposição perpetua o fetichismo da
mercadoria intelectual, ou seja, a idolatria dos produtos sagrados da
indústria de teoria que nos proíbe de situá-los nas relações sociais
globais de produção e luta de classes. Também serve aos interesses
daqueles que são ou aspiram ser parte de uma determinada franquia na
indústria global de teoria, seja ela “teoria crítica da Escola de
Frankfurt” ou qualquer outra, porque protege a imagem de marca da
própria franquia (que permanece imaculada pelas relações sociais reais
de produção). Enquanto o fetichismo de mercadoria intelectual for a
principal característica de consumo na indústria de teoria, a gestão de
imagem de marca é a marca registrada da produção.
Para uma análise dialética como essa, é importante reconhecer que Adorno
e Horkheimer de fato mobilizaram sua operação subjetiva na formulação
de críticas significativas ao capitalismo, à sociedade de consumo e à
indústria cultural. Longe de negar isso, eu gostaria simplesmente de
situar essas críticas no mundo social objetivo, o que envolve fazer uma
pergunta muito simples e prática raramente feita nos meios acadêmicos:
se o capitalismo é reconhecido como tendo efeitos negativos, o que será
feito sobre isso? Quanto mais se explora sua obra e trabalho, peneirando
o obscurantismo deliberado de seu discurso, mais óbvia sua resposta se
torna e mais fácil é compreender a função social primária de seu projeto
intelectual compartilhado. Por mais críticos que às vezes sejam do
capitalismo, eles frequentemente afirmam não haver alternativa e nada
pode ou deve ser feito a respeito. Além disso, como veremos, suas
críticas ao capitalismo não são nada em comparação a sua condenação
intransigente do socialismo. Sua marca de teoria crítica acaba levando a
uma aceitação da ordem capitalista, já que o socialismo é considerado a
pior das opções. Não muito diferente da maioria dos outros discursos em
voga na academia capitalista, eles apresentam uma teoria crítica que
poderíamos chamar de Teoria TMS (tudo menos socialismo).
Sendo assim, não surpreende nenhum pouco
que Adorno e Horkheimer tenham recebido tanto apoio e cresceram no
mundo capitalista. A fim de apoiar a esquerda compatível e não comunista
sobre e contra a ameaça do socialismo de fato existente, que tática
seria melhor do que defender estudiosos como esses como sendo alguns dos
mais importantes, até mesmo mais radicais, pensadores marxistas no
século XX? O “marxismo” pode então ser redefinido como um tipo de teoria
crítica anticomunista que não é diretamente conectada à luta de classes
de baixo para cima, mas critica livremente todas as formas de
“dominação” e que, em última análise, se alinha com sociedades de
controle capitalista sobre e contra os supostos horrores “fascistas” de
estados socialistas poderosos. Desde que o anticomunismo ignorante tem
sido amplamente promovido na cultura capitalista, essa tentativa de
redefinição do marxismo talvez não seja reconhecida de imediato por
alguns leitores como reacionária e chauvinista social (no sentido que,
no fim, eleva a sociedade burguesa acima de qualquer alternativa).
Infelizmente, grandes faixas da população no mundo capitalista foram
incutidas a responder de forma automática e instintiva com calúnias
desinformadas ao invés de rigorosa análise quando se trata do socialismo
realmente existente. Como história material desses projetos, com seus
altos e baixos — em vez de histórias de horror mitológico que de forma
propagandística foram construídas em torno de um bicho-papão comunista —
ela será fundamental para entender o argumento seguinte; tomo a
liberdade de dirigir o leitor a profunda e rica obra de historiadores
rigorosos como Annie Lacroix-Riz, Domenico Losurdo, Carlos Martinez,
Michael Parenti, Albert Szymanski, Jacques Pauwels e Walter Rodney,
entre outros. Também encorajo o leitor a examinar as importantes
comparações quantitativas entre capitalismo e socialismo empreendida por
analistas exigentes como Minqi Li, Vicente Navarro e Tricontinental:
Instituto para Pesquisa Social [9]. Esse trabalho é anátema para a
ideologia dominante, por boa razão, pois examina cientificamente a
evidência em vez de depender de velhos tropos e reflexos ideológicos
desinformados. Além disso, é o tipo de trabalho histórico e materialista
que tem sido amplamente ofuscado pelas formas especulativas de teoria
crítica promovida pela indústria global de teoria.
Intelectuais na era da revolução e guerra de classes global
Ainda que suas vidas tenham sido
marcadas por eventos históricos mundiais da Revolução Russa e a
tentativa revolucionária na Alemanha, Adorno e Horkheimer eram estetas
cautelosos com o suposto pântano da política em massa. Embora seus
interesses no marxismo tenham sido despertados por esses incidentes,
eram principalmente de natureza intelectual. Horkheimer envolveu-se um
pouco em atividades em torno da república do conselho de Munique após a
Primeira Guerra Mundial, especialmente ao fornecer apoio para alguns dos
envolvidos após o conselho ter sido brutalmente reprimido. No entanto,
ele — o mesmo é ainda mais verdade para Adorno — “continuou a manter
distância dos explosivos eventos políticos da época e a devotar-se em
especial às suas preocupações pessoais” [10].
A posição de classes dos dois estava
longe de ser insignificante a esse respeito, pois os posicionava, assim
como sua visão política, no vasto e objetivo mundo das relações sociais
de produção. Ambos os teoristas da Escola de Frankfurt vinham de
famílias afluentes. O pai de Adorno era um “rico comerciante de vinhos” e
o de Horkheimer era “dono de várias fábricas têxteis e milionário”
[11]. Adorno “não tinha nenhum vínculo pessoal com a vida política
socialista” e manteve ao longo de sua vida “uma profunda aversão à
filiação formal em qualquer organização partidária” [12]. Da mesma
forma, Horkheimer nunca foi “um membro declarado de qualquer partido da
classe operária” [13]. O mesmo geralmente acontece com outras figuras
envolvidas nos primeiros anos da Escola de Frankfurt: “nenhum dos
pertencentes ao círculo de Horkheimer era politicamente ativo; nenhum
teve inícios no movimento operário, ou no marxismo” [14].
Nas palavras de John Abromeit,
Horkheimer procurou preservar a suposta independência da teoria e
“rejeitou a posição de Lenin, Lukács e dos bolcheviques de que a teoria
crítica deve estar enraizada” na classe operária ou, mais
especificamente, nos partidos da classe operária [15]. Ele encorajou
críticos teóricos a operarem como agentes intelectuais livres em vez de
fundamentarem suas pesquisas no proletariado, o tipo de trabalho que ele
menosprezava dizendo ser “propaganda totalitária” [16]. A posição geral
de Adorno, como a de Herbert Marcuse, foi resumida por Marie-Josée
Levallée nos seguintes termos: “o partido bolchevique, do qual Lenin fez
vanguarda da Revolução de Outubro, era uma instituição centralizada e
repressora que moldaria o Estado Soviético à sua imagem e tornaria a
ditadura do proletariado em sua própria ditadura” [17].
Quando Horkheimer assumiu a direção do
Instituo para Pesquisa Social em 1930, sua gestão foi caracterizada por
preocupações especulativas com cultura e autoridade em vez de rigorosas
análises históricas e materialistas do capitalismo, luta de classes e
imperialismo. Nas palavras de Gillian Rose, “ao invés de politizar a
academia”, o Instituo sob Horkheimer “academizou a política” [18].
Talvez em nenhum outro lugar isso tenha sido mais claro do que na
“constante política do Instituo sob a direção de Horkheimer” que
“continuou a abster-se, não apenas de qualquer atividade remotamente
política, mas também de qualquer esforço coletivo e organizado para
divulgar a situação na Alemanha ou apoiar os emigrados” [19]. Com a
ascensão do nazismo, Adorno tentou se esconder supondo que o regime
teria como alvo apenas os “ortodoxos bolcheviques pró soviéticos e
comunistas que chamaram atenção para si mesmos politicamente” (de fato,
eles seriam os primeiros a serem colocados em campos de concentração)
[20]. Ele “se absteve de críticas públicas de qualquer tipo dos nazistas
e de suas políticas de ‘grande poder’” [21].
Teoria crítica ao estilo americano
Essa recusa em abertamente participar de
políticas progressistas se intensificou quando os líderes do Instituto a
levaram para os Estados Unidos no começo da década de 1930. A Escola de
Frankfurt se adaptou “à ordem local burguesa, censurando seu próprio
trabalho anterior e atual para acomodar as sensibilidades acadêmicas ou
corporativas locais” [22]. Horkheimer teve palavras como marxismo,
revolução e comunismo eliminadas de suas publicações para evitar ofender
seus patrocinadores estadunidenses [23]. Além disso, qualquer tipo de
atividade política era rigorosamente proibido, como explicou mais tarde
Herbert Marcuse [24]. Horkheimer concentrou sua energia em assegurar
financiamento corporativo e estatal para o Instituto, até contratou uma
empresa de relações-públicas para promover o trabalho do Instituto nos
Estados Unidos. Portanto, outro migrante da Alemanha, Bertolt Brecht,
não estava totalmente sem razão quando criticamente descreveu os
acadêmicos de Frankfurt como — nas palavras de Stuart Jeffries —
“prostitutos em busca de apoio inicial durante seu exílio americano,
vendendo suas habilidades e opiniões como mercadoria a fim de apoiar a
ideologia dominante da sociedade opressiva dos EUA” [25]. De fato, eles
eram agentes intelectuais livres, não limitados por qualquer organização
em sua busca de patrocínio corporativo e estatal para seu tipo de
teoria crítica com conhecimento de mercado.
Walter Benjamin, amigo íntimo de Brecht,
era um dos mais importante interlocutores marxistas dos acadêmicos de
Frankfurt na época. Ele não pôde se juntar aos outros nos Estados Unidos
porque tragicamente cometeu suicídio em 1940 na fronteira entre França e
Espanha; na noite anterior, ele se deparou com uma quase certeira
captura pelos nazistas. Segundo Adorno, ele “se matou após já ter sido
salvo” porque “foi feito membro permanente do Instituo e sabia disso”
[26]. Nas palavras do famoso filósofo, ele estava “cheio de dinheiro”
para sua viagem e sabia “que poderia confiar completamente em nós
materialmente” [27]. Essa versão da história, que apresenta o suicídio
de Benjamin como uma decisão pessoal incompreensível dada as
circunstâncias, foi um ato de falsidade em prol de exoneração pessoal e
institucional, segundo uma análise detalhada recentemente publicada por
Ulrich Fries. As principais figuras da Escola de Frankfurt, argumenta
Fries, não apenas não estavam dispostas a auxiliar Benjamin
financeiramente em sua fuga dos nazistas, mas também realizaram uma
extensa campanha de encobrimento para dissimuladamente se apresentarem
como seus benevolentes benfeitores.
Antes de seu suicídio, Benjamim dependia
financeiramente do Instituo e recebia uma pensão mensal. No entanto, os
acadêmicos da Escola desprezavam a influência de Brecht e do marxismo
revolucionário na obra dele. Adorno não teve nenhum remorso em descrever
Brecht com o epíteto anticomunista “selvagem” ao explicar para
Horkheimer que Benjamin precisava ser liberto “definitivamente” de sua
influência [28]. Não surpreende que Benjamin temesse perder sua pensão
devido, em parte, às críticas de Adorno sobre seu trabalho e sua recusa
em publicar uma seção de seu estudo sobre Baudelaire em 1938 [29]. Na
mesma época em que as forças fascistas se aproximavam de Benjamin,
Horkheimer explicitamente lhe disse que ele deveria se preparar para a
interrupção de sua única fonte de renda desde 1934. Horkheimer alegou,
além disso, que suas mãos estavam “infelizmente atadas” quando ele se
recusou a financiar a viagem de Benjamin para um lugar seguro ao não
pagar por uma passagem em um barco a vapor para os EUA que teria custado
menos de $200 [30]. Isso ocorreu literalmente “um mês após [Horkheimer]
transferir outros $50 mil para uma conta exclusivamente à sua
disposição” e foi a “segunda vez em oito meses” em que ele garantiu mais
$50 mil (o equivalente a um pouco mais de um milhão de dólares em 2022)
[31]. Em julho de 1939, Friedrich Pollock também obteve outros $130 mil
para o Instituto com Felix Weil, o rico filho de um milionário
capitalista cujos lucros de uma empresa de grãos na Argentina,
especulação imobiliária e comércio de carne financiavam a Escola de
Frankfurt.
Era vontade política, não dinheiro, que
lhes faltava. De fato, Fries concorda com Rolf Wiggershaus de que a
cruel decisão de Horkheimer de abandonar Benjamin foi parte de um padrão
mais amplo segundo o qual os diretores “sistematicamente colocavam a
realização de seus objetivos pessoais acima dos interesses de todos os
outros” enquanto propagavam a falsa aparência de “notável compromisso
com os perseguidos pelo regime nazista”[32]. Como se para colocar o
último prego no caixão de Benjamin, seu espólio literário foi mais tarde
expurgado de seus elementos marxistas mais explícitos, segundo Helmut
Heißenbüttel. “Em tudo que Adorno fez pelo trabalho de Benjamin, o lado
materialista-marxista permanece apagado. […] O trabalho surge em uma
reinterpretação na qual o polêmico correspondente sobrevivente impõe seu
ponto de vista” [33]. Todd Cronan argumentou haver uma mudança palpável
na orientação política geral da Escola de Frankfurt por volta de 1940 —
o ano em que Pollock escreveu “Capitalismo de Estado” — à medida que
cada vez mais dava as costas à análise de classe em favor de privilegiar
raça, cultura e identidade. “Muitas vezes parece para mim”, escreveu
Adorno para Horkheimer naquele ano, “que tudo que víamos do ponto de
vista do proletariado se concentra hoje na temível força sobre os
judeus” [34]. Segundo Cronan, Adorno e Horkheimer “internamente
apresentaram a possibilidade de o marxismo enxergar classe como uma
questão de poder e dominação ao invés de econômica (os judeus não eram
uma categoria definida pela exploração econômica). E quando essa
possibilidade foi apontada, se tornou o modo de análise dominante da
esquerda em geral” [35]. Em outras palavras, os teóricos de Frankfurt
ajudaram a preparar o terreno para uma mudança mais ampla da análise
materialista histórica fundada na economia política rumo ao culturalismo
e política de identidade que se consolidaria na era neoliberal.
Sendo assim, é bastante revelador que o
Instituto tenha realizado um imenso estudo de “Antissemitismo na obra
americana” de 1944 a 1945, sob a gerência de Pollock. O fascismo subiu
ao poder com amplo apoio financeiro da classe dominante capitalista e
ainda estava no caminho da guerra no mundo todo. Mesmo assim, os
acadêmicos de Frankfurt foram contratados para se concentrarem no
suposto antissemitismo das obras americanas e não nos financiadores
capitalistas do fascismo ou verdadeiros nazistas que travavam uma guerra
contra os soviéticos. Eles chegaram a notável conclusão de que os
sindicatos “dirigidos por comunistas” eram os piores de todos e que,
portanto, tinham tendências “fascistas”: “os membros desses sindicatos
são mais fascistas do que comunistas” [36]. O estudo em questão foi
encomendado pelo Comitê Trabalhista Judeu (JLC em inglês). Um dos
líderes do JLC, David Dubinsky, tinha inúmeras conexões com a Agência de
Inteligência Central (CIA em inglês) e estava envolvido, assim como os
agentes da CIA Jay Lovestone e Irving Brown, na ampla campanha da
Companhia de tomar comando do trabalho organizado e expurgá-lo de
comunistas [37]. Ao identificar os sindicatos comunistas como os mais
antissemitas, até mesmo como “fascistas”, a Escola de Frankfurt parece
ter fornecido algumas das justificativas ideológicas para destruir o
movimento trabalhista comunista.
Alguns podem considerar que a
colaboração do Instituto para Pesquisa Social com as autoridades dos EUA
e a autocensura são justificáveis devido às atitudes anticomunistas e,
às vezes, filofascistas da elite do poder dos EUA, sem mencionar os atos
e decretos do inimigo estrangeiro [38]. De fato, com base em uma
análise detalhada do histórico e atividades do Instituto em 21 de
janeiro de 1944, a Agência Federal de Investigação (FBI em inglês)
mobilizou várias iscas para espionar os acadêmicos por cerca de dez anos
devido a uma preocupação de que o Instituto poderia servir como uma
fachada comunista [39]. Os informantes incluíam membros próximos do
Instituto como Karl Wittfogel, outros colegas profissionais e até mesmo
vizinhos. A agência, no entanto, encontrou pouca ou nenhuma evidência de
comportamento suspeito e seus agentes parecem ter se tranquilizado
quando alguns de seus delatores, que eram pessoalmente próximos dos
acadêmicos da Escola, explicaram que os teóricos críticos “acreditavam
não haver diferença entre Hitler e Stalin quanto ao seu propósito e
tática” [40]. De fato, como veremos abaixo, eles argumentaram essa
questão em alguns de seus trabalhos, inclusive quando se estabeleceram
na Alemanha Ocidental e não estavam mais sob a ameaça direta da
vigilância do FBI e possível encarceramento ou deportação.
Difamar o Oriente e defender — enquanto a serviço de — o Ocidente
Nos anos de 1945 a 1950, os líderes
intelectuais da Escola de Frankfurt transferiram o Instituto de volta à
Alemanha Ocidental, um dos epicentros para o mundo intelectual contra o
comunismo. “Nesse meio”, escreve Perry Anderson, “no qual o KPD (Partido
Comunista da Alemanha) seria banido e o SPD (Partido social-democrata
da Alemanha) formalmente abandonaria qualquer ligação com o marxismo, a
despolitização do Instituto foi concluída” [41]. Ninguém menos que
Jürgen Habermas — que, nos primeiros anos, por vezes superava Adorno e
Horkheimer quanto a esquerda— acusou Horkheimer de “conformidade
oportunista que estava em desacordo com a tradição crítica” [42]. De
fato, Horkheimer continuava sua censura do trabalho do Instituto, se
recusando a publicar dois artigos escritos por Habermas que criticavam a
democracia liberal e falavam de “revolução”, ousando sugerir a
possibilidade de uma emancipação das “correntes da sociedade burguesa”
[43]. Em sua correspondência pessoal, Horkheimer concordou abertamente
com Adorno de que “simplesmente não é possível obter reconhecimento
desse tipo em um relatório de pesquisa de um Instituto que existe à base
de financiamento público dessa restrita sociedade” [44]. Parece ser uma
admissão direta de que a base econômica da Escola Frankfurt era a
potência por trás de sua ideologia, ou pelo menos em seu discurso
público.
É também importante lembrar que cinco
dos oito membros do círculo de Horkheimer trabalharam como analistas e
propagandistas para o governo dos EUA e para a segurança nacional, “que
tinha interesse na continuidade da lealdade à Escola de Frankfurt porque
vários de seus membros trabalhavam em projetos de pesquisas
governamentais sensíveis” [45]. Embora Horkheimer e Adorno não
estivessem entre eles, já que recebiam mais apoio do Instituto, Adorno
originalmente migrou para os Estados Unidos para trabalhar no Escritório
de Pesquisa de Rádio de Paul Lazarsfeld, um dos “verdadeiros adjuntos
do programa de guerra psicológica do governo” [46]. Esse centro de
estudos de comunicação recebeu uma grande doação de 67 mil dólares da
Fundação Rockefeller e trabalhou muito próximo da segurança nacional dos
EUA (o dinheiro do governo constituía mais de 75% de seu orçamento
anual). A Fundação Rockefeller também financiou o primeiro retorno de
Horkheimer à Alemanha em abril de 1948, quando ele assumiu a função de
professor convidado na Universidade de Frankfurt.
Não esqueçamos que os Rockefellers são
uma das maiores famílias criminosas na história do capitalismo dos EUA e
usam sua fundação como refúgio tributário que os permite mover uma
porção de sua fortuna roubada “para a corrupção de atividade intelectual
e da cultura” [47]. Além disso, estavam diretamente envolvidos com a
segurança nacional durante a época do patrocínio da Escola de Frankfurt.
Depois de atuar como diretor no Escritório do Coordenador de Assuntos
Interamericanos (uma agência federal de propaganda cujo trabalho se
assemelhava ao Escritório de Serviços Estratégicos e à CIA), Nelson
Rockefeller se tornou, em 1954, o “’supercoordenador’ de operações
clandestinas de inteligência com o título de Assistente Especial do
Presidente para Estratégias da Guerra Fria” [48]. Ele também permitiu
que a Fundação Rockefeller fosse usada como um canal para o dinheiro da
CIA, muito parecido com várias outras fundações capitalistas com um
extenso histórico de colaborar de perto com a Companhia (como revelado
pelo relatório do Comitê Church e outras fontes).
Com todas essas ligações com a classe
dominante capitalista e o império estadunidense, não surpreende que o
governo dos EUA tenha apoiado a mudança do Instituto de volta à Alemanha
Ocidental com uma grande doação de 435 mil DM em 1950 (103.695,00
dólares, ou o equivalente a 1.195.926,00 dólares em 2022) [49]. Esses
fundos eram administrados por John McCloy, o Alto Comissário dos EUA
para a Alemanha. McCloy era um membro central da elite do poder dos EUA,
trabalhou como jurista e banqueiro para grandes petrolíferas e para IG
Farben; foi também quem concedeu amplos indultos e comutações a
criminosos de guerra nazistas. Após ter servido como um dos arquitetos
da segurança nacional estadunidense durante a Segunda Guerra Mundial,
McCloy — em uma mudança de carreira indicativa da relação íntima entre o
estado paralelo e a classe dominante capitalista — se tornou o
presidente do Banco Chase Manhattan, do Conselho de Relações
Internacionais e da Fundação Ford. Além dos fundos concedidos por
McCloy, o Instituto também recebeu apoio de doares particulares, da
Sociedade de Pesquisa Social e da cidade de Frankfurt. Em 1954, o
Instituto também assinou um contrato de pesquisa com a corporação
Mannesmann que “foi membro fundador da Liga Antibolchevique e financiou o
Partido nazista” [50]. Durante a Segunda Guerra Mundial, Mannesmann
usou trabalho escravo e seu presidente do conselho era o nazista Wilhelm
Zangen, líder da economia de guerra do Terceiro Reich [51]. O contrato
pós-guerra da Escola de Frankfurt com essa empresa tinha como objetivo
um estudo sociológico das opiniões dos trabalhadores, com a implícita
sugestão de que esse estudo ajudaria a administração a parar ou impedir
uma organização socialista.
Talvez a melhor explicação da razão pela
qual governos capitalistas e corporocracias apoiariam o Instituto para
Pesquisa Social seja encontrada nas palavras de Shepard Stone. Devemos
notar que Stone tinha um histórico em jornalismo e inteligência militar
antes de atuar como Diretor de Relações Internacionais na Fundação Ford,
onde trabalhou em estreita colaboração com a CIA no financiamento de
projetos culturais no mundo todo (Stone até se tornou o presidente da
Associação Internacional pela Liberdade Cultural, novo nome dado ao
Congresso pela Liberdade Cultural em um esforço de reformulá-lo após
suas origens com a CIA terem sido reveladas). Quando Stone foi o diretor
de relações-públicas para a Alta Comissão Aliada na década de 1940, ele
enviou uma nota pessoal ao Departamento de Estado dos EUA para
incentivar o departamento a estender o passaporte de Adorno dizendo que
“o Instituto de Frankfurt está ajudando a treinar líderes alemães que
terão conhecimento de técnicas democráticas. Acredito ser importante
para nossos objetivos democráticos comuns na Alemanha que homens como o
professor Adorno tenham uma oportunidade de trabalhar no país” [52]. O
Instituto fazia o tipo de trabalho ideológico que o estado estadunidense
e a classe dominante capitalista queriam — e conseguiram — apoiar.
Atendendo, e até mesmo excedendo, aos ditames da conformidade ideológica
da “sociedade de grilhões” que financiou o Instituto, Horkheimer
abertamente expressou seu total apoio ao governo fantoche anticomunista
dos EUA na Alemanha Ocidental, cujos serviços de inteligência foram
abastecidos com ex-nazistas e seu projeto imperial no Vietnã (que ele
julgou necessário para deter os chineses) [53]. Falando em uma das
Amerika-Häuser na Alemanha — postos avançados de propaganda na
Kulturkampf anticomunista — ele declarou solenemente em maio de 1967 que
“na América, quando é necessário conduzir uma guerra, e preste atenção
[…], não é tanto uma questão de defesa da pátria, mas é essencialmente
uma questão de defesa da constituição, a defesa dos direitos do homem”
[54]. Aqui o sumo sacerdote da teoria crítica descreve um país fundado
como uma colônia, cuja eliminação genocida da população indígena se
fundiu perfeitamente com um projeto de expansão imperialista que sem
dúvida deixou a mais sangrenta marca — como argumentou MLK Jr. em abril
de 1967 — na história do mundo moderno (incluindo cerca de 37
intervenções militares e da CIA entre o final da Segunda Guerra Mundial e
1967, quando Horkheimer divulgou essa vergonhosa afirmação via uma
plataforma de propaganda dos EUA) [55].
Embora Adorno frequentemente cedesse às
políticas mesquinhas e burguesas de cúmplice passividade, evitando
pronunciamentos públicos em grandes eventos políticos, as poucas
declarações que fez foram surpreendentemente reacionárias. Por exemplo,
em 1956, ele escreveu um artigo com Horkheimer em defesa da invasão
imperialista do Egito por Israel, Grã-Bretanha e França que visava tomar
o Canal de Suez e derrubar Nasser (uma ação condenada pelas Nações
Unidas). Ao referir-se a Nasser, um proeminente líder anticolonial do
movimento dos não-alinhados, como “um chefe fascista […] que conspirou
com Moscou”, eles proclamaram que “ninguém se atreve a dizer que esses
estados árabes saqueadores há anos estão esperando uma oportunidade para
atacar Israel e massacrar os judeus que encontraram refúgio ali” [56].
Segundo essa inversão pseudodialética, os estados árabes são os
“saqueadores” e não os colonos trabalhando com as principais nações
imperialistas para violar a autodeterminação dos árabes. Seria bom
recordar a incisiva rejeição de Lenin desse sofismo, que é muito
característico do que é considerado “dialético” na indústria global
teórica: “não raramente a dialética serviu […] como uma ponte para o
sofismo, mas continuamos dialéticos e combatemos o sofismo não quando
negamos a possibilidade de todas as transformações em geral, mas
analisando o dado fenômeno em seu contexto e desenvolvimento” [57]. Essa
análise concreta e materialista é precisamente o que falta em inversões
idealistas à la Adorno e Horkheimer.
Os líderes da Escola de Frankfurt
publicaram um de seus textos mais evidentemente político naquele mesmo
ano. Em vez de apoiar o movimento global pela libertação anticolonial e a
construção de um mundo socialista, eles celebram — com apenas algumas
pequenas exceções — a superioridade do Ocidente ao mesmo tempo que
repetidamente diminuem a União Soviética e a China. Apelando para uma
reserva de descrições racistas para os “bárbaros” do Oriente, a quem
descreveram usando um vocabulário abertamente sub-humano com termos como
“animais” e “hordas”, proclamaram categoricamente que estes são
“fascistas” e que escolheram a “escravidão” [58]. Adorno até repreende
alemães que erroneamente pensam que “os russos defendem o socialismo”,
lembrando-os que os russos são, na verdade, “fascistas” e acrescenta que
os “industriais e banqueiros” — com os quais ele aqui se identifica— já
sabem disso [59].
“Tudo que os russos escrevem cai em ideologia, em tolices ignorantes e
grosseiras”, afirma descaradamente Adorno nesse texto, como se tivesse
lido tudo que os russos escreveram; embora ele, como de costume, não
cita uma única fonte (ele nem mesmo lia russo, até onde eu saiba) [60].
Afirmando haver “um elemento de nova barbarização” na forma de pensar
dos russos, que segundo ele também é encontrado em Marx e Engels, Adorno
afirma descaradamente que é “mais reificado do que no pensamento
burguês mais avançado” [61]. Como se essa arrogância e hipocrisia não
bastassem, Adorno teve a audácia de chamar esse projeto de artigo com
Horkheimer de “manifesto puramente leninista” [62]. Isso em uma
discussão na qual eles afirmam que “não estão convocando ninguém a agir”
e Adorno explicitamente eleva o pensamento burguês ao que ele chama de
“cultura em sua forma mais avançada” acima da suposta barbárie do
pensamento socialista [63]. Além disso, é nesse contexto que Horkheimer
insistiu em seu chauvinismo social ao afirmar, em uma conclusão
histórica e mundial que não provocou nenhuma resposta por parte de seu
colaborador “leninista”, que “[acredito que] a Europa e a América são
provavelmente as melhores civilizações que a história produziu até agora
no que diz respeito a prosperidade e justiça. O ponto-chave agora é
garantir a preservação desses ganhos” [64]. Isso foi em 1956, quando os
EUA ainda estavam em grande parte segregados, envolvidos em uma caça às
bruxas anticomunista, em campanhas de desestabilização ao redor do mundo
e haviam recentemente ampliado seu alcance imperial ao depor governos
democraticamente eleitos no Irã (1953) e na Guatemala (1954), e enquanto
as potências europeias travavam violentas lutas para manter suas
colônias ou convertê-las em neocolônias.
“Fascismo e Comunismo são o mesmo”
Um dos argumentos políticos mais
consistentes de Adorno e Horkheimer é de que há um equivalente
“totalitarista” entre fascismo e comunismo se estes se manifestam em
projetos socialistas de construção de Estado, movimentos anticoloniais
do “terceiro mundo” ou até nas mobilizações da Nova Esquerda no mundo
Ocidental. Nesses três casos, os que pensam estar fugindo da “sociedade
de grilhões” estão apenas piorando as coisas. O evidente fato de que os
países capitalistas ocidentais não ofereceram proteção alguma contra o
fascismo, que cresceu dentro do mundo capitalista e que foi precisamente
a União Soviética que decisivamente o derrotou, não parece tê-los feito
refletir sobre a viabilidade dessa tese ignorante e simplista (para não
falar da importância do socialismo para os movimentos anticoloniais ou
as insurreições na década de 1960). Na verdade, apesar de toda sua
opinião moral quanto aos horrores de Auschwitz, Adorno parece ter se
esquecido de quem de fato libertou o infame campo de concentração — o
Exército Vermelho.
Horkheimer havia formulado sua versão da
Teoria da Ferradura com especial clareza em um panfleto de circulação
limitada em 1942, que rompeu com a linguagem esópica de muitas das
outras publicações do Instituto. Acusando diretamente Friedrich Engels
de utopismo ao afirmar que a socialização dos meios de produção levou a
um aumento em repressão e, no fim, a um estado autoritário. Segundo esse
filho de milionário, “a burguesia anteriormente controlava o governo
por meio de seus bens”, enquanto nas novas sociedades o socialismo
simplesmente “não funcionava” exceto para produzir a errônea convicção
de que alguém estava — através do partido, algum líder honrado ou a
suposta marcha da história — “agindo em nome de algo maior do que si
mesmo”
[65]. A posição de Horkheimer nesse texto está perfeitamente alinhada
com o anticomunismo anarquista, uma ideologia amplamente difundida na
Esquerda Ocidental, a qual afirma que uma “democracia sem classes”
supostamente emergirá espontaneamente por meio do povo e mediante “livre
acordo” sem a suposta e perniciosa influência de partidos e estados.
Como Domenico Losurdo inteligentemente indicou, a máquina de guerra
nazista estava devastando a URSS no começo dos anos 1940, portanto, o
apelo de Horkheimer para que os socialistas abandonassem o estado e a
centralização do partido equivalia a nada menos que uma exigência de que
eles cedessem perante a brutalidade genocida do nazismo [66].
Embora o final do panfleto de Horkheimer
de 1942 contenha sugestões ambíguas da possibilidade de haver algo
desejável no socialismo, textos posteriores acarretariam a completa
atenuação de sua rejeição inequívoca ao socialismo. Por exemplo, quando
Adorno e Horkheimer consideravam fazer uma declaração pública de sua
relação com a União Soviética, Adorno enviou a Horkheimer o seguinte
rascunho de uma já planejada coautoria, argumentando que “nossa
filosofia, como uma crítica dialética da tendência social geral da
época, se posiciona na mais distinta oposição às políticas e doutrinas
que emanam da União Soviética. Não vemos nada na prática da ditadura
militar disfarçada de democracia além de uma nova forma de repressão”
[67]. Assim sendo, é importante observar, dada a enorme falta de análise
materialista do socialismo que de fato existia por parte de Adorno e
Horkheimer, que até a CIA reconhecia que a União Soviética não era uma
ditadura. Em um relatório datado do dia 02 de março de 1955, a Agência
claramente declarava que “mesmo na época de Stalin havia liderança
coletiva. A ideia ocidental de um ditador na estrutura comunista é
exagerada. Os mal-entendidos sobre o assunto são causados por falta de
compreensão da real natureza e organização da estrutura de poder do
comunismo” [68].
Em 1959, Adorno publicou um texto
intitulado “The Meaning of Working through the Past” (O significado de
trabalhar através do passado) no qual ele reciclou a “vergonhosa
verdade” da “sabedoria filisteia” referenciada nesse primeiro rascunho,
ou seja, que — em completa conformidade com a dominante ideologia da
Guerra Fria no Ocidente — o fascismo e o comunismo são o mesmo porque
são duas formas de “totalitarismo”. Ao abertamente rejeitar o ponto
estratégico da “ideologia político-econômica”, que obviamente distingue
esses dois campos em guerra, Adorno alega ter acesso privilegiado a uma
dinâmica sociopsicológica mais profunda que os une [69]. Como
“personalidades autoritárias”, ele afirmou que ex-cathedras, fascistas e
comunistas “possuem egos fracos” e compensam-nos ao se identificarem
com “poder real e existente” e “grandes coletivos” [70]. A própria noção
de uma “personalidade autoritária” é, portanto, um artifício enganoso
voltado para sintetizar opostos por meio de psicologização
pseudodialética. Isso também levanta a questão de porque a psicologia e
modos específicos de pensar parecem, pelo menos aqui, serem mais
centrais para a explicação histórica do que as forças materiais e a luta
de classes.
Apesar da tentativa de psicologicamente
identificar fascistas e comunistas, Adorno ainda sugeriu, no mesmo
texto, que o ataque nazista à União Soviética poderia ser justificado,
em retrospectiva, pois os bolcheviques eram — como o próprio Hitler
disse — uma ameaça à civilização ocidental. Adorno afirmou que “a ameaça
de que o Oriente devorará as encostas da Europa Oriental é óbvia, e
quem não resistir a essa ameaça é literalmente culpado de repetir a
pacificação de Chamberlain” [71]. A analogia é reveladora porque, nesse
caso, significaria aplacar os comunistas “fascistas” ao menos que
diretamente se lutasse contra eles. Em outras palavras, por mais obscura
e complexa que sua fraseologia seja, esse parece ser um estridente
apelo à oposição militar quanto a disseminação do comunismo
(perfeitamente alinhado com o apoio de Horkheimer à guerra imperialista
dos EUA contra o Vietnã).
A veemente rejeição de Adorno ao
socialismo verdadeiramente existente também estava em plena exibição em
sua comunicação com Alfred Sohn-Rethel. Alfred mais tarde perguntou-lhe
se a Dialética Negativa tinha algo a dizer sobre mudar o mundo e se a
Revolução Cultural Chinesa fazia parte da “tradição afirmativa” que ele
condenava. Adorno respondeu dizendo rejeitar a “pressão moral” do
“marxismo oficial” de colocar a filosofia em prática [72]. “Nada além do
desespero pode nos salvar”, afirmou Adorno com seu estilo
característico de melancolia mesquinha e burguesa [73]. Para garantir
seu ponto de vista, ele acrescentou que os eventos na China comunista
não eram motivos de esperança. Adorno explicou com insistência memorável
que toda sua vida pensante havia sido resolutamente confrontada com
essa— e provavelmente outras — forma de socialismo ao dizer que “eu
teria que negar tudo que pensei em toda minha vida se admitisse sentir
qualquer coisa além de horror quanto a essa questão” [74]. Essa aberta
gratificação ao desespero e simultânea aversão ao socialismo que de fato
existia não são simples reações pessoais e idiossincráticas e sim
efeitos decorrentes de uma posição de classe. “Os representantes do
movimento operário moderno”, escreveu Lenin em 1910, “notaram que há
muito contra o que protestar, mas nada pelo que se desesperar” [75]. Em
uma descrição que antecipava a melancolia mesquinha e burguesa de
Adorno, o líder da primeira revolução socialista bem-sucedida do mundo
seguiu explicando que “o desespero é típico daqueles que não entendem as
causas do mal, que não veem uma saída e são incapazes de lutar” [76].
Adorno também buscou essa linha de
pensamento — ou melhor, esse sentimento — em suas críticas ao ativismo
estudantil anti-imperialista e anticapitalista dos anos 1960. Ele
concordou com Habermas — que foi um membro da Juventude Hitlerista e
estudou por quatro anos com o “filósofo nazista” (sua descrição de
Heidegger) — que esse ativismo resultou no “fascismo de Esquerda”. Ele
defendeu a Alemanha Ocidental como uma democracia funcional em vez de um
Estado “fascista”, como alguns estudantes argumentavam [77]. Ao mesmo
tempo, ele discutiu com Marcuse sobre o que julgava ser o apoio
equivocado deste aos estudantes e seu movimento antiguerra, afirmando
explicitamente que a resposta à pergunta “o que deve ser feito?”, para
bons dialéticos, seria coisa alguma ao declarar que “o objetivo da
verdadeira práxis seria sua própria abolição” [78]. Com isso, Adorno
inverteu, por sofisma dialético, um dos dogmas centrais do marxismo, em
especial a primazia da prática. É nesse contexto de virar Marx de cabeça
para baixo que ele repetiu, mais uma vez, o mantra ideológico do mundo
capitalista: “o fascismo e o comunismo são o mesmo” [79]. Apesar de se
referir a esse slogan como um “pequeno truísmo burguês”, aparentemente
reconhecendo sua posição ideológica, ele o aceitou abertamente [80].
O idealismo é a marca registrada das
reflexões de Adorno e Horkheimer sobre o socialismo verdadeiramente
existente e, de forma mais geral, sobre os movimentos sociais
progressistas. Ao invés de estudar os projetos que difamaram com o mesmo
rigor e seriedade com os quais, às vezes, abordavam outros tópicos,
eles se basearam em representações comuns e boatos desprovidos de
análises concretas (embora esporadicamente fizessem referência a algumas
publicações anticomunistas, como as do fanático combatente da Guerra
Fria Arthur Koestler, que foram amplamente financiadas e apoiadas por
estados imperialistas e seus serviços de inteligência) [81]. É
especialmente verdade no caso da difamação realizada pelo dois no que se
refere aos projetos de construção do estado socialista. Suas palavras
sobre o tópico não são apenas notavelmente desprovidas de referência a
qualquer estudo rigoroso sobre a questão, mas procedem como se qualquer
compromisso sério não fosse necessário. Esses textos se ajoelham perante
a ideologia dominante, insistindo resolutamente na genuinidade
anti-stalinista de seus autores, sem se preocupar com os detalhes,
nuances ou complexidades.
Não podemos deixar de imaginar se os
estudantes não estavam certos quando, ao final da década de 1960,
distribuíram folhetos afirmando que esses acadêmicos da Escola de
Frankfurt eram “idiotas esquerdistas do estado autoritário” e que eram
“críticos em teoria, mas conformistas em prática” [82]. Hans-Jürgen
Krahl, um dos estudantes de doutorado de Theodor Adorno, chegou a
publicamente danificar a reputação de seu mentor e dos outros
professores da Escola ao chamá-los de “Scheißkritische Theoretiker”
(teóricos críticos de merda) [83]. Ele expressou essa crítica de
aperfeiçoamento desses leais defensores da Teoria TMS ao ser preso, a
mando de Adorno, por uma ocupação universitária relacionada ao seu
envolvimento na Liga Socialista dos Estudantes Alemães. O fato do autor
de Negative Dialectics (Dialéticas Negativas) ter chamado a polícia para
que seus próprios alunos fossem presos é uma referência padrão entre
suas críticas políticas. No entanto, como vimos, essa é apenas a ponta
do iceberg. Longe de ser uma anomalia bizarra, esse evento é consistente
com sua política, sua função social no aparato intelectual, sua posição
de classe e sua orientação geral na luta de classes global.
Os “Tuis” do “marxismo” ocidental
Brecht propôs o neologismo “Tuis” para
se referir aos intelectuais (Intellektuellen) que, como sujeitos de uma
cultura mercantilizada, entendem tudo errado (por isso o
T ellekt-u ellen-in, Tellektuellen). Ele compartilhou suas ideias de
criar um romance Tui com Benjamin na década de 1930 e mais tarde
escreveu uma peça, que surgiu de suas anotações anteriores, chamada
“Turandot or The Whitewashers’ Congress” (Turandot ou O congresso dos
whitewashers) [84]. Ao retornar à República Democrática da Alemanha após
a Segunda Guerra Mundial para contribuir com o projeto de construção do
estado socialista, diferente dos acadêmicos de Frankfurt que se
estabeleceram na Alemanha Ocidental com financiamento da classe
dominante capitalista, Turandot foi em parte escrito como uma crítica
satírica desses “marxistas” ocidentais.
Na peça, os Tuis são apresentados como
whitewashers profissionais que recebem um salário generoso para fazerem
coisas parecerem o oposto do que são. “O país todo é governado por
injustiça”, diz Sen em Turandot antes de fornecer um resumo sucinto da
Teoria TMS, “e na Academia Tui tudo que se aprende é porque as coisas
têm que ser desse jeito” [85]. O treinamento Tui, assim como o trabalho
do Instituto para Pesquisa Social, nos ensina que não há alternativa à
ordem dominante e, portanto, exclui a possibilidade de mudança de
sistema. Em uma das cenas mais marcantes, os Tuis aparecem se preparando
para o congresso dos whitewashers. Nu Shan, um dos professores da
Academia, opera um sistema de roldanas em que pode erguer ou descer uma
cesta de pão na frente do rosto do orador. No treinamento de um jovem
chamado Shi Me para se tornar um Tui, ele diz ao jovem para comentar
sobre o tópico “Por que a posição de Kai Ho é falsa?” (Kai Ho é um
revolucionário semelhante a Mao Zedong). Nu Shan explica que irá erguer a
cesta de pão acima da cabeça de Shi Me quando ele disser algo errado e
irá descê-la na frente de seu rosto quando disser algo correto. Após
várias vezes erguendo e abaixando a cesta dependendo da habilidade de
Shi Me em se conformar à ideologia dominante, seus argumentos se
intensificam ao ponto de se tornarem calúnias anticomunistas estridentes
desprovidas de argumentação racional, como, por exemplo: “Kai Ho não é
um filósofo, é um falastrão — a cesta desce — um encrenqueiro, sedento
por poder e inútil, um jogador compulsivo irresponsável, um denunciante,
um estuprador, um descrente, um bandido e criminoso — a cesta paira bem
na frente da boca do orador. Um tirano!” [86] Essa cena apresenta, na
forma de um microcosmo, a relação entre intelectuais profissionais e
seus financiadores nas sociedades de classes: o primeiro grupo ganha seu
pão como agentes acadêmicos livres ao fornecer a melhor ideologia
possível para o segundo grupo. É uma questão para se refletir.
O
que a Escola de Frankfurt tinha a
oferecer àqueles que davam os pães da “sociedade de grilhões” não era,
de maneira alguma, insignificante. Ao mobilizar sofismas
pseudodialéticos, eles defenderam, em uma linguagem acadêmica
presunçosa, a fala do Departamento de Estado de que o comunismo é
indistinguível do fascismo, apesar de 27 milhões de soviéticos terem
dado suas vidas para derrotar a máquina de guerra nazista na Segunda
Guerra Mundial — para mencionar apenas uma das formas mais óbvias de
oposição entre o comunismo e o fascismo, embora existam muitas outras,
pois são inimigos mortais. Além disso, ao deslocar a luta de classes a
favor de uma teoria crítica idealista separada de compromissos políticos
práticos, eles afastaram os fundamentos de análise do materialismo
histórico em direção a uma crítica teórica generalizada de dominação,
poder e pensamento de identidade.
Adorno e Horkheimer, portanto, acabaram
desempenhando o papel de recuperadores radicais. Ao cultivarem uma
aparência de radicalidade, eles recuperavam a própria atividade da
crítica dentro da ideologia pró-ocidental e anticomunista. Como outros
membros da intelligentsia mesquinha e burguesa na Europa e nos EUA, que
formavam a base do marxismo ocidental, eles expressaram publicamente seu
desgosto social-chauvinista quanto ao que descreveram como os bárbaros
selvagens do Oriente que ousaram pegar a arma da teoria marxista à la
Lenin e usá-la para agir sob o princípio de que podiam governar a si
mesmos. Do relativo conforto de sua cidadela professoral financiada por
capitalistas no Ocidente, eles defenderam a superioridade do mundo
euro-americano que os promoveu contra ao que chamavam de projeto de
nivelamento dos bárbaros bolchevizados na periferia incivilizada.
Além disso, sua crítica geral à
dominação faz parte de uma adoção mais ampla de uma ideologia
antipartidária e antiestatista que acaba deixando a Esquerda desprovida
das ferramentas de organização disciplinada necessárias para empreender
combates triunfantes contra a máquina da classe dominante capitalista
muito bem financiada em termos políticos, militares e culturais. Está
perfeitamente alinhada com sua política geral de derrota, que Adorno
explicitamente adota por meio de sua defesa antimarxista de inação como
forma máxima de práxis. Os líderes da Academia Tui em Frankfurt,
amplamente financiados e apoiados pela classe dominante capitalista e
estados imperialistas (incluindo o estado de segurança nacional dos
EUA), eram, portanto, representantes globais de uma política
anticomunista de acomodação capitalista. Torcendo suas mãos em
nervosismo diante das infelicidades da sociedade de consumo — que, às
vezes, descreviam em extraordinários detalhes — eles, não obstante, se
recusavam a tomar qualquer atitude prática sobre essas infelicidades
devido à suposição alicerçada de que a cura socialista para esses
infortúnios é muito pior do que a doença em si.
* Este artigo baseia-se e desenvolve uma
análise detalhada cujas extensas referências também apoiam os
argumentos aqui apresentados. Gabriel Rockhill, “Critical and
Revolutionary Theory” (Teoria crítica e revolucionária) em Domination
and Emancipation: Remaking Critique (Dominação e Emancipação: refazendo a
crítica), Ed. Daniel Benson (Londres: Roman & Littlefield
International, 2021). Sou profundamente grato aos amigos e colegas que
ofereceram opiniões fundamentais em rascunhos anteriores deste artigo,
incluindo aqueles que expressaram cautela quanto alguns dos argumentos
(pelos quais assumo total responsabilidade): Larry Busk, Helmut-Harry
Loewen, Jennifer Ponce de León, Salvador Rangel e Yves Winter.
(1)Gabriel Rockhill é um filósofo,
crítico cultural e teorizador político. Ele leciona na Universidade
Villanova e na Prisão Graterford, ele também dirige o Workshop sobre
Teoria Crítica na Sorbonne. Seus livros mais recentes incluem
Counter-History of the Present (Contra-história do presente) de 2017,
Interventions in Contemporary Thought (Intervenções no pensamento
contemporâneo) de 2016 e Radical History & the Politics of Art
(História radical e a política da arte) de 2014.
Notas:
[1] Veja minha análise de Jürgen Habermas, Axel Honneth e Nancy Fraser
em “Critical and Revolutionary Theory” (Teoria crítica e
revolucionária).
[2] Veja, por exemplo, Thomas W. Braden, “I’m Glad the CIA Is ‘Immoral”
(Estou feliz pela imoralidade da CIA), Saturday Evening Post (20 de maio
de 1967). A julgar pelo fato de que W.W. Rostow compartilhou — por meio
do Diretor da CIA, Richard Helms — o artigo de Braden com o presidente
dos Estados Unidos antes de sua publicação, é provável que esse artigo
seja o que a Agência chama de “hangout limitado”. Segundo o antigo
assistente especial do Diretor Adjunto da CIA, Victor Marchetti, um
hangout limitado é uma tática de relações-públicas usada por
profissionais clandestinos. Segundo ele, “quando seu véu de sigilo é
rasgado, e eles não podem mais sustentar uma história falsa para
desinformar o público, usam o recurso de admitir — às vezes até
voluntariamente — uma parte da verdade, ao mesmo tempo em que mantêm
ocultos os fatos-chave e mais graves do caso. Assim, o público tende a
ficar tão admirado com a nova informação que nunca pensa em se
aprofundar no assunto” (“CIA to Admit Hunt Involvement in Kennedy
Slaying,” The Spotlight, 14 de agosto de 1978:
https://archive.org/details/marchetti-victor-cia-to-admit-hunt-involvement-in-kennedy-slaying-the-spotlight-aug.-14-1978/mode/2up).
[3] Veja Gabriel Rockhill, Radical History & the Politics of
Art (História radical e a política da arte), (Nova York: Columbia
University Press, 2014), 207-8 e Giles Scott-Smith, “The Congress for
Cultural Freedom, the End of Ideology, and the Milan Conference of 1955:
‘Defining the Parameters of Discourse’” (O Congresso pela Liberdade
Cultural, o fim da ideologia e a Conferência de Milão de 1955: definindo
os parâmetros de discurso). Journal of Contemporary History, Vol. 37
No. 3 (2002): 437-455. O braço de Paris do Instituto para Pesquisa
Social colaborou de perto com Raymond Aron, responsável por
supervisionar quais trabalhos eram apropriados para um público francês
(veja Theodor Adorno e Max Horkheimer, Correspondance: 1927-1969, Vol.
I, eds. Christoph Gödde e Henri Lonitz, trad. Didier Renault (Paris:
Klincksieck: 2016), 146. Menciono essa edição francesa aqui e em outros
artigos porque a correspondência completa de Adorno e Horkheimer não
está disponível em inglês, até onde eu saiba). Na era do pós-guerra,
Aron se tornou uma figura decorativa filosófica do CCF e um incansável
ideólogo anticomunista cuja visibilidade pública foi imensamente
realçada pelo apoio da CIA.
[4] Por “agente”, quero dizer que Lasky trabalhou de perto com a CIA — e
com outras agências governamentais estadunidenses — em seus extensos
esforços de propaganda anticomunista e não que ele mesmo fosse um
“diretor de casos” da CIA (o que não foi confirmado, até onde eu saiba).
A colaboração de Lasky com a CIA e outras agências foi comprovada por
vários documentos internos, assim como o papel de pesquisadores como
Frances Stonor Saunders, Michael Hochgeschwender, Hugh Wilford e Peter
Coleman, entre outros. Um pouco da correspondência de Lasky com Adorno
está disponível em Theodor Adorno e Max Horkheimer, Correspondance:
1927-1969, Vol. I-IV, eds. Christoph Gödde e Henri Lonitz, trad. Didier
Renault (Paris: Klincksieck: 2016).
[5] Veja Adorno e Horkheimer, Correspondance, Vol. III, 291.
[6] Veja Adorno e Max Horkheimer, Correspondance, Vol. III, 348.
[7] Veja Michael Hochgeschwender, Freiheit in der Offensive? Der
Kongreß für kulturelle Freiheit und die Deutschen (Liberdade na
ofensiva? O Congresso pela Liberdade Cultural e os alemães). München: R.
Oldenbourg Verlag, 1998, 488.
[8] Hochgeschwender, Freiheit in der Offensive? (Liberdade na ofensiva?), 563.
[9] Veja, por exemplo, Minqi Li, “The 21st Century: Is There an
Alternative (to Socialism)?” (O século XXI: há uma alternativa (para o
socialismo)?), Science & Society 77:1 (janeiro de 2013): 10-43;
Vicente Navarro, “Has Socialism Failed? An Analysis of Health Indicators
under Capitalism and Socialism” (O socialismo falhou? Uma análise dos
indicadores de saúde no capitalismo e no socialismo), Science &
Society 57:1 (primavera de 1993): 6-30. Tricontinental forneceu inúmeras
análises detalhadas do socialismo verdadeiramente existente e como se
compara ao capitalismo existente: thetricontinental.org
[10] John Abromeit, Max Horkheimer and the Foundations of the Frankfurt
School (Max Horkheimer e os fundamentos da Escola de
Frankfurt), (Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2011), 42.
[11] Thomas Wheatland, The Frankfurt School in Exile (A Escola de
Frankfurt no exílio), (Minneapolis: University of Minnesota Press,
2009), 24; Ingar Solty, “Max Horkheimer, a Teacher without a Class” (Max
Horkheimer, um professor sem classe), Jacobin (15 de fevereiro de
2020): https://www.jacobinmag.com/2020/02/max-horkheimer-frankfurt-school-adorno-working-class-marxism;
Wheatland, The Frankfurt School in Exile (A Escola de Frankfurt no
exílio), 13.
[12] Perry Anderson, Considerations on Western Marxism (Considerações
sobre o marxismo ocidental), (Londres: Verso, 1989), 33; Steven
Müller-Doohm, Adorno: A Biography (Adorno: uma biografia), trad. Rodney
Livingstone (Cambridge: Polity Press, 2005), 94.
[13] Anderson, Considerations on Western Marxism (Considerações sobre o marxismo ocidental), 33.
[14] Rolf Wiggershaus, The Frankfurt School: Its History, Theories, and
Political Significance (A Escola de Frankfurt: sua história, teorias e
significância política), trad. Michael Robertson (Cambridge,
Massachusetts: The MIT Press, 1995), 104.
[15] Abromeit, Max Horkheimer, 150. Qualquer esperança escassa e
circunspecta que Horkheimer depositou na União Soviética chegou ao fim
no início da década de 1930, e “após 1950, Horkheimer começou a defender
as tradições políticas liberais-democráticas do Ocidente de uma maneira
que era […] unilateral” (Abromeit, Max Horkheimer, 15, veja também
181).
[16] “A teoria crítica”, argumentou Horkheimer, “não é ‘profundamente
enraizada’ como a propaganda totalitária nem ‘dissociada’ como a
intelligentsia liberal”, Max Horkheimer, Critical Theory: Selected
Essays (Teoria crítica: ensaios selecionados), trad. Matthew J.
O’Connell e outros (Nova York: Continuum, 2002), 223-4.
[17] Marie-Josée Levallée, “October and the Prospects for Revolution:
The Views of Arendt, Adorno, and Marcuse” (Outubro e as possibilidades
para a Revolução: visões de Arendt, Adorno e Marcuse), The Russian
Revolution as Ideal and Practice: Failures, Legacies, and the Future of
Revolution (A Revolução Russa como ideal e prática: falhas, legados e o
futuro da revolução), eds. Thomas Telios et al. (Cham, Suíça: Palgrave
Macmillan, 2020), 173.
[18] Gillian Rose, The Melancholy Science: An Introduction to the
Thought of Theodor W. Adorno (A ciência melancólica: uma introdução ao
pensamento de Theodor W. Adorno), (Nova York: Columbia University Press,
1978), 2.
[19] Wiggershaus, The Frankfurt School (A Escola de Frankfurt), 133.
Veja também Solty, “Max Horkheimer, a Teacher without a Class” (Max
Horkheimer, um professor sem classe) e Rose, The Melancholy Science (A
ciência melancólica), 2.
[20] Müller-Doohm, Adorno, 181.
[21] Müller-Doohm, Adorno, 181. “Mesmo em suas cartas pessoas”, escreveu
Müller-Doohm, “até os meados da década de 1930, não encontramos muito
além de imagens generalizadas de humor pessimista e nenhuma declaração
clara sobre a situação política”, 181.
[22] Anderson, Considerations on Western Marxism (Considerações sobre o
marxismo ocidental), 33. Thomas Wheatland explica que o Círculo de
Horkheimer em Nova York optou por “manter silêncio sobre as grandes
questões políticas da época e [… ocultar] seu marxismo quase por
completo. […] Horkheimer continuou relutante em arriscar as possíveis
repercussões do ativismo político ou até o compromisso político com os
principais tópicos da época” (The Frankfurt School in
Exile), (Minneapolis: University of Minnesota Press, 2009), 99.
[23] Veja Stuart Jeffries, Grand Hotel Abyss: The Lives of the Frankfurt
School (Grand Hotel Abyss: as vidas da Escola de Frankfurt), (Londres:
Verso, 2017), 72 e 197.
[24] Veja Wheatland, The Frankfurt School in Exile (A Escola de Frankfurt no exílio), 72, veja também 141.
[25] Jeffries, Grand Hotel Abyss, 136. Brecht manteve que “a Escola de
Frankfurt executou um truque de ilusão burguês ao se apresentar como um
instituto marxista enquanto insistia que a revolução não poderia mais
depender das rebeliões da classe operária e se negou a tomar parte na
destituição do capitalismo” (Jeffries, Grand Hotel Abyss, 77).
[26] Citado em Ulrich Fries, “Ende der Legende: Hintergründe zu Walter
Benjamins Tod” (Fim da lenda: antecedentes da morte de Walter Benjamin),
The Germanic Review: Literature, Culture, Theory 96:4 (2021), 421, 422.
Gostaria de expressar minha sincera gratidão a Helmut-Harry Loewen que
chamou minha atenção para esse importante artigo e compartilhou comigo
sua tradução parcial.
[27] Citado no artigo de Fries, “Ende der Legende” (Fim da lenda), 422, 422.
[28] Veja a carta de Adorno para Horkheimer em 26 de janeiro de 1936,
publicada em Adorno e Horkheimer, Correspondance, Vol. I, 110.
[29] Veja a troca epistolar entre os dois em Ronald Taylor,
ed., Aesthetics and Politics (Estética e Política), (Londres: Verso,
1977), 100-141.
[30] Citado em Fries, “Ende der Legende” (Fim da lenda), 409.
[31] Fries, “Ende der Legende” (Fim da lenda), 409, 424.
[32] Fries, “Ende der Legende” (Fim da lenda), 414.
[33] Citado em Fries, “Ende der Legende” (Fim da lenda), 410.
[34] Citado em Jack Jacobs, The Frankfurt School, Jewish Lives, and
Antisemitism (A Escola de Frankfurt, vidas judaicas e antissemitismo),
(Cambridge UK, Cambridge University Press, 2014), 59-60.
[35] Todd Cronan, Red Aesthetics: Rodchenko, Brecht, Eisenstein
(Estética vermelha: Rodchenko, Brecht, Eisenstein), (Lanham, Maryland:
Rowman & Littlefield Publishers, 2021), 132.
[36] Citado em Cronan, Red Aesthetics (Estética vermelha), 151.
[37] Sob a liderança de JLC, veja Catherine Collomp, “Anti-Semitism
among American Labor’: A Study by the Refugee Scholars of the Frankfurt
School of Sociology at the End of World War II” (Antissemitismo entre
operários americanos: um estudo dos acadêmicos refugiados da Escola de
Sociologia de Frankfurt ao final da Segunda Guerra Mundial), Labor
History 52:4 (Novembro de 2011): 417-439. Sobre o trabalho de Dubinsky
com a CIA, veja os documentos disponíveis na Sala de Leitura Eletrônica
FOIA da CIA (www.cia.gov), assim como Hugh Wilford, The Mighty
Wurlitzer: How the CIA Played America (O poderoso Wurlitzer: como a CIA
enganou a América), (Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press,
2008) e Frances Stonor Saunders, The Cultural Cold War: The CIA and the
World of Arts and Letters (A Guerra Fria cultural: a CIA e o mundo das
artes e cartas), (Nova York: The New Press, 1999).
[38] Veja David Jenemann, Adorno in America (Adorno na América), (Minneapolis: University of Minnesota Press, 2007), 181-2.
[39] Veja o arquivo de Adorno no FBI: vault.fbi.gov
[40] Veja o arquivo de Adorno no FBI: vault.fbi.gov
[41] Anderson, Considerations on Western Marxism (Considerações sobre o marxismo ocidental), 34.
[42] Jeffries, Grand Hotel Abyss, 297. Devemos lembrar que o próprio
Habermas foi um membro da Juventude Hitlerista e mais tarde apoiaria a
Guerra do Golfo e a intervenção da OTAN na Iugoslávia.
[43] Veja a lamentação insistente de Horkheimer contra Habermas e o
marxismo em sua carta a Adorno de 27 de setembro 1958 em Adorno e
Horkheimer, Correspondance, Vol. IV, 386-399.
[44] Citado em Wiggershaus, The Frankfurt School (A Escola de Frankfurt), 554.
[45] Jenemann, Adorno in America (Adorno na América), 182.
[46] Christopher Simpson, Science of Coercion: Communication Research
and Psychological Warfare 1945-1960 (Ciência da coerção: pesquisa em
comunicação e guerra psicológica 1945-1960), (Oxford: Oxford University
Press, 1996), 4.
[47] Wiggershaus, The Frankfurt School (A Escola de Frankfurt), 397.
[48] John Loftus, America’s Nazi Secret (O segredo nazista da América), (Walterville, OR: Trine Day, LLC, 2011), 228.
[49] Veja Wiggershaus, The Frankfurt School, 434.
[50] Wiggershaus, The Frankfurt School (A Escola de Frankfurt), 479.
[51] Veja Robert S. Wistrich, Who’s Who in Nazi Germany (Quem é quem na Alemanha nazista), (Nova York: Routledge, 2001), 281.
[52] Citado em Jenemann, Adorno in America (Adorno na América), 184. Em
sua declaração juramentada, Adorno disse basicamente o mesmo ao dizer
que “o Instituto para Pesquisa Social da Universidade de Frankfort [sic]
foi fundado com o apoio do HICOG e amplamente apoiado por meios
estadunidenses. É o objetivo dessa Instituição desenvolver uma
integração dos métodos de pesquisa estadunidenses e alemães e auxiliar
na educação dos estudantes alemães no espírito da democracia
estadunidense” (Jenemann, Adorno in America, 184).
[53] Segundo Wiggershaus, “Horkheimer não defendeu, como Paul Tillich, o
socialismo ou, como Hugo Sinzheimer ou Hermann Heller, pertenceu aos
democratas dedicados e declarados oponentes do nazismo” (The Frankfurt
School, 112). Sobre Adenauer, veja Rockhill, “Critical and Revolutionary
Theory” (Teoria crítica e revolucionária), assim como Philip Agee e
Louis Wolf, Dirty Work: The CIA in Western Europe (Trabalho sujo: a CIA
na Europa Ocidental), (Nova York: Dorset Press, 1978).
[54] Citado em Wolfgang Kraushaar, ed., Frankfurter Schule und
Studentenbewegung: Von der Flaschenpost zum Molotowcocktail 1946-1995
(Escola de Frankfurt e o movimento estudantil: da mensagem na garrafa ao
coquetel molotov 1946-1995), Vol. I: Chronik (Hamburgo: Rogner &
Bernhard GmbH & Co. Verlags KG, 1998), 252-3.
[55] Veja William Blum, Killing Hope: U.S. Military and CIA
Interventions since World War II (Acabando com a esperança: intervenções
militares dos EUA e da CIA desde a Segunda Guerra Mundial), (Londres:
Zed Books, 2014).
[56] Citado em Jeffries, Grand Hotel Abyss, 297.
[57] V.I. Lenin, Collected Works (Obras completas), Vol. 22 (Moscou: Progress Publishers, 1966), 309.
[58] A racialização dos comunistas tem sido uma parte importante da
ideologia anticomunista, como Domenico Losurdo explicou em War and
Revolution (Guerra e Revolução), trad. Gregory Elliott (Londres: Verso,
2015).
[59] Theodor Adorno e Max Horkheimer, “Towards a New Manifesto?” (Rumo a
um novo manifesto?), New Left Review 65 (setembro a outubro de 2019),
49.
[60] Adorno e Horkheimer, “Towards a New Manifesto?” (Rumo a um novo manifesto?), 59.
[61] Adorno e Horkheimer, “Towards a New Manifesto?” (Rumo a um novo manifesto?), 59.
[62] Adorno e Horkheimer, “Towards a New Manifesto?” (Rumo a um novo manifesto?), 57.
[63] Adorno e Horkheimer, “Towards a New Manifesto?” (Rumo a um novo manifesto?), 57, 59.
[64] Adorno e Horkheimer, “Towards a New Manifesto?” (Rumo a um novo
manifesto?), 41. Horkheimer expressou pontos de vista pró-capitalistas e
anticomunistas semelhantes em várias ocasiões. Por exemplo, em uma
longa carta a Adorno datada de 27 de setembro de 1958, ele alegou que a
“revolução significa, na verdade, a passagem para o terror” e afirmou
que o que deve ser defendido é “o restante da civilização burguesa onde a
ideia de liberdade individual e sociedade autêntica ainda tem seu
lugar” (Adorno e Horkheimer, Correspondance: 1927-1969, Vol. IV, 395).
Em 1968, para citar outro exemplo, ele descreveu explicitamente sua
posição como um contrarrevolucionário ao dizer que “uma declaração
aberta de que mesmo uma democracia duvidosa, por todos os seus defeitos,
é sempre melhor do que uma ditadura que inevitavelmente resultaria em
uma revolução hoje, parece, para mim, necessária para o bem da verdade”
(Horkheimer, Critical Theory, viii). Após recordar a condenação de
Horkheimer da “barbárie selvagem do Oriente”, Stefan Müller-Doohm
escreve em sua biografia de 700 páginas sobre Adorno, que “Adorno e
Horkheimer estavam de acordo em sua avaliação do chamado Bloco do Leste,
ou seja, a União Soviética, mas também a China comunista” (415). Em
relação ao colonialismo, Horkheimer escreveu a Adorno que apesar “do
sonho europeu de superioridade permanente na era colonial” ser
“abominável”, tinha, no entanto, “suas vantagens” (Adorno e
Horkheimer, Correspondance, Vol. IV, 466).
[65] Max Horkheimer, “The Authoritarian State” (O Estado autoritário), Telos 15 (primavera de 1973): 16.
[66] Veja Domenico Losurdo, El Marxismo occidental: Cómo nació, cómo
murió y cómo puede resucitar (O marxismo ocidental: como nasceu, como
morreu e como pode ressuscitar), trad. Alejandro García Mayo (Madrid:
Editorial Trotta, 2019). Esse livro, originalmente escrito em italiano,
está sendo traduzido para o inglês por Steven Colatrella para a 1804
Books.
[67] Max Horkheimer, Gesammelte Schriften (Escritos Colecionados), eds.
Alfred Schmidt e Gunzelin Schmid Noerr, Vol. 18 (Frankfurt am Main: S.
Fischer, 1985), 73. Veja também Müller-Doohm, Adorno, 334. Adorno chegou
até a endossar a posição do militante anticomunista e colaborador da
CIA Arthur Koestler, ao escrever que “o comunismo se tornou um ‘partido
de direita’ (ao que Koestler destacou) e […] identificou-se
completamente com o imperialismo russo” (Adorno e
Horkheimer, Correspondance, Vol. IV, 655).
[68] Veja esse documento da Sala de Leitura Eletrônica FOIA da CIA:
www.cia.gov Gostaria de expressar minha gratidão a Colin Bodayle por
chamar minha atenção para esse documento.
[69] Theodor Adorno, Critical Models: Interventions and Catchwords
(Modelos Críticos: intervenções e palavras de ordem), trad. Henry W.
Pickford (Nova York: Columbia University Press, 2005), 94.
[70] Adorno, Critical Models (Modelos Críticos), 94.
[71] Adorno, Critical Models (Modelos Críticos), 94.
[72] Müller-Doohm, Adorno, 438.
[73] Müller-Doohm, Adorno, 438.
[74] Müller-Doohm, Adorno, 438.
[75] V.I. Lenin, Collected Works (Obras completas), Vol. 16 (Moscou: Progress Publishers, 1977), 332.
[76] Lenin, Collected Works (Obras completas), Vol. 16, 332.
[77] Como argumentei em “Teoria crítica e revolucionária”, essa análise da parte dos estudantes era completamente justificada.
[78] Adorno, Critical Models (Modelos críticos), 267. O falso elogio
dialético de Adorno à inação como melhor forma de ação é reiterado em
sua correspondência com Marcuse sobre os protestos estudantis quando ele
diz que “resistimos ao nosso tempo, você, não menos do que eu, a uma
situação muito mais terrível — o assassinato dos judeus — sem proceder à
práxis; simplesmente porque esta estava bloqueada para nós. […] Para
ser mais direto; acredito que você está se iludindo em não poder seguir
adiante sem participar das façanhas estudantis pelo que está acontecendo
no Vietnã ou em Biafra. Se essa é, de fato, sua reação, então você não
deve protestar apenas contra os horrores das bombas de napalm, mas
também contra as indescritíveis torturas ao estilo chinês que os
vietcongues realizam permanentemente” (Adorno e Marcuse, “Correspondence
on the German Student Movement” (Correspondência sobre o movimento
estudantil alemão), New Left Review 233 (janeiro a fevereiro de 1999),
127). Ele faz declarações semelhantes em outros lugares, como em seu
texto de 1969, “Resignation” (Renúncia), onde ele celebra o “momento
utópico de pensamento” acima e contra qualquer forma de ação, dizendo
que “o pensador crítico intransigente que não renuncia sua consciência
nem se deixa ser aterrorizado a agir é, em verdade, aquele que não cede.
[…] Pensar é, na verdade, a força de resistência” (Adorno, Critical
Models, 293).
[79] Adorno, Critical Models (Modelos Críticos), 268.
[80] Adorno, Critical Models (Modelos Críticos), 268.
[81] Koestler foi uma grande figura nas redes do Congresso pela
Liberdade Cultural da CIA e no Departamento de Pesquisa de Informação do
MI6.
[82] Citado no artigo de Esther Leslie, “Introduction to Adorno/Marcuse
Correspondence on the German Student Movement” (Introdução à
correspondência de Adorno/Marcuse sobre o movimento estudantil alemão),
New Left Review 233 (janeiro a fevereiro de 1999), 119 e
Kraushaar, Frankfurter Schule und Studentenbewegung (Escola de Frankfurt
e o movimento estudantil), Vol. 1, 374.
[83] Kraushaar, Frankfurter Schule und Studentbewegung, Vol. 1, 398.
Krahl foi o único ativista que não liberado da prisão na mesma noite e
Adorno decidiu apresentar queixa contra ele, como havia feito em 1964
contra o grupo estudantil Subversive Aktion (Ação subversiva), apesar da
pressão para retirar as acusações.
[84] N.T.: “Whitewasher” é um termo usado para descrever alguém que
deliberadamente tentar esconder fatos desagradáveis ou incriminadores
sobre uma pessoa, ou instituição.
[85] Bertolt Brecht, Collected Plays: Six (Peças Completas: seis), eds.
John Willett e Ralph Manheim (Londres: Random House, 1998), 189.
[86] Brecht, Collected Plays: Six (Peças Completas: seis), 145.