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sexta-feira, 17 de abril de 2026

 O ódio aos intelectuais

Julgo que entre os diversos elementos que compõem a mentalidade fascista ( racismo, xenofobia, descontentamento justificado pela extrema desigualdade, perda de confiança nas instituições que deviam servir o povo) haverá que realçar uma espécie de hostilidade contra a intelectualidade considerada como "classe" ou "elite". Esta hostilidade (chamar-lhe-ia suspeição, preconceito) atravessou a direita e a esquerda e muito provavelmente permanece. O que é aparentemente paradoxal numa época de escolaridade média generalizada e de um fascínio pelas tecnologias (tecnociência).
Ressentimento? Reação contra o desprezo que alguma intelectualidade manifestou pela cultura popular (arrogância académica, complexo de superioridade , comentários de desprezo pelos "ignorantes") ?
Todavia, é inegável que em muitos concelhos, senão todos, as associações, escolas e cine-teatros, têm difundido música clássica, teatro, artes plásticas, bibliotecas, etc. numa tentativa de "democratizar" a cultura dita erudita e a popular (artesanato).
Porquê, pois, esse ódio aos intelectuais, essa suspeição contra os difamados "teóricos"?
Sobretudo quando é veiculado por dirigentes políticos mediáticos messiânicos?
É claro que a intelectualidade, chamemos assim, não é inocente, homogénea e ingénua. Existiram intelectuais e académicos até nas fileiras fascistas. Ese existe uma Ideologia dominante , ela é segregada por intelectuais em primeira mão.
É isso que converte o fenómeno social ( a arma política ) do ódio aos intelectuais e ao discurso elaborado, ainda mais inesperado e complexo.

N. P.  

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