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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Explicar a ascensão dos partidos e da mentalidade fascista na Europa não é servirmo-nos das "fraquezas da democracia" como se esta não fosse uma forma política capturada pelo capitalismo para defendê-lo. Podemos e devemos promover e participar de uma larga unidade na acção de antifascistas de vários quadrantes ideológicos incluindo social-democratas desiludidos e coerentes, porém como lembra o autor deste artigo a frae célebre de Marx, ser radical é ir à raiz do problema que se estuda para que, assim, se possa combatêlo extirpando-a.

 Algumas ideias para se compreender as origens do fascismo e do nazismo

 
«O monstro de três cabeças: sionismo, nazismo e fascismo, filhos putativos do capitalismo.
Ser radical é ir à raiz dos problemas. E a raiz do nosso problema tem nome e sobrenome: chama-se capitalismo e, hoje, em plena decomposição, está gerando novamente as suas criaturas mais monstruosas.

Uma esquerda desnorteada diante de uma ultradireita que avança

Vivemos em uma sociedade radicalizada, com uma esquerda, no mínimo, desnorteada e desenraizada de sua classe. Uma esquerda que deixou de acreditar na classe trabalhadora, que chega a negar a vigência da luta de classes e que se ilude pensando que a moderação é a solução. Enquanto isso, o futuro parece cada dia mais sombrio.

Nossa juventude não vê horizonte, e é lógico: depois de estudar e se preparar, não consegue sequer conquistar a independência. E não são apenas os jovens: trabalhadores empregados não conseguem chegar ao fim do mês, esmagados por alugueis que consomem grande parte do salário, com rendimentos insuficientes para pensar no presente e, muito menos, em constituir família.
Essa grande massa de pessoas esmagadas pelo sistema e pela sua ganância tem hoje, como única referência "antissistema", a ultradireita. E a ultradireita, com a esquerda desaparecida, ocupa sem esforço um espaço que não lhe pertence, atiçando o descontentamento com as velhas receitas de Goebbels: repetir a mentira mil vezes até transformá-la em verdade, buscar bodes expiatórios e prometer uma mudança radical que, na realidade, é uma fraude, pois o fascismo é o cão de guerra do capitalismo e come na mão dos oligarcas.

Nem a social-democracia nem a esquerda moderada estão preparadas para detê-la. Elas não combatem o sistema, e os povos as veem como parte do problema, entendendo a moderação e a hesitação como a antessala da traição.

O monstro de três cabeças.

Sionismo, nazismo e fascismo são filhos adotivos do capitalismo. Radicalizam seu discurso movidos pelo medo de uma mudança real que imponha limites aos privilégios do IBEX 35, do setor bancário e das oligarquias que os financiam e controlam. Esse monstro de três cabeças é o verdadeiro inimigo da classe trabalhadora, dos serviços públicos, da justiça social, das liberdades, da educação e da saúde universal.

O pensamento do povo escolhido para dominar, a ideia de uma raça superior destinada a mandar sobre as demais, é um pensamento desumano e intolerável, independentemente de quem o defenda.

O racismo como cortina de fumaça.

Em tempos de crise sistêmica, o capitalismo recorre sempre aos seus velhos fantasmas para sobreviver. O racismo não é um fenômeno isolado nem uma questão de preconceitos individuais: é uma ferramenta política e econômica para fragmentar a unidade daqueles que só têm a própria força de trabalho para subsistir.

Dizem-nos que o migrante vem para nos tirar o emprego ou sobrecarregar os serviços públicos, enquanto escondem que são os cortes, a precariedade e a evasão fiscal das grandes fortunas que desmontam o nosso bem-estar.

Enquanto o trabalhador local olha com desconfiança para o trabalhador estrangeiro, ambos deixam de olhar para cima, para onde realmente são tomadas as decisões que nos empobrecem. É a velha estratégia de dividir para vencer. A nossa luta não é contra quem chega em barcos precários, mas contra quem nos despeja de casa, quem nos explora e quem utiliza o medo para ganhar votos.
Corrupção ou sistema?

Existem diferentes níveis de corrupção, dependendo do grau de degradação das instituições burguesas, mas não nos esqueçamos de que a corrupção é inerente ao capitalismo. Quem fala em um "capitalismo bom" mente: é um sistema baseado na exploração e na acumulação.

O capitalismo não tem futuro. Vivemos uma crise de superprodução e de escassez de recursos naturais que gera novas guerras pelo seu controle. Ele se baseia em um crescimento infinito que está chegando ao fim. As alternativas, hoje como ontem, são socialismo ou barbárie.

O custo de vida elevado, os direitos arrancados.

Perdemos poder de compra enquanto os produtos básicos encarecem. Eletricidade, água, gás, combustível, aluguel ou a alimentação de uma família já são artigos de luxo. À pobreza do desemprego somam-se agora a pobreza energética e a pobreza salarial: é possível ter emprego e viver na miséria.

Os aposentados sobrevivem com pensões miseráveis, enquanto alguns políticos as chamam de esmolas estatais.

Roubaram nossos direitos sob o pretexto de uma crise que engordou a fortuna dos mais ricos. Legislaram contra o direito de greve; os trabalhadores pagam com multas e até com a prisão a defesa de seus direitos nas ruas.

Os empresários conseguiram uma reforma trabalhista feita sob medida para eles. A saúde pública perde recursos para beneficiar os seguros privados, colocando nossa vida à venda como mercadoria. A educação pública retrocede porque a oligarquia não quer que o filho do operário estude.

A classe trabalhadora: vítima e algoz do sistema.

O capitalismo tem na classe trabalhadora, ao mesmo tempo, sua vítima e seu algoz. Somos os pilares do sistema e, se agirmos juntos, ele desmorona. Por isso, as oligarquias se munem de ferramentas para nos manter desunidos e confusos, negando a vigência da luta de classes como motor da história.

Ser militante comunista — ou militante de esquerda, de modo geral — exige ser tão realista quanto utópico; compreender o contexto e a correlação de forças; saber abrir mão de parte da nossa razão quando necessário, mas jamais do primeiro dos nossos princípios.

Há pouco tempo, discutíamos se mil euros por mês bastavam para viver com dignidade; hoje, discute-se se um estagiário deve receber remuneração, e esses insuficientes mil euros passam a ser vistos como salário de privilegiados.

Esse caldo de cultura — composto por salários aviltados, direitos perdidos e leis que criminalizam o protesto — é o que alimenta um discurso fascista disfarçado de antissistema, que se aproveita do desespero da classe trabalhadora para seus próprios fins.

Não faz muito tempo, um dos povos mais "cultos" da Europa respondeu a uma crise do capitalismo elegendo um fanático racista como líder. Aquele país era a Alemanha; o eleito, Adolf Hitler.

Vivemos tempos interessantes, como diz a maldição chinesa: tempos de decomposição do capitalismo, uma crise sem saída adiante dentro deste sistema.

Ou a esquerda recupera sua essência e põe os pés no chão para chamar as coisas pelo nome, ou viveremos tempos de fascismo.

Não cantemos vitória ainda.

Como alertava Bertolt Brecht no epílogo de *A Ascensão Irresistível de Arturo Ui*, o fato de o mundo inteiro ter se levantado e derrotado a besta não significa que sua matriz tenha deixado de ser fértil: o ventre que a gerou continua vivo e em condições de pari-la novamente.

O fascismo nunca foi uma anomalia nem um acidente histórico encerrado em 1945; é uma possibilidade sempre latente enquanto persistir o capitalismo em crise que o gera.
Não basta ter vencido o monstro uma vez: é preciso impedir que a mãe dele entre no cio novamente.

Até a vitória, sempre!



André Abeledo Fernández,
Conselheiro de EU-Narón (Secção local - Galiza - da Federação da Esquerda Unida, união de socialistas e comunistas) sindicalista organizado na CIG.

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