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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Objectividade, a quanto obrigas!

Neste século tem-se publicado bastantes estudos sobre a história da União Soviética e do seu colapso, muitos dos quais não são facilmente acessíveis. Tenho estado a ler um estudo editado pela Ed. Avante!, de Roger Keeran e Thomas Kenny, O Socialismo Traído, Por detrás do colapso da União Soviética. Recentemente li um outro, editado pela Campo da Comunicação, 2004, de S. Resnick e R. Wolff, Teoria de Classe e História, Capitalismo e Comunismo na URSS (a editora dicidiu colocar uma faixa de marqueting: «A primeira análise científica do desaparecimento da União Soviética»!!). As abordagens são completamente diferentes: no primeiro dos livros assistimos ao desenrolar das controvérsias no interior do PCUS, à volta das opções e orientações que se sucediam em alternância conforme os episódios críticos e os diferentes protagonistas principais (Estáline/Bukhárine/Tolstoi, Estalinismo/Kruchtchov, Kruchtchov/Bréjnev, enfatizando a figura crucial de Andrópov (se não tivesse falecido prematuramente a URSS muito provavelmente não sofreria a desagregação provocada por Gorbachov). Os autores inclinam-se abertamente para uma espécie de «terceira via» entre a opção pela indústria ligeira (de bens de consumo, agricultura) e a continuação da industrialização (fixada por Lénine e Estáline), liberalização política controlada, que seria a política de Andrópov, o qual trazia um elevado prestígio de intransigente investigador da corrupção. Citações extraídas integralmente dos documentos, resultados quantificados e estatísticas, fornecem consistência. Referindo o plano de reformas de Andrópov (ciando o discurso que este proferiu), os autores concluem e afirmam o sguinte:« Ao definir o problema dos bens de consumo, Andrópov distinguiu a sua abordagem da de Kruchtchov. Andrópov sublinhou que os padrões de vida não se reduziam à simples competição com o Ocidente por maiores salários e mais objectos materiais. Ao invés, os padrões de vida socialistas significavam muito mais:«o crescimento do nível de consciência e cultura», «consumo razoável», «uma dieta racional», serviços públicos de qualidade e «um uso moral e esteticamente adequado do tempo livre».
Abreviadamente existiriam assim, duas orientações opostas e já desde o tempo de Lénine: uma, que classificariamos (os autores classificam) de «direita» e, outra, «esquerdista».
O segundo livro, apontado acima, parece-nos usar uma fraseologia «esquerdista» para poder assim classificar o socialismo na URSS como «capitalismo de Estado», contudo as suas simpatias declaradas vão no sentido do enfraquecimento do papel director do Partido e da centralização da economia. Falaremos de novo deste livro controverso.
Tanto um como o outro (mas, sobretudo, o primeiro) contêm indicações precisas sobre o número de vítimas causadas pela repressão estalinista («Usando os arquivos soviéticos recentemente abertos, os estudiosos determinaram o número total de execuções de 1921 a 1953 em 799.455, muito abaixo dos milhões estimados por Robert Conquest, Roi Medvédev e outros académicos anti-soviéticos)».

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