Elias Khoury nasceu em Beirute, em 1948. Foi romancista, dramaturgo,
crítico e um dos mais influentes intelectuais do mundo árabe. Dirigiu atualmente o suplemento cultural do jornal diário Na-Nahar e é
professor universitário, repartindo o seu tempo entre Nova Iorque, onde deu aulas na Universidade de Columbia, e a sua cidade de origem, onde deu aulas na Universidade Americana. Os seus dez romances estão traduzidos
em diversas línguas. A Porta do Sol, estreia literária de Khoury em Portugal, recebeu a mais alta distinção literária palestiniana

Elias Khoury
Elias Khoury nasceu em Beirute, no Líbano, em 12 de julho de 1948.
Desde muito jovem, demonstrou interesse pela literatura e pelos temas
políticos. Em 1967, juntou-se ao movimento Fatah, braço armado da
Organização para a Libertação da Palestina (OLP), experiência que
marcaria profundamente sua trajetória intelectual e consolidaria seu
compromisso com a causa palestina; como intelectual público e engajado,
Khoury sempre articulou a luta pela libertação da Palestina à luta
contra toda forma de tirania. Formou-se em História pela Universidade
Libanesa e obteve o doutorado em Sociologia pela Universidade de Paris,
onde foi aluno do sociólogo Alain Touraine.
Durante a Guerra Civil Libanesa (1975–1990), Khoury tornou-se membro
do Movimento Nacional Libanês, uma coalizão de partidos de esquerda e
pan-árabes que buscava transformar a estrutura política e social do
país. Paralelamente à sua atuação política, Khoury desempenhou um papel
central no cenário cultural árabe contemporâneo, estabelecendo-se como
intelectual engajado nas questões regionais. Foi editor do suplemento
cultural Al-Mulhaq do jornal libanês An-Nahar — sob
sua direção, o suplemento transformou-se em um espaço de liberdade de
expressão para opositores e dissidentes políticos da região. —, membro
do comitê editorial da revista Mawaqif, ao lado de Adonis e Mahmud Darwich, e editor-chefe de Chu’un Filastiniyyah, publicação do Centro de Pesquisas da OLP, onde voltou a colaborar com Darwich.
Sua atuação no Théâtre de Beyrouth também foi marcante,
unindo atividades culturais e políticas em defesa da liberdade de
expressão, da democracia e de reformas sociais no Líbano. Além de
escritor e ativista, Khoury foi também professor em universidades de
prestígio, como a Universidade Americana de Beirute (AUB), a
Universidade de Columbia e a Universidade de Nova York (NYU). Entre suas
principais obras estão Porta do Sol (Record, 2008), Yalo (Record, 2012), Meu nome é Adam (Tabla, 2022) e Stella Maris –
todos traduzidos por Safa Jubran –, entre outros romances que
consolidaram seu nome como um dos grandes autores da literatura árabe
contemporânea.
Elias Khoury faleceu em 15 de setembro de 2024, deixando um legado
literário e político de imensa relevância. Sua obra é atravessada por
temas como a memória coletiva, os grandes acontecimentos históricos e as
subjetividades que os constroem, a complexidade das relações humanas e o
exílio. Com uma narrativa onírica, permeada por referências à tradição
poética árabe, Khoury buscava, em suas próprias palavras, “[…] fazer da
história a História dos vencidos, que os historiadores não têm coragem
de escrever”.
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