«“Ocorre que os balanços marxistas a respeito da crise de Weimar e da
ascensão do nazismo se dividem, no decorrer das décadas posteriores a
tais fatos, em múltiplas chaves de leitura. Proponho a leitura de tais
explicações em três conjuntos teóricos. O primeiro deles é aquele
diretamente elaborado pela chamada Escola de Frankfurt. Friedrich
Pollock, no núcleo de tal corrente, busca compreender o fenômeno do
nazismo a partir da chave do capitalismo de Estado – a força do amálgama
entre política e capital. Numa segunda chave, ainda próxima aos
frankfurtianos, mas trabalhando em análise distinta, dá-se a leitura da
ascensão do nazismo como fraqueza da política em face das contradições
do capital. Franz Neumann, no seu clássico Behemoth, expõe a
natureza conflituosa da relação entre frações de classe capitalistas,
Estado e militares e o nazismo. Alfred Sohn-Rethel partilha de leitura
algo similar à de Neumann, ainda que com recortes próprios. O terceiro
dos blocos é o que parte das chaves da ciência econômica e da ciência
política até chegar às portas daquilo que se denomina “novo” marxismo.
No campo da economia, Michal Kalecki aponta para o peso das decisões
políticas na dinâmica econômica capitalista – constituindo, assim, uma
chave mais politicista de explicação. Charles Bettelheim explica o
nazismo pelas condições de subconsumo, numa chave mais economicista. Por
fim, ao se voltar ao tema já na década de 1970, Nicos Poulantzas atrela
o fascismo à disputa e à coesão específicas do arranjo das frações de
classe alemãs, buscando empreender uma tipologia das dinâmicas
recíprocas entre o político e o econômico no capitalismo.” » Alysson Leandro Mascaro , ver artigo mesa-redonda sobre o fascismo, in blog da Boitempo
Translate
domingo, 20 de dezembro de 2020
Nazi-Fascismo
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário