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quarta-feira, 23 de junho de 2021

Uma perspectiva fora do baralho

 

“A agenda climática apocalíptica está a perder legitimidade”: Michael Shellenberger, o ambientalista que diz que não estamos no fim do mundo

Michael Shellenberger

nurphoto

Numa entrevista por escrito, o autor de "Apocalipse Nunca" explica por que acha contraproducente, e mesmo perigoso, exagerar a ameaça das alterações climáticas. E, para ele, a solução encontra-se exatamente onde muitos pensam que está o mal

23 Junho 2021 15:35

Luís M. Faria

Jornalista


Não vem aí nenhuma extinção em massa, as alterações climáticas não vão provocar fome, a desflorestação da Amazónia não tem efeitos drásticos sobre a atmosfera, o aquecimento global não é responsável por grandes incêndios florestais nos últimos anos. Para Michael Shellenberger, um ambientalista de longa data que contesta aquilo que vê como alarmismo desnecessário e até nocivo. é no desenvolvimento económico e tecnológico - e em particular, na energia nuclear - que está a resposta mais importante para os problemas ambientais. Essas ideias surgem no livro "Apocalipse Nunca" (ed. Dom Quixote), a propósito de cuja recente edição portuguesa o Expresso lhe enviou algumas questões.

O seu livro é um apelo contra o alarmismo, ou uma narrativa apocalíptica, se quisermos, que parece ter-se tornado a posição habitual em muitas discussões sobre o ambiente. Quais dos seus aspetos o preocupam mais?
É verdade que as alterações climáticas podem tornar mais intensos alguns eventos climatéricos extremos, e que os furacões são piores em nações pobres do que nas ricas. O governo americano prevê, por exemplo, que a intensidade máxima nas tempestades tropicais e furacões no Atlântico aumentará 5% no século XXI. E isso sem contar as vidas potenciais que se perdem com a menor produtividade agrícola, a doença e a subida do nível do mar.

Mas não existe nenhum cenário cientificamente válido que afirme que as alterações climáticas alguma vez matarão 90 mil pessoas num único ano, muito menos só nos EUA. Embora a intensidade dos furacões possa aumentar 5%, a mesma ciência prevê que a sua frequência reduzir-se-á 25%. As mortes por desastres naturais desceram 99% no Bangladesh e noutras nações pobres desde os anos 80, embora o planeta tenha continuado a aquecer. Globalmente, o período de cinco anos que terminou em 2020 teve o menor número de mortes em desastres naturais de qualquer período de cinco anos desde 1980.

Nem o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas das Nações Unidas (IPCC) nem qualquer outro organismo científico reputado prevê uma inversão da tendência de longo prazo para o declínio de mortes, mesmo que as temperaturas subam significativamente. E relatórios tanto do IPCC como da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Desenvolvimento) deixam claro que o crescimento económico e a tecnologia existente deverão superar os impactos das temperaturas mais altas na produção alimentar, nas doenças e nas subidas do nível do mar.

Contudo, uma grande sondagem com 30 mil inquiridos pelo mundo fora descobriu que cerca de metade acreditam que as alterações climáticas poderão extinguir a humanidade. Profissionais de saúde mental veem-se agora rotineiramente a lidar com ansiedade adolescente sobre o clima. Em janeiro, soube-se que um em cada cinco crianças reportam ter pesadelos sobre ele. É um disparate.

Pode explicar um pouco melhor como os média contribuem para reproduzir o alarmismo? É sobretudo uma questão de ignorância ou há mais em jogo? Tem tido algum sucesso em ajudá-los a reparar no fenómeno?
Em parte, é para poderem usar os eventos mais visuais e dramáticos do mundo, desde o furacão Sandy até aos fogos florestais da Califórnia, para destacar o assunto junto dos eleitores. Se se reconhecesse que os danos do furacão Sandy tiveram largamente a ver com o falhanço de Nova Iorque em modernizar os seus sistemas de controle de inundações ou que os incêndios florestais na Califórnia se deveram à acumulação de combustível de madeira após décadas de supressão de fogos, os jornalistas, cientistas e ativistas alarmistas ficariam privados dos efeitos visualmente poderosos e dos "cabides noticiosos" de que precisam para amedrontar as pessoas, angariar dinheiro e promover políticas climáticas.

Acho que o objetivo do alarmismo é simplesmente o próprio alarmismo. Não é reduzir as emissões de CO2, pois aí ir-se-ia para o gás natural e a energia nuclear. Os grupos de interesse do clima, porém, querem energia solar e eólica. Porquê? Por um lado, porque as veem em harmonia com a natureza, e por outro, por acharem que temos de fazer sacrifícios.

O alarmismo climático não tem a ver só com dinheiro. Também com poder. As elites têm usado o alarmismo climático para justificar esforços para controlar as políticas alimentares e energéticas nos seus países de origem e pelo mundo fora desde há mais de três décadas.
Apenas na última década, conseguiram desviar financiamento do Banco Mundial e instituições similares que se destinava a fins de desenvolvimento e orientá-lo para causas beneficentes, como painéis solares para aldeões, que não potenciam o desenvolvimento.
Quando a discussão apocalíptica sobre armas nucleares chegou ao fim com o termo da Guerra Fria, os medos seculares tiveram de arranjar algo diferente a que se agarrarem. Mesmo as armas nucleares foram um substituto para apresentações anteriores do apocalipse, incluindo o fascismo e o comunismo. Além disso, no início dos anos 90, os medos do excesso populacional esvaíram-se, pelo que os pensadores ambientais se viraram para o clima.

A boa notícia é que a agenda climática apocalíptica está rapidamente a perder legitimidade, e a falhar politicamente. Isto não acontece apenas por os ativistas climáticos encerrarem centrais nucleares e aumentarem as emissões, mostrando que as suas motivações reais têm menos a ver com as alterações climáticas do que com restringir o crescimento económico. Também é por as drogas estarem a matar 300 vezes mais pessoas do que o clima, deixando claro qual é a verdadeira emergência e qual não é.

Foi de alguma forma ostracizado por causa das suas opiniões? Houve críticas que tenha achado úteis?
Embora esperasse que o meu livro fosse controverso, não esperava que o principal repórter climático da CNN o comparasse a um anúncio de tabaco, ou que um jornalista ambiental com quase meio milhão de seguidores no Twitter me acusasse de promover a "supremacia branca".
E, no entanto, sou um ativista do clima há 20 anos e um ativista ambiental há mais de 30. Os governos, incluindo o congresso americano, pedem-me regularmente que dê o meu testemunho enquanto especialista energético. E, no ano passado, o IPCC pediu-me que fosse crítico especialista do seu próximo grande relatório.

Mas como aponto factos inconvenientes sobre o clima, as renováveis e o nuclear, atacam-me da mesma forma que os heréticos sempre foram atacados. A sua esperança é conseguir desviar a atenção do conteúdo, e denegrir o meu caráter. Felizmente, não resultou. "Apocalipse Nunca" foi um best-seller. Está a ser traduzido em mais de 15 línguas. Testemunhei seis vezes perante o Congresso nos últimos 18 meses. E tenho mais dois livros em preparação para a HarperCollins, um dos quais será publicado ainda este ano.

Menciona o fundo religioso, por assim dizer, de muito desse pensamento apocalíptico, embora aqui a entidade invisível superior seja a 'natureza', não Deus. Por vezes não é necessário um pouco desse tipo de crença para se ser um ativista, ainda que secular - uma fé em algo que nos transcende, ainda que não seja estritamente real?
A energia renovável e os movimentos ambientais constituem uma religião. Há argumentos bíblicos que são usados: nós humanos, vivemos em tempo em estado de harmonia com a natureza, e então ferimo-la, causámos-lhe dano, violamo-la com conhecimento e tecnologia, com combustíveis fósseis e nucleares.

Tombámos da natureza. Caímos, somos culpados. Portanto, devemos parar de comer carne. Este é um ponto central em muitas religiões: nada de carne, nada de prazer, nada de viajar, ou o mundo perecerá. Como se diz no Livro da Revelação, o apocalipse vem aí. O alarmismo climático é poderoso por ter emergido como uma religião alternativa para pessoas supostamente seculares, fornecendo muitos dos mesmo benefícios psicológicos da fé tradicional. O alarmismo climático dá-lhes um propósito. Oferece-lhes uma histórias que os apresenta como heróis e proporciona-lhes uma via para encontrarem sentido nas suas vidas, retendo ao mesmo tempo a ilusão de serem gente de ciência e razão, não de superstição e fantasia.

Não há nada de errado na fé religiosa, e com frequência há muito de certo. As religiões há muito tempo oferecem às pessoas o sentido, o propósito e as consolações de que elas precisam para suportar os muitos desafios da vida. As religiões podem ser um guia para comportamento positivo, pró-social e ético. O problema com a nova religião ambiental é que se tornou cada vez mais destrutiva. Leva os seus aderentes a demonizar os seus opositores, e espalha ansiedade e depressão sem satisfazer as necessidades espirituais mais profundas.

Na sua opinião, quais foram as principais realizações do movimento ambiental ao longo das últimas décadas? E que efeitos particularmente negativos destacaria?
Ao longo das últimas décadas, o movimento ambiental criou globalmente áreas protegidas de centenas de milhares de milhas. Isso é altamente significativo. Mas a insensibilidade à necessidade que o Brasil tem de desenvolvimento económico levou grupos ambientais, incluindo o Greenpeace, a defender políticas que contribuíram para a fragmentação da floresta tropical e a expansão desnecessária dos ranchos e da agricultura. Políticas ambientais deviam ter resultado em "intensificação", cultivando mais comida em menos terra. Em vez disso, resultaram em extensificação, e numa reação política e por parte dos agricultores que levou à desflorestação crescente.

O Greenpeace exigiu um Código Florestal muito mais estrito do que o que foi imposto pelo governo brasileiro. O Greenpeace e outras ONG ambientais exigiram que os proprietários mantivessem uma grande parte dos seus terrenos, 50% a 80%, como floresta através do Código Florestal do Brasil.

O Greenpeace tentou impôr restrições mais estritas da agricultura na floresta da savana, conhecida como o Cerrado, onde muita da soja brasileira é cultivada. "Os agricultores ficaram receosos de que houvesse outra moratória dos governos às importações de soja do Brasil", explica Nepstad. "O Cerrado é 60 por cento da cultura de soja da nação. A Amazónia é 10 por cento. Assim, isto é um assunto bastante mais sério".

A campanha da Greenpeace levou jornalistas, políticos e o público a misturar a savana do Cerrado e a floresta da Amazónia, fazendo crer que a expansão do cultivo de soja no Cerrado era o mesmo que derrubar árvores na floresta tropical. Mas há muito mais justificação económica e ecológica para a desflorestação no Cerrado, que é muito menos diverso biologicamente, e tem solos mais adequados ao cultivo de soja, do que a floresta tropical. O Greenpeace e os jornalistas exageraram o problema, criando a impressão errada de que os dois lugares tinham igual valor ecológico e económico.

Michael Shellenberger numa ação do partido nacionalista flamengo N-V

Michael Shellenberger numa ação do partido nacionalista flamengo N-V

james arthur gekiere

Alguma vez o inquieta que o que escreve possa ser usado por pessoas que não são de forma nenhuma ambientalistas e querem apenas acabar com qualquer tipo de limitações às atividades económicas? Toma algum tipo de precauções contra isso, ou simplesmente não é uma questão?
Trabalho nesta área há 30 anos e nunca encontrei ninguém que corresponda à caricatura que está a descrever. Essa caricatura foi criada por grupos como o Greenpeace para estigmatizar opositores da sua agenda radical como indiferentes ao ambiente, quando na realidade esses opositores muitas vezes levantam questões económicas e ambientais sérias.

As renováveis que dependem do tempo tornam cara a eletricidade. Veja as redes elétricas: a oferta e a procura são melhor conciliadas em sistemas com um pequeno número de grandes centrais. Se agora acrescentarmos as energias renováveis, temos de acrescentar uma quantidade enorme de equipamento, controles, empregados e agências do estado. É assim que se geram custos e se obriga as pessoas a pagarem mais pela eletricidade.

Os ambientalistas apocalípticos como Greta Thunberg alegam que combater as alterações climáticas requer sacrifícios económicos, mas a história desmente isso. As nações ricas têm vindo a reduzir as suas emissões desde há décadas, ao mesmo tempo que crescem economicamente. Os sacrifício só é necessário quando se utilizam renováveis. Mas se avançarmos na direção do progresso, da madeira ao carvão ao gás natural e à energia nuclear, nenhuns sacrifícios são precisos; pelo contrário, criaremos mais prosperidade.

Nos EUA, as emissões de dióxido de carbono caíram mais abruptamente desde 2000 do que em qualquer outro país do mundo. Em comparação com 2005, a diminuição já atinge 22 por cento. O objetivo de Paris era 17 por cento. Neste momento já o excedemos, e por razões que nada têm a ver com o Acordo de Paris. A chave foi o fracking (fraturamento) para obter gás natural. O gás natural provoca cerca de metade das emissões de CO2 do carvão e essa mudança, que já está em curso há algum tempo, traz um alívio considerável. Sob Trump, a mudança aconteceu tão rapidamente como sob Obama, e as emissões ainda caíram a um ritmo acelerado.

A descida do preço do gás natural poupou aos consumidores custos de 100 mil milhões de dólares por ano. Portanto ainda é mais dramático do que dizer que um provoca menos custos do que o outro: reduzimos as emissões de CO2 tornando as energias limpas mais baratas; por outras palavras, obtendo um lucro. Nada disto devia ser surpreendente. Salvamos a natureza através do crescimento económico, não do decrescimento.

A inovação do petróleo, que criou imensa prosperidade, acabou com a necessidade de os humanos matarem baleias pelo óleo de baleia, o que salvou da destruição muitas dessas espécies. A criação do plástico pôs fim à matança de tartarugas-marinhas pelas suas carapaças tipo plástico. A inovação da energia nuclear pôde descarbonizar a rede elétrica e as indústrias, oferecendo a eletricidade mais fiável do planeta e estimulando o crescimento económico.

A sua descrição da situação na Amazónia parece ser um exemplo do tipo de compromissos (natureza vs. desenvolvimento económico) que acha que são exagerados, e poderão mesmo ser falsos. Como vê as políticas de Bolsonaro no último ano?
Entre 500 e 1350, as florestas passaram de cobrir 80 por cento da Europa ocidental e central a cobrir metade disso. Os historiadores estimam que entre 800 e 1300 as florestas de França se reduziram de 30 milhões de hectares para 13 milhões. As florestas cobriam 70 por cento da Alemanha em 900, mas apenas 25 por cento em 1900.

E, no entanto, as nações desenvolvidas, em particular as europeias, que enriqueceram graças à desflorestação e aos combustíveis fósseis, procuram evitar que o Brasil e outras nações tropicais, incluindo o Congo, se desenvolvam da mesma forma. A maioria delas, incluindo a Alemanha, produzem mais emissões de carbono per capita, incluindo pela queima de biomassa, do que os brasileiros, mesmo tomando em conta a desflorestação da Amazónia.

A desflorestação do Brasil voltou a aumentar em 2013 devido a uma severa recessão económica e a uma reduzida aplicação da lei. A eleição de Bolsonaro em 2018 foi tanto um efeito do aumento de procura por terra como uma causa da desflorestação acrescida. Dos 210 milhões de brasileiros, uns 55 milhões vivem na pobreza. Outros 2 milhões caíram na pobreza entre 2016 e 2017.

Nada disto é para sugerir que a subida das emissões de dióxido de carbono e as alterações climáticas não implicam riscos. Implicam. Mas temos de compreender que nem todos os seus impactos serão maus para o ambiente natural e as sociedades humanas. Também nada disto significa que não devemos estar preocupados com a perda de florestas antigas na Amazónia e pelo mundo fora. Devemos. As florestas primárias oferecem habitats únicos para as espécies. Embora o total de cobertura florestal na Suécia tenha duplicado ao longo do último século, muitas das novas florestas surgem em formas de explorações monoculturais de árvores.

Mas se queremos proteger as florestas primárias que ainda restam, incluindo na Amazónia, vamos ter de rejeitar o colonialismo ambiental e apoiar os países nas suas ambições de desenvolvimento.

As questões de utilização da terra são um dos seus focos, onde tem opiniões que algumas pessoas acham surpreendentes. Até que ponto elas são informadas pelas suas experiências pessoais?
Sou sensível aos comportamentos insensíveis dos ambientalistas do mundo desenvolvidos, pois vivi com pequenos agricultores na América Latina e a vida era extremamente difícil. A vida na Amazónia era em muitos aspetos bastante mais dura do que na América Central, porque as comunidades são muito mais remotas. Vivi em comunidades no Brasil que praticavam a queimada. Começam com cortar árvores na floresta, deixar secar a madeira e a biomassa, e então queimá-la. A cinza fertiliza os campos. Então plantam-se as culturas, que dão um retorno escasso.

As pessoas com quem trabalhei eram demasiado pobres para terem muito gado, embora isso fosse o grau seguinte na escala económica. Cortar e queimar era trabalho brutal. Os homens bebiam grandes quantidades de rum enquanto o faziam. Passávamos tardes mais frescas e agradáveis a pescar no rio.

No Brasil, como na Nicarágua, o meu entusiasmo por cooperativas socialistas era com frequência maior do que os dos pequenos agricultores que deveriam beneficiar delas. A maioria dos pequenos agricultores que entrevistei queriam trabalhar o seu próprio pedaço de terra. Podiam ser grandes amigos dos vizinhos, e até ser seus familiares por via do nascimento ou do casamento, mas não queriam trabalhar com eles. Não queriam ser explorados por alguém que trabalhasse menos duramente, disseram-me.

A ideia de que toda a gente deve passar a consumir menos, conforme nota, é injusta para com aqueles no mundo que ainda se encontram muito longe dos nossos próprios níveis de bem-estar. Mas o que acha de nós, no chamado mundo rico, seguirmos essa instrução? Seria útil, e se sim, de que formas?
A covid-19 mostrou-nos as limitações de consumir menos. Parámos a economia global e consumimos muito menos do que o habitual. No entanto, as emissões de dióxido de carbono caíram apenas 6 por cento. Isso mostra as limitações de consumir menos, mesmo em países ricos.

O que lhe diz a noção, promovida por Michael Pollan [escritor e jornalista americano] e outros, de que o que é bom para a nossa saúde é geralmente bom para o planeta, constituindo o peixe uma rara exceção?
A pobreza é o nosso pior problema ambiental. Os agricultores pobres usam muito mais terra para produzir culturas do que as práticas agrícolas altamente desenvolvidas, invadindo espaços protegidos e causando danos à vida selvagem. Este tipo de pobreza também desencoraja a vida em cidades, onde os impactos ambientais humanos são menores.

Em relação ao peixe, ele é uma forma de proteína incrivelmente nutritiva, e atualmente estamos a pescar demais no planeta inteiro. As culturas de peixe, incluindo com peixe geneticamente modificado, diminuirão o impacto ambiental de consumir peixe e reduzirão o seu preço, o que é bom para nós e para o ambiente.

Num livro recente, Bill Gates também coloca muita da sua ênfase em soluções tecnológicas. Ele tem sido criticado, entre outras coisas, por subestimar a importância dos comportamentos individuais. Qual é a sua ideia sobre o valor de uma educação ambiental nas escolas, por exemplo?
Uma comparação da Alemanha com a França é extremamente interessante. Por cada unidade de eletricidade, a França gera um décimo das emissões de CO2 da Alemanha, e o preço da eletricidade em França é metade. Existe algo do que Greta Thunberg propõe em termos de comportamento individual que possa reduzir as emissões em 90%? Só recusando voar, conduzir e comer carne. Os franceses mostram que se pode continuar a fazer todas essas coisas e mesmo assim reduzir as emissões radicalmente mais do que a Alemanha, e com metade dos custos.

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