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domingo, 29 de março de 2026

 

Uma República Islâmica lutando por todos

O Irã em guerra desmonta simplificações e expõe as contradições do olhar ocidental. Por Naile Manjarrés | Globetrotter



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(Foto: Masoud Shahrestani / Tasnim)

Em 23 de junho de 2025 — data correspondente ao dia 2 de Tir de 1404 no calendário persa — foi anunciado um cessar-fogo entre o Irã e Israel. Essa “noite do decreto” alterou o rumo da política internacional; embora o mundo possa parecer inalterado à primeira vista, ainda não compreendemos plenamente seu impacto.

Nem Israel nem os Estados Unidos conseguiram derrotar o Irã: a Operação “True Promise III” (Wa’deh Sadegh III) foi executada em 20 ondas ao longo de uma guerra de 12 dias imposta ao Irã.

Pelo menos 150 alvos vitais e estratégicos dentro do estado fictício de Israel foram reduzidos a escombros: a sede da Mossad, o Ministério da Guerra, o Centro de Pesquisa Nuclear e o Centro de Inteligência Militar Aman (o centro de planejamento de assassinatos da Mossad), o Instituto Weizmann, a Base Aérea de Nevatim, a usina de Ashdod, a refinaria de Haifa, as indústrias militares Rafael, o prédio da Bolsa de Valores do regime assassino de crianças e dezenas de outros alvos militares e econômicos sensíveis em Tel Aviv, Haifa, Bat Yam, Rishon LeZion, Be’er Sheva e outras cidades do regime sionista.

Como testemunhas dessa vitória, é nossa responsabilidade contar a história com precisão. Esse marco é mais do que apenas um slogan; não quero chamá-lo de “guerra de 12 dias”, é o cumprimento da Verdadeira Promessa do Irã.

O Irã esperou um tempo razoável antes de responder de forma ética a Israel em abril de 2024 (Verdadeira Promessa I) e voltou a esperar em outubro de 2024 (Verdadeira Promessa II). O Irã foi criticado por isso — por não ser reativo, por se recusar a participar de massacres ou agir como Israel, por ter seu próprio calendário, seu próprio ritmo e seus próprios códigos. Mas, desta vez, Israel havia ultrapassado os limites: Said Ohadi, chefe da Fundação para Assuntos de Mártires e Veteranos, declarou que, entre 13 e 24 de junho de 2025, Israel matou 1.100 pessoas e feriu mais de 5.600 no Irã.

Israel atacou a paz e a vida de crianças em suas casas — um ataque direto a uma nação que prioriza a dignidade e a proteção das crianças e da família. Qual é, então, a utilidade das Forças Armadas, senão defender seu povo e seu território?

A resposta iraniana derrubou os manuais de guerra — de Sun Tzu a Gene Sharp — aos quais estamos acostumados desde a infância. Ela provou que, mesmo nesse aspecto, as estratégias ocidentais são ultrapassadas, decadentes e obsoletas. Elas só sabem matar e depois esconder, enganar, blefar.

Já ouvi tantas vezes que não há regras na guerra, mas isso também é uma mentira, porque o Irã venceu eticamente. Eles jogaram o jogo dos outros e venceram usando as regras deles dentro da estrutura do direito internacional — o Artigo 51 da Carta das Nações Unidas estabelece que qualquer Estado-membro pode exercer seu direito à autodefesa, sozinho ou ao lado de aliados.

O Irã responde de acordo com esses termos, mas alinhado aos princípios fundadores da República Islâmica: não busca a guerra, mas demonstra tanto a determinação quanto a capacidade de responder à agressão sempre que necessário.

Hoje, a Wikipedia pode fazer o que quiser. Pode reescrever a história ou até mesmo mentir sobre quem começou a guerra. No entanto, os milhares de homens, mulheres e crianças com quem convivi durante aquelas “noites de guerra” permanecem. Sua calma, sua hospitalidade e seus gritos de “Allahu Akbar” (Deus é Grande) se opõem àqueles no Ocidente e aos sionistas que podem novamente errar ou subestimá-los.

Pouco depois de ser evacuada da universidade e de Teerã, no décimo dia da guerra, as pessoas em Caracas me perguntaram duas coisas: por que uma jovem como eu escolheu viver em um lugar tão diferente, onde se usa o hijab, e se eu havia compreendido o sistema de governo da República Islâmica.

À primeira pergunta, expliquei que a diferença cultural foi justamente a razão pela qual fui. Ouvi muitas vezes que o Irã “não era para mim”.

Quanto à segunda pergunta, respondi que havia pesquisado exaustivamente a governança do Irã muito antes de me candidatar à bolsa de estudos. Pense nisso: por que uma mãe de 35 anos, com uma filha de 14, se candidataria ao ensino superior em um país com menos direitos ou menos progresso do que o seu? Eu não faria isso. Eu buscava esclarecimento junto ao aliado estratégico do meu país, e a realidade que encontrei superou em muito minha pesquisa e minhas expectativas. O Irã desafia o paradigma e a propaganda ocidentais. Ouso dizer que é justamente porque sabem como o Irã realmente é que atacam o país tão duramente e nos bombardeiam no Ocidente com informações que estão em total contradição com a realidade da sociedade iraniana.

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