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quarta-feira, 25 de março de 2026

As ajudas da Rússia ao Irão

A tal dita fraternidade

 25/03/2026

Não se vislumbra ajuda séria da Rússia ao Irão. Na Rússia as vozes críticas ouvem-se cada vez mais fortes sobre essa falta de ajuda concreta que deveria estar prevista dos acordos entre a Rússia, a China e o Irão, em Xangai. Não vemos nenhuma firmeza no seu cumprimento, apenas declarações retóricas de Lavrov, de outros altos representantes de Putin, e retórica da China.As controvérsias nos órgãos de comunicação independentes na Rússia estão cada vez mais acesas e não foi preciso esperar os ataques monstruosos dos EU-Israel contra o Irão para se ouvir e ler na Rússia cr´ticas abertas ao ritmo lento e gradualista escolhido pelo grupo de Putin na guerra contra a Ucrânia. Por mais que o Ocidente envie armamento eficaz e perigoso isso não justifica que a maior potência militar (pelo menos nesta altura em capacidade industrial) do planeta avence metro a metro, às vezes com recuos, há quarto anos numa guerra completamente assimétrica. Há gente importante ou poderosa nos seus cargos na Rússia que não compreendem isso e dizem-no cada vez mais sonoramente. 

 Am suma : solidariedade fraca entre os três grandes ; guerra mal conduzida na Ucrânia transformada em "guerra de atrito". Que não se diga que a Rússia não tem pressa porque não é do seu interesse ter empresas estatais a produzir recursos caros que serão eliminados ou desgastados pelo inimigo. 

Some-se a este filme algo confuso a morte dos BRICS. Esse sonho morreu.  O que não impede a China de ganhar. Não deve estar a chorar por essa morte : o Irão permite-lhe passar por Ormuz com os seus petroleiros carregados e comerciar com a sua moeda.

Não surpreenderia que Putin e a sua fação conserve os seus compromissos expressos ou tácitos com o regime de Israel (afinal são mais de dois milhões de russos que vivem em Israel com dupla nacionalidade) e tal comprova que um Partido de Direita é sempre de Direita. 

  Poderão ser divisões e debates sem consequências dentro da Rússia. Poderão. Entre os críticos das políticas de Putin estão aqueles que suspeitam m dando exemplos concludentes, que Putin e seu grupo íntimo sempre esteve ansioso por pertencer à Europa. Apesar da UE ser agora um bando de idiotas que não lhe querem comprar o petróleo e  gás (enviam-lhe mísseis de longo alcance em vez disso), ele(s) gostaria essa porta se abrisse um dia. Na Europa , na mesma medida, há, tanto à esquerda como à direita quem deseje que isso suceda depressa. E fazem bem pensar assim.

O facto é que o Irão enganou todo o mundo : julgaram-no débil e quase morto com as sanções, contudo luta com uma força militar inesperada e uma coesão patriótica que parece resistir às maiores desgraças. Sozinho.

  As Esquerdas internacionais embarcaram em muitos mitos e ilusões.Sobre os BRICS, por exemplo, devíamos ter sido mais ponderados e realistas : uma união com a Índia??

Li e segui os debates sobre se a China é socialista ou não. Sempre fui do lado daqueles que acham que de socialismo só tem o Estado Social. Mas esse também o tiveram os regimes capitalistas. 

 

  ........................Nozes Pires ------------------------------------------------------------------------ 

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