A anterior ministra da educação publicou um livro contendo a sua defesa da política que praticou durante o seu mandato. Pelos media que transmitiram tão sublime lançamento não me lembro de ter visto nenhum dos bons especialistas das coisas do ensino e da educação, ex-ministros ou não. A senhora, pelo que li em entrevista que concedeu, diz cobras e lagartos dos professores. Resumindo as suas suaves e doces palavras em que ela é mestre: os professores eram uma cambada de absentistas e preguiçosos antes dela, depois dela foram postos em sentido. Davam poucas aulas (quanto mais velhos menos davam)? Pois então obrigou-os a permanecerem na escola o dia todo, quer dessem ou não dessem aulas. Queriam uma carreira igual para todos? Como assim?? Dividiu-os em duas categorias, com numerus clausus claro está. Os alunos chumbavam que se fartavam? A culpa era dos professores, sem mais, exclusivamente. A entrevista é um desaforo, fará o livro que não li. Espero lê-lo à borla, porque não merece que eu lhe dê dinheiro a ganhar. À pergunta que lhe fizeram: Não acha que o engenheiro Sócrates perdeu a maioria absoluta por sua causa? Respondeu: Não, não! Ele ganhou-as por minha causa!
E eu que estava quase a esquecê-la (por razões de saúde). Vem-me agora com isto para me lembrar que não foi um pesadelo, existiu realmente.
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domingo, 4 de julho de 2010
sábado, 3 de julho de 2010
Utopias
Eu vejo a utopia em variadíssimos actos individuais ou colectivos. Se não a reduzirmos exclusivamente a programas políticos que desenham sociedades perfeitas, poderemos encontrar sopros utópicos na pintura, na escultura, na literatura, na arquitectura, no cinema, de muitos e diversificados artistas, inclusivamente naqueles que mais nos parecem transmitir a tristeza e a dura realidade. Por vezes surgem-nos, as utopias, como evasões, escapes, pontos de fuga à bruta realidade do viver, ou insípida, rotineira. Contudo, inspiram em nós ou são inspiradas por desejos de alegria, de convivialidade, de projectos de uma outra vida, de rejeição da fealdade e da mentira. Uma pulsão de vida, uma força que move os seres para diante, para um horizonte onde está, ou pode estar, um mundo melhor, uma comunidade feliz. Há certas manifestações utópicas que são verdadeiramente comunitárias, ainda que, por vezes, inconscientes, impressionistas, abstractas. A utopia está ali onde se cria algo novo, porque é o Novo que se aspira. Por isso sou capaz de ver utopias nos concertos ao vivo que criam ou fortalecem laços colectivos, singulares explosões de confraternização -senão mesmo de fraternidade-, de união e identidade. E até as vejo na energia e nas crenças que mobilizam um povo à volta de disputas mundiais de futebol. A intensidade com que se abatem sobre todos o fracasso e a derrota, demonstra bem o grau de alegria e de expectativa, de união e de identidade, que se investiu.
Evidentemente que há utopias concretas e utopias impossíveis, a água e o ópio.
Evidentemente que há utopias concretas e utopias impossíveis, a água e o ópio.
Da essência humana
Às vzes procura-se a essência do homem no sítio onde ela não se encontra. Durante séculos filósofos houve que a encontraram no interior de cada homem, na alma, mas a alma era mui difícil de definir e muito mais de encontrar («com o bisturi não a encontro», dizia um médico). Deste modo, a alma passou a chamar-se mente, melhor dito, aquela parte da mente que era espírito. Até hoje ninguém conseguiu descortiná-lo, com que se topa é com emoções e sentimentos, imagens e pensamentos, lembranças e desejos. Se é imortal nunca regressou para dar o seu testemunho. Por conseguinte, a antiga alma passou a chamar-se de subjetividade. Contudo, é impraticável conceber-se a subjectividade como essência, se esta for anterior à existência e independente dela. Portanto, o mais adequado é procurar-se a essência humana nas relações sociais, nessa larga, complexa e múltipla rede de relações que nos tecem e entretecem. Que são o que são agora mas podem não sê-lo amanhã, pois que ontem não eram assim. Tudo muda, não é?
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Os pretextos do Império
O General dos EUA Stanley McChrystal foi demitido de comandante em chefe das tropas da NATO no Afeganistão por causa de um artigo da revista Rolling Stone muito crítico em relação à administração do seu país e ao estado em que se encontra a invasão do Afeganistão (nove anos de uma ocupação estagnada). O General é, ou era, muito louvado pelos seus métodos musculados no Iraque e no Afeganistão. Na verdade as forças de elite que organizou coseguiram matar muitos milhares de iraquianos e afegãos...a maioria dos quais eram civis.Pelo que se diz nos EUA conclui-se que o General fracassou no Afeganistão, provavelmente porque não matou o suficiente. Quando um General é responsável pela matança de dezenas de milhar de civis inocentes não é um criminoso, é apenas um vencedor ou um derrotado.
Os povos euroepeus não entendem porque os seus governos os enviam para uma guerra criminosa. A Europa já não necessita do guarda-chuva dos EUA para coisa nenhuma. A NATO é uma máquina de guerra super dispendiosa que serve excluisivamente os interesses geoestratégicos dos EUA. À Alemanha, grande potência da Europa, o que lhe interessa é abocanhar os mercados do centro e do leste e vincar o seu domínio sobre a UE, beneficiando do Euro e não se solidarizando com os outros membros. Com uma dívida monstruosa os EUA não se querem ver isolados, mas já se começa a ver que há barro nas suas gigantescas pernas cansadas.
É por causa disso e de outras dificuldades que o Irão é um pretexto. Um pretexto como sucedeu no Iraque. O imperialismo perdeu a sua ideologia. Inventa pretextos. Não é menos perigoso.
Os povos euroepeus não entendem porque os seus governos os enviam para uma guerra criminosa. A Europa já não necessita do guarda-chuva dos EUA para coisa nenhuma. A NATO é uma máquina de guerra super dispendiosa que serve excluisivamente os interesses geoestratégicos dos EUA. À Alemanha, grande potência da Europa, o que lhe interessa é abocanhar os mercados do centro e do leste e vincar o seu domínio sobre a UE, beneficiando do Euro e não se solidarizando com os outros membros. Com uma dívida monstruosa os EUA não se querem ver isolados, mas já se começa a ver que há barro nas suas gigantescas pernas cansadas.
É por causa disso e de outras dificuldades que o Irão é um pretexto. Um pretexto como sucedeu no Iraque. O imperialismo perdeu a sua ideologia. Inventa pretextos. Não é menos perigoso.
ESPERANÇA
A esperança...um sonho feito de despertares.
Aristóteles (384-322 a.C.) citado em Diógenes Laércio, Vidas dos filósofos
Esperar uma alegria também é uma alegria.
G.E. Lessing ( filósofo alemão, 1729-1781)
Ó esperanças, esperanças, suaves enganos / da minha primeira idade!
O speranze, speranze, ameni inganni / della mia prima età!
G. Leopardi (poeta italiano, 1798-1837), Canti, Le ricordanze
Posso suportar o desespero, mas não a esperança alheia.
R. Walpole (político inglês, 1676-1745)
Aristóteles (384-322 a.C.) citado em Diógenes Laércio, Vidas dos filósofos
Esperar uma alegria também é uma alegria.
G.E. Lessing ( filósofo alemão, 1729-1781)
Ó esperanças, esperanças, suaves enganos / da minha primeira idade!
O speranze, speranze, ameni inganni / della mia prima età!
G. Leopardi (poeta italiano, 1798-1837), Canti, Le ricordanze
Posso suportar o desespero, mas não a esperança alheia.
R. Walpole (político inglês, 1676-1745)
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Prisões
Estive a rever o filme «O prisioneiro de Alcatraz» que retrata com intensas imagens o que foi essa tristemente célebre prisão estadual norte-americana. Vi como aplicavam na década de trinta do século passado os castigos idênticos aos que se aplicavam por todo o mundo mas que muito boa gente julga que na América não. Aplicaram-se em Portugal no campo de concentração do Tarrafal, o último a ser encerrado em toda a Europa dita civilizada, uma cópia do que conhecemos pelos campos nazi-fascistas, tanto na Alemanha como na Espanha de um facínora chamado Franco. Recordo, por associação, outros bons filmes de Holywood sobre prisões, por exemplo o famoso «Papillon» (creio que é esse o título) que narra a odisseia de um prisioneiro na Guiana francesa, um campo de concentração francês, portanto. Fez-se um belo filme português sobre a prisão do Forte de Peniche, não tenho a certeza neste momento se foi o Luís Filipe Costa, que relata casos verídicos, lembro particularmente da «solitária» (que podemos visitar ainda hoje). O meu professor de filosofia do Liceu havia estado preso seis anos se a memória não me falha, chamava-se Cansado Gonçalves. Estas coisas chegam à memória por causa de um filme, ou de uma fotografia, de uma conversa, de uma frase que se leia, de um encontro casual. A minha memória guarda o século vinte como um filme. Uma história má e feia.
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Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.
Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.
