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terça-feira, 24 de agosto de 2021

Sobre um livro do filósofo italiano falecido Domenico Losurdo

 

« (...) As conquistas do poder e as temporalidades do processo histórico

Em sua parte conclusiva, o livro faz um breve acompanhamento do que Losurdo chama de “sobrevida do marxismo ocidental”. Refere-se, pois, a pensadores da esquerda contemporânea que de uma forma ou de outra continuam a se distanciar da questão colonial do século XX e de suas reverberações na ordem geopolítica, econômica e material do século XX. Ineptos a denunciar o caráter colonial-contemporâneo das intervenções orquestradas pela OTAN e seu país-chefe, os Estados Unidos, os representantes do marxismo ocidental contemporâneo têm poucas ferramentas a mão para denunciar, combativamente, as articulações expansionistas e, muitas das vezes ilegais segundo as leis internacionais, de membros da aliança do Atlântico. Sob esse aspecto, Losurdo destaca a ineficácia do Conselho de Segurança da ONU enquanto órgão controlador da ação da superpotência norte-americana que se põe acima de qualquer limite jurídico-legal.

Em face dos desafios do novo século XXI, como forma de fazer renascer o marxismo ocidental, Losurdo propõe um exercício de reflexão sobre os equívocos do passado. O primeiro deles é abrir mão da característica messiânica e utópica que surge no marxismo ainda nos primeiros anos após a consolidação da URSS. A condução da revolução socialista deve-se ater à conjugação harmoniosa entre práxis e teoria, nunca prescindindo de uma ou de outra; portanto, focado em demasia na teoria, o marxismo ocidental se furtou em diversas ocasiões de prosseguir com a prática revolucionária, o que inclui a tomada efetiva do poder, ainda que com suas contradições e erros, para se reservar a elucubrações distantes e abstratas sobre as temporalidades mais remotas, e até utópicas, de um comunismo perfeito.

Como se observa, na China e em outros países socialistas que sobreviveram à queda da URSS, o cuidado revolucionário também está na dimensão do agora, ainda que esse esteja inserido em uma ordem burguesa.


Referência bibliográfica
LOSURDO, Domenico. O marxismo ocidental: como nasceu, como morreu, como pode renascer. Tradução de Ana Maria Chiarini e Diego Silveira Coelho Ferreira. São Paulo: Boitempo, 2018.

Em O marxismo ocidental, Domenico Losurdo conta a parábola do marxismo ocidental: seu nascimento, sua evolução e sua queda. Uma obra polêmica e combativa, que pode ser considerada uma espécie de acerto de contas com o percurso do marxismo ocidental, repassando toda a sua trajetória até suas figuras atuais, como Slavoj Žižek, David Harvey, Alain Badiou, Giorgio Agamben e Antonio Negri, sem deixar de visitar pensadores já clássicos como Theodor W. Adorno, Max Horkheimer, György Lukács, Herbert Marcuse, Louis Althusser, Ernst Bloch e Jean-Paul Sartre. Losurdo diagnostica a ‘morte’ do marxismo ocidental, retraça sua gênese e coloca questões decisivas: seu renascimento seria possível nos dias atuais? Sob quais condições?

***
Jorge Fofano Junior

in Boitempo 


Wook.pt - O Marxismo Ocidental

 

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