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quarta-feira, 10 de junho de 2026

 

VERDADE E CERTEZAS

À maneira de testamento intelectual

 

A prática, as experiências das diversas culturas acumuladas transmitidas e refletidas (as ideias que geram outras ideias), as investigações científicas provadas matemática e experimentalmente (prática), as deduções mais consensuais na comunidade científica, demonstram que

1. A verdade existe (relativa apenas face ao absoluto que jamais poderá, por definição de todo e fim, ser alcançado. Digo verdade universalmente admitida pelos argumentos que adiantei anteriormente.

2. É verdade que tudo que existe e conhecemos é material e não espiritual. A MATÉRIA/ENERGIA/CAMPOS QUÂNTICOS são as , ou a , categorias fundamentais iniciam  todo o raciocínio visão do mundo e da vida, historicamente adquiridas recentemente e têm vindo a acumular-se na composição de uma unidade com princípio, meio e fim. Filosoficamente designa-se de MATERIALISMO, para opor-se a metafísicas ou especulações espiritualistas (designa-se Idealismo em Filosofia) não científicas e anti científicas que vêm a perder terreno no pensamento racional.

3. O Universo a que pertencemos teve um começo (fosse ele o BigBang surgido das virtualidades de campos quântico aparentemente vazio, ou por outros modos) e tem uma morte, a qual poderá realizar-se por uma das três teorias admitidas para debate e dedução atualmente.

4. Não é por enquanto verdadeiro, nem certo, que este universo possa ter surgido  (numa das condições anteriores) da morte por contração de um outro universo, ou que esteja no interior de “universo” maior, porém são hipóteses racionais , O que não existe é um indício racional, por mais pequeno que seja, que justifique a hipótese de “criação” por uma Inteligência suprema espiritual., mesmo que seja, ou tivesse sido, com as caraterísticas do deus antropomórfico. Deus ou divindades não existem. São produtos da Imaginação. Essa produção emocional-intelectual tem explicações, em andamento rápido, da ordem do pensamento científico.

5. Não existe alma alguma, i.e. o espírito separado do corpo. A nossa mente é o corpo que sente e pensa. Por consequência, a mente não sobrevive à morte do corpo que habita, que é o próprio corpo. Não somos imortais. Pela mesma ordem de ideias e factos nenhuma forma de vida considerada individualmente é imortal. Como espécie pode durar indefinidamente, como sucede realmente com algumas formas de vida primordial. Mesmo assim acabarão por morrer se , ou quando, as condições que lhes permitem viver e reproduzir-se, forem cessando (a lenta extinção do nosso sol) ou catástrofes naturais ou por acção humana (eventualmente extraterrestre).

6. A vida tem como exigência e finalidade primeira e urgente sobreviver, reproduzir-se ou individualmente autoconservar-se. Esta necessidade de auto preservação (conatus chamou-lhe o filósofo Baruch Espinosa) condiciona decisivamente (ainda que não determine todas formas de existência social humana) a evolução da Vida em múltiplas formas, cujos encadeamentos já conhecemos bastantes (adentro das ciências biológicas).

7. Socialmente somos condicionados não só pela biologia (ambiente natural ou socialmente naturalizado, transformado e criado) como também por condições sociais materiais . Em primeiro lugar, pelos modos como se produz (modos de produção constituídos por forças e relações de produção). As sociedades por efeitos das transformações produzidas pelas organizações humanas, são, assim, entidades históricas (nasceram, desenvolveram-se de um modo ou de outro, extinguiram-se ou transformaram-se resistindo) compostas por agrupamentos de diverso tipo. Muitas desses agrupamentos desapareceram (pequenas comunidades do paleolítico por exemplo), foram diferenciadas embora existissem simultaneamente , inclusivamente próximas umas das outras. As formações económico-sociais constituíram-se dos grupos primitivos para grandes grupos que designamos por classes sociais. A sua constituição , sendo histórica, evoluiu, surgiram ou extinguiram-se, dependendo as suas formas do moo dominante de produção e organização das relações entre os indivíduos. Algumas extinguiram-se por catástrofes naturais , por catástrofes acentuadas pelos habitantes, ou por guerras de conquista, aculturação, lutas entre classes sociais. As condições materiais de vida e os modos dominantes como os os homens tomam delas consciência, como lutam para satisfazer o desejo primordial de existência e de satisfação, a economia e o tipo de bens que esta permite produzir, os modos como os bens são apropriados e distribuídos, compõem a base determinante de qualquer análise racional, sobre a qual se constituem relações de vários tipos : morais, políticas, de parentesco, de intercâmbio, de poder e hierarquias, de prestígios, de comunidades, de produções culturais estéticas e sua distribuição, posse, reprodução  e fruição.

8. Do que se afirmou anteriormente deduz-se que o espírito (a mente, a consciência) não esta desligado ma materialidade da vida, muito embora, gozando de autonomia (uma certa vida própria” de combinar-se, inventar-se, reproduzir-se) possa, como sucede várias vezes no decurso da história humana tão diversificada), condicionar decisivamente a organização económica e, sobretudo, política.

9. Finalmente, tudo que é organismo vivo e que conhecemos até hoje, possui, ou possuiu, uma história. Objetos não orgânicos possuem a sua história. A sua evolução por mais inertes que pareçam. A evolução tanto admite leis como fenómenos ou acontecimentos aleatórios. O Universo tanto é um caos, na sua maior parte vazio, de fenómenos acidentais, como se rege por leis, algumas das quais conhecemos com certeza. O que está por conhecer é de uma extensão atualmente incomensurável ( a energia escura e o seu papel na formação e relativa estabilidade do nosso universo, por exemplo, o vazio “cheio” de virtualidades dos campos quânticos, etc.) , porém nenhum argumentos irracional contrários ao pensamento científico (tal qual o temos exercido) anula as verdades adquiridas. Contudo, a humanidade, i.e. as sociedades humanas, podem simplesmente extinguirem-se por via de catástrofes naturais ou provocadas e a cultura científica (as verdades) pode eventualmente regredir ao ponto zero ou a estádios novamente primitivos. Os progressos, as conquistas, os avanços, podem regredir, como se prova por acontecimentos verificados na história . Além destas possibilidades sabemos também que não existe lei de progresso contínuo alguma, de lei inexorável ou determinista de evolução de níveis ditos superiores (raças como tal não existem entre os humanos). A evolução natural acontece por desvios, erros, acidentes, catástrofes, combinações nos corpos que assim sobrevivem ou por constituição de corpos cujos órgãos são partes, que evoluíram, de corpos que se extinguiram ( a história do olho humano é exemplar).

10. Tudo que observamos depende da constituição específica dos nossos órgãos sensoriais . Recebem determinados tipos de ondas e o cérebro transforma-as em imagens. A experimentação científica, conforme meios técnicos e métodos matemáticos, hipóteses e deduções. Fornece a prova ou a ficção.  Apesar dos limites das nossas percepções e da nossa mentalidade pessoal sempre social, a ficção ou imaginação é a parte mais divertida das nossas vidas.

----------------Nozes Pires------------10/06/2026

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