Translate

terça-feira, 2 de junho de 2026

"Só a verdade é revolucionária", V. I. Lenine

 

A ressurreição de uma morte

image_pdf

Por EDGAR MORIN*

Entre a memória resgatada e a dor de um crime mascarado, o triunfo tardio da verdade expõe como o fanatismo e a perseguição política aniquilaram dissidentes durante a Guerra Civil Espanhola

Ontem de manhã, durante o colóquio, passaram-me um bilhete informando que o senhor Solano viria me ver na sessão das 19h30. Pergunto: “Quem é?”, mas não sabem me responder. Esqueço o assunto.

Ao almoçar com meus amigos do Instituto Catalão de Estudos Mediterrâneos, estão conosco o delegado para assuntos exteriores da Generalitat da Catalunha e o vice-diretor do La Vanguardia. Eles mencionam um documentário da TV catalã, exibido há alguns dias, sobre Andrés Nin, baseado em documentos comprados da KGB[i] e procedentes do general Orlov[ii] – organizador e executor do assassinato, bem como autor das falsas provas da traição de Andrés Nin, o “hitlero-trotskista-franquista”. Prometem-me enviar a fita de vídeo. Uma intensa tristeza e uma não menos intensa alegria me invadem.

Lembro-me muito bem: eu tinha 16 anos em 1937 e lia a imprensa anti-stalinista de esquerda, Le Libertaire, SIA (Solidarité internationale antifasciste), Essais et Combats, La Flèche;[iii] e, embora a informação stalinista assegurava que o traidor Andrés Nin havia escapado do campo republicano para ir “a Salamanca ou a Berlim”, minhas leituras me convenciam de que Andrés Nin tinha sido liquidado pelo NKVD[iv] e pelos agentes do Komintern[v].

Penso (com tristeza): “eu sabia de tudo isso, incluindo a verdade sobre Joseph Stalin e os processos de Moscou, e cinco anos mais tarde, certamente em plena guerra, eu me tornei comunista”. Como contraponto, penso (com alegria): “este crime que parecia camuflado para sempre foi, por fim, irrefutavelmente desvelado; mais uma vez, a verdade triunfa enquanto ainda estou vivo”.

 

O reencontro com Wilebaldo Solano

Após o almoço, ibericamente terminado depois das 16 horas, sinto-me cansado, vou para o hotel e não compareço ao colóquio. Mas ao voltar do jantar, por volta da meia-noite, encontro uma nota de Wilebaldo Solano que me esclarece ser ele o ex-secretário-geral do POUM (Partido Obrero da Unificación Marxista)[vi] e me deixa seu telefone. No entanto, embora me trate por “tu” e me escreva calorosamente, não me recordo de onde e quando nos conhecemos (talvez com Gorkin[vii]?). Pela manhã, telefonei para ele; ele veio ao meu encontro no colóquio e vamos à cafeteria.

Então tudo se esclarece, porque ele me lembra que havíamos coincidido em Bruxelas, em 1956, num colóquio sobre a revolução húngara. Havíamos simpatizado muito e discutido por longo tempo. Ele é vivo, ardente e juvenil, embora deva ser mais velho que eu: participou da Guerra de Espanha, refugiou-se na França, foi detido em Montauban em 1941 e internado, para depois ser encarcerado na prisão central de Eysse, perto de Villeneuve-lès-Avignon, reservada aos presos políticos perigosos.

Lá, junto a alguns poumistas como ele, encontrou comunistas, bem organizados, e o trotskista Gérard Bloch.[viii] Como Gérard Bloch continuava defendendo Leon Trotsky e denunciando Joseph Stalin, a célula comunista na prisão decidiu estrangulá-lo. Um resistente detido, católico, indignado com esse plano, alertou os poumistas: “Não entendo nada de suas divergências políticas, mas eles querem matar um companheiro detido e isso eu não posso aceitar”.

Grave dilema: seria necessário alertar o diretor da prisão – e, assim, “colaborar” com o inimigo de classe – ou deixar que assassinassem Gérard Bloch? Wilebaldo Solano e seus amigos decidiram salvar Gérard Bloch. Mais tarde, os comunistas, cada vez mais desejosos de isolar o trotskista e os poumistas que criavam obstáculos com suas palavras a formação da “Frente Nacional”, conseguiram que o diretor da prisão os isolasse.

Libertado pelo maquis em 19 de julho de 1944, Wilebaldo Solano junta-se aos “gaullistas” do exército clandestino, em vez de unir-se aos comunistas que, beneficiados por seus serviços na enfermaria da prisão (ele havia estudado medicina), finalmente o haviam aceitado. Retoma sua atividade poumista e se posiciona na linha de frente de todas as causas anti-stalinistas.

 

A luta pela memória histórica

A revolução húngara fez com que eu o conhecesse, embora no ano anterior – antes do relatório Kruschov ao XX Congresso, mas depois do discurso de Mikoyan reabilitando de passagem dois velhos bolcheviques liquidados por Stalin – já tivéssemos estado juntos (com Breton, Cassou, Dechezelles, Duvignaud, Nadeau, Rivet, Rous, Laurent Schwartz e alguns outros [note-se a ausência da maior parte dos “grandes intelectuais de esquerda”])[ix] na assinatura de um telegrama dirigido ao presidente da URSS, Bulganin, no qual nós dizíamos “conscientes de expressar uma consciência universal democrática e socialista” e pedíamos “a revisão dos Processos de Moscou e a reabilitação de todos os velhos revolucionários condenados e desonrados nesses processos”. Também havíamos organizado um comício na Mutualité.

O POUM dividiu-se nos anos 1970. Uma parte ingressou no Partido Socialista, outros abandonaram a fórmula de partido para se agrupar em torno de uma “Fundação Andreu Nin”[x] em 1988, com atividades militantes não limitadas à recuperação da verdade histórica. Wilebaldo Solano reside em Barcelona. É escritor e jornalista. Na cafeteria, Wilebaldo me mostrou fotocópias de artigos publicados nestes dias na imprensa espanhola sobre o documentário intitulado Operação Nikolai (suponho que esse seja o nome dado pelo KGB ao documento sobre a liquidação de Andreu Nin).

 

Quem foi Andreu Nin?

Andrés – Andreu em catalão – Nin nasceu em 1892. Jovem militante revolucionário, defende a adesão da CNT[xi] (a grande central sindical) à Terceira Internacional; é delegado no primeiro congresso da Internacional Sindical Vermelha[xii] em 1921. Permanece nove anos em Moscou, onde chega a ser secretário-geral da Internacional Sindical. Ligado à oposição de esquerda[xiii] (Trotsky), abandona a URSS em 1930 após a eliminação desta; volta a Barcelona, onde vai vivendo graças à realização de traduções de clássicos russos.

Em setembro de 1935, funda o Partido Obrero da Unificación Marxista (POUM), uma organização pequena, mas combativa, situada entre os anarquistas e os stalinistas. O POUM, embora inspirando-se nas ideias de Leon Trotsky, possui uma organização mais flexível que a bolchevique e, mesmo polemizando com os libertários, mantém com eles relações corteses e inclusive cordiais.

Desde os primórdios da guerra civil, Andreu Nin se opõe aos métodos, à infiltração no aparato do Estado republicano e às mentiras do comunismo stalinista, o que debilita sua influência política, já que uma grande parte dos republicanos pensava que não se devia atacar os aliados soviéticos e respeitava a força organizadora dos comunistas.

De fato, a República espanhola, magnificada pela lenda que ocultou suas contradições e seus dramas, começou a se transformar na primeira democracia popular do mundo, frente ao sistema militar-clerical-fascistoide de Franco. O socialista Negrín, que viria a ser presidente do governo, foi então, sem dúvida, um “submarino” do partido comunista (um dia se poderá consultar os arquivos do KGB sobre esses infiltrados e submarinos aparentemente socialistas, democratas liberais ou católicos).

 

O desaparecimento e a “Operação Nikolai”

Andreu Nin “desapareceu” em 16 de junho de 1937. Foi sequestrado por policiais sob as ordens do NKVD e encarcerado na prisão de Alcalá de Henares, mas sem que sua entrada fosse registrada. Anunciou-se o seu desaparecimento e, depois, disse-se que ele havia se refugiado com Franco (em Salamanca) ou com Hitler (em Berlim).

Os arquivos do KGB revelaram uma carta de Orlov a seus chefes em Moscou, datada de 22 de maio, na qual se explica como seriam fabricadas as provas para demonstrar que Andreu Nin era um espião de Franco. As provas: um texto cifrado acompanhado de um mapa das defesas da Casa de Campo de Madrid, dirigido diretamente ao generalíssimo Franco e assinado com tinta invisível por “N”.

Essas “provas” serviram para provocar a detenção secreta de vNin. Hoje encontram-se nos Arquivos Nacionais de Madrid como “documentos históricos”. Os chefes militares soviéticos (o general Berzin e seu conselheiro Stacheski)[xiv] opuseram-se às liquidações do NKVD, pensando que se devia respeitar os partidos políticos que lutavam contra o franquismo, o que lhes custou, sem dúvida, serem eles mesmos liquidados após o seu retorno.

Ovide Gorchakov publicou em 1989, na revista soviética Nedelya, um artigo sobre as atividades dos serviços secretos soviéticos durante a Guerra de Espanha (que liquidaram poumistas, anarquistas, “anti-soviéticos e anti-comunistas” espanhóis e estrangeiros), no qual se considera que as atividades do NKVD durante esta guerra foram “mais perigosas para a república do que as da quinta coluna franquista”. O interrogatório de Andreu Nin não arrancou nenhuma confissão.

Então, Orlov decidiu colocar em marcha a “Operação Nikolai”: um cúmplice espanhol, cujo nome Orlov não revela, abriu a porta da prisão numa noite de meados de junho. Andreu Nin foi conduzido a um chalé próximo a Alcalá de Henares, pertencente ao comandante-em-chefe da aviação republicana, Ignacio Hidalgo de Cisneros, onde Nin foi torturado sem proferir nenhuma confissão. Dois ou três dias depois, Nin foi levado a um lugar próximo, onde foi assassinado e sepultado.

A carta de Orlov a seus superiores, de 24 de julho de 1937, relata esses fatos e indica quem foram os assassinos e testemunhas cúmplices: o próprio Orlov, José Escoy[xv] – brasileiro, agente do NKVD –, Ernő Gerő[xvi] – que se tornaria ilustre como torturador e assassino na Hungria após a prisão de Rajk, e mais tarde apelando às tropas soviéticas para reprimir a revolução húngara – e três espanhóis cujos nomes foram rasurados.

Os membros do KGB que entregaram os documentos dizem que suprimiram esses nomes para evitar possíveis ações judiciais dos descendentes dessas pessoas. Mas, considerando que esses documentos foram vendidos a preço de ouro à televisão catalã (que não declarou quanto lhe custaram), Solano e outras pessoas não excluem a hipótese de que, advertidos de possíveis revelações há um ano, delegados do partido comunista espanhol tenham comprado dos agentes atuais do KGB a supressão desses nomes (talvez outrora membros eminentes do partido), utilizando o tesouro de guerra clandestino de que dispõe todo partido comunista, obtido graças aos subsídios procedentes da URSS, de forma que o “ouro de Moscou” teria retornado à sua fonte.

 

O triunfo da verdade

A maquinação do NKVD foi desenmascarada desde 1937-38, embora não se conhecessem os detalhes de como Andreu Nin fora retirado da prisão de Alcalá, nem o nome e a localização do lugar onde permaneceu sequestrado, tampouco o nome dos executores. Desde o princípio, alguns “católicos” membros do aparato judicial e policial republicano, que haviam recebido relatórios confidenciais, comunicaram-nos aos membros do POUM. Diversos testemunhos permitiram esclarecer o essencial do assunto. Foi muito grande a comoção que tudo isso provocou nos meios antifascistas não stalinistas. Como já disse, lembro-me muito bem de ter lido numerosos artigos que não somente revelavam o absurdo da calúnia, mas também indicavam a origem do assassinato.

Em 1939, a revista Spartakus,[xvii] editada em Paris, preparou um número especial sobre o assassinato de Andreu Nin, no qual se reconstruía tudo o que acontecera e se precisava o papel do NKVD – que, evidentemente, seguia ordens de Moscou. Esse texto não foi publicado em setembro de 1939, pois a guerra estourou naquele momento. Sua publicação foi adiada. Em junho de 1940, os nazistas ocuparam Paris. A Gestapo visitou a gráfica antifascista, descobriu o texto, destruiu as matrizes e as provas. Apenas uma escapou à sua atenção. Sobreviveu e está em poder de Wilebaldo Solano.

Wilebaldo Solano salvaguardou a memória de Andreu Nin. Após o relatório Khrushchev[xviii], tentou obter a reabilitação. A perestroika e a criação em Moscou da associação “Memorial”, dedicada às vítimas de Stalin, estimularam suas energias. Criou uma Fundação Andreu Nin para reabilitar sua memória. Obteve o apoio do partido socialista no poder e o da Generalitat da Catalunha para a sua obra.

Finalmente, quando soube que o KGB vendia documentos de seus arquivos, incitou a televisão catalã a comprar a qualquer preço os documentos secretos sobre o assassinato de Andreu Nin. A equipe dessa televisão pôde filmar todas as peças e preparou um documento de cerca de 30 horas sobre a vida e a morte de Nin, com mais de cinquenta depoimentos, salvo o de Santiago Carrillo que, por outro lado, havia lamentado há alguns anos o que considerava um “erro”.

Em 5 de novembro de 1992, a TV3 catalã exibiu o documentário Operação Nikolai.[xix] A verdade triunfou depois de 55 anos. É muito confortante que tenha triunfado; é desolador que tenha sido necessário esperar 55 anos. Resulta inquietante pensar que o documento poderia ter sido destruído.

 

Reflexões finais

Wilebaldo Solano cita um trecho do “testamento” de Vladímir Lênin (um pouco modificado, creio): “não somos bastante civilizados para passar ao socialismo, e o socialismo é impossível sem a democracia”. Mas Lênin também não foi bastante civilizado para usar métodos democráticos. Acreditou na repressão, na aniquilação dos adversários, no terror.

Todo esse delírio assassino estava ligado ao fanatismo, e o fanatismo estava ligado a uma fé ardente na religião da salvação terrestre – fé-certeza, porque as leis do marxismo haviam provado cientificamente que a revolução liquidaria a exploração do homem pelo homem. Não esqueçamos, além disso, que a Revolução de Outubro não se realizou para a Rússia, mas para desencadear a revolução na Alemanha, na França, na Inglaterra e, encadeando-se uma após a outra, a revolução mundial.

Qual teria sido o produto da revolução na Alemanha, na França e na Inglaterra? Outra coisa, mas não sabemos qual teria se realizado entre todas as possíveis. O que é seguro é que o triunfo do “comunismo em um só país” foi o começo de uma catástrofe mundial.

Edgar Morin (1921-2026) foi antropólogo, sociólogo e filósofo. Autor, entre outros livros, de Lições de um século de vida (Bertand Brasil).

Publicado originalmente no portal da Fundação Andreu Nin [http://fundanin.net/2019/11/19/andreu-nin-resurreccion-de-una-muerte/]

Tradução: Alexandre Linares.

Notas

[i] KGB (Comitê de Segurança do Estado) foi a principal organização de polícia política secreta, inteligência e contra-inteligência da União Soviética, operacional de 1954 a 1991 (sucessora direta das estruturas do NKVD).

[ii] Alexander Orlov  (1895-1973), cujo nome de nascimento  Leiba  Feldbin e no exílio nos EUA adotou o nome de Igor Konstantinovich Berg foi o comandante da polícia secreta soviética e espião residente da NKVD na Segunda República Espanhola . Em 1938, Orlov recusou-se a retornar à União Soviética por medo dos expurgos de Stalin, em vez disso, fugiu com sua família para os EUA. Ele é mais conhecido por transportar secretamente todas as reservas de ouro espanholas para a URSS em troca de ajuda militar para a República Espanhola. É autor do livro “A História Secreta dos Crimes de Stalin”.

[iii] Le Libertaire foi um tradicional jornal anarquista francês, fundado originalmente no século XIX e reativado como órgão da União Anarquista na década de 1930. SIA (Solidarité internationale antifasciste) era uma organização e um periódico com o mesmo nome de solidariedade internacional de orientação anarco-sindicalista, criado para apoiar a Revolução Espanhola e os refugiados. Essais et Combats foi uma publicação da juventude socialista e revolucionária francesa de tendência anti-stalinista nos anos 1930. La Flèche era um semanário político francês dirigido por Gaston Bergery, de tendência esquerdista independente e antifascista, crítico da influência soviética stalinista.

[iv] NKVD (Comissariado do Povo para Assuntos Internos) foi a polícia política responsável pela perseguição de todos os dissidentes na URSS, Ela precedeu a KGB. Sob o comando de Stalin, foi o principal executor dos expurgos políticos e das operações secretas internacionais, como a eliminação de opositores na Guerra Civil Espanhola como Audrey Nin e o militar brasileiro Alberto Bomílcar Besouchet.

[v] Komintern é uma das formas de nomear a Internacional Comunista ou III Internacional, naquele momento já stalinizada.  Originalmente fundada por Lênin, Trotsky, Zinoviev e outros revolucionários em 1919 para unificar os partidos comunistas do mundo sob a liderança de Moscou. Durante o período stalinista, tornou-se um instrumento de controle, perseguição e expurgo de dissidências.

[vi] POUM (Partido Operário de Unificação Marxista): Partido marxista espanhol formado em 1935 pela fusão da Esquerda Comunista, então seção espanhola da Oposição de Esquerda Internacional liderado por Andreu Nin e pelo Bloco Operário e Camponês de Joaquín Maurín que era partidário das posições de Nikolai Bukharin. O POUM foi perseguido e colocado na ilegalidade pela Frente Popular sob ordens de Moscou.

[vii]Julián Gorkin era o pseudônimo de Julián Gómez García, escritor e um dos principais fundadores e dirigentes do POUM. Sobreviveu à perseguição estalinista e exilou-se na França e no México.

[viii] Gérad Bloch: Matemático e militante trotskista francês, membro do Partido Comunista Internacionalista (PCI) e esteve ao lado de Pierre Lambert na luta pela reconstrução da 4ª Internacional fundada por Leon Trotsky. Participou da Revolução Espanhola junto com o POUM e foi ativo na resistência francesa dentro das prisões. No Brasil há trabalhos seus traduzidos como “Marxismo e Anarquismo” (editora Kairós) e “Ciência e Luta de Classes”, parte da obra “Ciência e Revolução Social” (editora Nova Palavra).

[ix] Breton, Cassou, Dechezelles, Duvignaud, Nadeau, Rivet, Rous, Laurent Schwartz era um grupo de destacados intelectuais, cientistas e escritores franceses que, nas décadas de 1940 e 1950, mantiveram uma postura de esquerda independente e anti-stalinista militante. Entre eles destacam-se André Breton (líder do surrealismo), Jean Cassou (escritor e herói da Resistência), Jean Duvignaud (sociólogo), Maurice Nadeau (crítico literário e editor das obras de Sade), Paul Rivet (antropólogo), Jean Rous (jornalista político) e Laurent Schwartz (renomado matemático).

[x] “Fundação Andreu Nin” é uma Instituição cultural e política criada em 1988 por sobreviventes do POUM e familiares para preservar a memória histórica de Nin, recuperar a verdade sobre o seu assassinato e reabilitar a história da esquerda revolucionária espanhola não stalinista (https://fundanin.net).

[xi] A Confederação Nacional do Trabalho (CNT) era a principal central sindical espanhola de orientação anarcossindicalista. Foi uma das maiores forças revolucionárias da Espanha durante a Guerra Civil.

[xii] A Profintern, também conhecida como Internacional Sindical Vermelha era uma organização sindical internacional criada pela III Internacional para coordenar a ação sindical comunista global, rivalizando com os sindicatos social-democratas.

[xiii] Agrupamento político por Leon Trotsky originalmente no interior do Partido Comunista da União Soviética na década de 1920 e posteriormente em escala internacional para se opor à burocratização do regime e à teoria do “socialismo em um só país” defendido Stalin, defendendo a democracia operária na Internacional Comunista e seus partidos e a teoria internacionalista da “revolução permanente”.

[xiv] General Jan Berzin foi chefe da inteligência militar soviética na Espanha e Arthur Stashevsky  foi conselheiro econômico da URSS em Barcelona. Ambos priorizavam a eficácia militar contra Franco e se opunham aos expurgos políticos promovidos pelo NKVD. Foram chamados de volta a Moscou e executados por Stalin em 1938.

[xv] José Escoy (ou Escoi) foi o codinome de um agente do NKVD de origem brasileira, também chamado de Yusik, cujo nome real costuma ser associado a José Rodrigues Escofi ou variantes. Foi encarregado de forjar cartas falsas e mapas com tinta invisível que tentaram ligar o POUM à espionagem franquista.

[xvi] Ernő Gerő foi um agente húngaro do Komintern e do NKVD atuante na Espanha, onde era conhecido como “Pedro”. Anos mais tarde, tornou-se dirigente do Partido Comunista Húngaro e foi um dos principais responsáveis pela violenta repressão ao levante antiburocrático e democrático de 1956 na Hungria que ficou conhecida como “Revolução dos Conselhos”.

[xvii] A revista francesa Spartakus era uma publicação de tendência comunista de conselhos e anti-stalinista, ativa em Paris no final da década de 1930.

[xviii] Relatório Khrushchev foi o discurso proferido por Nikita Khrushchev, em fevereiro de 1956 durante o XX Congresso do Partido Comunista da URSS. O documento denunciou oficialmente os crimes de Stalin, o culto à personalidade e os expurgos, dando início ao processo de “desestalinização”.

[xix] “Operação Nikolai” é título do documentário investigativo exibido em 1992 pela emissora pública de televisão catalã (TV3). A produção teve acesso inédito aos arquivos recém-abertos do KGB em Moscou, provando cabalmente a autoria soviética no assassinato de Andreu Nin e localizando os documentos da farsa montada contra ele. Pode ser assistindo no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=nyvHKR6yjgo

Sem comentários:

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.